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Saúde

Como psicodélicos agem no cérebro?

Redação Informe 360

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Nos últimos anos, o interesse pelos psicodélicos tem crescido de forma exponencial, impulsionado tanto por novos estudos científicos quanto por uma mudança cultural na percepção dessas substâncias. Mas, afinal, como esses compostos agem no cérebro humano?

Utilizados há séculos em rituais e práticas religiosas, psicodélicos como LSD, psilocibina e DMT agora estão no foco de pesquisas que investigam seus efeitos terapêuticos para condições como depressão, ansiedade e até transtornos de estresse pós-traumático (TEPT).

Os psicodélicos, conhecidos por alterarem a percepção, o pensamento e o humor, provocam essas mudanças atuando diretamente em áreas e receptores específicos do cérebro.

Psicodélicos
Os psicodélicos, como o LSD e a psilocibina, estão no centro de estudos que investigam sua capacidade de transformar a atividade cerebral e tratar condições como depressão e ansiedade. Imagem: Sergiy Katyshkin / Shutterstock

Embora as experiências induzidas por essas substâncias sejam variadas, de euforia a intensas visões introspectivas, a ciência está começando a decifrar os mecanismos por trás dessas sensações e compreender como essas drogas podem reconfigurar a atividade cerebral.

Vamos explorar a fundo os processos pelos quais os psicodélicos alteram a consciência e o que isso significa para a ciência moderna.

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O que são os psicodélicos?

Os psicodélicos são substâncias que alteram a consciência e a percepção da realidade. Eles afetam diretamente os sentidos, as emoções e a cognição, levando os usuários a terem experiências profundas, muitas vezes descritas como transcendentais ou místicas.

As substâncias mais conhecidas dentro dessa categoria incluem o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), a psilocibina (presente em cogumelos alucinógenos), a mescalina (encontrada no peiote) e o DMT (dimetiltriptamina, o principal componente da ayahuasca).

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Essas substâncias têm sido usadas por diferentes culturas há milhares de anos, geralmente em contextos espirituais ou religiosos. No entanto, nas últimas décadas, o interesse acadêmico pelos psicodélicos ressurgiu, especialmente por seu potencial em tratar uma variedade de transtornos mentais.

Diversos estudos vêm mostrando que esses compostos podem ajudar na reestruturação da mente, proporcionando novas perspectivas para questões emocionais complexas.

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LSD (dietilamida do ácido lisérgico), conhecido também como “doce” ou “ácido”, é uma substância sintética pertencente ao grupo dos alucinógenos
O LSD, um dos psicodélicos mais conhecidos, é amplamente estudado por seu impacto na consciência e no potencial de tratar transtornos mentais como depressão e ansiedade. Imagem: Melnikov Dmitriy / Shutterstock

Psicodélicos e o cérebro: uma interação profunda

Para entender como os psicodélicos agem no cérebro, é essencial primeiro compreender o papel da serotonina. A serotonina é um neurotransmissor que regula diversas funções cerebrais, como humor, apetite, sono e memória.

Os psicodélicos interagem principalmente com os receptores de serotonina, especificamente o receptor 5-HT2A. Essa interação é a chave para as mudanças perceptuais e emocionais que os usuários experimentam durante uma “viagem” psicodélica.

Ao se ligarem aos receptores 5-HT2A, os psicodélicos provocam uma hiperconectividade entre regiões do cérebro que, em condições normais, não costumam se comunicar de maneira tão intensa.

Essa nova rede de conexões permite que diferentes áreas cerebrais troquem informações de maneira mais livre, resultando em experiências sensoriais intensificadas, sinestesia (quando um sentido se sobrepõe a outro, como “ver” sons) e a sensação de dissolução do ego, onde o indivíduo perde temporariamente a noção de si como entidade separada do resto do mundo.

Dissolução do ego e a perspectiva neural

A “dissolução do ego” é um dos efeitos mais comentados pelos usuários de psicodélicos. Essa experiência envolve a sensação de que as barreiras entre o “eu” e o mundo externo desaparecem, levando o indivíduo a uma sensação de unidade com o universo ou com a natureza.

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Do ponto de vista neurológico, essa sensação de perda do ego pode estar ligada à redução da atividade na “rede do modo padrão” (Default Mode Network, ou DMN), um sistema cerebral que desempenha um papel central na autorreferência e na narrativa interna.

