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Amebas assassinas: entenda quais micro-organismos podem habitar na sua água e as consequências para a saúde

Redação Informe 360

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Recentemente, uma menina de 1 ano morreu em decorrência de uma ameba super-rara, a Naegleria fowleri. O micro-organismo foi encontrado em água com a qual a criança teve contato na cidade de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. A doença causada pelo protozoário é chamada de “meningoencefalite” e intriga as autoridades, que investigam como ocorreu a infecção. 

O caso também tem despertado questionamentos sobre os micro-organismos que podem habitar a água que temos contato, seja para hidratação, banho ou diversão. Continue a leitura e saiba mais sobre o tema a seguir. 

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O que são amebas e por que elas infectam outros seres vivos?

Amebas são protozoários unicelulares pertencentes ao grupo dos rizópedes, também conhecidos como sarcodinas. Elas podem ser encontradas em três tipos: vida livre, comensais ou parasitas. 

As de vida livre podem ser encontradas na água doce e salgada. Já os comensais vivem no corpo humano sem causar problemas à saúde. Por outro lado, há os parasitas, os quais geram prejuízos à saúde humana. É o caso da Entamoeba histolytica, que habita o intestino e causa a Amebíase, ocasionando diarreias e, em situações mais graves, comprometendo órgãos e tecidos, podendo levar a pessoa à morte.

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Ameba que vitimou a criança no Ceará 

O caso da criança que faleceu está relacionado à Naegleria fowleri, conhecida como ameba comedora de cérebro. Ela costuma estar no solo e em água doce quente, como lagos, rios e fontes termais. 

A infecção por essa ameba pode ser causada quando a água na qual ela está entra pelo nariz da pessoa. Isso costuma acontecer quando alguém nada, mergulha ou põe a cabeça embaixo de fontes de água doce. Além disso, o ser humano ainda pode ser infectado ao limpar o nariz com a água contaminada, mesmo que seja da torneira.

Ao entrar no organismo humano, ela sobe para o cérebro e detona o tecido cerebral, causando a meningoencefalite amebiana primária (MAP), uma doença que costuma ser fatal. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de mortalidade é de 97%. 

Sintomas da meningoencefalite amebiana primária

Inicialmente, ela traz sintomas parecidos com a meningite bacteriana, como febre, dor de cabeça, náusea e vômito. Eles costumam aparecer em cerca de cinco dias depois da infecção. Depois, pode aparecer uma confusão mental, desatenção às pessoas e locais, rigidez no pescoço, alucinações, convulsões e coma. 

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Prevenção 

A doença causada pela ameba comedora de cérebros é muito rara. Em entrevista a TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Ceará, o secretário executivo de Vigilância em Saúde, Antonio Silva Lima Neto (Tanta), afirmou que no Brasil, não há registros oficiais de casos, apenas relatos. Porém, é essencial prevenir-se. Mas afinal, como realizar a prevenção?

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, recomendam que as pessoas evitem pular ou mergulhar em locais de água doce que sejam mornos. Além disso, é importante deixar a cabeça fora da água nesses ambientes. Lugares com fontes termais e outras águas não tratadas também devem ser evitados. Além disso, o ideal é nunca cavar ou remexer sedimentos em água doce quente e rasa. 

Vale destacar que a ameba também pode estar em descargas de água quente de usinas industriais ou de geração de energia, além de diferentes ambientes de recreação, como piscinas que não possuem cloro suficiente. 

Além disso, de forma geral, para evitar a contaminação por alguma ameba, é essencial manter a higiene e adotar medidas de saneamento básico.

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O que foi feito no caso do Ceará?

No Ceará, a suspeita é que a criança tenha sido infectada após um banho. Conforme o secretário executivo afirmou, é possível que a água tenha passado por um reservatório e aquecido de forma natural através do solo, o que provavelmente favoreceu a reprodução.

Nesse caso, cabe aos órgãos governamentais tomarem mais cuidado com o local e tratamento da água. Então, foi analisada a água do reservatório que abastecia a residência onde a criança morava e a ameba foi identificada.

4 micro-organismos que podem habitar na sua água

Imagem: Maple Ferryman / Shutterstock.com

Além da já citada Naegleria fowleri ou ameba comedora de cérebro, abaixo confira uma lista com 4 micro-organismos que podem estar em sua água e você nem imaginava. 

