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Saúde

Como surgiu a primeira vacina? Descubra a doença que deu início aos estudos de imunização

Redação Informe 360

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Hoje, facilmente entramos em uma clínica e somos vacinados para prevenir a contração de várias doenças, como sarampo e a febre-amarela. No entanto, nem sempre foi assim.

Há pouco mais de 200 anos, uma mulher foi pioneira em trazer para o Ocidente uma técnica rudimentar de vacina, chamada variolação, para combater a varíola. Pouco tempo depois, um médico britânico por meio de uma observação deu início aos estudos sobre imunização da doença.

Entenda mais o que é a varíola e como surgiu a primeira vacina do mundo, sendo responsável por erradicar a doença pela primeira vez.

O que é a varíola?

A varíola é uma doença causada por um vírus, cuja primeira descrição escrita foi documentada no Oriente, por volta do século IV, na China e na Índia, embora sua origem exata seja desconhecida. Na Europa medieval, surgiram descrições mais detalhadas da doença, que se espalhou amplamente em razão das intensas rotas comerciais e invasões da época.

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Essa expansão territorial das maiores potências da época também levou a contaminação de povos mais suscetíveis a doenças, como os indígenas nas Américas.

O que a varíola causa?

Os sintomas da varíola surgiam em fases, e o período de incubação era geralmente de 7 a 17 dias, durante o qual a pessoa não apresentava sintomas nem era contagiosa.

Após o período de incubação, os sintomas principais eram: febre alta, dores de cabeça intensas e dores nas costas, fadiga extrema e erupções cutâneas que começava no rosto e se espalhava para o tronco, braços e pernas.

Menina com varíola
Imagem: airdone / iStock

Essas erupções progrediam para pústulas preenchidas por líquido, que eventualmente secavam, formando crostas. As lesões eram muito dolorosas e, uma vez mesmo se curadas, deixavam cicatrizes permanentes.

A transmissão da doença ocorria via contato direto, gotículas respiratórias e objetos contaminados, sendo altamente contagiosa em uma época em que o conhecimento científico sobre infecções era limitado.

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Com uma taxa de mortalidade de 30%, a varíola inicialmente causou milhões de mortes na Europa e na Ásia. Ao chegar às Américas, os colonizadores introduziram o vírus entre os povos indígenas, que nunca haviam tido contato com essa e outras doenças, resultando na dizimação de grande parte de sua população.

O que é a variolação?

Praticada no Oriente Médio desde o século XVI, a variolação era um método rudimentar de imunização, com uma taxa de mortalidade entre 1 e 2%. O procedimento envolvia a coleta das crostas formadas pelas lesões na pele de uma pessoa infectada, que eram maceradas e introduzidas nas vias respiratórias de indivíduos saudáveis, ou até mesmo coleta do pus das feridas que eram inseridas em cortes na pele dos saudáveis. Expondo-os ao vírus de maneira, em certa medida, controlada. 

O objetivo era induzir uma resposta imune e permitir que o corpo, em uma futura exposição, combatesse o patógeno, embora na época esse conhecimento fosse limitado. Apesar dos riscos, a prática ajudou a reduzir a mortalidade da doença na Ásia.

vacina
A variolação é considerada um método rudimentar e precursor das vacinas modernas (Imagem: PhotobyTawat/Shutterstock)

Essa prática só se espalhou na Europa a partir do século XVIII. A britânica Lady Mary Wortley Montagu foi responsável pela introdução da variolação no Ocidente em 1722. Ela descobriu a prática enquanto vivia no Império Turco-Otomano, onde seu marido era embaixador de Constantinopla na época, hoje chamado de Istambul. Com sua volta à Inglaterra em 1721, começou a promover essa prática, primeiro já feito em seu próprio filho. 

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O surgimento da primeira vacina

A variolação enfrentou uma certa resistência, mas logo se espalhou pela Europa e colônias americanas. No entanto, em 1796, o médico e naturalista inglês Edward Jenner, observou que mulheres que ordenhavam vacas apresentavam feridas nas mãos, decorrente da infecção com o vírus da varíola bovina (cowpox, em inglês), o vírus vaccinia, causando uma doença mais leve, sendo localizada e não letal.

Essas ordenhadoras pareciam imunes a varíola humana, e com isso, Jenner gerou uma hipótese do que poderia estar acontecendo, mas para confirmá-la foram necessários testes. Primeiro, foi realizada a inoculação do material de uma lesão de cowpox em um menino de oito anos chamado James Phipps.

