Saúde
O que acontece no cérebro com uma doença neurodegenerativa?

As doenças neurodegenerativas são um grupo de condições que resultam na perda progressiva de neurônios, levando a uma deterioração das funções cognitivas e motoras. Exemplos comuns incluem a Doença de Alzheimer, a Doença de Parkinson e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Essas condições afetam milhões de pessoas em todo o mundo e, apesar dos avanços na pesquisa, ainda não existem tratamentos que possam interromper ou reverter o processo neurodegenerativo.
Vamos entender o que acontece no cérebro durante essas doenças, os mecanismos envolvidos, e como a tecnologia está revolucionando o diagnóstico e o tratamento.
O que acontece no cérebro com uma doença neurodegenerativa
As doenças neurodegenerativas compartilham algumas características comuns em seus mecanismos patológicos, embora cada uma tenha suas particularidades.
- Acúmulo de Proteínas Anormais: Em doenças como Alzheimer e Parkinson, o acúmulo de proteínas anormais, como as placas de beta-amiloide e os emaranhados de tau, desempenha um papel crucial. Esses depósitos interferem na comunicação entre neurônios e levam à morte celular.
- Inflamação Neural: A inflamação crônica no cérebro, muitas vezes impulsionada pela ativação de células gliais, contribui para a progressão da doença. A neuroinflamação pode exacerbar a morte neuronal e a disfunção sináptica.
- Estresse Oxidativo: O aumento da produção de radicais livres e a diminuição da capacidade antioxidante das células podem levar a danos celulares, contribuindo para a degeneração neuronal.
- Disfunção Mitocondrial: As mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia nas células, podem se tornar disfuncionais nas doenças neurodegenerativas, resultando em menor produção de ATP e aumento do estresse oxidativo.
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Exemplos de doenças neurodegenerativas
Doença de Alzheimer
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Ela se caracteriza pela perda de memória, confusão e alterações de personalidade. No cérebro, observa-se:
- Placas de Beta-Amiloide: Essas placas se acumulam entre as células nervosas, interferindo na comunicação celular.
- Emaranhados de Tau: As proteínas tau se agregam dentro das células, prejudicando o transporte de nutrientes e levando à morte celular.

Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson é uma condição que afeta o movimento, causando tremores, rigidez e dificuldades de equilíbrio. No cérebro, as principais alterações incluem:
- Perda de Neurônios Dopaminérgicos: A morte de neurônios na substância negra do cérebro resulta em uma diminuição dos níveis de dopamina, um neurotransmissor fundamental para o controle motor.
- Corpos de Lewy: Acúmulos anormais de proteínas que podem afetar a função neuronal e estão associados a sintomas não motores, como distúrbios do sono e alterações cognitivas.
Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)
A ELA é uma doença que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal, levando à fraqueza muscular e paralisia. As características incluem:
- Degeneração de Neurônios Motores: A morte dos neurônios motores resulta em fraqueza muscular progressiva.
- Acúmulo de Proteínas: Proteínas anormais, como a TDP-43, se acumulam nas células, prejudicando sua função.
Tecnologia no Diagnóstico de Doenças Neurodegenerativas
O diagnóstico precoce é crucial para o manejo eficaz das doenças neurodegenerativas, e a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante nesse processo. Nos últimos anos, diversas inovações tecnológicas têm surgido, proporcionando novas maneiras de detectar e monitorar essas condições complexas.
Um exemplo fundamental são as técnicas de neuroimagem, como a ressonância magnética (MRI) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET). Essas ferramentas são essenciais para visualizar alterações estruturais e funcionais no cérebro, permitindo a detecção precoce de biomarcadores associados a doenças neurodegenerativas, como as placas de beta-amiloide na Doença de Alzheimer, antes mesmo que os sintomas clínicos se manifestem de forma evidente.

