Saúde
Campanha de vacinação nas escolas tem início nesta segunda-feira (14)

Para estudantes com até 15 anos, vacinas contra febre amarela, tríplice viral e tríplice bacteriana. Para os maiores de 5 anos e menores de 15 anos, além dessas, proteção contra meningite e HPV. Com esse pacote de amparo à vida e à saúde, tem início nesta segunda-feira, 14 de abril, a campanha da Semana Saúde na Escola, cujo tema em 2025 é “Vacinação nas Escolas – Ciência e Defesa da Vida”.
Neste ano, o Governo Federal conta com uma novidade: a Caderneta de Vacinação Digital. O documento permite aos familiares ou responsáveis monitorar todas as vacinas, conferir se está em dia com a imunização e acompanhar todas as informações das consultas e da saúde dos seus filhos. Segundo o Ministério da Saúde, a ferramenta também alertará quando for o momento da criança tomar uma nova vacina ou uma dose de reforço. Para fazer o download da caderneta, basta acessar o aplicativo Meu SUS Digital.
30 MILHÕES – O objetivo da campanha, que termina no próximo dia 25, é vacinar 30 milhões de alunos da educação infantil, do ensino fundamental e médio menores de 15 anos, de 110 mil escolas. A iniciativa é uma realização do Governo Federal, por meio dos ministérios da Educação (MEC) e da Saúde (MS). Os alunos da rede pública serão vacinados por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) na própria escola em que estudam ou serão levados até a Unidade Básica de Saúde de referência, sempre com o consentimento dos familiares e/ou responsáveis.
ABERTURA – Nesta segunda-feira, às 15h, um evento online marca a abertura dos trabalhos da Semana Saúde na Escola 2025. O Governo Federal vai promover o 15º Webinário Nacional e Intersetorial do PSE, o “Zé Gotinha na Escola: Bora Vacinar”. O evento tem como objetivo destacar a importância da imunização de crianças, adolescentes e jovens, a qual desempenha um papel fundamental na defesa da vida e na prevenção de doenças infecciosas, protegendo, além deste público, toda a comunidade. O webinário será transmitido pelo Canal do YouTube do MEC.
PRONUNCIAMENTO – A abertura da campanha, na sexta-feira, 11 de abril, foi marcada por um pronunciamento em rede nacional dos ministros da Educação, Camilo Santana, e da Saúde, Alexandre Padilha. “Nós estamos mobilizados, todo o Governo Federal, para que cada escola pública do nosso país, em cada município brasileiro, receba as vacinas que vão garantir mais saúde para os nossos estudantes. E, para isso, nós contamos com os estados e municípios, que estarão conosco nesse esforço”, afirmou Camilo Santana. “O Brasil está dando a volta por cima e vamos, de novo, ser campeões do mundo na vacinação. Cada mãe e cada pai brasileiros, que cresceram tendo acesso a todas as vacinas do SUS, sabem da importância da vacina e de que uma criança vacinada é sinônimo de família protegida”, destacou Alexandre Padilha.
MOBILIZAÇÃO – A campanha de vacinação é uma das temáticas da Semana Saúde na Escola, realizada anualmente pelos ministérios da Educação e da Saúde, por meio do Programa Saúde na Escola. Em 2025, o tema da semana é “Ampliar a Vacinação, Promover Saúde, Cultura de Paz e Participação Social nas Escolas e nos Territórios”. A iniciativa ocorre durante todo o ano de forma integradas pelas equipes das duas pastas e priorizará as seguintes temáticas:
- verificação e atualização vacinal
- promoção da saúde mental e prevenção de violências
- promoção da saúde sexual e saúde reprodutiva
- alimentação saudável e prevenção da obesidade
- promoção da cultura de paz e direitos humanos
ESTADOS E MUNICÍPIOS – A Semana Saúde na Escola reforça a orientação de que os estados, municípios e o Distrito Federal estabeleçam, no âmbito de suas competências, referências técnicas de Educação; atenção primária em saúde e imunização; estratégias para apoiar o alcance das metas de vacinação no público infanto-juvenil; e a promoção de ações educativas de prevenção de agravos e promoção da saúde, considerando suas realidades regionais e a diversidade cultural. A campanha reforça ainda a necessidade de os entes federados desenvolverem estratégias que garantam o direito à saúde, à vida e à proteção das crianças e adolescentes nas escolas.
