Negócios
Cofundador da Udemy Cria Curso Presencial para Formar a Próxima Geração de Talentos da IA
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Gagan Biyani passou boa parte de sua carreira tentando reinventar a maneira como as pessoas aprendem. Em 2010, ele cofundou a Udemy, que ajudou a popularizar cursos sob demanda em vídeo, ministrados por especialistas.
Uma década depois, cofundou a Maven, uma plataforma online de aulas ao vivo. Agora, ironicamente, na era da inteligência artificial, ele está apostando tudo no aprendizado presencial.
Biyani está criando uma escola onde um grupo de jovens ambiciosos, focados em IA e na criação de novos produtos e soluções, poderá se reunir presencialmente.
O que é a HAA
Fundada por Biyani, a Horowitz Andreessen Academy, ou HAA, é uma alternativa não credenciada à faculdade que está sendo incubada pela empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, também conhecida como a16z, que está investindo US$ 35 milhões (cerca de R$ 180 milhões) para lançá-la.
Com sede em São Francisco, o programa espera receber cerca de 50 estudantes em sua primeira turma, com duração de um ano e sem cobrança de mensalidade, no segundo semestre de 2027.
Em 2028, deverá ser ampliado para dois anos, com uma mensalidade que deve ser comparável à de universidades privadas de elite.
A HAA busca autorização para operar junto ao Bureau for Private Postsecondary Education da Califórnia, órgão estadual que supervisiona instituições privadas de ensino superior. A academia não concederá diplomas universitários nem créditos acadêmicos.
A aprendizagem na era da IA
“Estamos na era do fazer infinito”, diz Biyani à Forbes sobre a filosofia por trás da HAA. A IA permite que indivíduos realizem coisas que antes exigiam mais pessoas, dinheiro ou conhecimento especializado.
Mas, para ele, isso aumenta o valor não apenas das habilidades técnicas, mas também da iniciativa e da capacidade de lidar com outras pessoas. “Em um mundo nativo de IA, em que a inteligência artificial está ao alcance de todos, haverá uma ênfase ainda maior na interação humana”, afirma. É por essa mesma razão que alguns membros da comunidade universitária acreditam que os cursos de humanidades, que vêm perdendo popularidade e alunos, podem estar prestes a voltar a ganhar força.
Em vez de organizar a vida dos estudantes principalmente em torno de aulas expositivas, provas e notas, a HAA está estruturando sua educação em torno de aulas, experiências profissionais e projetos autodirigidos que chama de “Pursuits”.
Os alunos passarão pelo menos três meses trabalhando em período integral dentro de uma empresa. As companhias parceiras Anthropic, Google, Meta, Nvidia, OpenAI, Palantir e Stripe contribuirão de diferentes maneiras, desde ajudar a definir o currículo e fornecer tecnologia e recursos computacionais até oferecer oportunidades de aprendizado prático.
Mais de 40 outras empresas já se comprometeram como parceiras de contratação para estágios e empregos em período integral.
A academia procura estudantes com “provas concretas do que já fizeram” — jovens que, segundo Biyani, sejam “construtores por natureza”, recém-formados no ensino médio que digam: “Não quero passar mais quatro anos fazendo isso. Quero avançar”.
Em entrevista à Forbes, Biyani diz o que as faculdades tradicionais deveriam aprender com a HAA, por que a IA pode tornar as habilidades interpessoais mais valiosas e se o Vale do Silício está romantizando a história de quem abandona a faculdade.
Forbes: O que o ensino superior precisa mudar por causa da IA?
Gagan Biyani: É preciso abraçá-la, em vez de combatê-la, certo? Ela já está aqui. É a nova tecnologia do futuro — é o novo laptop. Você não pode proibi-la e dizer que está preparando os estudantes para o futuro. Essas duas coisas são diametralmente opostas.
