Negócios
Como a Cofundadora da Insider Construiu um Negócio de R$ 400 Milhões

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em 2019, Carolina Matsuse tirou férias da Uber para participar de um encontro do programa de empreendedorismo Stanford Ignite com seu sócio e à época namorado, Yuri Gricheno. “Quando voltamos, a operação estava uma zona”, lembra a cofundadora da Insider Store, hoje com 34 anos. “A equipe tinha cinco pessoas e não tínhamos padrões bem definidos nem um time treinado para dar esse nível de autonomia.” Precisou de mais uma semana de folga no emprego para colocar a casa em ordem – e nunca mais voltou à vida corporativa.
Formada em engenharia pelo ITA, ela já vinha sendo pressionada pelo sócio a mergulhar de vez no negócio. “Percebi que havia uma grande oportunidade ali, mas não estava aproveitando da melhor forma. Pensei no custo de oportunidade do meu tempo e da minha energia e concluí que valeria a pena.”
“Liderança é menos sobre técnica e mais sobre conexão emocional.”
Carolina Matsuse
A decisão se provou certeira. O que começou como um side hustle se transformou em um negócio com cerca de 200 funcionários, mais de 1 milhão de clientes em mais de 40 países, faturamento de R$ 400 milhões em 2024 e previsão de crescer mais 50% neste ano. “Me ofereci para ser sócia do Yuri sem pensar muito nas consequências, nem ter ideia de onde poderíamos chegar.”
A Insider foi criada em 2017 com um único produto: uma camiseta com tecnologia antiodor e antissuor para ser usada por baixo da camisa social. “Era uma forma fácil e escalável de testar o modelo de negócios digital.”
Empurrão do Shark Tank
Um mês depois, a dupla estava fazendo um pitch na segunda temporada do Shark Tank Brasil. “Essa história ilustra bem como temos perfis completamente diferentes”, brinca a cofundadora. Foi Gricheno quem inscreveu a dupla, quando a empresa ainda estava no pré-operacional. “Eu, supernerd, me preocupei em fazer o valuation da empresa e fiquei decorando as premissas, achando que eles iam perguntar esse tipo de coisa.”
Durante o programa, receberam três propostas de investimento, mas decidiram não fechar com nenhum dos tubarões. Ainda assim, o impacto foi grande: “Deu uma propulsão inicial para a Insider. Ficamos sem estoque e aumentamos a receita em cinco vezes de um mês para o outro.”
O casal iniciou a empresa com investimento próprio: R$ 50 mil de cada um. “Os quatro primeiros anos foram de muita economia na pessoa física. Todo o excedente que eu tinha de salário e economias ia para o caixa da Insider.” A meta inicial era faturar R$ 100 mil no primeiro ano, mas encerraram o período com cerca de R$ 700 mil.
Disciplina oriental
Filha de pais empreendedores, Carol Matsuse herdou o espírito dos negócios e a disciplina de sua origem japonesa. “Tenho o perfil de tomar riscos e gosto de sair da zona de conforto”, diz ela, que se define como calma e organizada, enquanto o sócio é criativo e inovador. “Empreender em casal não é trivial, mas ter perfis bastante diferentes nos ajudou a manter um relacionamento saudável e uma parceria de sucesso como sócios.”
Quando fundaram a Insider, Carol estava em transição do BCG, onde iniciou a carreira, para o universo de startups. “A consultoria foi uma escola de business. Me deu uma base sólida para construir meus próximos passos”, afirma. De olho nos movimentos do mercado, decidiu apostar em empresas como Quinto Andar, que mais tarde se tornaria um unicórnio, e, posteriormente, Uber. “Sabia que esses ambientes iriam contribuir para minha bagagem como founder. Tive uma exposição muito grande a problemas que já enfrentei e continuo enfrentando na Insider.”
Hoje ela é responsável pelas operações da marca, mas, no início, fazia de tudo um pouco. A grande virada veio na pandemia, quando precisaram se reinventar e lançaram máscaras e camisetas antivirais. Depois, ampliaram o portfólio, ainda com tecidos tecnológicos e matérias-primas sustentáveis, para o público feminino, apostaram alto em marketing digital e em collabs, como a da estilista Glória Coelho. “Ser empreendedor é um exercício contínuo de humildade. Sempre tem algo para aprender com o time, com o cliente ou com o mercado e incorporar na forma como você faz as coisas dentro da sua empresa.”