Jenner retirou o pus de uma lesão de uma ordenhadora infectada pelo vírus vaccinia e o aplicou em pequenos cortes no braço de James. O menino desenvolveu uma febre baixa e alguns sintomas leves, mas logo se recuperou.

Depois disso, Jenner expôs James ao vírus da varíola humana para verificar se ele tinha imunidade. Como esperado, o menino não desenvolveu a doença, provando que o método era eficaz. Essa descoberta revolucionária marcou o início da vacinação moderna e estabeleceu os princípios da imunização.

Após a descoberta de Edward Jenner, a vacinação contra a varíola passou a usar o vírus da varíola bovina, já que provocava uma infecção leve, mas oferecia imunidade contra a varíola humana. No século XIX, a vacinação contra a varíola se popularizou e começou a ser incentivada pelos governos, com uma contínua resistência partindo de alguns grupos.

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Durante esse período, a vacina produzida usando o vírus vaccinia de bovinos, permitiu a produção em larga escala. A vacinação em massa começou a ser aplicada, com alguns países europeus tornando-a obrigatória em meados do século XIX.

A erradicação da varíola por meio da vacinação

No século XX, a produção e administração da vacina foram aprimoradas. Na década de 1950, a OMS iniciou campanhas de vacinação em países onde a varíola ainda era endêmica, e em 1967 lançou o Programa Intensivo de Erradicação da Varíola.

Esse programa usou a vacinação em massa e a estratégia de vacinação em anel, que consistia em vacinar todas as pessoas ao redor de um caso confirmado para interromper a transmissão.

Em 1980, a OMS declarou a varíola oficialmente erradicada, tornando-a a primeira doença humana eliminada por meio da vacinação.

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Saúde

Anvisa manda recolher chocolate Laka por erro na embalagem

Redação Informe 360

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote do chocolate Laka, fabricado pela Mondelez. A decisão foi publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (22).

O problema envolve um erro de embalagem que pode afetar consumidores com restrições alimentares. A medida busca garantir informação correta no rótulo e reduzir riscos à saúde.

Erro fez chocolate com biscoito ser vendido como Laka tradicional

A Anvisa informou que o lote CC28525493 apresenta erro na embalagem. No processo de fabricação, o chocolate com bolacha foi embalado com o rótulo do Laka tradicional.

Portal da Anvisa
Anvisa informou que o lote CC28525493 do chocolate Laka apresenta erro na embalagem (Imagem: rafastockbr/Shutterstock)

Com isso, a embalagem não traz informações importantes, como a presença de glúten. Isso pode causar reações em pessoas alérgicas ou intolerantes ao ingrediente.

A decisão foi tomada após a própria empresa comunicar o recolhimento voluntário do produto. Em nota ao Olhar Digital, a Mondelez disse o seguinte:

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Informamos que adotamos preventivamente o processo de recolhimento voluntário do CHOCOLATE BRANCO 145g, da marca LAKA do lote CC28525493 (formato tablete), com prazo de validade 14/07/2026, pois este apresenta indevidamente em seu interior o tablete de LAKA OREO. Reforçamos que o chocolate não apresenta qualquer problema de qualidade, mas está sendo recolhido voluntariamente, de maneira preventiva do mercado, prezando pela segurança dos consumidores alérgicos ou intolerantes ao trigo, por conter este ingrediente em sua composição, não declarado no rótulo de LAKA.

Os produtos destes lotes já adquiridos pelos consumidores poderão ser substituídos por outro produto da mesma natureza sem qualquer custo, por meio de contato gratuito com o nosso Serviço de Atendimento ao Consumidor, pelo telefone 0800 704 1940, de segunda a sexta-feira das 08h às 17h, exceto feriados.”

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Saúde

Tecnologia usada na pandemia de Covid também pode ajudar a tratar câncer de pele

Redação Informe 360

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Um tratamento experimental contra câncer de pele que usa RNA mensageiro (mRNA) apresentou resultados animadores. Em estudo clínico, a terapia reduziu quase pela metade o risco de a doença voltar ou levar à morte quando usada junto a medicamento já aprovado.

A base é a mesma tecnologia usada para vacinas contra a Covid-19, mas aplicada de outro jeito. Em vez de fórmula única, o tratamento é personalizado para cada paciente, usando informações genéticas do próprio tumor para ensinar o sistema imunológico a atacar o câncer.

