Saúde
Quais são as doenças mais raras do mundo?

As doenças mais raras do mundo são condições que afetam um número reduzido de pessoas, muitas vezes deixando médicos e pesquisadores intrigados e desafiados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma doença é considerada rara quando afeta menos de 1 em cada 2.000 indivíduos.
Embora a prevalência dessas doenças possa ser baixa, o impacto que elas têm na vida dos pacientes e de suas famílias é imensurável. Muitas vezes, essas condições não possuem tratamentos estabelecidos ou diagnósticos precisos, levando a anos de sofrimento e incerteza para aqueles que as enfrentam.
Nesta lista, destacamos as 10 doenças mais raras do mundo, destacando suas características, sintomas e o impacto que causam na vida dos afetados. Ao conhecer essas condições, esperamos aumentar a conscientização e promover uma discussão mais ampla sobre a importância da pesquisa e do apoio aos pacientes que vivem com essas doenças raras.
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Quais são as doenças mais raras do mundo?
Fibrodisplasia Ossificante Progressiva (FOP)
Conhecida como a “síndrome do homem de pedra”, a Fibrodisplasia Ossificante Progressiva é uma doença genética extremamente rara que causa a transformação do tecido muscular e conectivo em osso. Isso leva a uma progressiva limitação dos movimentos, pois os músculos e tendões se tornam ossificados.

Os sintomas geralmente aparecem na infância e podem incluir malformações congênitas nas extremidades. Não há tratamento curativo, e a gestão da condição é focada em aliviar os sintomas e prevenir complicações.
Síndrome de Ondine
A Síndrome de Ondine é uma desordem respiratória rara que afeta o controle autônomo da respiração. Os indivíduos afetados não conseguem respirar automaticamente durante o sono, o que pode resultar em paradas respiratórias. Essa condição é frequentemente causada por mutações genéticas e requer monitoramento constante durante a noite, muitas vezes envolvendo o uso de ventiladores mecânicos.
Doença de Hutchinson-Gilford (Progeria)
A Progeria é uma condição genética extremamente rara que causa envelhecimento acelerado em crianças. Os portadores da doença apresentam características físicas típicas do envelhecimento, como perda de cabelo e rigidez nas articulações, desde muito jovens. A expectativa de vida média para indivíduos com Progeria é significativamente reduzida, geralmente não ultrapassando os 13 anos.

Síndrome de Alström
Esta síndrome é uma desordem genética que afeta múltiplos sistemas do corpo, incluindo o coração, olhos e ouvidos. Os pacientes frequentemente apresentam obesidade, diabetes tipo 2 precoce e problemas cardíacos. O manejo da Síndrome de Alström é multidisciplinar, envolvendo endocrinologistas, cardiologistas e oftalmologistas.
Doença de Kuru
A Doença de Kuru é uma doença neurodegenerativa rara associada ao consumo de tecido cerebral infectado por prions. Historicamente encontrada entre os membros da tribo Fore na Papua-Nova Guiné, a doença leva a tremores incontroláveis e perda de coordenação motora. A transmissão ocorre através das práticas funerárias tradicionais da tribo, onde o cérebro dos mortos era consumido.
Síndrome de Stuve-Wiedemann
Esta síndrome é caracterizada por anormalidades ósseas congênitas, febres recorrentes e problemas respiratórios. Os sintomas variam amplamente entre os afetados, tornando o diagnóstico um desafio significativo. O tratamento geralmente envolve cuidados paliativos e suporte para as complicações associadas.
Hemofilia A
Embora não seja tão rara quanto outras condições nesta lista, a Hemofilia A ainda é considerada uma doença rara que afeta a coagulação do sangue devido à deficiência do fator VIII. Os portadores enfrentam sangramentos prolongados após lesões ou cirurgias e podem apresentar hemorragias internas sem causa aparente.

