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O que a tecnologia reserva para nossa saúde bucal? Descubra

Redação Informe 360

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Já pensou se, um dia, apenas um medicamento fosse capaz de regenerar um dente quebrado/perdido? E que nanorrobôs fizessem o papel de sua escova de dente, ajudando em nossa saúde bucal?

Cientistas dizem que esse cenário, aparentemente utópico, está cada vez mais próximo de virar realidade, como diz o Dr. Hyun (Michel) Koo, diretor cofundador do Centro de Inovação e Odontologia de Precisão da Universidade da Pensilvânia (EUA) ao The Wall Street Journal: “Estamos, de fato, procurando por tecnologia disruptiva.”

Nesse âmbito, confira, a seguir, algumas das inovações tecnológicas e descobertas que podem inovar nossa saúde bucal no futuro (não tão distante assim).

Nanorrobôs limpando nossos dentes

Vários nanorrobôs poderão limpar nossos dentes e nos economizar um tempão que gastamos diariamente escovando-os. Sem contar que, teoricamente, eles vão alcançar lugares que nem mesmo o fio dental consegue.

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Koo explica que é uma solução três em um, pois, por meio de sistema automatizado, os nanorrobôs funcionariam como escova de dentes, fio dental e, até, enxaguante bucal.

A tecnologia vem sendo desenvolvida por Koo e Edward Steager, pesquisador sênior da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade da Pensilvânia.

Ela utiliza nanopartículas de compostos de óxido de ferro, aprovadas pela FDA (espécie de Anvisa dos EUA) para uso desde imagens até corantes alimentícios. Isso é possível por conta de sua capacidade de assunção de três tonalidades distintas: vermelha, amarela ou marrom.

Koo explica que o usuário dessa tecnologia “pode comê-los”, inclusive. Juntas, as nanopartículas formam nanorrobôs capazes de realizar tarefas complexas.

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  • Ímãs guiam o conjunto de nanorrobôs para assumirem diversas formas, como cerdas para escovação ou um fio alongado semelhante a um fio dental;
  • Com apenas um botão, nossa rotina de higiene bucal diária torna-se automática por meio da programação de quando e onde tais ímãs se ligam;
  • Hoje, os cientistas têm dois protótipos: um que lembra um protetor bucal e outro que se assemelha a uma escova de dentes;
  • Basta ligar os ímãs e injetar uma solução com os nanorrobôs e peróxido de hidrogênio, conhecido agente de limpeza;
  • Os nanorrobôs atuam como enxaguante bucal desinfectante ao serem combinados com o peróxido de hidrogênio;
  • Quando as nanopartículas ativam quimicamente o peróxido de hidrogênio, matam bactérias e quebram a placa de sujeira mais eficazmente do que o desinfectante por si só, explica Koo;
  • O sistema consegue eliminar 100% da placa em modelo de dentes e gengivas humanos impresso em 3D e 80% em animais;
  • A expectativa dos pesquisadores é a de melhorar esse número em animais até o fim dos testes com eles, previsto para acontecer até o fim deste ano.

Eles também trabalham em diminuir o tempo de limpeza, que, hoje, leva entre cinco e dez minutos, de acordo com Steager.

Já Koo tranquiliza ao dizer que o protótipo atual custaria menos do que uma escova de dentes elétrica mais sofisticada. No Brasil, um equipamento como esse ultrapassa facilmente os R$ 1 mil.

O valor é estimado com base no dispositivo que usa eletrônicos simples e nanopartículas de baixo custo produzíveis no laboratório dos pesquisadores. Eles enxergam o mercado-alvo inicial como sendo o das pessoas com deficiências que os impedem, ou dificultam, a escovação dos dentes.

Contudo, os cientistas responsáveis pela tecnologia também veem outros usos eventuais para quem busca conforto e conveniência ao cuidar da saúde bucal. “Tenho um filho que odeia escovar os dentes”, exemplifica Koo.

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Ilustração de nanorrobôs limpando dentes
Já pensou se nanorrobôs fizessem todo o “trabalho sujo”? (Imagem: Rodrigo Mozelli [gerado com IA]/Olhar Digital)

Mais saúde: bactérias bucais usadas como remédio

Outro estudo quer que as bactérias contidas na boca de uma pessoa possam ser utilizadas como remédio para outra, melhorando sua saúde. Como? A partir dos transplantes de microbiota total.