A DMN é responsável por manter nossa sensação de identidade contínua, e sua supressão durante o uso de psicodélicos pode explicar por que muitos usuários relatam a perda do ego.

Cérebro visto de lado. Doença degenerativa. Doenças degenerativas cerebrais, Alzheimer
A redução da atividade na Default Mode Network (DMN) durante o uso de psicodélicos pode explicar a sensação de “perda do ego” e a conexão profunda com o universo relatada por muitos usuários. Imagem: Shutterstock

Em um estado normal, a DMN age como um “centro de controle” no cérebro, organizando e gerenciando a interação entre diferentes áreas cerebrais. Ao diminuir sua atividade, os psicodélicos permitem que outras regiões se comuniquem de maneira mais aberta, resultando em novas formas de pensar e perceber a realidade.

A neuroplasticidade e o poder terapêutico dos psicodélicos

Outro aspecto fascinante do efeito dos psicodélicos no cérebro é a sua influência na neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar, formar novas conexões e aprender.

Estudos recentes indicam que substâncias como o LSD e a psilocibina podem estimular o crescimento de dendritos (ramificações dos neurônios) e sinapses (pontos de comunicação entre neurônios). Esse aumento na conectividade neural pode explicar por que muitas pessoas relatam mudanças duradouras em sua visão de mundo e em sua saúde mental após o uso de psicodélicos.

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Imagem do cérebro representando conceito de neuroplasticidade
Os psicodélicos, como o LSD e a psilocibina, têm mostrado potencial para estimular a neuroplasticidade. Imagem: nobeastsofierce / Shutterstock

Esse fenômeno é particularmente relevante no tratamento de condições como depressão e ansiedade. Pesquisas sugerem que os psicodélicos podem “reinicializar” o cérebro, interrompendo padrões de pensamento negativos e repetitivos que estão associados a essas condições.

Ao promover a formação de novas conexões neurais, essas substâncias podem ajudar os pacientes a romper com padrões de pensamento destrutivos e abrir caminho para novas formas de lidar com seus problemas emocionais.

Psicodélicos e o “efeito místico”

Um dos elementos mais intrigantes das experiências psicodélicas é o chamado “efeito místico”. Muitos usuários relatam vivenciar momentos de intensa espiritualidade, em que se sentem conectados a uma força maior ou a uma realidade além do mundo físico. Essas experiências são frequentemente descritas como profundamente transformadoras e são associadas a sentimentos de paz, propósito e compreensão.

Do ponto de vista neurológico, o efeito místico pode estar relacionado à desinibição de regiões cerebrais responsáveis por filtrar informações sensoriais e emocionais. Normalmente, nosso cérebro atua como um filtro, selecionando quais informações do ambiente são relevantes e descartando o restante.

Os psicodélicos parecem reduzir essa filtragem, permitindo que mais informações sensoriais e cognitivas cheguem à nossa consciência. Isso pode explicar as visões intensas e os sentimentos profundos de unidade que muitos relatam durante uma “viagem” psicodélica.

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Viagem psicodélica
As viagens psicodélicas podem proporcionar experiências místicas e transformadoras, com visões intensas e uma sensação de conexão profunda com o universo. Esse efeito pode estar ligado à desinibição cerebral, permitindo que mais informações sensoriais e emocionais cheguem à consciência. Imagem: svtdesign / Shutterstock

Psicodélicos e saúde mental: a nova fronteira da terapia

Com os avanços nas pesquisas sobre os efeitos dos psicodélicos no cérebro, cientistas e terapeutas têm se mostrado otimistas quanto ao uso dessas substâncias no tratamento de doenças mentais. Estudos clínicos com a psilocibina, por exemplo, demonstraram resultados promissores no tratamento da depressão resistente, uma condição que não responde aos tratamentos convencionais.

Da mesma forma, há evidências de que o uso controlado de MDMA, outra substância psicodélica, pode ser eficaz no tratamento de transtornos de estresse pós-traumático (TEPT). Durante sessões de terapia assistida por psicodélicos, os pacientes podem revisitar traumas e emoções difíceis de uma maneira mais aberta e compassiva, o que facilita a cura.

Os psicodélicos representam uma fascinante fronteira entre a ciência do cérebro e o campo da saúde mental. Com sua capacidade de alterar a percepção, reconfigurar a atividade cerebral e promover a neuroplasticidade, essas substâncias têm o potencial de transformar a forma como tratamos uma variedade de transtornos mentais.

