Ligue-se a nós

Saúde

Alzheimer: “vacina” pode ser testada no Brasil; saiba como ela funciona

Redação Informe 360

Publicado

no

A startup suíça de biotecnologia, AC Immune, está desenvolvendo nova forma de combater o Alzheimer. Ela já está em testes e o Brasil pode participar das pesquisas.

Trata-se da ACI-24.060, imunoterapia ativa que combate a proteína beta-amiloide, que fica acumulada no cérebro e acaba sendo um dos principais fatores que desencadeiam a doença. Pacientes com Síndrome de Down também estão sendo tratados com a terapia.

Segundo o UOL, o vice-presidente sênior de relações com investidores e comunicações da AC Immune, Gary Waanders, disse que a ACI-24.060 “ensina” o sistema imunológico a reconhecer e eliminar do corpo as partes tóxicas da beta-amiloide. Esse comportamento se assemelha ao das vacinas, que ensinam o sistema imunológico a reconhecer e expulsar patógenos infecciosos do corpo.

Anúncio
Em fundo azul, quebra-cabeças formando um cérebro humano, com uma peça desencaixada
Imagem: mapush/Shutterstock

Waanders também explica que, da mesma forma que os imunizantes, as imunoterapias ativas são projetadas para serem seguras, com administração não invasiva e com fabricação, transporte e administração garantida pelos sistemas de saúde globais.

Já a psiquiatra e diretora de enfermarias do Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq HC-FMUSP), Tânia Ferraz Alves, pontua que a novidade é um avanço no tratamento contra o Alzheimer.

No Brasil, as medicações [para o Alzheimer] são dadas quando se faz o diagnóstico, para não haver progressão da doença. Assim, essa imunoterapia é um avanço, pois visa estimular um anticorpo da própria pessoa para combater o acúmulo de beta-amiloide.

Tânia Ferraz Alves, psiquiatra e diretora de enfermarias do Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq HC-FMUSP), em entrevista ao UOL

Fases do estudo da nova imunoterapia contra o Alzheimer

No estudo em andamento — fase 1a/2 ABATE —, com previsão de conclusão até junho de 2026, estamos recrutando participantes com doença de Alzheimer no estágio prodromal, com pequenas mudanças nas habilidades ou no comportamento e adultos com síndrome de Down.

Gary Waanders, vice-presidente sênior de relações com investidores e comunicações da AC Immune

  • No ensaio químico atual, a solução é injetada, diversas vezes, por via intramuscular, durante 12 meses;
  • Contudo, os futuros testes da fase três não foram determinados, informou Waanders.
  • “É possível recrutar pacientes em estágios iniciais semelhantes, mas isso ainda não foi determinado”, disse;
  • Andrea Pfeifer, cofundadora e presidente da AC Immune, aponta que até o momento, a solução tem sido aplicada “sem efeitos colaterais significativos”, “qualquer inflamação, edema ou hemorragias”.

Leia mais:

Representação de um cérebro humano rodeado por medicamentos
Imagem: Nefedova Tanya/Shutterstock

Brasil na fase 3?

A terceira fase do experimento será conduzido pela biofarmacêutica Takeda, que tem acordo com a startup no valor de US$ 2,2 bilhões (R$ 12,07 bilhões, na conversão atual).

O Brasil poderá participar dela, que contará também participantes de Estados Unidos e países de Europa, Ásia e América Latina. “Um programa global de desenvolvimento da fase 3, geralmente, envolve muitos participantes internacionais e, devido à grande população, o Brasil seria considerado”, afirma o porta-voz da AC Immune.

Anúncio

À Folha de S.Paulo, Andrea Pfeifer, cofundadora e presidente da AC Immune, detalha que a fase 3 pode acontecer em 2026, ou antes, até.

É a fase quando a pesquisa se torna, definitivamente, um ensaio clínico global e deve acontecer em 2026, ou até mesmo antes disso, dependendo dos resultados deste ano. Por ser um ensaio mundial, serão centenas de países. Tenho certeza que o Brasil será considerado.

