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Como Nelson Wilians se Transformou no Maior Empreendedor do Direito no País

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Nelson Wilians superou as dificuldades e a desconfiança da própria família e é inspiração para uma legião de estudantes e empreendedores
Aos 11 anos, em uma casinha de madeira sem eletricidade nem água encanada na zona rural de Jaguapitã, no norte do Paraná, o pequeno Nelson Wilians Fratoni Rodrigues encontrou nos gibis do Demolidor – O Homem Sem Medo emprestados de um amigo a inspiração para sonhar com um futuro melhor.
Quando não estava lutando contra os inimigos, o personagem criado pela Marvel Comics em 1964 era o advogado Matt Murdock e prestava assistência jurídica inclusive para outros super-heróis. O ídolo da infância levou o pequeno Nelson Wilians longe, muito longe.
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Hoje ele é dono do maior escritório de advocacia full service do país em número de advogados, segundo o Anuário Análise Advocacia 2023/2024 (conta com 1.100 advogados), tem mais de 16 mil clientes ativos em todo o Brasil e quase 2 mil colaboradores. O escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) soma 29 filiais, além de representações na América Latina, Ásia e Europa. Em 2023, cresceu 45% em faturamento e, no primeiro trimestre deste ano, teve um desempenho 99,78% maior em relação ao mesmo período do ano passado. O NWADV é também considerado o maior escritório de advocacia empresarial da América Latina.
O próprio Nelson tornou-se inspiração para uma legião de estudantes de direito e empreendedores dos mais variados setores, graças a sua história de superação (que você conhecerá em detalhes a seguir), seu jeito simples e franco e sua facilidade para tratar com atenção e gentileza quem quer que dele se aproxime – seja um chefe de Estado, seja um grande empresário em apuros jurídicos, seja um iniciante cheio de dúvidas, seja algum de seus muitos colaboradores da vida profissional ou pessoal, sejam celebridades ou empresários e executivos de seus muitos círculos de networking. Com trânsito nas mais diversas instituições públicas e privadas do país, ele reforça: “Nosso escritório é apolítico no sentido de política partidária. Nós nos relacionamos com todos democraticamente, respeitamos opiniões divergentes e procuramos ter sempre um bom diálogo com todas as esferas do país”.
Comunicativo desde sempre, ele fez do marketing uma forma intuitiva de revolucionar a forma de promover os serviços advocatícios, historicamente cercados de pompa e mistério. “A advocacia é uma atividade muito tradicional, e acho que fui um pioneiro em unir uma boa advocacia com uma boa comunicação”, analisa. “A gente precisa se adaptar aos novos tempos. Quem quer se manter ativo e relevante não pode negligenciar as possibilidades da era digital”, explica, referindo-se a sua presença frequente nas redes sociais.
Faz parte de seu jeito transparente e cativante contar sua saga desde o início, sem dourar a pílula.
De volta ao começo
Retornando à casinha de madeira em Jaguapitã: naquela época, Nelson ajudava o pai a carpir e ordenhar – e odiava. “Esse foi um dos motivos que me incentivavam a estudar – e era a única desculpa que meu pai aceitava para eu não ir trabalhar na roça.”
O pai representante de vendas e a mãe dona de casa, ambos apenas com o segundo ano do primário, no entanto, não o incentivavam nos estudos. “Até quando prestei vestibular e disse que ia fazer faculdade fora – em Bauru (SP), a 350 quilômetros de Jaguapitã –, meu pai foi contra. Disse que não tinha dinheiro para me bancar.”
Mas, ao contrário de seu personagem favorito, que era cego desde a adolescência, Nelson Wilians enxergava longe. E tinha uma determinação inquebrantável. “Fui morar com um primo mais velho em Jaú, que é perto de Bauru, e comecei a trabalhar como auxiliar de escritório na Santa Casa da cidade durante a semana e como frentista nos fins de semana. À noite, pegava o ônibus para Bauru para estudar”, lembra. Um ano depois, foi morar em uma república em Bauru, uma casa sem forro onde moravam outros quatro estudantes. “Três meses depois, sem emprego, minhas poucas economias acabaram.”
