Esporte
Paris 2024: as 10 conquistas mais marcantes dos Jogos Olímpicos

A Olimpíada de Paris chegou ao fim no domingo (11). Daqui em diante, tudo é passado ao se falar da edição de 2024 dos Jogos. As lembranças que ficam são de atletas vencedores sim, mas não somente. Além da excelência esportiva e conquistas inéditas, o legado olímpico imortalizou cenas que nos trarão alegria por muito tempo. Confira abaixo algumas das histórias mais marcantes de Paris 2024.![]()
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Imane Khelif (boxe)
A boxeadora argelina esteve no centro da principal polêmica dos Jogos. Ao derrotar a italiana Alessandra Carini na estreia da categoria até 66 quilos, após desistência relâmpago da adversária, Khelif foi vítima de uma onda de desinformação nas redes. Formou-se um discurso de que a argelina, que fora desclassificada do Mundial de boxe de 2023 por, segundo a Associação Internacional de Boxe (IBA, na sigla em inglês), não atender “critério de elegibilidade para participar na competição feminina”, seria uma atleta transsexual e que sua participação entre mulheres seria injusta.
Alvo de campanha de fake news sobre gênero, a argelina Imane Khelif faturou o ouro na categoria até 66 kg – REUTERS/Peter Cziborra/Proibida reprodução
Embora não houvesse qualquer informação mais detalhada sobre que critérios seriam esses, logo o debate foi tomado pela teoria de que Khelif seria mais um caso de mulher com níveis elevados de testosterona e que poderia ser portadora de uma condição genética rara que afetaria sua distribuição de cromossomos. Durante os Jogos, o COI, que assumiu o comando das competições de boxe nas últimas duas Olimpíadas por não considerar a IBA uma entidade confiável e apta para a tarefa, afirmou que a boxeadora argelina era, sem nenhuma dúvida, uma mulher.
Khelif avançou fase a fase até sair com a medalha de ouro na categoria. O peso emocional de tudo que viveu nos Jogos a levou às lágrimas. Segundo comunicado divulgado pela assessoria da atleta, ela contratou um escritório de advocacia para representá-la em um processo por assédio virtual apresentado à Promotoria de Paris.
Simone Biles (ginástica artística)
A ginasta norte-americana chegou como a principal estrela dos Jogos como um todo. Quase uma estrela pop, dada a quantidade de artistas famosos e até astros de outros esportes que compareceram às suas competições. A trajetória da carreira de Biles também gerava uma curiosidade natural: após os quatro ouros nos Jogos do Rio, ela se retirou das disputas no meio da Olimpíada de Tóquio para cuidar da saúde mental. O retorno da ginasta de 27 anos ao palco olímpico virou até tema de série da Netflix.
Com todas as câmeras apontadas para ela, Biles não decepcionou: saiu de Paris com três ouros e uma prata. 
Após se retirar dos Jogos de Tóquio para cuidar da saúde mental, Biles retornou em grande estilo a Paris 2024, conquistando três ouros e uma prata – REUTERS/Hannah Mckay/Direitos Reservados
Rebeca Andrade (ginástica artística)
Quase como num roteiro cinematográfico, se o mundo queria ver Simone Biles, a protagonista, o mundo viu Rebeca Andrade, a antagonista – mas certamente a ‘mocinha’ para os brasileiros e fãs da ginástica. A ginasta brasileira não apenas estava literalmente em todas as provas em que Biles competiu, mas disputou com ela ponto a ponto as mesmas medalhas. Além disso, as duas tiveram inúmeros momentos de interações nos bastidores destes duelos.
Paris 2024 entrou para a história de Rebeca Andrade, que se tornou a maior medalhista olímpica do Brasil, com um total de seis pódios – REUTERS/Hannah Mckay/Direitos Reservados
Mas Rebeca não ficou à sombra da norte-americana. Mais do que mostrou, comprovou ter brilho próprio. O ouro no solo, desbancando Biles, foi um dos pontos altos da ginástica em Paris e, merecidamente, ela foi reverenciada ao receber a medalha no pódio. De quebra, Rebeca saltou para o topo da lista de atletas olímpicos do Brasil. Em Paris, foram quatro medalhas (um ouro, duas pratas e um bronze), que, somadas às duas conquistadas em Tóquio, a colocam como a maior medalhista do país em Olimpíadas.
