Saúde
Como surgiu a primeira vacina? Descubra a doença que deu início aos estudos de imunização

Hoje, facilmente entramos em uma clínica e somos vacinados para prevenir a contração de várias doenças, como sarampo e a febre-amarela. No entanto, nem sempre foi assim.
Há pouco mais de 200 anos, uma mulher foi pioneira em trazer para o Ocidente uma técnica rudimentar de vacina, chamada variolação, para combater a varíola. Pouco tempo depois, um médico britânico por meio de uma observação deu início aos estudos sobre imunização da doença.
Entenda mais o que é a varíola e como surgiu a primeira vacina do mundo, sendo responsável por erradicar a doença pela primeira vez.
O que é a varíola?
A varíola é uma doença causada por um vírus, cuja primeira descrição escrita foi documentada no Oriente, por volta do século IV, na China e na Índia, embora sua origem exata seja desconhecida. Na Europa medieval, surgiram descrições mais detalhadas da doença, que se espalhou amplamente em razão das intensas rotas comerciais e invasões da época.
Essa expansão territorial das maiores potências da época também levou a contaminação de povos mais suscetíveis a doenças, como os indígenas nas Américas.
O que a varíola causa?
Os sintomas da varíola surgiam em fases, e o período de incubação era geralmente de 7 a 17 dias, durante o qual a pessoa não apresentava sintomas nem era contagiosa.
Após o período de incubação, os sintomas principais eram: febre alta, dores de cabeça intensas e dores nas costas, fadiga extrema e erupções cutâneas que começava no rosto e se espalhava para o tronco, braços e pernas.

Essas erupções progrediam para pústulas preenchidas por líquido, que eventualmente secavam, formando crostas. As lesões eram muito dolorosas e, uma vez mesmo se curadas, deixavam cicatrizes permanentes.
A transmissão da doença ocorria via contato direto, gotículas respiratórias e objetos contaminados, sendo altamente contagiosa em uma época em que o conhecimento científico sobre infecções era limitado.
Com uma taxa de mortalidade de 30%, a varíola inicialmente causou milhões de mortes na Europa e na Ásia. Ao chegar às Américas, os colonizadores introduziram o vírus entre os povos indígenas, que nunca haviam tido contato com essa e outras doenças, resultando na dizimação de grande parte de sua população.
O que é a variolação?
Praticada no Oriente Médio desde o século XVI, a variolação era um método rudimentar de imunização, com uma taxa de mortalidade entre 1 e 2%. O procedimento envolvia a coleta das crostas formadas pelas lesões na pele de uma pessoa infectada, que eram maceradas e introduzidas nas vias respiratórias de indivíduos saudáveis, ou até mesmo coleta do pus das feridas que eram inseridas em cortes na pele dos saudáveis. Expondo-os ao vírus de maneira, em certa medida, controlada.
O objetivo era induzir uma resposta imune e permitir que o corpo, em uma futura exposição, combatesse o patógeno, embora na época esse conhecimento fosse limitado. Apesar dos riscos, a prática ajudou a reduzir a mortalidade da doença na Ásia.