Basicamente, trata-se da transferência de bactérias da boca de um doador saudável para um paciente, similar aos transplantes de órgãos, por exemplo, mas com menor complexidade e risco (em tese).

Cientistas da Universidade do Estado da Pensilvânia e da Universidade de Adelaide (Austrália) entendem que tal tratamento será capaz, no futuro, de conter a cárie e a doença gengival.

Como isso seria possível?

Todos os seres humanos possuem cerca de 200 espécies de bactérias na boca, a depender da dieta adotada, bem como da genética e estilo de vida, segundo Laura Weyrich, professora associada da Penn State que lidera uma equipe desenvolvedora do tratamento.

Bactérias são capazes tanto de causar doenças orais, como de preveni-las e manter nossa saúde em dia. Durante dois anos, os pesquisadores procuraram por um “super doador”, ou seja, alguém que tivesse o melhor equilíbrio possível de bactérias boas e ruins na boca, e sem quaisquer cáries ou doenças gengivais.

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O escolhido foi um jovem adulto que escova os dentes somente uma vez por dia, não usa fio dental e não vai ao dentista há cinco anos (e, acreditem, ele não tem cáries). A Dra. Sonia Nath, da Universidade de Adelaide, disse que o microbioma do jovem tem tanta saúde que os hábitos de higiene bucal dele não faziam efeito contrário.

Escolhido o super doador, os cientistas pegaram a placa (no caso, espécie de gosma que reveste dentes e gengivas) da boca dele, misturaram com gel e passaram em dentes de ratos. Os roedores demonstraram queda considerável no número de cáries.

Os testes em humanos já estão perto de acontecer, pois a equipe espera começar essa etapa em 2025.

Nos estudos, eles estão tentando identificar se esse transplante funciona em pessoas, bem como se ele também funcionará em demografias distintas e com qual frequência ele deverá ser renovado (assim como precisamos renovas nossas vacinas, por exemplo).

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Por se tratar de bactérias, esse tratamento precisaria ser armazenado em temperaturas baixíssimas e, apesar de ainda estarem analisando o tempo médio de cada aplicação, o prazo inicial seria de meses entre uma e outra durante a visita ao seu dentista.

“Você faz um transplante rápido e, então, sua boca está resolvida”, estima Weyrich.

Terapia de luz vermelha para melhorar a saúde da gengiva

Os implantes dentários atuais podem causar o chamado peri-implante, doença desencadeada por bactérias que destrói o tecido ósseo ao seu redor e a gengiva. Pensando nisso, Geelsu Hwang, professor associado do departamento de ciências preventivas e restauradoras da Universidade da Pensilvânia, entende ter encontrado a solução.

Já pensou um implante que possui tecnologia suficiente para realizar terapia de luz vermelha em sua gengiva, capaz de aumentar a imunidade? E tudo sem a necessidade de bateria? Essa é a tônica do experimento de Hwang.

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A equipe do pesquisador descobriu que tanto a luz vermelha como a infravermelha próxima podem estimular o tecido gengival a liberar peptídeos antimicrobianos – proteínas do sistema imunológico que matam bactérias –, melhorando a saúde bucal.

Para isso, eles optaram pela luz infravermelha próxima por ser invisível. Essa luz atinge a gengiva ao redor do implante e a ajuda no combate a bactérias que causa infecções. “Tenho certeza de que muitas pessoas não gostariam de ter uma luz vermelha visível na boca”, opinou Hwang.

O implante em si é feito de titanato de bário, um material piezoelétrico, ou seja, gera eletricidade após estímulo físico. Movimentos, como a mastigação, ajudam a alimentar os LEDs da terapia de luz contido no implante, sem contar que o titanato de bário já afasta, por conta própria, as bactérias.

Só há uma grande desvantagem: ele é mais fraco que o zircônio, material cerâmico comumente utilizado para a confecção de implantes dentários. Contudo, Hwang disse que ele e sua equipe trabalham para deixar o titanato de bário mais forte.

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Esse implante terapêutico foi testado em células do tecido gengival cercadas por bactérias que causam doenças, descobrindo assim que 90 minutos diários de luz conseguem minimizar a inflamação. Além disso, eles analisam se o tratamento precisa ser contínuo.

