Saúde
Tripofobia: conheça a fobia que vai arrepiar todos os pelos do seu corpo

Alerta de gatilho: este artigo aborda temas que podem causar desconforto em pessoas sensíveis a padrões de buracos ou formas geométricas agrupadas.
O mundo pode ser um lugar bastante assustador, e, ao longo da história, nosso corpo desenvolveu mecanismos de defesa para reagir a certos gatilhos, como predadores, alimentos contaminados e grandes alturas.
No entanto, às vezes essas reações vão além do necessário e se manifestam como fobias, respostas intensas e desproporcionais a estímulos específicos. Dentre os vários medos que podem afetar a cabeça humana, está a tripofobia, um distúrbio que afeta quem sente desconforto ou aversão a padrões repetitivos de pequenos buracos ou formas geométricas agrupadas.
Embora o termo tenha ganhado popularidade na internet, a tripofobia não é oficialmente reconhecida como um transtorno psiquiátrico, mas muitas pessoas relatam reações físicas e emocionais intensas ao ver imagens desse tipo. Mas, afinal, o que é a tripofobia e por que ela causa tanta repulsa?
O que é a tripofobia e por que ela é tão desconfortável?
A tripofobia é descrita como uma aversão intensa ou desconforto ao ver padrões repetitivos de pequenos buracos ou formas geométricas agrupadas, como colmeias, sementes de lótus e esponjas.
Embora muitas pessoas relatem essa sensação, a tripofobia não é oficialmente reconhecida como um transtorno psiquiátrico pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). O termo ganhou popularidade na internet e se tornou objeto de pesquisa, mas ainda não há consenso na comunidade científica sobre suas causas exatas.

Pesquisadores sugerem que a tripofobia pode ser uma resposta evolutiva do cérebro, já que padrões semelhantes aparecem em animais venenosos, doenças infecciosas e feridas ulceradas. Essa hipótese sugere que a reação negativa seria um mecanismo de defesa biológico, levando o cérebro a associar essas imagens a potenciais ameaças.
Outra teoria aponta que a tripofobia pode estar relacionada a uma sobrecarga sensorial, em que certos padrões ativam regiões do cérebro ligadas ao medo e ao desconforto visual. Os sintomas podem variar de um leve incômodo a reações mais intensas, como calafrios, suor excessivo, coceira, formigamento, aumento da frequência cardíaca e até náusea. Em casos mais graves, algumas pessoas podem desenvolver crises de ansiedade ou ataques de pânico ao se deparar com imagens que despertam a fobia.
Além disso, os gatilhos podem ser diferentes para cada pessoa. Algumas sentem desconforto apenas com objetos inanimados, como canos organizados em um padrão repetitivo ou bolhas em um líquido. Outras, no entanto, reagem fortemente a elementos orgânicos, como padrões na pele de animais, o alinhamento dos dentes de uma lampreia ou buracos causados por infecções e doenças. Essa variação mostra que a tripofobia pode estar relacionada tanto a fatores biológicos quanto a experiências pessoais e psicológicas.

Atualmente, não há uma cura específica para a tripofobia, mas algumas abordagens terapêuticas podem ajudar a reduzir os sintomas. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é frequentemente recomendada para auxiliar no controle da ansiedade e na dessensibilização progressiva à exposição a padrões tripofóbicos. Além disso, estratégias de respiração e relaxamento podem minimizar os efeitos físicos e emocionais da fobia.
Como identificar a tripofobia
Identificar a tripofobia pode ser desafiador, pois a intensidade das reações varia de pessoa para pessoa. Algumas sentem apenas um leve desconforto ao ver padrões de buracos, enquanto outras experimentam reações físicas imediatas, como tremores e suor excessivo. Essa resposta pode ser involuntária e ocorrer até mesmo ao visualizar imagens em telas digitais.
O principal critério para considerar a tripofobia como um problema significativo é o grau de impacto que ela tem na vida da pessoa. Se a aversão a esses padrões impede a realização de atividades cotidianas ou causa sofrimento emocional intenso, procurar a orientação de um profissional de saúde mental pode ser um caminho para lidar com os sintomas.
Com informações de WebMD.
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Saúde
Lito Sousa recebe terapia experimental contra Creutzfeldt-Jakob

Lito Sousa foi a primeira pessoa no mundo a poder testar a substância experimental ALN-6457 como tentativa de tratamento para a doença de Creutzfeldt-Jakob. Segundo sua esposa, Mila Seidl, ele segue na UTI, está estável e não teve reação ao produto depois da aplicação.
O ALN-6457 ainda não foi testado em estudos clínicos com humanos. A equipe médica espera avaliar possíveis mudanças no quadro por meio de exames nas próximas seis semanas.

