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Saúde

Por que alguns tipos de câncer estão aumentando entre adultos mais jovens

Redação Informe 360

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Alguns tipos de câncer, tradicionalmente mais associados a pessoas mais velhas, estão sendo diagnosticados com maior frequência em adultos jovens em diferentes países. O fenômeno aparece com mais clareza em tumores como colorretal e mama, mas não significa que todos os cânceres estejam aumentando nessa população.

A explicação também não parece estar em um único fator. Pesquisadores investigam uma combinação de predisposição individual, condições metabólicas, hábitos, exposições ambientais e fatores que podem atuar desde fases anteriores da vida.

Na literatura científica, “câncer de início precoce” costuma designar tumores diagnosticados antes dos 50 anos, embora os estudos usem diferentes subdivisões de idade. Uma das análises mais abrangentes sobre o tema foi publicada em 2025 por pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), que analisaram 33 tipos de câncer.

O estudo encontrou aumento da incidência de 14 deles em pelo menos uma das faixas etárias abaixo dos 50 anos entre 2010 e 2019. Ao mesmo tempo, 19 tipos apresentaram queda entre os mais jovens. Considerando todos os cânceres em conjunto, a taxa de incidência não aumentou entre pessoas abaixo dos 50 anos. A mortalidade por todos os cânceres também não apresentou crescimento entre as faixas etárias jovens analisadas.

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Os maiores aumentos absolutos de casos de início precoce nos Estados Unidos foram registrados para câncer de mama feminino, colorretal, rim e útero. Em 2019, os pesquisadores estimaram cerca de 4.834 casos adicionais de câncer de mama, 2.099 de colorretal, 1.793 de rim e 1.209 de útero em comparação com o número esperado caso as taxas de 2010 tivessem permanecido estáveis.

O estudo também encontrou aumento de melanoma, câncer do colo do útero, estômago, mieloma e tumores de ossos e articulações em pelo menos uma faixa etária jovem. Nove dos 14 tipos que aumentaram entre pessoas mais jovens também apresentaram crescimento em pelo menos um grupo etário mais velho.

Outros cinco — melanoma, câncer do colo do útero, estômago, mieloma e câncer de ossos e articulações — tiveram aumento em alguma faixa jovem, mas não entre os grupos mais velhos analisados. Segundo os pesquisadores do NCI, as causas provavelmente são específicas de cada tipo de câncer e podem envolver fatores de risco que se tornaram mais comuns em idades mais jovens, mudanças no rastreamento ou na detecção e alterações na classificação ou no diagnóstico.

Ilustração de células cancerosas humanas
A incidência de alguns tipos de câncer, como colorretal e mama, aumentou em determinadas faixas etárias mais jovens, mas o fenômeno não ocorre com todos os tumores – Imagem: Anusorn Nakdee/Shutterstock

Colorretal é um dos casos mais bem documentados

Entre os tumores que chamam atenção, o câncer colorretal é provavelmente o exemplo mais consistente de aumento em adultos jovens. Uma análise publicada no The Lancet Oncology avaliou dados de 50 países e territórios e encontrou aumento da incidência entre pessoas de 25 a 49 anos em 27 deles.

Em 20 desses locais, o crescimento entre os jovens foi exclusivo dessa faixa etária ou aconteceu em ritmo mais rápido do que entre os adultos mais velhos. Em 23 dos 50 países e territórios, a tendência recente ficou estável.

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“O câncer colorretal é provavelmente um dos exemplos mais bem documentados desse aumento de câncer entre adultos jovens”, afirma Maria Ignez Braghiroli, oncologista especializada em câncer colorretal da Oncologia D’Or de São Paulo.

Historicamente, segundo a médica, a doença é muito mais frequente depois dos 50 anos. Ainda assim, ela chama atenção para uma mudança na curva entre os mais jovens: “O risco absoluto continua sendo maior em pessoas mais velhas, e o número total de casos também é maior nessa população. O que chama a atenção nos jovens é a mudança da curva e a velocidade do crescimento.”

O padrão de diferentes gerações também chamou a atenção dos pesquisadores. Um estudo publicado no JNCI Cancer Spectrum, com dados de 35 países, encontrou evidências de efeito de coorte de nascimento em várias populações. Quando pessoas nascidas em décadas diferentes apresentam riscos diferentes ao chegar à mesma idade, pesquisadores podem investigar se alguma característica da experiência dessas gerações — como alimentação, condições metabólicas ou exposições ambientais — influenciou o risco ao longo da vida.