É absolutamente necessário ensinar habilidades diferentes por causa da existência da IA. Não se trata apenas de ensinar: “Ok, é isso que um LLM faz, é assim que a IA funciona” e assim por diante. Isso é importante. É claro que todo mundo vai tentar ensinar as pessoas a usar IA. Tudo bem. Mas o que você precisa fazer é ensinar uma mentalidade diferente.
Como é essa mentalidade diferente?
Uma das coisas que a IA oferece — e essa é uma ótima expressão que a a16z tem usado no ensino — é acesso ao “fazer infinito”. A IA permite que você faça mais e de maneira mais eficaz, e isso significa que nossos jovens precisam aprender a fazer coisas usando essas ferramentas. É uma cultura em que, quando você vê um problema, a pergunta é: você vai lá e resolve?
A outra coisa que você precisa aprender são as habilidades interpessoais. Porque, na era da IA, os computadores serão capazes de fazer muito mais. Mas ainda existem 9 bilhões de pessoas no planeta, pelo menos da última vez que verifiquei, e essas pessoas representam um mercado enorme. São as pessoas com quem você precisa trabalhar. Queremos garantir que as habilidades interpessoais e de relacionamento sejam uma parte central do currículo.
Por que dar tanta ênfase aos “Pursuits” e ao aprendizado baseado em projetos?
Essa é uma maneira muito mais eficaz de aprender por vários motivos. Primeiro, todos sabemos que o aprendizado baseado em projetos e a aplicação prática permitem que alguém realmente absorva a informação.
Segundo, há uma motivação muito maior. Especialmente à medida que os estudantes ficam mais velhos, a motivação se torna um fator muito mais importante para determinar se eles vão reter e aprender uma informação. Os Pursuits são pensados especificamente para que os estudantes aprendam coisas porque querem aprendê-las.
Eles terão vários Pursuits ao mesmo tempo, e muitos deles envolverão interação com outras pessoas. A maioria das nossas aulas será presencial. Teremos um campus físico. Ainda não anunciamos onde será.
A HAA está se apoiando no mito do Vale do Silício sobre o jovem brilhante que abandona a faculdade, como Mark Zuckerberg, que deixou Harvard, ou Steve Jobs, que saiu do Reed College depois de um ano?
Não estamos procurando apenas pessoas que quebram regras. Estamos procurando pessoas dispostas a pensar criticamente sobre as regras, a pensar criticamente sobre o sistema. Mas não estamos procurando pessoas que quebrem as regras simplesmente pelo prazer de quebrá-las.
Mas os estudantes que escolhem a HAA estão escolhendo-a no lugar da faculdade, certo?
Bem, para deixar claro, é uma alternativa. Incentivá-los a não fazer faculdade ou a fazer faculdade não é realmente relevante. Existem dezenas de milhares de jovens que se formam no ensino médio todos os anos. Cinquenta deles vão estudar aqui. O que acho que os outros deveriam fazer? Muitos deveriam fazer faculdade. Alguns deveriam trabalhar. Alguns deveriam abrir uma empresa.
Por que criar isso fora de uma universidade já estabelecida?
A hora é agora. Uma das razões mais importantes para fazer isso por conta própria é que temos liberdade para ultrapassar os limites. Pessoalmente, sempre fui atraído por estar na vanguarda, testar os limites e encontrar maneiras novas e inovadoras de educar.
Acho que veremos surgir uma série de novos tipos de escolas como essa, então deve haver alguém por aí disposto a fazer isso. A maneira como encaro o mundo é a seguinte: tenho uma visão de como quero que o mundo seja e quero construí-la.
O que você acha que um jovem de 18 anos que decide fazer faculdade deveria aprender na era da IA?
Se você vai fazer uma faculdade tradicional, ainda deve buscar experiências que o tornem alguém mais valioso como pessoa que realiza e constrói coisas na sociedade moderna.
