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Liderança Feminina Avança no Brasil e Redefine Sucesso de Empresas

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Os números ainda estão abaixo da paridade, mas a presença feminina em cargos de liderança está crescendo no Brasil. Mulheres seguem conquistando assentos nas diretorias das empresas, sendo promovidas a CEO e ocupando também os conselhos de administração, em um movimento que, além de ampliar a diversidade no ambiente corporativo, estimula a criatividade e a inovação, impactando positivamente os resultados. “Os benefícios de um ambiente de trabalho mais diverso e inclusivo são enormes, tanto para os colaboradores quanto para o negócio como um todo, porque a diversidade traz melhores resultados”, afirma a advogada Liliana Caldeira, presidente da Sou Segura, entidade que promove a equidade de gênero no mundo dos negócios.
Liliana avalia que a oferta de posições de liderança para mulheres tem mostrado alguns avanços, mas ainda enfrenta desafios relevantes, tanto no Brasil quanto no mundo. “Quando se trata de ascender a posições de liderança, é possível observar que persistem as barreiras invisíveis na trajetória das mulheres no mercado de trabalho, provocando uma assimetria entre os gêneros que se acentua ao longo da trajetória de vida da mulher, impactando sua remuneração e aposentadoria.”
Essas barreiras invisíveis incluem estereótipos de gênero, discriminação, falta de exemplos de outras mulheres líderes para estimular, pouca flexibilidade no trabalho para conciliá-lo com a vida pessoal, diferenças salariais e questões emocionais – entre elas, a autoconfiança. Para promover a diversidade, cada vez mais empresas desenvolvem programas inclusivos voltados para a equidade entre homens e mulheres, abordando esses pontos.
“Temos a ambição global de que as mulheres ocupem 50% dos cargos de liderança sênior até 2030. Hoje, globalmente, temos 41,5% de mulheres em posições de liderança, com o Brasil avançando fortemente nesta agenda e registrando números ainda mais expressivos”, comenta Luciana Batista, primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Coca-Cola Brasil e Cone Sul.
Além dos benefícios tradicionais, como licença-maternidade de seis meses e auxílio-creche, a Coca-Cola disponibiliza sala de lactação e licença especial para tratamentos de fertilização. Também está estimulando a diversidade entre os seus parceiros com o programa “Coca-Cola dá um gás no seu negócio”, responsável pela capacitação e pelo apoio ao negócio de milhares de mulheres empreendedoras em todo o Brasil e Cone Sul. “Mulheres enfrentam estereótipos de gênero diariamente, e a pressão é ainda maior em cargos de liderança.
Segundo a ONU Mulheres, as mulheres poderiam aumentar seus rendimentos em até 76% se a disparidade de gênero fosse eliminada”, diz Luciana. “Acredito firmemente que desempenho e resultados financeiros podem caminhar de mãos dadas com impacto positivo – na verdade, um reforça o outro.”
Para Raquel Reis, CEO da SulAmérica, o ponto de partida para seguir aumentando o protagonismo das mulheres é garantir que elas tenham oportunidades reais para estarem onde quiserem e onde se sentirem felizes. “A posição de liderança é importante e desafiadora, mas não é o único sinônimo de sucesso. Muitas mulheres ocupam outras funções por diferentes razões, e o essencial é que essa escolha seja feita com liberdade, sem barreiras visíveis ou invisíveis que limitem o crescimento profissional”, comenta.
Em 2024, 66,9% dos méritos e promoções na seguradora foram destinados a mulheres, refletindo a competência que elas têm em suas funções. “Acreditamos que uma organização mais plural se conecta melhor com seus clientes e parceiros, permitindo um atendimento mais eficiente e empático às diversas necessidades do nosso público. Por isso, investimos constantemente no desenvolvimento de lideranças femininas e na construção de um ambiente inclusivo, onde todos tenham oportunidades reais de crescimento”, declara Raquel, ressaltando que 67% dos funcionários da empresa são mulheres, sendo 53,5% em cargos de média liderança e 39% na alta liderança.