Ainda este ano, eles vão testá-lo em porcos, visando, em breve, passar a realizar os testes em seres humanos.

Leia mais:

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  • Por quanto tempo devemos escovar os dentes?
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Reconstrução do esmalte dos dentes

O esmalte é a camada externa e dura dos dentes. Ela os protege de vários danos. O problema é que o corpo não é capaz de regenerá-lo conforme ele se erode. Tampouco pode ser substituído.

Contudo, os cientistas estão trabalhando em um gel capaz de reconstruí-lo, deixando nossos dentes mais fortes e menos sensíveis. Segundo Janet Moradian-Oldak, professora de ciências biomédicas e bioengenharia na Universidade da Califórnia do Sul (EUA), tal tecnologia é um sonho para muito há bastante tempo – e ela e sua equipe estão trabalhando em estudo justamente sobre isso.

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Moradian-Oldak passou os últimos 25 anos estudando as proteínas que constroem nosso esmalte e focou particularmente em uma delas: a amelogenina.

Construção do esmalte pelo corpo

A amelogenina é utilizada pelo corpo humano no início do desenvolvimento de nossos dentes para organizar cálcio e fosfato – minerais que constituem boa parte do esmalte – em camadas. Podemos comparar esse processo ao de assentamento de tijolos: a amelogenina organiza os minerais em padrão organizado e repetitivo.

A equipe da professora obteve avanços significativos em 2016, quando projetaram um peptídeo (cadeia curta de aminoácidos) baseados na amelogenina que imitou sua função com sucesso.

Uma vez que o peptídeo foi colocado em um gel e pintado na superfície de dentes do siso extraídos da boca de um paciente, uma nova camada similar ao esmalte se originou. E não foi só isso: o peptídeo conseguiu, ainda, remineralizar a dentina, camada localizada abaixo do esmalte.

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Como Moradian-Oldak afirmou, a tecnologia é buscada com altivez há tempos. Várias outras equipes mundo afora tentam obter sucesso com ela, como equipes da Universidade de Washington (EUA) e de instituições universitárias chinesas desenvolvendo algo similar.

Nos tratamentos tradicionais, o flúor atua formando manchas de depósitos minerais na superfície dos dentes, algo que não é capaz de preservar a resistência e as propriedades físicas do esmalte, tampouco as camadas estruturadas que o gel cria, segundo Moradian-Oldak.

Já os cremes dentais que contém cálcio e fosfato conseguem fornecer os blocos de consturção básicos para a mineralização, mas lhes falta o peptídeo necessário para a construção de camadas organizadas.

A professora líder do estudo tem perspectivas de que o gel seja capaz de prevenir a progressão da cárie ao reconstruir o esmalte perdido, sendo, assim, vital para nossa saúde bucal no futuro.

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Em sua opiniõa, pacientes que mais se beneficiarão (e usarão) o tratamento são aqueles com hipersensibilidade dentária, erosão dentária, lesões de manchas brancas (áreas de desmineralização) e um distúrbio genético denominado amelogênese imperfeita, que impede a formação correta do esmalte.

Existe uma chance, segundo ela, de que o gel também possa clarear os dentes ao formar nova camada sobre toda a superfície. Contudo, a equipe não realizou testes que comprovem (ou não) essa teoria. Dessa forma, “isso é apenas uma ideia”, explicou a professora.

Todavia, assim, como as demais tecnologias que apresentamos antes, esta também tem suas limitações. Por exemplo, são necessárias ao menos 16 horas para que uma camada organizada semelhante ao esmalte cresça.

Além disso, cada uma dessas camadas é fina – seriam necessárias centenas de camadas para corresponder à espessura do esmalte. “Ainda precisamos torná-los mais espessos, mais fortes”, reforçou Moradian-Oldak.

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Por fim, a líder do estudo disse que já patenteou o gel e, agora, está no processo de solicitação de aprovação da FDA para testes clínicos.

Dentes de uma pessoa sendo tratados
Alguns dos tratamentos citados seriam realizados de tempos em tempos durante visita ao dentista (Imagem: Volodymyr TVERDOKHLIB/Shutterstock)

Remédio que faz crescer dentes

Falamos de implantes que fazem tratamentos terapêuticos para impedir que bactérias ajam na gengiva e no entorno. Mas e se, ao invés de usar um implante, você usasse um remédio que faria um dente novinho em folha crescer no lugar de seu original?

