Ligue-se a nós

Saúde

Qual efeito de energéticos no corpo?

Redação Informe 360

Publicado

no

Os energéticos têm se tornado uma presença constante na vida moderna, especialmente para aqueles que buscam um aumento rápido de energia e foco. Seja para estudantes em época de provas, profissionais em jornadas de trabalho extensas ou atletas que precisam de um impulso extra, essas bebidas prometem uma solução quase mágica para o cansaço e a falta de concentração.

No entanto, é essencial entender os efeitos dos energéticos e como eles realmente afetam o corpo humano, os riscos associados ao seu consumo e se há alternativas mais seguras ou saudáveis.

O que são energéticos e como eles funcionam?

Os energéticos são bebidas projetadas para ter um efeito de aumentar temporariamente os níveis de energia e melhorar o desempenho mental e físico. A maioria contém uma combinação de ingredientes estimulantes, sendo a cafeína o componente principal, além de outros como taurina, guaraná, ginseng, vitaminas do complexo B e açúcar.

Cafeína: o principal ingrediente ativo

A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que bloqueia a adenosina, um neurotransmissor responsável por promover o sono. Ao fazer isso, a cafeína aumenta a liberação de outros neurotransmissores, como dopamina e norepinefrina, que elevam o estado de alerta e melhoram o humor.

Anúncio

Além disso, a cafeína pode aumentar a liberação de adrenalina, preparando o corpo para a resposta de “luta ou fuga”, que resulta em um aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e do fluxo sanguíneo para os músculos.

Leia também:

Outros ingredientes comuns em enegréticos

  • Taurina: Um aminoácido que pode ajudar na regulação do volume celular e tem propriedades antioxidantes. Acredita-se que a taurina em combinação com a cafeína possa melhorar o desempenho atlético, mas mais pesquisas são necessárias para confirmar isso.
  • Guaraná: Outra fonte natural de cafeína que pode potencializar os efeitos estimulantes.
  • Ginseng: Uma erva que é frequentemente usada por suas propriedades antioxidantes e para aumentar a resistência física e mental.
  • Vitaminas do Complexo B: Essas vitaminas ajudam na conversão de alimentos em energia, mas, em energéticos, sua eficácia é debatida, pois já são abundantes em uma dieta equilibrada.
  • Açúcar: Embora forneça uma rápida fonte de energia, o açúcar em grandes quantidades pode levar a uma série de problemas de saúde, como ganho de peso, resistência à insulina e cáries dentárias.

Efeitos dos energéticos no corpo humano

O consumo de energéticos pode ter uma variedade de efeitos no corpo, tanto positivos quanto negativos. Vamos explorar esses efeitos com mais detalhes.

Benefícios Potenciais

  • Aumento de energia e alerta mental: Devido à presença de cafeína, os energéticos podem aumentar temporariamente a energia e melhorar a concentração. Isso é particularmente útil em situações onde se precisa de um desempenho mental ou físico imediato, como durante longas sessões de estudo ou em competições esportivas.
  • Melhora do desempenho físico: Alguns estudos sugerem que os energéticos podem aumentar a resistência e o desempenho físico em atividades de alta intensidade, graças à combinação de cafeína e taurina. No entanto, esse efeito pode variar de pessoa para pessoa.
  • Aumento da motivação e do humor: A liberação de neurotransmissores como a dopamina pode levar a um aumento temporário do humor e da motivação, tornando as tarefas menos agradáveis mais toleráveis por um curto período.
Homem correndo enquanto usa exoesqueleto X1 da startup chinesa Dnsys
(Imagem: Divulgação/Dnsys)