O efeito de coorte, por si só, não identifica qual exposição seria responsável. Ele indica que as diferenças entre gerações podem estar relacionadas a algo que mudou ao longo da vida dessas populações.

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Fatores conhecidos explicam apenas parte

Entre os fatores associados ao câncer colorretal estão histórico familiar e síndromes hereditárias, além de obesidade, alterações metabólicas, consumo de álcool e determinados padrões alimentares. Estudos também apontam relações com sedentarismo e outras características do estilo de vida.

A obesidade é uma das associações investigadas. Em um estudo com mais de 85 mil mulheres, aquelas com obesidade apresentaram quase o dobro do risco de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos em comparação com mulheres de peso considerado adequado. O estudo identificou uma associação entre o excesso de peso e o risco, mas não permite concluir que a obesidade seja, sozinha, responsável pelo aumento populacional do câncer colorretal precoce.

A alimentação também aparece nas pesquisas. Maria Ignez Braghiroli cita estudos que relacionam dietas com pouca fibra e maior participação de alimentos altamente processados, carnes processadas e bebidas açucaradas ao risco de câncer colorretal. Ela também menciona pesquisas que encontraram associação entre o consumo de bebidas adoçadas durante a adolescência e maior risco posterior da doença.

Mas a médica ressalta que não é possível transformar esses fatores em uma explicação única. “Esses fatores explicam apenas parte do fenômeno”, afirma.

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Segundo ela, pacientes jovens, fisicamente ativos, sem obesidade, histórico familiar ou síndrome genética conhecida também desenvolvem a doença. “Portanto, provavelmente estamos diante de uma combinação de exposições.”

Entre as possibilidades investigadas estão metabolismo, microbioma intestinal, uso de determinados medicamentos, exposições ambientais e fatores que podem começar a atuar muito cedo na vida.

O risco pode começar a ser construído muito antes do diagnóstico

Uma das hipóteses que ganhou força é a de que algumas exposições relevantes para o desenvolvimento do câncer aconteçam durante a infância ou adolescência, muito antes de aparecerem os primeiros sintomas.

No câncer colorretal, estudos associaram excesso de peso no fim da adolescência ou início da vida adulta a maior risco posterior. Também foram encontradas associações entre maior consumo de bebidas açucaradas durante a adolescência e câncer colorretal antes dos 50 anos.

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Esses resultados não provam, isoladamente, que uma exposição específica seja responsável pelo aumento dos casos. Eles ajudam, porém, a indicar períodos da vida que podem ser importantes para a formação do risco.

O microbioma intestinal é uma das frentes mais recentes dessa pesquisa. Algumas cepas de Escherichia coli presentes no intestino produzem colibactina, uma substância capaz de provocar danos no DNA.

Em um estudo publicado em 2025 na Nature, pesquisadores analisaram 981 genomas de tumores colorretais de 11 países, incluindo o Brasil. As assinaturas mutacionais associadas à colibactina foram 3,3 vezes mais comuns em tumores diagnosticados antes dos 40 anos do que naqueles diagnosticados depois dos 70.

O resultado é uma pista particularmente interessante porque não se limita a uma associação estatística entre um comportamento e o câncer. Os pesquisadores encontraram no genoma dos tumores uma assinatura compatível com um processo mutagênico específico.

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O trabalho sugere que exposições a bactérias produtoras de colibactina no início da vida podem contribuir para a incidência de câncer colorretal de início precoce, mas não demonstra que essa exposição seja, sozinha, responsável pelo crescimento dos casos.

Há uma distinção importante: o estudo analisou tumores de pessoas que já desenvolveram câncer e identificou marcas compatíveis com determinados processos mutagênicos. Ele não acompanhou indivíduos desde a infância para demonstrar quando ocorreu a exposição às bactérias produtoras de colibactina.

Por isso, a hipótese de uma exposição precoce é apoiada por evidências moleculares, mas ainda não constitui uma explicação completa para a tendência epidemiológica. Para Braghiroli, essa possibilidade abre uma questão ainda em investigação:

Uma das grandes perguntas atuais é justamente se o câncer que diagnosticamos aos 35 ou 40 anos começou biologicamente muito antes do que imaginávamos.

Maria Ignez Braghiroli, oncologista especializada em câncer colorretal

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A pesquisa ainda precisa determinar quais exposições poderiam produzir esse tipo de alteração, em que momento da vida elas seriam mais importantes e como diferentes fatores podem atuar em conjunto.