Empresas com liderança feminina
Há três anos, o Grupo Boticário atingiu o marco de 56% de mulheres ocupando cargos de liderança. Na empresa, as mulheres representam mais de 60% do quadro total de colaboradores e 70% da equipe de Pesquisa, Desenvolvimento e Qualidade, composta por cientistas que lideram avanços importantes no setor de beleza. A atuação do grupo nas questões de gênero foi responsável por um movimento de grande impacto socioeconômico em Camaçari, na Bahia.
Em 2011, o Grupo Boticário instalou na região o Polo da Beleza de Camaçari, cidade até então com grande protagonismo masculino por conta do polo petroquímico. A chegada da fábrica abriu oportunidade de emprego e qualificação para centenas de mulheres, contribuindo para a geração de renda e fomentando a inserção feminina no mercado de trabalho.
Primeira mulher a assumir a posição de CEO da Bayer Consumer Health no Brasil, Cristina Hegg considera que a atitude inclusiva é estratégica para os negócios. “Para inovar, colocar o cliente no centro e encontrar soluções para os desafios do nosso tempo, é imprescindível ter um time diverso, com experiências e visões distintas. Nós, mulheres, somos parte significativa disso.”
Ela ressalta, porém, que a promoção da diversidade e da equidade é um compromisso compartilhado. “Enquanto os colaboradores devem buscar seu desenvolvimento, as empresas – e suas lideranças – têm a responsabilidade de eliminar barreiras, garantir equidade e criar um ambiente onde todos possam prosperar. Como líder, vejo meu papel não apenas como alguém que reforça essa cultura, mas como alguém que atua ativamente para acelerar essa mudança”, diz.
A jornada de diversidade na Bayer está estruturada em cinco grandes frentes, cada uma representada por um grupo de afinidade. O GROW (Growing Representation & Opportunities for Women) é o que promove e apoia iniciativas nos temas de desenvolvimento e empoderamento da mulher, somando esforços para a evolução da representatividade feminina em todos os níveis da organização. Aproximadamente 50% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres no negócio de Consumer Health, do qual Cristina é presidente.
A Natura atingiu a paridade de gênero em cargos de liderança na América Latina em 2023, com 50,5% de mulheres ocupando posições de diretoria e vice-presidência. Além disso, em um setor estratégico para a companhia, o de Pesquisa e Desenvolvimento, o índice de mulheres na liderança chegou a 75%. O caminho para alcançar esses resultados envolveu a implementação de diretrizes claras, como a Política de Valorização da Diversidade, lançada em 2016, e a incorporação da diversidade como pilar estratégico da empresa.
A companhia realiza auditorias internas para monitorar se há disparidades em promoções e progressões de carreira e garante que pelo menos 50% dos finalistas nos processos seletivos sejam mulheres, de forma a manter um equilíbrio sustentável nos diferentes níveis da organização. Para a Natura, a presença de mulheres em cargos estratégicos tem efeito multiplicador: quando elas ocupam posições de liderança, abrem portas para que outras também possam crescer, impactando positivamente a cultura organizacional como um todo.
Mulheres na tecnologia
A presença feminina é destaque até em setores tradicionalmente dominados pelos homens, como o de tecnologia. A Microsoft Brasil, por exemplo, alcançou um marco significativo: mais de 70% do time executivo é composto por mulheres. A empresa oferece programas de desenvolvimento de carreira, workshops e treinamentos que capacitam as mulheres a assumirem posições de liderança e a se destacarem em suas áreas de atuação. Esses programas incluem desde cursos básicos até certificações avançadas, promovendo a inclusão de mulheres em áreas de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
A Microsoft Brasil assinou os “Princípios de Empoderamento das Mulheres” da ONU Mulheres, reforçando seu compromisso com a igualdade de gênero. Desde 2016, a empresa também implementou globalmente a política de equidade salarial, garantindo que mulheres e homens recebam salários iguais para funções equivalentes.