Riscos e efeitos adversos

  • Aumento da frequência cardíaca e pressão arterial: O consumo excessivo de cafeína pode causar um aumento da frequência cardíaca (taquicardia) e da pressão arterial, o que pode ser perigoso para pessoas com condições cardíacas preexistentes ou hipertensão.
  • Problemas de sono: Os efeitos estimulantes da cafeína podem interferir no ciclo de sono, causando insônia ou reduzindo a qualidade do sono. Isso pode levar a um ciclo vicioso de dependência de cafeína para combater a fadiga diurna resultante.
  • Ansiedade e nervosismo: Em doses elevadas, a cafeína pode causar efeitos colaterais como ansiedade, tremores e irritabilidade, devido à superestimulação do sistema nervoso central.
  • Dependência e tolerância: O uso regular de energéticos pode levar à dependência de cafeína, onde o corpo se torna adaptado aos efeitos da substância e requer doses maiores para obter o mesmo efeito, resultando em um ciclo de consumo crescente.
  • Efeitos negativos do açúcar: Muitos energéticos são carregados de açúcar, o que pode contribuir para o ganho de peso e aumentar o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O consumo regular de bebidas açucaradas está associado a efeitos negativos na saúde metabólica geral.

Quem deve evitar energéticos?

Embora os energéticos possam ser seguros para consumo ocasional em adultos saudáveis, existem grupos de pessoas que devem evitá-los completamente:

  • Adolescentes e Crianças: O sistema nervoso em desenvolvimento é mais suscetível aos efeitos adversos da cafeína, tornando seu consumo em energéticos inadequado para esses grupos.
  • Gestantes e Lactantes: A cafeína pode atravessar a placenta e também ser passada para o leite materno, potencialmente afetando o feto ou o bebê.
  • Indivíduos com condições cardíacas: Pessoas com problemas cardíacos ou hipertensão devem evitar energéticos, devido ao risco de exacerbação de sintomas.
  • Pessoas com ansiedade: Aqueles que sofrem de transtornos de ansiedade podem achar que a cafeína intensifica os sintomas de nervosismo e inquietação.

Alternativas mais saudáveis: existe um energético melhor?

Diante dos riscos associados ao consumo excessivo de energéticos, muitas pessoas buscam alternativas mais saudáveis. Entre as opções disponíveis, encontramos:

Energéticos sem açúcar

Energéticos sem açúcar ou com adoçantes artificiais são frequentemente comercializados como alternativas mais saudáveis. Embora removam os efeitos negativos do açúcar, esses energéticos ainda contêm altas doses de cafeína, o que pode apresentar problemas semelhantes.

Café e chá

O café e o chá são formas naturais e amplamente consumidas de cafeína que podem oferecer um impulso de energia sem os aditivos encontrados em energéticos. O chá verde, em particular, contém L-teanina, que pode ajudar a moderar os efeitos da cafeína e proporcionar um estado de alerta mais calmo.

Anúncio
imagem descreve diferentes remédios amontoados em comprimido, cápsula e pílulas
(Reprodução: @freestocks/Unsplash)

Suplementos de cafeína em cápsulas

Para aqueles que procuram apenas os efeitos da cafeína sem outros aditivos, cápsulas de cafeína são uma alternativa prática. No entanto, é crucial seguir as recomendações de dosagem para evitar efeitos adversos.

Suplementos naturais

Ingredientes naturais como guaraná, ginseng e maca são alternativas populares, frequentemente encontradas em suplementos ou bebidas energéticas naturais. Esses ingredientes podem oferecer um aumento de energia com menos riscos associados à cafeína pura.

O consumo histórico de energéticos naturais

Embora as bebidas energéticas modernas sejam um fenômeno recente, a humanidade tem buscado formas de aumentar a energia e o estado de alerta há séculos. Três exemplos notáveis dessa busca histórica por estímulos naturais são o cacau, o café e o guaraná, que, em diferentes regiões e culturas, foram adotados por suas propriedades revigorantes e benefícios à saúde.

O cacau, originário das civilizações maias e astecas, era consumido em forma de bebida energética e reverenciado por seus efeitos estimulantes e afrodisíacos. Os antigos povos mesoamericanos acreditavam que o cacau era um presente divino e o utilizavam em cerimônias religiosas e como moeda de troca. O cacau é rico em teobromina, uma substância semelhante à cafeína, que proporciona um efeito energizante suave, além de ser uma excelente fonte de antioxidantes benéficos. Esses antioxidantes ajudam a combater os radicais livres no organismo, contribuindo para a saúde geral e o bem-estar.

Já o café, descoberto na Etiópia e popularizado no Oriente Médio, rapidamente se tornou uma das bebidas mais consumidas no mundo. Sua popularidade é atribuída não apenas ao seu sabor rico e estimulante, mas também aos seus efeitos energizantes.