Andrea Pfeifer, cofundadora e presidente da AC Immune, em entrevista à Folha de S.Paulo

Pfeifer disse ainda que os resultados dos seis primeiros meses de testes devem ser divulgados em agosto, contudo, resultados significativos só devem aparecer após um ano.

Acreditamos que os dados do fim deste ano até início do ano que vem serão cruciais para avaliar o impacto da vacina, já que é necessário um tempo para que a resposta de anticorpos se desenvolva completamente. Se as coisas correrem bem, poderemos acelerar o ensaio clínico.

Andrea Pfeifer, cofundadora e presidente da AC Immune, em entrevista à Folha de S.Paulo

Anúncio

Futuramente, os pesquisadores da AC Immune esperam poder incluir biomarcadores, que indicam predisposição à doença, para identificá-la e preveni-la em pessoas de alto risco ainda quando os sintomas não tiverem se desenvolvido.

Com os biomarcadores, esperamos identificar pacientes com risco maior de desenvolver Alzheimer e, dessa forma, prevenir o início da doença por completo. Isso teria benefício enorme para a sociedade e para o mundo, porque teríamos uma vacina de prevenção global da doença.

Andrea Pfeifer, cofundadora e presidente da AC Immune, em entrevista à Folha de S.Paulo

Imagem em preto e branco de uma árvor que forma uma cabeça humana; suas folhas estão sendo levadas pelo vento
Imagem: Lightspring/Shutterstock

Para Maria Carolina Tostes Pintão, head médica de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Fleury, “a inclusão do Brasil em estudos clínicos sobre o tema é relevante, pois, havendo pesquisas em nossa população, estaremos em posição de incorporar esses tratamentos de forma precoce”.

Nossa população tem algumas características interessantes, como diversidade genética, condição socioeconômica mais baixa, quando comparada aos Estados Unidos e Europa, o que impacta o envelhecimento de forma peculiar.

Há também os fatores de risco potencialmente modificáveis, como baixa escolaridade e índices de alcoolismo e tabagismo, que afetam o envelhecimento cerebral. Existem ainda particularidades populacionais distintas entre as regiões que podem representar resultados múltiplos para o estudo.

Tânia Ferraz Alves, psiquiatra e diretora de enfermarias do Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq HC-FMUSP), em entrevista ao UOL

Anúncio

Alves também aponta que o Brasil tem centros especializados em Alzheimer e em envelhecimento, que têm bastante experiência clínica nos estudos de fase 3 e de alta complexidade.

De certa forma, o Brasil tem, hoje, profissionais de vanguarda na neuropsicogeriatria que atuam com envelhecimento com Alzheimer. Assim, ter a participação nesses estudos colabora com a disseminação de conhecimento

Tânia Ferraz Alves, psiquiatra e diretora de enfermarias do Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq HC-FMUSP), em entrevista ao UOL

Tostes Pintão, por sua vez, aponta haver vários avanços atualmente no estudo do Alzheimer, incluindo no diagnóstico e novos tratamentos.

Os tratamentos em estudo podem mudar a história natural da doença, ou seja, de não produzir ou não levar à neurodegeneração, como imunoterapias e anticorpos monoclonais, que estão lado a lado dos biomarcadores, que se tornam mais sensíveis e específicos para identificar precocemente as pessoas que terão a doença.

Tânia Ferraz Alves, psiquiatra e diretora de enfermarias do Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq HC-FMUSP), em entrevista ao UOL

Anúncio

Alves também explica que, se o diagnóstico é realizado a partir de sintomas clínicos, é possível dizer que já há lesões e alteração cerebral.

“Assim, ao se identificar as pessoas de risco e oferecer tratamento que seja eficaz, seguro, com poucos efeitos colaterais e que modifique a história da doença, teremos um envelhecimento populacional saudável e com qualidade de vida, o que se entende por envelhecimento ideal”, resume.

Diminuição do hipocampo é importante sinal de Alzheimer
Se Brasil participar da fase 3 dos testes, pode ser um novo passo para os quase um milhão de afetados pela doença (Imagem: Atthapon Raksthaput/Shutterstock)

Brasil e a doença

Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), existem cerca de 35,6 milhões de pessoas, no mundo todo, com Alzheimer. Desses, estima-se que 996.454 sejam brasileiros, sendo que boa parte não tem diagnóstico.

Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece apenas medicações que reduzem os sintomas do Alzheimer, mas elas não evoluem há 30 anos. Os medicamentos são os anticolinesterásicos (donepezil, galantamina e rivastigmina) e a memantina.

Anúncio

Nos EUA, a FDA aprovou dois medicamentos que vão em cima das placas de beta-amiloide, retardando a progressão da doença: lecanemabe e aducanumabe. Em 2 de julho, a agência aprovou o donanemabe.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou não ter recebido pedido para aprovação do lecanemabe e não respondeu, à Folha, sobre as outras medicações por estarem com seus pedidos de aprovação em andamento.

Como a Anvisa não aprovou nenhum desses medicamentos, fazemos a importação, com um custo de R$ 300 mil por ano. Eles estão em estágios iniciais, mas já apresentam resultados promissores.

Rodrigo Schultz, neurologista e ex-presidente da Abraz, em entrevista à Folha de S.Paulo

O post Alzheimer: “vacina” pode ser testada no Brasil; saiba como ela funciona apareceu primeiro em Olhar Digital.

Anúncio

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo
Anúncio

Saúde

Por que o Brasil é chave para entender a longevidade extrema

Redação Informe 360

Publicado

no

O Brasil pode ocupar um papel central nas pesquisas globais sobre longevidade extrema, segundo um novo artigo científico liderado pela geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo (USP). Publicado nesta terça-feira (6) na revista Genomic Psychiatry, o estudo analisa dados genômicos de supercentenários brasileiros e aponta que a diversidade genética do país ainda é pouco explorada, apesar do alto potencial científico.

O trabalho reúne evidências de pesquisas em andamento com um grupo único de pessoas que ultrapassaram os 110 anos de idade, incluindo supercentenários validados e antigos detentores de recordes mundiais de longevidade. Entre eles está o homem vivo mais velho do mundo, atualmente com 113 anos.

A análise reforça que populações miscigenadas, como a brasileira, podem revelar mecanismos biológicos de proteção ainda invisíveis em bancos de dados genéticos mais homogêneos.

Alguns dos seres humanos mais velhos do mundo são brasileiros (Imagem: Photobac / Shutterstock.com)

Diversidade genética como diferencial científico

De acordo com os autores, um dos principais entraves para compreender por que alguns indivíduos vivem muito além da média está na falta de representatividade genética nos grandes estudos internacionais. Bases de dados genômicos costumam ser dominadas por populações europeias, o que limita a identificação de variantes protetoras presentes em grupos miscigenados.

Mateus Vidigal de Castro, primeiro autor do artigo e pesquisador do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP, afirma que esse cenário é especialmente problemático em estudos sobre longevidade. Segundo ele, supercentenários de populações miscigenadas podem carregar variantes genéticas únicas, que passam despercebidas em amostras mais homogêneas.

Anúncio
DNA
Variantes genéticas únicas em populações miscigenadas podem ajudar a entender melhor a longevidade (Imagem: ismagilov / iStock)

A formação populacional brasileira envolve séculos de miscigenação, desde a colonização portuguesa, passando pela migração forçada de cerca de 4 milhões de africanos escravizados, até ondas posteriores de imigração europeia e japonesa. Estudos genômicos anteriores já identificaram milhões de variantes genéticas inéditas em brasileiros, muitas delas ausentes em bases globais de referência.

Um grupo raro de supercentenários

O artigo descreve um estudo longitudinal em andamento que acompanha mais de 160 centenários brasileiros, incluindo 20 supercentenários validados, distribuídos por diferentes regiões do país. O grupo reúne pessoas com trajetórias sociais, culturais e ambientais bastante diversas.

Entre os participantes esteve a freira Inah Canabarro Lucas, reconhecida como a pessoa mais velha do mundo até sua morte, em abril de 2025, aos 116 anos. O grupo também inclui os dois homens mais longevos do planeta em registros recentes: um que morreu aos 112 anos e outro que segue vivo aos 113.

