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Saúde

O que é a Doença X e por que a OMS já se prepara para ela

Redação Informe 360

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A Doença X não é um vírus recém-descoberto nem uma enfermidade misteriosa que já esteja circulando pelo mundo. Na realidade, ela sequer existe. O nome foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para representar a possibilidade de que a próxima grande epidemia ou pandemia seja causada por um agente infeccioso ainda desconhecido pela ciência.

O conceito faz parte da estratégia global de preparação para emergências sanitárias da OMS. Além de manter uma lista de patógenos considerados prioritários, a organização também busca acelerar o desenvolvimento de pesquisas, diagnósticos, tratamentos e vacinas que possam ser adaptados rapidamente diante de uma nova ameaça.

Para Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Saúde Pública pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, a principal mudança foi reconhecer que a próxima pandemia pode surgir de um agente infeccioso que a ciência ainda não conhece.

Há uma possibilidade importante de a próxima pandemia não vir de um patógeno conhecido, mas sim de um patógeno desconhecido. É por isso que a gente fala sobre a Doença X, cujas características são de extrema preocupação, mas cujo patógeno pode simplesmente ainda não ser conhecido.

Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas

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A observação da especialista ajuda a explicar a lógica por trás do conceito criado pela OMS. Embora o SARS-CoV-2 pertencesse a uma família de vírus já conhecida, a pandemia mostrou que identificar os patógenos de maior risco é apenas parte do desafio. Também é preciso desenvolver plataformas, diagnósticos e estratégias capazes de ser adaptados rapidamente quando um novo patógeno surgir.

Por que a OMS criou a Doença X?

Ao incluir a Doença X entre suas prioridades de pesquisa, a OMS reconheceu que a próxima pandemia pode não ser causada por um dos patógenos que hoje estão sob vigilância internacional. Em vez de tentar prever qual será esse patógeno, a organização busca incentivar o desenvolvimento de ferramentas que possam ser rapidamente adaptadas assim que um novo agente infeccioso for identificado.

Essa estratégia faz parte do R&D Blueprint, programa da OMS criado para acelerar pesquisas durante emergências sanitárias. A iniciativa reúne governos, cientistas, universidades e a indústria para reduzir o tempo necessário para desenvolver diagnósticos, tratamentos e vacinas quando um novo patógeno é identificado.

Médico segura uma lupa diante de um mapa-múndi ilustrado, representando o monitoramento global de doenças.
A Organização Mundial da Saúde coordena esforços internacionais para monitorar doenças e orientar pesquisas sobre ameaças com potencial de provocar futuras epidemias e pandemias – Imagem: Natali _ Mis / Shutterstock

Na prática, a estratégia amplia o foco da preparação. Além de manter uma lista de vírus e bactérias considerados prioritários, a OMS também passou a investir em plataformas e tecnologias que possam ser utilizadas contra diferentes famílias de patógenos, inclusive aqueles que ainda não foram identificados.

Essa mudança também altera a forma de fazer vigilância. Para o sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), preparar-se para uma pandemia causada por um patógeno desconhecido exige acompanhar continuamente o que acontece nos diferentes biomas brasileiros, já que alterações em animais e no ambiente podem ser os primeiros sinais da circulação de um novo microrganismo.

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Quando começa, por alguma razão, a morrer algum tipo de bicho, quem mora na região tem condição de descobrir que está acontecendo alguma coisa diferente. Quando acontece alguma coisa no mundo animal, tem algum tipo de micro-organismo atuando.

Gonzalo Vecina Neto, sanitarista fundador da Anvisa

Segundo a infectologista Luana Araújo, a lista de patógenos prioritários reúne apenas agentes já conhecidos pela ciência. Isso, porém, não elimina a possibilidade de que a próxima pandemia tenha origem em um microrganismo completamente novo. Para a especialista, é justamente essa incerteza que torna necessário preparar sistemas de resposta capazes de enfrentar também o inesperado.