O “Alemão”, como era chamado pelos amigos, estava prestes a ter que voltar para a casa dos pais, derrotado, quando alguém bateu na porta carcomida da república. Era o advogado de uma construtora, indicado por um colega que já era formado em medicina e trabalhava lá como médico do trabalho. Ele aceitou o cargo de auxiliar de escritório na área de licitações. “Um ano depois, a empresa quebrou e mandou todo mundo embora.” Por sorte, um dos sócios o indicou para uma vaga de auxiliar de RH na empresa de sua cunhada. “Aceitei e fiquei lá até me formar.”
A formatura foi outro momento fora do script. “Fui todo animado contar para a família e para os amigos. Mas todo mundo olhava para mim e falava: ‘Isso não quer dizer nada, está cheio de bacharel no Brasil. Quero ver passar no exame da Ordem, que é difícil’.” “Então, eu tirei férias e estudei durante 30 dias o que eu tinha estudado a faculdade inteira. Prestei o exame da Ordem dos Advogados e passei. Agora sim, orgulhoso, voltei para Jaguapitã. Mas de novo me disseram: ‘Está cheio de advogado passando fome. Advocacia já era’. Até meus pais falavam isso.”
Nelson imediatamente voltou para Bauru e foi conversar com o patrão, o “seu” Siegfried, dizendo que agora ele era advogado com OAB e pleiteava um cargo e um salário melhores. Ouviu do patrão que a empresa era pequena e que a filha dele já trabalhava lá como advogada. “Então vou pedir demissão”, desafiou. Siegfried respondeu que, como ele tinha acabado de voltar de férias, sairia sem receber nada. “Eu falei que tudo bem. Mas a verdade é que eu fiquei em uma situação horrorosa.”
Aquele colega médico tinha uma salinha em uma clínica que usava para atender pacientes depois das 16h – antes disso, atuava como médico do trabalho em outras empresas. “Você pode usar das 8h às 16h”, disse ele ao amigo Nelson.
“Lá eu fazia de tudo: criminal, civil, trabalhista… Um dos meus primeiros honorários foi uma linha telefônica, que eu coloquei na clínica. No tempo livre, eu ficava o dia inteiro atrás de clientes – até na igreja que eu frequentava. Em dois ou três meses, o seu Siegfried passou a ser meu primeiro cliente mensalista. E, em um ano, consegui comprar meu primeiro carro, uma Fiat Panorama 1981 (isso em 1995). Eu mal cabia dentro, e ela não tinha freio.”
Logo ele faria sua primeira viagem de avião, de Bauru a São Paulo e de São Paulo para o Rio. “Era uma causa de reconhecimento de paternidade. Eu resolvi o problema para o cliente e, na hora de receber os honorários, pedi para ele me passar um carro ‘de playboy’ que ele tinha, um Kadett GS 1990 vinho, e eu parcelaria o que faltava. Ele topou. E ainda consegui comprar meu primeiro celular, aquele tijolão da Motorola. De Kadett e celular, ninguém me segurava. Aluguei minha própria salinha e montei meu primeiro escritório.”
A visão
“Um dia, eu estava visitando seu Siegfried e ele me contou que tinha recebido uma proposta de um escritório de advocacia de São Paulo para fazer umas ações tributárias, uma recuperação de crédito, algo comum nos anos seguintes à Constituição de 1988. Ele ofereceu para mim, mas eu declinei – ainda não tinha capacidade técnica para executar aquela demanda. Ele contratou o tal escritório de São Paulo.
Passados alguns meses, eu estava de novo na empresa dele quando uma moça do financeiro veio pegar sua assinatura para alguns cheques. ‘É de São Paulo’, ela disse. Enquanto ele assinava, eu dei uma pescoçada e vi o valor: R$ 50 mil. Perguntei: ‘Seu Siegfried, os advogados de São Paulo cobraram R$ 50 mil?’ ‘Não’, ele respondeu. ‘Cobraram R$ 300 mil em seis parcelas.’ E eu cobrando R$ 3 mil por mês. Me senti um imbecil.”