É isso o que uma equipe do departamento de odontologia e cirurgia oral do Hospital Kitano em Osaka (Japão), liderada por Katsu Takahashi, está tentando criar.

No caso, o medicamento é um anticorpo projetado para bloquear a proteína USAG-1 que, normalmente, impede o crescimento de novos dentes. O bloqueio dessa proteína permite que os brotos dos dentes, primeiro estágio da formação dental, amadureçam.

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Testes realizados em camundongos portadores de anegesia dentária congênita (condição na qual os dentes estão ausentes graças ao seu mal desenvolvimento) a partir da injeção intevenosa do medicamento trouxe resultados promissores.

Takahashi afirmou que “uma molécila tem potencial para formar um dente inteiro”. Espera-se que, até o mês que vem, seja realizado o primeiro teste em um humano. Contudo, essa primeira tentativa avaliará somente a segurança da injeção em adultos saudáveis.

Caso esse primeiro teste traga resultados positivos, a próxima etapa será testar a medicação em crianças entre dois e sete anos que não possuem dentes justamente por terem a agenesia dentária congênita.

Segundo o líder do estudo, crianças com essa condição chegam a possuir brotos dentários, mas eles não se desenvolvem como deveriam por conta de fatores genéticos e ambientais.

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A equipe do pesquisador hipotetiza que o medicamento em testes pode sim formar dentes permanentes. Todavia, o teste pode levar de três a cinco anos, tempo habitual para que um dente permanente cresça, saindo do estágio de broto na mandíbula e e surja através da gengiva.

Por último, Takahashi explicou que o grupo continuará realizando sua pesquisa básica, na esperança de expandir os usos potenciais do medicamento em adultos.

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Confira o Olhar Digital News na íntegra (15/10/2026)

Redação Informe 360

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Veja os destaques do Olhar Digital News desta quinta-feira (15/10).

OpenAI alerta Polícia Federal sobre ameaças contra Lula feitas no ChatGPT

A OpenAI comunicou à Polícia Federal que identificou conversas no ChatGPT em que um usuário manifestou a intenção de atacar ou ameaçar o presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT. O órgão encaminhou os documentos recebidos ao Ministério da Justiça, que deverá decidir se abre dois inquéritos sobre o caso.

Anthropic é pressionada a adiar IPO por riscos da IA

Mark Levine, controlador financeiro da cidade de Nova York, pediu que a Anthropic adie sua oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos, prevista para ocorrer ainda neste ano. Segundo ele, primeiro é preciso resolver as questões de segurança, governança e velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial.

Viagem até Saturno: a jornada mais ambiciosa da exploração planetária do século XX

Há exatos 29 anos, o lançamento de uma sonda espacial deu início à jornada mais ambiciosa da exploração planetária do século XX. O audacioso projeto tinha como objetivo viajar bilhões de quilômetros até Saturno para tentar o primeiro pouso na superfície de uma lua do Sistema Solar exterior.

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Starship retorna à base da SpaceX após pouso histórico no mar

Quase três meses depois de seu lançamento, a Ship 40 retornou à base da SpaceX, no Texas. Ela decolou em 24 de julho, acoplada ao propulsor Super Heavy Booster 20, durante o 13º voo de teste da Starship. A missão terminou com um pouso controlado no Oceano Índico.

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Apple supera R$ 25,2 trilhões em valor de mercado e desafia novo CEO a avançar em IA

Redação Informe 360

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A Apple encerrou o pregão desta quarta-feira (14) avaliada em US$ 5,005 trilhões (cerca de R$ 25,2 trilhões), tornando-se a segunda empresa da história a fechar o dia acima da marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado.

O feito consolida o legado de Tim Cook e estabelece desafio para seu sucessor, John Ternus: manter o crescimento da companhia e fortalecer sua posição na corrida pela inteligência artificial (IA).

As ações da fabricante do iPhone fecharam em nível recorde, levando a capitalização de mercado a superar por pouco o patamar histórico. A empresa já havia ultrapassado US$ 5 trilhões durante o pregão em outras seis ocasiões, mas nunca tinha encerrado uma sessão acima desse valor. A Nvidia foi a primeira companhia a atingir esse marco.