PSE – Instituido pelo Decreto n° 6.286/2007, o Programa Saúde na Escola visa contribuir para o pleno desenvolvimento dos estudantes do ensino básico da rede pública, por meio do fortalecimento de ações que integram as áreas da Saúde e Educação no enfrentamento de vulnerabilidades, na ampliação do acesso aos serviços de saúde, na melhoria da qualidade de vida e no apoio ao processo formativo dos profissionais de saúde e de educação. Segundo dados preliminares de adesão ao Ciclo 2025/2026 do PSE, o programa conta com a participação de 5.544 municípios brasileiros, 109,8 mil escolas e 27,8 milhões de estudantes, com a maior adesão da história do programa.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Saúde
Lito Sousa recebe terapia experimental contra Creutzfeldt-Jakob

Lito Sousa foi a primeira pessoa no mundo a poder testar a substância experimental ALN-6457 como tentativa de tratamento para a doença de Creutzfeldt-Jakob. Segundo sua esposa, Mila Seidl, ele segue na UTI, está estável e não teve reação ao produto depois da aplicação.
O ALN-6457 ainda não foi testado em estudos clínicos com humanos. A equipe médica espera avaliar possíveis mudanças no quadro por meio de exames nas próximas seis semanas.

Como funciona a substância
O ALN-6457 é desenvolvido pela Regeneron, nos Estados Unidos, em parceria com a Alnylam Pharmaceuticals. O produto ainda não passou por estudos clínicos, e os dados disponíveis são preliminares.
A tecnologia usa uma molécula chamada siRNA para interferir no RNA mensageiro que carrega as instruções para produzir a proteína priônica. Na doença de Creutzfeldt-Jakob, essa proteína pode assumir uma forma anormal e provocar danos no cérebro.
A estratégia tenta diminuir a produção da proteína. Com menos proteína priônica disponível, haveria, em teoria, menos material para participar do processo de formação das versões deformadas.
Por que o tratamento é experimental
O acesso ao produto ocorreu por meio do chamado uso compassivo, mecanismo que permite a pacientes com doenças graves, debilitantes ou que ameaçam a vida receber produtos ainda experimentais quando não existem alternativas terapêuticas eficazes.
Leia mais:
- O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob, diagnosticada no influenciador Lito Sousa
- Creutzfeldt-Jakob: a doença rara diagnosticada no influenciador Lito Sousa e os tratamentos possíveis
- Creutzfeldt-Jakob: a doença rara e sem cura que afeta o cérebro
Chegar ao cérebro é uma das dificuldades. A barreira hematoencefálica impede a passagem de muitas substâncias, e o siRNA ainda precisa permanecer funcional depois de entrar nas células.
“Não basta chegar ao cérebro e entrar na célula. Uma vez lá dentro, a molécula ainda precisa resistir para se manter funcional. Ela cai dentro de uma espécie de bolha ácida, que a própria célula usa para digerir o que entra ali — e se não resistir a esse ambiente, é destruída antes de fazer efeito”, explica o especialista em pesquisa clínica Daniel Dahis ao g1.
Uma cadeia lipídica chamada C16 é usada na tecnologia para ajudar o siRNA a atravessar a membrana das células.

O que os testes já mostraram
Não há estudo clínico do ALN-6457 que permita avaliar seus efeitos em pessoas. Entre os dados preliminares, um experimento em camundongos registrou, na menor dose testada, uma redução de cerca de 15% no RNA mensageiro ligado à produção da proteína priônica.
O resultado mostra que a estratégia conseguiu interferir nesse mecanismo, mas não permite concluir que a doença será interrompida. Tampouco há evidências de benefício clínico ou de aumento da sobrevida em humanos.