Nelson conta que saiu de lá e foi direto para uma livraria comprar tudo o que pudesse sobre direito constitucional e tributário. “Pedi para minha estagiária ir a São Paulo tirar cópia das ações que eles fizeram para o Siegfried. Eu também fui a São Paulo para fazer especialização no Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (Ibet). Eu já estava relativamente bem, tinha minha BMW, mas aquela diferença de R$ 3 mil
para R$ 300 mil me chocou.” Convocou então dois colegas de faculdade bons naquelas áreas e, em 1999, constituíram empresa, com sede em São Paulo. “Na Avenida Paulista, no Conjunto Nacional, que todo mundo conhece. Pegamos uma salinha de 40 metros quadrados só para ter o endereço, porque a sede de verdade ficava em Bauru.” (Hoje seu principal escritório paulistano ocupa seis andares de 1.280 metros quadrados em um edifício luxuoso no Brooklin.)
Não demorou para os amigos perceberem que a capital era um “mercado sem fim”. Em 2001, Nelson mudou-se em definitivo para São Paulo. Em 2004, iniciou a expansão do escritório para Rio de Janeiro, Paraná e Ceará. Em 2008, ele teve acesso a uma licitação do Banco do Brasil. Era a maior terceirização de serviços jurídicos do país: eles queriam dois escritórios por estado, em todas as áreas. “Mas eu não podia participar porque não tinha atestado de capacidade técnica de outras áreas. O edital era um calhamaço ‘deste tamanho’. E, lendo aquilo, percebi que era um verdadeiro manual de como deveria ser um escritório full service.”
Em cinco anos, o Banco do Brasil abriria outra licitação. Nelson Wilians estava determinado: teria filial em todos os estados e todos os atestados necessários. A motivação: honorários de R$ 967 milhões. Seu escritório participou – e pegou 70% do bolo, uma fatia inédita até então. “Nessa hora, o mercado me percebeu.” Foram dois anos de briga com os derrotados, que, inconformados, entravam com liminares
tentando suspender a licitação. Em 2015, o contrato foi assinado. “Até então, me chamavam de louco. A partir daí, passei a ser o Nelson corajoso.”
Nesse momento, a entrevista precisou ser interrompida para que Nelson comparecesse a um evento no hotel Jequitimar, no Guarujá. “Continuamos a conversa lá embaixo”, disse ele à equipe da Forbes. E embarcamos todos em seu helicóptero Agusta AW169 de 10 lugares. Em poucos minutos, cruzávamos a Serra do Mar e pousávamos no belo cenário praiano. Acomodados em uma ampla sala do hotel, retomamos a prosa. “Depois que você virou o Nelson corajoso, o que mudou?”, pergunto. “Nós consolidamos nossa estrutura não só no Brasil, mas também no exterior por meio de alianças com escritórios em todos os continentes, o que possibilita o atendimento daqueles clientes que querem expandir suas atividades e daqueles que querem vir para o Brasil. Hoje praticamente todas as grandes instituições bancárias e grandes varejistas são clientes da Nelson Wilians Advogados.”

Nelson Wilians e seu “uniforme”: terno azul e gravata amarela para homenagear o primeiro traje de trabalho, emprestado do avô.
Ele é requisitado por empresas, escolas e entidades para compartilhar seus insights, sempre com a simplicidade e o bom humor que exala no trato pessoal e nas redes sociais. “Gosto de inspirar as pessoas. E eu sinto um carinho muito grande por parte das pessoas mais jovens.”
Essa admiração vem de seu talento em se comunicar com as novas gerações. No Instagram, até seu motorista Giba virou celebridade – sem falar do personagem que a cartunista Laerte criou para ele.
A família
Nelson está no segundo casamento – com Anne Wilians, que é sócia na Nelson Wilians Advogados e fundadora do Instituto Nelson Wilians. Eles têm quatro filhos, o mais velho com 5 anos; do primeiro casamento, são três filhas, a mais velha com 25 anos. “Minha agenda é muito complexa, mas, durante a semana, levo meus filhos todos os dias na escola.”
Ao lado de seu maior prazer, que é viajar com a família (“Este mês vamos aos parques de Orlando”), ele coleciona obras de arte e objetos raros, como uma gravura de Picasso e um saxofone de John Coltrane. Se na infância ele dividia o quarto com os pais e a irmã caçula, hoje vive em uma casa com 16 quartos em um bairro nobre de São Paulo, mantida por 20 funcionários e protegida por um exército de seguranças – precaução que teve origem em um episódio ocorrido em Jaguapitã, em 2001. “Minha mãe tinha operado o coração e eu fui visitá-la. Três assaltantes invadiram a casa dos meus pais e levaram minha BMW, meu relógio e minha pasta. O carro eu até recuperei mais tarde, mas, desse dia em diante, eu falei que nunca mais seria pego desprevenido.”
