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Como psicodélicos agem no cérebro?

Redação Informe 360

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Nos últimos anos, o interesse pelos psicodélicos tem crescido de forma exponencial, impulsionado tanto por novos estudos científicos quanto por uma mudança cultural na percepção dessas substâncias. Mas, afinal, como esses compostos agem no cérebro humano?

Utilizados há séculos em rituais e práticas religiosas, psicodélicos como LSD, psilocibina e DMT agora estão no foco de pesquisas que investigam seus efeitos terapêuticos para condições como depressão, ansiedade e até transtornos de estresse pós-traumático (TEPT).

Os psicodélicos, conhecidos por alterarem a percepção, o pensamento e o humor, provocam essas mudanças atuando diretamente em áreas e receptores específicos do cérebro.

Psicodélicos
Os psicodélicos, como o LSD e a psilocibina, estão no centro de estudos que investigam sua capacidade de transformar a atividade cerebral e tratar condições como depressão e ansiedade. Imagem: Sergiy Katyshkin / Shutterstock

Embora as experiências induzidas por essas substâncias sejam variadas, de euforia a intensas visões introspectivas, a ciência está começando a decifrar os mecanismos por trás dessas sensações e compreender como essas drogas podem reconfigurar a atividade cerebral.

Vamos explorar a fundo os processos pelos quais os psicodélicos alteram a consciência e o que isso significa para a ciência moderna.

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O que são os psicodélicos?

Os psicodélicos são substâncias que alteram a consciência e a percepção da realidade. Eles afetam diretamente os sentidos, as emoções e a cognição, levando os usuários a terem experiências profundas, muitas vezes descritas como transcendentais ou místicas.

As substâncias mais conhecidas dentro dessa categoria incluem o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), a psilocibina (presente em cogumelos alucinógenos), a mescalina (encontrada no peiote) e o DMT (dimetiltriptamina, o principal componente da ayahuasca).

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Essas substâncias têm sido usadas por diferentes culturas há milhares de anos, geralmente em contextos espirituais ou religiosos. No entanto, nas últimas décadas, o interesse acadêmico pelos psicodélicos ressurgiu, especialmente por seu potencial em tratar uma variedade de transtornos mentais.

Diversos estudos vêm mostrando que esses compostos podem ajudar na reestruturação da mente, proporcionando novas perspectivas para questões emocionais complexas.

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LSD (dietilamida do ácido lisérgico), conhecido também como “doce” ou “ácido”, é uma substância sintética pertencente ao grupo dos alucinógenos
O LSD, um dos psicodélicos mais conhecidos, é amplamente estudado por seu impacto na consciência e no potencial de tratar transtornos mentais como depressão e ansiedade. Imagem: Melnikov Dmitriy / Shutterstock

Psicodélicos e o cérebro: uma interação profunda

Para entender como os psicodélicos agem no cérebro, é essencial primeiro compreender o papel da serotonina. A serotonina é um neurotransmissor que regula diversas funções cerebrais, como humor, apetite, sono e memória.

Os psicodélicos interagem principalmente com os receptores de serotonina, especificamente o receptor 5-HT2A. Essa interação é a chave para as mudanças perceptuais e emocionais que os usuários experimentam durante uma “viagem” psicodélica.

Ao se ligarem aos receptores 5-HT2A, os psicodélicos provocam uma hiperconectividade entre regiões do cérebro que, em condições normais, não costumam se comunicar de maneira tão intensa.

Essa nova rede de conexões permite que diferentes áreas cerebrais troquem informações de maneira mais livre, resultando em experiências sensoriais intensificadas, sinestesia (quando um sentido se sobrepõe a outro, como “ver” sons) e a sensação de dissolução do ego, onde o indivíduo perde temporariamente a noção de si como entidade separada do resto do mundo.

Dissolução do ego e a perspectiva neural

A “dissolução do ego” é um dos efeitos mais comentados pelos usuários de psicodélicos. Essa experiência envolve a sensação de que as barreiras entre o “eu” e o mundo externo desaparecem, levando o indivíduo a uma sensação de unidade com o universo ou com a natureza.

