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Saúde

O que é a bronquiolite? Veja sintomas e tratamento

Redação Informe 360

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A bronquiolite é uma infecção respiratória que costuma preocupar pais e profissionais de saúde, principalmente durante os períodos de maior circulação de vírus. A doença é mais comum em bebês e crianças pequenas, e muita gente ainda tem dúvidas sobre como ela surge, quais são os sinais de alerta e quando procurar atendimento. O tema voltou ao debate por causa do aumento de casos e da atenção reforçada do Ministério da Saúde.

A doença atinge as vias aéreas mais finas, chamadas bronquíolos, e pode causar dificuldade para respirar, chiado no peito e muito desconforto. Como os sintomas lembram outras condições respiratórias, identificar a bronquiolite logo no início pode evitar complicações e acelerar o tratamento. Por isso, entender suas causas e formas de prevenção é essencial.

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Com novas vacinas disponíveis e mais estudos voltados para o vírus sincicial respiratório (VSR), que é o principal responsável pela condição, a discussão ganhou ainda mais destaque. A seguir, você confere como a bronquiolite começa, quem corre mais risco, quais são os sintomas e como tratá-la de forma segura e eficaz.

A bronquiolite é uma infecção respiratória que costuma preocupar pais e profissionais de saúde, principalmente durante os períodos de maior circulação de vírus. (Imagem: brgfx/Freepik)

O que é a bronquiolite?

A bronquiolite é a inflamação e obstrução dos bronquíolos causada quase sempre por infecção viral. O processo típico começa com uma infecção das vias aéreas superiores, coriza e tosse, progredindo em alguns pacientes para pequena inflamação e produção de muco nas vias aéreas inferiores. Quando os bronquíolos inflamam, acumulam secreções e o diâmetro interno diminui; em lactentes, esse estreitamento tem impacto grande porque suas vias aéreas já são estreitas por natureza, causando sibilos, esforço respiratório e risco de falência ventilatória em casos graves.

O agente mais frequentemente implicado é o vírus sincicial respiratório (VSR). Estudos epidemiológicos indicam que o VSR responde por cerca de 50% a 80% dos casos de bronquiolite, dependendo da região e da temporada, e é a principal causa de internações por bronquiolite. Outros vírus também podem causar o quadro, mas o VSR é o grande protagonista por sua capacidade de afetar recém-nascidos com maior severidade. Essas informações constam em revisões clínicas e em páginas técnicas de autoridades como CDC, ECDC e sociedades pediátricas.

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O risco de evolução para bronquiolite sintomática e grave está ligado à via de exposição (gotículas, contato), carga viral e vulnerabilidades do hospedeiro. A transmissão ocorre por contato direto com secreções respiratórias, como mãos contaminadas, gotículas e superfícies; o período de incubação costuma variar entre 2 e 8 dias.

Ambientes com grande circulação de crianças e contato próximo, como maternidades, creches e hospitais, favorecem surtos. As orientações de controle de infecção enfatizam higiene das mãos, mascaramento na época de surtos e isolamento de casos sintomáticos como medidas básicas de prevenção comunitária.

Transmissão e grupos de risco

A bronquiolite é muito comum e potencialmente grave em bebês menores de seis meses, prematuros e crianças com doenças cardíacas congênitas ou imuno-comprometimento. Lactentes têm vias aéreas pequenas, resposta imune imatura e maior chance de desidratação, fatores que explicam por que internamentos e necessidade de suporte (oxigênio, hidratação venosa) são mais frequentes nessa faixa etária.

Dados de vigilância no Brasil mostraram, em 2025, alta carga de Síndrome Respiratória Aguda Grave por VSR em crianças menores de dois anos, o que motivou a incorporação de estratégias vacinais no SUS. A literatura pediátrica, incluindo documentos do AAP e da AAFP, descreve essas populações como prioritárias para profilaxia e vigilância.