Embora ainda haja muito a ser descoberto, o crescente corpo de pesquisas sugere que os psicodélicos podem, de fato, abrir novas portas para o entendimento da mente humana e das complexidades da consciência.

No entanto, é importante lembrar que, apesar dos avanços, o uso de psicodélicos ainda requer muita cautela e deve ser feito sob supervisão médica, especialmente em contextos terapêuticos. À medida que mais estudos são conduzidos, poderemos entender melhor os riscos e os benefícios desses compostos, contribuindo para seu uso responsável e informado no futuro.

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Saúde

Anvisa aprova 5 novas canetas de GLP-1 para diabetes e obesidade

Redação Informe 360

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas de GLP-1 para o tratamento de diabetes e obesidade. A autorização foi publicada nesta quinta-feira (29/10), na Resolução nº 4.244/2026, no Diário Oficial da União (DOU).

Com os novos registros, a agência chega a 20 canetas dessa classe aprovadas em 2026. Os medicamentos contêm liraglutida ou semaglutida e são fabricados por empresas indianas.

Injeção ozêmica de semaglutida médica para perda de peso. Tratamento da obesidade, perda de gordura, transformação corporal. Nutrição, dieta, queima de calorias. Caneta injetora de insulina. Estilo de vida saudável, gestão de peso 3D
As novas canetas contêm liraglutida ou semaglutida, substâncias da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Corona Borealis Studio/Shutterstock

Quais são as novas canetas aprovadas?

Três medicamentos são indicados para diabetes e dois para obesidade. Confira os produtos, suas indicações e as empresas responsáveis pelos registros e pela fabricação.

  • Aribet (liraglutida): indicado para diabetes; registro da Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos Ltda. e fabricação da indiana Biocon.
  • Lyrza (liraglutida): indicado para obesidade, associado a exercícios físicos e mudanças na alimentação; registro da Farma Vision e fabricação da Biocon.
  • Wylovol (liraglutida): indicado para obesidade, também associado a exercícios físicos e mudanças na alimentação; registro da Farma Vision e fabricação da Biocon.
  • Embeltah (semaglutida): indicado para diabetes; registro da Dr. Reddys Farmacêutica do Brasil Ltda. e fabricação da indiana OneSource Specialty.
  • Sevema (semaglutida): indicado para diabetes; registro da Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. e fabricação da OneSource Specialty.

Por que a Anvisa priorizou os registros?

A aprovação faz parte de uma estratégia iniciada em agosto de 2025, após solicitação do Ministério da Saúde. A priorização busca atender aos interesses do Sistema Único de Saúde (SUS), no âmbito do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), e à necessidade de abastecimento do mercado nacional.

A iniciativa resultou na publicação do Edital de Chamamento nº 12/2025, que estabeleceu prioridade para a análise de medicamentos à base de liraglutida e semaglutida.

canetas emagrecedoras
A Anvisa iniciou em agosto de 2025 uma estratégia para priorizar a análise de medicamentos à base de liraglutida e semaglutida. Imagem: Douglas Cliff/iStock

O que muda com as aprovações?

As duas substâncias pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos imitam a ação de um hormônio produzido pelo intestino, que participa da regulação da glicose no sangue e dos mecanismos de fome e saciedade.

O registro sanitário, porém, não significa que os produtos já estejam disponíveis nas farmácias. As datas de lançamento e os preços de comercialização das cinco canetas não foram informados. No Brasil, os preços máximos dos medicamentos são regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

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Desde 2025, a venda de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 exige receita médica, que deve ficar retida na farmácia.

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Saúde

Seu médico usa IA? CFM criou regras para isso; entenda o que muda para você

Redação Informe 360

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A inteligência artificial (IA) avança a passos largos em muitas áreas. Uma delas é a medicina. Em fevereiro de 2026, o Conselho Federal de Medicina publicou regras para o uso da tecnologia na área. Essas regras começaram a valer em 26 de agosto.

O objetivo da resolução do CFM nº 2.454/2026 é balizar o uso da tecnologia para que ela funcione como instrumento de apoio ao trabalho médico.

O Olhar Digital conversou com especialistas da área para entender (e te explicar) as regras recentes. Confira abaixo os destaques.