Mama mostra que o fenômeno não se limita ao intestino

O câncer de mama feminino é outro tumor que aparece entre aqueles com aumento de incidência em determinadas faixas etárias jovens. No estudo do NCI, foi o câncer que apresentou o maior aumento absoluto estimado entre os casos de início precoce nos Estados Unidos, com cerca de 4.834 casos adicionais em 2019 em comparação com o número esperado com base nas taxas de 2010.

Há também evidências brasileiras. Um estudo publicado em 2026 na Revista Brasileira de Cancerologia analisou a incidência de câncer entre pessoas de 20 a 39 anos em duas regiões do estado de São Paulo: o município de São Paulo e a região de Barretos. A pesquisa avaliou dados de incidência de 2002 a 2018 e de mortalidade de 2000 a 2020.

Os resultados foram diferentes entre as duas localidades. Em Barretos, houve aumento significativo da incidência de câncer de mama entre mulheres de 20 a 39 anos, com variação percentual anual de 5,91%, e de câncer do colo do útero, de 8,96%.

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Entre homens, a incidência de câncer colorretal aumentou 5,75% ao ano. Em São Paulo, a incidência de câncer de mama aumentou 0,5% ao ano, enquanto o colorretal permaneceu estável entre homens e mulheres.

Os dados mostram por que não é possível afirmar que exista um aumento generalizado de câncer entre adultos jovens em todo o Brasil. O estudo foi realizado em duas localidades específicas e encontrou comportamentos diferentes entre elas. Os resultados apontam tendências para alguns tumores que merecem investigação, mas não podem ser extrapolados diretamente para o país inteiro.

No caso do câncer de mama, uma explicação baseada apenas no aumento do rastreamento também tem limitações.

“A gente já tem vários dados mostrando o aumento da incidência nas mulheres jovens”, afirma Laura Testa, médica especializada em câncer de mama da Oncologia D’Or de São Paulo. Segundo ela, estudos de diferentes centros brasileiros identificaram aumento tanto entre mulheres de 40 a 50 anos quanto entre aquelas com menos de 40.

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A faixa abaixo dos 40 anos não é alvo do rastreamento mamográfico populacional. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda rastreamento mamográfico a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres de 40 a 49 anos podem realizar o exame por demanda, após orientação sobre benefícios e riscos, mas essa faixa não faz parte do programa de rastreamento populacional sistemático.

Por isso, a ampliação do acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos, por si só, não parece suficiente para explicar tendências anteriores ou o aumento observado entre mulheres abaixo dos 40 anos.

Fatores de risco conhecidos não fecham a conta

O câncer de mama tem fatores de risco conhecidos, entre eles características reprodutivas, obesidade, sedentarismo e consumo de álcool. Mas a força dessas associações varia conforme a idade.

Testa explica que obesidade e sedentarismo são fatores de risco bem estabelecidos para câncer de mama, especialmente após a menopausa. Para as pacientes mais jovens, porém, não existe a mesma clareza sobre quanto esses fatores contribuem especificamente para o aumento observado nessa faixa etária. Já o álcool apresenta uma associação mais consistente.

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O consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama em todas as idades, quanto maior o consumo, maior o risco.

Laura Testa, médica especializada em câncer de mama

Outra possibilidade investigada é a exposição, desde a infância, a diferentes substâncias potencialmente carcinogênicas. Testa cita agrotóxicos e plásticos, mas faz uma ressalva importante sobre o nível de evidência: “A gente entende que isso é potencialmente nocivo, mas a gente não tem uma comprovação científica que eles estão atrelados a esse aumento.”

A especialista também destaca que a proporção de mulheres jovens com alterações hereditárias é maior, mas que mesmo nesse grupo a maioria dos casos não apresenta uma alteração genética que explique o diagnóstico.

A genética aumenta o risco de alguns indivíduos, mas não explica o aumento populacional

Quando um câncer aparece muito cedo, a possibilidade de predisposição hereditária passa a receber mais atenção. Idade jovem ao diagnóstico é um dos sinais que podem levar à investigação genética, assim como múltiplos tumores na mesma pessoa, repetição de determinados tipos de câncer entre familiares e algumas combinações específicas de tumores na família.