Você deve fazer coisas com outros jovens inteligentes e se obrigar a assumir desafios. Seja esse desafio tentar criar um novo tipo de partido político, escrever um livro ou montar uma banda.
E, claro, no campo técnico, construa produtos que as pessoas realmente queiram usar. Participe de comunidades de código aberto. Construa robôs ou novos tipos de LLMs.
Estamos muito animados com os jovens desta geração. Acreditamos que o futuro é promissor, que haverá uma abundância de oportunidades, tanto de emprego quanto de negócios, no futuro, e queremos preparar as pessoas para essas oportunidades únicas que surgirão nas próximas décadas.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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PepsiCo Anuncia Novo VP e CFO da Divisão de Alimentos no Brasil
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A PepsiCo anunciou Renato Boldo como o novo vice-presidente e CFO da divisão de alimentos da companhia no Brasil.
No cargo, o executivo estará à frente da área de finanças e atuará no comitê executivo nacional da empresa.
Com mais de 20 anos de carreira, Renato chega à PepsiCo vindo da Mars, onde ocupou o cargo de CFO da divisão Pet Nutrition Brasil. Ao longo da carreira, já passou por empresas como Unilever, Compra Agora e DHL.
“Na minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com pessoas excepcionais, aprender com transformações complexas de negócios e ajudar organizações a acelerar o crescimento”, escreveu em uma publicação no LinkedIn.
O executivo é formado em engenharia química pela UFSCar e tem MBA pela FGV.
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O Que o Esporte Ensina aos Grandes CEOs
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Resiliência, disciplina, persistência, coragem… São palavras frequentes no mundo corporativo. São, também, termos que geralmente definem atletas dedicados. Não é à toa, portanto, que tantos líderes de empresas sejam adeptos fervorosos do esporte.
Não se trata de uma pré-condição para alçar voos mais altos na carreira – há vários excelentes profissionais que não cultivam um lado esportivo; mas é fato que a rotina de atividades físicas apura comportamentos, habilidades e até modos de ver o mundo que podem influenciar a vida profissional.
É o que demonstram os depoimentos de Marcelo Zimet, CEO da L’Oréal; Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux; Guilherme Benchimol, presidente executivo do conselho de administração da XP; e Fernanda Hoe, ex-CEO da Elanco no Brasil (ela acaba de assumir uma posição global na multinacional). Seus estilos são diferentes; e suas práticas esportivas, diversas. Há, contudo, uma unanimidade: o esporte lhes trouxe elementos essenciais na forma de liderar.
Marcelo Zimet, o homem de ferro
São 5 horas da manhã no Rio de Janeiro e Marcelo Zimet, CEO do Grupo L’Oréal no Brasil, já está vestido para treinar. Praticante de triatlo, todos os dias sai cedo para correr, pedalar ou nadar. “Faço esse sacrifício de sono para que meu compromisso com o esporte não roube tempo de qualidade com minha esposa e filhas”, diz. “O planejamento é o grande segredo. Dependo muito da organização da agenda, porque cada minuto vale muito.”
Zimet – presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2024 – lidera a L’Oréal há cinco anos. Sob sua batuta, está uma equipe de 3 mil colaboradores. Antes de alcançar a principal cadeira, no entanto, percorreu um longo caminho dentro da empresa. “O esporte me ensinou a respeitar o tempo de maturação das coisas. Vejo profissionais que acabam de virar gerentes e já estão ansiosos para chegar à diretoria, esquecendo que a vivência e a consistência são fundamentais para formar um bom executivo.”
Essa busca por evolução o levou ao triatlo. “Fui fisgado pelo ambiente de superação, mas, principalmente, pelo processo de evolução dentro do esporte. No triatlo você demora alguns anos para chegar à sua melhor versão.” Para ele, a modalidade reúne atributos essenciais à liderança. “É um esporte extremo que exige preparação, disciplina e foco.”