Uma multicampeã olímpica e mundial, Rebeca cativou muita gente também com o jeito simples e descontraído de encarar as competições.
Yusuf Dikeç (tiro esportivo)
Provavelmente, nenhum atleta teve um ganho maior de popularidade por conta da Olimpíada do que Yusuf Dikeç, atirador turco de 51 anos. E no caso dele, não foi por nenhum recorde ou resultado histórico. Ao conquistar a medalha de prata na prova mista da pistola de ar 10 metros, junto com Sevval Ilayda Tarhan, Dikeç não fazia ideia de que sua imagem rodaria o mundo por um motivo tão singelo.
A imagem Yusuf Dikeç, atirador turco de 51 anos, competindo na prova mista de pistola, sem equipamentos para melhorar sua performance, viraralizou nas redes sociais – Reuters/Cagla Gurdogan/Direitos Reservados
No tiro esportivo, é comum que, além da pistola, os atletas utilizem uma série de equipamentos para melhorar a performance, como óculos que potencializam a mira evitando qualquer tipo de ‘sujeira’ na visão. Também usam fones de ouvido com isolamento acústico de primeira categoria. Dikeç, no entanto, foi ‘flagrado’ competindo usando apenas seus óculos de grau e pequenos fones intra auriculares. Para completar, ao ser fotografado atirando com uma das mãos no bolso da calça, ele ganhou status nas redes sociais como um medalhista ‘casual’, que conseguiu o pódio com uma postura estilosa sem precisar de equipamentos sofisticados. No entanto, a pose com a mão no bolso para atirar é extremamente comum na modalidade, por motivos de equilíbrio corporal.
Em pouco tempo, a imagem e a história de Dikeç viralizaram na internet, movidas pelos fãs pouco familiarizados com o esporte. O turco se tornou um ícone mundial, personagem de vários memes e inspirou comemorações nos próprios Jogos de Paris. O sueco Armand Duplantis, do salto com vara, por exemplo, comemorou o ouro com recorde mundial imitando a pose de Dikeç.
Teddy Riner (judô)
O judoca de 35 anos poderia até não ser mais aquele que passou quase dez anos e 154 lutas invicto no cenário mundial. Mas certamente ainda era uma das principais, senão a principal figura do esporte olímpico francês. Tanto que foi, ao lado da velocista Marie-José Perec, responsável por acender a pira olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos.
No tatame, Riner brilhou também. Depois de parar na semifinal e ficar com o bronze em Tóquio, ele voltou a se sagrar campeão olímpico na categoria peso-pesado (mais de 100 kg), chegando a três ouros e dois bronzes em Olimpíadas.
O multicampeão Teddy Riner foi sorteado para o duelo de desempate da disputa por equipes do judô e justificou o favoritismo ao vencer por ippon o japonês Tatsuro Saito, conquistando o ouro para os franceses – Reuters/Arlette Bashizi/Direitos Reservados
No entanto, a grande lembrança ligada a Teddy Riner nos Jogos de Paris se deu na disputa por equipes, em que vence o país que ganhar quatro lutas primeiro. Na final contra o Japão, os franceses perdiam por 3 a 1 e estavam a um revés de ficar com a prata. O time da França conseguiu igualar e levar para o duelo-desempate, que é definido por um sorteio exibido no telão. Ao ser sorteada a categoria de Teddy Riner, o Campo de Marte, palco do judô, foi à loucura antes mesmo da luta. No duelo decisivo, Riner justificou a confiança dos franceses, derrotou o japonês Tatsuro Saito por ippon e garantiu outro ouro para a França, num desfecho apoteótico.
Novak Djokovic (tênis)
Se alguns queriam reviver a glória olímpica, outros almejavam senti-la pela primeira vez. O sérvio Novak Djokovic, de 37 anos, maior vencedor de Grand Slams entre tenistas masculinos, campeão da Copa Davis e jogador com mais semanas na história como número 1 do mundo, não escondia de ninguém que queria o ouro olímpico mais do que qualquer outra coisa.