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Profissionais que tratam a doença enfatizam que o risco aumenta ainda mais se a criança nasceu prematura (principalmente menos que 29–32 semanas), se tem cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa ou doenças pulmonares crônicas, como displasia broncopulmonar. Nesses grupos, a bronquiolite pode evoluir com insuficiência respiratória mais rapidamente e demandar internação em UTI pediátrica. Por isso, protocolos clínicos e documentos de sociedades médicas recomendam vigilância contínua e, quando elegíveis, medidas de proteção específicas para reduzir a chance de hospitalização.

Além dos pacientes de alto risco, praticamente todas as crianças vão apresentar pelo menos uma infecção por VSR nos primeiros dois anos de vida; a diferença está na gravidade. Assim, as políticas públicas recentes que incluem vacinação de gestantes ou oferta de anticorpos monoclonais para recém-nascidos visam proteger a janela de maior vulnerabilidade, quando a enfermidade tem maior chance de causar complicações.

As orientações de controle de infecção enfatizam higiene das mãos, mascaramento na época de surtos e isolamento de casos sintomáticos como medidas básicas de prevenção comunitária. (Imagem: jcomp/Freepik)

Tipos, sintomas típicos e sinais de gravidade

Clinicamente, a bronquiolite costuma começar como um resfriado comum, com coriza, irritabilidade, perda de apetite e febre baixa. Após alguns dias, pode evoluir para tosse persistente, chiado, respiração acelerada, batimentos de asa nasal, gemência ao inspirar e dificuldade para alimentar-se.

Profissionais de emergência pediátrica usam critérios objetivos, como frequência respiratória por idade, uso de musculatura acessória e saturação de oxigênio, para decidir internação. Guias como os do CDC e da Mayo Clinic destacam que alimentação reduzida e sinais de desidratação também são motivos para avaliação urgente.

Sinais de gravidade que exigem busca imediata por atendimento médico incluem saturação de oxigênio persistentemente baixa, taquidispneia marcada, apneia, cianose (lábios ou pele arroxeados) e sonolência extrema ou irritabilidade que não melhora. Em unidades hospitalares, monitorização com oximetria, suporte de oxigênio, posicionamento e hidratação são as primeiras medidas; em casos mais graves pode ser necessário suporte ventilatório não invasivo ou ventilação mecânica. Essas recomendações aparecem em protocolos hospitalares e revisões clínicas que pautam a prática pediátrica.

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O diagnóstico costuma ser clínico, apoiado por exame físico; testes virológicos (como PCR para VSR) podem ser úteis em contextos epidemiológicos ou para manejo em unidades de saúde, mas nem sempre são exigidos para decidir tratamento. Radiografia de tórax não é rotineira e geralmente reservada a casos que sugerem complicação ou diagnóstico alternativo. Essas nuances de diagnóstico e manejo constam em documentos técnicos de hospitais de referência e em guidelines internacionais.

Qual o tratamento e prevenção?

O tratamento da bronquiolite é, em grande parte, suporte. A maioria das crianças se recupera com medidas como manter a via aérea pérvia, hidratação adequada, controle da febre e monitorização da oxigenação. A American Academy of Pediatrics e revisões como a da AAFP enfatizam que broncodilatadores (como albuterol) não têm efeito consistente na melhora clínica e não são recomendados com frequência; o uso de corticosteróides e antibióticos também não é indicado exceto em situações específicas.

Para crianças de alto risco, há opções de profilaxia passiva já bem estabelecidas: o anticorpo monoclonal palivizumabe (Synagis) reduziu hospitalizações em grupos selecionados, em prematuros e cardiopatas, e é recomendado por sociedades pediátricas para indicações específicas. Mais recentemente, anticorpos monoclonais de ação prolongada e vacinas direcionadas ao VSR mostraram eficácia em reduzir casos graves e internações em estudos clínicos. A incorporação dessas intervenções em programas públicos exige análise de custo-efetividade e decisão regulatória.