A relação entre o triatlo e o mundo corporativo também está na capacidade de adaptação. Para Zimet, que compete em provas Ironman (modalidade Full: 3,8 quilômetros de natação, 180,2 quilômetros de ciclismo e 42,195 quilômetros de corrida) desde 2019, é preciso entender o desafio, preparar-se rigorosamente e ter flexibilidade para mudar a estratégia diante de condições adversas. Na liderança, a lógica é idêntica: precisa ler o ambiente, decodificar a cultura local e tomar decisões rápidas para superar os obstáculos do mercado. “Na liderança ou no esporte precisamos ficar confortáveis no desconforto para evoluir”, diz.
O conceito de evolução acompanha uma empresa em expansão. No primeiro semestre de 2026, o Grupo L’Oréal registrou faturamento de € 23,77 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O resultado da filial brasileira é superior à média de crescimento da companhia”, conta. Com os negócios correndo bem, Zimet se prepara para seu próximo desafio. Em outubro, vai competir em outro Ironman, em Cascais, Portugal. Para isso, ele pode garantir: amanhã, bem cedo, tem treino.
Fernanda Hoe nada em águas abertas
Fernanda Hoe tem seu próprio “POP” para manter o ritmo. O “Procedimento Operacional Padrão”, como ela chama, inclui três pilares e é indispensável para ela conseguir desempenho de alto nível na Elanco. “Praticar esporte, comer saudável e dormir bem é fundamental para que eu consiga funcionar bem, então, organizo minha agenda para priorizar esses momentos”, diz a executiva, que há dez anos é adepta da natação em águas abertas.
Para Fernanda, nadar no mar traz lições de liderança. “Praticamos muito o foco, a visão estratégica, a consistência e a cadência de ritmo, que são coisas que me ajudam muito no trabalho.” Há ainda uma busca permanente por evolução. “Buscamos sempre melhorar nosso próprio tempo, algo que relaciono diretamente com a busca pela melhoria contínua no trabalho.”
Fernanda foi CEO da Elanco no Brasil entre 2021 e 2026 – e esteve na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. No início do ano, aceitou o desafio de assumir uma posição global na multinacional norte-americana, que desenvolve soluções para a saúde animal. Mudou-se para a sede da empresa em Indianápolis, nos Estados Unidos, para ser diretora executiva da área voltada para vacinas, parasiticidas e antibióticos.
A mudança a afastou um pouco da natação em águas abertas, mas não do esporte. “Eu procuro fazer alguma atividade física pelo menos três a quatro vezes por semana. Aqui estou nadando em uma academia e fazendo ciclismo”, diz. Quando morava em São Paulo, Fernanda aproveitava os fins de semana para nadar no mar do Guarujá. Por ali chegou a fazer 4,5 quilômetros de natação, sua maior distância já alcançada.
A posição de liderança global trouxe novos desafios para Fernanda na Elanco, que no segundo trimestre de 2026 registrou uma receita de US$ 1,368 bilhão, crescimento de 10% sobre o mesmo período do ano anterior. “O resultado da minha área depende de muitas pessoas que não estão na minha estrutura direta”, conta. O cenário mudou. Os princípios para superar os obstáculos, não: disciplina, cadência e evolução contínua.
O tênis na vida de Ana Célia Biondi
A agenda de Ana Célia Biondi está bloqueada durante as manhãs. Antes das 9 horas, não existe espaço para marcar uma reunião com a CEO brasileira da JCDecaux – multinacional líder global em mídia out-of-home (OOH). Nesses horários, o compromisso é inegociável: o esporte. “Me ajuda a ir para o escritório com a cabeça mais leve, limpa, menos adrenada e ansiosa”, diz a diretora executiva, presente na lista Forbes Melhores CEOs do Brasil 2025. Atualmente, ela faz treinos funcionais e musculação. Mas sua principal modalidade inclui quadra, raquete e bolinhas.
