Saúde
Memória inflamatória na pele: entenda por que as lesões da psoríase aparecem no mesmo lugar

A tendência de as lesões na pele causadas pela psoríase reaparecerem nos mesmos locais, mesmo após o tratamento, está relacionada ao conceito de memória inflamatória. É um dos fenômenos intrigantes da psoríase e para entender um pouco mais sobre isso, primeiro vamos explicar sobre a doença.
A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por lesões avermelhadas, descamativas e, muitas vezes, pruriginosas. Ela ocorre devido a uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais, que levam a uma resposta imune desregulada, resultando em uma produção excessiva de células da pele (queratinócitos) e inflamação.
É comum que pessoas com psoríase relatem que as lesões tendem a reaparecer nos mesmos locais onde já ocorreram anteriormente. Essa característica é amplamente observada e está relacionado ao conceito de memória inflamatória, que explica como o sistema imunológico “lembra” os locais onde houve inflamação prévia.
Mas como o sistema imunológico “lembra” dos locais de inflamação? Na psoríase, células imunes residentes na pele, como as células T de memória, permanecem nos locais onde houve lesões, mesmo após a melhora clínica. Essas células são reativadas por gatilhos ambientais (como estresse, infecções ou traumas na pele), levando ao retorno da inflamação e das lesões no mesmo local.
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Como funciona a memória inflamatória?

Agora que já entendemos o que é a memória inflamatória, vamos explicar como funciona esse mecanismo do sistema imunológico.
- Células T de memória: depois que uma lesão de psoríase desaparece, algumas células de defesa (células T de memória) permanecem na pele. Elas guardam “lembranças” da inflamação anterior e, quando detectam determinados estímulos, ativam novamente a inflamação, fazendo a psoríase reaparecer.
- Mudanças na pele: mesmo após a melhora das lesões, a pele continua alterada ao nível molecular e estrutural, tornando-se mais vulnerável a novos episódios da doença.
- Fatores externos: situações como estresse, infecções, lesões na pele (como arranhões ou cortes) e até mudanças climáticas podem engatilhar essas células de memória e desencadear novas crises de psoríase.
Memória inflamatória ou fenômeno de Koebner? Entenda a diferença
É comum que as lesões da psoríase apareçam repetidamente em certas áreas, mas esse processo pode ser confundido com outro mecanismo conhecido como fenômeno de Koebner. Ambos estão ligados à doença, mas funcionam de maneiras diferentes.
O fenômeno de Koebner (também chamado de resposta isomórfica) ocorre quando novas lesões surgem em áreas da pele que sofreram traumas, como cortes, queimaduras ou pressão constante. Em pessoas com psoríase, isso significa que novas lesões podem aparecer em locais onde a pele foi danificada, mesmo que anteriormente não houvesse placas de psoríase ali.
No entanto, o fenômeno de Koebner explica o aparecimento de lesões em locais que antes não tinham psoríase, mas não necessariamente a recorrência nos mesmos pontos. Para isso, entramos no conceito de memória inflamatória.
Já a memória inflamatória, como falamos, é o motivo pelo qual as lesões tendem a voltar nos mesmos lugares, mesmo sem a presença de um novo trauma. Isso acontece porque as células de memória e as alterações na pele tornam esses locais mais sensíveis à inflamação.

