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Saúde

Ozempic surgiu do veneno: veja a origem do remédio usado para emagrecer

Redação Informe 360

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Parece ficção científica, mas é pura biotecnologia: um dos remédios mais populares da atualidade tem origem no veneno de um monstro. O Ozempic, usado no tratamento da diabetes tipo 2 e cada vez mais famoso por seus efeitos na perda de peso, nasceu a partir de uma descoberta inusitada nos laboratórios da ciência – e dentro das glândulas peçonhentas do monstro-de-gila (Heloderma suspectum), um lagarto venenoso nativo do deserto dos Estados Unidos.

Pesquisadores perceberam que o veneno do réptil prolongava a ação do hormônio GLP-1, responsável pelo controle do açúcar no sangue. A partir disso, sintetizaram uma versão segura para uso humano. O resultado foi uma classe de medicamentos que, além de tratar diabetes, reduzem o apetite e ajudam na perda de peso.

Essa não é a primeira vez que a natureza inspira a medicina. Por exemplo, o veneno da jararaca levou à criação de remédios para pressão alta. Além disso, uma esponja marinha do Caribe contribuiu para o desenvolvimento de quimioterápicos. É o mundo selvagem que ainda guarda segredos que podem transformar a saúde humana.

Ozempic e o segredo do monstro: como um veneno virou remédio para diabetes e emagrecimento

A jornada do Ozempic começou no intestino humano. Em 1984, o endocrinologista Daniel Drucker identificou o hormônio GLP-1, essencial para regular o açúcar no sangue e controlar o apetite. O potencial terapêutico era evidente, mas havia um obstáculo: o hormônio era rapidamente degradado pelo organismo, dificultando sua aplicação clínica.

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Imagem mostra injeção de Ozempic, remédio aliado do controle da diabetes tipo 2.
Um medicamento criado a partir de uma molécula inspirada na natureza, agora usado no tratamento do diabetes e da obesidade (Imagem: Marc Bruxelle/Shutterstock)

No veneno do monstro-de-gila, o bioquímico John Eng encontrou uma molécula semelhante ao GLP-1, mas com ação prolongada. Ele sintetizou uma versão farmacêutica da substância e a batizou de Exenatida, criando a base para uma nova geração de medicamentos. A descoberta permitiu o desenvolvimento de fármacos modernos usados no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.

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A pesquisa levou décadas até que esses medicamentos chegassem ao mercado. Em 2005, a Exenatida se tornou o primeiro análogo sintético do hormônio a receber aprovação para uso médico. Posteriormente, novas formulações foram desenvolvidas, incluindo o Ozempic, que aprimorou a duração e a eficácia do tratamento, consolidando essa classe de remédios no controle da glicose e na perda de peso.

A descoberta que transformou o tratamento da diabetes e gerou polêmica

A popularização desses medicamentos mudou o cenário dos tratamentos metabólicos. Inicialmente voltados para a diabetes tipo 2, eles passaram a ser prescritos para a perda de peso, impulsionados por relatos de celebridades e influenciadores. O impacto foi imediato: a demanda cresceu, e estoques começaram a faltar em diversos países, prejudicando pacientes que realmente precisam da medicação para controlar a glicose.

Imagem mostra caneta de Ozempic com fita métrica.
De tratamento para diabetes a febre do emagrecimento, o Ozempic levanta debates sobre uso e limites (Imagem: Alones/Shutterstock)

Com a explosão do uso, vieram os questionamentos. Especialistas alertam que, embora eficazes, esses fármacos não são soluções milagrosas para emagrecimento. Seus efeitos colaterais incluem náuseas, desconfortos gastrointestinais e até perda de massa muscular. Além disso, a interrupção do tratamento pode levar ao reganho de peso, reforçando a necessidade de acompanhamento médico adequado.

Enquanto isso, novas pesquisas continuam explorando os limites dessa classe de medicamentos. Cientistas buscam melhorar a eficácia e reduzir os efeitos adversos, enquanto autoridades de saúde monitoram o uso fora das indicações originais. O que começou com uma descoberta improvável segue transformando a medicina – e gerando debates sobre seus impactos a longo prazo.

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Saúde

Sobe para 140 número de casos confirmados de Mpox no país, em 2026

Redação Informe 360

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O número de casos confirmados de Mpox no país subiu para 140 desde o início de 2026. Não houve registro de mortes decorrentes da doença no período. Os casos suspeitos somam 539; além de 9 prováveis. Os dados são do Ministério da Saúde e foram atualizados nesta segunda-feira (9).

Em janeiro, o número de casos confirmados e prováveis totalizou 68; em fevereiro, 70; e em março, 11. No ano, o estado que mais registrou casos da doença foi São Paulo (93), seguido pelo Rio de Janeiro (18) e Rondônia (11).

Mpox

A Mpox é uma doença do mesmo gênero da varíola humana, mas geralmente menos letal. Trata-se de uma doença zoonótica viral em que a transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com pessoas infectadas pelo Mpox vírus, materiais contaminados com o vírus, ou animais silvestres infectados.

Os sinais e sintomas, em geral, incluem erupção cutânea ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrio, e fraqueza.