A identificação de tais biomarcadores é um campo em expansão, e os estudos focados em biomarcadores presentes em fluidos corporais, como sangue e líquido cefalorraquidiano, têm ganhado destaque. Através da pesquisa contínua, espera-se que a detecção de biomarcadores específicos facilite o diagnóstico precoce e o monitoramento da progressão da doença, melhorando assim o prognóstico e a gestão clínica.
Outro avanço significativo vem do uso da Inteligência Artificial (IA) no diagnóstico de doenças neurodegenerativas. A IA está transformando a forma como os diagnósticos são realizados, pois algoritmos de aprendizado de máquina têm a capacidade de analisar grandes volumes de dados de neuroimagem e identificar padrões complexos que podem não ser imediatamente evidentes para os clínicos.
Essa capacidade de processamento permite diagnósticos mais precisos e personalizados, ajudando os profissionais de saúde a desenvolverem planos de tratamento mais eficazes e adaptados às necessidades individuais dos pacientes. Além disso, o uso de dispositivos vestíveis e tecnologias de monitoramento está se tornando cada vez mais comum na gestão de doenças neurodegenerativas.
Wearables, que monitoram continuamente a atividade física e os padrões de sono, podem fornecer dados valiosos sobre a progressão da doença e a eficácia das intervenções terapêuticas. Esses dispositivos oferecem aos médicos uma visão em tempo real da condição do paciente, permitindo ajustes imediatos no tratamento e promovendo uma abordagem mais proativa na gestão de doenças complexas.
À medida que a tecnologia continua a avançar, a expectativa é que novas ferramentas e métodos de diagnóstico se tornem disponíveis, oferecendo ainda mais precisão e eficácia no combate às doenças neurodegenerativas. A integração dessas tecnologias emergentes na prática clínica diária não só melhora a capacidade de diagnóstico, mas também contribui significativamente para a qualidade de vida dos pacientes, permitindo intervenções mais precoces e personalizadas.
Avanços no Tratamento
Embora não existam curas definitivas para as doenças neurodegenerativas, os avanços tecnológicos estão levando a novas abordagens de tratamento.
- Terapias Baseadas em Células: Pesquisas estão sendo realizadas para usar células-tronco para regenerar neurônios danificados ou substituir células perdidas.
- Tratamentos Farmacológicos: Novos medicamentos estão sendo desenvolvidos para modificar o curso da doença, como inibidores de beta-amiloide para Alzheimer e agonistas da dopamina para Parkinson.
- Estimulação Cerebral Profunda: Esta técnica envolve a inserção de eletrodos no cérebro para tratar sintomas motores da Doença de Parkinson, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
- Terapias Comportamentais e Cognitivas: Intervenções não farmacológicas, como terapia ocupacional e fisioterapia, têm mostrado eficácia na melhoria da função cognitiva e na manutenção da qualidade de vida.
As doenças neurodegenerativas representam um desafio significativo para a saúde pública, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. A compreensão dos mecanismos subjacentes a essas condições é crucial para o desenvolvimento de diagnósticos e tratamentos eficazes. A tecnologia está desempenhando um papel vital nesse processo, oferecendo novas ferramentas para a detecção precoce e o manejo das doenças.
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Saúde
Sobe para 140 número de casos confirmados de Mpox no país, em 2026

O número de casos confirmados de Mpox no país subiu para 140 desde o início de 2026. Não houve registro de mortes decorrentes da doença no período. Os casos suspeitos somam 539; além de 9 prováveis. Os dados são do Ministério da Saúde e foram atualizados nesta segunda-feira (9).![]()
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Em janeiro, o número de casos confirmados e prováveis totalizou 68; em fevereiro, 70; e em março, 11. No ano, o estado que mais registrou casos da doença foi São Paulo (93), seguido pelo Rio de Janeiro (18) e Rondônia (11).
Mpox
A Mpox é uma doença do mesmo gênero da varíola humana, mas geralmente menos letal. Trata-se de uma doença zoonótica viral em que a transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com pessoas infectadas pelo Mpox vírus, materiais contaminados com o vírus, ou animais silvestres infectados.
Os sinais e sintomas, em geral, incluem erupção cutânea ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrio, e fraqueza.
Pessoas com sintomas compatíveis devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. Recomenda-se evitar o contato próximo com outras pessoas.
Saúde
Obesidade está por trás de 10% das mortes por infecção no mundo – saiba o porquê