Um aspecto destacado pelos pesquisadores é que alguns desses supercentenários permaneciam lúcidos e independentes em atividades básicas da vida diária no momento do contato com a equipe científica. Muitos viveram grande parte da vida em regiões com acesso limitado a serviços de saúde modernos, o que amplia o interesse em investigar fatores de resiliência além de intervenções médicas.

Famílias longevas ajudam a separar genética e ambiente

Casos de longevidade familiar também chamaram a atenção dos pesquisadores. Um dos exemplos citados envolve uma mulher de 110 anos que tem três sobrinhas com idades entre 100 e 106 anos. A mais velha delas, hoje com 106, foi campeã de natação aos 100 anos.

Anúncio

Segundo o artigo, esse tipo de agrupamento familiar reforça evidências anteriores de que irmãos de centenários têm probabilidade muito maior de também atingir idades extremas. Para os autores, essas famílias oferecem uma oportunidade rara de investigar como fatores genéticos e epigenéticos se combinam na chamada herança poligênica da resiliência.

O que torna os supercentenários biologicamente diferentes?

O artigo reúne descobertas recentes sobre características biológicas associadas à longevidade extrema. Entre elas está a manutenção da atividade do proteassoma em células do sangue, em níveis comparáveis aos de indivíduos muito mais jovens, além de mecanismos de autofagia preservados, que ajudam a eliminar proteínas defeituosas.

Análises de transcriptômica em nível celular também indicaram uma expansão incomum de células T CD4+ citotóxicas, com perfis funcionais normalmente associados a células CD8+. Esse padrão praticamente não aparece em indivíduos mais jovens.

Os autores defendem que o envelhecimento do sistema imunológico em supercentenários não deve ser visto apenas como declínio, mas como um processo de adaptação funcional. O artigo observa ainda diferenças de estilo de vida: ao contrário de uma supercentenária estudada nos Estados Unidos e na Espanha, que seguia dieta mediterrânea, os supercentenários brasileiros relataram ausência de restrições alimentares.

Anúncio

Sobrevivência à Covid-19 antes das vacinas

Um dos achados mais impressionantes ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Três supercentenários brasileiros do grupo estudado sobreviveram à infecção em 2020, antes da disponibilidade de vacinas.

Ilustração de um vírus corporal
Alguns supercentenários brasileiros sobreviveram à infecção da Covid-19 (Imagem: Corona Borealis Studio / Shutterstock.com)

Exames imunológicos mostraram que esses indivíduos desenvolveram altos níveis de anticorpos IgG e neutralizantes contra o SARS-CoV-2, além de proteínas plasmáticas e metabólitos associados à resposta imune inata. Para os pesquisadores, o episódio reforça o papel da resiliência imunológica sistêmica nesse grupo etário extremo.

Brasil no mapa global da longevidade extrema

O artigo destaca que três dos dez homens supercentenários mais longevos do mundo são brasileiros, incluindo o atual recordista vivo. Esse dado ganha relevância porque a longevidade extrema masculina é estatisticamente mais rara, devido a fatores como maior risco cardiovascular e diferenças hormonais e imunológicas.

Entre as mulheres, o Brasil também aparece com destaque: o número de supercentenárias brasileiras entre as 15 mais longevas do mundo supera o de países mais ricos e populosos, como os Estados Unidos.

Leia mais:

Anúncio

Próximos passos da pesquisa

Além do sequenciamento genômico completo, a equipe pretende derivar linhagens celulares de alguns participantes para análises funcionais e estudos multiômicos. O objetivo é identificar variantes protetoras específicas da população brasileira, com potencial impacto em abordagens de medicina de precisão.

O trabalho também prevê colaboração com o grupo da professora Ana Maria Caetano de Faria, da Universidade Federal de Minas Gerais, para aprofundar a análise do perfil imunológico dos participantes.