O que tem sido visto até agora mostra que estamos falando de uma terapia que reduz, na teoria, a produção da proteína priônica.
Daniel Dahis, especialista em pesquisa clínica, ao g1.
Para ele, isso “é um indicativo de que a estratégia pode valer a pena ser investigada, especialmente diante de uma doença que hoje não tem tratamento capaz de interromper sua progressão. Mas isso, claro, sempre considerando as incertezas de segurança e uma avaliação individual de risco-benefício.”
Os principais dados conhecidos são:
- O ALN-6457 não foi testado clinicamente em humanos;
- Camundongos apresentaram redução de cerca de 15% no RNA mensageiro da proteína priônica;
- A tecnologia combina siRNA e uma cadeia lipídica C16;
- Testes com essa tecnologia foram realizados em ratos e primatas;
- A avaliação de segurança mais completa foi feita em outro programa, voltado à doença de Alzheimer.
Nos testes anteriores em animais, não foram observadas alterações relacionadas à substância em avaliações clínicas, neurológicas e de órgãos. Os estudos, contudo, foram preliminares e de curta duração. Lito permanece na UTI, e os próximos exames devem ajudar a avaliar o efeito da aplicação.
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Saúde
“Ozempic Natural” é alvo da Anvisa; saiba mais
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de todos os lotes do medicamento Soll*Q-75, vendido como produto da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A medida alcança as apresentações de 180, 360 e 720 cápsulas, com concentrações de 300 mg e 150 mg.
O produto, conhecido popularmente como “Ozempic Natural”, era comercializado pela empresa Métodos Quantumbio Distribuidora e Serviços Ltda. diretamente ao consumidor, sem exigência de prescrição ou dispensação por profissional habilitado. Segundo a Anvisa, o produto fazia alegações terapêuticas que ultrapassavam o que é permitido para a classificação de Medicina Tradicional Chinesa, o que levou à determinação de apreensão dos lotes.
Produto era vendido de forma irregular
O Soll*Q-75 utilizava a classificação de Medicina Tradicional Chinesa, que permite a comercialização de determinados produtos por meio de um processo de regularização específico, desde que sejam respeitados os critérios estabelecidos para a categoria.
No caso do produto, a Anvisa apontou que a comercialização ocorria de maneira irregular, com venda direta ao consumidor sem prescrição e sem dispensação por profissional habilitado. A agência também identificou divulgação de alegações de finalidade terapêutica.
A medida determina a apreensão de todos os lotes do Soll*Q-75 nas apresentações citadas pela Anvisa.
Berberina sem registro também é proibida
A mesma resolução determina a apreensão de todos os lotes de produtos à base de berberina sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa. Esses itens não podem ser fabricados, importados, distribuídos, divulgados, vendidos ou utilizados.
A berberina ganhou popularidade nas redes sociais com a denominação “Ozempic Natural”, sendo apresentada por vendedores como uma alternativa orgânica ao medicamento, com efeito semelhante para emagrecimento.
As evidências científicas sobre a perda de peso associada à berberina, porém, ainda são preliminares e inconclusivas. As indicações que possuem evidências clínicas, embora limitadas, estão relacionadas à redução do colesterol e à regulação da glicose no sangue, especialmente em pacientes com diabetes tipo 2 quando a substância é associada a outros tratamentos.
O uso oral da berberina também pode causar efeitos adversos, como dor abdominal e distensão, constipação, diarreia, flatulência, náuseas, vômitos e dor de cabeça.
Anvisa recolhe lotes de medicamento injetável
A Anvisa também determinou o recolhimento de lotes do cloridrato de dobutamina, produzido pela Hypofarma – Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda.
Segundo a agência, foi confirmado um desvio de qualidade relacionado à presença de precipitados, partículas suspensas, cristalização e alteração de cor. As alterações foram identificadas em ampolas íntegras e/ou após a diluição, com registros de coloração turva, avermelhada ou amarronzada.