Para ela, uma gestão eficiente exige métricas claras e rituais bem definidos. Liderar, no entanto, vai muito além. “Liderança é menos sobre técnica e mais sobre conexão emocional.” Com um olhar estratégico voltado ao futuro, a empreendedora mantém o foco não apenas nos resultados, mas nos seus futuros sucessores. “Me preocupo muito com o próximo passo que vou dar – e com quem vai assumir o meu lugar. Tudo isso se conecta para que a gente consiga dar passos cada vez maiores e mais ousados.”
*Matéria originalmente publicada na lista Forbes The Founders 2025.
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Negócios
O Déficit de Competências Que Está Travando Carreiras em 2026
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O ambiente de trabalho está evoluindo mais rapidamente do que muitos profissionais imaginavam. Novas tecnologias, mudanças nas prioridades das empresas e nas expectativas dos clientes estão redefinindo o que os empregadores valorizam em praticamente todos os setores.
Embora a experiência continue sendo importante, manter as habilidades atualizadas tornou-se igualmente essencial para sustentar o crescimento da carreira. Identificar precocemente a chamada “dívida de habilidades” (skill debt) permite que o profissional permaneça competitivo e continue criando oportunidades ao longo da trajetória profissional.
Veja como a dívida de habilidades se desenvolve e o que você pode fazer para evitá-la:
O que acontece quando as habilidades deixam de acompanhar as exigências do trabalho
A dívida de habilidades surge quando as competências necessárias para uma função evoluem mais rapidamente do que o conhecimento ou a experiência do profissional.
Essa diferença costuma aparecer de forma gradual, à medida que novas ferramentas, processos e expectativas passam a fazer parte da rotina. É possível continuar desempenhando bem as responsabilidades atuais e, ainda assim, encontrar dificuldades para conquistar projetos maiores, cargos de liderança ou posições mais avançadas.
Uma das melhores maneiras de acompanhar essas mudanças é revisar regularmente anúncios de vagas para os cargos que você deseja ocupar no futuro. Observe quais qualificações, tecnologias e competências de negócios aparecem com frequência.
Essas tendências oferecem um direcionamento valioso para o seu desenvolvimento e ajudam a priorizar aprendizados que favorecem seus objetivos de longo prazo.
Por que experiência, sozinha, já não garante evolução
A experiência proporciona bom julgamento, conhecimento do setor e confiança. No entanto, o mercado atual também valoriza profissionais que continuam desenvolvendo novas competências ao longo da carreira.
As organizações estão se adaptando rapidamente aos avanços tecnológicos, e muitas funções agora exigem uma combinação mais ampla de conhecimento técnico, comunicação, colaboração e capacidade de resolver problemas.
A progressão profissional depende cada vez mais da capacidade de fazer a experiência evoluir junto com as necessidades do negócio. Em vez de confiar apenas nos anos de atuação, vale buscar oportunidades para aplicar novos métodos, participar de iniciativas multidisciplinares e fortalecer habilidades que complementem a experiência já adquirida.
Essa combinação torna a experiência ainda mais valiosa em um ambiente de trabalho em constante transformação.
Como as exigências de habilidades estão aumentando em todas as funções
As expectativas em relação às competências estão crescendo em praticamente todas as profissões, à medida que as empresas adotam novas tecnologias e reformulam a maneira como o trabalho é realizado.
Marketing, finanças, recursos humanos, operações, saúde e atendimento ao cliente exigem cada vez mais que os profissionais combinem conhecimento técnico da área com fluência digital, adaptabilidade e capacidade de colaboração. Até mesmo funções antes consideradas estáveis estão mudando com mais frequência, conforme as prioridades das empresas se transformam.
Acompanhar esse ritmo não significa dominar todas as novas ferramentas ou tendências. O mais importante é desenvolver as habilidades que aparecem de forma consistente no seu setor e buscar oportunidades para aplicá-las em projetos, trabalhos interdisciplinares ou programas de desenvolvimento profissional.
Uma postura contínua de aprendizado permite que suas competências evoluam junto com as exigências do mercado e aumenta sua preparação para futuras oportunidades.
Onde os profissionais ficam para trás sem perceber
A dívida de habilidades raramente surge porque as pessoas deixam de aprender. Na maioria das vezes, ela cresce porque as demandas do dia a dia deixam pouco espaço para avaliar se as competências atuais ainda correspondem à direção em que o mercado está caminhando.
