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Saúde

O que acontece se você comer mais proteína do que o recomendado?

Redação Informe 360

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A proteína é um dos nutrientes mais falados quando o assunto é alimentação saudável, principalmente por aqueles que buscam aumentar massa muscular, emagrecer ou ter mais disposição no dia a dia.

Ela é essencial para a construção e reparação dos tecidos, produção de hormônios e fortalecimento do sistema imunológico. Porém, ainda que seu papel seja indispensável, o consumo exagerado pode causar problemas, e não trazer apenas benefícios como muitos acreditam.

Diferente de carboidratos e gorduras, que o corpo consegue armazenar em forma de glicogênio ou tecido adiposo, a proteína não tem uma “reserva” específica. Isso significa que, quando ingerida em excesso, ela precisa ser transformada ou eliminada, o que pode sobrecarregar órgãos como fígado e rins.

Além disso, o consumo elevado de proteína, principalmente de origem animal, pode vir acompanhado de gorduras saturadas, colesterol e até aditivos prejudiciais, dependendo da fonte.

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Sendo assim, entender qual é a quantidade certa de proteína para o seu corpo, e o que acontece quando passamos desse limite, é fundamental para manter a saúde em equilíbrio. Na matéria abaixo, explicamos como a proteína funciona, quais são os riscos do consumo exagerado, os impactos que isso pode trazer a longo prazo e como evitar esses problemas. Veja!

ilustração com diversos tipos de carnes, vegetais, laticinios
As proteínas são compostas por aminoácidos, que são como “tijolos” usados pelo corpo para formar músculos, órgãos, tecidos, produzir enzimas e hormônios. (Imagem: macrovector/Freepik)

O que acontece com quem come mais proteína do que o recomendado?

As proteínas são compostas por aminoácidos, que são como “tijolos” usados pelo corpo para formar músculos, órgãos, tecidos, produzir enzimas e hormônios. Sem proteína suficiente, o corpo não consegue regenerar seus músculos ou sustentar processos vitais.

Fontes animais como carnes, ovos e leite, e vegetais, como leguminosas, grãos, oleaginosas, fornecem diferentes perfis de aminoácidos, fibras e nutrientes auxiliares.

Quando consumimos proteína, ela é digerida no trato gastrointestinal, quebrada em aminoácidos, absorvida e usada pelas células conforme a necessidade do corpo, que não armazena proteína em excesso como “reserva” da mesma forma que faz com carboidratos ou gorduras. Então, quando o consumo excede a demanda, algo precisa ser feito com o excedente.

Esse excedente pode ser usado como fonte de energia, se transformando em glicose ou gordura, ou eliminado como resíduos nitrogenados, como ureia, que vão para os rins para serem excretados pela urina. Esse processo acaba exigindo trabalho adicional dos rins, do fígado e do sistema metabólico.

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Além disso, o tipo de proteína que você consome importa bastante, já que as de origem animal costumam vir junto de gordura saturada e colesterol, enquanto proteínas vegetais têm fibras, antioxidantes e perfil mais “suave” para o corpo.

mesa com salmão, peito de frango, queijos, cogumelos e outros alimentos que possuem proteina
Se alguém ingere mais proteína do que seu corpo consegue usar de forma saudável, ultrapassando cerca de 2g por kg de peso corporal para uma pessoa saudável, por exemplo, surgem os riscos. (Imagem: freepik/Freepik)

O que é proteína demais?

Se alguém ingere mais proteína do que seu corpo consegue usar de forma saudável, ultrapassando cerca de 2g por kg de peso corporal para uma pessoa saudável, por exemplo, surgem os riscos. Um dos principais impactos é a sobrecarga nos rins, que costumam filtrar os resíduos nitrogenados produzidos pela quebra da proteína.

Por exemplo, um adulto com 70 kg poderia consumir no máximo 140 g de proteínas – lembrando que isso não é a mesma coisa do que comer um bife bovino com 140 g, afinal, a carne não é constituída apenas de proteína.