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Do ponto de vista neurológico, essa sensação de perda do ego pode estar ligada à redução da atividade na “rede do modo padrão” (Default Mode Network, ou DMN), um sistema cerebral que desempenha um papel central na autorreferência e na narrativa interna.

A DMN é responsável por manter nossa sensação de identidade contínua, e sua supressão durante o uso de psicodélicos pode explicar por que muitos usuários relatam a perda do ego.

Cérebro visto de lado. Doença degenerativa. Doenças degenerativas cerebrais, Alzheimer
A redução da atividade na Default Mode Network (DMN) durante o uso de psicodélicos pode explicar a sensação de “perda do ego” e a conexão profunda com o universo relatada por muitos usuários. Imagem: Shutterstock

Em um estado normal, a DMN age como um “centro de controle” no cérebro, organizando e gerenciando a interação entre diferentes áreas cerebrais. Ao diminuir sua atividade, os psicodélicos permitem que outras regiões se comuniquem de maneira mais aberta, resultando em novas formas de pensar e perceber a realidade.

A neuroplasticidade e o poder terapêutico dos psicodélicos

Outro aspecto fascinante do efeito dos psicodélicos no cérebro é a sua influência na neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar, formar novas conexões e aprender.

Estudos recentes indicam que substâncias como o LSD e a psilocibina podem estimular o crescimento de dendritos (ramificações dos neurônios) e sinapses (pontos de comunicação entre neurônios). Esse aumento na conectividade neural pode explicar por que muitas pessoas relatam mudanças duradouras em sua visão de mundo e em sua saúde mental após o uso de psicodélicos.

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Imagem do cérebro representando conceito de neuroplasticidade
Os psicodélicos, como o LSD e a psilocibina, têm mostrado potencial para estimular a neuroplasticidade. Imagem: nobeastsofierce / Shutterstock

Esse fenômeno é particularmente relevante no tratamento de condições como depressão e ansiedade. Pesquisas sugerem que os psicodélicos podem “reinicializar” o cérebro, interrompendo padrões de pensamento negativos e repetitivos que estão associados a essas condições.

Ao promover a formação de novas conexões neurais, essas substâncias podem ajudar os pacientes a romper com padrões de pensamento destrutivos e abrir caminho para novas formas de lidar com seus problemas emocionais.

Psicodélicos e o “efeito místico”

Um dos elementos mais intrigantes das experiências psicodélicas é o chamado “efeito místico”. Muitos usuários relatam vivenciar momentos de intensa espiritualidade, em que se sentem conectados a uma força maior ou a uma realidade além do mundo físico. Essas experiências são frequentemente descritas como profundamente transformadoras e são associadas a sentimentos de paz, propósito e compreensão.

Do ponto de vista neurológico, o efeito místico pode estar relacionado à desinibição de regiões cerebrais responsáveis por filtrar informações sensoriais e emocionais. Normalmente, nosso cérebro atua como um filtro, selecionando quais informações do ambiente são relevantes e descartando o restante.

Os psicodélicos parecem reduzir essa filtragem, permitindo que mais informações sensoriais e cognitivas cheguem à nossa consciência. Isso pode explicar as visões intensas e os sentimentos profundos de unidade que muitos relatam durante uma “viagem” psicodélica.

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Viagem psicodélica
As viagens psicodélicas podem proporcionar experiências místicas e transformadoras, com visões intensas e uma sensação de conexão profunda com o universo. Esse efeito pode estar ligado à desinibição cerebral, permitindo que mais informações sensoriais e emocionais cheguem à consciência. Imagem: svtdesign / Shutterstock

Psicodélicos e saúde mental: a nova fronteira da terapia

Com os avanços nas pesquisas sobre os efeitos dos psicodélicos no cérebro, cientistas e terapeutas têm se mostrado otimistas quanto ao uso dessas substâncias no tratamento de doenças mentais. Estudos clínicos com a psilocibina, por exemplo, demonstraram resultados promissores no tratamento da depressão resistente, uma condição que não responde aos tratamentos convencionais.

Da mesma forma, há evidências de que o uso controlado de MDMA, outra substância psicodélica, pode ser eficaz no tratamento de transtornos de estresse pós-traumático (TEPT). Durante sessões de terapia assistida por psicodélicos, os pacientes podem revisitar traumas e emoções difíceis de uma maneira mais aberta e compassiva, o que facilita a cura.