A mudança de comando ocorre depois de 15 anos de Cook à frente da Apple. Durante sua gestão, encerrada em 31 de agosto, o valor de mercado da companhia multiplicou-se por 13, enquanto as vendas anuais de iPhones quase quadruplicaram.

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Legado de Tim Cook inclui serviços e novos produtos

  • Cook ampliou o negócio de serviços da Apple, que passou de receita anual de US$ 10 bilhões (R$ 50,4 bilhões) para mais de US$ 100 bilhões (R$ 504 bilhões). Também lançou produtos, como Apple Watch e AirPods, que, juntos, geram mais de US$ 30 bilhões (R$ 151,2 bilhões) por ano;
  • Outro componente da estratégia foi a devolução de capital aos acionistas. A empresa destinou mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,04 trilhões) a recompras de ações e pagamento de dividendos;
  • A Apple também manteve os investimentos em capital relativamente contidos quando comparados aos de rivais que passaram a gastar somas enormes na construção de centros de dados para IA. Em vez de priorizar expansão de infraestrutura nessa escala, a empresa concentrou esforços na venda de dispositivos e de serviços com margens elevadas;
  • Essa abordagem ajudou a sustentar os retornos aos investidores e limitou parte dos riscos associados à expansão de infraestrutura;
  • As ações da Apple continuam sendo negociadas com prêmio em relação ao conjunto do S&P 500, mesmo com ritmo de crescimento da receita inferior à média do índice. Analistas atribuem essa valorização à previsibilidade dos negócios e à percepção de que a companhia oferece relativa segurança aos investidores.

Chips mais caros pressionam margens

A estratégia enfrenta novos desafios. A demanda por componentes usados em centros de dados de IA provocou escassez e aumentou os custos de chips de memória e armazenamento utilizados em iPhones, Macs e iPads.

A Apple respondeu elevando os preços de seus dispositivos, inclusive de modelos antigos de iPhone que normalmente ficariam mais baratos após o lançamento de novas versões. Em tese, os reajustes podem levar consumidores a adiar a troca de aparelhos, afetando as vendas.

Até agora, porém, a reação do mercado tem sido positiva: desde a primeira rodada de aumentos de preços, as ações da empresa avançaram 25%.

Para o analista Wamsi Mohan, do Bank of America, investidores acreditam que os consumidores continuarão dispostos a pagar mais pelos aparelhos. Assim, a companhia poderia preservar ou até ampliar o lucro total, mesmo com margens menores.

Mohan também apontou, ao The Wall Street Journal, o potencial do novo iPhone dobrável, chamado iPhone Duo, e das novidades de IA da Siri para estimular a troca de dispositivos.

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John Ternus
John Ternus tem a tarefa de manter o crescimento da companhia e fortalecer sua posição na corrida pela IA – Imagem: Tessa Bury – CC BY 4.0

Leia mais:

  • Apple lança nova Apple TV 4K com chip A19 e Siri AI
  • Apple amplia aposta na casa inteligente com novos dispositivos
  • Justiça obriga OpenAI a entregar documentos de contratação em processo da Apple

IA é o maior desafio de Ternus

A IA é considerada um dos pontos mais frágeis da estratégia da Apple. A empresa não conseguiu desenvolver um modelo de fronteira próprio que competisse com os principais sistemas do mercado e permitiu que a Siri ficasse atrás de assistentes rivais. O lançamento do ChatGPT também elevou as expectativas dos consumidores sobre o que chatbots podem fazer em smartphones.

A companhia tenta mudar esse cenário com nova versão da Siri, desenvolvida com ajuda do Google e lançada no outono do Hemisfério Norte.

Embora o assistente ainda apresente limitações em comparação com concorrentes, sua integração direta ao iPhone representa uma vantagem: a Apple controla o dispositivo usado por milhões de pessoas e tem acesso a informações pessoais que, com as devidas permissões, poderiam viabilizar funções mais contextualizadas.

O problema é que a evolução dos agentes de IA avança rapidamente. Sistemas capazes de executar tarefas em nome dos usuários aumentam a pressão para que a Apple desenvolva recursos competitivos e mantenha sua relevância no mercado.