Essa prática só se espalhou na Europa a partir do século XVIII. A britânica Lady Mary Wortley Montagu foi responsável pela introdução da variolação no Ocidente em 1722. Ela descobriu a prática enquanto vivia no Império Turco-Otomano, onde seu marido era embaixador de Constantinopla na época, hoje chamado de Istambul. Com sua volta à Inglaterra em 1721, começou a promover essa prática, primeiro já feito em seu próprio filho.
Leia mais
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O surgimento da primeira vacina
A variolação enfrentou uma certa resistência, mas logo se espalhou pela Europa e colônias americanas. No entanto, em 1796, o médico e naturalista inglês Edward Jenner, observou que mulheres que ordenhavam vacas apresentavam feridas nas mãos, decorrente da infecção com o vírus da varíola bovina (cowpox, em inglês), o vírus vaccinia, causando uma doença mais leve, sendo localizada e não letal.
Essas ordenhadoras pareciam imunes a varíola humana, e com isso, Jenner gerou uma hipótese do que poderia estar acontecendo, mas para confirmá-la foram necessários testes. Primeiro, foi realizada a inoculação do material de uma lesão de cowpox em um menino de oito anos chamado James Phipps.
Jenner retirou o pus de uma lesão de uma ordenhadora infectada pelo vírus vaccinia e o aplicou em pequenos cortes no braço de James. O menino desenvolveu uma febre baixa e alguns sintomas leves, mas logo se recuperou.
Depois disso, Jenner expôs James ao vírus da varíola humana para verificar se ele tinha imunidade. Como esperado, o menino não desenvolveu a doença, provando que o método era eficaz. Essa descoberta revolucionária marcou o início da vacinação moderna e estabeleceu os princípios da imunização.
Após a descoberta de Edward Jenner, a vacinação contra a varíola passou a usar o vírus da varíola bovina, já que provocava uma infecção leve, mas oferecia imunidade contra a varíola humana. No século XIX, a vacinação contra a varíola se popularizou e começou a ser incentivada pelos governos, com uma contínua resistência partindo de alguns grupos.
Durante esse período, a vacina produzida usando o vírus vaccinia de bovinos, permitiu a produção em larga escala. A vacinação em massa começou a ser aplicada, com alguns países europeus tornando-a obrigatória em meados do século XIX.
A erradicação da varíola por meio da vacinação
No século XX, a produção e administração da vacina foram aprimoradas. Na década de 1950, a OMS iniciou campanhas de vacinação em países onde a varíola ainda era endêmica, e em 1967 lançou o Programa Intensivo de Erradicação da Varíola.
Esse programa usou a vacinação em massa e a estratégia de vacinação em anel, que consistia em vacinar todas as pessoas ao redor de um caso confirmado para interromper a transmissão.
Em 1980, a OMS declarou a varíola oficialmente erradicada, tornando-a a primeira doença humana eliminada por meio da vacinação.
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Saúde
Fones Bluetooth causam nódulos na tireoide? O que a ciência realmente diz

Um estudo sugere que usar fones de ouvido Bluetooth por muito tempo pode estar ligado ao surgimento de nódulos na tireoide. A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports em 2024, usou dados de usuários e inteligência artificial (IA) para analisar possíveis fatores de risco.
O tema viralizou nas redes sociais, mas os próprios autores e especialistas consultados pelo G1 dizem que o estudo não prova que os fones causam nódulos. Ele mostra apenas uma associação estatística, que precisa ser confirmada por pesquisas mais detalhadas.
Estudo sugere relação entre tempo de uso de fones Bluetooth e risco de nódulos na tireoide
Os pesquisadores analisaram 600 questionários e aplicaram modelos de IA para identificar fatores associados a nódulos na tireoide. Depois de ajustar os dados para reduzir distorções, eles encontraram dois fatores principais: idade e tempo diário de uso de fones Bluetooth.

A análise indicou que quanto maior o tempo de uso diário, maior a probabilidade de nódulos, dentro do conjunto de dados estudado. O modelo usado pelos cientistas teve AUC de 0,95, indicador de alta precisão na previsão de risco.
Os autores explicam que a tireoide é sensível à radiação e que dispositivos Bluetooth emitem radiação não ionizante, a mesma categoria usada por celulares e Wi-Fi. Eles citam estudos anteriores que sugerem possíveis efeitos biológicos, como alterações hormonais. Mas deixam claro que as evidências em humanos ainda são limitadas.
Além disso, a pesquisa também tem limitações. São elas:
- Os dados foram informados pelos próprios participantes, o que pode gerar erros;
- A amostra é jovem, o que dificulta aplicar os resultados a toda a população;
- Os autores reforçam que associação não significa causa: para provar uma relação direta, seriam necessários estudos com acompanhamento ao longo do tempo e grupos de controle.
Enquanto isso, vídeos nas redes sociais exageram os resultados do estudo. É importante frisar: especialistas dizem que: 1) não há evidências consistentes de efeitos nocivos da radiofrequência dentro dos limites recomendados; e 2) o principal risco conhecido dos fones está ligado ao volume alto e ao tempo de exposição ao som, não à radiação.
Os pesquisadores dizem que o estudo deve ser visto como um primeiro passo. Em outras palavras, mais pesquisas sobre o tema são necessárias. Até lá, vale aplicar a regrinha 60/60 na hora de usar fones de ouvido (sejam Bluetooth ou não): volume em aproximadamente 60% por 60 minutos. Depois desse período, deixe seus ouvidos (e mente) descansarem.
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Saúde
Anvisa manda recolher chocolate Laka por erro na embalagem

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote do chocolate Laka, fabricado pela Mondelez. A decisão foi publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (22).
O problema envolve um erro de embalagem que pode afetar consumidores com restrições alimentares. A medida busca garantir informação correta no rótulo e reduzir riscos à saúde.
Erro fez chocolate com biscoito ser vendido como Laka tradicional
A Anvisa informou que o lote CC28525493 apresenta erro na embalagem. No processo de fabricação, o chocolate com bolacha foi embalado com o rótulo do Laka tradicional.