Como funciona a substância
O ALN-6457 é desenvolvido pela Regeneron, nos Estados Unidos, em parceria com a Alnylam Pharmaceuticals. O produto ainda não passou por estudos clínicos, e os dados disponíveis são preliminares.
A tecnologia usa uma molécula chamada siRNA para interferir no RNA mensageiro que carrega as instruções para produzir a proteína priônica. Na doença de Creutzfeldt-Jakob, essa proteína pode assumir uma forma anormal e provocar danos no cérebro.
A estratégia tenta diminuir a produção da proteína. Com menos proteína priônica disponível, haveria, em teoria, menos material para participar do processo de formação das versões deformadas.
Por que o tratamento é experimental
O acesso ao produto ocorreu por meio do chamado uso compassivo, mecanismo que permite a pacientes com doenças graves, debilitantes ou que ameaçam a vida receber produtos ainda experimentais quando não existem alternativas terapêuticas eficazes.
Leia mais:
- O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob, diagnosticada no influenciador Lito Sousa
- Creutzfeldt-Jakob: a doença rara diagnosticada no influenciador Lito Sousa e os tratamentos possíveis
- Creutzfeldt-Jakob: a doença rara e sem cura que afeta o cérebro
Chegar ao cérebro é uma das dificuldades. A barreira hematoencefálica impede a passagem de muitas substâncias, e o siRNA ainda precisa permanecer funcional depois de entrar nas células.
“Não basta chegar ao cérebro e entrar na célula. Uma vez lá dentro, a molécula ainda precisa resistir para se manter funcional. Ela cai dentro de uma espécie de bolha ácida, que a própria célula usa para digerir o que entra ali — e se não resistir a esse ambiente, é destruída antes de fazer efeito”, explica o especialista em pesquisa clínica Daniel Dahis ao g1.
Uma cadeia lipídica chamada C16 é usada na tecnologia para ajudar o siRNA a atravessar a membrana das células.

O que os testes já mostraram
Não há estudo clínico do ALN-6457 que permita avaliar seus efeitos em pessoas. Entre os dados preliminares, um experimento em camundongos registrou, na menor dose testada, uma redução de cerca de 15% no RNA mensageiro ligado à produção da proteína priônica.
O resultado mostra que a estratégia conseguiu interferir nesse mecanismo, mas não permite concluir que a doença será interrompida. Tampouco há evidências de benefício clínico ou de aumento da sobrevida em humanos.
O que tem sido visto até agora mostra que estamos falando de uma terapia que reduz, na teoria, a produção da proteína priônica.
Daniel Dahis, especialista em pesquisa clínica, ao g1.
Para ele, isso “é um indicativo de que a estratégia pode valer a pena ser investigada, especialmente diante de uma doença que hoje não tem tratamento capaz de interromper sua progressão. Mas isso, claro, sempre considerando as incertezas de segurança e uma avaliação individual de risco-benefício.”
Os principais dados conhecidos são:
- O ALN-6457 não foi testado clinicamente em humanos;
- Camundongos apresentaram redução de cerca de 15% no RNA mensageiro da proteína priônica;
- A tecnologia combina siRNA e uma cadeia lipídica C16;
- Testes com essa tecnologia foram realizados em ratos e primatas;
- A avaliação de segurança mais completa foi feita em outro programa, voltado à doença de Alzheimer.
Nos testes anteriores em animais, não foram observadas alterações relacionadas à substância em avaliações clínicas, neurológicas e de órgãos. Os estudos, contudo, foram preliminares e de curta duração. Lito permanece na UTI, e os próximos exames devem ajudar a avaliar o efeito da aplicação.
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Saúde
“Ozempic Natural” é alvo da Anvisa; saiba mais
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de todos os lotes do medicamento Soll*Q-75, vendido como produto da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A medida alcança as apresentações de 180, 360 e 720 cápsulas, com concentrações de 300 mg e 150 mg.
O produto, conhecido popularmente como “Ozempic Natural”, era comercializado pela empresa Métodos Quantumbio Distribuidora e Serviços Ltda. diretamente ao consumidor, sem exigência de prescrição ou dispensação por profissional habilitado. Segundo a Anvisa, o produto fazia alegações terapêuticas que ultrapassavam o que é permitido para a classificação de Medicina Tradicional Chinesa, o que levou à determinação de apreensão dos lotes.
Produto era vendido de forma irregular
O Soll*Q-75 utilizava a classificação de Medicina Tradicional Chinesa, que permite a comercialização de determinados produtos por meio de um processo de regularização específico, desde que sejam respeitados os critérios estabelecidos para a categoria.
No caso do produto, a Anvisa apontou que a comercialização ocorria de maneira irregular, com venda direta ao consumidor sem prescrição e sem dispensação por profissional habilitado. A agência também identificou divulgação de alegações de finalidade terapêutica.
A medida determina a apreensão de todos os lotes do Soll*Q-75 nas apresentações citadas pela Anvisa.
Berberina sem registro também é proibida
A mesma resolução determina a apreensão de todos os lotes de produtos à base de berberina sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa. Esses itens não podem ser fabricados, importados, distribuídos, divulgados, vendidos ou utilizados.
A berberina ganhou popularidade nas redes sociais com a denominação “Ozempic Natural”, sendo apresentada por vendedores como uma alternativa orgânica ao medicamento, com efeito semelhante para emagrecimento.
As evidências científicas sobre a perda de peso associada à berberina, porém, ainda são preliminares e inconclusivas. As indicações que possuem evidências clínicas, embora limitadas, estão relacionadas à redução do colesterol e à regulação da glicose no sangue, especialmente em pacientes com diabetes tipo 2 quando a substância é associada a outros tratamentos.
O uso oral da berberina também pode causar efeitos adversos, como dor abdominal e distensão, constipação, diarreia, flatulência, náuseas, vômitos e dor de cabeça.
Anvisa recolhe lotes de medicamento injetável
A Anvisa também determinou o recolhimento de lotes do cloridrato de dobutamina, produzido pela Hypofarma – Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda.
Segundo a agência, foi confirmado um desvio de qualidade relacionado à presença de precipitados, partículas suspensas, cristalização e alteração de cor. As alterações foram identificadas em ampolas íntegras e/ou após a diluição, com registros de coloração turva, avermelhada ou amarronzada.
Os lotes que não podem ser vendidos, distribuídos ou utilizados são:
- 24092127
- 24102310
- 25102244
- 25102243
- 25112308
Os produtos correspondem ao cloridrato de dobutamina 12,5 mg/ml, solução injetável, em caixa com 10 ampolas de 20 ml.
Propaganda de produtos manipulados é suspensa
A Resolução 3.457/2026 também determinou a suspensão da propaganda de todos os produtos manipulados no site da marca Pharmes, da empresa Lupatini e Pinheiro Instituto de Manipulação Ltda.
A medida faz parte da mesma resolução que estabelece as ações contra o Soll*Q-75, os produtos à base de berberina sem regularização sanitária e os lotes de cloridrato de dobutamina com desvio de qualidade.
A resolução foi publicada no Diário Oficial da União em 9 de setembro de 2026.
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Saúde
Do café à carne processada: dois hábitos aparecem ligados ao risco de câncer