Anúncio

O café é uma das principais fontes de cafeína na dieta moderna, e seu consumo está associado a um aumento do estado de alerta e concentração. Além disso, o café oferece uma série de antioxidantes que podem ter benefícios potenciais à saúde quando consumido com moderação, incluindo a redução do risco de certas doenças crônicas, como o diabetes tipo 2 e doenças neurodegenerativas.

Grãos de café
Imagem: Ilja Generalov/Shutterstock

Outro exemplo importante de um energético natural é o guaraná, uma planta nativa da região amazônica que tem sido usada há muito tempo por tribos indígenas como um estimulante natural. O guaraná é particularmente conhecido por seu alto teor de cafeína, que é aproximadamente o dobro do encontrado nos grãos de café.

Devido a essa alta concentração de cafeína, o guaraná é eficaz em aumentar os níveis de energia e melhorar a atenção e o foco mental. Além disso, o guaraná contém outros compostos bioativos, como taninos e saponinas, que também oferecem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, tornando-o uma escolha popular em várias bebidas energéticas e suplementos dietéticos em todo o mundo.

O equilíbrio é a chave

Os energéticos podem ser uma solução eficaz para um aumento rápido de energia, mas é crucial consumi-los com responsabilidade e consciência dos possíveis efeitos adversos. Para a maioria das pessoas, o consumo ocasional é seguro, mas não deve se tornar um hábito diário. Alternativas naturais e um estilo de vida equilibrado, incluindo dieta saudável e sono adequado, são fundamentais para manter níveis de energia sustentáveis e promover o bem-estar geral.

Se você optar por consumir energéticos, escolha opções sem açúcar e fique atento às suas necessidades pessoais e limitações. Lembre-se, cada corpo é único, e o que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra. Consultar um profissional de saúde é sempre uma boa ideia para entender melhor como os energéticos podem afetar você, especialmente se você pertence a algum dos grupos que devem evitá-los.

Anúncio

O post Qual efeito de energéticos no corpo? apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo
Anúncio

Saúde

Execução com injeção letal falha após duas doses de droga nos EUA

Redação Informe 360

Publicado

no

Uma tentativa de execução por injeção letal falhou nesta quarta-feira (30), no Tennessee, nos Estados Unidos. Mesmo após receber duas doses de pentobarbital, a condenada Christa Gail Pike continuou respirando e precisou ser levada a um hospital.

Pike, de 50 anos, seria a primeira mulher executada no estado em mais de 200 anos. Após o procedimento malsucedido, o governador Bill Lee determinou uma investigação independente e suspendeu as execuções no Tennessee até o fim do ano.

Sala de injeção letal
O procedimento que envolveu Christa Pike foi suspenso após a condenada continuar respirando depois da aplicação do pentobarbital. – Imagem criada por inteligência artificial: Manus/Olhar Digital

Sobrevivência após aplicação da droga

O procedimento estava marcado para as 10h, mas foi suspenso temporariamente por uma série de decisões judiciais. Uma hora antes do horário previsto, um tribunal de apelações interrompeu a execução. Horas depois, a Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão, e o procedimento foi realizado à noite.

Após a aplicação do pentobarbital, porém, Pike continuou respirando. Às 20h05, quando as persianas da sala foram fechadas pela segunda vez, testemunhas disseram que ela ainda respirava e, em alguns momentos, roncava.

O jornalista John North, da emissora WBIR, estava entre as testemunhas e descreveu o que viu:

Anúncio

“A respiração dela não estava bem. Estava meio forçada, ofegante.”

Pike foi levada ao hospital, mas não foram divulgadas informações posteriores sobre seu estado de saúde. Segundo Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, o episódio não tem precedente conhecido. Ela afirmou que outras sete pessoas sobreviveram a execuções malsucedidas nos Estados Unidos, mas, nesses casos, as equipes não conseguiram acessar uma veia para aplicar os medicamentos.

O que aconteceu com o pentobarbital

O pentobarbital pertence à classe dos barbitúricos, medicamentos que reduzem a atividade do sistema nervoso central. Durante décadas, essas substâncias foram usadas como sedativos, anestésicos e no controle de convulsões, antes de serem substituídas pelos benzodiazepínicos por causa dos riscos associados ao uso.