Quando recebem muito mais desse resíduo do que o normal, precisam se esforçar mais, o que, ao longo do tempo, pode levar a danos ou acelerar problemas renais existentes. Outro efeito possível é o aumento do risco de pedras nos rins, chamados de cálculos, já que concentrações maiores de minerais e compostos podem facilitar a cristalização.

De acordo com um estudo recente, também há indícios de impactos negativos no sistema cardiovascular, mostrando que consumir mais de 22% das calorias diárias em proteína pode ativar vias que favorecem a formação de placas nas artérias, a aterosclerose, via resposta inflamatória em células imunes como macrófagos.

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Além disso, dietas muito ricas em proteína muitas vezes deixam de lado fibras, carboidratos e outros nutrientes importantes, o que pode causar constipação, irregularidades digestivas, desequilíbrios nutricionais e falta de energia.

O fígado também sofre um pouco com isso, uma vez que o excesso de proteína pode ser convertido em gordura e causar acúmulo hepático ou estresse no metabolismo hepático, ainda mais se outros nutrientes estiverem deficientes.

Outro ponto importante é que o consumo exagerado de proteína de origem animal, principalmente de carnes vermelhas e processadas, está associado a risco aumentado de certos tipos de câncer, como cólon e próstata, possivelmente por compostos presentes nesses alimentos, como ferro, nitratos, gordura saturada.

Além disso, o excesso proteico pode afetar os ossos, já que, por conta da acidez gerada pela metabolização de certas proteínas ricas em aminoácidos de enxofre, o corpo pode usar cálcio dos ossos, o que poderia comprometer a densidade óssea a longo prazo.

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Há também a possibilidade de uma espécie de “intoxicação por proteína”, quando a dieta é extremamente desequilibrada e praticamente só contém esse elemento, sem carboidratos e gorduras suficientes. Isso causa cansaço, náusea, desorientação e sérios impactos metabólicos.

ilustração de diversos tipos de alimentos que possuem proteinas
(Imagem: brgfx/Freepik)

Quem está mais vulnerável e quando esse excesso é mais perigoso?

Pessoas que já possuem doenças renais crônicas, hipertensão, problemas hepáticos ou pré-disposição a cálculos renais precisam ter muito mais atenção ao consumo elevado de proteína. Para quem já tem alteração na função renal, a alta ingestão proteica pode acelerar o dano.

Além disso, idosos também podem ter risco aumentado, uma vez que seus rins e metabolismo já são menos eficientes, então o excesso de proteína pode gerar desequilíbrios mais facilmente.

Já atletas e praticantes de musculação costumam consumir mais proteína, e mesmo que precisem de valores maiores, ainda há um limite, já que ultrapassar esse valor repetidamente não gera ganho proporcional extra e pode trazer os malefícios citados.

musculação
Imagem: Kitreel/Shutterstock

Geralmente, indivíduos saudáveis toleram melhor um consumo elevado por períodos moderados, mas a exposição constante e prolongada ao exagero aumenta riscos cumulativos.

Outra situação de risco é o uso excessivo de suplementos proteicos sem acompanhamento. Esses produtos podem oferecer doses concentradas que são muito acima do que o corpo pode aguentar.

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Como evitar os efeitos negativos e usar proteína com equilíbrio

Antes de tudo, o ideal é calcular suas necessidades individuais de proteína com base em peso corporal, nível de atividade, idade e saúde, o que deve ser feito por um profissional.

De forma geral, para uma pessoa comum, as recomendações variam entre 0,8 a 1,5g por kg de peso, dependendo do estilo de vida. Para atletas ou quem quer aumentar massa muscular, são usados valores mais elevados, mas ainda assim há limite seguro, sendo que alguns especialistas sugerem não ultrapassar 2g/kg.