Rotinas familiares e avaliações de desempenho positivas podem criar uma falsa sensação de segurança, enquanto as exigências profissionais continuam evoluindo.
Além disso, a pressão para acompanhar o trabalho diário reduz o tempo disponível para investir no desenvolvimento da carreira. Isso pode ajudar a explicar por que apenas 33% dos trabalhadores no mundo afirmam estar prosperando em seu bem-estar geral.
Reservar um momento a cada poucos meses para analisar tendências do setor, avaliar seu conjunto de habilidades e identificar novas oportunidades de aprendizado pode evitar que pequenas lacunas se transformem em obstáculos para o crescimento profissional.
Como reduzir a dívida de habilidades antes que ela limite seu crescimento
O primeiro passo é identificar quais competências terão maior impacto sobre seus objetivos futuros. Priorize as habilidades que aparecem de forma recorrente nas funções que deseja ocupar e procure oportunidades para desenvolvê-las por meio de projetos, treinamentos, mentoria ou trabalhos com equipes de diferentes áreas.
O aprendizado se torna ainda mais valioso quando é colocado em prática. Voluntarie-se para projetos desafiadores, peça feedback de colegas mais experientes e registre os resultados obtidos com as novas competências adquiridas. Cada habilidade desenvolvida aumenta seu valor profissional e amplia as possibilidades de contribuir de forma significativa.
No fim das contas, a dívida de habilidades não surge da noite para o dia — e o crescimento na carreira também não. Pequenos investimentos constantes em aprendizado ajudam o profissional a acompanhar as mudanças do mercado e ampliam as oportunidades ao longo da vida profissional.
Os profissionais que continuam evoluindo são, em geral, aqueles que permanecem curiosos, se adaptam às mudanças e tratam o aprendizado como parte permanente do trabalho. Cada nova habilidade fortalece sua capacidade de gerar valor, abre novas possibilidades e prepara o caminho para os próximos passos da carreira.
*Sho Dewan é coach de carreira, criador de conteúdo e CEO e fundador da Workhap.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Santander Brasil Anuncia Daniel Bassan Como Vice-Presidente do SCIB
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O Santander Brasil anunciou Daniel Bassan como o novo vice-presidente do SCIB (Santander Corporate & Investment Banking), braço focado em serviços de atacado, banco de investimento e soluções financeiras para grandes empresas.
Até então, Bassan ocupava o cargo de CEO do UBS para Brasil e América Latina.
No Santander, o executivo também fará parte do comitê executivo do banco e irá se reportar localmente a Gilson Finkelsztain, presidente do banco no Brasil, e globalmente a José Maria Linares, chefe da divisão SCIB do grupo.
Com mais de 30 anos de carreira no setor financeiro, Bassan se formou em engenharia pela PUC-Rio e já passou por empresas como Credit Suisse e BTG Pactual.
O executivo assume o cargo no início de 2027. Até lá, Rafael Kappaz, atual chefe de tesouraria e mercados do Santander Brasil, segue como responsável pelo SCIB no país.
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Negócios
Google Anuncia Mudanças na Liderança da Área de IA
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A Alphabet, empresa controladora do Google , anunciou, nesta quarta-feira (5), uma reformulação na liderança de sua divisão de inteligência artificial, com o chefe de IA Demis Hassabis deixando seu principal cargo de gestão e vários líderes do modelo Gemini, incluindo o engenheiro veterano Jeff Dean, deixando a empresa.
A reestruturação ocorre em um momento crucial para o Google DeepMind: a versão principal de seu mais recente modelo Gemini permanece inédita, apesar do lançamento planejado para junho, o que gera preocupações entre investidores e a indústria de que o Google esteja ficando para trás em relação a seus rivais Anthropic e OpenAI, que contrataram profissionais de destaque da área de IA do Google recentemente.
Hassabis, ganhador do Prêmio Nobel, assumirá o título recém-criado de cientista-chefe da Alphabet e deixará o cargo de presidente-executivo do Google DeepMind para se tornar presidente do conselho, conforme informou em um comunicado aos funcionários. Ele citou a proximidade da inteligência artificial geral (AGI), um estado avançado da IA em que os computadores se tornam essencialmente tão inteligentes quanto os humanos, como o motivo para sua mudança de função.