Entamoeba histolytica

Esta é uma ameba intestinal causadora da amebíase, uma doença gastrointestinal que causa febre, fezes com sangue ou secreções esbranquiçadas, diarreia forte e calafrios. Ela causa a infecção por meio de contaminação fecal da água de consumo humano e alimentos com cistos dela. 

A doença causada possui tratamento, mas é necessário ir ao médico logo no início dos sintomas, pois caso ela se desenvolva mais, pode gerar complicações e até levar à morte. 

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Acanthamoeba

Essa é uma espécie de ameba que pode gerar doenças crônicas e ceratite amebiana, a qual costuma ser transmitida por meio de lentes de contato, principalmente na hora de nadar ou utilizar uma limpeza não estéril. Essa ameba pode transmitir a ceratite amebiana, também conhecida como úlcera de córnea ceratite, que gera danos graves à visão da pessoa. 

A Acanthamoeba é uma ameba presente na água, solo, esgoto e até poeira, podendo estar na água da torneira, chuveiro, banheira de hidromassagem e aparelhos de ar-condicionado. Como prevenção da doença, o ideal é evitar lavar as lentes com água da torneira, não as utilizar durante o banho e lavar bem as mãos antes de manuseá-las. 

Balamuthia mandrillaris

Presente no solo e na água doce, a Balamuthia mandrillaris é uma ameba de vida livre que pode infectar humanos e causar infecções graves no sistema nervoso central, como a encefalite amebiana granulomatosa que pode levar a pessoa à morte. Os sintomas mais comuns são mudanças no estado mental, convulsões e cefaleia. Além disso, é possível ocorrer lesões cutâneas ulcerativas.

Esta ameba está presente de duas maneiras na natureza: cisto e trofozoíto, os dois podem gerar infecções em humanos pelo trato respiratório ou feridas abertas na pele. 

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Sappinia pedata

Outro tipo de ameba é a Sappinia, muito parecida com a Acanthamoeba e Balamuthia. Ela também possui dois estágios: cistos e trofozoítos. Além disso, acredita-se que a forma de entrada no corpo humano é por meio da pele ou trato respiratório. Ela também causa graves danos ao sistema nervoso central da pessoa.

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Nova taxa de Trump não contempla minerais críticos e outros; confira

Redação Informe 360

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta sexta-feira (20), a aplicação de uma nova tarifa de 10% sobre importações provenientes de todos os países em resposta à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou o “tarifaço” que vigorava há alguns meses. Segundo a Casa Branca, as novas taxas entram em vigor na terça-feira (24).

A medida se baseia na Seção 122, mecanismo criado em 1974 que autoriza a imposição de tarifas em casos de “problemas fundamentais de pagamentos internacionais”. Pela regra, as taxas podem ser mantidas por até 150 dias, período que, de acordo com o anúncio oficial, será utilizado integralmente.

O que não será taxado por Trump

  • O governo estadunidense informou que alguns produtos ficarão isentos da nova tarifa, entre eles carne bovina, tomates e laranjas;
  • Também não serão sobretaxados itens considerados estratégicos ou essenciais, como minerais críticos, energia, fertilizantes, medicamentos, eletrônicos, veículos, produtos aeroespaciais e materiais informativos, incluindo livros;
  • Bens originários do Canadá e do México que estejam em conformidade com o USMCA — acordo comercial entre os três países — também ficam fora da nova cobrança;
  • Estão excluídos ainda produtos já sujeitos a tarifas impostas com base na Seção 232, que permite ao presidente investigar se importações específicas representam ameaça à segurança nacional, além de determinados têxteis provenientes de países da América Central.

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Donald Trump falando
Trump reagiu à queda do tarifaço na Suprema Corte (Imagem: Joshua Sukoff/Shutterstock)

Outras medidas

Ainda nesta sexta-feira (20), Trump determinou que o USTR amplie investigações fundamentadas na Seção 301 contra práticas comerciais classificadas como “irracionais ou discriminatórias”. O regulamento permite que o governo dos EUA adote retaliações tarifárias e não tarifárias contra nações estrangeiras cujas políticas sejam consideradas injustificadas e prejudiciais ao comércio estadunidense.