“Eu sou a personificação do contraponto do setor no qual estou inserida: quando pensamos em mercado financeiro, a imagem que naturalmente vem à mente das pessoas é a de um homem, branco e mais velho; eu sou uma mulher, de aparência jovem e pele retinta”, observa Fernanda Ribeiro, CEO e cofundadora da fintech Conta Black. “Isso acaba me trazendo ônus – muito mais, inclusive – e bônus. Eu, como uma boa otimista, gosto de enxergar as coisas a partir da perspectiva do copo meio cheio, como uma personagem que vai levar novas perspectivas ao que já está posto. Mas obviamente não posso ignorar os ônus desse processo, como, por exemplo, ter que ‘provar’ muito mais do que os outros.”
Conselheiras em ação
Responsáveis por assegurar que as empresas sejam geridas de acordo com os interesses dos acionistas e outras partes interessadas, os conselhos de administração também estão ampliando a presença feminina em suas reuniões. Na Natura, por exemplo, a equidade de gênero na governança é um tema prioritário, e a empresa atua para garantir que a inclusão feminina aconteça de forma estruturada e sustentável, inclusive com assentos estratégicos no conselho.
Sediado nos Estados Unidos, o conselho de administração da Microsoft, composto por membros independentes que desempenham funções de supervisão e governança, também conta com a participação de mulheres. No Grupo Boticário, o conselho conta atualmente com quatro mulheres entre seus 11 integrantes, reforçando a diversidade em um ambiente de tomada de decisão. O órgão é responsável por avaliar e recomendar ações relacionadas à estratégia da empresa, bem como aos resultados econômicos, reputacionais e de ESG.
“A inclusão feminina nos conselhos de administração enriquece as discussões com perspectivas diversas e complementares”, avalia Camila Colpo, presidente do conselho de administração da Boa Safra, uma das maiores empresas de sementes do Brasil. “Considero um motor para a inovação e a tomada de decisões mais equilibradas. A presença feminina tende a promover uma abordagem mais colaborativa e uma sensibilidade acentuada para as necessidades de diferentes stakeholders. Essa diversidade de pensamentos e experiências contribui para soluções mais criativas e eficazes, fortalecendo a resiliência e adaptabilidade da organização frente aos desafios do mercado.”
A médica oncologista baiana Clarissa Mathias é a primeira brasileira a integrar o conselho da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica) e acumula ainda um assento no conselho da Oncoclínicas. Ela entende que sua contribuição nesses conselhos vem da visão abrangente da medicina que desenvolveu ao longo de sua carreira. “Uma abordagem holística transforma o ambiente corporativo em um espaço mais colaborativo, inovador e orientado para o paciente. Esse tipo de mudança pode ter efeitos duradouros no desempenho da organização, impactando não apenas os resultados financeiros, mas também a qualidade do atendimento e a experiência do paciente.”
Segundo Jandaraci Araújo, uma das cofundadoras do Conselheira 101 – programa que visa à inclusão de mulheres negras e indígenas em conselhos de administração, consultivos e comitês –, o setor de serviços tem se destacado positivamente nesse aspecto, especialmente quando se observa a presença feminina em bancos, instituições financeiras e empresas de saneamento. “Esse protagonismo pode ser atribuído aos consistentes investimentos em programas de diversidade e inclusão, além da influência significativa das regulamentações estabelecidas pela CVM e pela B3, que têm estimulado ativamente a diversidade em posições de liderança”, afirma. Criado em 2020, o Conselheira 101 já capacitou 150 lideranças, e 42% das participantes ingressaram em conselhos.
Reportagem original publicada na edição 127 da Forbes, lançada em fevereiro de 2025.