“[Hassabis] e eu temos discutido há muito tempo um cargo que lhe permita dedicar-se integralmente a moldar ativamente o futuro da IAG”, disse Sundar Pichai, presidente-executivo da Alphabet, em um memorando interno da empresa. “É um trabalho de vital importância para a Alphabet e para a humanidade, e não consigo imaginar pessoa melhor do que Demis para realizá-lo.”
Koray Kavukcuoglu, diretor de tecnologia da unidade, assumirá as responsabilidades do dia a dia. Ele ocupará o cargo de vice-presidente sênior, em vez de presidente-executivo, da unidade de negócios, além de sua função paralela como arquiteto-chefe de IA da Alphabet.
Dean, Sanjay Ghemawat, Oriol Vinyals e Quoc Le — alguns dos líderes mais famosos e aclamados da área de IA e engenharia do Google — deixaram a empresa para lançar uma startup chamada Discovery Loop, que se concentrará em pesquisas inovadoras em aprendizado de máquina, ciência e engenharia. A startup está estruturada como uma empresa de benefício público.
A Alphabet não forneceu detalhes sobre o que motivou as mudanças ou a coincidência de datas. Hassabis — que há muito prioriza a pesquisa em detrimento do lucro — irá explorar pesquisas e estratégias relacionadas aos impactos sociais da inteligência artificial geral e terá poucos subordinados diretos, disse um porta-voz do Google à Reuters.
Em seu memorando interno, Hassabis elogiou o “grande progresso” nos modelos de IA do Google, incluindo uma atualização ainda não lançada chamada Gemini 4.
Ele também afirmou em seu memorando que dedicaria mais tempo à Isomorphic Labs, uma empresa de descoberta de medicamentos que surgiu a partir da DeepMind, da qual ele é fundador e presidente-executivo.
“Sempre acreditei que a principal aplicação da IA deveria ser a melhoria da saúde humana”, disse ele. “É hora de a IA provar seu valor inequívoco para o mundo, e que melhor maneira de demonstrar isso do que ajudar a finalmente curar doenças como o câncer?”
Fuga de cérebros
Dean e Hassabis foram considerados as duas principais figuras da IA no Google durante anos, antes de a área se tornar o centro da inovação tecnológica.
Hassabis cofundou a DeepMind em 2010 e continuou a dirigir o laboratório em Londres após vendê-lo para o Google por cerca de US$ 650 milhões em 2014. Dean cofundou, em 2011, o Google Brain, uma unidade sediada nos EUA que ele liderou e que pesquisava IA separadamente da equipe de Hassabis. Nessa época, ele já era reverenciado dentro do Google, conhecido por sua colaboração com Ghemawat em muitos dos projetos de infraestrutura marcantes que ainda impulsionam a empresa hoje.
Em 2023, após o lançamento do ChatGPT da OpenAI pegar o Google de surpresa, Pichai anunciou a fusão da DeepMind e do Google Brain em uma nova organização chamada Google DeepMind. Hassabis foi nomeado presidente-executivo e Dean, cientista-chefe.
Até recentemente, Dean, Vinyals e Noam Shazeer lideravam o desenvolvimento do Gemini. Sob sua gestão, o Google lançou o Gemini 3 em novembro passado, que foi amplamente considerado pela indústria como uma redução na diferença em relação aos principais modelos da Anthropic e da OpenAI.
Mas os avanços subsequentes desses rivais, bem como o impulso para modelos chineses de código aberto mais baratos, colocaram o Google na defensiva. Na conferência anual de desenvolvedores do Google, em maio, Pichai e outros líderes do Google destacaram a vantagem de custo do Gemini, em vez de suas capacidades de ponta.
Shazeer foi para a OpenAI em junho, menos de dois anos depois de o Google ter pago bilhões para contratá-lo, juntamente com uma equipe de pesquisadores, da startup que ele liderava. Na mesma semana, o cientista pesquisador sênior John Jumper, que ganhou o Prêmio Nobel ao lado de Hassabis em 2024, anunciou que se juntaria à Anthropic.
Vinyals, Le e o ex-cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, foram coautores de um artigo de pesquisa de 2014 que se tornou fundamental para a pesquisa moderna em IA, ao estabelecer o conceito de que escalar os dados para “pré-treinar” sistemas de IA os levaria a novos patamares. A Discovery Loop recebeu investimento do Google e também firmou uma parceria com sua divisão de nuvem para fornecer capacidade computacional.
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