Dois hábitos bastante comuns na alimentação aparecem associados a um maior risco de diferentes tipos de câncer no sistema digestivo. Estudos recentes analisaram, de um lado, o consumo de chá e café em temperaturas muito altas e, de outro, a relação entre o consumo de carne, especialmente carne processada, e o câncer de estômago.
Os trabalhos investigam doenças diferentes e foram realizados com metodologias distintas, mas chegam a uma conclusão semelhante: determinados padrões de consumo podem estar relacionados ao desenvolvimento de tumores no sistema digestivo.
Bebidas muito quentes e câncer de esôfago
Um estudo, publicado no International Journal of Cancer, analisou a relação entre o consumo de bebidas muito quentes e o risco de câncer de esôfago. A pesquisa aponta que beber chá ou café em temperaturas muito elevadas pode estar associado a um aumento significativo desse risco.
Segundo os resultados, pessoas que consomem bebidas muito quentes podem apresentar um risco até três vezes maior de desenvolver câncer de esôfago em comparação com aquelas que não têm esse hábito.
A explicação investigada pelos pesquisadores está relacionada ao dano provocado pelo calor repetidamente sobre o tecido do esôfago. A exposição frequente a temperaturas muito altas pode causar lesões que, ao longo do tempo, podem contribuir para alterações celulares.
O ponto central do estudo, portanto, não é necessariamente a bebida consumida, mas a temperatura em que ela é ingerida.
Leia mais:
- Comissários e pilotos lideram risco de morte por câncer ligado à radiação, aponta estudo
- IA pode encontrar cura para o câncer, mas chips são desafio, diz CEO da Arm
- Por que alguns tipos de câncer estão aumentando entre adultos mais jovens

Carne e câncer de estômago
- Outro estudo, também publicado no International Journal of Cancer, examinou uma quantidade muito maior de dados para investigar possíveis relações entre o consumo de carne e o câncer de estômago;
- A pesquisa encontrou associações entre o consumo de determinados tipos de carne e um risco maior de desenvolver a doença;
- A relação é especialmente relevante no caso das carnes processadas, categoria que inclui produtos que passam por processos como cura, salga, defumação ou adição de conservantes;
- Os pesquisadores também avaliaram outros fatores relacionados ao consumo de carne para tentar entender melhor quais padrões alimentares poderiam estar associados ao desenvolvimento do câncer de estômago.
Dois hábitos, dois tipos de câncer
Embora os estudos tratem de doenças diferentes, os resultados chamam atenção para dois hábitos presentes na rotina de muitas pessoas: beber líquidos muito quentes e consumir carnes processadas.
No primeiro caso, a preocupação está relacionada principalmente à temperatura da bebida e aos efeitos repetidos do calor sobre o esôfago. No segundo, a associação envolve principalmente determinados tipos de carne e o risco de câncer no estômago.
Os resultados, porém, não significam que uma pessoa que tome café ou chá quente, ou que consuma carne processada, necessariamente desenvolverá câncer. Estudos desse tipo identificam associações e fatores de risco, que precisam ser interpretados dentro do conjunto de evidências disponíveis.
A diferença entre os dois trabalhos também é importante: enquanto um investiga especificamente a temperatura das bebidas, o outro analisa padrões de consumo de carne e sua relação com o câncer de estômago.
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