Negócios
Pivotar: como saber o momento de mudar o rumo do negócio

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em 1873, o japonês Yataro Iwasaki teve uma ideia que mudaria sua vida. Depois de trabalhar alguns anos em um escritório comercial de Nagasaki, no Japão, ele resolveu criar sua própria empresa de comércio exterior, a Mitsukawa (“três rios”, em japonês).
Os três barcos a vapor de Iwasaki percorriam os rios da China e da Rússia vendendo de óleo de cânfora a armamentos. A companhia passou então a se chamar Mitsubishi, que significa “três diamantes”, devido ao sucesso do empreendimento.
Leia também
A empresa ia bem, mas alguns anos depois, em 1917, o neto do fundador da empresa, Koyata Iwasaki, formado em história e sociologia pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, sugeriu uma mudança radical. Koyata anteviu o potencial dos automóveis e a revolução que fariam no setor de transportes.
Não demorou para a Mitsubishi começar a produzir seus primeiros veículos motorizados e, a partir daí, se tornar um dos maiores conglomerados empresariais do mundo. Hoje, o grupo tem um lucro superior a US$ 6 bilhões por ano e atua em setores que vão da mineração à produção de eletroeletrônicos e à exploração de gás natural.
Pode até parecer fácil, mas o caminho pela qual a Mitsubishi e outras empresas optaram, ao decidir pivotar, é considerado um dos maiores desafios empresariais. Afinal, muita coisa pode dar errado. “A empresa corre o risco de perder o mercado no qual atuava e lhe proporcionava algum faturamento para se aventurar em um segmento novo e muitas vezes imprevisível”, diz Luiz Caselli, sócio-líder de consultoria estratégica da Deloitte.
Também é necessário investir tempo e dinheiro no novo negócio. Caselli lembra ainda que um planejamento estratégico de longo prazo bem-feito, com base em conversas com stakeholders e análises de mercado, é indispensável. E nada disso é fácil.
Depois, vem a parte de implementar a estratégia. Nesse ponto, é preciso convencer desde a alta liderança até os funcionários de baixo escalão a abraçar a causa. Nesse processo, não é raro perder capital humano e precisar refazer o alinhamento da gestão de pessoas, entre outros pontos. O mercado também precisa se convencer sobre a eficácia do plano de mudança de rumo da empresa – ou seja, uma estratégia de marketing bem-feita é essencial.
Grupo Tigre
No Brasil, o Grupo Tigre soube fazer a lição de casa. Criada em 1941 em Joinville, no interior de Santa Catarina, a empresa começou fabricando pentes e outros acessórios de plástico. Nada mudou por uma década, até o fundador do negócio, João Hansen Júnior, viajar para Alemanha para participar de uma feira de produtos industriais.
Na ocasião, foram apresentados os primeiros tubos de PVC, um tipo de plástico. “Ele tinha uma mente inquieta e percebeu que o PVC ia ganhar espaço por inúmeras vantagens, como sua resistência e a provável utilização na construção civil”, conta Otto Von Sothens, presidente do Grupo Tigre.
Hansen Júnior trouxe uma máquina de fabricação de tubos de PVC no início dos anos 50 e apostou fortemente no novo mercado. “Nessa fase, foi muito importante ter uma estratégia muito bem calibrada, baseada em uma série de pilares”, diz Sothens.
Uma das primeiras providências foi definir um portfólio de investimento em pesquisa e inovação, o que incluiu a contratação de engenheiros e outros profissionais especializados. A formação de mão-de-obra própria, com treinamentos e cursos, foi outro pilar essencial.
Outra estratégia importante foi a definição de uma verba de publicidade para ser usada na televisão, então um dos principais veículos de informação dos brasileiros. A empresa queria chegar até o varejo, o mercado de construção civil e o consumidor final, especialmente aquele que costuma comprar materiais para realizar obras residenciais. “Havia o desafio de superar a resistência de adoção do PVC, que era um novo material”, diz Sothens.
A empresa começou a dar saltos de crescimento a partir dos anos 1970, depois de décadas de muito suor e investimento, com o boom de construção civil no país. A partir daí, os passos foram muito largos do que poderia imaginar seu fundador e mentor da estratégia de crescimento.
Atualmente, o Grupo Tigre tem presença em 30 países, conta com mais de 5 mil funcionários e possui 24 unidades fabris distribuídas pelo mundo. A empresa se tornou uma das maiores multinacionais de origem brasileira. Cerca de 40% do faturamento vem do exterior, sendo que 15% são gerados pela operação nos Estados Unidos.