‘Ponto central da resolução é: a IA apoia o médico, mas decisão é sempre humana’, diz especialista

No que diz respeito aos profissionais da saúde, a resolução estabelece que a autonomia e a responsabilidade do médico permanecem integrais.

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Isso significa que a IA jamais pode substituir a decisão clínica final. O médico é o responsável por diagnósticos, tratamentos e prescrições.

Ilustração no estilo colagem de médico com cabeça de notebook
O principal benefício do uso da IA na medicina é o ganho de tempo, mas existem riscos e limites – Imagem: Collagery/Shutterstock

Aliás, o profissional tem o direito de recusar ou parar de usar ferramentas de IA que considere inadequadas ou ineficazes. E deve registrar no prontuário do paciente sempre que usar essa tecnologia.

“A Resolução CFM nº 2.454/2026 é o primeiro marco brasileiro que define regras claras para o uso de inteligência artificial na medicina”, diz Karlyse Claudino Belli, especialista em IA aplicada à saúde, em entrevista ao Olhar Digital.

“E seu ponto central é simples: a IA apoia o médico, mas a decisão é sempre humana”, acrescenta Belli, que também é Chief Business Data Officer (CBDO) da iHealth.

Para especialista, a resolução viabiliza três garantias para você: “o direito de saber quando a IA participou do seu atendimento, o direito de recusar seu uso e maior garantia de que diagnósticos e tratamentos continuam sendo comunicados por uma pessoa, não por um algoritmo”.

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Níveis de risco

Para organizar a aplicação da IA na medicina, a resolução classifica níveis de risco. São eles:

  • Baixo: Aplicações com impacto mínimo ou inexistente sobre a saúde e direitos dos pacientes. Não exercem influência decisória direta em diagnósticos ou tratamentos, atuando em tarefas operacionais ou administrativas (como agendamento de consultas ou gestão logística);
  • Médio: Ferramentas que apresentam potencial de impacto adverso, mas que é totalmente mitigável pela supervisão humana ativa e controles de segurança. Apoiam decisões clínicas e operacionais importantes sem agir de forma autônoma;
  • Alto: Aplicações com elevado potencial de causar danos físicos, psíquicos ou morais aos indivíduos, ou impactos relevantes à saúde pública. Incluem sistemas que influenciam diretamente decisões médicas críticas ou que atuam em contextos de alta vulnerabilidade e situações de vida ou morte;
  • Inaceitável: Categoria atribuída a sistemas cujos riscos ou características violam diretamente preceitos éticos e legais da prática médica.

“Bem aplicada, a IA tende a reduzir erros por omissão e a devolver ao médico tempo para a escuta”, diz Karlyse Belli.

“A resolução do CFM existe justamente para que esse ganho aconteça sem que a relação médico-paciente seja terceirizada”, finaliza a especialista.

Robôs humanoides com IA podem superar humanos na medicina, segundo médico

O doutor Miguel Sabino, professor na Escola Paulista de Medicina (EPM) e coordenador do comitê científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), contou ao Olhar Digital como tem sido o avanço da IA na área.

Para o especialista, a tecnologia tem “utilidades fundamentais” na área hoje em dia.

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Foto de robô humanoide e de médico operando juntos uma cirurgia
Médico acredita que robôs humanoides com IA ‘bem elaborada’ podem substituir técnicos humanos no futuro – Imagem: VesnaArt/Shutterstock

“Talvez há uns anos, um médico, recebendo um paciente, ao examiná-lo, ao fazer algumas hipóteses de diagnóstico, tivesse que consultar livros, consultar outros colegas quando tivesse alguma dúvida a respeito daquele diagnóstico”, começa Sabino.

“Hoje, com a inteligência artificial, realmente há uma resposta imediata. Não é 100% segura, mas é bastante confiável – desde que aquele profissional que está fazendo aquela solicitação saiba como fazê-la e saiba como interpretá-la”, diz o médico.

“A IA também ajuda muito na redação de documentos na área médica, principalmente (volto a insistir) quando supervisionada e depois relida pelo profissional daquela área”, acrescenta Sabino.

“A inteligência artificial faz com que o tempo daquele profissional seja usado de maneira muito mais racional”, observa.

Para o futuro, Sabino vislumbra um cenário que “parece ficção científica, mas não é”.