Algumas dicas:

  • Prefira fontes de proteína mais saudáveis como carnes magras, peixes, ovos, laticínios com menor gordura, leguminosas, grãos integrais e oleaginosas;
  • Misturar proteína animal e vegetal ajuda a ter mais fibras, vitaminas e compostos benéficos;
  • Distribua a proteína ao longo do dia em várias refeições, para que o corpo possa aproveitá-la melhor, em vez de consumir tudo de uma vez;
  • Mantenha uma hidratação adequada. O excesso de proteína gera mais resíduos nitrogenados que precisam de água para serem eliminados, então beber bastante líquido ajuda aliviar a carga nos rins;
  • Evite dietas extremas ou monoalimentares, como as que priorizam exclusivamente a proteína, pois elas privam o corpo de outros nutrientes essenciais e criam desequilíbrios;
  • Faça um acompanhamento profissional com nutricionistas ou médicos que podem monitorar a função renal, exames de sangue e orientar ajustes conforme sua resposta ao consumo.
vegetais e carnes sobre uma mesa de madeira
Misturar proteína animal e vegetal ajuda a ter mais fibras, vitaminas e compostos benéficos. (Imagem: freepik/Freepik)

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Saúde

Seu médico usa IA? CFM criou regras para isso; entenda o que muda para você

Redação Informe 360

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A inteligência artificial (IA) avança a passos largos em muitas áreas. Uma delas é a medicina. Em fevereiro de 2026, o Conselho Federal de Medicina publicou regras para o uso da tecnologia na área. Essas regras começaram a valer em 26 de agosto.

O objetivo da resolução do CFM nº 2.454/2026 é balizar o uso da tecnologia para que ela funcione como instrumento de apoio ao trabalho médico.

O Olhar Digital conversou com especialistas da área para entender (e te explicar) as regras recentes. Confira abaixo os destaques.

‘Ponto central da resolução é: a IA apoia o médico, mas decisão é sempre humana’, diz especialista

No que diz respeito aos profissionais da saúde, a resolução estabelece que a autonomia e a responsabilidade do médico permanecem integrais.

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Isso significa que a IA jamais pode substituir a decisão clínica final. O médico é o responsável por diagnósticos, tratamentos e prescrições.

Ilustração no estilo colagem de médico com cabeça de notebook
O principal benefício do uso da IA na medicina é o ganho de tempo, mas existem riscos e limites – Imagem: Collagery/Shutterstock

Aliás, o profissional tem o direito de recusar ou parar de usar ferramentas de IA que considere inadequadas ou ineficazes. E deve registrar no prontuário do paciente sempre que usar essa tecnologia.

“A Resolução CFM nº 2.454/2026 é o primeiro marco brasileiro que define regras claras para o uso de inteligência artificial na medicina”, diz Karlyse Claudino Belli, especialista em IA aplicada à saúde, em entrevista ao Olhar Digital.

“E seu ponto central é simples: a IA apoia o médico, mas a decisão é sempre humana”, acrescenta Belli, que também é Chief Business Data Officer (CBDO) da iHealth.

Para especialista, a resolução viabiliza três garantias para você: “o direito de saber quando a IA participou do seu atendimento, o direito de recusar seu uso e maior garantia de que diagnósticos e tratamentos continuam sendo comunicados por uma pessoa, não por um algoritmo”.

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Níveis de risco

Para organizar a aplicação da IA na medicina, a resolução classifica níveis de risco. São eles:

  • Baixo: Aplicações com impacto mínimo ou inexistente sobre a saúde e direitos dos pacientes. Não exercem influência decisória direta em diagnósticos ou tratamentos, atuando em tarefas operacionais ou administrativas (como agendamento de consultas ou gestão logística);
  • Médio: Ferramentas que apresentam potencial de impacto adverso, mas que é totalmente mitigável pela supervisão humana ativa e controles de segurança. Apoiam decisões clínicas e operacionais importantes sem agir de forma autônoma;
  • Alto: Aplicações com elevado potencial de causar danos físicos, psíquicos ou morais aos indivíduos, ou impactos relevantes à saúde pública. Incluem sistemas que influenciam diretamente decisões médicas críticas ou que atuam em contextos de alta vulnerabilidade e situações de vida ou morte;
  • Inaceitável: Categoria atribuída a sistemas cujos riscos ou características violam diretamente preceitos éticos e legais da prática médica.