Ao longo de sua trajetória, a empresa acertou em alguns aspectos importantes – e difíceis de serem alcançados. “Trabalhar com inovação de forma contínua e conseguir seduzir os novos clientes são algumas das maiores conquistas das empresas capazes de pivotar de forma bem-sucedida”, analisa André Coutinho, sócio-líder de consultoria da KPMG no Brasil e na América do Sul.
O consultor também ressalta que o timing é outro componente fundamental dessa equação. “É mais difícil salvar um negócio em crise, então é preciso ter sabedoria para escolher o momento para dar a guinada certa, o que muitas vezes é uma arte”, diz Coutinho.
Netflix
É bem o caso da Netflix, fundada em 1997, que começou como um serviço de venda e aluguel de DVD pelo correio. Os assinantes podiam escolher os filmes online, o que era uma novidade na época. Com a evolução da internet e do conteúdo online, os fundadores da empresa perceberam uma oportunidade de negócios.
A chave virou em 2007, bem antes da quebradeira das lojas de DVD, afetadas, anos depois, pela massiva expansão do streaming. Na época, a Netflix já havia aberto capital, por isso qualquer decisão precisava ser muito bem pensada para não derrubar o preço das ações. Confiantes na estratégia de pivotar para o serviço de streaming, os fundadores da empresa, Reed Hastings e Marc Randolph, elaboram um plano de negócio e apresentaram a ideia aos stakeholders.
Com o sinal verde, a empresa passou a exibir séries e filmes produzidos por terceiros, em um formato de parceria. A Netlfix só começou a produzir conteúdo próprio em 2013, quando já mais capitalizada e possuía uma base de mais de 25 milhões de assinantes.
Dez anos depois, em 2023, a empresa registrava 260,3 milhões de usuários no mundo todo e uma receita de mais de US$ 33 bilhões. Ao longo de sua história, a Netflix deixou vários exemplos – especialmente do que fazer ao se decidir por uma mudança radical. “Uma das principais lições é que um plano de negócios sólido, capaz de atrair clientes, fornecedores e até acionistas, é um dos aspectos mais relevantes da estratégia de pivotar”, afirma Coutinho.
No setor de entretenimento, no entanto, as transformações foram de tal ordem que mesmo empresas inovadoras tiveram dificuldade de seguir adiante e acabaram pivotando praticamente à fórceps.
TecToy
Isso vale inclusive para marcas muito bem-sucedidas dos anos 1980 e 1990. Quem não lembra, por exemplo, de brinquedos como a pistola Zillon e dos games comercializados da TecToy? Fundada em 1987, a empresa dominou boa parte do mercado brasileiro de brinquedos até o início dos anos 2000, quando o setor encolheu e passou por grandes mudanças.
Mas demorou para a ficha cair e o negócio foi acumulando dívidas, até chegar em 2019 com um grupo diminuto de funcionários e um horizonte pouco otimista pela frente. Aí, veio a virada. A empresa trocou de CEO há cinco anos e reviu toda a sua estratégia.
A nova gestão identificou um mercado de alto valor agregado e boas perspectivas de crescimento. “Depois de pesquisar muito e visitar diversos países e feiras de negócios, concluímos que o setor de automação comercial e meios de pagamento caminhava para uma revolução tecnológica”, diz Valdeni Rodrigues, CEO da TecToy. A empresa, que já tinha uma unidade fabril e algum know-how de produzir eletrônicos, mergulho de cabeça na ideia.
Nos últimos anos, a companhia lançou maquininhas de meios de pagamento e equipamentos de autoatendimento que estão sendo utilizados por supermercados e redes de lojas, entre outros estabelecimentos comerciais. Os totens podem ser integrados a sistemas de gestão e conectados a funcionalidades como IoT (internet das coisas). Trata-se de um mercado está em pleno crescimento.
O volume de operações realizadas por maquininhas de cartão bateu R$ 1 trilhão só no último trimestre do ano passado. O setor de automação comercial, por sua vez, deve movimentar mais de US$ 17 bilhões globalmente neste ano, chegando a US$ 37 bilhões até 2029, segundo estimativas de mercado.
Não à toa, o faturamento da TecToy em 2023 bateu a casa dos R$ 2 bilhões, deixando bem lá atrás o mísero resultado de R$ 100 mil obtido em 2019. “Contribuiu muito para o bom desempenho o fato de que desenhamos uma estratégia voltada a busca de equipamentos e softwares de setores com grande potencial de crescimento e inovação tecnológica, área em que a empresa era forte no passado e sobre a qual construiu uma marca de sucesso”, diz Rodrigues.