O futuro
Sobre o que será de sua profissão, que alguns futuristas julgam em risco de extinção com a chegada da inteligência artificial generativa, ele volta a falar em adaptação: “Quando eu me formei, já falavam que a profissão não tinha futuro, lembra? Agora a inteligência artificial é uma realidade, já está entre nós. Como eu digo, não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive, é quem melhor se adapta. Eu descobri há pouco tempo o ChatGPT e estou encantado, é uma mão na roda. Nas minhas palestras, costumo dizer que comecei na era analógica, mas que, sem dúvida nenhuma, é muito mais fácil trabalhar na era digital. Temos mais de 400 mil processos ativos, sem tecnologia seria impossível administrar tudo isso. Se eu começasse hoje, ia nadar de braçada”.
O braço do bem
Desde 2017, a NWADV promove a democratização de oportunidades e a redução das desigualdades sociais por meio do Instituto Nelson Wilians (INW), instituição social sem fins lucrativos destinada ao amparo das parcelas menos protegidas da sociedade, nos campos educacional e legal. Fundado e liderado pela doutora Anne Wilians, o INW desenvolve projetos que já impactaram mais de 70 mil pessoas diretamente e beneficiaram 239 organizações sociais com o trabalho pro bono realizado pelo NWADV por meio do instituto. Em nome dessas iniciativas, o casal promove encontros com personalidades em sua própria casa, onde debatem políticas de inclusão social e econômica.
Terço de férias
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou no dia 12 de junho que a tributação sobre o terço de férias pago aos trabalhadores só pode ser feita a partir da publicação da ata do julgamento sobre o tema, ou seja, setembro de 2020. Isso impede o governo de cobrar as contribuições retroativas antes dessa data.
No entanto, as contribuições já pagas, mas não impugnadas, não serão devolvidas. A Associação Brasileira de Advocacia Tributária (Abat) estima que cerca de R$ 100 bilhões estão em disputa entre o governo e as empresas devido à decisão. Nelson Wilians criou a tese de não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço de férias em 2006. A vitória judicial é um marco para os mais de 10 mil clientes pessoas jurídicas da NWADV, como Grupo Abril, Pão de Açúcar e TAM. A decisão tem repercussão geral, ou seja, deve ser adotada por todas as instâncias da Justiça que tratam do tema.
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Loucura, não. Coragem!
Em parceria com Hiram Baroli, professor de marketing na FGV, Nelson Wilians lançou o livro Loucura, Não. Coragem! (Editora Gente). A obra mistura experiências pessoais e conhecimento acadêmico ao abordar a maneira como jovens profissionais devem encarar a comunicação e o marketing em seus negócios. Nelson conta como usou essas ferramentas de forma intuitiva para se destacar em um ambiente tão diferente da realidade de sua família. Já o professor Baroli faz uma abordagem conceitual e didática sobre as principais mídias sociais, dando orientações para os jovens navegarem no mundo tecnológico e potencializarem suas carreiras.
Reportagem publicada na edição 120 da revista, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store e também no site da Forbes Brasil.
Escolhas do editor
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Bancos Globais Adotam Home Office no Oriente Médio em Meio À Escalada de Tensões
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Profissionais do JPMorgan e do Citigroup no Oriente Médio foram orientados a trabalhar em casa à medida que as tensões aumentam em meio à guerra aérea entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, disseram duas fontes com conhecimento do assunto à Reuters nesta segunda-feira (2).
Ambos os bancos norte-americanos não esperam interrupções em suas operações na região, afirmaram as fontes, que pediram para não ser identificadas por se tratar de informações confidenciais. “Continuamos a adotar medidas para ajudar a manter nossos funcionários e suas famílias seguros”, disse o Citigroup em comunicado, acrescentando que possui planos de contingência para continuar atendendo os clientes.
As tensões no Oriente Médio aumentaram depois que ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocaram o lançamento de mísseis de retaliação por Teerã, direcionados a países do Golfo e outros aliados de Washington na região.