Síndrome da Hipoventilação Central Congênita (SHCC)
Essa condição genética afeta o controle da respiração durante o sono, levando a episódios de apneia em recém-nascidos e crianças pequenas. A SHCC pode ser fatal se não tratada adequadamente. O tratamento envolve suporte respiratório contínuo durante a noite.
Doença de Gaucher
A Doença de Gaucher é uma desordem genética causada pela deficiência da enzima glucocerebrosidase, levando ao acúmulo de lipídios nas células do corpo. Os sintomas incluem aumento do fígado e baço, dores ósseas e problemas hematológicos. O tratamento geralmente envolve terapia enzimática substitutiva.
Síndrome de Moebius
Essa síndrome rara é caracterizada pela paralisia facial congênita e dificuldades na movimentação dos olhos devido à ausência dos nervos cranianos VI e VII. Os portadores podem ter dificuldades na alimentação e na fala, além de problemas ortopédicos associados.

Conclusão
As doenças mais raras representam um campo complexo na medicina que exige atenção especial tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Embora muitas dessas condições ainda não tenham cura conhecida, avanços na pesquisa médica estão proporcionando novas esperanças para os afetados por essas síndromes raras. O aumento da conscientização sobre essas doenças também ajuda a promover melhores cuidados médicos e suporte social para os pacientes e suas famílias.
O estudo das doenças raras não só contribui para o conhecimento médico geral mas também destaca a importância da pesquisa contínua para descobrir novas abordagens terapêuticas que possam melhorar a qualidade de vida daqueles que vivem com essas condições desafiadoras.
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Saúde
Alzheimer deixa de ser visto apenas como doença sem tratamento com avanços em medicamentos e diagnóstico precoce

A pesquisa sobre demência vive um ponto de virada. É o que aponta o World Alzheimer Report 2026, publicado pela Alzheimer’s Disease International (ADI), que descreve nova fase nos estudos clínicos sobre a doença de Alzheimer e outras formas de demência.
Segundo o relatório, a doença de Alzheimer deixou de ser considerada universalmente “intratável”. Nos últimos cinco anos, novos medicamentos demonstraram capacidade de desacelerar modestamente o avanço da doença em estágios iniciais, enquanto evidências crescentes indicam que alguns casos de demência podem ser adiados ou até prevenidos por meio da redução de fatores de risco.
O cenário também é marcado pelo aumento da atividade científica. Atualmente, centenas de ensaios clínicos realizados no mundo investigam possíveis medicamentos, novas formas de diagnóstico e intervenções relacionadas ao estilo de vida com o objetivo de identificar, tratar ou retardar o declínio cognitivo.
A ADI compara o atual momento da pesquisa sobre demência ao que aconteceu na oncologia na década de 1990. Naquele período, os primeiros tratamentos contra o câncer ainda eram imperfeitos, mas abriram caminho para combinações de medicamentos, medicina de precisão e intervenções mais precoces.
O relatório ressalta, porém, que ainda não existe uma descoberta capaz de representar para o Alzheimer algo equivalente à penicilina ou às estatinas. A mudança estaria acontecendo de maneira mais gradual, com transição da busca por cura imediata para estratégias de prevenção, tratamento e redução de riscos.
Medicamentos mudaram perspectiva
- Entre os principais avanços recentes estão o donanemabe e o lecanemabe. Os dois foram os primeiros medicamentos plenamente aprovados que demonstraram capacidade de desacelerar modestamente a progressão do Alzheimer em estágio inicial, em vez de apenas tratar seus sintomas;
- Cath Mummery, diretora da Dementia Trials Network do Reino Unido, destaca no relatório a importância desses resultados: “O que você realmente esperava era um efeito maior [nos pacientes], mas foi um momento enorme porque mostrou que era possível mudar o curso da doença”;
- Para ela, os resultados representam base para os próximos avanços: “Esse é o alicerce. É o primeiro tijolo, e há muito a construir a partir dele”;
- O relatório também reconhece que nem todos os pesquisadores estão convencidos de que donanemabe e lecanemabe produzam benefícios clinicamente significativos. Os medicamentos não funcionam da mesma maneira para todos os pacientes ou em todas as regiões do cérebro;
- Ainda assim, a aprovação dos dois tratamentos mudou as expectativas sobre o que a pesquisa em demência pode alcançar.
O número de medicamentos candidatos em investigação para demência aumentou cerca de 40% na última década. Atualmente, pesquisadores avaliam 158 possíveis terapias em 192 ensaios clínicos ao redor do mundo.
Somente em 2026, estão previstos resultados de oito ensaios de fase 3, etapa que testa tratamentos em grande número de pessoas e os compara com os cuidados considerados padrão.
Mais de um terço dos medicamentos contra demência que estão atualmente em desenvolvimento, segundo o relatório, foi originalmente criado para tratar outras condições.
Prevenção também ganha espaço
O avanço da pesquisa não está restrito aos medicamentos. O relatório destaca que a redução de fatores de risco pode ter papel importante na prevenção ou no adiamento de casos de demência.
Segundo as evidências apresentadas, até 45% dos casos poderiam potencialmente ser prevenidos ou adiados por meio da abordagem de 14 fatores de risco modificáveis ao longo da vida.
Entre eles estão hipertensão, depressão, falta de atividade física, tabagismo, diabetes, consumo excessivo de álcool e colesterol elevado.
O impacto potencial dessa estratégia ganha importância diante do envelhecimento da população mundial. Algumas estimativas citadas pelo ScienceAlert apontam para 139 milhões de pessoas vivendo com demência em 2050.
Mesmo atrasos modestos no surgimento do declínio cognitivo poderiam representar milhões de casos a menos.