O Brasil é alvo de investigação desde julho do ano passado por suspeitas de práticas comerciais desleais. O processo busca avaliar se políticas brasileiras seriam irracionais ou discriminatórias e se oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos. Na noite desta sexta-feira (20), o USTR afirmou que as apurações em andamento, incluindo as que envolvem o Brasil e a China, continuam.

O órgão também declarou que pretende abrir novas investigações, sem especificar contra quais países, e informou que os processos terão tramitação acelerada, podendo resultar na aplicação de tarifas adicionais.

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Na nota divulgada, o USTR criticou a decisão da Suprema Corte e afirmou que a IEEPA — base usada por Trump para impor tarifas globalmente — foi essencial para enfrentar crises relacionadas ao fentanil, à imigração e ao déficit comercial.

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Artemis 2: NASA conclui teste final de foguete que vai lançar astronautas à Lua

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Nesta quinta-feira (19), a NASA executou pela segunda vez um teste crucial para a Artemis 2 – a missão histórica vai levar a humanidade à órbita da Lua novamente após mais de meio século – o chamado “ensaio geral molhado”.

Esse teste simulou praticamente todo o processo de decolagem, mas sem acionar os motores. O objetivo era verificar se o foguete, os sistemas de abastecimento e a cápsula Orion funcionam de forma integrada e segura.

Foguete SLS, da missão Artemis 2, posicionado na plataforma de lançamento, na Flórida. Crédito: NASA

Durante o ensaio, as equipes reproduziram a contagem regressiva como se fosse um lançamento real, com o cronômetro avançando até poucos segundos antes da ignição.

No início do mês, a primeira tentativa enfrentou dificuldades técnicas. Vazamentos no abastecimento de hidrogênio líquido interromperam a simulação, que acabou sendo suspensa. Após análises e ajustes, engenheiros revisaram conexões e reforçaram procedimentos para evitar novos problemas.

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Desta vez, houve apenas uma anomalia na tensão do sistema de aviônica do foguete auxiliar, corrigida sem grandes problemas, permitindo que a contagem fosse reiniciada.

Artemis 2: o que foi testado

  • A parte mais sensível do ensaio desta quinta-feira (19) começou por volta das 22h30 (horário de Brasília), nos instantes finais antes da decolagem simulada;
  • Nesse momento, os sistemas foram testados sob as condições mais próximas de um lançamento real;
  • A sequência durou cerca de quatro horas e incluiu o carregamento de aproximadamente 3,18 milhões de litros de oxigênio e hidrogênio líquidos no foguete Space Launch System (SLS);
  • O abastecimento, no entanto, começou às 13h, cerca de dez horas antes dessa etapa decisiva;
  • Essa é uma das fases mais delicadas da operação, porque o hidrogênio líquido precisa ser mantido a temperaturas extremamente baixas. Qualquer pequeno vazamento pode interromper o processo para inspeção e ajustes, como ocorreu no ensaio anterior.
A cápsula Orion, onde os astronautas vão viajar para a Lua, está acoplada ao lançador SLS. Crédito: NASA

A cápsula Orion também participou do procedimento. Ela foi ligada, teve suas baterias carregadas e passou por checagens de vedação, exatamente como ocorrerá no dia do lançamento. Uma válvula relacionada à pressurização da escotilha foi substituída recentemente e passou por novo aperto após ajustes detectados no teste anterior.

Nos minutos finais da simulação, a atenção se concentrou nos últimos dez minutos da contagem regressiva. O cronômetro avançou até T-1 minuto e 30 segundos. Em seguida, foi feita uma pausa de cerca de três minutos, etapa prevista nos protocolos oficiais.

Em um lançamento real, se a interrupção durar menos de três minutos, a contagem pode continuar normalmente. Caso ultrapasse esse tempo, o relógio retorna para T-10 minutos. Esse procedimento foi repetido no primeiro e no segundo ensaio para garantir que funcione sem falhas.

Depois disso, a contagem avançou até T-33 segundos e foi pausada outra vez. Em seguida, o sistema reiniciou para dez minutos antes da decolagem e toda a sequência foi repetida. A ideia é treinar a equipe para lidar com diferentes cenários, incluindo imprevistos de última hora.

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Como o teste correu como se esperava, a agência pode lançar a missão no dia 6 de março. Também estão reservadas datas alternativas nos dias 7, 8, 9 e 11, caso as condições técnicas ou climáticas exijam ajustes no calendário.