“Bem aplicada, a IA tende a reduzir erros por omissão e a devolver ao médico tempo para a escuta”, diz Karlyse Belli.

“A resolução do CFM existe justamente para que esse ganho aconteça sem que a relação médico-paciente seja terceirizada”, finaliza a especialista.

Robôs humanoides com IA podem superar humanos na medicina, segundo médico

O doutor Miguel Sabino, professor na Escola Paulista de Medicina (EPM) e coordenador do comitê científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), contou ao Olhar Digital como tem sido o avanço da IA na área.

Para o especialista, a tecnologia tem “utilidades fundamentais” na área hoje em dia.

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Foto de robô humanoide e de médico operando juntos uma cirurgia
Médico acredita que robôs humanoides com IA ‘bem elaborada’ podem substituir técnicos humanos no futuro – Imagem: VesnaArt/Shutterstock

“Talvez há uns anos, um médico, recebendo um paciente, ao examiná-lo, ao fazer algumas hipóteses de diagnóstico, tivesse que consultar livros, consultar outros colegas quando tivesse alguma dúvida a respeito daquele diagnóstico”, começa Sabino.

“Hoje, com a inteligência artificial, realmente há uma resposta imediata. Não é 100% segura, mas é bastante confiável – desde que aquele profissional que está fazendo aquela solicitação saiba como fazê-la e saiba como interpretá-la”, diz o médico.

“A IA também ajuda muito na redação de documentos na área médica, principalmente (volto a insistir) quando supervisionada e depois relida pelo profissional daquela área”, acrescenta Sabino.

“A inteligência artificial faz com que o tempo daquele profissional seja usado de maneira muito mais racional”, observa.

Para o futuro, Sabino vislumbra um cenário que “parece ficção científica, mas não é”.

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“A gente vê a evolução de robôs humanoides, vê a grande utilidade que já se tem de robôs dirigidos por seres humanos em alguns procedimentos cirúrgicos. Isso é uma grande evolução do ponto de vista técnico”, diz o especialista.

“Eu acredito que a associação de um robô humanoide com uma inteligência artificial já bem elaborada pode realmente, a médio prazo, gerar uma máquina que vá poder fazer hoje atividades em vários campos, inclusive na medicina e até na cirurgia, que possam substituir um técnico humano”, afirma.

O especialista fez duas ressalvas no seu comentário. A primeira: “os cuidados do ponto de vista de privacidade e de identidade têm que ser totalmente considerados e preservados”.

A segunda: “A gente não pode esquecer que nós somos seres humanos e temos essa coisa de querer ser acolhidos e ser bem tratados. Nossa humanidade nos exige isso. E acho que a gente não pode se desvincular totalmente disso.”

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O médico imagina um futuro tão tecnológico que parece ficção científica. Mas alerta que “não podemos nos desumanizar”.

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Saúde

Nove medicamentos contra o câncer chegam ao SUS; veja lista comentada por especialista

Redação Informe 360

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Nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer passaram a ser distribuídos pelo Ministério da Saúde na rede pública em todo o Brasil. A medida integra um plano do governo federal para ampliar o acesso a terapias oncológicas no país.

De acordo com a pasta, os medicamentos contemplam 13 indicações clínicas, incluindo tratamentos para tipos de câncer de grande incidência, como os de mama, próstata e pulmão, além de linfomas. A expectativa inicial é beneficiar mais de 116 mil pacientes em 20 unidades de saúde de 17 estados. Até o fim do ano, a distribuição deverá alcançar toda a rede pública.

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, assina documento que garante a oferta de nove novos remédios oncológicos no SUS.
O ministro da saúde, Alexandre Padilha, assina documento que garante a oferta de nove novos remédios oncológicos no SUS. – Crédito: Rafael Nascimento / Ministério da Saúde

Em entrevista ao Olhar Digital, a oncologista Maria Ignez Braghiroli, especialista em tumores do trato digestivo da Oncologia D’Or e integrante do Grupo de Tumores Gastrointestinais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explicou o impacto da incorporação dos novos medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), suas indicações e os cuidados necessários durante o tratamento.