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Desemprego Juvenil Global Cresce em Meio À Lenta Geração de Empregos e Ao Risco da IA, Diz ONU
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O desemprego juvenil global aumentou em 2025, à medida que o crescimento econômico mais fraco, as tensões geopolíticas e a criação de empregos em ritmo lento tornaram mais difícil para os jovens encontrarem trabalho, afirmou a OIT (Organização Internacional do Trabalho), alertando que a IA pode agravar as crescentes pressões no mercado de trabalho.
A taxa global de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos subiu para 12,4% no ano passado, ante 12,3% em 2023, o que equivale a 67 milhões de jovens nessa faixa etária em todo o mundo, de acordo com um novo relatório da agência de trabalho da ONU.
O aumento marcou uma reversão das melhorias observadas após a pandemia da Covid-19 e refletiu uma deterioração tanto na quantidade quanto na qualidade dos empregos disponíveis para os jovens trabalhadores, afirmou o relatório.
A OIT informou que a proporção de jovens que não estão empregados, nem estudando, nem em treinamento também subiu ligeiramente para 20%, representando mais de 257 milhões de pessoas.
“O quadro está se agravando de forma quase universal”, afirma o relatório, observando que o desemprego juvenil aumentou entre 2023 e 2025 em oito das 11 sub-regiões do mundo. As taxas também subiram em países de renda alta, renda média-baixa e renda baixa.
Mais atingidos
O desemprego juvenil foi mais alto nos Estados Árabes, com 26,2%, seguido pelo Norte da África, com 22,6%, segundo o relatório. Algumas das piores deteriorações ocorreram em economias mais ricas, com o desemprego juvenil na América do Norte subindo de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No norte, sul e oeste da Europa, a taxa ficou em 15%.
A agência destacou o declínio dos empregos que exigem qualificação média, incluindo funções de escritório, administrativas, de vendas e na indústria, que tradicionalmente têm servido de porta de entrada no mercado de trabalho para jovens que concluem o ensino médio ou a universidade.
“A redução dos empregos associados a ocupações de qualificação média significa filas de espera mais longas e aumento do desemprego para os jovens com ensino médio que buscam esses empregos”, afirma o relatório.
A tendência pode se intensificar à medida que a IA transforma os locais de trabalho. A OIT estima que 6,1% dos empregos atualmente ocupados por pessoas de 15 a 29 anos estão em postos mais expostos a mudanças relacionadas à IA.
Se apenas 10% desses empregos desaparecessem completamente, cerca de 5,6 milhões de jovens trabalhadores, principalmente em países de alta renda, poderiam enfrentar o desemprego, mudanças de carreira ou sair da força de trabalho, afirmou o relatório.
Embora o impacto de longo prazo da IA permaneça incerto, o relatório afirma que os riscos não devem ser subestimados.
Ao mesmo tempo, os empregos em setores que exigem alta qualificação, como ciências, engenharia, saúde e tecnologia da informação, continuam a se expandir na maioria dos países.
Nas economias em desenvolvimento, no entanto, muitos jovens não podem arcar com o desemprego prolongado e, em vez disso, aceitam empregos precários. Quase nove em cada dez jovens trabalhadores em países de baixa renda e de renda média-baixa permanecem no emprego informal, sem proteções trabalhistas e sociais adequadas.
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Negócios
5 Hábitos Matinais Que Evitam a “Sobrecarga Pré-Trabalho”
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Para milhões de profissionais, o dia de trabalho não começa ao abrir o notebook, mas no momento em que pegam o celular.
Se você se identifica com essa rotina, é provável que já cumpra um expediente inteiro antes mesmo do café da manhã: passa os olhos por uma caixa de entrada lotada, responde a notificações do Slack, checa as redes sociais e revive mentalmente a reunião difícil de ontem.
O resultado? Quando você está oficialmente “no trabalho”, já está emocionalmente esgotado.