Em nova rota, a TecToy se prepara para dar novos saltos de expansão. Mas a história poderia ter tido um outro final. “Esperar demais para pivotar em um cenário de grandes mudanças no mercado pode ser arriscado”, diz Luis Ruivo, sócio da PwC Brasil. Por outro lado, não há só vantagens em pivotar. Na lista de argumentos contrários, têm destaque o risco de gerar prejuízo e até fechar as portas, caso a virada de chave não seja bem-sucedida, com impacto para o patrimônio da empresa e dos sócios.
Em geral, também é necessário ter algum capital para arcar com custos – e por um bom tempo – investindo em aquisições que vão de maquinário à contratação de pessoal especializado. Às vezes, no entanto, as mudanças também acontecem por acaso. Aí, o segredo é enxergar rapidamente as oportunidades que começam a surgir e ter olhos para observar com lupa mudanças de hábito de consumo.
Jacuzzi
Foi o que aconteceu com a Jacuzzi. Fundada em 1915 na Califórnia, nos Estados Unidos, por imigrantes italianos, a empresa acabou se firmando como fabricante de bombas de irrigação usadas na agricultura, entre outros equipamentos. Algumas décadas depois, a Jacuzzi criou um sistema de bombas para abastecer uma banheira a pedido de um parente que sofria de artrose e acreditava que a hidroterapia poderia ser útil.
Deu tão certo que em 1968 a empresa lançou as primeiras banheiras de hidromassagem, acompanhando o início da onda de bem-estar e maior preocupação com a saúde nos Estados Unidos.
Mais de cem anos depois de sua fundação, a marca continua firme e forte. “Casos como esses são raros, até porque é preciso um senso de oportunidade grande e um desapego a modelos pré-estabelecidos para conseguir dar uma guinada capaz de manter a empresa no mercado por tanto tempo”, diz Coutinho.
Grupo Bertolini
No caso de indústrias, há outros fatores a serem considerados. Ficar atento à evolução das matérias-primas e abrir novas frentes de negócios, para testar novos mercados, pode fazer toda a diferença. Assim se deu a trajetória do Grupo Bertolini, fundado em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, como um pequeno negócio de metalurgia.
A empresa foi criada em 1969 por cinco filhos de um conhecido ferreiro na cidade. “Foi algo natural, já que eles já trabalhavam com serraria e conheciam bem a atividade”, conta Jeferson Bertolini, CTO (Chief Transformation Officer) do Grupo Bertolini. Em 1977, a empresa começou a fabricar cozinhas de chapas de aço, em alta na época. Mas os gestores sentiram que havia mais espaço para crescer.
No início dos anos 1990, a empresa início a uma série de pesquisas sobre novos materiais para a fabricação de móveis. A intenção era expandir a área de atuação e entrar no segmento de mobiliário para quarto e sala de estar. A matéria-prima escolhida foi o MDF. “Era um material novo e muito promissor”, diz Bertolini.
A empresa lançou marcas como a Evivva, hoje uma das conhecidas fabricantes de móveis sob medida no país, e expandiu para outros setores. Para aumentar a eficiência do transporte de mercadorias entre as unidades de distribuição e produção da empresa, localizadas em Estados como Pernambuco e Goiânia, em 2011 foi lançada a Logber, dedicada à logística. Logo a companhia passou a atender outras empresas.
Siga a Forbes no WhatsApp e receba as principais notícias sobre negócios, carreira, tecnologia e estilo de vida
A empresa não deixou de produzir de materiais de aço, que solidificaram sua trajetória por décadas, mas hoje boa parte do faturamento vem dos móveis e da transportadora. Mesmo depois de pivotar, a empresa não pretende ficar parada. “Atualmente, um dos maiores desafios é disseminar a cultura de inovação em toda a organização, que cresceu bastante, e estudar constantemente a evolução de novos mercados e de hábitos de consumo”, diz Bertolini. Com representantes nos Estados Unidos, Colômbia e México, a companhia emprega atualmente mais de 1.100 funcionários. “Ainda temos muito a crescer”, afirma Bertolini.
Escolhas do editor
O post Pivotar: como saber o momento de mudar o rumo do negócio apareceu primeiro em Forbes Brasil.
Powered by WPeMatico
Negócios
Os Melhores Filmes Sobre os Maiores Inovadores dos EUA