Entre eles, estão o abemaciclibe, utilizado no tratamento do câncer de mama, e o pazopanibe, indicado para casos avançados de câncer renal. São terapias que podem ampliar as opções de tratamento, mas exigem acompanhamento médico e cuidados específicos durante o uso.

O abemaciclibe age sobre proteínas envolvidas na multiplicação das células tumorais, como explica Maria Ignez. “O abemaciclibe é um medicamento que inibe algumas proteínas responsáveis por estimular a multiplicação dessas células tumorais. E, ao bloquear essas proteínas, ele ajuda a impedir que as células continuem se proliferando. Ele é usado em um tipo de câncer de mama com receptor de hormônio positivo.”

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Segundo a médica, o tratamento costuma ser combinado à terapia hormonal e, por ser administrado por via oral, permite que o paciente tome o medicamento em casa, desde que respeite os horários e as doses prescritos. A frequência habitual é de duas tomadas diárias, embora o esquema possa variar de acordo com cada caso.

“Como efeito colateral mais frequente, ele pode provocar diarreia, especialmente nas primeiras semanas. Por isso é preciso ter o acompanhamento próximo do oncologista. Como todas as outras medicações, ele pode causar cansaço e há pessoas que têm um pouco de enjoo”, alerta a oncologista.

Sobre o pazopanibe, Maria Ignez explica que sua ação interfere nos mecanismos que favorecem o crescimento do tumor e a formação de vasos sanguíneos responsáveis por fornecer oxigênio e nutrientes às células cancerígenas.

O abemaciclibe, fármaco utilizado no tratamento do câncer de mama, é um dos nove medicamentos recém-incorporados ao SUS.
O abemaciclibe, fármaco utilizado no tratamento do câncer de mama, é um dos nove medicamentos recém-incorporados ao SUS. – Crédito: luchschenF – Shutterstock / traduzido e adaptado por IA

“O pazopanibe é uma terapia-alvo, que foi liberada pelo SUS para o tratamento do câncer de células renais. Ele é um anti-angiogênico, isto é, bloqueia os sinais que favorecem o crescimento tumoral e a formação de novos vasos, de modo a inibir o fornecimento de nutrientes para as células tumorais”, explica Braghiroli.

O tratamento requer monitoramento regular, principalmente por causa de possíveis alterações na pressão arterial e na função hepática. A hipertensão pode surgir até mesmo em pessoas que não apresentavam o problema antes de iniciar a medicação, enquanto alterações no fígado podem ser identificadas por exames de sangue periódicos.

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“Também pode aumentar o risco de sangramento, o que merece atenção da pessoa que já tem predisposição a isso. Apesar de tudo, é uma opção que geralmente tem uma tolerância razoável, principalmente quando comparado com as quimioterapias habituais usadas em outro contexto”, acrescenta a oncologista. 

Outra mudança envolve o trastuzumabe, medicamento já utilizado no tratamento de determinados tumores de mama e que agora passa a contemplar também casos específicos de câncer de estômago e da junção entre o estômago e o esôfago.

A indicação está relacionada à presença de uma proteína chamada HER2, cuja amplificação ocorre em uma parcela dos tumores gástricos. Braghiroli explica que a eficácia do medicamento nesse contexto começou a ser investigada em estudos publicados há mais de uma década.

“O trastuzumabe foi utilizado inicialmente para o tratamento de tumores de mama que tinham amplificação de uma proteína chamada HER2. Como essa amplificação ocorre entre 10% a 15% dos tumores de estômago, um estudo publicado em 2010 mostrou seu benefício para o tratamento de tumores de estômago.” 

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Desde então, o trastuzumabe passou a ser aprovado, em combinação com a quimioterapia, para tumores específicos que apresentam essa característica molecular. A pesquisa também avança na avaliação de novas combinações terapêuticas. Um estudo publicado em 2023 mostrou o benefício de se associar imunoterapia a esta combinação. Este ano, outras drogas com o mesmo alvo já se mostram superiores. 