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Conheça a tripulação que será lançada à Lua pela NASA 

A missão Artemis 2 será o primeiro voo tripulado do novo programa de exploração lunar da NASA, um passo essencial para levar astronautas de volta à superfície da Lua pela primeira vez desde 1972 – algo previsto para acontecer futuramente, com a Artemis 3. 

Composta por quatro membros, a tripulação da Artemis 2 vai sobrevoar a Lua a bordo da cápsula Orion, com o objetivo de testar sistemas e garantir que toda a infraestrutura humana e tecnológica esteja pronta para as próximas fases do programa. Integram a Artemis 2 os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (todos da NASA) e Jeremy Hansen (da Agência Espacial Canadense). Saiba mais sobre eles aqui. 

A missão histórica prevê recordes. A tripulação deve alcançar a maior distância já percorrida por seres humanos no espaço. No retorno à Terra, a nave deverá atingir velocidades elevadas, o que pode torná-los os humanos mais rápidos já enviados ao espaço. Com duração prevista de dez dias, o voo permitirá observar regiões da Lua nunca vistas diretamente por pessoas. Além disso, será a primeira vez que uma pessoa negra e uma mulher viajarão tão longe no espaço.

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Artemis 1 teve quatro testes de abastecimento

Caso ocorram novos adiamentos, as datas passarão a ser avaliadas diariamente, de acordo com resultados técnicos e climáticos. Na missão não tripulada Artemis 1, quatro ensaios tiveram de ser repetidos devido a vazamentos e falhas, que obrigaram o retorno do SLS ao edifício de montagem em três ocasiões.

Enquanto isso, a tripulação da missão Artemis 2 segue em quarentena em Houston, no Texas. A NASA avalia o momento adequado para o deslocamento dos astronautas até a Flórida, respeitando protocolos de saúde e segurança.

Durante o período de frio intenso, a espaçonave Orion permaneceu ligada, com aquecedores ajustados para proteger sistemas sensíveis. A agência, que mantém uma transmissão ao vivo permanente do foguete na plataforma, divulgará atualizações em tempo real sobre o teste.

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Armazenamento por 10 mil anos: Microsoft avança em técnica que grava dados em vidro

Redação Informe 360

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Um estudo, divulgado nesta quarta-feira (18) na revista Nature, apresentou novos avanços do Projeto Silica, iniciativa de pesquisa da Microsoft voltada ao desenvolvimento de um sistema de armazenamento digital em placas de vidro capaz de preservar informações por milênios.

O projeto, iniciado em 2019, busca criar um método mais durável e energeticamente eficiente que os dispositivos atuais, cujos suportes têm vida útil limitada e exigem cópias periódicas de segurança.

A tecnologia utiliza vidro de silício — material muito puro e comum, empregado, por exemplo, em tubos de lâmpadas halógenas e espelhos de telescópios — conhecido por resistir a variações de temperatura, umidade e interferências eletromagnéticas.

Essas características contrastam com centros de dados tradicionais, que consomem grande quantidade de energia e dependem de ambientes altamente controlados para preservar discos rígidos e outras mídias.

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Segundo o estudo, o sistema desenvolvido pela divisão de pesquisa Microsoft Research constitui uma “solução de armazenamento de arquivos” completa, abrangendo desde o registro e conservação até a restituição dos dados, com potencial de mantê-los intactos por dezenas de milhares de anos.

Parte de mídia do Projeto Silia com dados gravados
Parte de mídia do Projeto Silica com dados gravados (Imagem: Divulgação/Microsoft)

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Como funciona o armazenamento em vidro da Microsoft

O processo do Silica é dividido em quatro etapas: gravação, armazenamento, leitura e decodificação. Os dados são registrados diretamente dentro da placa de vidro com um laser ultrarrápido multifásico — um laser de femtossegundo — que cria pixels tridimensionais chamados voxels.

De acordo com a descrição técnica, “os dados do usuário chegam sob a forma de uma série de bits, que depois são agrupados em símbolos. Cada símbolo corresponde a um voxel”. Esses voxels são gravados camada por camada dentro do material, “de baixo para cima ao longo da espessura da placa de vidro, até que fique completamente preenchida”.