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OpenAI também quer disputar o mercado de dispositivos

A concorrência não se limita aos softwares. A OpenAI planeja lançar uma família de dispositivos com IA e contratou centenas de ex-funcionários da Apple para impulsionar sua estratégia de hardware.

Em julho, a Apple processou a OpenAI, acusando a companhia de roubar segredos comerciais. A OpenAI afirmou não ter conhecimento de evidências que sustentem a reclamação.

Em nova manifestação judicial nesta quarta-feira, a OpenAI acusou a Apple de contratar um de seus funcionários, que teria levado arquivos confidenciais consigo. A fabricante do iPhone respondeu que não encontrou evidências que sustentem essa alegação.

A disputa mostra que o controle dos dispositivos pode ser tão importante quanto o desenvolvimento dos modelos de IA. Se a OpenAI conseguir estabelecer nova forma de interação entre pessoas e tecnologia, poderá desafiar uma posição que a Apple consolidou com o iPhone.

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Para Ternus, o avanço da IA será decisivo para definir a próxima fase da empresa. O novo CEO terá de transformar a IA em fonte de inovação e crescimento sem abandonar a disciplina financeira que marcou a gestão de Cook.

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Justiça obriga OpenAI a entregar documentos de contratação em processo da Apple

Redação Informe 360

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A Justiça dos Estados Unidos determinou que a OpenAI entregue documentos relacionados à contratação de ex-funcionários da Apple, em processo no qual a fabricante do iPhone acusa a empresa de inteligência artificial (IA) de se beneficiar de informações comerciais confidenciais.

A decisão, proferida nesta terça-feira (13), permite que a Apple tenha acesso antecipado a registros de entrevistas, mensagens privadas e outras evidências que podem ajudar a esclarecer as acusações.

O juiz federal Edward Davila, responsável pelo caso no Distrito Norte da Califórnia, concedeu parte dos pedidos apresentados pela Apple para acelerar a fase de produção de provas. A OpenAI terá cinco dias para entregar os materiais que já reuniu e 14 dias para apresentar os demais documentos abrangidos pela determinação.

A disputa está relacionada à contratação de antigos funcionários da Apple pela OpenAI, especialmente para equipes envolvidas no desenvolvimento de produtos de hardware e robótica. A empresa de Tim Cook suspeita que informações confidenciais sobre tecnologias e produtos ainda não lançados tenham sido obtidas e utilizadas indevidamente durante esse processo.

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Quais documentos a OpenAI terá de entregar?

  • A determinação judicial abrange diferentes categorias de materiais que podem ajudar a reconstruir como informações da Apple teriam circulado durante o recrutamento de funcionários;
  • Entre os documentos solicitados estão listas de verificação, guias, instruções, manuais e roteiros utilizados nas entrevistas de candidatos provenientes da Apple para a equipe de produtos de hardware de consumo da OpenAI;
  • A empresa também deverá apresentar apresentações técnicas e outros registros que documentem o conteúdo dessas entrevistas, incluindo eventuais referências a tecnologias, componentes e projetos da fabricante do iPhone;
  • Outro ponto importante envolve as evidências digitais. A decisão prevê a entrega de imagens forenses de dispositivos já coletadas no contexto das acusações, além de conversas privadas trocadas pelo aplicativo de mensagens LINE entre Chang Liu e Alyssa Peng desde janeiro de 2026;
  • O juiz também autorizou depoimentos antecipados de três ex-funcionários da Apple: Chang Liu, Alyssa Peng e Tang Yew Tan, atual diretor de hardware da OpenAI. Os depoimentos deverão ajudar a esclarecer as circunstâncias das contratações e o possível uso de informações confidenciais;
  • A Apple argumenta que o acesso antecipado é necessário para compreender a extensão do suposto desvio de segredos comerciais e fundamentar seu pedido de medidas judiciais contra os envolvidos.

Apple acusa ex-funcionários de levar informações confidenciais

A Apple entrou com a ação em julho de 2026, alegando que antigos funcionários teriam obtido ou utilizado indevidamente informações relacionadas a produtos e tecnologias ainda não anunciados.