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moléculas de DNA
Alterações genéticas podem influenciar o risco de desenvolver determinados tipos de câncer, mas a predisposição hereditária não explica sozinha o aumento de alguns tumores entre adultos mais jovens – Imagem: Connect world /Shutterstock

Rodrigo Guindalini, coordenador da Oncogenética da Oncologia D’Or e do relacionamento médico da Patologia Molecular da Rede D’Or, explica que a proporção de casos hereditários é maior entre pacientes jovens.

No câncer de mama, por exemplo, ele estima que a chance de um caso ser hereditário seja de cerca de 10% quando o diagnóstico ocorre por volta dos 55 anos. Quando a paciente tem 30 ou 35 anos, essa proporção sobe para aproximadamente 25%.

Isso significa que os casos hereditários ficam proporcionalmente mais concentrados entre pacientes jovens, e não que estejam aumentando na população.

Isso não quer dizer que os casos de cânceres hereditários estão aumentando. Isso é um erro que a gente não pode cometer na informação da população.

Rodrigo Guindalini, especialista em Oncogenética e Oncologia Clínica

Entre as síndromes hereditárias relevantes estão a síndrome de câncer de mama e ovário associada a alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, a síndrome de Lynch e a síndrome de Li-Fraumeni, ligada ao gene TP53.

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Guindalini também ressalta que fatores hereditários não conseguem, sozinhos, explicar o aumento populacional observado. “A causa de predisposição genética não consegue justificar isoladamente o aumento de risco significativo de casos em adultos jovens.”

No câncer colorretal, a literatura mostra que síndromes hereditárias e histórico familiar são importantes fatores de risco para casos de início precoce, mas a maioria desses tumores é considerada esporádica, sem uma predisposição hereditária conhecida capaz de explicar o diagnóstico.

O próprio tumor pode revelar pistas

A genética também entra na história de outra maneira. Cada tumor acumula alterações no DNA ao longo de seu desenvolvimento, e estudos genômicos indicam que alguns cânceres diagnosticados em pessoas jovens podem apresentar características moleculares diferentes daqueles encontrados em pacientes mais velhos.

Segundo Rodrigo Guindalini, pacientes jovens podem apresentar menor carga mutacional tumoral global e diferenças na frequência das chamadas mutações driver, alterações que ajudam a conduzir o desenvolvimento do câncer.

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Em sua avaliação, essas diferenças indicam que tumores do mesmo tipo podem apresentar características biológicas distintas conforme a idade do paciente.

“Parece que sim. Há uma diferença genômica entre esses tumores, e isso vem sendo cada vez mais identificado nos estudos de coortes de jovens e idosos.”

Isso não significa que exista uma característica molecular única de todos os cânceres de início precoce. As diferenças dependem do tipo de tumor. Mas elas podem ajudar pesquisadores a investigar por que determinadas doenças surgem antes do esperado e quais processos biológicos estão envolvidos.

No câncer colorretal, por exemplo, o estudo publicado na Nature encontrou diferentes padrões de mutação conforme idade e localização geográfica. Algumas assinaturas ainda têm causa desconhecida, enquanto as associadas à colibactina foram mais frequentes em tumores de pacientes jovens.

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Incidência maior não significa necessariamente mais câncer em geral

Há ainda uma distinção importante entre aumento da incidência de determinados tumores e aumento da ocorrência de câncer de maneira geral.

O estudo do NCI encontrou crescimento de 14 tipos de câncer em pelo menos uma faixa etária abaixo dos 50 anos, mas queda em 19 outros. No conjunto, a incidência de todos os cânceres não aumentou entre os mais jovens. A mortalidade por todos os cânceres também não apresentou crescimento significativo nas faixas jovens analisadas.

Para alguns tumores, porém, a situação é diferente. Os pesquisadores observaram aumento da mortalidade por câncer colorretal e uterino em determinadas faixas etárias jovens. No caso do colorretal, isso acrescenta uma preocupação que não pode ser explicada simplesmente por mais diagnósticos.

Ainda assim, mudanças na detecção podem contribuir para algumas tendências. O NCI cita alterações nas recomendações de rastreamento, avanços em exames, maior vigilância de pessoas de alto risco e mudanças na classificação ou no diagnóstico como possíveis fatores que precisam ser considerados para cada tumor.

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A questão, portanto, não é escolher entre “há mais câncer” e “estamos apenas diagnosticando mais”. Dependendo do tumor e da faixa etária, as duas coisas podem contribuir em proporções diferentes.