A “sobrecarga pré-trabalho”
Este fenômeno atual — que especialistas descrevem como sobrecarga pré-trabalho — é caracterizado por ansiedade, confusão mental e fadiga emocional que se acumulam antes mesmo de o dia começar. Embora as conversas sobre esgotamento frequentemente foquem em cargas de trabalho pesadas e longas horas, o verdadeiro problema pode começar muito mais cedo: na maneira como as pessoas fazem a transição do sono para o trabalho.
“A pressão para ser produtivo deixa um número expressivo de indivíduos emocionalmente esgotados antes mesmo do expediente de fato”, explica Jackson Parsons, especialista em carreira e criador do podcast “My Duvet Flip”. “Boa parte da força de trabalho inicia o dia e reage às exigências dos outros antes de verificar a si mesma. Sua caixa de entrada não deveria ditar seu estado emocional antes das 8 da manhã.”
O método P.A.U.S.E.
Em vez de recomendar outra rotina matinal elaborada ou forçar os profissionais a acordarem às 5 da manhã, Parsons desenvolveu o que ele chama de método P.A.U.S.E. — cinco pequenos hábitos projetados para reduzir a sobrecarga mental antes de iniciar a jornada de trabalho.
P: Pouse o celular
Para grande parte da equipe, checar o celular é a primeira atividade do dia. Segundos após acordar, o cérebro é inundado com e-mails, alertas de notícias, atualizações de redes sociais, mensagens de texto e notificações.
Essa mudança imediata do descanso para o estímulo constante deixa pouca oportunidade para a mente despertar naturalmente. Adiar o uso do telefone — mesmo que por 15 ou 20 minutos — cria uma transição mais calma para o dia e reduz a sensação de estar instantaneamente “de plantão”. Em vez de permitir que as notificações determinem seus primeiros pensamentos, passe os primeiros minutos com alongamentos, prepare o café ou simplesmente permita que sua mente desperte antes de se conectar com o mundo exterior.
A: Afaste-se da sobrecarga da caixa de entrada
“O e-mail se tornou o despertador da rotina corporativa, e isso é parte do problema”, avalia Parsons. No momento em que você abre sua caixa de entrada, é confrontado com as prioridades alheias. Uma única mensagem urgente ou um pedido inesperado pode mudar o tom da manhã inteira antes mesmo da primeira refeição.
Em vez de começar o dia em um estado reativo, a recomendação é adiar a checagem de e-mails até concluir um ritual matinal simples, como vestir-se, comer ou fazer uma breve caminhada. Criar até mesmo um pequeno intervalo permite que você aborde o trabalho intencionalmente, em vez de reagir emocionalmente a qualquer coisa que caia primeiro na sua tela.
U: Uma manhã sem pressa
As manhãs modernas frequentemente parecem uma corrida contra o relógio. Inúmeros profissionais comem às pressas, rolam o feed do celular durante a escovação dos dentes, dividem a atenção entre múltiplas tarefas no café e pulam da cama para as reuniões sem um segundo para respirar.
Essa constante sensação de urgência ensina ao cérebro que o estresse é a configuração padrão. A sugestão de Parsons é desacelerar intencionalmente uma etapa da manhã. Isso não exige adicionar outra tarefa a uma agenda já lotada. Beber café sem checar o e-mail, ouvir música no momento de se arrumar, sentar-se em silêncio por cinco minutos ou fazer uma curta caminhada são atitudes que criam uma mudança psicológica. Pequenos momentos de calma ajudam a interromper o ciclo de urgência perpétua que uma parcela tão grande da força de trabalho carrega, sem perceber, para o expediente.
S: Simplifique sua lista de tarefas
Outro fator que contribui para a “sobrecarga pré-trabalho” é a saturação mental. Boa parte dos profissionais acorda e já pensa em dezenas de pendências. Quando todas as responsabilidades parecem igualmente urgentes, o cérebro tem dificuldade para priorizar, o que faz com que o dia pareça avassalador antes de iniciar.