Leia mais:

Anúncio

Em doses maiores, os barbitúricos podem provocar sono e anestesia. Nas quantidades utilizadas em execuções e eutanásia, o efeito esperado é interromper funções essenciais do organismo, como respiração e circulação.

A defesa de Pike afirma que os problemas já haviam surgido antes da aplicação. Em comunicado, os advogados mencionaram acesso venoso difícil, veias rompidas, pentobarbital degradado e ausência de atendimento médico de emergência. Também disseram que todo o procedimento ocorreu sob um protocolo mantido em sigilo pelo estado.

Durante a noite, os defensores recorreram à Justiça para tentar interromper a execução. Eles alegaram que Pike estava sendo submetida a uma “agonia desnecessária” e que seus direitos contra punições cruéis e incomuns estavam sendo violados.

Prisioneiro algemado à morte por injeção letal, frasco com tiopental sódico e seringa em cima de uma mesa, imagem conceitual
O pentobarbital reduz a atividade do sistema nervoso central e, em doses elevadas, pode interromper funções vitais. – Imagem: digicomphoto/iStock

Crime de 1995 e investigação

Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, cometido em Knoxville em 1995. Ela tinha 18 anos na época. Pike e o então namorado foram condenados pelo espancamento e esfaqueamento da jovem, que era colega dos dois em uma instituição de treinamento profissional.

O caso ganhou repercussão nacional por detalhes como um pentagrama gravado no corpo da vítima. Esses elementos alimentaram o chamado “pânico satânico”, onda de temor sobre cultos satânicos que marcou os Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990.

O episódio desta quarta-feira não foi o primeiro problema do Tennessee com a aplicação do pentobarbital neste ano. Em maio, a execução de Tony Carruthers foi cancelada depois de mais de uma hora de tentativas frustradas para encontrar uma veia.

Anúncio

Agora, a investigação independente deverá esclarecer em que ponto o procedimento falhou. Entre as questões estão a aplicação do medicamento, sua condição e o protocolo adotado pelo estado. A única outra execução prevista para o período também fica suspensa durante a pausa determinada pelo governador.

O post Execução com injeção letal falha após duas doses de droga nos EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Anúncio
Continuar Lendo

Saúde

Japão realiza 1ª cirurgia do mundo com células-tronco no coração

Redação Informe 360

Publicado

no

Um hospital no Japão realizou a primeira cirurgia cardíaca do mundo utilizando lâminas de células do músculo cardíaco derivadas de células iPS. O procedimento foi feito em uma paciente de 50 anos com insuficiência cardíaca grave.

Liderada pelo cirurgião Yoshiki Sawa, a equipe implantou três lâminas de cardiomiócitos no coração da paciente. A terapia recebeu aprovação condicional do governo japonês em março e foi desenvolvida para pessoas que já esgotaram outras opções de tratamento.

Procedimento de uma hora abre caminho para tratar casos graves de insuficiência cardíaca antes considerados irreversíveis. Imagem: PorporLing – Shutterstock

Lâminas de células reprogramadas chegam aos hospitais

A operação durou cerca de uma hora e foi realizada no Hospital Osaka Keisatsu. Os cardiomiócitos são as células que formam o músculo do coração e permitem que ele se contraia a cada batimento, bombeando sangue para o organismo. No tratamento, essas células são produzidas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS.

Leia mais:

As células iPS são obtidas pela reprogramação de células adultas especializadas, que retornam a um estado semelhante ao de células jovens. A partir delas, os pesquisadores conseguem produzir diferentes tipos de células, incluindo os cardiomiócitos usados na terapia.

A tecnologia foi desenvolvida por Sawa em parceria com o cientista Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de 2012 por suas pesquisas com células iPS. A proposta é melhorar a função do músculo cardíaco e, com isso, favorecer o desempenho do coração e a capacidade de realizar atividades físicas.

Anúncio

Após a cirurgia, Sawa falou sobre a expectativa para a paciente: “Esperamos que isso melhore a qualidade de vida da paciente.”