Quais doenças continuam preocupando a OMS

A inclusão da Doença X entre as prioridades da Organização Mundial da Saúde não substituiu a vigilância sobre patógenos já conhecidos. A organização continua atualizando periodicamente sua lista de doenças com potencial epidêmico para orientar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, especialmente em situações em que ainda não existem vacinas, tratamentos ou outras medidas de controle suficientemente eficazes.

Entre as doenças que hoje orientam as prioridades de pesquisa da OMS estão Ebola, febre de Lassa, febre hemorrágica da Crimeia-Congo, MERS, SARS, Zika, febre do Vale do Rift e a própria covid-19, além da Doença X. A OMS ressalta que essa relação não pretende prever qual será a próxima pandemia, nem representa uma lista completa de todas as ameaças sanitárias existentes. Seu objetivo é orientar prioridades de pesquisa diante de doenças com potencial de provocar grandes surtos.

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Para Luana Araújo, os vírus respiratórios continuam ocupando um lugar de destaque entre essas preocupações por causa da facilidade com que conseguem se espalhar entre pessoas. Hoje, segundo a infectologista, o principal foco está no H5N1, vírus da influenza aviária que já circula amplamente entre aves, foi identificado em diferentes espécies de mamíferos e, em casos esporádicos, também infectou seres humanos.

A preocupação, explica a especialista, é que novas mutações permitam que o vírus adquira transmissão sustentada entre pessoas. Além do H5N1, ela cita coronavírus como os responsáveis pela SARS e pela MERS, além de vírus como Ebola, Crimeia-Congo e Zika, entre os patógenos que continuam sob monitoramento internacional por seu potencial de provocar surtos importantes.

Como cientistas se preparam para uma doença que ainda não existe

Se não é possível saber qual será o próximo agente infeccioso, como desenvolver vacinas, tratamentos e testes diagnósticos antes mesmo de ele aparecer? A resposta está na mudança de estratégia adotada pela comunidade científica nos últimos anos.

Em vez de concentrar pesquisas em um único vírus, cientistas passaram a investir em plataformas capazes de ser adaptadas rapidamente a diferentes ameaças. Isso inclui tecnologias de vacinas, métodos diagnósticos e outras ferramentas que podem ser ajustadas assim que um novo patógeno é identificado.

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Para a infectologista Luana Araújo, essa mudança permite que parte do trabalho seja feita antes mesmo do surgimento da próxima pandemia. Como ela explica, “isso nos traz uma mudança de preparação para o futuro, que talvez permita com que a gente desenvolva até certo ponto algumas tecnologias e deixe aquilo na manga”.

Mão com luva segura um frasco identificado como vacina de mRNA em primeiro plano, com equipamentos de laboratório desfocados ao fundo.
Plataformas de RNA mensageiro (mRNA), estudadas há décadas e amplamente utilizadas durante a pandemia de covid-19, podem ser adaptadas rapidamente para desenvolver vacinas contra novos patógenos – Imagem: Kitsawet Saethao / Shutterstock

Um dos exemplos citados pela especialista são as plataformas de RNA mensageiro (mRNA). Embora tenham ganhado notoriedade durante a pandemia de covid-19, elas já vinham sendo estudadas havia décadas e hoje podem ser adaptadas com rapidez para diferentes agentes infecciosos, reduzindo o tempo necessário para produzir candidatos a vacinas quando uma nova ameaça surge.

Na avaliação de Luana, essa estratégia representa uma mudança importante em relação ao modelo tradicional de pesquisa, que costumava concentrar esforços em uma doença específica. Para a infectologista, preparar diferentes plataformas para serem adaptadas conforme a necessidade se mostra uma abordagem mais eficiente. “Isso nos parece hoje mais inteligente, mais lúcido do que investir todos os ovos na mesma cesta.”