Aos 37 anos, o tenista sérvio faturou o ouro olímpico, única conquista que faltava a sua coleção de títulos – Reuters/Edgar Su/Proibida reprodução
Em Paris, na quadra de Roland Garros, onde um dia ele chorou ao comemorar o Grand Slam que mais demorou a adicionar à sua galeria de títulos, Djoko chorou novamente após coroar uma semana perfeita com um título em uma grande final contra o espanhol Carlos Alcaraz, 16 anos mais novo que ele.
Agora, sim, ele pode se autointitular ‘campeão de tudo’.
Mijain López (wrestling)
Michael Phelps pode ser visto por muitos como o maior atleta olímpico de todos os tempos, mas um recorde em termos individuais não pertence a ele. O cubano Mijain López, de 41 anos, conquistou o ouro na luta greco-romana, na categoria até 130 kg e, com isso, chegou a cinco títulos olímpicos consecutivos. Nenhum atleta de esportes individuais alcançou isso na história. López, que estreou em Olimpíadas sendo quinto colocado em Atenas, em 2004, enfileirou ouros em Pequim, Londres, Rio, Tóquio e agora Paris.
O cubano Mijain López, de 41 anos, fez história em Paris ao se tornar o primeiro atleta a emplacar ouro em edições seguidas dos Jogos Olímpicos – – Reuters/Arlette Bashizi/Direitos Reservados
Na França, ele derrotou desafiantes mais novos e saiu com o primeiro lugar antes de uma despedida marcante. López retirou as sapatilhas e deixou-as no meio da área de combate, simbolizando sua aposentadoria do esporte.
Cindy Ngamba (boxe)
A partir dos Jogos do Rio, em 2016, o COI introduziu o time de refugiados, para dar vez a atletas que, por variados motivos, se inserem em uma das questões geopolíticas mais tensas dos últimos tempos: a população que deixa a terra natal e passa a viver em outro país. Há oito anos, a equipe contou com dez representantes. Em Paris, foram 37. Pela primeira vez, a bandeira do time de refugiados apareceu no pódio.

Nascida em Camarões, a boxeadora Cindy Ngamba conquistou o bronze, a primeira medalha olímpica do time de refugiados, que surgiu nos Jogos Rio 2026 – Reuters/Louisa Gouliamaki/Direitos Reservados
Cindy Ngamba, boxeadora nascida em Camarões mas que fugiu para o Reino Unido aos 11 anos, conquistou o bronze na categoria até 75 kg. A atleta de 25 anos deu um depoimento forte à ONU:
“Quero dizer aos refugiados em todo o mundo, incluindo os que não são atletas, que continuem trabalhando, continuem acreditando em si mesmos, vocês podem alcançar tudo o que quiserem”, disse Ngamba.
Julien Alfred (atletismo)
Uma das provas mais nobres do atletismo teve também uma das melhores histórias. Os 100 metros rasos femininos foram vencidos por Julien Alfred, velocista de 23 anos que representa Santa Lúcia, uma pequena ilha no Caribe. A primeira medalha da história do país foi logo de ouro, que Alfred conquistou com o tempo de 10 segundos e 72 centésimos.
Julien Alfred, de 23 anos,conquistou o foi ouro nos 100m rasos, a primeira medalha olímpica de Santa Lúcia, uma pequena ilha no Caribe – Reuters/Aleksandra Szmigiel/Direitos Reservados
Em Paris, Alfred ainda saiu com uma segunda medalha, nos 200 metros rasos. As imagens da população de Santa Lúcia festejando os pódios da atleta também rodaram o mundo. Para se ter uma ideia, o país tem uma área de aproximadamente 539 quilômetros quadrados, mais de dez vezes menor que o Distrito Federal.