A bronquiolite não costuma deixar sequelas respiratórias permanentes na maior parte das crianças, e a maioria dos casos tem resolução completa com suporte. Contudo, episódios graves na infância, ainda mais em bebês que necessitaram de ventilação mecânica ou internação prolongada, podem estar associados a maior risco de sibilância recorrente e, em alguns estudos, a aumento do risco de asma na infância posterior.

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(Imagem: wirestock/Freepik)
Bronquiolite pode matar?

Sim, a bronquiolite pode ser fatal, principalmente em bebês com menos de dois anos, prematuros ou que já tenham outras condições de saúde.

Bronquiolite tem cura?

Sim, mas a bronquiolite geralmente não tem cura medicamentosa específica, pois é causada por infecções virais que o corpo combate naturalmente.

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Saúde

Como cientistas querem desenvolver vacinas em apenas 100 dias contra a próxima pandemia

Redação Informe 360

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Da divulgação da sequência genética do SARS-CoV-2 até o início da vacinação contra a covid-19 passaram-se 326 dias — um recorde histórico para o desenvolvimento de uma vacina. Agora, cientistas querem reduzir esse intervalo para apenas 100 dias diante da próxima ameaça com potencial pandêmico. A meta faz parte da chamada Missão dos 100 Dias, iniciativa liderada pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI) e adotada por líderes do G7 e do G20 para acelerar a resposta global a novas epidemias.

O objetivo não é colocar uma vacina pronta no braço da população em pouco mais de três meses. A proposta é que, em até 100 dias após a identificação de um novo patógeno, cientistas consigam desenvolver um candidato vacinal, obter as autorizações iniciais necessárias e iniciar sua fabricação em escala, encurtando o tempo de resposta antes que um surto se transforme em pandemia.

Para a infectologista Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Saúde Pública pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, a meta só se tornou plausível porque tecnologias como as plataformas de RNA mensageiro (mRNA) já vinham sendo desenvolvidas muito antes da pandemia de covid-19.

O que é a Missão dos 100 Dias?

A Missão dos 100 Dias foi lançada em 2021, depois que a pandemia de covid-19 mostrou que, embora o desenvolvimento de vacinas pudesse ser acelerado como nunca antes, ainda não era rápido o suficiente para impedir que um novo vírus se espalhasse pelo planeta. A iniciativa, coordenada pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), busca transformar esse aprendizado em uma estratégia permanente de preparação para futuras pandemias.

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A proposta vai além de desenvolver uma vacina em tempo recorde. Para cumprir a meta, é preciso acelerar todas as etapas da resposta: identificar rapidamente um novo patógeno, compartilhar seu sequenciamento genético, adaptar plataformas vacinais já existentes, realizar os testes iniciais e iniciar a produção em escala.

Cronômetro é segurado por um pesquisador usando equipamento de proteção em laboratório, representando a corrida contra o tempo para desenvolver vacinas.
A Missão dos 100 Dias busca reduzir o tempo entre a identificação de um novo patógeno e o desenvolvimento de um candidato vacinal – Imagem: Halawi / Shutterstock

Luana Araújo explica que essa estratégia parte justamente da possibilidade de antecipar parte do trabalho antes mesmo do surgimento da próxima ameaça.

A ideia é que, da identificação e do sequenciamento do patógeno até a gente ter uma vacina disponível, a gente consiga fazer isso nesse período bastante desafiador dos 100 dias.

Luana Araújo, especialista em doenças infecciosas

Na avaliação da especialista, essa mudança permite que pesquisadores desenvolvam previamente plataformas e tecnologias que poderão ser adaptadas rapidamente quando um novo agente infeccioso surgir.

Por que agora é possível pensar em uma vacina em 100 dias

Quando as primeiras vacinas contra a covid-19 começaram a ser aplicadas, muita gente teve a impressão de que elas haviam sido criadas do zero em poucos meses. Na prática, porém, o desenvolvimento só foi possível porque décadas de pesquisa já haviam produzido as plataformas tecnológicas que serviram de base para os imunizantes.

