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Saúde

IA é capaz de decifrar sua idade biológica e doenças crônicas

Redação Informe 360

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Pesquisadores da Universidade de Pequim, na China, desenvolveram uma inteligência artificial capaz de prever a idade biológica de uma pessoa. Para isso, a tecnologia analisa imagens em 3D do rosto, língua e retina.

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IA prevê risco de doenças crônicas

  • Durante o estudo, os cientistas utilizaram imagens de 11.223 pessoas saudáveis e de 2.840 pessoas com doenças crônicas (doença coronariana, doença cardiovascular, doença renal crônica, diabetes, hipertensão e acidente vascular cerebral).
  • Além de estimar a idade biológica, a IA conseguiu prever o risco de patologias crônicas específicas de órgãos. 
  • Os pesquisadores explicaram que o nervo óptico contém axônios (partes do neurônio responsáveis pela condução dos impulsos elétricos) derivados do sistema nervoso central, o que torna as imagens da retina um indicador potencial da saúde do cérebro. 
  • Já a exposição ao microbioma deduzida a partir de imagens da língua pode ser um indicador da saúde da cavidade oral e do trato gastrointestinal.
  • A descoberta foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Imagem: Shutterstock/greenbutterfly

Sistema pode ser utilizado na vida real

De acordo com o estudo, a inteligência artificial é “confiável para ser usada independentemente ou em conjunto com outros fatores de risco conhecidos para prever a progressão de doenças crônicas relacionadas à idade”. Os pesquisadores destacam que a ferramenta é, inclusive, mais precisa do que outras semelhantes.

O mecanismo mostrou capacidade de detectar as mudanças progressivas associadas ao envelhecimento, e os resultados também indicaram que indivíduos com doenças crônicas apresentam vários desvios que podem ser utilizados para detectar e avaliar a progressão dessas condições.

Estudos anteriores já demonstraram a importância da idade biológica, que pode ser usada para prever risco de Alzheimer e AVC, por exemplo. Ela representa o envelhecimento orgânico, ou seja, a idade que os nossos órgãos têm, levando em consideração que o envelhecimento precoce pode atingir determinados órgãos.

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Existem condições que contribuem negativamente para a idade biológica. Outras pesquisas anteriores apontaram que o estresse envelhece biologicamente, por exemplo, mas pode ser reversível.

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Saúde

Anvisa recolhe lote de paracetamol após achar sinais de bolor

Redação Informe 360

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A Anvisa determinou o recolhimento de um lote do Paramol 750 mg após identificar comprimidos com sinais de possível contaminação por bolor. O medicamento não deve mais ser utilizado.

A suspensão envolve o lote 114053, com 200 comprimidos, fabricado pela Belfar Ltda. A medida vale para distribuição, venda e uso do produto.

Embalagem com comprimidos de paracetamol
Quem possui o lote 114053 do Paramol deve interromper o uso e buscar orientação de um profissional de saúde. – Imagem: Iryna Bauer/iStock

O que levou à suspensão do medicamento

Segundo a Anvisa, foram encontrados comprimidos com sujidades cuja aparência era sugestiva de presença de bolor, um fungo conhecido popularmente como mofo.

O Paramol, que tem como princípio ativo o paracetamol, é utilizado para combater a febre e aliviar dores leves a moderadas.

Consumidor deve conferir o lote

Quem possui o medicamento deve verificar a identificação na embalagem e interromper o uso caso seja do lote 114053.

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A recomendação da agência é:

  • não consumir os comprimidos do lote suspenso;
  • procurar orientação de médico ou farmacêutico;
  • substituir o produto apenas com indicação adequada;
  • entrar em contato com o SAC da fabricante para informações sobre ressarcimento.
Logo da Anvisa na fachada de um prédio
Lote de medicamento fabricado pela Belfar foi suspenso após análise indicar possível contaminação por bolor. – Imagem: Adilson Sochodolak/Shutterstock

Recolhimento tem caráter preventivo

A medida publicada no Diário Oficial da União busca retirar do mercado as unidades relacionadas ao lote identificado e evitar possíveis riscos aos consumidores.

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Consumidores que tenham o produto em casa devem seguir as orientações da Anvisa e buscar orientação profissional antes de realizar qualquer substituição.

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Saúde

O que é protonterapia, aposta do Brasil para tratar câncer?

Redação Informe 360

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O Brasil terá seu primeiro centro de protonterapia, uma técnica avançada de radioterapia contra o câncer. A unidade será construída no Rio de Janeiro, mas os primeiros pacientes só devem receber o tratamento em 2030.

O projeto recebeu R$ 132,6 milhões da Finep e terá foco inicial em crianças com tumores complexos. Até lá, brasileiros ainda precisam viajar ao exterior para acessar a tecnologia.

Centro de protonterapia
O Brasil terá seu primeiro centro de protonterapia, tecnologia que busca tratar tumores com mais precisão – Imagem: Divulgação/IBA

Novo centro amplia opções contra o câncer

O Centro de Protonterapia Mário Kroeff será instalado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com administração da Fundação Educacional Severino Sombra (FUSVE) e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Apesar do anúncio, o tratamento ainda não está disponível. O equipamento será fabricado na Bélgica pela IBA e deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2029. Depois, será necessário realizar instalação, testes e liberações antes do primeiro atendimento.