Afinal, por que alguns cânceres estão aparecendo mais cedo?

As evidências disponíveis apontam para uma explicação multifatorial, mas com diferenças importantes entre os tipos de câncer.

No colorretal, existe uma tendência internacional bem documentada de aumento entre adultos jovens. Obesidade, alterações metabólicas, álcool, alimentação e sedentarismo estão associados ao risco, mas não explicam todos os casos. O efeito de coorte sugere que mudanças nas exposições ao longo da vida podem ter participação, enquanto estudos genômicos sobre colibactina oferecem uma pista molecular sobre como exposições a bactérias produtoras dessa substância podem deixar marcas no DNA de tumores diagnosticados décadas depois.

No câncer de mama, há evidências de aumento entre mulheres jovens em diferentes populações e também sinais no Brasil, mas os fatores de risco conhecidos não explicam claramente a mudança observada nessa faixa etária. Álcool, características reprodutivas, fatores metabólicos e predisposição genética influenciam o risco individual, enquanto o papel de determinadas exposições ambientais ao longo da vida ainda está sendo estudado.

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A genética ajuda a explicar uma parte dos casos, principalmente quando existe uma síndrome hereditária, mas não explica o aumento populacional. Mudanças na detecção também podem influenciar as estatísticas, embora não pareçam suficientes para explicar todas as tendências observadas, especialmente quando o aumento aparece em populações fora das faixas tradicionais de rastreamento ou quando a mortalidade também cresce.

A resposta mais consistente disponível hoje, portanto, não aponta para uma causa única. Alguns fatores que aumentam o risco de câncer já são conhecidos, mas eles não explicam sozinhos por que determinados tumores passaram a aparecer com maior frequência em pessoas mais jovens.

As evidências mais recentes apontam para uma combinação de predisposição individual e exposições acumuladas ao longo da vida, incluindo fatores metabólicos, comportamentais e ambientais. O peso de cada elemento parece variar conforme o tipo de câncer, e identificar essa combinação é uma das principais questões ainda abertas na pesquisa sobre câncer de início precoce.

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Saúde

EUA: Nova York declara estado de emergência por surto de sarampo

Redação Informe 360

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O Estado de Nova York, nos Estados Unidos, declarou situação de emergência por desastre nesta segunda-feira (5) diante do avanço de um surto de sarampo.

A medida, anunciada pela governadora Kathy Hochul, amplia a resposta das autoridades de saúde em comunidades rurais e permite a participação de mais profissionais na vacinação e no diagnóstico da doença.

A decisão ocorre após Nova York registrar 108 casos de sarampo em 2026 até 3 de outubro. Desse total, sete foram identificados na cidade de Nova York e 101 em outras regiões do Estado.

O número ganhou força principalmente nos últimos meses: 92 casos foram registrados desde 15 de julho, distribuídos por 18 condados com baixa cobertura vacinal. Mais de mil doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR), já foram aplicadas em áreas rurais desde então.

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O que muda com a emergência

  • A ordem executiva assinada por Hochul amplia o grupo de profissionais autorizados a atuar na resposta ao surto;
  • Entre as medidas está a autorização para que enfermeiros registrados solicitem exames de casos suspeitos de sarampo. Farmacêuticos também poderão vacinar crianças a partir dos dois anos de idade;
  • A determinação ainda exige que todas as aplicações da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola sejam registradas nos sistemas de imunização do Estado ou da cidade de Nova York em até 72 horas;
  • A exigência de registro não elimina, porém, a necessidade de consentimento para a vacinação: a aplicação da vacina continua dependendo da autorização do paciente ou de um responsável legal;
  • A situação de emergência entrou em vigor na segunda-feira e permanecerá válida até 4 de novembro. Segundo Hochul, a medida busca fortalecer os esforços para conter a doença.

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criança vacina agÊncia brasil
Única saída contra o sarampo é a vacina tríplice viral – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Surto também avança na Pensilvânia

O cenário em Nova York é agravado pela situação do estado vizinho da Pensilvânia, que enfrenta surto ainda maior.

Até 2 de outubro, a Pensilvânia contabilizava 977 casos e cinco mortes, principalmente em condados rurais próximos à fronteira com Nova York. Na segunda-feira, autoridades de saúde informaram que o número já havia ultrapassado mil casos.

Com isso, a Pensilvânia passou a registrar o maior surto estadual de sarampo nos Estados Unidos em mais de três décadas.