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Para Luana Araújo, esse é justamente o principal aprendizado incorporado pela Missão dos 100 Dias. Em vez de esperar que uma nova pandemia comece para iniciar todas as pesquisas, cientistas passaram a desenvolver previamente plataformas que possam ser adaptadas rapidamente quando um novo patógeno for identificado. “Isso nos traz uma mudança de preparação para o futuro, que talvez permita que a gente desenvolva até certo ponto algumas tecnologias e deixe aquilo na manga”, afirma ela.

O principal exemplo citado pela infectologista são as vacinas de RNA mensageiro (mRNA). Segundo ela, embora tenham se tornado conhecidas durante a pandemia de covid-19, essas plataformas já vinham sendo estudadas havia décadas. Quando o SARS-CoV-2 surgiu, pesquisadores precisaram adaptar uma tecnologia que já existia, em vez de iniciar todo o processo do zero.

Na avaliação de Luana, essa mudança representa uma forma mais eficiente de investir em pesquisa para futuras pandemias. Em vez de concentrar esforços em uma única doença, cientistas passaram a preparar diferentes plataformas capazes de responder a diversos cenários. Como resume a especialista, “isso nos parece hoje mais inteligente, mais lúcido do que investir todos os ovos na mesma cesta.”

Mão com luva segura um frasco identificado como vacina de mRNA em primeiro plano, com equipamentos de laboratório desfocados ao fundo.
Plataformas como as vacinas de RNA mensageiro (mRNA), estudadas havia décadas, são uma das bases da estratégia para acelerar o desenvolvimento de imunizantes contra futuras pandemias – Imagem: Kitsawet Saethao / Shutterstock

Desenvolver a vacina é só parte do desafio

Chegar a um candidato vacinal em 100 dias depende de muito mais do que a tecnologia usada para produzir imunizantes. Antes disso, é preciso identificar rapidamente o novo agente infeccioso, sequenciar seu material genético e compartilhar essas informações para que laboratórios em diferentes partes do mundo possam começar a desenvolver uma resposta.

Para o patologista clínico Carlos Aita, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), os avanços obtidos desde a pandemia de covid-19 ajudam justamente a acelerar essas etapas. Segundo ele, houve evolução nas técnicas de biologia molecular para identificação rápida de novos patógenos, na automação dos laboratórios e no desenvolvimento de testes rápidos, tecnologias que hoje fazem parte da rotina da medicina diagnóstica.

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A rapidez também depende da circulação dessas informações. De acordo com Aita, redes integradas de monitoramento permitem identificar padrões de transmissão logo nos primeiros registros de uma nova doença, tornando possível agir antes que o número de casos cresça de forma descontrolada.

Essa integração entre vigilância, diagnóstico e desenvolvimento científico é um dos pilares da Missão dos 100 Dias. A proposta não é apenas produzir uma vacina mais rapidamente, mas reduzir o tempo necessário em todas as etapas da resposta a uma nova ameaça, desde a identificação do patógeno até o início da fabricação dos imunizantes.

Uma vacina em 100 dias depende de todo o sistema de saúde

A meta de desenvolver um candidato vacinal em 100 dias representa uma mudança importante na forma como o mundo se prepara para futuras pandemias. Ainda assim, especialistas destacam que reduzir o tempo de desenvolvimento de uma vacina é apenas parte da resposta. Para que a estratégia funcione, também será necessário fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar a capacidade de diagnóstico, manter redes internacionais de compartilhamento de dados e garantir que os imunizantes possam ser produzidos e distribuídos rapidamente.

Para o sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte dessa preparação começa antes mesmo de um novo vírus ser identificado. Segundo ele, é necessário manter estruturas permanentes de vigilância capazes de detectar rapidamente alterações no ambiente e na circulação de microrganismos, além de ampliar a capacidade de sequenciamento genético no país.