Pessoas com sintomas compatíveis devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. Recomenda-se evitar o contato próximo com outras pessoas.

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Saúde

Obesidade está por trás de 10% das mortes por infecção no mundo – saiba o porquê

Redação Informe 360

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Um estudo divulgado na revista The Lancet aponta que os problemas relacionados à obesidade podem ser ainda mais graves do que se pensava. De acordo com o trabalho, 1 em cada 10 mortes relacionadas a infecções são atribuídas ao excesso de peso.

A doença, que já é considerada uma epidemia nos dias de hoje, pode impactar a resposta imunológica do corpo, tornando as pessoas mais vulneráveis a infecções. Cientistas de diversas partes do mundo estão investigando essa conexão e buscando entender as razões por trás desse fenômeno alarmante.

Trabalho pode ajudar a reduzir número de mortes

Estudos anteriores já mostraram que indivíduos com obesidade tendem a desenvolver complicações mais graves quando contaminados por vírus e bactérias. Agora, com essa nova pesquisa, a preocupação aumenta, buscando soluções que possam ajudar a mitigar esses riscos.

Uma das teorias que está ganhando força sugere que a inflamação crônica associada à obesidade pode prejudicar a eficácia do sistema imunológico. Essa condição cria um ambiente no corpo que pode favorecer a proliferação de infecções.

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obesidade

Excesso de peso pode prejudicar resposta imunológica do organismo (Imagem: grinvalds/iStock)

Portanto, entender essa dinâmica é crucial para criar estratégias de saúde pública que ajudem a prevenir complicações relacionadas à obesidade.

Além disso, os pesquisadores estão se perguntando se as vacinas têm a mesma eficácia em indivíduos com excesso de peso. Essa dúvida é ainda mais pertinente considerando o contexto atual, onde a vacinação se tornou uma prioridade global.

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Desafio global

  • A ligação entre obesidade e mortes por infecções representa um desafio significativo para a saúde global.
  • À medida que os cientistas continuam a desvendar os mecanismos por trás dessa relação, novas informações podem surgir.
  • E estes dados são considerados fundamentais para possibilitar intervenções mais eficazes para proteger os grupos mais vulneráveis.
  • Para isso, no entanto, novos estudos são necessários.

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Saúde

Remédio que dispensa jejum é mais potente que semaglutida oral, diz estudo na Lancet

Redação Informe 360

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Um novo medicamento experimental chamado orforgliprona, da Eli Lilly, demonstrou resultados significativos para adultos que enfrentam a obesidade e o diabetes tipo 2. Em testes que duraram 72 semanas, os pacientes que utilizaram a substância conseguiram reduzir o peso corporal em até 9,6%.

Os dados, publicados na revista científica The Lancet, mostram que o remédio foi muito mais eficiente que o placebo. A grande vantagem prática é que se trata de uma pílula oral que não exige restrições de horário para comer ou beber água, o que torna o tratamento muito mais simples de seguir no dia a dia. 

Além de emagrecer, o medicamento, que pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, ajudou a controlar o açúcar no sangue e melhorou indicadores da saúde do coração.

Orforgliprona supera semaglutida oral no controle do diabetes

Um estudo, chamado ACHIEVE-3, comparou diretamente o novo fármaco com a semaglutida oral (famosa versão em comprimido de tratamentos para diabetes) em 1.698 adultos. Durante um ano, os participantes tomaram doses diárias de 12 mg ou 36 mg de orforgliprona, ou doses de 7 mg ou 14 mg de semaglutida, sempre acompanhados de mudanças no estilo de vida.

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Durante um ano, os participantes tomaram doses diárias de orforgliprona ou de semaglutida (Imagem: brizmaker/Shutterstock)

Os números mostram uma vantagem clara: a dose de 36 mg da orforgliprona promoveu uma perda de peso de 8,9 kg, enquanto a semaglutida de 14 mg ficou em 5 kg. Isso significa que o medicamento experimental foi 73,6% mais potente para emagrecer do que o concorrente já disponível no mercado. No controle da glicose, a orforgliprona também venceu, reduzindo a hemoglobina glicada em 2,2%, contra 1,4% da semaglutida.

No entanto, o tratamento exige atenção aos efeitos colaterais. Assim como outros remédios da mesma família, a orforgliprona causa náuseas, diarreia e vômitos, principalmente no início do ajuste das doses. Um ponto de alerta é que o número de pessoas que desistiram do tratamento por não suportarem esses efeitos foi maior no novo medicamento (entre 8,7% e 9,7%) do que na semaglutida (cerca de 4,5% a 4,9%).

Apesar do desconforto gástrico, a substância trouxe melhorias no colesterol e na pressão arterial dos voluntários. Quanto à segurança, as mortes registradas durante os testes globais não tiveram relação comprovada com o uso do remédio. A fabricante Eli Lilly agora aguarda a decisão do FDA, a Anvisa dos Estados Unidos, para liberar o uso contra a obesidade no próximo trimestre. O pedido para o tratamento específico de diabetes tipo 2 deve ficar para o fim de 2026.

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