Muitos inventores americanos lendários alcançaram grande sucesso nos negócios, mas apenas alguns atravessaram a fronteira para o entretenimento com bons filmes sobre suas trajetórias de vida e carreira.
Aqui está uma curadoria de produções inspiradas em inovadores icônicos — e o desempenho que tiveram em premiações e nas bilheterias nos Estados Unidos.
9 filmes sobre grandes inovadores dos EUA
Edison, O Mago da Luz (1940)
Thomas Edison

Três meses depois de Mickey Rooney estrelar “O Jovem Thomas Edison”, em 1940, Spencer Tracy interpretou o “Mago de Menlo Park” em “Edison, O Mago da Luz”. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor História Original (mas não ao prêmio de Melhor Roteiro) e arrecadou quase US$ 1,8 milhão (R$ 91,3 milhões) nas bilheterias – cerca de US$ 42 milhões (R$ 217 milhões) em valores atuais.
O Aviador (2004)
Howard Hughes

A aclamada cinebiografia dirigida por Martin Scorsese também destacou os anos de Hughes como produtor de cinema — e foi recompensada com 11 indicações ao Oscar (venceu cinco). Embora Leonardo DiCaprio não tenha levado a estatueta por sua interpretação de Hughes, o longa arrecadou US$ 213 milhões (R$ 1,1 bilhão) nas bilheterias – US$ 365 milhões (R$ 1,8 bilhão) em valores atuais –, o equivalente a cerca de 0,02% do patrimônio que Hughes possuía quando morreu, em 1976 (ajustado pela inflação).
Temple Grandin (2010)
Temple Grandin

Estrelado por Claire Danes e dirigido por Mick Jackson, o filme de 2010 conta a história real de Temple Grandin, que superou as limitações impostas pelo autismo para tornar-se uma reconhecida cientista, conhecida por ter melhorado a eficiência — e a humanidade — dos sistemas de manejo de animais.
Produzido pela HBO, foi um sucesso de crítica e de audiência na TV, ganhando sete prêmios Emmy e um Globo de Ouro para Danes como Melhor Atriz.
A Rede Social (2010)
Mark Zuckerberg