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Na avaliação do especialista, o Brasil também precisa reduzir sua dependência externa para responder com rapidez a futuras emergências sanitárias. Para isso, defende a continuidade dos investimentos em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias voltadas para diagnósticos, tratamentos e vacinas, além da ampliação da capacidade nacional de produção desses insumos.

Laboratório de pesquisa com computadores exibindo análises de DNA e equipamentos usados no desenvolvimento de novas tecnologias em saúde.
Além do desenvolvimento de vacinas, a Missão dos 100 Dias depende de vigilância epidemiológica, sequenciamento genético e infraestrutura científica para responder rapidamente a novas ameaças. – Imagem: DC Studio / Shutterstock

Luana Araújo avalia que a ciência demonstrou durante a pandemia de covid-19 que é capaz de acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias quando há cooperação internacional, financiamento e objetivos comuns. O próximo passo, segundo a infectologista, é transformar essa capacidade científica em uma resposta organizada e acessível para toda a população.

O primeiro desafio é transformar toda essa rapidez tecnológica, toda essa eficiência tecnológica em ação coletiva, numa ferramenta acionável para todo mundo.

Luana Araújo, especialista em doenças infecciosas

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Saúde

O que é a Doença X e por que a OMS já se prepara para ela

Redação Informe 360

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A Doença X não é um vírus recém-descoberto nem uma enfermidade misteriosa que já esteja circulando pelo mundo. Na realidade, ela sequer existe. O nome foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para representar a possibilidade de que a próxima grande epidemia ou pandemia seja causada por um agente infeccioso ainda desconhecido pela ciência.

O conceito faz parte da estratégia global de preparação para emergências sanitárias da OMS. Além de manter uma lista de patógenos considerados prioritários, a organização também busca acelerar o desenvolvimento de pesquisas, diagnósticos, tratamentos e vacinas que possam ser adaptados rapidamente diante de uma nova ameaça.

Para Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Saúde Pública pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, a principal mudança foi reconhecer que a próxima pandemia pode surgir de um agente infeccioso que a ciência ainda não conhece.

Há uma possibilidade importante de a próxima pandemia não vir de um patógeno conhecido, mas sim de um patógeno desconhecido. É por isso que a gente fala sobre a Doença X, cujas características são de extrema preocupação, mas cujo patógeno pode simplesmente ainda não ser conhecido.

Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas

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A observação da especialista ajuda a explicar a lógica por trás do conceito criado pela OMS. Embora o SARS-CoV-2 pertencesse a uma família de vírus já conhecida, a pandemia mostrou que identificar os patógenos de maior risco é apenas parte do desafio. Também é preciso desenvolver plataformas, diagnósticos e estratégias capazes de ser adaptados rapidamente quando um novo patógeno surgir.

Por que a OMS criou a Doença X?

Ao incluir a Doença X entre suas prioridades de pesquisa, a OMS reconheceu que a próxima pandemia pode não ser causada por um dos patógenos que hoje estão sob vigilância internacional. Em vez de tentar prever qual será esse patógeno, a organização busca incentivar o desenvolvimento de ferramentas que possam ser rapidamente adaptadas assim que um novo agente infeccioso for identificado.

Essa estratégia faz parte do R&D Blueprint, programa da OMS criado para acelerar pesquisas durante emergências sanitárias. A iniciativa reúne governos, cientistas, universidades e a indústria para reduzir o tempo necessário para desenvolver diagnósticos, tratamentos e vacinas quando um novo patógeno é identificado.

Médico segura uma lupa diante de um mapa-múndi ilustrado, representando o monitoramento global de doenças.
A Organização Mundial da Saúde coordena esforços internacionais para monitorar doenças e orientar pesquisas sobre ameaças com potencial de provocar futuras epidemias e pandemias – Imagem: Natali _ Mis / Shutterstock

Na prática, a estratégia amplia o foco da preparação. Além de manter uma lista de vírus e bactérias considerados prioritários, a OMS também passou a investir em plataformas e tecnologias que possam ser utilizadas contra diferentes famílias de patógenos, inclusive aqueles que ainda não foram identificados.