A Doença X é apenas uma das mudanças na forma como a ciência passou a se preparar para futuras pandemias. Em reportagem especial, o Olhar Digital mostra como a experiência da covid-19 acelerou o desenvolvimento de vacinas, transformou a vigilância epidemiológica, fortaleceu a medicina diagnóstica e quais desafios ainda precisam ser superados para responder mais rapidamente à próxima grande emergência sanitária. Leia a reportagem completa.

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Saúde

Uma célula do cérebro pode ajudar a evitar danos do Alzheimer

Redação Informe 360

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Um estudo publicado na Nature Genetics encontrou um subtipo de célula imune do cérebro que pode ajudar a conter danos associados ao Alzheimer. Para chegar ao resultado, pesquisadores analisaram mais de 830 mil células de 1.607 doadores, com diferentes idades e níveis de alterações relacionadas à doença.

O trabalho, conduzido pela Icahn School of Medicine at Mount Sinai, mostra que essas células mudam ao longo do envelhecimento e da progressão do Alzheimer. Uma população específica de microglia, principal defesa imunológica do cérebro, chamou a atenção dos cientistas.

Pessoa acamada com duas mulheres olhando-a em pé e, à frente, um médico segurando exames de tomografia cerebral
A pesquisa identificou seis subclasses e 13 subtipos de células imunes no cérebro ligados ao envelhecimento e ao Alzheimer. Imagem: peakSTOCK/iStock

Um mapa das defesas do cérebro

Os pesquisadores analisaram células imunes de origem mieloide, que se formam na medula óssea e migram para o sistema nervoso. O conjunto incluía microglia e macrófagos perivasculares, envolvidos na regulação da resposta imunológica.

As células vieram do córtex pré-frontal dos 1.607 doadores. A partir desse material, foram identificadas seis subclasses, reunindo 13 subtipos diferentes.

O mapeamento permitiu acompanhar as mudanças dessas populações durante o envelhecimento e conforme as alterações associadas ao Alzheimer avançavam.

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Células ficam mais ativas contra danos

Uma das populações identificadas aumenta à medida que o Alzheimer progride. Os dados indicam que esse subtipo de microglia não parece agravar os danos cerebrais. Seu comportamento aponta para o caminho contrário: as células passam a englobar e eliminar com maior eficiência materiais considerados nocivos.

Leia mais:

A equipe encontrou ainda uma via molecular envolvendo as proteínas TREM2, MITF e GPNMB. Ela é necessária para manter a microglia nesse estado protetor.

Testes com tecidos humanos e modelos de camundongos indicaram que os efeitos benéficos dependem da sinalização de TREM2.

“Nosso estudo fornece a visão mais clara até o momento de como as células imunológicas do cérebro se adaptam durante o envelhecimento e a doença de Alzheimer”, afirmou Donghoon Lee, professor assistente de Genética e Ciências Genômicas e de Psiquiatria na Icahn School of Medicine at Mount Sinai e autor principal do trabalho.

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Ilustração de cérebro se desfazendo igual nuvem para representar neurodegeneração da Doença de Alzheimer
O estudo sugere uma mudança de foco: fortalecer as defesas naturais do cérebro pode complementar estratégias contra o Alzheimer. – Imagem: Naeblys/Shutterstock

O que isso muda para os tratamentos

Os resultados ajudam a explicar por que variantes de genes ligados ao sistema imunológico, como TREM2 e APOE, estão associadas a um risco maior de Alzheimer.

Entre os resultados do trabalho estão:

  • Análise de mais de 830 mil células imunes;
  • Identificação de seis subclasses e 13 subtipos;
  • Detecção de uma população de microglia com possível efeito protetor;
  • Participação de TREM2, MITF e GPNMB na manutenção desse estado;
  • Identificação de potenciais alvos para retardar a progressão da doença.

“Ao identificar as células imunológicas específicas que parecem proteger o cérebro e analisar os sinais moleculares dos quais elas dependem, descobrimos novos alvos potenciais para terapias voltadas a retardar a progressão da doença de Alzheimer”, disse Lee.