Aaron Sorkin venceu o Oscar pelo roteiro de 2010 sobre os primeiros dias do Facebook, e Jesse Eisenberg foi indicado a Melhor Ator por sua atuação como o imprevisível fundador Zuckerberg. Sabe o que é mais legal do que um filme sobre sua vida? Dois filmes.
Como continuação de “A Rede Social”, que arrecadou US$ 224 milhões (R$ 1,1 bilhão) nas bilheterias – US$ 333 milhões (R$ 1,7 bilhão) em valores atuais – Sorkin está escrevendo e dirigindo a sequência “The Social Reckoning“, estrelado por Jeremy Strong, da série Succession, no papel de Zuckerberg. O filme será lançado em outubro.
Jobs (2013)
Steve Jobs

Assim como Edison, Jobs inspirou duas cinebiografias. A primeira foi “Jobs” (2013), com Ashton Kutcher no papel principal, que arrecadou US$ 42,1 milhões (R$ 217,5 milhões) – cerca de US$ 58 milhões (R$ 299,6 milhões) em valores atuais.
Dois anos depois, Aaron Sorkin voltou ao Vale do Silício para escrever o roteiro de “Steve Jobs” (estrelado por Michael Fassbender), mas o desempenho nas bilheterias não foi melhor: o filme arrecadou apenas US$ 34,4 milhões (R$ 177,7 milhões).
Fome de Poder (2016)
Ray Kroc

Kroc não foi, de fato, o fundador do McDonald’s — esse título pertence aos irmãos Dick McDonald e Mac McDonald —, mas isso não impediu Hollywood de contar a história de como ele transformou a marca como visionário agente de franquias.
Os “Arcos Dourados”, porém, não renderam muito ouro nas bilheterias: “Fome de Poder” arrecadou modestos US$ 24 milhões (R$ 124 milhões) – ou US$ 32 milhões (R$ 165,3 milhões) em valores atuais.
A Guerra dos Sexos (2017)
Billie Jean King

Emma Stone protagoniza o filme dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris sobre a histórica partida de tênis de 1973, entre a campeã Billie Jean King e o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell). A tenista impulsionou os esportes profissionais femininos com a criação da Women’s Tennis Association.
Tesla (2020)
Nikola Tesla

O gênio da eletricidade (e das transmissões sem fio) não é tão famoso quanto seu rival, Thomas Edison, mas ainda assim ganhou uma cinebiografia estrelada por Ethan Hawke.
“Tesla”, o filme, entrou em curto-circuito nas bilheterias, arrecadando menos de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões). Já Tesla, o homem, pode se consolar por ter um carro elétrico batizado em sua homenagem.
Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro (2025)
Whitney Wolfe Herd