“Hoje existem alguns avanços nesse cenário como a eventual adição da imunoterapia e outras drogas com este mesmo alvo, que têm sido estudadas. Para o SUS, é um avanço, já que essa medicação já é de eficácia comprovada há certo tempo”, afirma a médica. 

Quais são os nove medicamentos incorporados ao SUS?

A lista divulgada pelo Ministério da Saúde reúne tratamentos para diferentes tipos de câncer, com indicações que dependem das características do tumor e do estágio da doença:

O SUS amplia o acesso ao tratamento oncológico com nove medicamentos destinados a diferentes tipos de câncer.
O SUS amplia o acesso ao tratamento oncológico com nove medicamentos destinados a diferentes tipos de câncer. – Crédito: Imagem gerada por IA
  • Trastuzumabe: indicado para câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
  • Abemaciclibe: utilizado no tratamento do câncer de mama em estágio inicial ou avançado.
  • Acetato de lanreotida: indicado para determinados tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: voltado ao câncer renal metastático de células claras.
  • Rituximabe: empregado no tratamento da leucemia linfocítica crônica e de determinados linfomas.
  • Abiraterona: indicada para câncer de próstata resistente ou sensível à castração.
  • Gefitinibe: utilizado como tratamento inicial de determinados casos de câncer de pulmão de células não pequenas.
  • TSH recombinante: empregado na preparação de pacientes com câncer diferenciado de tireoide para tratamento com iodo radioativo.
  • Sunitinibe: indicado para câncer renal metastático e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados.

Bloqueio hormonal avançado contra o câncer de próstata

A abiraterona atua sobre um dos principais mecanismos envolvidos na progressão do câncer de próstata: o estímulo hormonal. Como a testosterona favorece o crescimento de muitas dessas células tumorais, reduzir sua produção pode ajudar a controlar a doença.

“A abiraterona reduz a produção deste hormônio pelo organismo, inclusive nos locais em que não são completamente bloqueados pelos tratamentos hormonais convencionais. Esse mecanismo de ação ajuda a diminuir o estímulo para o crescimento das células do câncer da próstata, possibilitando o controle da doença por mais tempo e aumentando o tempo de vida dos pacientes que fazem uso dessa medicação.”

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Segundo a especialista, o medicamento costuma ser utilizado quando o bloqueio hormonal convencional deixa de controlar adequadamente a doença. Seu emprego nesse cenário já está bem estabelecido na prática clínica. “Esse tratamento geralmente é utilizado quando as formas de bloqueio hormonal convencional já falharam. É uma medicação que tem também um uso já muito bem estabelecido nesse contexto”.

A abiraterona reduz a produção de testosterona, ajudando a controlar o câncer de próstata, especialmente quando tratamentos hormonais convencionais deixam de apresentar resultados satisfatórios no controle da doença.
A abiraterona reduz a produção de testosterona, ajudando a controlar o câncer de próstata, especialmente quando tratamentos hormonais convencionais deixam de apresentar resultados satisfatórios no controle da doença. – Crédito: Imagem gerada por IA

Exames ajudam a definir quais pacientes podem receber os medicamentos

Nem todos os tratamentos da lista são adequados para qualquer pessoa com determinado tipo de câncer. Em alguns casos, a indicação depende da identificação de alterações genéticas ou de proteínas específicas nas células tumorais, o que torna os exames laboratoriais parte fundamental da decisão terapêutica.

É o caso do gefitinibe, utilizado contra determinados tumores de pulmão. Embora seja uma opção estabelecida há anos, o medicamento é indicado somente quando o tumor apresenta uma alteração no gene EGFR, que pode torná-lo sensível à terapia. “Trata-se de um medicamento que tem seu papel bem estabelecido há algum tempo. Ele não é indicado para todos os subtipos de câncer pulmonar e sim para aqueles, cujos tumores têm uma alteração no gene EGFR”. 