A descoberta sugere uma frente terapêutica que vai além das placas de proteína amiloide: reforçar as defesas imunológicas que o próprio cérebro já possui.

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Saúde

Alzheimer raro: estrutura da proteína ajuda a explicar hemorragias no cérebro

Redação Informe 360

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Pesquisadores descobriram uma dobra inédita nos filamentos de beta-amiloide ligada a uma forma extremamente rara de Alzheimer. A estrutura pode explicar por que a proteína se concentra nos vasos sanguíneos e está associada a hemorragias cerebrais.

O estudo analisou tecidos cerebrais de dois pacientes com a mutação Flemish no gene precursor da beta-amiloide (APP). A alteração foi encontrada em duas famílias e outros dois indivíduos e costuma provocar a morte no fim dos 50 anos.

estudo alzheimer
A ciência encontrou uma nova peça para entender um tipo raro de Alzheimer: uma dobra da beta-amiloide que favorece sua interação com vasos – Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Uma forma que ninguém tinha visto

Os pesquisadores examinaram amostras cerebrais dos dois pacientes após a morte. Cada um pertencia a uma das famílias conhecidas com essa forma de demência.

Para enxergar os filamentos, foi usada microscopia eletrônica criogênica (cryo-EM), técnica que permite observar estruturas em resolução próxima à escala atômica. O resultado revelou uma configuração específica em formato de Z, nunca identificada antes.

A geometria pode ser uma peça importante para entender o comportamento da proteína. Nesse caso, os filamentos tendem a se concentrar ao redor dos vasos sanguíneos.

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O papel dos vasos

A dobra deixa exposto um aminoácido chamado F20. Segundo os pesquisadores, essa característica pode facilitar o contato dos filamentos com componentes das paredes dos vasos.

É justamente aí que aparece uma das consequências mais graves da doença: a angiopatia amiloide cerebral (CAA). A condição envolve o depósito de beta-amiloide nos vasos e está relacionada a hemorragias no cérebro.

A origem da estrutura também foi identificada. A mutação Flemish retira um único grupo metila da beta-amiloide, no resíduo 21. Essa mudança parece favorecer a formação da dobra em Z.

“Nossos resultados revelam como a perda de um grupo metila no resíduo 21 dá origem a uma dobra de Aβ com tropismo vascular”, escreveram os pesquisadores.

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A maneira única como a proteína se enovela afeta os filamentos amiloides que ela cria.
Nem toda proteína amiloide se comporta da mesma forma. No Alzheimer raro estudado, sua estrutura pode ajudar a explicar hemorragias cerebrais. – Imagem: Khaki et al., Nat. Struct. Mol. Biol., 2026

Uma proteína menos propensa a se agrupar

Há um detalhe curioso nesse mecanismo. Estudos anteriores mostraram que a beta-amiloide produzida pela mutação tem menor tendência a se agregar em laboratório. Mesmo assim, quando os depósitos aparecem no cérebro, o dano pode ser tão intenso quanto no Alzheimer convencional.

Em organismos vivos, a mutação Flemish produz os maiores e mais estáveis núcleos de placas observados na doença. A interação dessas estruturas com os vasos pode ajudar a explicar seu potencial de dano.

  • A mutação Flemish está ligada a uma forma hereditária extremamente rara de Alzheimer;
  • Os filamentos de beta-amiloide assumem uma dobra em Z inédita;
  • O formato expõe o resíduo F20 e pode favorecer a interação com vasos;
  • A mutação remove um grupo metila no resíduo 21;
  • A doença está associada à CAA e a hemorragias cerebrais.

O que falta descobrir

Ainda não está claro como essa nova estrutura participa diretamente da destruição cerebral que leva à demência. Os próximos estudos deverão investigar esse mecanismo em modelos celulares e animais.