O tênis entrou cedo na vida da executiva. Aos 6 anos, Ana Célia acompanhava o pai nas partidas dos fins de semana. “Eu ia pegar bolinha para ter o direito de jogar dez minutos com ele antes de ir embora”, lembra. A brincadeira em família ficou séria, e ela passou a competir em torneios. “Aos 17 anos, tive de decidir se continuava com o tênis ou fazia faculdade. Foi quando eu ouvi do meu pai que eu era muito boa, mas não era excepcional. Então, resolvi cursar economia.”
Não foi essa decisão, no entanto, que eliminou a modalidade da vida de Ana Célia. Terminando a faculdade, ela foi trabalhar em um banco na Suíça. “Lá, ninguém me conhecia. E o tênis me ajudou a abrir várias portas”, diz. “O esporte me colocou em eventos muito legais e trouxe a possibilidade de construir relações.”
Hoje, ela vê a prática esportiva como parte importante da executiva que se tornou. “Acredito que o esporte traz uma lição de resiliência, de humildade, de paciência. A gente perde muito mais do que ganha”, diz. Para ela, a quadra é uma escola de liderança. “Tem tudo a ver com gestão. Fazemos escolhas o tempo inteiro. Algumas dão certo, outras nem tanto. É importante analisar o que deu errado: qual bola eu bati mal, qual decisão eu não tomei bem? Isso traz aprendizados.”
Essa filosofia também chegou à JCDecaux. A empresa reembolsa aos funcionários a inscrição em qualquer prova esportiva de que queiram participar. “Tento incentivar. O esporte, quando faz parte da vida, ajuda muito no equilíbrio, no bem-estar”, avalia a CEO.
A performance se reflete nos negócios. Globalmente, a companhia registrou receita de € 1,95 bilhão no primeiro semestre de 2026, com crescimento orgânico de 5,7%. No Brasil, a empresa conta com 18 mil faces publicitárias em relógios de rua, pontos de ônibus, aeroportos e metrôs. São mais de 1.150 clientes por ano, fazendo do Brasil o oitavo maior mercado da multinacional, entre 80 países. Resultados alcançados por uma equipe de aproximadamente 500 pessoas – liderada com os conceitos do tênis.
Ventos favoráveis para Guilherme Benchimol
Guilherme Benchimol começa a conversa com a Forbes Brasil com animação. “Quando soube que a entrevista era para falar sobre esporte, aceitei na hora. É sempre um prazer falar sobre isso, muito mais legal do que investimento”, brinca o fundador e atual presidente executivo do conselho de administração da XP Inc., conglomerado financeiro que atingiu receita bruta de R$ 5,056 bilhões no segundo trimestre de 2026 (crescimento anual de 8%). Os ventos estão favoráveis para a empresa. Mas Benchimol gosta mesmo quando eles sopram a favor do kitesurf, esporte ao qual se dedica há quase 30 anos.
Isso não significa que os universos corporativo e esportivo estejam desconectados. “É difícil ser um empresário de sucesso sem ter fome por vitória, sem querer competir, sem querer melhorar, aprender com os erros. E isso tudo o esporte ensina”, diz. “Todas as características que formam um atleta competitivo também formam um profissional competitivo. Quando você compete, você tem de aprender a perder, a ter resiliência, a ser humilde, a se planejar, a dar a volta por cima. O executivo de alta performance não deixa de ser um atleta.”
Benchimol começou a praticar kitesurf em 1999, quando trabalhava em uma corretora carioca. Dois anos depois, ao fundar a XP, afastou-se do kitesurf para se dedicar à consolidação da empresa. “Todo empreendedor competente é obcecado e fazedor. O lado bom disso é que as coisas acontecem. Mas, nesse extremo, ele pode perder o equilíbrio na vida”, avalia.