No artigo, Mayana Zatz faz um apelo direto a consórcios internacionais de genética e longevidade para que ampliem a inclusão de populações miscigenadas ou ofereçam suporte financeiro a estudos conduzidos no Brasil. Para a pesquisadora, diversificar as amostras é essencial para avançar o conhecimento científico e reduzir desigualdades na pesquisa em saúde global.

O post Por que o Brasil é chave para entender a longevidade extrema apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Anúncio
Continuar Lendo

Saúde

O que é Sarcopenia, problema enfrentado por usuários do Ozempic e Mounjaro?

Redação Informe 360

Publicado

no

A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico. Durante muito tempo, ela foi associada quase exclusivamente ao envelhecimento, mas estudos mais recentes mostram que esse problema pode atingir diferentes perfis de pessoas, inclusive adultos mais jovens em determinadas situações clínicas ou metabólicas.

Nos últimos anos, o tema ganhou ainda mais destaque por causa do uso crescente de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro. Esses fármacos, originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, passaram a ser usados de forma ampla para perda de peso, levantando discussões sobre possíveis efeitos colaterais relacionados à preservação da massa muscular.

Entender o que é a sarcopenia, como ela se desenvolve e qual sua relação com o uso de canetas emagrecedoras é fundamental. Na matéria a seguir, explicamos em detalhes como essa condição funciona, quem está mais sujeito a desenvolvê-la e quando ela pode, de fato, se tornar um problema. Confira!

O que é a Sarcopenia?

A sarcopenia é definida como a perda gradual e generalizada de massa muscular esquelética, acompanhada da redução da força e da capacidade funcional. Esse processo compromete atividades simples do dia a dia, como levantar da cadeira, subir escadas ou carregar objetos, afetando diretamente a autonomia e a qualidade de vida.

Anúncio
A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico. (Imagem: maulanasatu/Freepik)

A principal causa está relacionada a alterações naturais do organismo, como a redução da síntese de proteínas musculares e mudanças hormonais. Com o passar do tempo, o corpo passa a perder músculo mais rapidamente do que consegue reconstruí-lo, principalmente quando não há estímulos adequados, como exercícios de força.

Além do envelhecimento, fatores como sedentarismo, má alimentação, inflamações crônicas, doenças metabólicas e períodos prolongados de restrição calórica também contribuem para o desenvolvimento da sarcopenia. Em muitos casos, o problema surge da combinação de vários desses fatores ao mesmo tempo.

Sintomas e sinais mais comuns

Os sintomas da sarcopenia nem sempre são percebidos logo no início. A condição costuma evoluir de forma silenciosa, com perda gradual de força, sensação de fraqueza constante e redução da resistência física. Com o tempo, atividades antes simples passam a exigir mais esforço.

Em estágios mais avançados, podem surgir dificuldades de equilíbrio, maior risco de quedas e redução da mobilidade. Esses sinais são frequentemente confundidos com “cansaço normal” ou “falta de condicionamento”, o que pode atrasar o diagnóstico.

Público mais afetado e fatores de risco

A sarcopenia é mais comum em pessoas idosas, especialmente a partir dos 60 anos, mas não se limita a esse grupo. Indivíduos com doenças crônicas, pessoas hospitalizadas por longos períodos e aqueles que passam por emagrecimento rápido também apresentam risco aumentado.

Anúncio
A sarcopenia é mais comum em pessoas idosas, especialmente a partir dos 60 anos, mas não se limita a esse grupo. (Imagem: freepik/Freepik)

Dietas muito restritivas, com baixo consumo de proteínas, e a ausência de exercícios de resistência são fatores decisivos. Por isso, mesmo pessoas jovens podem desenvolver sarcopenia em contextos específicos, como após perdas de peso muito aceleradas.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

O diagnóstico da sarcopenia envolve a avaliação da massa muscular, da força e do desempenho físico, podendo incluir exames de imagem e testes funcionais. Não existe uma “cura” no sentido tradicional, mas o quadro pode ser controlado e até revertido, dependendo do estágio.

O tratamento inclui exercícios de força, alimentação adequada com ingestão suficiente de proteínas e acompanhamento profissional. A prevenção passa justamente por manter um estilo de vida ativo e evitar restrições calóricas prolongadas sem orientação.