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“A gente vê a evolução de robôs humanoides, vê a grande utilidade que já se tem de robôs dirigidos por seres humanos em alguns procedimentos cirúrgicos. Isso é uma grande evolução do ponto de vista técnico”, diz o especialista.

“Eu acredito que a associação de um robô humanoide com uma inteligência artificial já bem elaborada pode realmente, a médio prazo, gerar uma máquina que vá poder fazer hoje atividades em vários campos, inclusive na medicina e até na cirurgia, que possam substituir um técnico humano”, afirma.

O especialista fez duas ressalvas no seu comentário. A primeira: “os cuidados do ponto de vista de privacidade e de identidade têm que ser totalmente considerados e preservados”.

A segunda: “A gente não pode esquecer que nós somos seres humanos e temos essa coisa de querer ser acolhidos e ser bem tratados. Nossa humanidade nos exige isso. E acho que a gente não pode se desvincular totalmente disso.”

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O médico imagina um futuro tão tecnológico que parece ficção científica. Mas alerta que “não podemos nos desumanizar”.

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Saúde

Nove medicamentos contra o câncer chegam ao SUS; veja lista comentada por especialista

Redação Informe 360

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Nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de câncer passaram a ser distribuídos pelo Ministério da Saúde na rede pública em todo o Brasil. A medida integra um plano do governo federal para ampliar o acesso a terapias oncológicas no país.

De acordo com a pasta, os medicamentos contemplam 13 indicações clínicas, incluindo tratamentos para tipos de câncer de grande incidência, como os de mama, próstata e pulmão, além de linfomas. A expectativa inicial é beneficiar mais de 116 mil pacientes em 20 unidades de saúde de 17 estados. Até o fim do ano, a distribuição deverá alcançar toda a rede pública.

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, assina documento que garante a oferta de nove novos remédios oncológicos no SUS.
O ministro da saúde, Alexandre Padilha, assina documento que garante a oferta de nove novos remédios oncológicos no SUS. – Crédito: Rafael Nascimento / Ministério da Saúde

Em entrevista ao Olhar Digital, a oncologista Maria Ignez Braghiroli, especialista em tumores do trato digestivo da Oncologia D’Or e integrante do Grupo de Tumores Gastrointestinais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explicou o impacto da incorporação dos novos medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), suas indicações e os cuidados necessários durante o tratamento.

Entre eles, estão o abemaciclibe, utilizado no tratamento do câncer de mama, e o pazopanibe, indicado para casos avançados de câncer renal. São terapias que podem ampliar as opções de tratamento, mas exigem acompanhamento médico e cuidados específicos durante o uso.

O abemaciclibe age sobre proteínas envolvidas na multiplicação das células tumorais, como explica Maria Ignez. “O abemaciclibe é um medicamento que inibe algumas proteínas responsáveis por estimular a multiplicação dessas células tumorais. E, ao bloquear essas proteínas, ele ajuda a impedir que as células continuem se proliferando. Ele é usado em um tipo de câncer de mama com receptor de hormônio positivo.”

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Segundo a médica, o tratamento costuma ser combinado à terapia hormonal e, por ser administrado por via oral, permite que o paciente tome o medicamento em casa, desde que respeite os horários e as doses prescritos. A frequência habitual é de duas tomadas diárias, embora o esquema possa variar de acordo com cada caso.

“Como efeito colateral mais frequente, ele pode provocar diarreia, especialmente nas primeiras semanas. Por isso é preciso ter o acompanhamento próximo do oncologista. Como todas as outras medicações, ele pode causar cansaço e há pessoas que têm um pouco de enjoo”, alerta a oncologista.

Sobre o pazopanibe, Maria Ignez explica que sua ação interfere nos mecanismos que favorecem o crescimento do tumor e a formação de vasos sanguíneos responsáveis por fornecer oxigênio e nutrientes às células cancerígenas.

O abemaciclibe, fármaco utilizado no tratamento do câncer de mama, é um dos nove medicamentos recém-incorporados ao SUS.
O abemaciclibe, fármaco utilizado no tratamento do câncer de mama, é um dos nove medicamentos recém-incorporados ao SUS. – Crédito: luchschenF – Shutterstock / traduzido e adaptado por IA

“O pazopanibe é uma terapia-alvo, que foi liberada pelo SUS para o tratamento do câncer de células renais. Ele é um anti-angiogênico, isto é, bloqueia os sinais que favorecem o crescimento tumoral e a formação de novos vasos, de modo a inibir o fornecimento de nutrientes para as células tumorais”, explica Braghiroli.