Inspirado na história real de Whitney Wolfe, fundadora do aplicativo de relacionamentos Bumble, “Deu Match” mostra como sua garra e criatividade a impulsionaram no universo masculino da tecnologia. Lançado no streaming Disney+ em 2025, o longa é estrelado por Lily James e dirigido por Rachel Goldenberg.
Veja a lista dos 250 Maiores Inovadores dos EUA aqui.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com e adaptada
Powered by WPeMatico
Negócios
No Ritmo do Carnaval, Veja Como Fazer Seu Cérebro Sair do Modo Trabalho
Você saiu do trabalho às 18h. Então por que ainda está resolvendo problemas profissionais no chuveiro? Foi viajar no feriado, mas não consegue se desligar do trabalho?
A maioria das pessoas descreve o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como uma questão de agenda: sair do escritório no fim do expediente, não checar e-mails nos fins de semana, tirar todos os dias de férias.
Mas aqui está o problema: você pode sair do trabalho pontualmente às 18h, mas se está pensando em soluções no banho, revivendo conversas difíceis enquanto prepara o jantar ou ensaiando mentalmente a apresentação do dia seguinte antes de dormir, você não está equilibrado. Você ainda está trabalhando. Seu cérebro nunca bateu o ponto.
O verdadeiro equilíbrio entre vida e trabalho não é sobre gestão do tempo. É sobre algo que os psicólogos chamam de “desligamento psicológico do trabalho”. Isso significa se desconectar mentalmente das atividades, pensamentos, problemas e oportunidades relacionadas ao trabalho durante o tempo livre.
A pergunta não é “Como posso trabalhar menos?”. É “Como posso realmente desligar minha mente quando meu dia de trabalho termina?” Especialistas sugerem alguns hábitos:
Crie rituais que sinalizem ao seu cérebro o fim do dia de trabalho
Se você se desloca até um escritório, o trajeto de volta para casa funciona como uma zona de transição para o cérebro, um sinal automático de que o trabalho acabou. Se trabalha de casa, perdeu essa separação entre os ambientes. Sua mesa da cozinha virou sua mesa de trabalho, e seu cérebro não tem ideia de quando o expediente realmente termina.
Pesquisas sugerem que quem trabalha em home office tem mais dificuldade de se desligar do que quem trabalha presencialmente, justamente por essa razão: não há uma fronteira clara entre o espaço de trabalho e o espaço pessoal.
O ritual não precisa ser elaborado. Escolha algo simples e faça a mesma coisa todos os dias, no mesmo horário. Uma diretora de marketing contou que fecha o laptop, guarda na gaveta e depois dá uma volta no quarteirão antes de “chegar em casa”. Um desenvolvedor de software troca a roupa do “expediente” pela roupa de “fim de tarde” pontualmente às 18h.
Mas quem trabalha no escritório também precisa de rituais. Só porque você saiu fisicamente do prédio não significa que seu cérebro saiu do modo trabalho. Uma gestora fica sentada no carro por dois minutos antes de ligar o motor e olha fotos no celular — nada relacionado ao trabalho. Uma consultora tira o crachá assim que entra no carro e o guarda no porta-luvas — um pequeno lembrete físico de que o dia acabou. O deslocamento já oferece uma vantagem, mas é preciso usá-lo ativamente como transição, e não apenas como tempo passivo entre dois lugares.
Redirecione pensamentos intrusivos sobre o trabalho
Tentar não pensar no trabalho praticamente garante que você continuará pensando nele. Quanto mais você luta contra os pensamentos, mais insistentes eles se tornam.
Dê à sua mente algo que exija atenção de verdade, e não apenas ocupe o tempo. Preparar uma receita nova obriga você a prestar atenção às medidas e ao tempo de preparo; esquentar sobras não. Uma conversa genuína exige escuta e resposta; rolar o feed das redes sociais deixa espaço para a ruminação. Brincar com seus filhos mantém você totalmente presente; apenas ficar de olho neles permite que a mente volte ao trabalho. A chave é substituir momentos passivos por atividades que exijam atenção sem te deixar ainda mais exausto.
Algumas pessoas também utilizam a estratégia da “janela de preocupação”: reservar 15 minutos após o expediente para pensar deliberadamente nas questões de trabalho e anotá-las. Reconhecer os pensamentos, em vez de reprimi-los, facilita deixá-los ir depois.
Avalie a cultura real, não o que o RH diz
Essas estratégias individuais ajudam, mas só funcionam se a cultura da organização permitir. É por isso que o “fit cultural” é tão importante durante a busca por emprego. Você não está avaliando se gosta de mesa de pingue-pongue ou de snacks gratuitos. Está investigando quais são, na prática, os limites em torno do trabalho. Quando as pessoas realmente param de trabalhar? As lideranças dão o exemplo de desconexão ou de disponibilidade constante? Tirar todos os dias de férias é algo incentivado ou silenciosamente penalizado?