Frasco com células-tronco
A equipe médica japonesa planeja realizar procedimentos com tecidos regenerativos em até 75 pacientes até o ano de 2033. – Imagem: Lightspring/Shutterstock

O que os primeiros testes mostraram

A aprovação condicional da terapia veio depois de testes com oito pacientes que tinham doença cardíaca isquêmica, causada pelo estreitamento das artérias coronárias. Todos apresentaram redução dos sintomas, enquanto quatro também tiveram melhora na função cardíaca.

Os resultados iniciais ajudam a explicar por que a equipe pretende ampliar o número de procedimentos. O plano é realizar operações semelhantes em 75 pacientes até 2033 e acompanhar os resultados para avaliar a eficácia e a segurança da técnica.

Para essa nova etapa, alguns pontos serão especialmente importantes:

  • acompanhar os pacientes por um período prolongado;
  • verificar se os benefícios observados nos primeiros testes se repetem em um grupo maior;
  • avaliar a segurança da terapia ao longo do acompanhamento;
  • reunir dados que permitam uma análise mais ampla dos resultados.

A expectativa é que a terapia seja autorizada de forma definitiva depois que seus benefícios e sua segurança forem comprovados ao longo dos próximos sete anos.

O Japão também concedeu aprovação condicional, em março, a outro tratamento baseado em células iPS, desta vez para a doença de Parkinson. A terapia utiliza as células transplantadas no cérebro.

Anúncio

A cirurgia cardíaca inicia uma nova etapa para o uso clínico dessa tecnologia regenerativa no país. Os próximos procedimentos devem fornecer mais informações sobre a segurança e os efeitos do tratamento.

O post Japão realiza 1ª cirurgia do mundo com células-tronco no coração apareceu primeiro em Olhar Digital.

Powered by WPeMatico

Anúncio
Continuar Lendo

Saúde

Cheiro do umbigo pode carregar sinais de doenças, como Parkinson e declínio cognitivo

Redação Informe 360

Publicado

no

O cheiro do umbigo pode esconder mais informações sobre a saúde do que se imaginava. Um estudo preliminar descobriu que os perfis químicos presentes em amostras coletadas da região podem apresentar diferenças entre pessoas saudáveis e indivíduos com doença de Parkinson, comprometimento cognitivo leve ou Covid-19.

A pesquisa envolveu apenas 24 participantes e foi conduzida como prova de conceito. Os resultados, portanto, ainda não permitem afirmar que o umbigo possa ser utilizado para diagnosticar doenças.

A região do umbigo funciona naturalmente como um reservatório de células mortas da pele, sebo e suor, além de abrigar bactérias que se alimentam desse material. A combinação desses elementos produz compostos que contribuem para o odor característico da região.

Esses compostos fazem parte de um conjunto de compostos orgânicos voláteis (VOCs), moléculas pequenas que contêm carbono e evaporam facilmente quando entram em contato com o ar. Elas podem deixar o organismo por meio do suor, da respiração, da urina, da saliva e dos óleos produzidos pela pele.

Anúncio

O perfil desses compostos pode variar de acordo com diferentes fatores, como alimentação e medicamentos. Doenças também podem alterar a composição química dos odores produzidos pelo corpo.

Pesquisadores analisaram o cheiro do corpo

  • Para investigar se essas diferenças poderiam ajudar a identificar doenças, pesquisadores utilizaram uma técnica de análise chamada espectroscopia fotoacústica baseada em laser;
  • O método foi aplicado a amostras coletadas de três regiões do corpo: interior do nariz, área próxima à concha da orelha e umbigo;
  • Os pesquisadores recrutaram 24 pessoas, divididas em quatro grupos de seis participantes: pessoas com Parkinson, pessoas com comprometimento cognitivo leve, indivíduos com Covid-19 e um grupo de controle saudável;
  • Cada participante teve as três regiões coletadas durante aproximadamente dez segundos com um cotonete estéril. As amostras foram então seladas e congeladas até o momento da análise.

No laboratório, os pesquisadores colocaram os cotonetes em um suporte especialmente desenvolvido e passaram ar sintético altamente purificado sobre eles. O procedimento transportou os compostos orgânicos voláteis para um espectrômetro fotoacústico baseado em laser.