Em vez de criar uma lista interminável logo cedo, identifique uma única prioridade significativa para a data. Saber a tarefa que mais importa proporciona clareza, reduz a fadiga de decisão e faz com que todo o resto pareça mais gerenciável. “Nossos cérebros gostam de certeza”, diz Parsons. “Eles não gostam de caos.” Pesquisas comprovam que as incertezas inevitáveis da vida profissional despertam instantaneamente nossas reações de luta ou fuga e impactam diretamente a saúde mental.
E: Entre gradualmente no modo de trabalho
O trabalho remoto e híbrido eliminou uma transição antes considerada garantida por todos: o deslocamento. Embora o trajeto tivesse desvantagens óbvias, ele fornecia um limite psicológico entre a vida em casa e o trabalho. Hoje, equipes inteiras vão diretamente da cama para o laptop em questão de minutos, sem tempo para a mente “mudar de marcha”.
Criar um breve ritual de transição ajuda a restaurar esse limite. Seja dar uma caminhada, preparar um café antes de abrir a caixa de mensagens, trocar de roupa, arrumar a mesa ou ouvir um podcast, rotinas consistentes sinalizam para o cérebro a hora exata de trabalhar. Sem elas, a profissão começa a parecer uma invasão em todos os cantos da sua vida familiar.
Pequenas mudanças previnem problemas maiores
Várias pesquisas ressaltam quão disseminado o estresse no trabalho se tornou atualmente. Um estudo da Universidade Estadual de Ohio relata que quase metade dos americanos vivencia o estresse pelo menos uma vez por semana, enquanto um em cada seis o enfrenta diariamente. Outra pesquisa da empresa financeira Clarify Capital revela que 28% dos profissionais esgotados planejam ativamente deixar seus empregos.
O estresse corporativo nem sempre é causado por grandes cargas de trabalho. Às vezes, ele é amplificado pela forma como você se prepara — ou não se prepara — para o dia. O método P.A.U.S.E. não trata de maximizar a produtividade ou espremer mais realizações na sua manhã. Trata-se de reduzir a carga cognitiva e emocional desnecessária.
Para os empregadores, fica o lembrete de que o bem-estar da equipe começa muito antes da primeira reunião. Para os funcionários, o recado é simplificar. Existem 1.440 minutos em um dia. Praticar microrrespostas de cinco minutos a cada manhã reinicia a sua mente, diminui o estresse e ajuda você a começar o expediente com o pé direito. Além disso, você ainda terá 1.435 minutos restantes para fazer todo o resto.
“A maioria das pessoas não precisa otimizar suas manhãs. Elas simplesmente precisam parar de começar todos os dias no modo de sobrevivência”, resume Parsons. Quando você inicia o dia centrado em vez de sobrecarregado, a probabilidade de trazer foco, resiliência e equilíbrio emocional para o trabalho é imensamente maior.
*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Wesley Batista Filho Será CEO Global da JBS a Partir de 2027

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A JBS N.V. anunciou nesta segunda-feira (10), que Wesley Batista Filho assumirá o cargo de CEO global em janeiro de 2027, no lugar de Gilberto Tomazoni. A mudança coloca no comando da companhia um sucessor da família Batista formado dentro das operações do grupo, com passagens pelo Brasil, Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Paraguai. Tomazoni permanecerá durante os próximos cinco meses no processo de transição, depois assumindo as funções de vice-chairman do Conselho de Administração e senior advisor. A sucessão ocorre pouco mais de um ano depois de a JBS concluir sua listagem na Bolsa de Valores de Nova York, a NYSE. Em 2025, a JBS registrou uma receita líquida recorde de US$ 86,2 bilhões, uma alta de 12% em relação a 2024.
A família Batista deixou o comando executivo global da JBS em dezembro de 2018. Até setembro de 2017, Wesley Batista, pai Wesley Batista Filho, ocupava a presidência da companhia, quando deixou o cargo e foi substituído pelo fundador da companhia, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, nomeado por decisão unânime do Conselho de Administração. A gestão permaneceu, portanto, nas mãos da família por mais 15 meses.