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Diagnóstico ainda é um obstáculo
Apesar dos avanços, o acesso aos novos tratamentos continua sendo um problema. Uma das principais dificuldades apontadas pelo relatório é identificar os pacientes em estágios iniciais da doença, justamente quando algumas das novas terapias podem ser utilizadas.
A neurorradiologista Emer MacSweeney afirma que muitas pessoas que provavelmente já estão nos estágios iniciais do Alzheimer acabam não sendo identificadas.
“O maior erro que está acontecendo no momento é que pessoas que claramente, obviamente, provavelmente estão nos estágios iniciais do Alzheimer estão sendo ignoradas e completamente deixadas de lado… porque essa janela de oportunidade para o tratamento é realmente pequena.”
Segundo MacSweeney, pacientes também costumam não receber informações suficientes sobre ensaios clínicos ou sobre como ter acesso aos novos medicamentos.
“Precisamos de uma mudança de mentalidade na profissão médica para garantir que mais pessoas sejam informadas sobre os ensaios clínicos e recebam apoio para participar deles. Precisamos de ação, não de retórica.”
O relatório destaca que um dos maiores obstáculos está justamente no diagnóstico. No Reino Unido, por exemplo, apenas cerca de 2% das pessoas diagnosticadas com Alzheimer têm acesso ao chamado teste diagnóstico de padrão-ouro, segundo estudo liderado por Jonathan Schott, diretor médico da Alzheimer’s Research UK.
Exames de sangue capazes de identificar biomarcadores relacionados à demência aparecem como possível solução. Essas ferramentas apresentam resultados promissores nos estudos iniciais, mas ainda precisam ser avaliadas em escala populacional para determinar se conseguem identificar com precisão pessoas com sinais iniciais de declínio cognitivo.
“O futuro do tratamento da demência pode depender tanto dos médicos de família em Havana, Lima ou Bangalore quanto de laboratórios bilionários na Califórnia”, afirma o relatório.
Uma nova era para os ensaios clínicos
O World Alzheimer Report 2026 tem como título “A New Era in Dementia Clinical Trials” (“Uma nova era nos ensaios clínicos de demência”) e analisa justamente esse novo momento da pesquisa. O documento aborda desde recrutamento, participação e retenção de voluntários até ética, segurança, regulamentação, representação global e inclusão nos estudos.
Entre 2000 e 2020, mais de 99% dos medicamentos experimentais para demência fracassaram nos ensaios clínicos. O cenário atual, segundo o relatório, representa uma mudança importante em relação a esse histórico.
A possibilidade de uma cura ainda está distante, mas o relatório considera que ela parece mais concreta do que em qualquer outro momento. O desafio para a próxima década será fazer com que participar de pesquisas sobre demência deixe de depender de persistência ou sorte e se torne uma possibilidade real para qualquer pessoa interessada.
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Medicamento elimina marcadores do câncer em 77,8% dos pacientes com condição que pode anteceder o mieloma
Um ensaio clínico randomizado de fase 2 avaliou o uso do medicamento teclistamab em pacientes com mieloma múltiplo latente de alto risco, uma alteração da medula óssea que pode anteceder o desenvolvimento do mieloma múltiplo, um tipo de câncer do sangue. Publicado na revista Nature Medicine, o estudo encontrou resposta completa em 77,8% dos pacientes tratados com o medicamento.
A pesquisa comparou o teclistamab com a combinação de lenalidomida e dexametasona (Rd). O grupo analisado tinha 59 pacientes que haviam completado pelo menos um ciclo de tratamento: 45 receberam teclistamab e 14 receberam a combinação Rd. No grupo do novo medicamento, 77,8% apresentaram desaparecimento dos marcadores da doença após o tratamento, enquanto nenhum paciente do grupo Rd teve esse resultado.
O que é o mieloma múltiplo?