Controle da psoríase: um tratamento contínuo
Agora que você já entendeu que a psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, vamos nos aprofundar sobre os três fatores principais que estão ligados à sua recorrência e persistência: estímulos recorrentes, microambiente alterado e resposta imunológica local.
1. Estímulos recorrentes
São gatilhos que reativam a inflamação e o ciclo de formação das lesões de psoríase. Esses gatilhos podem ser internos ou externos e incluem:
- Traumas na pele (fenômeno de Koebner) podem desencadear novas lesões em áreas previamente afetadas ou até em novas regiões.
- Infecções bacterianas (como as causadas por Streptococcus) ou virais podem reativar a resposta imune e piorar a psoríase.
- Estresse emocional é um gatilho comum, pois afeta o sistema imunológico e pode exacerbar a inflamação.
- Mudanças climáticas, especialmente o frio e a baixa umidade, podem ressecar a pele e agravar as lesões.
- Certos medicamentos, como betabloqueadores e lítio, podem piorar a psoríase em algumas pessoas.
Esses estímulos ativam células imunes residentes na pele, como as células T de memória, que iniciam novamente a cascata inflamatória.
2. Microambiente alterado
A pele afetada pela psoríase apresenta um microambiente alterado, que facilita a recorrência das lesões. Esse microambiente é caracterizado por:
- Pele espessada e hiperproliferativa: na psoríase, os queratinócitos (células da pele) se multiplicam de forma acelerada, levando ao espessamento da pele e à formação de placas.
- Vascularização aumentada: há um aumento na formação de vasos sanguíneos (angiogênese) na pele psoriásica, o que contribui para a inflamação e a vermelhidão.
- Alterações na barreira cutânea: a pele com psoríase tem uma função de barreira comprometida, o que a torna mais suscetível a irritações e infecções.
- Acúmulo de células imunes: células T de memória, neutrófilos e outras células inflamatórias permanecem na pele mesmo após a melhora clínica, prontas para serem reativadas.
Esse microambiente alterado cria um ciclo vicioso, no qual a inflamação persistente mantém as alterações na pele, e essas alterações, por sua vez, perpetuam a inflamação.
3. Resposta imunológica
O sistema imunológico tem um papel essencial na recorrência da psoríase. Ele funciona como um “sistema de defesa”, mas na doença acaba ficando desregulado e provocando inflamações crônicas na pele. Três fatores principais explicam como isso acontece.
Em primeiro lugar, as células de defesa ficam hiperativas. Na psoríase, certas células do sistema imunológico, chamadas células T, ficam superativadas. Elas liberam substâncias que aumentam a inflamação e fazem com que as células da pele se multipliquem muito rápido, formando as placas da psoríase.
Em segundo lugar, algumas dessas células T permanecem na pele mesmo depois que as lesões desaparecem. Se um gatilho, como estresse ou lesão na pele, aparecer novamente, essas células “lembram” da inflamação e fazem a psoríase voltar no mesmo lugar.
Por fim, embora a psoríase ainda não seja considerada totalmente uma doença autoimune, há indícios de que o sistema imunológico pode estar atacando equivocadamente células da própria pele, contribuindo para os surtos da doença.
Essa ativação constante do sistema imunológico é um dos motivos pelos quais a psoríase precisa de tratamento contínuo, ajudando a reduzir a inflamação e impedir que novas crises aconteçam.
Como esses fatores se relacionam
Os três fatores – estímulos recorrentes, microambiente alterado e resposta imunológica – atuam juntos para manter a psoríase ativa. Quando a pele é exposta a gatilhos como estresse, lesões ou infecções, o sistema imunológico responde rapidamente, reativando a inflamação nos mesmos locais.
O microambiente alterado da pele facilita essa resposta ao manter células imunes em alerta constante, favorecendo a inflamação prolongada. Além disso, a memória inflamatória, por meio das células T de memória, faz com que o organismo reconheça rapidamente a área onde a psoríase já esteve, reiniciando o processo inflamatório e criando um ciclo de recorrência das lesões.
Não, psoríase e dermatite são diferentes: a primeira é uma doença autoimune com placas espessas, enquanto a segunda é uma inflamação da pele, muitas vezes ligada a alergias ou irritações. 
Saiba mais sobre estudo que identifica a origem da psoríase, publicado na revista Nature Communications, clicando aqui.
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Saúde
Nova caneta de semaglutida chega às farmácias; veja preço

Uma nova caneta de semaglutida produzida no Brasil começa a ser vendida nas farmácias nesta sexta-feira (6). Chamado Semaclique, o medicamento é comercializado pela Brace Pharma, empresa do Grupo EMS, por R$ 464,81 a unidade.
Na compra de três canetas, o preço cai para R$ 333 cada, totalizando R$ 999. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para adultos com diabetes tipo 2, o produto não tem indicação autorizada para o tratamento da obesidade.