Os psicodélicos representam uma fascinante fronteira entre a ciência do cérebro e o campo da saúde mental. Com sua capacidade de alterar a percepção, reconfigurar a atividade cerebral e promover a neuroplasticidade, essas substâncias têm o potencial de transformar a forma como tratamos uma variedade de transtornos mentais.

Embora ainda haja muito a ser descoberto, o crescente corpo de pesquisas sugere que os psicodélicos podem, de fato, abrir novas portas para o entendimento da mente humana e das complexidades da consciência.

No entanto, é importante lembrar que, apesar dos avanços, o uso de psicodélicos ainda requer muita cautela e deve ser feito sob supervisão médica, especialmente em contextos terapêuticos. À medida que mais estudos são conduzidos, poderemos entender melhor os riscos e os benefícios desses compostos, contribuindo para seu uso responsável e informado no futuro.

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Saúde

Omo, Comfort e Brilhante têm produção suspensa pela Anvisa em fábrica da Unilever

Redação Informe 360

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão temporária da fabricação de produtos saneantes na unidade da Unilever em Vinhedo (SP). A decisão foi publicada nesta quarta-feira (2) após uma inspeção realizada entre 24 e 28 de agosto identificar descumprimento das regras de boas práticas de fabricação.

A resolução da Anvisa determina a suspensão da fabricação de “todos os produtos saneantes” produzidos na unidade de Vinhedo. A medida atinge linhas de produtos das marcas Omo, Comfort e Brilhante, incluindo sabão líquido para lavar roupas e amaciante líquido.

A suspensão é preventiva e impede temporariamente a fabricação dos produtos abrangidos pela medida enquanto as irregularidades são corrigidas. A decisão, porém, não determinou a suspensão da comercialização, distribuição ou uso dos produtos que já foram fabricados e estão disponíveis no mercado.

A inspeção foi realizada conjuntamente pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e pela Vigilância Sanitária do Município de Vinhedo. Segundo a agência, o descumprimento envolve a Resolução RDC nº 47, de 2013, que estabelece o Regulamento Técnico de Boas Práticas de Fabricação para Produtos Saneantes.

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Fachada da Unilever com o logo da empresa
A Anvisa suspendeu temporariamente linhas de fabricação de produtos de cuidados com roupas na unidade da Unilever em Vinhedo (SP) – Imagem: Poetra.RH/Shutterstock

Unilever tem linhas de fabricação suspensas em SP

A inspeção ocorreu entre 24 e 28 de agosto e foi realizada pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e pela Vigilância Sanitária de Vinhedo.

A suspensão impede temporariamente a fabricação dos produtos abrangidos pela medida. Segundo a Unilever, as demais linhas de produção da unidade seguem operando normalmente.

Não há determinação para recolher produtos que já estejam à venda ou interromper seu uso. A Anvisa também informou que a avaliação não indicou contaminação microbiológica ou outros problemas nos lotes produzidos na fábrica.

A decisão da agência não detalha, na resolução, quais irregularidades foram encontradas. Segundo a Unilever, a medida está relacionada às linhas de sabão líquido para lavar roupas e amaciante líquido para roupas.

Saneantes são produtos usados para limpeza, desinfecção e higienização de ambientes e superfícies.

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Comunicado da Unilever

A Unilever enviou o seguinte comunicado ao Olhar Digital:

A Unilever Brasil Industrial Ltda. informa que recebeu a equipe da Anvisa em sua fábrica em Vinhedo (SP) para uma fiscalização na unidade de produtos de cuidados com a casa. A inspeção resultou em oportunidades de melhorias em processos de documentação e controle, conforme publicado no Diário Oficial do dia 2/9/2026, relacionadas às linhas de sabão líquido para lavar roupas e amaciante líquido para roupas.

Todos os produtos de cuidados com a casa fabricados na unidade, de todos os lotes, seguem liberados para comercialização e uso pelos consumidores. Em nota publicada no site, a Anvisa diz que a avaliação ‘não indicou contaminação microbiológica ou outros problemas sobre os lotes produzidos na fábrica. Por esse motivo, não foi determinada a suspensão da comercialização, da distribuição ou do uso dos produtos já fabricados e disponíveis no mercado, nem seu recolhimento.’