Um estudo divulgado na revista The Lancet aponta que os problemas relacionados à obesidade podem ser ainda mais graves do que se pensava. De acordo com o trabalho, 1 em cada 10 mortes relacionadas a infecções são atribuídas ao excesso de peso.
A doença, que já é considerada uma epidemia nos dias de hoje, pode impactar a resposta imunológica do corpo, tornando as pessoas mais vulneráveis a infecções. Cientistas de diversas partes do mundo estão investigando essa conexão e buscando entender as razões por trás desse fenômeno alarmante.
Trabalho pode ajudar a reduzir número de mortes
Estudos anteriores já mostraram que indivíduos com obesidade tendem a desenvolver complicações mais graves quando contaminados por vírus e bactérias. Agora, com essa nova pesquisa, a preocupação aumenta, buscando soluções que possam ajudar a mitigar esses riscos.
Uma das teorias que está ganhando força sugere que a inflamação crônica associada à obesidade pode prejudicar a eficácia do sistema imunológico. Essa condição cria um ambiente no corpo que pode favorecer a proliferação de infecções.

Excesso de peso pode prejudicar resposta imunológica do organismo (Imagem: grinvalds/iStock)
Portanto, entender essa dinâmica é crucial para criar estratégias de saúde pública que ajudem a prevenir complicações relacionadas à obesidade.
Além disso, os pesquisadores estão se perguntando se as vacinas têm a mesma eficácia em indivíduos com excesso de peso. Essa dúvida é ainda mais pertinente considerando o contexto atual, onde a vacinação se tornou uma prioridade global.
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Desafio global
- A ligação entre obesidade e mortes por infecções representa um desafio significativo para a saúde global.
- À medida que os cientistas continuam a desvendar os mecanismos por trás dessa relação, novas informações podem surgir.
- E estes dados são considerados fundamentais para possibilitar intervenções mais eficazes para proteger os grupos mais vulneráveis.
- Para isso, no entanto, novos estudos são necessários.
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Saúde
Remédio que dispensa jejum é mais potente que semaglutida oral, diz estudo na Lancet

Um novo medicamento experimental chamado orforgliprona, da Eli Lilly, demonstrou resultados significativos para adultos que enfrentam a obesidade e o diabetes tipo 2. Em testes que duraram 72 semanas, os pacientes que utilizaram a substância conseguiram reduzir o peso corporal em até 9,6%.
Os dados, publicados na revista científica The Lancet, mostram que o remédio foi muito mais eficiente que o placebo. A grande vantagem prática é que se trata de uma pílula oral que não exige restrições de horário para comer ou beber água, o que torna o tratamento muito mais simples de seguir no dia a dia.
Além de emagrecer, o medicamento, que pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, ajudou a controlar o açúcar no sangue e melhorou indicadores da saúde do coração.
Orforgliprona supera semaglutida oral no controle do diabetes
Um estudo, chamado ACHIEVE-3, comparou diretamente o novo fármaco com a semaglutida oral (famosa versão em comprimido de tratamentos para diabetes) em 1.698 adultos. Durante um ano, os participantes tomaram doses diárias de 12 mg ou 36 mg de orforgliprona, ou doses de 7 mg ou 14 mg de semaglutida, sempre acompanhados de mudanças no estilo de vida.

Os números mostram uma vantagem clara: a dose de 36 mg da orforgliprona promoveu uma perda de peso de 8,9 kg, enquanto a semaglutida de 14 mg ficou em 5 kg. Isso significa que o medicamento experimental foi 73,6% mais potente para emagrecer do que o concorrente já disponível no mercado. No controle da glicose, a orforgliprona também venceu, reduzindo a hemoglobina glicada em 2,2%, contra 1,4% da semaglutida.
No entanto, o tratamento exige atenção aos efeitos colaterais. Assim como outros remédios da mesma família, a orforgliprona causa náuseas, diarreia e vômitos, principalmente no início do ajuste das doses. Um ponto de alerta é que o número de pessoas que desistiram do tratamento por não suportarem esses efeitos foi maior no novo medicamento (entre 8,7% e 9,7%) do que na semaglutida (cerca de 4,5% a 4,9%).
Apesar do desconforto gástrico, a substância trouxe melhorias no colesterol e na pressão arterial dos voluntários. Quanto à segurança, as mortes registradas durante os testes globais não tiveram relação comprovada com o uso do remédio. A fabricante Eli Lilly agora aguarda a decisão do FDA, a Anvisa dos Estados Unidos, para liberar o uso contra a obesidade no próximo trimestre. O pedido para o tratamento específico de diabetes tipo 2 deve ficar para o fim de 2026.
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