Essa mudança também altera a forma de fazer vigilância. Para o sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), preparar-se para uma pandemia causada por um patógeno desconhecido exige acompanhar continuamente o que acontece nos diferentes biomas brasileiros, já que alterações em animais e no ambiente podem ser os primeiros sinais da circulação de um novo microrganismo.

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Quando começa, por alguma razão, a morrer algum tipo de bicho, quem mora na região tem condição de descobrir que está acontecendo alguma coisa diferente. Quando acontece alguma coisa no mundo animal, tem algum tipo de micro-organismo atuando.

Gonzalo Vecina Neto, sanitarista fundador da Anvisa

Segundo a infectologista Luana Araújo, a lista de patógenos prioritários reúne apenas agentes já conhecidos pela ciência. Isso, porém, não elimina a possibilidade de que a próxima pandemia tenha origem em um microrganismo completamente novo. Para a especialista, é justamente essa incerteza que torna necessário preparar sistemas de resposta capazes de enfrentar também o inesperado.

Quais doenças continuam preocupando a OMS

A inclusão da Doença X entre as prioridades da Organização Mundial da Saúde não substituiu a vigilância sobre patógenos já conhecidos. A organização continua atualizando periodicamente sua lista de doenças com potencial epidêmico para orientar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, especialmente em situações em que ainda não existem vacinas, tratamentos ou outras medidas de controle suficientemente eficazes.

Entre as doenças que hoje orientam as prioridades de pesquisa da OMS estão Ebola, febre de Lassa, febre hemorrágica da Crimeia-Congo, MERS, SARS, Zika, febre do Vale do Rift e a própria covid-19, além da Doença X. A OMS ressalta que essa relação não pretende prever qual será a próxima pandemia, nem representa uma lista completa de todas as ameaças sanitárias existentes. Seu objetivo é orientar prioridades de pesquisa diante de doenças com potencial de provocar grandes surtos.

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Para Luana Araújo, os vírus respiratórios continuam ocupando um lugar de destaque entre essas preocupações por causa da facilidade com que conseguem se espalhar entre pessoas. Hoje, segundo a infectologista, o principal foco está no H5N1, vírus da influenza aviária que já circula amplamente entre aves, foi identificado em diferentes espécies de mamíferos e, em casos esporádicos, também infectou seres humanos.

A preocupação, explica a especialista, é que novas mutações permitam que o vírus adquira transmissão sustentada entre pessoas. Além do H5N1, ela cita coronavírus como os responsáveis pela SARS e pela MERS, além de vírus como Ebola, Crimeia-Congo e Zika, entre os patógenos que continuam sob monitoramento internacional por seu potencial de provocar surtos importantes.

Como cientistas se preparam para uma doença que ainda não existe

Se não é possível saber qual será o próximo agente infeccioso, como desenvolver vacinas, tratamentos e testes diagnósticos antes mesmo de ele aparecer? A resposta está na mudança de estratégia adotada pela comunidade científica nos últimos anos.

Em vez de concentrar pesquisas em um único vírus, cientistas passaram a investir em plataformas capazes de ser adaptadas rapidamente a diferentes ameaças. Isso inclui tecnologias de vacinas, métodos diagnósticos e outras ferramentas que podem ser ajustadas assim que um novo patógeno é identificado.

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Para a infectologista Luana Araújo, essa mudança permite que parte do trabalho seja feita antes mesmo do surgimento da próxima pandemia. Como ela explica, “isso nos traz uma mudança de preparação para o futuro, que talvez permita com que a gente desenvolva até certo ponto algumas tecnologias e deixe aquilo na manga”.