Atualmente, entre 20 e 30 brasileiros viajam todos os meses para realizar protonterapia no exterior, com custos que podem chegar a R$ 1,02 milhão por tratamento.

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A previsão é que pelo menos 60% da capacidade da unidade seja destinada ao SUS, mas o acesso dependerá da incorporação da tecnologia pelo Ministério da Saúde.

A nova terapia contra o câncer deve priorizar crianças com tumores complexos e reduzir danos futuros. Imagem: Jon Tyson/Unsplash

Entenda como funciona a protonterapia

A técnica utiliza prótons em vez dos fótons usados na radioterapia convencional. A principal vantagem é conseguir concentrar a radiação no tumor e reduzir a exposição dos tecidos saudáveis ao redor.

O fóton atravessa o corpo e não tem freio: vai perdendo potência pelo caminho, mas segue em frente. O próton, não — ele chega ao tumor e para ali. Essa capacidade de frear é muito útil para o radioterapeuta.

Marcos Santos, radioterapeuta que atua em Goiânia e ex-presidente da Associação Ibero-Latino-Americana de Terapia Radiante Oncológica (Alatro), ao G1.

Esse efeito é chamado de pico de Bragg e permite maior precisão no tratamento. A técnica pode ser indicada para:

  • Crianças com tumores próximos ao cérebro ou à medula;
  • Pacientes com risco de efeitos tardios da radiação;
  • Tumores próximos a órgãos sensíveis;
  • Casos que precisam de nova irradiação.

Crianças são prioridade na nova tecnologia

A protonterapia não substituirá a radioterapia tradicional. O maior benefício está em casos específicos, principalmente entre crianças, que podem sofrer efeitos tardios após tratamentos contra o câncer.

“Custar vinte vezes mais não significa ser vinte vezes melhor. É em um grupo específico de pacientes que a técnica realmente faz diferença: as crianças”, afirma Santos.

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A redução da exposição à radiação pode ajudar a evitar problemas de crescimento, alterações hormonais, dificuldades cognitivas, infertilidade e novos tumores.

O projeto estima que cerca de 15% dos pacientes pediátricos com câncer no Brasil possam ter indicação para o tratamento.

Menos radiação nos tecidos saudáveis pode significar menos sequelas para pacientes no futuro. – Imagem: Shutterstock/Lightspring

Custo é principal desafio

A protonterapia exige uma estrutura complexa, com acelerador de partículas, blindagem especial e profissionais treinados. A manutenção mensal do centro deve custar cerca de US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 6,1 milhões).

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“Com o valor de um centro de prótons, você constrói uns vinte serviços convencionais de radioterapia”, compara Santos.

Segundo o especialista, uma unidade pode tratar aproximadamente 600 crianças por ano quando direcionada aos pacientes que realmente se beneficiam da tecnologia.

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O desafio agora será transformar o investimento em acesso real. Além da conclusão da obra, o país precisará definir critérios para atendimento pelo SUS e criar uma rede de encaminhamento.

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Saúde

Cirurgia inédita devolve visão a paciente cega há cinco anos

Redação Informe 360

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Uma equipe médica italiana realizou um transplante inédito da mácula, região central da retina, e conseguiu devolver parte da visão a uma paciente de 67 anos.

O caso aconteceu no Hospital Molinette, em Turim, e envolveu uma técnica criada para superar uma condição que antes impedia qualquer alternativa de tratamento.

Mulher que recebeu o transplante ao lado do seu médico
Nova abordagem aproveitou tecidos saudáveis do olho esquerdo para reconstruir a visão do olho direito. – Imagem: Divulgação/Hospital Molinette

Médicos usaram estruturas de um olho sem função

Elena perdeu totalmente a visão após um grave acidente de trânsito que causou uma lesão irreversível no nervo óptico do olho esquerdo. Apesar disso, algumas estruturas do olho permaneceram preservadas.

O problema também atingia o olho direito, afetado por uma maculopatia e por danos que comprometeram a retina e a transparência da córnea. De acordo com o hospital, um transplante tradicional não seria possível porque “a destruição total da parte que contém as células-tronco tornava completamente impossível um transplante de córnea clássico”.

Técnica transferiu bloco completo de tecidos

Para contornar essa limitação, o professor Michele Reibaldi e sua equipe aproveitaram tecidos saudáveis do olho esquerdo, que já não tinha função visual, e transferiram um conjunto completo de estruturas para o olho direito.

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O procedimento envolveu:

  • Córnea;
  • Esclera;
  • Conjuntiva;
  • Mácula, a região central da retina.

Segundo a instituição, foi a primeira vez no mundo que a mácula foi incluída em um procedimento desse tipo.

Ilustração realista de um olho humano com destaque para a retina e a mácula
A cirurgia combinou transplante de tecidos e retina para tentar recuperar a visão perdida pela paciente. – Imagem criada por inteligência artificial – Claude/Olhar Digital

Caso pode abrir novos caminhos

O Hospital Molinette explicou que os médicos “extraíram e transferiram para o olho direito um bloco anatômico completo que incluía a córnea, a esclera, a conjuntiva e, pela primeira vez no mundo, a parte central da retina, a mácula”.

Depois de cinco anos sem enxergar, Elena recuperou parte da visão graças ao uso de tecidos do próprio organismo. O caso ainda é uma experiência inicial, mas mostra uma nova abordagem para pacientes com lesões oculares graves que, até então, não tinham opções de tratamento convencionais.

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