Em dezembro de 2018, Gilberto Tomazoni assumiu como CEO global no lugar de José Batista Sobrinho, que permaneceu como vice-presidente do Conselho de Administração. Tomazoni está no posto desde então e completará oito anos à frente da JBS em dezembro de 2026, antes de entregar o comando a Wesley Batista Filho.
“Nossas prioridades permanecem claras: apoiar nossas equipes, atender nossos clientes e produtores parceiros, operar com excelência e gerar valor de longo prazo para nossos acionistas”, diz Batista Filho. O executivo ocupa desde 2023 o cargo de CEO da JBS USA, plataforma que responde por mais da metade da receita do grupo e reúne mais de 60 unidades de produção de carne bovina, suína, frango, alimentos preparados e outros produtos, com cerca de 70 mil funcionários em 31 Estados americanos.
Batista Filho estudou no Lyceum Alpinum Zuoz, internato na Suíça, e ingressou na Colorado State University, nos Estados Unidos. Mas deixou a universidade para trabalhar em tempo integral na companhia. Em entrevista concedida anteriormente à Swiss Learning, ele contou que decidiu ainda adolescente estudar fora do Brasil e aprendeu alemão como parte da preparação para ingressar na escola suíça. Além do português, fala inglês, espanhol, francês e alemão.
Sua entrada na JBS ocorreu em 2011, como trainee na unidade de processamento de bovinos de Greeley, no Colorado, uma das bases da expansão americana do grupo. Trabalhou na linha de produção e depois se mudou para São Paulo, onde passou pela área de exportação de carne bovina. Entre 2012 e 2013, comandou as operações de bovinos no Uruguai e no Paraguai. Em 2014, foi para Calgary, em Alberta, para presidir a JBS Canadá, função que exerceu até 2015. No ano seguinte, voltou aos Estados Unidos para dirigir a JBS USA Fed Beef, maior unidade de negócios da companhia naquele período.
A etapa seguinte da carreira trouxe Batista Filho novamente ao Brasil. Ele assumiu a JBS Brasil em 2020, passando a comandar também a Seara, divisão de aves, suínos e alimentos de maior valor agregado. Em 2022, tornou-se presidente global de Operações, respondendo pela América do Norte, América do Sul, Oceania e Europa. Um ano depois, retornou pela terceira vez a Greeley para assumir a JBS USA, maior plataforma da companhia em receita. A sequência de funções colocou o executivo em negócios de bovinos, aves, suínos e produtos processados antes de sua indicação para o principal cargo executivo do grupo.

“Wesley construiu uma trajetória de sucesso na JBS e conhece profundamente o nosso negócio”, afirmou Tomazoni. Segundo ele, a experiência nos Estados Unidos passou a ter peso adicional na formação do sucessor porque as operações americanas respondem atualmente por mais da metade da receita da companhia. “Ele entende nosso negócio, nossa cultura e nossas pessoas e acredito que dará continuidade à sólida base que construímos, conduzindo a Companhia para novas oportunidades de crescimento e geração de valor.”
A nomeação que devolve a gestão executiva global a um integrante da família controladora é uma continuidade do que seu pai fez lá atrás. Foi Wesley Batista que comandou a JBS durante parte do período de internacionalização do grupo. Tomazoni acompanhou essa trajetória. “Acredito que este é o momento certo para que a Companhia inicie seu próximo capítulo sob a liderança de Wesley.”
Depois da transição, Tomazoni continuará como chairman do Conselho de Administração da Pilgrim’s Pride Corporation e assumirá a presidência do Conselho do Instituto J&F. A JBS emprega atualmente 282 mil pessoas, mantém operações em cerca de 20 países e vende para outros 190 países. Parte dessa estrutura passou pelas mãos do futuro CEO em diferentes momentos de sua carreira. Quando assumir o escritório global em janeiro, serão cerca de 16 anos entre sua entrada como trainee em Greeley e a chegada ao comando da JBS.
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