Leon Marchand (natação)
O nadador francês Leon Marchand, de 22 anos, concluiu os Jogos de Paris como o novo potencial nome olímpico histórico. Na letra fria, a chinesa Zhang Yufei, com seis pódios (uma prata e cinco bronzes), foi a maior devoradora de medalhas nesta Olimpíada. No entanto, Marchand, que vem logo depois, com cinco, foi quem mais causou um impacto.

Ao 22 anos, o francês Leon Marchand não só faturou quatro ouros e um bronze em Paris, como derrubou recordes olímpicos do norte-ameriano Michael Phelps – Reuters/Clodagh Kilcoyne/Direitos Reservados
O fenômeno caiu na piscina para seis provas e só não saiu com medalha no revezamento misto 4×100 medley. Nas outras cinco, foram quatro ouros e um bronze. E não apenas isso: nos 200 e nos 400 medley, o francês derrubou recordes olímpicos que pertenciam a Michael Phelps. O americano, que esteve em Paris, acompanhou e até torceu pelo seu possível sucessor.
Ainda muito jovem, Marchand se coloca como candidato ao seleto grupo de atletas com mais de dez medalhas olímpicas, do qual fazem parte gigantes como os já citados Phelps e Biles, hegemônicos em esportes com muita oferta de medalha. Em Los Angeles, pode se afirmar como um dos maiores da história.
Edição: Cláudia Soares Rodrigues
Esporte
Espanha domina Argentina, vence na prorrogação e leva o bi da Copa

Foram 16 anos de espera até que uma nova e talentosa geração recolocasse a Espanha no topo do futebol. Muitos dos ídolos da conquista de 2010, na África do Sul, estiveram em Nova Jersey neste domingo (19). Iker Casillas, Xavi Hernández, Carles Puyol, Andrés Iniesta – autor do gol daquele título – e até mesmo Joan Capdevilla, liberado de última hora para viajar aos Estados Unidos e que chegou lá a tempo de se emocionar com a sonhada segunda estrela. Sim, a Fúria (apelido da seleção espanhola) é, mais uma vez, campeã da Copa do Mundo.![]()
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Os espanhóis tiveram pela frente os atuais donos da taça. A vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, na prorrogação, após um verdadeiro “amasso” durante 120 minutos de jogo, colocou a seleção europeia no grupo seleto de bicampeões mundiais, que também tem Uruguai e França – além, claro, daqueles com três ou mais títulos, como os próprios argentinos e, o maior de todos os ganhadores e único penta, o Brasil.
Diferentemente de 2010, o herói do título saiu do banco de reservas. Mas, Ferran Torres e Iniesta têm algo em comum. No momento em que decidiram a Copa para a Espanha, ambos representavam o Barcelona. Ao contrário do ex-meio-campista, revelado no clube catalão, o atacante de 26 anos é cria do Valência e passou pelo Manchester City (Inglaterra) antes de chegar ao Barça.
Com a sexta menor média de idade da Copa (26,2), a Fúria deixou um recado claro para 2030, quando será uma das sedes: é favorita para buscar o tri. Afinal, possui nomes como os meias Gavi e Pedri e o atacante Nico Williams – que sequer terão completado 30 anos – a caminho do terceiro Mundial. Mesmo os veteranos do elenco, como o volante Rodri (terá 34 anos) ou o lateral Marc Cucurella (32), podem muito bem chegar lá.
E o que dizer de Lamine Yamal? O atacante de 19 anos é o mais jovem campeão mundial desde Ronaldo, que tinha 17 anos no tetra, em 1994. Detalhe: o brasileiro nem a campo foi naquela campanha, enquanto Yamal é simplesmente a estrela da companhia espanhola – apesar de atuação discreta neste domingo. O craque se tornou, também, o quarto mais novo da história a vencer uma Copa. O líder da estatística? Pelé, na Suécia, em 1958, com 17 anos e 249 dias.

Soccer Football – FIFA World Cup 2026 – Final – Spain v Argentina – New York/New Jersey Stadium, East Rutherford, New Jersey, U.S. – July 19, 2026 Spain’s Rodri lifts the trophy with teammates after winning the World Cup REUTERS/Kai Pfaffenbach – REUTERS/Kai Pfaffenbach/Proibida reprodução
A Espanha ainda atingiu dois marcos históricos com a conquista deste domingo. É a primeira vez que um país assegura, de forma simultânea, os títulos mundiais em ambos os gêneros. A Fúria foi a campeã do mundo feminina em 2023, na edição realizada na Austrália e na Nova Zelândia. No ano que vem, o Brasil sediará a Copa das mulheres. Será a vez das espanholas tentarem manter a unificação das taças.