Ao retomar o kitesurf, dez anos depois, percebeu que o esporte era um contraponto à intensidade do empreendedorismo. “Te leva ao outro extremo. Te obriga a estar no presente, com a natureza”, diz. Na água, não há espaço para pensar na empresa. É preciso administrar a onda, o vento, a pipa e a prancha. “Quando consigo estar nos dois extremos, dos negócios e do esporte, fico mais equilibrado.”
Hoje, morando em São Paulo, Benchimol pratica kitesurf cerca de quatro vezes por ano, quando consegue escapar para a Praia do Preá, no Ceará. Mas ele não fica sem se movimentar. No dia a dia, seu esporte é o tênis. “Eu até quis ser tenista. Não à toa a XP patrocina o João Fonseca”, comenta. Diariamente, acorda às 5h45 e, às 6h15, já está na quadra. “A disciplina é muito importante na vida.”
Além de equilibrar a rotina, o esporte o ajuda a encontrar respostas para os desafios do negócio. “Quando ficamos muito concentrados no problema, a solução não aparece. Ao desopilar com o esporte, surgem soluções inspiradoras.” Benchimol leva isso tão a sério que mantém um bloco de notas e uma caneta na raqueteira. Ele sabe que, entre uma partida e outra, pode surgir uma boa ideia para manter a XP com os resultados positivos.
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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Fim da Escala 6×1 Será Votado no Senado na Quarta-feira; Veja o Que Muda
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima quarta-feira (14) a votação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salários.
A chamada PEC do fim da escala 6×1, que estabelece duas folgas semanais para os trabalhadores, será votada após a quinta sessão de discussão da proposta no Senado.
Pelas regras regimentais, qualquer PEC precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser votada em primeiro turno. O Senado já realizou três dessas sessões nesta semana e tem mais duas previstas para a próxima, na terça e na quarta-feira.
“Pautei para quarta-feira (14) a votação, em primeiro turno, da PEC 221, de 2019, que trata do fim da escala 6×1”, disse Alcolumbre em nota distribuída por sua assessoria.
“Cumpro, assim, o compromisso de colocar a proposta em votação, com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental. Caberá a cada senador e a cada senadora decidir com liberdade, consciência e convicção”, acrescentou.
O que muda com o fim da escala 6×1?
A PEC em discussão no Senado prevê uma redução gradual da jornada de trabalho, atualmente limitada a 44 horas semanais.
Nos primeiros 60 dias após a promulgação da proposta, a jornada máxima cairia para 42 horas semanais. Um ano depois da primeira redução, passaria para 40 horas.
A proposta também estabelece o direito a pelo menos duas folgas por semana, uma delas preferencialmente aos domingos, e garante que não haverá redução salarial.
Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre o fim da escala 6×1
O fim da escala 6×1 também entrou na disputa presidencial de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição, é favorável à PEC e tem usado a defesa de sua aprovação como plataforma de campanha.
Lula chegou a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que venceu o primeiro turno da disputa presidencial no domingo e enfrenta o petista no segundo turno, marcado para 25 de outubro, e seu partido a votarem favoravelmente à proposta.
Flávio, que se opõe à PEC, acusa Lula de oportunismo eleitoral. O senador e seus aliados defendem uma alternativa que considere jornadas flexíveis e remuneração proporcional às horas trabalhadas.
Também defendem a prevalência de acordos individuais entre empregados e empregadores sobre convenções coletivas.
Quando a PEC do fim da escala 6×1 pode ser aprovada?
Para avançar no Senado, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em primeiro turno.
Se aprovada, a PEC deverá passar por mais três sessões de discussão antes de ser submetida à votação em segundo turno, quando também precisará de pelo menos 49 votos.
Segundo a Agência Senado, a líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), está coletando assinaturas para um requerimento que permita acelerar o calendário.
A intenção é concluir a tramitação no Senado na penúltima semana de outubro, antes do segundo turno da eleição presidencial.
Mesmo que seja aprovada pelos senadores, a mudança ainda dependerá das demais etapas do processo legislativo para entrar em vigor.
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