Por determinação da Anvisa, de forma preventiva, as linhas de fabricação destes produtos foram temporariamente suspensas para implementação das melhorias operacionais requeridas. Todas as ações foram prontamente iniciadas e já estão sendo implementadas. As demais linhas de produção da unidade seguem operando normalmente.

A Unilever continua atuando em colaboração com a Anvisa e considera os apontamentos parte importante para a evolução contínua de seus processos produtivos e de todo o setor. A empresa reafirma seu compromisso inegociável com o rigor de seus padrões de qualidade em seus 96 anos de atuação no Brasil e reitera sua prioridade absoluta com a segurança dos consumidores.

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Unilever em comunicado à imprensa

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Saúde

Mais da metade das crianças feridas em acidentes de carro usa cinto ou cadeirinha de forma errada

Redação Informe 360

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Mais da metade das crianças envolvidas em acidentes de carro que sofreram ferimentos não estava usando nenhum dispositivo de segurança ou utilizava um sistema de retenção inadequado para sua idade, altura ou peso. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Ohio State University (EUA).

Segundo a pesquisa, o uso incorreto ou a ausência de cadeirinhas, assentos de elevação e cintos de segurança também esteve associado a lesões mais graves entre crianças envolvidas em acidentes de trânsito.

Muitas famílias ainda não estão usando cadeirinhas, assentos de elevação e cintos de segurança corretamente”, afirmou Gretchen Baker, autora principal do estudo e professora assistente de pesquisa da Escola de Ciências da Saúde e Reabilitação. “Isso coloca as crianças em maior risco de lesões e destaca a importância de mais educação sobre o uso adequado dos dispositivos de retenção.”

Publicado na revista Traffic Injury Prevention, o trabalho analisou dados do American College of Surgeons Trauma Quality Program referentes ao período de 2018 a 2022. O banco reúne informações de pacientes pediátricos e adultos atendidos em centros de trauma nos Estados Unidos.

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Os pesquisadores selecionaram registros de acidentes de trânsito envolvendo ocupantes com idade entre um e 13 anos. Ao todo, 39.993 crianças atenderam aos critérios para inclusão na análise.

Uso inadequado aumenta com a idade

  • Dos casos analisados, 39% das crianças não utilizavam nenhum tipo de dispositivo de retenção. Outros 19% estavam usando um sistema inadequado para sua idade, altura ou peso;
  • A proporção de uso incorreto aumentou conforme a idade. Entre crianças de um ano, o índice era de 6%, chegando a 39% aos sete anos. Aos 13 anos, a taxa caía para 1%;
  • O percentual de crianças que não utilizavam nenhum dispositivo também aumentava com a idade. O índice variava de 33% entre crianças de um ano para 50% aos 13 anos.
Close de uma pessoa colocando uma criança em uma cadeirinha
Dos casos analisados, 39% das crianças não utilizavam nenhum tipo de dispositivo de retenção. Outros 19% estavam usando um sistema inadequado para sua idade, altura ou peso – Imagem: christinarosepix/Shutterstock

À medida que as crianças ficam mais velhas, elas têm maior probabilidade de estar no tipo errado de dispositivo de retenção ou de não usar nenhum”, explicou Julie Mansfield, coautora do estudo, professora associada de pesquisa da Escola de Ciências da Saúde e Reabilitação e codiretora do Center for Child Injury Prevention Studies.

Segundo a pesquisadora, uma possível explicação é que algumas crianças passem para o assento de elevação ou para o cinto de segurança de três pontos antes de atingirem a idade ou o tamanho recomendados. Outras simplesmente deixam de utilizar os dispositivos de segurança.

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Lesões na cabeça foram as mais comuns

No conjunto de dados analisado, as crianças sofreram 182.157 lesões ao longo dos cinco anos. Os ferimentos na cabeça foram os mais frequentes, representando 46% do total. Em seguida apareceram as lesões nos braços e nas pernas, responsáveis por 26% dos casos.