Para entender o estudo, é preciso primeiro saber o que acontece no mieloma múltiplo. A doença começa nas células plasmáticas, que são células do sistema imunológico produzidas na medula óssea. Em condições normais, elas fabricam anticorpos, proteínas que ajudam o organismo a combater infecções.
No mieloma múltiplo, algumas dessas células se tornam anormais e passam a se multiplicar na medula óssea. Elas também produzem proteínas anormais, chamadas de proteínas do mieloma. Essas alterações podem prejudicar o funcionamento normal da medula e afetar outros órgãos.
Nos estágios iniciais, a doença pode não provocar sintomas claros. Conforme avança, porém, pode estar associada a problemas como enfraquecimento dos ossos, danos aos rins, anemia, aumento da quantidade de cálcio no sangue e maior vulnerabilidade a infecções.
O mieloma múltiplo pode ser tratado, mas a doença pode voltar depois do tratamento. Quando isso acontece, ela também pode se tornar resistente a medicamentos que funcionavam anteriormente. Por isso, os pesquisadores investigam estratégias que possam agir antes que a doença avance.
Onde entra o teclistamab?
O teclistamab já é utilizado para tratar pacientes com mieloma múltiplo que voltaram a apresentar a doença após tratamentos anteriores ou que desenvolveram resistência às terapias. O medicamento foi aprovado nos Estados Unidos e na União Europeia em 2022 para esses casos. No Brasil, o teclistamab possui registro da Anvisa para determinados casos de mieloma múltiplo recidivado ou refratário.
O remédio pertence a uma classe chamada anticorpos biespecíficos. Em termos simples, essas moléculas conseguem reconhecer dois alvos diferentes ao mesmo tempo. O teclistamab faz uma espécie de ligação entre as células T, que fazem parte do sistema de defesa do organismo, e proteínas encontradas nas células do mieloma.
Essa ligação ajuda as células T a identificar as células doentes e a participar da resposta do sistema imunológico contra elas. O estudo publicado agora investigou se esse mecanismo também poderia funcionar quando a doença ainda está em uma fase anterior.
Essa condição é chamada de mieloma múltiplo latente de alto risco (HR-SMM). Ela apresenta alterações associadas ao mieloma, mas ainda não corresponde ao estágio em que a doença provoca os problemas característicos do câncer desenvolvido.
O que o estudo encontrou?
Historicamente, pacientes com HR-SMM eram acompanhados sem tratamento imediato, uma estratégia conhecida como observação ou “espera vigilante”. A ideia era acompanhar a evolução da condição e iniciar o tratamento caso ela progredisse.
O estudo avaliou se tratar esses pacientes mais cedo poderia produzir respostas mais profundas. Depois de uma etapa inicial de segurança com seis pacientes, os pesquisadores chegaram a 64 participantes. Destes, 59 completaram pelo menos um ciclo e foram incluídos na análise.
Entre os 45 pacientes que receberam teclistamab, 77,8% tiveram resposta completa. Isso significa que, após o tratamento, não foram detectados os marcadores da doença considerados na definição de resposta completa utilizada pelo estudo.
No grupo de 14 pacientes que recebeu lenalidomida e dexametasona, a taxa de resposta completa foi de 0%.
O acompanhamento mediano dos participantes foi de 24,5 meses. Nesse período, 92% dos pacientes tratados com teclistamab permaneciam sem progressão da doença, enquanto esse índice era de 49% entre aqueles que receberam Rd.
Os pesquisadores também afirmaram que as taxas de resposta, a duração das respostas e o tempo até a progressão foram significativamente melhores entre os pacientes tratados com teclistamab. Segundo os autores, os resultados apontam para uma atividade importante do medicamento contra o HR-SMM, mas novos estudos ainda são necessários.
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Primeiro teste da polilaminina em humanos começa em setembro com cinco pacientes em São Paulo