Os lotes que não podem ser vendidos, distribuídos ou utilizados são:
- 24092127
- 24102310
- 25102244
- 25102243
- 25112308
Os produtos correspondem ao cloridrato de dobutamina 12,5 mg/ml, solução injetável, em caixa com 10 ampolas de 20 ml.
Propaganda de produtos manipulados é suspensa
A Resolução 3.457/2026 também determinou a suspensão da propaganda de todos os produtos manipulados no site da marca Pharmes, da empresa Lupatini e Pinheiro Instituto de Manipulação Ltda.
A medida faz parte da mesma resolução que estabelece as ações contra o Soll*Q-75, os produtos à base de berberina sem regularização sanitária e os lotes de cloridrato de dobutamina com desvio de qualidade.
A resolução foi publicada no Diário Oficial da União em 9 de setembro de 2026.
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Saúde
Do café à carne processada: dois hábitos aparecem ligados ao risco de câncer

Dois hábitos bastante comuns na alimentação aparecem associados a um maior risco de diferentes tipos de câncer no sistema digestivo. Estudos recentes analisaram, de um lado, o consumo de chá e café em temperaturas muito altas e, de outro, a relação entre o consumo de carne, especialmente carne processada, e o câncer de estômago.
Os trabalhos investigam doenças diferentes e foram realizados com metodologias distintas, mas chegam a uma conclusão semelhante: determinados padrões de consumo podem estar relacionados ao desenvolvimento de tumores no sistema digestivo.
Bebidas muito quentes e câncer de esôfago
Um estudo, publicado no International Journal of Cancer, analisou a relação entre o consumo de bebidas muito quentes e o risco de câncer de esôfago. A pesquisa aponta que beber chá ou café em temperaturas muito elevadas pode estar associado a um aumento significativo desse risco.
Segundo os resultados, pessoas que consomem bebidas muito quentes podem apresentar um risco até três vezes maior de desenvolver câncer de esôfago em comparação com aquelas que não têm esse hábito.
A explicação investigada pelos pesquisadores está relacionada ao dano provocado pelo calor repetidamente sobre o tecido do esôfago. A exposição frequente a temperaturas muito altas pode causar lesões que, ao longo do tempo, podem contribuir para alterações celulares.
O ponto central do estudo, portanto, não é necessariamente a bebida consumida, mas a temperatura em que ela é ingerida.
Leia mais:
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Carne e câncer de estômago
- Outro estudo, também publicado no International Journal of Cancer, examinou uma quantidade muito maior de dados para investigar possíveis relações entre o consumo de carne e o câncer de estômago;
- A pesquisa encontrou associações entre o consumo de determinados tipos de carne e um risco maior de desenvolver a doença;
- A relação é especialmente relevante no caso das carnes processadas, categoria que inclui produtos que passam por processos como cura, salga, defumação ou adição de conservantes;
- Os pesquisadores também avaliaram outros fatores relacionados ao consumo de carne para tentar entender melhor quais padrões alimentares poderiam estar associados ao desenvolvimento do câncer de estômago.
Dois hábitos, dois tipos de câncer
Embora os estudos tratem de doenças diferentes, os resultados chamam atenção para dois hábitos presentes na rotina de muitas pessoas: beber líquidos muito quentes e consumir carnes processadas.
No primeiro caso, a preocupação está relacionada principalmente à temperatura da bebida e aos efeitos repetidos do calor sobre o esôfago. No segundo, a associação envolve principalmente determinados tipos de carne e o risco de câncer no estômago.
Os resultados, porém, não significam que uma pessoa que tome café ou chá quente, ou que consuma carne processada, necessariamente desenvolverá câncer. Estudos desse tipo identificam associações e fatores de risco, que precisam ser interpretados dentro do conjunto de evidências disponíveis.
A diferença entre os dois trabalhos também é importante: enquanto um investiga especificamente a temperatura das bebidas, o outro analisa padrões de consumo de carne e sua relação com o câncer de estômago.
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