O avanço da doença não está restrito aos dois estados. Os Estados Unidos registraram quase 3,9 mil casos de sarampo em 2026, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), fazendo deste o pior ano para a doença no país desde 1991.

Por que o sarampo preocupa?

O sarampo é uma doença respiratória altamente contagiosa. Dados do Departamento de Saúde de Nova York indicam que o vírus pode ser transmitido pelo ar por meio de tosse ou espirro e que pessoas infectadas podem transmitir a doença antes mesmo do surgimento das manchas características.

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Os sintomas costumam começar com febre alta, tosse, coriza e olhos vermelhos e lacrimejantes. Alguns dias depois, surge uma erupção cutânea que normalmente começa no rosto e se espalha pelo corpo.

A doença também pode provocar complicações graves, incluindo pneumonia, hospitalização, inflamação do cérebro e morte. A principal forma de prevenção é a vacinação com a tríplice viral.

O Departamento de Saúde de Nova York havia lançado em setembro um painel específico para acompanhar os casos de sarampo no Estado, após identificar aumento das infecções em diferentes regiões rurais. Na ocasião, eram 57 casos confirmados no Estado até 12 de setembro; o total chegou a 108 até 3 de outubro.

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Saúde

Execução com injeção letal falha após duas doses de droga nos EUA

Redação Informe 360

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Uma tentativa de execução por injeção letal falhou nesta quarta-feira (30), no Tennessee, nos Estados Unidos. Mesmo após receber duas doses de pentobarbital, a condenada Christa Gail Pike continuou respirando e precisou ser levada a um hospital.

Pike, de 50 anos, seria a primeira mulher executada no estado em mais de 200 anos. Após o procedimento malsucedido, o governador Bill Lee determinou uma investigação independente e suspendeu as execuções no Tennessee até o fim do ano.

Sala de injeção letal
O procedimento que envolveu Christa Pike foi suspenso após a condenada continuar respirando depois da aplicação do pentobarbital. – Imagem criada por inteligência artificial: Manus/Olhar Digital

Sobrevivência após aplicação da droga

O procedimento estava marcado para as 10h, mas foi suspenso temporariamente por uma série de decisões judiciais. Uma hora antes do horário previsto, um tribunal de apelações interrompeu a execução. Horas depois, a Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão, e o procedimento foi realizado à noite.

Após a aplicação do pentobarbital, porém, Pike continuou respirando. Às 20h05, quando as persianas da sala foram fechadas pela segunda vez, testemunhas disseram que ela ainda respirava e, em alguns momentos, roncava.

O jornalista John North, da emissora WBIR, estava entre as testemunhas e descreveu o que viu:

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“A respiração dela não estava bem. Estava meio forçada, ofegante.”

Pike foi levada ao hospital, mas não foram divulgadas informações posteriores sobre seu estado de saúde. Segundo Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, o episódio não tem precedente conhecido. Ela afirmou que outras sete pessoas sobreviveram a execuções malsucedidas nos Estados Unidos, mas, nesses casos, as equipes não conseguiram acessar uma veia para aplicar os medicamentos.

O que aconteceu com o pentobarbital

O pentobarbital pertence à classe dos barbitúricos, medicamentos que reduzem a atividade do sistema nervoso central. Durante décadas, essas substâncias foram usadas como sedativos, anestésicos e no controle de convulsões, antes de serem substituídas pelos benzodiazepínicos por causa dos riscos associados ao uso.

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Em doses maiores, os barbitúricos podem provocar sono e anestesia. Nas quantidades utilizadas em execuções e eutanásia, o efeito esperado é interromper funções essenciais do organismo, como respiração e circulação.

A defesa de Pike afirma que os problemas já haviam surgido antes da aplicação. Em comunicado, os advogados mencionaram acesso venoso difícil, veias rompidas, pentobarbital degradado e ausência de atendimento médico de emergência. Também disseram que todo o procedimento ocorreu sob um protocolo mantido em sigilo pelo estado.

Durante a noite, os defensores recorreram à Justiça para tentar interromper a execução. Eles alegaram que Pike estava sendo submetida a uma “agonia desnecessária” e que seus direitos contra punições cruéis e incomuns estavam sendo violados.