Entre as acusações estão o download de documentos técnicos confidenciais em computadores fornecidos pela Apple, a retenção de equipamentos corporativos após o desligamento e o compartilhamento de informações com outros profissionais interessados em trabalhar na OpenAI.

A fabricante também afirma que candidatos teriam sido orientados sobre quais conhecimentos estudar para entrevistas e que o processo de recrutamento teria sido usado para obter detalhes sobre projetos sigilosos, componentes e métodos de desenvolvimento.

Um dos nomes centrais da disputa é Tang Yew Tan, que trabalhou na Apple por 24 anos e ocupou o cargo de vice-presidente de design de produtos para o iPhone e o Apple Watch antes de ingressar na OpenAI. Chang Liu, outro ex-funcionário citado no processo, teria trabalhado durante oito anos na Apple como engenheiro sênior de sistemas elétricos.

A Apple sustenta que as informações envolvidas na disputa incluem especificações técnicas, apresentações de engenharia, dados de projetos proprietários e detalhes sobre tecnologias ainda não lançadas.

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Essas alegações fazem parte do processo judicial e ainda não representam uma conclusão definitiva de que houve roubo de segredos comerciais.

Logo da OpenAI na tela de um smartphone que está na horizontal
Disputa está relacionada à contratação de antigos funcionários da Apple pela OpenAI, especialmente para equipes envolvidas no desenvolvimento de produtos de hardware e robótica – Imagem: Vitor Miranda/Shutterstock

Leia mais:

  • OpenAI nega retaliação após demitir três pesquisadores de segurança
  • OpenAI e Anthropic querem controlar relatórios de segurança da IA
  • OpenAI encontra gravador escondido em escritório e funcionário é preso

Disputa envolve futuro dispositivo de hardware da OpenAI

O processo ocorre enquanto a OpenAI trabalha no desenvolvimento de produtos físicos voltados ao consumidor. A empresa adquiriu a startup io, ligada ao ex-chefe de design da Apple Jony Ive, em negócio anunciado em 2025 por US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões).

A iniciativa ampliou as ambições da OpenAI no mercado de hardware, em momento no qual a companhia busca levar suas tecnologias de inteligência artificial (IA) para além dos computadores e smartphones tradicionais.

A Apple considera que informações confidenciais sobre seus projetos podem ter sido incorporadas aos esforços de desenvolvimento da OpenAI. A disputa, portanto, não se limita à saída de profissionais de uma empresa para outra: envolve a possibilidade de utilização de conhecimentos protegidos por segredo comercial em produtos concorrentes.

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A OpenAI, por sua vez, contestou as acusações e classificou o processo como infundado. A empresa também argumenta que a ação seria uma tentativa da Apple de compensar dificuldades na disputa por talentos do setor tecnológico.

Até agora, não há decisão definitiva sobre a existência de apropriação indevida de informações nem sobre o eventual impacto dessas informações nos produtos desenvolvidos pela OpenAI.

Juiz rejeita parte dos pedidos da Apple

Embora tenha autorizado o acesso antecipado a documentos de contratação, mensagens e evidências digitais, Davila não atendeu a todas as solicitações da Apple.

O juiz rejeitou o pedido para acelerar a entrega de documentos relacionados às pesquisas e ao desenvolvimento da OpenAI em áreas como acabamentos metálicos, gerenciamento de energia e funcionamento de baterias para dispositivos de consumo.

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Esses materiais poderão ser solicitados durante a fase regular de produção de provas, mas não terão o mesmo tratamento prioritário concedido aos registros de entrevistas e às demais evidências previstas na decisão.

O magistrado também deixou em aberto alguns pedidos mais amplos relacionados ao que a Apple chama de informações originadas na própria empresa. Segundo a decisão, a definição apresentada era vaga demais e poderia impor uma tarefa excessivamente onerosa à OpenAI. A Apple poderá tentar reformular o pedido para torná-lo mais específico.

A decisão sobre a produção antecipada de provas ocorre às vésperas de audiência marcada para discutir o pedido da OpenAI para encerrar o processo e a solicitação da Apple por uma liminar que impeça o uso dos segredos comerciais supostamente envolvidos.

A disputa judicial ainda está em andamento. Os documentos e depoimentos autorizados poderão ampliar o conjunto de evidências disponível às partes, mas não determinam, por si só, o resultado final do caso.

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