A Arábia Saudita fechou sua maior refinaria após ataques com drones causarem um incêndio, enquanto fortes explosões foram ouvidas em Dubai e Samha, nos Emirados Árabes Unidos, e também em Doha, capital do Catar.
Problemas localizados de energia afetaram a Amazon Web Services nos Emirados Árabes Unidos e no vizinho Bahrein após “objetos” não identificados atingirem um data center da Amazon, provocando um incêndio.
Atividade nos mercados de capitais em risco
As hostilidades levaram a uma ampla interrupção das viagens aéreas, já que grandes áreas do espaço aéreo em importantes centros do Oriente Médio permanecem fechadas, fazendo com que ações de empresas de viagens em todo o mundo caíssem.
O conflito ameaça interromper captações planejadas nos mercados de capitais e negócios transfronteiriços na região, à medida que negociadores e banqueiros reduzem viagens por preocupações com segurança e interrupções nos negócios, disseram fontes do setor.
O Standard Chartered, o Sumitomo Mitsui Financial Group, do Japão, e o Mitsubishi UFJ Financial Group pediram a seus funcionários que adiem viagens ao Oriente Médio.
O banco japonês Mizuho, que possui escritórios em Dubai e Riad, disse à Reuters que uma evacuação voluntária para seus funcionários é possível.
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100 Horas Diante das Telas? 3 Ações para Proteger Sua Saúde no Trabalho
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Profissionais que trabalham em escritório acumulam 99,2 horas de tempo de tela por semana, acima das 97 horas registradas no ano passado. Mas mesmo os que não trabalham em frente ao computador relatam quase o mesmo volume (87,6 horas por semana).
A maioria dos profissionais afirma sentir desconforto visual relacionado às telas. Entre os sintomas, olhos cansados ou doloridos, visão embaçada ou dupla e dificuldade para manter o foco após uso prolongado.
Esses dados aparecem no terceiro relatório anual Workplace Vision Health Report, uma pesquisa da empresa americana de seguro oftalmológico VSP Vision Care em parceria com a Workplace Intelligence, realizada com 800 líderes de recursos humanos e 1.200 funcionários nos Estados Unidos.
Embora o estudo foque especificamente na saúde dos olhos, o ambiente de trabalho hiperconectado de hoje também favorece lesões por esforço repetitivo, excesso de tempo sentado e a prática de não tirar férias. Cabe a você garantir que seu trabalho não esteja prejudicando sua saúde, física e mental.
Como evitar que o trabalho afete sua saúde
1. Mantenha atenção contínua e regular à sua saúde
Você sabe quanto tempo passa em frente às telas? Essa pesquisa sobre visão é um alerta específico para a saúde ocular, mas também é importante prestar atenção constante à sua saúde como um todo. Como?
Mantenha um diário de saúde
Reserve alguns minutos ao fim do dia (ou várias vezes ao dia, se possível) para registrar como está se sentindo. Avalie seu nível de energia. Identifique se há partes do corpo com dor. Observe se sua saúde mental está em baixa. Por exemplo, se tem sentido ansiedade, frustração ou sensação de sobrecarga.
Ao manter esse registro, você faz check-ins regulares consigo mesmo e pode perceber padrões de comportamento que ajudam (como se alimentar bem) ou hábitos que precisam ser mudados (como dormir pouco).
Agende check-ups de saúde para o ano
Seu diário funciona como uma lista contínua de pontos para discutir com seu médico de rotina e pode indicar se algum problema específico deve se tornar prioridade. Enquanto isso, agende consultas preventivas — como exame físico anual e limpezas dentárias. Assim, você já deixa tudo marcado e só precisa se lembrar na data programada. Você pode até criar agora um lembrete para o próximo ano, quando fará a nova rodada de agendamentos.
Programe suas férias para o ano
Além das consultas médicas, agende também seus dias de folga remunerada. Isso ajuda tanto você quanto a empresa a se planejarem com antecedência. Saber que você terá um tempo de descanso pela frente também traz motivação — especialmente se der um passo além e planejar viagens ou atividades específicas para esse período.
2. Peça ajuda à sua empresa
Algumas melhorias de saúde, como ampliar benefícios ou mudar rotinas de trabalho, exigem apoio da empresa.