Converse com funcionários atuais e pergunte diretamente. Observe o que os líderes fazem, não apenas o que o RH diz na entrevista. Se o vice-presidente envia e-mails à meia-noite e a equipe responde em minutos, essa é a resposta. Se as pessoas mencionam casualmente que trabalham nos fins de semana como se fosse normal, acredite nelas. Um desalinhamento cultural em relação aos limites do trabalho causa problemas reais que força de vontade individual não resolve.
Estabeleça limites mesmo quando você ama o que faz
Mesmo para profissionais altamente motivados, a recuperação é essencial. Pesquisas que analisaram a motivação no trabalho mostram que colaboradores com alta motivação intrínseca tendem a se desligar menos do trabalho, partindo do pressuposto de que seus sentimentos positivos tornam o engajamento constante inofensivo. A diferença é que, nesses casos, quando pensam em trabalho, geralmente é de forma positiva, e não relacionada a estresse.
Ainda assim, seu cérebro precisa de descanso genuíno para manter a criatividade e o desempenho, independentemente de quanto você ame o que faz. Paixão sem limites pode levar ao burnout tanto quanto o ressentimento. A solução não é amar menos o seu trabalho. É reconhecer que até mesmo o engajamento positivo consome energia, e que seu entusiasmo vai durar mais se você incluir períodos reais de recuperação.
A verdadeira medida do equilíbrio entre vida e trabalho não é o horário em que você sai do escritório. É se você consegue parar de pensar no trabalho quando está fora do expediente.
*Andy Molinsky é colaborador da Forbes USA. Ele é especialista em comportamento organizacional, palestrante, professor na Brandeis University e autor de quatro livros.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com
Powered by WPeMatico
Negócios
Controller: O Que Faz o Profissional Entre os Mais Bem Pagos e Demandados
É possível que você não conheça um controller, ou talvez nunca tenha ouvido falar dessa profissão, que está entre os cargos não executivos mais bem remunerados e demandados do país. “O controller atua como um elo entre contabilidade, finanças e gestão, apoiando diretamente a liderança na tomada de decisões baseadas em dados”, explica Daniel Brito, gerente de recrutamento da Robert Half.
Segundo um relatório da empresa global de RH, essa é uma das profissões que mais crescem no Brasil, impulsionada pela pressão crescente das empresas por eficiência, governança, compliance e decisões orientadas por dados. “A posição vive um momento de alta demanda, com um grande volume de contratações efetivas observadas no mercado.”
A questão é que a oferta de profissionais não tem acompanhado esse crescimento. “Existe uma escassez de controllers mais completos, que reúnam domínio técnico, visão estratégica e capacidade de atuar de forma integrada entre contabilidade, área fiscal e gestão.” “O controller se tornou um parceiro direto da liderança, e esse perfil leva tempo para ser formado, o que ajuda a explicar a lacuna existente no mercado.”
Esse desequilíbrio entre demanda e oferta se reflete nos salários, que podem chegar a R$ 40 mil mensais, dependendo do porte da empresa e da senioridade do profissional.
A seguir, Daniel Brito, gerente de recrutamento da Robert Half, explica o que é um controller, detalhando principais funções, potencial de ganhos, progressão de carreira e cursos para se especializar.
O que faz um controller?
O controller é o profissional responsável por assegurar a integridade, a confiabilidade e a leitura estratégica das informações financeiras da empresa. Atua como um elo entre contabilidade, finanças e gestão, apoiando diretamente a liderança na tomada de decisão baseada em dados.
Quais são as funções de um controller?
Entre suas principais atribuições estão o fechamento gerencial, o controle orçamentário, a análise de resultados, o cumprimento de obrigações contábeis, fiscais e de compliance, além do acompanhamento de indicadores. Mais do que reportar números, o controller transforma dados em insights, explicando o que aconteceu, por que aconteceu e quais caminhos a empresa pode seguir a partir disso.
Quais as diferenças entre controller, contador e gerente financeiro?