Quando os VOCs absorvem a luz infravermelha emitida pelo laser, a energia absorvida aquece o gás ao redor das moléculas. Isso provoca uma expansão que produz pequenas ondas de pressão, semelhantes a sons, que podem ser detectadas por um sensor extremamente sensível.

Como diferentes moléculas absorvem a luz infravermelha com intensidades diferentes em determinados comprimentos de onda, os pesquisadores conseguiram criar uma espécie de “impressão digital” espectral da mistura química presente em cada amostra.

Depois, uma técnica estatística chamada análise de componentes principais foi utilizada para procurar padrões e verificar se amostras de pessoas com a mesma condição apresentavam características semelhantes.

Anúncio

Umbigo apresentou diferenças entre os grupos

As diferenças mais claras apareceram nas amostras do nariz e do umbigo. No caso do umbigo, os perfis químicos apresentaram padrões distintos entre os grupos. A maior separação ocorreu entre participantes saudáveis e aqueles com comprometimento cognitivo leve.

As amostras de pessoas com Parkinson e Covid-19 ficaram entre esses grupos, com alguma sobreposição entre os padrões.

Os pesquisadores também tiveram a oportunidade de verificar se um dos padrões permanecia estável ao longo do tempo.

Duas semanas depois das primeiras medições, foram coletadas amostras de outras três pessoas com Parkinson. Quando esses novos dados foram acrescentados à análise, eles ficaram agrupados junto às amostras originais de participantes com Parkinson.

Anúncio

Os pesquisadores, porém, ressaltam que o resultado é preliminar, já que foram apenas três participantes adicionais. Ainda assim, a concentração das novas amostras no mesmo grupo sugere que o padrão observado pode não ser apenas uma característica de pessoas específicas em um determinado dia.

uma mão segurando um desenho de uma cabeça com o cérebro representado por uma árvore sob o vento para demonstrar as condições de um paciente com Alzheimer.
Parkinson e outras doenças poderiam ser identificadas pelo umbigo – Imagem: Berit Kessler/Shutterstock

Leia mais:

Análise pode ficar mais simples no futuro

A experiência também indicou que um equipamento mais simples poderia ser suficiente para identificar os padrões.

Na análise inicial, os pesquisadores percorreram uma ampla faixa de comprimentos de onda infravermelha. Ao procurar quais comprimentos carregavam as informações mais úteis, descobriram que apenas cinco comprimentos de onda individuais conseguiam separar os grupos de maneira quase tão eficiente quanto a faixa mais informativa do espectro.

Isso significa que equipamentos desenvolvidos futuramente poderiam ser menores, mais simples e potencialmente mais baratos do que o sistema completo utilizado no experimento.

Anúncio

Estudo ainda tem limitações importantes

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam limitações significativas.

A primeira é o número reduzido de participantes. Com apenas 24 pessoas, o estudo serve como prova de conceito, mas não permite concluir que o umbigo possa ser usado para diagnosticar problemas de saúde.

A idade dos participantes também representa uma questão importante. Os pesquisadores observaram que a idade estava associada a diferenças nas impressões digitais espectrais. Além disso, dentro do pequeno grupo analisado, idade e diagnóstico estavam muito relacionados, o que impediu separar completamente os efeitos de cada um.

Com uma amostra maior, seria possível investigar se os padrões associados às doenças permanecem independentemente do envelhecimento.

Anúncio

Outro ponto é que o experimento foi realizado em condições rigorosamente controladas de laboratório. No mundo real, fatores, como sabonete, perfume, higiene pessoal e contaminantes ambientais, poderiam alterar a composição química das amostras.

Por isso, estudos maiores, com grupos pareados por idade e realizados em condições mais próximas da vida cotidiana, ainda serão necessários para verificar se os padrões observados realmente estão associados às doenças.

Por enquanto, os pesquisadores tratam os resultados como uma indicação de que os compostos presentes no odor do corpo podem representar uma possível área de investigação para métodos não invasivos de identificação de doenças.

O post Cheiro do umbigo pode carregar sinais de doenças, como Parkinson e declínio cognitivo apareceu primeiro em Olhar Digital.

Anúncio

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo

Em Alta