Tratamento usa mRNA para ‘treinar’ sistema imunológico

O medicamento experimental se chama intismeran autogene. Ele está sendo desenvolvido pela Moderna, em parceria com a Merck. E foi testado em conjunto com o Keytruda, imunoterápico já usado contra vários tipos de câncer.

Médica fazendo exame de câncer de pele
Terapia com mRNA reduziu quase pela metade o risco do melanoma voltar ou levar à morte (Imagem: Rovsky/Shutterstock)

O estudo acompanhou 157 pacientes com melanoma que havia voltado ou se espalhado após cirurgia. Parte deles recebeu o tratamento combinado; outra parte usou apenas o Keytruda. Após cinco anos, o grupo que recebeu a combinação teve queda de cerca de 49% no risco de recorrência ou morte.

O processo funciona assim: os cientistas analisam o DNA do tumor para identificar mutações específicas. Depois, o mRNA carrega instruções para o sistema imunológico reconhecer essas mutações e atacar as células cancerígenas. E o Keytruda ajuda a manter essa resposta imune ativa.

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Resultados animam, mas especialistas pedem cautela

Segundo a Moderna, o tratamento teve perfil de segurança semelhante ao do Keytruda sozinho. Os efeitos colaterais mais comuns foram fadiga, dor no local da aplicação e calafrios, sem aumento relevante de reações graves.

Apesar dos resultados promissores, especialistas ouvidos pelo Washington Post pedem cautela. Um estudo maior, já em andamento, deve divulgar novos dados ainda em 2026. Esses resultados serão decisivos para confirmar se a terapia realmente funciona e se pode avançar para aprovação e uso mais amplo.

O melanoma é o tipo mais letal de câncer de pele. Nos Estados Unidos, surgem mais de 100 mil novos casos por ano. Quando descoberto cedo, a taxa de sobrevivência em cinco anos chega a 95%. Mas esse número cai para cerca de 35% quando o câncer se espalha para outros órgãos.

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Saúde

O próximo salto da ciência: simular um cérebro humano num supercomputador

Redação Informe 360

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Cientistas estão prestes a fazer algo que parece saído de uma história de ficção científica: a simulação de um cérebro humano num supercomputador. Com o baita avanço no poder de processamento mundo afora, pesquisadores agora possuem as ferramentas necessárias para rodar modelos que reproduzem a complexidade biológica da nossa mente.

O projeto é um salto monumental após o sucesso do mapeamento do cérebro de uma mosca-das-frutas em 2024. Enquanto o inseto exigiu o rastreio de 54,5 milhões de sinapses, recriar a arquitetura humana envolve lidar com bilhões de neurônios, o que promete revelações sobre o funcionamento do nosso pensamento.

Poder de processamento alcança o nível necessário para simular cérebro humano

Para recriar o funcionamento de uma mente humana, os pesquisadores utilizam as máquinas mais potentes do mundo, capazes de realizar cálculos que até pouco tempo atrás eram impossíveis. Esse novo patamar de hardware permite que modelos digitais suportem a fiação biológica de escala humana, funcionando como um espelho de células reais num ambiente virtual.

Biocomputação: como mini cérebros estão impulsionando a próxima era da IA
Com o avanço no poder de processamento mundo afora, pesquisadores agora possuem as ferramentas necessárias para simular um cérebro humano num supercomputador (Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock)

O desafio técnico não reside apenas na quantidade bruta de dados, mas na velocidade com que eles interagem entre si. A meta agora é simular o disparo sincronizado de bilhões de células nervosas, o que deve permitir observar em tempo real como a informação flui através da rede. Pela primeira vez, a tecnologia consegue acompanhar o ritmo biológico de processamento.

Essa simulação se apoia no crescente entendimento sobre o conectoma, o “mapa de fiação” do cérebro no qual cada conexão é detalhada. Sabemos cada vez melhor como os neurônios se agrupam e se comunicam, o que torna o modelo computacional uma ferramenta de alta fidelidade. Por isso, não se trata de uma estimativa genérica, mas de uma reconstrução baseada em dados biológicos precisos.

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As implicações práticas são vastas e podem revolucionar o tratamento de distúrbios neurológicos num futuro próximo. Ao testar reações num cérebro virtual, cientistas podem prever efeitos de novos medicamentos e entender falhas de conexão sem oferecer riscos a pacientes. Assim, o supercomputador torna-se a peça central para decifrar mistérios da consciência humana.

(Essa matéria usou informações de New Scientist.)

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