Leia mais:

“Estudos futuros devem investigar se a dobra Flemish altera a semeadura, a propagação ou a neurotoxicidade em modelos celulares ou animais.”

Também será preciso descobrir se princípios estruturais semelhantes aparecem em outras formas hereditárias ou esporádicas de Alzheimer.

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Saúde

Perder visão no espaço preocupa agências antes de viagens à Lua

Redação Informe 360

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Astronautas podem sofrer alterações nos olhos durante missões prolongadas no espaço. Para investigar o problema, a Agência Espacial Europeia (ESA) contratou a startup britânica Siloton para desenvolver um dispositivo capaz de monitorar a saúde ocular longe da Terra.

A tecnologia usa recursos quânticos para miniaturizar componentes de equipamentos oftalmológicos. A proposta é permitir exames frequentes sem depender de especialistas em solo, algo importante para futuras viagens à Lua e outras missões de longa duração.

scanner óptico Siloton
A tecnologia criada para astronautas também pode melhorar exames de retina feitos por pacientes em casa na Terra. – Imagem: Divulgação/Siloton

O que acontece com os olhos no espaço?

A condição é conhecida como síndrome neuro-ocular associada ao voo espacial (SANS). Ela reúne alterações nos olhos e no cérebro provocadas pela permanência prolongada em ambientes de baixa gravidade e afeta cerca de 70% dos astronautas da Estação Espacial Internacional, segundo a NASA.

Um caso marcante é o do astronauta da NASA John Phillips. Ele partiu para a estação em 2005 com visão 20/20 e retornou seis meses depois com 20/100, considerado um comprometimento visual moderado.

Sem a gravidade, fluidos corporais podem se acumular na cabeça, comprimindo os olhos, provocando inchaço no nervo óptico e empurrando a retina para a frente.

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Um exame compacto para o espaço

Os astronautas já são monitorados na Estação Espacial Internacional com uma versão adaptada de um equipamento usado em consultórios de optometria. O aparelho mede a espessura das camadas na parte posterior do olho, mas é volumoso e exige orientação de especialistas na Terra.

Leia mais:

Em missões mais distantes, os atrasos na comunicação podem tornar esse modelo inviável. A solução da Siloton pretende automatizar parte do processo, permitindo que os próprios astronautas façam os exames.

A empresa já trabalha com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) para permitir que pacientes com problemas na retina realizem exames em casa. “A ESA praticamente tem os mesmos requisitos”, afirma Euan Allen, cofundador e diretor de tecnologia da Siloton. “É só em um ambiente totalmente diferente.”

A tecnologia reúne componentes de exames oftalmológicos em um chip fotônico menor que uma moeda. Com avaliações mais frequentes, a ESA espera obter mais dados e identificar possíveis alterações antes que elas provoquem mudanças na visão.

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A saúde dos olhos virou uma preocupação nas futuras missões à Lua e em viagens espaciais ainda mais longas Imagem: Alones – Shutterstock

Ainda há obstáculos pela frente

Levar o equipamento para uma espaçonave também envolve desafios práticos:

  • Encontrar uma alternativa às baterias, que representam risco de incêndio;
  • Definir onde acomodar o equipamento;
  • Manter a cabeça do astronauta posicionada durante o exame;
  • Automatizar o procedimento para reduzir a necessidade de suporte em solo.

Para Rebecca Evernden, diretora da Agência Espacial do Reino Unido, “a condição ocular SANS é um sério risco à saúde dos astronautas em missões longas”.

Allen, porém, tem confiança no projeto. A Siloton já testa sua tecnologia com pacientes de 80 anos que apresentam dificuldades de visão. Para ele, astronautas jovens e treinados tendem a lidar melhor com o procedimento.

O desenvolvimento pode ainda beneficiar quem está na Terra. Segundo Allen, as soluções criadas para o espaço podem melhorar o dispositivo destinado ao NHS, enquanto os avanços obtidos para uso doméstico também podem contribuir para a tecnologia espacial.

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