A identificação dessa alteração é feita por meio de um teste molecular realizado em uma amostra do tumor coletada durante a investigação diagnóstica. O resultado ajuda a determinar se o gefitinibe é uma opção adequada para aquele paciente.

SUS também amplia rastreamento do câncer de intestino

Além da oferta de medicamentos, o Ministério da Saúde começou a distribuir 400 mil testes imunoquímicos fecais para estados e capitais brasileiras. A iniciativa integra a ampliação das ações de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de intestino.

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O rastreamento é voltado a homens e mulheres de 50 a 75 anos e busca identificar sinais que justifiquem uma investigação complementar. O teste detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes, mesmo quando não são visíveis a olho nu. Esse sinal pode estar associado a pólipos – lesões que, em alguns casos, podem evoluir para câncer – ou a tumores já existentes.

A identificação precoce permite encaminhar os pacientes para exames complementares e, quando necessário, iniciar o tratamento. Entre as estratégias de rastreamento estão a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, exame que permite visualizar o interior do intestino e retirar determinados pólipos.

“Diversas sociedades médicas, tanto nacionais quanto internacionais, recomendam o rastreamento para o câncer de intestino, porque é uma estratégia capaz de prevenir o desenvolvimento da doença por meio da retirada do pólipo. Existem algumas formas de rastreamento, como a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes”, explica a médica.

O SUS também amplia o rastreamento do câncer de intestino, com distribuição de 400 mil testes para diagnóstico precoce.
O SUS também amplia o rastreamento do câncer de intestino, com distribuição de 400 mil testes para diagnóstico precoce. – Crédito: Imagem gerada por IA

O teste imunoquímico fecal funciona como uma etapa inicial dessa investigação. Quando o resultado é positivo, o paciente deve ser encaminhado para uma colonoscopia, que permite identificar a origem do sangramento e avaliar a presença de lesões que exijam tratamento.

“O teste imunoquímico fecal é uma estratégia de rastreamento que tenta identificar quantidades pequenas de sangue nas fezes, mesmo quando não são visíveis aos nossos olhos. Se der positivo, o indivíduo é direcionado para a colonoscopia”, detalha Maria Ignez.

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Outras medidas também estão em andamento na rede pública. Entre elas, estão a implementação do rastreamento do câncer do colo do útero com testes de DNA e o custeio federal de cirurgias oncológicas videotorácicas, realizadas por meio de pequenas incisões. A técnica pode favorecer uma recuperação mais rápida em comparação com procedimentos que exigem cortes maiores.

A ampliação dessas iniciativas, porém, depende de que a oferta de medicamentos, exames e procedimentos se traduza em atendimento efetivo. Garantir que os pacientes tenham acesso aos recursos indicados e consigam manter o acompanhamento ao longo de todas as etapas do tratamento continua sendo um dos principais desafios do SUS.

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Saúde

Mulher tem convulsões só na menstruação e lesão some após tratamento

Redação Informe 360

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Uma mulher de 41 anos passou a sofrer convulsões que ocorriam exclusivamente durante a menstruação. Após anos de investigação, médicos suspeitaram de endometriose no cérebro, depois que exames identificaram uma lesão no hipocampo, região ligada à memória.

O caso chamou a atenção dos pesquisadores porque as crises cessaram após tratamento hormonal e a lesão desapareceu em uma ressonância de 2026. A hipótese, porém, ainda não foi confirmada por biópsia.

Imagem de ressonância magnética
Uma ressonância identificou uma lesão no hipocampo direito, região cerebral ligada à memória. – Imagem: Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa Iaşi, 700115 Iaşi, Romênia

Lesão desapareceu após tratamento hormonal

As primeiras crises ocorreram em fevereiro de 2019. Durante os episódios, a paciente perdia parcial ou totalmente a consciência, ficava com o olhar parado e apresentava confusão e falhas de memória depois das convulsões.

Ela não relatava sintomas comuns da endometriose, como cólicas intensas e dor pélvica cíclica. Seis meses depois, começou a anotar as datas das crises e da menstruação. O diário revelou que os episódios aconteciam apenas durante o sangramento menstrual.