Prisioneiro algemado à morte por injeção letal, frasco com tiopental sódico e seringa em cima de uma mesa, imagem conceitual
O pentobarbital reduz a atividade do sistema nervoso central e, em doses elevadas, pode interromper funções vitais. – Imagem: digicomphoto/iStock

Crime de 1995 e investigação

Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, cometido em Knoxville em 1995. Ela tinha 18 anos na época. Pike e o então namorado foram condenados pelo espancamento e esfaqueamento da jovem, que era colega dos dois em uma instituição de treinamento profissional.

O caso ganhou repercussão nacional por detalhes como um pentagrama gravado no corpo da vítima. Esses elementos alimentaram o chamado “pânico satânico”, onda de temor sobre cultos satânicos que marcou os Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990.

O episódio desta quarta-feira não foi o primeiro problema do Tennessee com a aplicação do pentobarbital neste ano. Em maio, a execução de Tony Carruthers foi cancelada depois de mais de uma hora de tentativas frustradas para encontrar uma veia.

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Agora, a investigação independente deverá esclarecer em que ponto o procedimento falhou. Entre as questões estão a aplicação do medicamento, sua condição e o protocolo adotado pelo estado. A única outra execução prevista para o período também fica suspensa durante a pausa determinada pelo governador.

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Saúde

Japão realiza 1ª cirurgia do mundo com células-tronco no coração

Redação Informe 360

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Um hospital no Japão realizou a primeira cirurgia cardíaca do mundo utilizando lâminas de células do músculo cardíaco derivadas de células iPS. O procedimento foi feito em uma paciente de 50 anos com insuficiência cardíaca grave.

Liderada pelo cirurgião Yoshiki Sawa, a equipe implantou três lâminas de cardiomiócitos no coração da paciente. A terapia recebeu aprovação condicional do governo japonês em março e foi desenvolvida para pessoas que já esgotaram outras opções de tratamento.

Procedimento de uma hora abre caminho para tratar casos graves de insuficiência cardíaca antes considerados irreversíveis. Imagem: PorporLing – Shutterstock

Lâminas de células reprogramadas chegam aos hospitais

A operação durou cerca de uma hora e foi realizada no Hospital Osaka Keisatsu. Os cardiomiócitos são as células que formam o músculo do coração e permitem que ele se contraia a cada batimento, bombeando sangue para o organismo. No tratamento, essas células são produzidas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS.

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As células iPS são obtidas pela reprogramação de células adultas especializadas, que retornam a um estado semelhante ao de células jovens. A partir delas, os pesquisadores conseguem produzir diferentes tipos de células, incluindo os cardiomiócitos usados na terapia.

A tecnologia foi desenvolvida por Sawa em parceria com o cientista Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de 2012 por suas pesquisas com células iPS. A proposta é melhorar a função do músculo cardíaco e, com isso, favorecer o desempenho do coração e a capacidade de realizar atividades físicas.

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Após a cirurgia, Sawa falou sobre a expectativa para a paciente: “Esperamos que isso melhore a qualidade de vida da paciente.”

Frasco com células-tronco
A equipe médica japonesa planeja realizar procedimentos com tecidos regenerativos em até 75 pacientes até o ano de 2033. – Imagem: Lightspring/Shutterstock

O que os primeiros testes mostraram

A aprovação condicional da terapia veio depois de testes com oito pacientes que tinham doença cardíaca isquêmica, causada pelo estreitamento das artérias coronárias. Todos apresentaram redução dos sintomas, enquanto quatro também tiveram melhora na função cardíaca.

Os resultados iniciais ajudam a explicar por que a equipe pretende ampliar o número de procedimentos. O plano é realizar operações semelhantes em 75 pacientes até 2033 e acompanhar os resultados para avaliar a eficácia e a segurança da técnica.

Para essa nova etapa, alguns pontos serão especialmente importantes:

  • acompanhar os pacientes por um período prolongado;
  • verificar se os benefícios observados nos primeiros testes se repetem em um grupo maior;
  • avaliar a segurança da terapia ao longo do acompanhamento;
  • reunir dados que permitam uma análise mais ampla dos resultados.

A expectativa é que a terapia seja autorizada de forma definitiva depois que seus benefícios e sua segurança forem comprovados ao longo dos próximos sete anos.

O Japão também concedeu aprovação condicional, em março, a outro tratamento baseado em células iPS, desta vez para a doença de Parkinson. A terapia utiliza as células transplantadas no cérebro.

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A cirurgia cardíaca inicia uma nova etapa para o uso clínico dessa tecnologia regenerativa no país. Os próximos procedimentos devem fornecer mais informações sobre a segurança e os efeitos do tratamento.

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