O tratamento requer monitoramento regular, principalmente por causa de possíveis alterações na pressão arterial e na função hepática. A hipertensão pode surgir até mesmo em pessoas que não apresentavam o problema antes de iniciar a medicação, enquanto alterações no fígado podem ser identificadas por exames de sangue periódicos.

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“Também pode aumentar o risco de sangramento, o que merece atenção da pessoa que já tem predisposição a isso. Apesar de tudo, é uma opção que geralmente tem uma tolerância razoável, principalmente quando comparado com as quimioterapias habituais usadas em outro contexto”, acrescenta a oncologista. 

Outra mudança envolve o trastuzumabe, medicamento já utilizado no tratamento de determinados tumores de mama e que agora passa a contemplar também casos específicos de câncer de estômago e da junção entre o estômago e o esôfago.

A indicação está relacionada à presença de uma proteína chamada HER2, cuja amplificação ocorre em uma parcela dos tumores gástricos. Braghiroli explica que a eficácia do medicamento nesse contexto começou a ser investigada em estudos publicados há mais de uma década.

“O trastuzumabe foi utilizado inicialmente para o tratamento de tumores de mama que tinham amplificação de uma proteína chamada HER2. Como essa amplificação ocorre entre 10% a 15% dos tumores de estômago, um estudo publicado em 2010 mostrou seu benefício para o tratamento de tumores de estômago.” 

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Desde então, o trastuzumabe passou a ser aprovado, em combinação com a quimioterapia, para tumores específicos que apresentam essa característica molecular. A pesquisa também avança na avaliação de novas combinações terapêuticas. Um estudo publicado em 2023 mostrou o benefício de se associar imunoterapia a esta combinação. Este ano, outras drogas com o mesmo alvo já se mostram superiores. 

“Hoje existem alguns avanços nesse cenário como a eventual adição da imunoterapia e outras drogas com este mesmo alvo, que têm sido estudadas. Para o SUS, é um avanço, já que essa medicação já é de eficácia comprovada há certo tempo”, afirma a médica. 

Quais são os nove medicamentos incorporados ao SUS?

A lista divulgada pelo Ministério da Saúde reúne tratamentos para diferentes tipos de câncer, com indicações que dependem das características do tumor e do estágio da doença:

O SUS amplia o acesso ao tratamento oncológico com nove medicamentos destinados a diferentes tipos de câncer.
O SUS amplia o acesso ao tratamento oncológico com nove medicamentos destinados a diferentes tipos de câncer. – Crédito: Imagem gerada por IA
  • Trastuzumabe: indicado para câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
  • Abemaciclibe: utilizado no tratamento do câncer de mama em estágio inicial ou avançado.
  • Acetato de lanreotida: indicado para determinados tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: voltado ao câncer renal metastático de células claras.
  • Rituximabe: empregado no tratamento da leucemia linfocítica crônica e de determinados linfomas.
  • Abiraterona: indicada para câncer de próstata resistente ou sensível à castração.
  • Gefitinibe: utilizado como tratamento inicial de determinados casos de câncer de pulmão de células não pequenas.
  • TSH recombinante: empregado na preparação de pacientes com câncer diferenciado de tireoide para tratamento com iodo radioativo.
  • Sunitinibe: indicado para câncer renal metastático e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados.

Bloqueio hormonal avançado contra o câncer de próstata

A abiraterona atua sobre um dos principais mecanismos envolvidos na progressão do câncer de próstata: o estímulo hormonal. Como a testosterona favorece o crescimento de muitas dessas células tumorais, reduzir sua produção pode ajudar a controlar a doença.

“A abiraterona reduz a produção deste hormônio pelo organismo, inclusive nos locais em que não são completamente bloqueados pelos tratamentos hormonais convencionais. Esse mecanismo de ação ajuda a diminuir o estímulo para o crescimento das células do câncer da próstata, possibilitando o controle da doença por mais tempo e aumentando o tempo de vida dos pacientes que fazem uso dessa medicação.”