Uma ressonância magnética feita em agosto de 2019 identificou uma alteração no hipocampo direito. Os médicos investigaram possibilidades como malformação cerebral, infecção e tumor, mas os exames não esclareceram a origem do problema. Os medicamentos antiepilépticos também não conseguiram controlar as crises.

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Em 2020, outra ressonância revelou um nódulo de aproximadamente um centímetro, com características que poderiam indicar sangramento antigo. Essa descoberta levou os médicos a considerar a endometriose entre as hipóteses.

A paciente começou a tomar dienogeste e desogestrel em 2021. Os dois hormônios são utilizados no tratamento da endometriose. As convulsões cessaram, e os antiepilépticos foram suspensos três meses depois. Em março de 2026, uma nova ressonância já não mostrava a lesão.

O caso foi publicado em 11 de setembro no Journal of Clinical Medicine, por pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia.

Como o ciclo menstrual pode influenciar as crises

A epilepsia catamenial é caracterizada pela concentração das crises em determinadas fases do ciclo menstrual. Segundo a literatura citada pelos pesquisadores, ela afeta entre um terço e metade das mulheres em idade fértil que têm epilepsia.

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A relação envolve a ação dos hormônios sobre os neurônios. O estrogênio pode aumentar sua excitabilidade, enquanto a progesterona ajuda a inibir a atividade cerebral. Perto da menstruação, a queda desse segundo hormônio pode favorecer crises em mulheres suscetíveis.

Essa relação, por si só, não indica endometriose. A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina. Ainda não se sabe ao certo como esse tecido poderia chegar ao cérebro. Entre as hipóteses estão o transporte de células pelos vasos sanguíneos ou linfáticos e a permanência de células deslocadas durante o desenvolvimento embrionário.

Imagem de ressonância magnética de controle
Exame de imagem realizado em 2026 confirmou o desaparecimento completo da lesão identificada no início do quadro. – Imagem:: Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa Iaşi, 700115 Iaşi, Romênia

Diagnóstico continua sem confirmação

A endometriose cerebral é extremamente rara. Os pesquisadores encontraram apenas oito casos descritos em estudos anteriores e, até onde sabem, nenhum apresentava uma lesão claramente localizada no hipocampo, como a observada nesta paciente.

A raridade do quadro e a localização da alteração dificultaram a confirmação do diagnóstico. Os médicos consideraram arriscado retirar uma amostra do tecido para biópsia, exame que permitiria verificar se a lesão era realmente formada por tecido semelhante ao endométrio. Por isso, outras explicações continuam possíveis, incluindo um tumor de crescimento lento, uma inflamação ou alterações provocadas pelas próprias crises epilépticas.

O ginecologista Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose, explica que a doença deixou de ser considerada exclusivamente pélvica e passou a ser compreendida como uma condição crônica, inflamatória e sistêmica. Isso significa que suas manifestações podem ocorrer em diferentes partes do organismo, embora o acometimento cerebral seja excepcional.

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No caso da paciente, a resposta ao tratamento hormonal reforçou a suspeita, mas não resolveu a questão. O ginecologista e cirurgião Gustavo Leme ressalta que o ponto escuro observado na ressonância de 2020 poderia indicar a presença de ferro deixado por um sangramento antigo. Esse sinal, porém, não é exclusivo da endometriose e não permite confirmar a origem da lesão.

Há outro dado relevante: o tratamento hormonal foi interrompido em setembro de 2025, e as crises não haviam voltado no acompanhamento relatado. Em março de 2026, uma nova ressonância, realizada sem o uso dos hormônios, também não mostrou a alteração identificada nos exames anteriores.

Mesmo com essa evolução, os pesquisadores não conseguiram estabelecer a causa do desaparecimento da lesão e do fim das convulsões. A melhora pode estar relacionada ao controle de um possível foco de endometriose no cérebro ou à interrupção das oscilações hormonais que desencadeavam as crises. Sem a confirmação por análise do tecido, as duas explicações permanecem em aberto.

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