Cerca de 41% das crianças sofreram lesões graves. O levantamento também registrou 1.008 mortes entre os pacientes incluídos na análise. Os pesquisadores afirmam que os resultados reforçam a importância de utilizar corretamente cadeirinhas, assentos de elevação e cintos de segurança.

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“O aumento das chances de lesões graves e mortes entre crianças que utilizavam dispositivos de retenção de forma inadequada ou que não estavam presas ressalta a importância fundamental de cadeirinhas, assentos de elevação e cintos de segurança”, disse Baker.

Para a pesquisadora, é necessário ampliar principalmente as orientações sobre quando fazer a transição entre os diferentes dispositivos de retenção, com atenção especial às crianças mais velhas.

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Saúde

Mounjaro ganha nova função contra infarto e AVC nos EUA

Redação Informe 360

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A FDA aprovou uma nova indicação do Mounjaro, da Eli Lilly, nos Estados Unidos. O medicamento, à base de tirzepatida, poderá ser usado para reduzir o risco de infarto e AVC em adultos com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular.

O remédio já era autorizado no país para controlar a glicose. No Brasil, porém, essa finalidade cardiovascular ainda não foi aprovada pela Anvisa e precisa passar por uma autorização específica.

O Mounjaro, à base de tirzepatida, poderá reduzir o risco de infarto e AVC em determinados adultos com diabetes tipo 2. Imagem: Africa Studio/Shutterstock

O que mudou para o Mounjaro

A Eli Lilly informou que a decisão da FDA se baseou em um estudo que colocou o Mounjaro frente a frente com o Trulicity, medicamento mais antigo da própria farmacêutica para tratar diabetes.

Na comparação, a tirzepatida apresentou uma redução 8% maior no risco de eventos cardiovasculares adversos graves. Infarto e AVC estavam entre os problemas considerados no estudo.

A expansão das indicações acontece enquanto as principais fabricantes desse tipo de medicamento disputam novos usos para as terapias que ficaram conhecidas pelo tratamento do diabetes e da obesidade.

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A Novo Nordisk, concorrente da Lilly, já havia conseguido, em 2024, autorização da FDA para o Wegovy, à base de semaglutida, reduzir o risco cardiovascular em adultos com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular.

Em 2025, foi a vez do Rybelsus, versão oral da semaglutida, receber autorização para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves em determinados pacientes com diabetes tipo 2.

Por que a tirzepatida é diferente

A tirzepatida imita a ação de dois hormônios envolvidos no controle da glicemia e do apetite: GIP e GLP-1.

Quando a glicose está elevada, a substância estimula a liberação de insulina. Também retarda o esvaziamento do estômago e atua em regiões do cérebro ligadas à saciedade.

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A diferença em relação a medicamentos como a semaglutida está justamente aí: enquanto eles atuam sobre o GLP-1, a tirzepatida age sobre os receptores de GIP e GLP-1 ao mesmo tempo.

Nos Estados Unidos, a mesma molécula é vendida como Zepbound para tratar a obesidade.

Entre as características da tirzepatida estão:

  • controle da glicose em pessoas com diabetes tipo 2;
  • atuação sobre os receptores GIP e GLP-1;
  • retardamento do esvaziamento do estômago;
  • ação relacionada à sensação de saciedade;
  • investigação de possíveis benefícios cardiovasculares, renais e hepáticos.
diabete
No Brasil, o Mounjaro já é aprovado para diabetes tipo 2 e para o controle crônico do peso. Imagem: Me dia/Shutterstock

E no Brasil?

No Brasil, o Mounjaro é aprovado pela Anvisa para tratar diabetes tipo 2 e auxiliar no controle crônico do peso. No caso do diabetes, seu uso é associado à dieta e à prática de exercícios.

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Desde abril de 2026, a indicação também contempla crianças e adolescentes a partir dos 10 anos.

Para controle do peso, adultos com obesidade podem utilizar o medicamento. A indicação também contempla pessoas com sobrepeso que tenham pelo menos uma condição relacionada ao peso, como hipertensão, colesterol alto, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

A autorização concedida agora pela FDA não muda automaticamente a bula brasileira. Para que a redução do risco de infarto e AVC seja reconhecida como indicação do Mounjaro no país, a Anvisa ainda precisa autorizar esse uso.

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