Defina o que pedir
Você precisa de mais controle sobre sua agenda para poder fazer pausas quando necessário? Há benefícios específicos que a empresa não oferece? Algum tipo de treinamento (como yoga na cadeira ou exercícios para os olhos) seria útil? Não faça apenas uma lista genérica de sugestões. Pense no que é mais importante para você, avalie o que a empresa já oferece e planeje seu pedido como se fosse uma negociação.
Comece por você e sua equipe
Sugira reuniões ao ar livre (quando o clima permitir) ou reuniões caminhando, para incluir alguma atividade física. Implemente dias sem reuniões ou proponha encontros presenciais ou mesmo por telefone, sem vídeo, para reduzir o tempo de tela. Use alarmes para incluir pausas regulares: descansar os olhos, beber água ou até conversar rapidamente com colegas.
Construa o argumento financeiro para a liderança
De acordo com o Workplace Vision Health Report, um em cada quatro funcionários relata ter se afastado do trabalho devido a desconfortos associados ao uso prolongado de telas, o que representa, em média, 4,5 dias de ausência por ano.
Perder quase uma semana por colaborador é um dado concreto que você pode apresentar ao seu gestor, ao RH e à liderança sênior. Se sua jornada de bem-estar identificar outros problemas de saúde que a empresa possa enfrentar, essa perda de produtividade pode ser ainda maior.
3. Otimize seu tempo pessoal
Além de melhorar sua rotina profissional, organize seu tempo pessoal de forma estratégica para proteger sua saúde.
Escolha hobbies analógicos
Leia livros físicos ou ouça audiolivros, em vez de usar um leitor digital. Prefira um jantar colaborativo ou uma noite de jogos a uma maratona de séries. Escolha atividades que não exijam telas — como montar quebra-cabeças, dançar ou pintar. Como bônus, ter hobbies interessantes rende ótimos assuntos para entrevistas de emprego e encontros de networking.
Inclua atividade física no lazer
Assim como reuniões podem acontecer ao ar livre, encontre amigos em um parque ou museu. Dê voltas extras no mercado ou no estacionamento quando estiver resolvendo tarefas do dia a dia. Escolha um “guilty pleasure” (como rolar o feed infinitamente nas redes sociais) e permita-se fazê-lo apenas em pé — pelo menos você reduz o tempo sentado.
Agende uma meta divertida e desafiadora
Assim como programar suas férias com antecedência, planejar parte do seu tempo pessoal pode beneficiar sua saúde e ainda criar expectativa positiva. Uma corrida de 5 km no bairro (caminhando, correndo ou até em grupo) pode envolver atividade física, oportunidade de networking e contato com o ar livre.
Trabalhar como voluntário em algum projeto é outra atividade com benefícios sociais e emocionais. Escolha algo que já desperte seu interesse e marque a data, para não cair na rotina de apenas ficar em casa — ou pior, continuar trabalhando de casa.
*Caroline Ceniza-Levine é colaboradora da Forbes USA. Ela é consultora executiva, palestrante e escreve sobre tendências no mercado de trabalho.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com
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Volkswagen Anuncia Nova VP de Recursos Humanos
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Volkswagen anunciou Angie Stelzer, atual diretora de recursos humanos do grupo na Argentina, como a nova vice-presidente de RH da marca no Brasil e América do Sul.
A partir de março, a executiva passa a se reportar diretamente a Ciro Possobom, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, e a Alexander Seitz, chairman executivo da marca na América do Sul.
Angie sucede Douglas Pereira, que deixa o cargo após quatro anos para assumir como chefe de pessoas, cultura e organização da Lamborghini, na Itália.
Na Volkswagen desde 1999, a executiva construiu carreira nas áreas jurídica, corporativa e de relações governamentais. Em 2015, assumiu a diretoria de assuntos corporativos, jurídicos e públicos da Volkswagen Argentina, liderando também imprensa, relações públicas e comunicação interna. Desde 2023, passou a gerir a área de recursos humanos.
Com 30 anos de carreira, iniciou sua trajetória como advogada no Estudio Jurídico Limonta antes de ingressar no grupo. É formada em direito e administração de empresas pela Pontificia Universidad Católica Argentina.
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