Além disso, a Espanha tornou-se a seleção com mais jogos de invencibilidade na história – e justamente em uma final de Copa. Com o triunfo sobre a Argentina, são agora 38 partidas sem derrotas, superando a sequência da Itália entre 2018 e 2021. Curiosamente, a série positiva teve início contra o Brasil de Dorival Júnior, em um empate por 3 a 3, em 26 de março de 2024, na capital Madri.
Do lado argentino, frustração pelo adiamento do sonho do tetra e do desejo de “vingar” a Copa de 1994, também nos Estados Unidos, quando Diego Maradona foi suspenso durante o torneio por doping. Sem esquecer do adeus de Lionel Messi às Copas. Aos 39 anos, no sexto Mundial da carreira, o camisa 10 se despede com o título de 2022, dois vices (2014 e 2026) e o posto de segundo maior artilheiro da história do evento, com 21 gols.
Durante boa parte da Copa, Messi liderou a estatística, assumida na estreia, na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia. Ele, porém, foi ultrapassado no último sábado (18) pelo também atacante Kylian Mbappé. O francês chegou a 22 gols na derrota por 6 a 4 para a Inglaterra, em Miami (Estados Unidos), na disputa do terceiro lugar.

Soccer Football – FIFA World Cup 2026 – Final – Spain v Argentina – New York/New Jersey Stadium, East Rutherford, New Jersey, U.S. – July 19, 2026 Spain’s Rodri kisses the World Cup trophy during the trophy presentation REUTERS/Dylan Martinez – REUTERS/Dylan Martinez/Proibida reprodução
Futebol? Teve pouco
Depois de um sábado repleto de gols e ainda com a memória da movimentada final de 2022, com quatro gols no tempo normal e dois na prorrogação, a expectativa era de um primeiro tempo tão animado quanto neste domingo. Bem longe disso. Com atuações abaixo do que podem apresentar, Espanha e Argentina demonstraram nervosismo e não saíram do zero.
A Fúria teve a iniciativa e as únicas oportunidades de gol, ainda que nenhuma dela realmente clara. Aos quatro minutos, Yamal tabelou com o meia Dani Olmo, invadiu a área pela direita e finalizou, mas o chute desviou no zagueiro Lisandro Martínez e facilitou a defesa de Dibu Martínez.
Corta, então, para os 38 minutos, quando o meia Fabian Ruiz acionou Olmo na entrada da área e o meia, com um leve toquinho de calcanhar, ajeitou para Mikel Oyarzabal, de frente para o gol. O atacante poderia ter devolvido para Ruiz, que passava sozinho pelas costas da marcação na esquerda, mas tentou o chute de primeira, parando em Dibu.
Já aos 42, foi a vez do lateral Marc Cucurella, acionado pela esquerda, bater cruzado, de fora da área, e mandar a bola rente à trave. Foi o último lance de perigo da primeira etapa. A Argentina não conseguiu efetuar nenhuma finalização antes do intervalo.

SOCCER-WORLDCUP-ESP-ARG/, por Reuters/Jeenah Moon/Proibida reprodução
Ataque contra defesa
A pressão espanhola se intensificou na volta para o segundo tempo. Com menos de um minuto, o volante Ezequiel Paredes – que tinha acabado de entrar, no lugar do meia Nico González – errou o passe na intermediária e a bola ficou com Alex Baena. O atacante carregou até a entrada da área e arrematou no canto esquerdo, mas Dibu se esticou para agarrar.
Sem deixar os argentinos passarem do meio-campo, a Espanha encurralava os sul-americanos com marcação, pressão e troca rápida de passes, procurando espaço para finalização. Como aos 18, quando Olmo recebeu do meia Pedri (que substituiu Fabián Ruiz) na entrada da área e chutou. Dibu salvou e evitou o primeiro gol.