Leia mais:

Qual a relação da Sarcopenia com usuários de canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro?

O uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro tem se popularizado devido à sua eficácia na perda de peso. Esses fármacos atuam reduzindo o apetite, aumentando a saciedade e ajudando no controle glicêmico, o que leva a uma diminuição significativa da ingestão calórica diária.

Nem todas as pessoas que utilizam essas canetas desenvolvem sarcopenia. O problema surge principalmente quando a perda de peso ocorre de forma muito rápida e sem estratégias para preservar a massa muscular. (Imagem: Marc Bruxelle/Shutterstock)

É importante destacar que nem todas as pessoas que utilizam essas canetas desenvolvem sarcopenia. O problema surge principalmente quando a perda de peso ocorre de forma muito rápida e sem estratégias para preservar a massa muscular, como alimentação adequada e prática de exercícios.

Perda de peso rápida e massa muscular

Quando o corpo passa por uma redução calórica intensa, ele não perde somente gordura, mas também parte da perda de peso pode vir da massa muscular, ainda mais se a ingestão de proteínas for insuficiente. Esse mecanismo explica por que alguns usuários das canetas apresentam redução de força e massa magra.

Anúncio

Sem estímulo muscular adequado, o organismo entra em um estado catabólico, favorecendo a degradação do músculo. Esse processo não é exclusivo dos medicamentos, mas pode ser potencializado por eles quando usados sem acompanhamento.

Quem tem maior risco ao usar essas medicações?

O risco de desenvolver sarcopenia é maior em pessoas que já apresentam baixa massa muscular, idosos, indivíduos sedentários ou aqueles que fazem dietas muito restritivas enquanto utilizam as canetas emagrecedoras. Nesses casos, a perda muscular pode ocorrer de forma mais acentuada.

A principal forma de prevenir a sarcopenia em usuários de Ozempic e Mounjaro é o acompanhamento profissional. Nutricionistas e médicos podem ajustar a dieta para garantir ingestão adequada de proteínas e calorias essenciais, mesmo com redução do apetite. (Imagem: Caroline Ruda/Shutterstock)

Por outro lado, usuários que mantêm uma alimentação equilibrada, com bom aporte proteico, e realizam exercícios de força tendem a preservar melhor a massa muscular, mesmo durante o emagrecimento induzido pelos medicamentos.

Prevenção da sarcopenia durante o uso das canetas

A principal forma de prevenir a sarcopenia em usuários de Ozempic e Mounjaro é o acompanhamento profissional. Nutricionistas e médicos podem ajustar a dieta para garantir ingestão adequada de proteínas e calorias essenciais, mesmo com redução do apetite.

Além disso, a prática regular de musculação ou exercícios de resistência é fundamental para estimular a manutenção da massa muscular. O uso das canetas, quando bem orientado, não precisa levar necessariamente à perda muscular significativa.

Anúncio

Mesmo que a relação entre sarcopenia e canetas emagrecedoras exista em alguns casos, ela não deve ser tratada como regra. O problema não está no medicamento em si, mas no contexto em que ele é utilizado, especialmente quando há falta de orientação adequada.

Por isso, compreender os riscos reais e as formas de prevenção ajuda a evitar alarmismo e reforça a importância de um uso consciente, focado não apenas na perda de peso, mas também na preservação da saúde muscular e funcional.

Sarcopenia tem cura?

Não há uma “cura” definitiva para a sarcopenia, mas ela pode ser prevenida, controlada e até revertida parcialmente com tratamento adequado, focado em exercícios de resistência, alimentação rica em proteínas e, em alguns casos, suplementação, melhorando significativamente a força, mobilidade e qualidade de vida.

Anúncio
Quais os sintomas da Sarcopenia?

Os sintomas incluem fraqueza e perda de massa muscular, levando a dificuldades em tarefas diárias como levantar da cadeira ou subir escadas, lentidão ao caminhar, falta de equilíbrio, quedas frequentes, menor resistência física, cansaço excessivo, e até alterações de humor como depressão.