Mão com luva segura um frasco identificado como vacina de mRNA em primeiro plano, com equipamentos de laboratório desfocados ao fundo.
Plataformas de RNA mensageiro (mRNA), estudadas há décadas e amplamente utilizadas durante a pandemia de covid-19, podem ser adaptadas rapidamente para desenvolver vacinas contra novos patógenos – Imagem: Kitsawet Saethao / Shutterstock

Um dos exemplos citados pela especialista são as plataformas de RNA mensageiro (mRNA). Embora tenham ganhado notoriedade durante a pandemia de covid-19, elas já vinham sendo estudadas havia décadas e hoje podem ser adaptadas com rapidez para diferentes agentes infecciosos, reduzindo o tempo necessário para produzir candidatos a vacinas quando uma nova ameaça surge.

Na avaliação de Luana, essa estratégia representa uma mudança importante em relação ao modelo tradicional de pesquisa, que costumava concentrar esforços em uma doença específica. Para a infectologista, preparar diferentes plataformas para serem adaptadas conforme a necessidade se mostra uma abordagem mais eficiente. “Isso nos parece hoje mais inteligente, mais lúcido do que investir todos os ovos na mesma cesta.”

A Doença X é apenas uma das mudanças na forma como a ciência passou a se preparar para futuras pandemias. Em reportagem especial, o Olhar Digital mostra como a experiência da covid-19 acelerou o desenvolvimento de vacinas, transformou a vigilância epidemiológica, fortaleceu a medicina diagnóstica e quais desafios ainda precisam ser superados para responder mais rapidamente à próxima grande emergência sanitária. Leia a reportagem completa.

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Saúde

Apostas online preocupam: veja quando procurar ajuda no SUS

Redação Informe 360

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O SUS ampliou para até 100 mil o número de teleatendimentos voltados a pessoas que enfrentam dificuldades com apostas online. A medida foi adotada após o aumento da procura pelo serviço de apoio em saúde mental, segundo a Agência Brasil.

Disponível pelo aplicativo Meu SUS Digital, a iniciativa oferece orientação e acompanhamento profissional de forma remota, sigilosa e acolhedora.

Várias notas de R$ 100 com um celular em cima, onde há o logotipo de várias bets
Mais de 1 milhão de pessoas já pediram autoexclusão de sites de apostas. O dado mostra uma busca crescente por controle. – Imagem: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

Serviço começou em março e ganhou novos atendimentos

O atendimento teve início em março, com média de 600 consultas mensais. Com a maior procura, o Ministério da Saúde ampliou a capacidade da ferramenta, que funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

O serviço é oferecido em parceria com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Os números da autoexclusão também mostram a busca por ajuda. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a retirada do CPF de sites e aplicativos de apostas pela Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Desse grupo, 35% apontaram a perda de controle sobre as apostas como motivo do pedido.

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Quais sinais indicam que é hora de procurar ajuda?

Entre os comportamentos que merecem atenção estão:

  • dificuldade para reduzir ou parar de apostar;
  • mudanças no sono, alimentação ou humor;
  • mentiras para familiares e amigos sobre apostas;
  • ansiedade, irritabilidade ou inquietação longe dos jogos;
  • prejuízos no orçamento pessoal ou familiar.

Vergonha, culpa, problemas nos relacionamentos e o uso das apostas para lidar com estresse ou frustrações também aparecem entre os sinais de alerta.

Meu SUS Digital
O atendimento pelo Meu SUS Digital é remoto, sigiloso e acolhedor para quem precisa de orientação sobre apostas online. Crédito: Reprodução/Meu SUS Digital

Facilidade de acesso pode aumentar riscos

O Ministério da Saúde aponta que fatores como exposição precoce aos jogos, facilidade de acesso às plataformas, impulsividade, isolamento social e histórico de depressão ou ansiedade podem aumentar a vulnerabilidade.

Também entram nessa lista influências sociais que apresentam as apostas de forma positiva e a busca pelo jogo como uma maneira de escapar de problemas emocionais.

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