Com isso, a embalagem não traz informações importantes, como a presença de glúten. Isso pode causar reações em pessoas alérgicas ou intolerantes ao ingrediente.
A decisão foi tomada após a própria empresa comunicar o recolhimento voluntário do produto. Em nota ao Olhar Digital, a Mondelez disse o seguinte:
“Informamos que adotamos preventivamente o processo de recolhimento voluntário do CHOCOLATE BRANCO 145g, da marca LAKA do lote CC28525493 (formato tablete), com prazo de validade 14/07/2026, pois este apresenta indevidamente em seu interior o tablete de LAKA OREO. Reforçamos que o chocolate não apresenta qualquer problema de qualidade, mas está sendo recolhido voluntariamente, de maneira preventiva do mercado, prezando pela segurança dos consumidores alérgicos ou intolerantes ao trigo, por conter este ingrediente em sua composição, não declarado no rótulo de LAKA.
Os produtos destes lotes já adquiridos pelos consumidores poderão ser substituídos por outro produto da mesma natureza sem qualquer custo, por meio de contato gratuito com o nosso Serviço de Atendimento ao Consumidor, pelo telefone 0800 704 1940, de segunda a sexta-feira das 08h às 17h, exceto feriados.”
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Saúde
Tecnologia usada na pandemia de Covid também pode ajudar a tratar câncer de pele

Um tratamento experimental contra câncer de pele que usa RNA mensageiro (mRNA) apresentou resultados animadores. Em estudo clínico, a terapia reduziu quase pela metade o risco de a doença voltar ou levar à morte quando usada junto a medicamento já aprovado.
A base é a mesma tecnologia usada para vacinas contra a Covid-19, mas aplicada de outro jeito. Em vez de fórmula única, o tratamento é personalizado para cada paciente, usando informações genéticas do próprio tumor para ensinar o sistema imunológico a atacar o câncer.
Tratamento usa mRNA para ‘treinar’ sistema imunológico
O medicamento experimental se chama intismeran autogene. Ele está sendo desenvolvido pela Moderna, em parceria com a Merck. E foi testado em conjunto com o Keytruda, imunoterápico já usado contra vários tipos de câncer.

O estudo acompanhou 157 pacientes com melanoma que havia voltado ou se espalhado após cirurgia. Parte deles recebeu o tratamento combinado; outra parte usou apenas o Keytruda. Após cinco anos, o grupo que recebeu a combinação teve queda de cerca de 49% no risco de recorrência ou morte.
O processo funciona assim: os cientistas analisam o DNA do tumor para identificar mutações específicas. Depois, o mRNA carrega instruções para o sistema imunológico reconhecer essas mutações e atacar as células cancerígenas. E o Keytruda ajuda a manter essa resposta imune ativa.
Resultados animam, mas especialistas pedem cautela
Segundo a Moderna, o tratamento teve perfil de segurança semelhante ao do Keytruda sozinho. Os efeitos colaterais mais comuns foram fadiga, dor no local da aplicação e calafrios, sem aumento relevante de reações graves.
Apesar dos resultados promissores, especialistas ouvidos pelo Washington Post pedem cautela. Um estudo maior, já em andamento, deve divulgar novos dados ainda em 2026. Esses resultados serão decisivos para confirmar se a terapia realmente funciona e se pode avançar para aprovação e uso mais amplo.
O melanoma é o tipo mais letal de câncer de pele. Nos Estados Unidos, surgem mais de 100 mil novos casos por ano. Quando descoberto cedo, a taxa de sobrevivência em cinco anos chega a 95%. Mas esse número cai para cerca de 35% quando o câncer se espalha para outros órgãos.
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