Três minutos depois, foi a vez de Yamal ser lançado na área pela direita e fazer o cruzamento praticamente em cima da linha de fundo. O atacante Ferran Torres – que entrara em campo um pouco antes, no lugar de Oyarzabal – conseguiu a cabeçada, mas mandou em cima do goleiro da Argentina.
A Espanha não diminuía o ritmo. Aos 31, o zagueiro Pau Cubarsi apareceu no ataque e arriscou da intermediária. Dibu deu rebote e o meia Mikel Merino – outra novidade do técnico Luis de la Fuente para o segundo tempo, no lugar de Olmo – teve a chance de concluir na pequena área. O chute, porém, acabou saindo alto e muito para o lado esquerdo, quase saindo pela linha lateral.
Se a missão da Argentina estava complicada no 11 contra 11, ela ficou mais difícil aos 47 do segundo tempo. Em disputa no meio-campo, o volante Enzo Fernández acertou uma entrada forte em cima de Cubarsi e recebeu o segundo amarelo. A primeira expulsão em uma final de Copa desde o francês Zinedine Zidane na decisão de 2006, na Alemanha, contra a Itália.
Aos 52, a Espanha teve uma última oportunidade, em cobrança de falta de Yamal, próxima à meia-lua. O atacante buscou o ângulo esquerdo, mas a bola saiu um pouco mais baixa que o esperado. Dibu se esticou e espalmou, mais uma vez salvando os hermanos e levando o duelo para a prorrogação. A primeira dos espanhóis e a terceira dos argentinos na Copa.
Tentativa de pênaltis
A estratégia da Argentina era clara: diminuir o quanto fosse possível o ritmo para desequilibrar a Espanha e tentar forçar uma decisão para os pênaltis. Dibu precisou trabalhar logo aos dois minutos, defendendo uma cabeçada de Nico Williams (que entrou no lugar de Baena) na pequena área, após levantamento de Pedri.
Três minutos depois, o lateral Pedro Porro recebeu na direita e cruzou rasteiro para a área. Merino ganhou a dividida contra o zagueiro Nicolás Otamendi (que substituiu Lisandro Martínez, contundido, no fim do primeiro tempo) e a bola sobrou com Nico Williams, que mandou para as redes. O gol foi anulado por falta de Merino, para desespero da Espanha.
Aos 12, mais uma vez, Nico Williams chamou o jogo. Agora na ponta esquerda. O atacante cruzou na medida para Merino, que desviou de cabeça e mandou a bola rente à trave. Foi a 19ª finalização espanhola na partida, contra nenhuma – sim, nenhuma – dos argentinos até aquele momento.
Soccer Football – FIFA World Cup 2026 – Final – Spain v Argentina – New York/New Jersey Stadium, East Rutherford, New Jersey, U.S. – July 19, 2026 Spain’s Ferran Torres celebrates scoring their first goal REUTERS/Kai Pfaffenbach – REUTERS/Kai Pfaffenbach/Proibida reprodução
Para a história
A insistência da Fúria foi, enfim, coroada no primeiro ataque do segundo tempo da prorrogação: cruzamento de Pedro Porro da direita, ajeitada de Nico Williams para atrás na pequena área e Ferran Torres, de primeira, chutando forte para colocar a Espanha à frente.
O próprio Ferran chegou a balançar as redes pouco depois, aos sete minutos, ao finalizar na saída de Dibu. O lance, contudo, foi anulado por impedimento do atacante no momento da assistência de Yamal.
Somente aos nove minutos a Argentina conseguiu registrar uma finalização, em cruzamento perigoso de Messi pela direita, que quase surpreendeu o goleiro Unai Simon. Dois minutos depois, o camisa 10 assustou novamente, ao acertar um chute forte que só não foi em direção ao gol porque explodiu no rosto de Merino.
Nos instantes finais, a pressão mudou de lado e passou a ser da Argentina, em sequenciais cobranças de escanteio. Mas a Espanha, com somente um gol sofrido na Copa, segurou-se bem o suficiente para garantir a taça.