O laboratório Cristália começa em 24 de setembro o primeiro teste clínico da polilaminina em humanos. A Fase 1 terá cinco participantes com lesão completa na medula torácica, e o objetivo inicial será verificar se a substância é segura.
O estudo foi autorizado pela Anvisa em janeiro e será realizado no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo. Os voluntários terão entre 18 e 72 anos e deverão ter sofrido o trauma até 72 horas antes.

Quem participa do estudo
A pesquisa foi desenhada para atender pacientes que já tenham indicação de cirurgia e apresentem lesão completa da medula na altura do tórax. O tempo entre o acidente e a aplicação da substância também será determinante: o trauma não poderá ter ocorrido há mais de 72 horas.
Para tentar encontrar pacientes dentro desse intervalo, o SAMU deverá ajudar no encaminhamento aos dois hospitais participantes.
A Fase 1 não pretende mostrar se a polilaminina recupera movimentos. Nesta etapa, os pesquisadores vão acompanhar principalmente a segurança do candidato a medicamento. Só depois, se os resultados forem favoráveis, a pesquisa poderá avançar para estudos maiores.
O que a polilaminina faz
A substância é estudada para casos de lesão medular aguda, que acontece logo após o trauma. A proposta é aplicá-la no local da lesão para estimular os nervos a criar novas rotas e restabelecer parte dos movimentos.
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A medula espinhal funciona como uma ligação entre o cérebro e o restante do corpo. Ela leva comandos aos músculos e transmite de volta informações como dor, temperatura e tato. Uma lesão pode interromper essa comunicação.
Antes dos testes clínicos, a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio realizou um estudo preliminar com oito pacientes. Os participantes apresentaram diferentes níveis de recuperação motora, mas os resultados não permitiram afirmar que a polilaminina seja eficaz.

O que já se sabe e quais são os próximos passos
O estudo com oito pacientes precisa ser interpretado com cautela. O grupo era pequeno e reunia pessoas com lesões de diferentes níveis. Os resultados foram posteriormente revisados por pares e publicados após essa revisão.
Há outros limites importantes:
- Não há evidência científica de que a polilaminina funcione contra lesões medulares crônicas.
- O caso que ganhou destaque nas redes sociais não representa sozinho o resultado observado entre os participantes.
- A substância ainda é considerada um candidato a medicamento.
- As pesquisas clínicas seguintes terão de avaliar eficácia, doses adequadas e efeitos adversos em grupos maiores.
Dependendo dos resultados, o programa de desenvolvimento poderá avançar para as Fases 2 e 3, destinadas a avaliar a eficácia em um número maior de participantes.
Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do Cristália, em nota.
Ele explica que a empresa trabalha “em total alinhamento com a Anvisa e com todos os parceiros envolvidos, sempre com o mesmo objetivo: proteger os pacientes e gerar evidências científicas robustas de segurança e eficácia.”
O início dos testes em humanos marca uma nova etapa da pesquisa, mas ainda não permite concluir que a polilaminina seja capaz de recuperar movimentos. Essa resposta dependerá dos resultados dos próximos estudos.
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