A diferença está, principalmente, no foco de atuação. O contador é responsável pela conformidade contábil e fiscal, garantindo registros corretos, cumprimento de normas, apuração de impostos e elaboração das demonstrações financeiras. O gerente financeiro, por outro lado, atua na gestão do caixa e da liquidez, cuidando de fluxo de caixa, capital de giro, crédito, relacionamento bancário e execução financeira da estratégia no curto e médio prazo.
Já o controller tem um papel mais transversal e estratégico, integrando contabilidade, finanças e gestão. Enquanto o contador olha para o passado e o gerente financeiro para a execução do presente, o controller conecta essas informações à visão futura do negócio.
Quanta ganha um controller?
De acordo com o Guia Salarial da Robert Half, a remuneração de um controller varia entre R$ 18.050 a R$ 25.650 em pequenas e médias empresas e até R$ 39.850 em grandes companhias. A progressão salarial depende de fatores como nível de senioridade, experiência prévia, certificações, formação acadêmica e porte da empresa.
Qual o potencial de ascensão de cargos iniciais até posições de liderança?
Muitos profissionais iniciam a trajetória em posições como analista financeiro ou contábil e evoluem gradualmente até a controladoria. Com o amadurecimento técnico e estratégico, é comum que avancem para cargos de liderança, como head da área, diretoria, CFO ou posições mais seniores dentro da própria controladoria, a depender da estrutura da empresa.
Inclusive, dentro de finanças e contabilidade, o cargo já figura entre os mais bem remunerados fora do nível executivo, ao mesmo tempo em que oferece forte exposição ao corpo diretivo, conselhos e C-levels.
Qual o perfil de um controller?
Do ponto de vista técnico, o controller precisa ter base sólida em contabilidade, finanças, custos, orçamento, demonstrações financeiras, normas contábeis, tributação e ferramentas de BI (Business Intelligence), que vêm ganhando cada vez mais relevância. No aspecto comportamental, destacam-se pensamento analítico, senso crítico, organização, ética e, sobretudo, capacidade de comunicação. É preciso saber transitar bem entre áreas financeiras e não financeiras, dialogando com diferentes níveis da organização, especialmente com a alta liderança.
Qual a formação acadêmica de um controller?
Os cursos mais comuns são Ciências Contábeis, Administração, Economia e Engenharia, geralmente complementados por pós-graduação ou MBA em Finanças, Controladoria ou Gestão Empresarial. A formação em Contabilidade costuma sair na frente, já que, em muitas empresas, o controller é responsável por assinar o balanço, o que exige CRC ativo.
Quais cursos complementares são indicados para um controller?
O mercado valoriza cursos de pós-graduação em Controladoria, Finanças Corporativas, Gestão Estratégica e Planejamento Financeiro. Certificações e formações práticas, como MBA em Finanças, especialização em IFRS (International Financial Reporting Standards), cursos de FP&A (Financial Planning and Analysis), domínio de Excel, Power BI e sistemas ERP, também são diferenciais relevantes.
O inglês tem se tornado cada vez mais indispensável, especialmente para quem busca oportunidades em empresas de maior porte ou multinacionais. Mais do que o diploma em si, o que pesa é a capacidade de aplicar esse conhecimento no dia a dia da empresa.
Como fazer uma transição de carreira para controller?
Uma transição bem-sucedida passa por três pilares. O primeiro é o fortalecimento da base técnica, especialmente em contabilidade, análise de custos, orçamento e demonstrações financeiras. O segundo é a experiência prática. Assumir projetos, funções temporárias, posições híbridas ou de apoio à controladoria ajuda a desenvolver o “mão na massa” que o mercado exige. O terceiro pilar é a visão de negócio. As empresas buscam controllers que entendam como as decisões operacionais e estratégicas impactam os resultados financeiros, indo além do fechamento de números.
Powered by WPeMatico

Cultura1 semana atrásCarnaval “A Melhor Folia” é aberto em SJB

Economia1 semana atrásBC registra primeiro incidente com chaves Pix em 2026

Tecnologia1 semana atrásOne Piece: a nova temporada do live action mais esperado dos animes que vai levar os fãs para dentro do navio dos mugiwara em 2026

Esporte7 dias atrásPaquetá marca, Flamengo vence Botafogo e vai à semi do Carioca

Saúde1 semana atrásDescoberta de cientista brasileira reacende esperança para pacientes com tetraplegia
- Negócios1 semana atrás
Controller: O Que Faz o Profissional Entre os Mais Bem Pagos e Demandados

Tecnologia1 semana atrásX estaria burlando sanções dos EUA e vendendo contas premium a líderes do Irã

Tecnologia1 semana atrásAndroid 17 Beta 1 chega a dispositivos Pixel após atraso