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Segundo a especialista, o medicamento costuma ser utilizado quando o bloqueio hormonal convencional deixa de controlar adequadamente a doença. Seu emprego nesse cenário já está bem estabelecido na prática clínica. “Esse tratamento geralmente é utilizado quando as formas de bloqueio hormonal convencional já falharam. É uma medicação que tem também um uso já muito bem estabelecido nesse contexto”.

A abiraterona reduz a produção de testosterona, ajudando a controlar o câncer de próstata, especialmente quando tratamentos hormonais convencionais deixam de apresentar resultados satisfatórios no controle da doença.
A abiraterona reduz a produção de testosterona, ajudando a controlar o câncer de próstata, especialmente quando tratamentos hormonais convencionais deixam de apresentar resultados satisfatórios no controle da doença. – Crédito: Imagem gerada por IA

Exames ajudam a definir quais pacientes podem receber os medicamentos

Nem todos os tratamentos da lista são adequados para qualquer pessoa com determinado tipo de câncer. Em alguns casos, a indicação depende da identificação de alterações genéticas ou de proteínas específicas nas células tumorais, o que torna os exames laboratoriais parte fundamental da decisão terapêutica.

É o caso do gefitinibe, utilizado contra determinados tumores de pulmão. Embora seja uma opção estabelecida há anos, o medicamento é indicado somente quando o tumor apresenta uma alteração no gene EGFR, que pode torná-lo sensível à terapia. “Trata-se de um medicamento que tem seu papel bem estabelecido há algum tempo. Ele não é indicado para todos os subtipos de câncer pulmonar e sim para aqueles, cujos tumores têm uma alteração no gene EGFR”. 

A identificação dessa alteração é feita por meio de um teste molecular realizado em uma amostra do tumor coletada durante a investigação diagnóstica. O resultado ajuda a determinar se o gefitinibe é uma opção adequada para aquele paciente.

SUS também amplia rastreamento do câncer de intestino

Além da oferta de medicamentos, o Ministério da Saúde começou a distribuir 400 mil testes imunoquímicos fecais para estados e capitais brasileiras. A iniciativa integra a ampliação das ações de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de intestino.

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O rastreamento é voltado a homens e mulheres de 50 a 75 anos e busca identificar sinais que justifiquem uma investigação complementar. O teste detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes, mesmo quando não são visíveis a olho nu. Esse sinal pode estar associado a pólipos – lesões que, em alguns casos, podem evoluir para câncer – ou a tumores já existentes.

A identificação precoce permite encaminhar os pacientes para exames complementares e, quando necessário, iniciar o tratamento. Entre as estratégias de rastreamento estão a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, exame que permite visualizar o interior do intestino e retirar determinados pólipos.

“Diversas sociedades médicas, tanto nacionais quanto internacionais, recomendam o rastreamento para o câncer de intestino, porque é uma estratégia capaz de prevenir o desenvolvimento da doença por meio da retirada do pólipo. Existem algumas formas de rastreamento, como a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes”, explica a médica.

O SUS também amplia o rastreamento do câncer de intestino, com distribuição de 400 mil testes para diagnóstico precoce.
O SUS também amplia o rastreamento do câncer de intestino, com distribuição de 400 mil testes para diagnóstico precoce. – Crédito: Imagem gerada por IA

O teste imunoquímico fecal funciona como uma etapa inicial dessa investigação. Quando o resultado é positivo, o paciente deve ser encaminhado para uma colonoscopia, que permite identificar a origem do sangramento e avaliar a presença de lesões que exijam tratamento.

“O teste imunoquímico fecal é uma estratégia de rastreamento que tenta identificar quantidades pequenas de sangue nas fezes, mesmo quando não são visíveis aos nossos olhos. Se der positivo, o indivíduo é direcionado para a colonoscopia”, detalha Maria Ignez.

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Outras medidas também estão em andamento na rede pública. Entre elas, estão a implementação do rastreamento do câncer do colo do útero com testes de DNA e o custeio federal de cirurgias oncológicas videotorácicas, realizadas por meio de pequenas incisões. A técnica pode favorecer uma recuperação mais rápida em comparação com procedimentos que exigem cortes maiores.

A ampliação dessas iniciativas, porém, depende de que a oferta de medicamentos, exames e procedimentos se traduza em atendimento efetivo. Garantir que os pacientes tenham acesso aos recursos indicados e consigam manter o acompanhamento ao longo de todas as etapas do tratamento continua sendo um dos principais desafios do SUS.

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