Agencia Brasil
Esporte
Espanha despacha a França e avança à final da Copa do Mundo

Assim como a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789, simbolizou o colapso de uma fortaleza que parecia intransponível e marcou o início do declínio do poder absoluto na França, a seleção espanhola derrubou, justamente em 14 de julho, a resistência francesa em Dallas. Diante do superataque da Copa do Mundo, a Espanha cercou, pressionou e encontrou as brechas para vencer por 2 a 0, com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro, garantindo vaga na final da Copa do Mundo.
Esporte
Haaland faz dois, Noruega vence e Brasil deixa a Copa do Mundo

O dia 5 de julho é daqueles que o torcedor brasileiro gostaria de riscar do calendário. A partir deste domingo (5), a data marcada pela traumática eliminação para a Itália de Paolo Rossi, na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, é também a do adeus precoce ao sonho do hexa. A nova memória é a da derrota por 2 a 1 para a Noruega, em Nova Jersey (Estados Unidos), pelas oitavas de final.![]()
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O revés mantém dois incômodos tabus. Há 24 anos, desde que superou a Alemanha por 2 a 0 em Yokohama (Japão), na final da Copa de 2002, o Brasil não supera um rival europeu em uma partida eliminatória de Mundial. Além disso, a Noruega segue como único país que a seleção brasileira nunca venceu na história. Agora, são três derrotas e dois empates.
Grande estrela do time escandinavo, Erling Haaland foi, mais uma vez, decisivo. Autor do gol da classificação norueguesa diante de Costa do Marfim, na etapa anterior, o centroavante balançou as redes duas vezes no segundo tempo. O craque nórdico chegou a sete gols na Copa, igualando-se aos também atacantes Kylian Mbappé, da França, e Lionel Messi, da Argentina, na artilharia do Mundial.
Futuro adversário da Noruega será conhecido ainda neste domingo, entre Inglaterra e México – REUTERS/Dylan Martinez/Proibida reprodução
Eliminado pela sexta vez seguida em uma fase eliminatória, o Brasil faz sua pior campanha em Copas desde 1990, quando também caiu nas oitavas de final – à ocasião para a Argentina de Diego Maradona. Daqui até 2030, a seleção canarinho completará 28 anos sem título mundial, o maior jejum desde a primeira conquista, em 1958, na Suécia.
O adversário da Noruega nas quartas de final será conhecido ainda neste domingo. A partir de 21h (horário de Brasília), o México pega a Inglaterra no Estádio Azteca. Quem passar no confronto da capital mexicana encara a seleção nórdica no próximo sábado (11), às 18h, em Miami (Estados Unidos).
Falta de efetividade
Como tinha dado a entender na entrevista coletiva do último sábado (4), Ancelotti escolheu Gabriel Martinelli para o lugar de Lucas Paquetá – fora devido a uma lesão no músculo posterior da coxa esquerda.
Do lado norueguês, o técnico Stale Solbakken fez uma mudança em relação ao time do triunfo por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, nos 16 avos de final. Recuperado de lesão, Julian Ryerson retornou à lateral direita, na vaga de Marcus Pedersen.
A Noruega iniciou a partida propondo o jogo e deu um grande susto à torcida brasileira aos dois minutos. O atacante Alexander Sorloth foi lançado pelo meia Martin Odegaard, às costas do lateral Douglas Santos, pela esquerda. Ele cruzou rasteiro e o volante Patrick Berg mandou para as redes. O gol, porém, foi anulado por impedimento de Sorloth.
Inicialmente acuado, o Brasil conseguiu responder aos nove minutos. Gabriel Martinelli acionou o também atacante Matheus Cunha na área. O camisa 9 foi derrubado pelo zagueiro Kristoffer Ajer. Após rever o lance no vídeo, o árbitro Ismail Elfath deu pênalti para o Brasil. O volante Bruno Guimarães cobrou, mas o chute à meia altura, sem tanta força, foi defendido pelo goleiro Orjan Nyland.