Após a gravação, as placas podem ser armazenadas em bibliotecas sem necessidade de condições atmosféricas especiais. Para recuperar as informações, o sistema usa um microscópio automatizado com câmera capaz de captar imagens de cada camada de voxels. Em seguida, essas imagens são decodificadas — principalmente com auxílio de inteligência artificial (IA) — para restaurar os dados em seu formato original.

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Capacidade e durabilidade

O estudo aponta que o método alcança velocidade de gravação de 65,9 megabits por segundo e densidade de armazenamento de 1,59 gigabits por milímetro cúbico. Isso equivale a cerca de 4,84 terabytes em um fragmento de vidro de 12 centímetros quadrados e apenas dois milímetros de espessura. Nesse espaço reduzido, afirmam os pesquisadores, caberiam “cerca de dois milhões de livros impressos ou cinco mil filmes em 4K de ultra-alta definição”.

Entre os principais atrativos está a longevidade. Os cientistas calculam que “os dados poderiam continuar legíveis dentro de dez mil anos”, mesmo se submetidos a temperaturas de até 290 °C. As projeções, porém, não consideram possíveis danos físicos ou corrosão química que possam degradar o suporte ao longo do tempo.

Outra vantagem apontada é a segurança: como os dados ficam armazenados offline, não podem ser alvo de ataques de hackers, a menos que as placas sejam fisicamente roubadas.

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Maquinário utilizado para gravação dos dados a laser
Apesar das vantagens do novo sistema de armazenamento, maquinário para gravação e recuperação dos dados é “complexo” (Imagem: Divulgação/Microsoft)

Novo material reduz custos e amplia viabilidade

Um dos avanços descritos na publicação é a possibilidade de usar vidro borossilicatomaterial comum encontrado em utensílios de cozinha e portas de forno — em vez de sílica fundida de alta pureza, antes necessária para a técnica. Essa mudança reduz custos e aumenta a disponibilidade do meio de armazenamento, superando obstáculos importantes para eventual comercialização.

A pesquisa também mostrou melhorias na velocidade de gravação e simplificação do hardware. O leitor das placas agora necessita apenas de uma câmera, e não três ou quatro, diminuindo tamanho e preço. Já os dispositivos de escrita passaram a ter menos componentes, facilitando fabricação, calibração e operação.

Os cientistas relataram ainda descobertas técnicas relevantes, como:

  • Redução do número de pulsos necessários para formar voxels birefringentes;
  • Desenvolvimento de escrita “pseudo-pulso único” para gravação mais rápida;
  • Criação de um novo método de armazenamento chamado “phase voxels” (voxels de fase, em tradução literal), que modifica a fase do vidro em vez da polarização e pode ser formado com apenas um pulso;
  • Capacidade de gravar vários voxels simultaneamente com sistema de múltiplos feixes;
  • Uso de aprendizado de máquina para otimizar codificação de símbolos e decodificação de dados;
  • Novo método óptico não destrutivo para avaliar o envelhecimento das gravações.

Como iniciativa de pesquisa, o Projeto Silica já realizou provas de conceito para demonstrar a tecnologia. Entre elas, o armazenamento do filme “Superman”, da Warner Bros. Discovery, em vidro de quartzo; a parceria com o Global Music Vault para preservar músicas sob gelo por dez mil anos; e um projeto educacional chamado “Golden Record 2.0”, um arquivo digital colaborativo com imagens, sons, músicas e falas destinado a representar a diversidade humana ao longo dos milênios.

CEO da Microsoft
Big tech, liderada por Satya Nadella, investe no projeto desde 2019 e vem obtendo avanços significativos (Imagem: QubixStudio/Shutterstock)

Desafio global de armazenamento

O estudo destaca que a quantidade de dados gerados pela atividade humana “quase duplicam a cada três anos”, reforçando a necessidade de métodos alternativos e sustentáveis de preservação digital. Soluções atuais, como fitas magnéticas e discos rígidos, degradam em poucas décadas e possuem vida útil limitada, o que dificulta a conservação de informações para gerações futuras.

Segundo os pesquisadores, o armazenamento em vidro com lasers de femtossegundo está entre as poucas tecnologias em desenvolvimento com potencial de oferecer armazenamento durável, imutável e de longa duração. A fase de pesquisa foi concluída e os resultados foram publicados para que outros cientistas possam expandir o trabalho.

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