Anúncio

O post O que é Sarcopenia, problema enfrentado por usuários do Ozempic e Mounjaro? apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Anúncio
Continuar Lendo

Saúde

Beber água com limão em jejum faz bem ou é apenas mito?

Redação Informe 360

Publicado

no

Beber água com limão em jejum virou hábito de muita gente que busca saúde, energia e detox, mas será que realmente faz bem? Vamos separar o que é mito do que a ciência comprova, entendendo como esse ritual influencia corpo e mente.

O que a ciência diz sobre beber água com limão em jejum?

Pesquisas e análises científicas mostram que o principal benefício de beber água com limão está na hidratação e no aporte de vitamina C, um antioxidante que protege as células, ajuda na produção de colágeno e contribui para o funcionamento do sistema imunológico, embora não haja evidências robustas de que isso cause o “detox” milagroso ou perda de peso automática.

Um exemplo é o artigo “Exploring the Antioxidant Properties of Citrus limon (Lemon) Peel Ultrasound Extract” publicado na revista Biomass (MDPI), que detalha o potencial antioxidante desses compostos presentes na casca do limão e sua relevância nutricional.

Beber água com limão em jejum faz bem ou é apenas mito?
Água com limão em jejum hidrata o corpo e fornece vitamina C, mas não faz milagres – (Imagem gerada por inteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)

Beber água com limão em jejum melhora mesmo a saúde

Muita gente acredita que a mistura acelera o metabolismo, queima gordura ou desintoxica o corpo. Na realidade, o que acontece é mais simples: ajuda a hidratar rapidamente o organismo após horas sem beber nada e pode estimular o sistema digestivo.

O limão adiciona vitaminas, especialmente a vitamina C, que contribui para imunidade, mas não existe evidência de efeitos milagrosos de emagrecimento ou limpeza do fígado.

Anúncio

Leia também:

Como incluir a água com limão na rotina sem exageros?

Beber um copo de água morna com limão logo ao acordar pode ser uma forma de hidratação leve e saborosa. É simples: esprema meio limão em 200 ml de água filtrada e beba antes do café da manhã.

Para quem tem sensibilidade no estômago ou problemas dentários, é recomendado usar canudo e enxaguar a boca depois, evitando desgaste do esmalte dos dentes.

Beber água com limão em jejum faz bem ou é apenas mito?
O hábito da água com limão ajuda na hidratação matinal e no cuidado com a rotina – (Imagem gerada por inteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)

Quais cuidados e variações podem potencializar resultados?

Embora não seja milagrosa, a água com limão pode contribuir para o bem-estar quando associada a hábitos saudáveis. Alguns cuidados fazem diferença:

  • Não exagerar na quantidade: o consumo excessivo pode irritar o estômago ou prejudicar o esmalte dos dentes.
  • Diluir bem o limão em água: reduz a acidez e torna a bebida mais segura para uso frequente.
  • Evitar adoçar: açúcar ou adoçantes anulam parte dos benefícios esperados.
  • Usar um canudo ou enxaguar a boca depois: ajuda a proteger os dentes.

Variações possíveis

  • Água morna com limão e gengibre
  • Limão com hortelã
  • Limão com cúrcuma (em pequenas quantidades)

Essas combinações podem melhorar o sabor e trazer compostos adicionais, mas não substituem uma alimentação equilibrada.

Qual o impacto a longo prazo desse hábito?

Incorporar água com limão à rotina pode contribuir para hidratação diária e ingestão de vitamina C, mas não substitui hábitos de saúde essenciais.

Combinada a alimentação equilibrada e exercícios, essa prática simples ajuda a criar disciplina matinal e consciência corporal, reforçando que pequenas mudanças consistentes fazem diferença na saúde e no bem-estar. Manter hábitos conscientes, baseados em ciência e moderação, é o caminho para melhorar energia, foco e saúde sem se deixar levar por promessas milagrosas.

Anúncio

O post Beber água com limão em jejum faz bem ou é apenas mito? apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo

Em Alta