Haaland celebra o segundo gol que consagrou a vitória da seleção norueguesa – REUTERS/Dylan Martinez/Proibida reprodução
A seleção norueguesa trocava passes em busca de espaço na marcação do Brasil, que fechava os espaços, especialmente pelas laterais, para evitar o temido jogo aéreo adversário e contra-atacar em velocidade. Foi assim que, aos 23 minutos, Matheus Cunha disparou em direção ao gol. Perto da área, o camisa 9 poderia tocar na esquerda para o também atacante Vinícius Júnior, livre, mas optou pelo drible e se enrolou.
Sete minutos depois, Gabriel Martinelli recebeu de Vinícius Júnior pela esquerda, quase na linha de fundo, às costas de Ryerson. Ele bateu cruzado, e Nyland defendeu com a perna. No rebote pela direita, o atacante Rayan rolou para Danilo chutar, mas o lateral furou a finalização.
Aos 40, o Brasil desperdiçou nova chance. Desta vez, Vinícius Júnior recuperou a bola na saída da Noruega, na entrada da área, tabelou com Gabriel Martinelli e chutou forte, obrigando Nyland à outra defesa.
Apesar de assustar, a seleção canarinho também errava ao acelerar a saída de jogo, possibilitando aos noruegueses reconstruírem as jogadas com a defesa desarmada.
Nos acréscimos, o time escandinavo teve sua melhor chance. O atacante Erling Haaland disputou com Gabriel Magalhães na entrada da área e foi desarmado parcialmente pelo zagueiro. A sobra ficou com Odegaard, livre. O meia bateu e goleiro Alisson salvou.

Noruega celebra avanço para as quartas de final da Copa do Mundo 2026 – Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução
Haaland é decisivo
O cenário da etapa inicial começou a se repetir na volta do intervalo, o que levou Ancelotti a mexer, com Matheus Cunha dando lugar a Endrick. Aos 13, um minuto após entrar em campo, o atacante foi lançado por Vinícius Júnior em contra-ataque e invadiu a área, mas perdeu a passada e o chute, frente a frente com o goleiro, saiu ruim, à direta da trave.
Seleção brasileira de Ancelotti é eliminada da Copa do Mundo de 2026 – Reuters/Caean Couto/Proibida reprodução
O Brasil chegou novamente aos 16 minutos, com Rayan chutando de dentro da área, após bola ajeitada de cabeça por Gabriel Magalhães, e parando em Nyland. E o goleiro norueguês voltou a salvar no ataque seguinte. Em jogada semelhante, Rayan escorou de cabeça e Bruno Guimarães chegou finalizando quase na marca do pênalti, para grande defesa do camisa 1. O lance, porém, foi anulado por impedimento.
Aos 22, logo depois de a Noruega assustar pela esquerda em chute cruzado que Haaland quase completou para o gol vazio, Ancelotti promoveu a esperada entrada de Neymar. O camisa 10 entrou na vaga de Rayan. O volante Danilo Santos, cotado para iniciar o jogo deste domingo, também foi a campo, substituindo Gabriel Martinelli. Mais adiante, aos 33, a última troca: Ederson no lugar de Bruno Guimarães.
As chances desperdiçadas ao longo da partida tiveram um preço. Aos 34, logo após a entrada de Ederson, o meia Andreas Schjelderup, uma das apostas do técnico Solbakken para o segundo tempo, passou por Danilo e cruzou para Haaland, que venceu Gabriel Magalhães pelo alto e, de cabeça, mandou para as redes.
Jogadores da seleção brasileira lamentam saída da equipe ainda nas oitavas de final do campeonato – Reuters/James Lang/proibida reprodução
Como se não bastasse, aos 44, o astro norueguês marcou mais um. Em novo contra-ataque, Haaland encarou a marcação e bateu rasteiro, forte, no canto esquerdo de Alisson.
No último lance dos acréscimos, o Brasil teve mais um pênalti a favor: uma cotovelada do zagueiro Leo Ostigard em Casemiro. Neymar bateu e marcou aquele que, possivelmente, foi o último gol dele em Copas. O sonho do hexa ficou para 2030.
Texto ampliado às 19h25
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