Para que serve e como funciona o Semaclique?
O Semaclique contém semaglutida sintética, substância presente também no Ozempic e no Wegovy. Apesar de compartilharem o mesmo princípio ativo, os três medicamentos não possuem necessariamente as mesmas indicações autorizadas pela Anvisa. O Ozempic é indicado para diabetes tipo 2, enquanto o Wegovy é utilizado no tratamento da obesidade.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos imitam a ação de um hormônio produzido pelo intestino, que participa do controle da glicose no sangue e da regulação do apetite. Entre seus efeitos estão o estímulo à liberação de insulina quando a glicemia está elevada, o retardamento do esvaziamento gástrico e o aumento da sensação de saciedade.
A aplicação é semanal, por via subcutânea. Segundo a fabricante, a caneta utiliza um sistema de seleção de doses por cliques, que permite ajustes graduais conforme a prescrição médica, sem exigir a compra de outra apresentação a cada mudança. O paciente deve seguir a orientação médica e as instruções da bula para definir a dose e realizar eventuais ajustes.
Como outros medicamentos à base de semaglutida, o Semaclique pode provocar efeitos adversos. Entre os mais comuns estão:
- Náuseas;
- Vômitos;
- Diarreia;
- Constipação.
Também há riscos menos frequentes, mas potencialmente graves, como pancreatite.
A compra exige receita médica em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia. O produto deve ser mantido sob refrigeração, entre 2°C e 8°C, inclusive depois do início do uso.

Novas canetas ampliam opções no mercado brasileiro
A chegada do Semaclique ocorre após o fim da patente da semaglutida no Brasil, em março de 2026, que abriu caminho para a entrada de novos fabricantes. Ao longo do ano, a Anvisa autorizou diferentes medicamentos à base da substância e de outros agonistas de GLP-1.
Entre as aprovações estão:
- Maio: Ozivy, do Grupo EMS, primeira versão sintética da semaglutida autorizada no Brasil.
- Julho: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema, todos indicados para diabetes tipo 2.
- Agosto: primeiro genérico de semaglutida do país, desenvolvido pela EMS, e registro do Semaclique como medicamento similar pela Germed, outra empresa do grupo.
- 29 de outubro: Aribet, Embeltah e Sevema, para diabetes, e Lyrza e Wylovol, para obesidade.
Com essas decisões, o número de registros de medicamentos dessa classe concedidos pela Anvisa em 2026 chegou a 20.
A aprovação sanitária, porém, não significa que todos os produtos já estejam disponíveis nas farmácias. A comercialização depende de etapas posteriores, como a definição dos preços e a distribuição pelas fabricantes.
A entrada de novas marcas pode ampliar a concorrência, mas não garante a redução dos custos do tratamento. No caso do Semaclique, a comparação com outras opções depende da dose prescrita, da quantidade utilizada e das condições de venda de cada medicamento.
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Sarampo: bebê morre nos EUA em meio a surto com mais de 400 casos

Um bebê morreu após contrair sarampo no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. A morte foi confirmada nesta quinta-feira (5) pelo Departamento de Serviços de Saúde local e está relacionada a um surto da doença no sudoeste do Estado. É o primeiro óbito por sarampo registrado na região desde 1990.
As autoridades não divulgaram a idade exata da criança nem outros detalhes sobre o caso. Segundo o departamento de saúde, a decisão busca preservar a privacidade da família. O legista responsável apontou o sarampo como causa imediata da morte.
O caso ocorre em meio ao avanço da doença em Wisconsin. Até 3 de novembro, o Estado havia registrado 431 infecções em 13 condados, o maior número em mais de 35 anos. Nove pessoas precisaram ser hospitalizadas por complicações.
Um dado chama a atenção: 428 dos 431 casos foram identificados em pessoas não vacinadas. A Secretaria Estadual de Saúde também alertou que os números podem não representar toda a extensão da circulação do vírus, já que nem todos os infectados procuram atendimento médico ou realizam testes.
Sarampo avança nos Estados Unidos
- O surto de Wisconsin faz parte de cenário mais amplo de aumento de casos nos Estados Unidos. A doença voltou a ganhar força no país depois de décadas de controle, com registros de surtos em diferentes estados;
- Em Wisconsin, a maior parte das infecções está concentrada em surto que envolve os condados de Grant, Iowa, Lafayette e Vernon. Até 3 de novembro, essas localidades somavam 362 casos confirmados e outros seis prováveis;
- O condado de Chippewa também enfrenta surto separado, com 44 casos confirmados. Outras infecções foram identificadas em diferentes regiões do Estado, algumas relacionadas a viagens para fora de Wisconsin;
- A morte do bebê é um dos óbitos associados ao sarampo registrados nos Estados Unidos em 2026. O número divulgado pelas autoridades estaduais é maior que a contagem oficial do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), que utiliza critérios próprios para incluir mortes em seus levantamentos.

Leia mais:
- Casos de sarampo disparam e geram alerta internacional
- EUA: Nova York declara estado de emergência por surto de sarampo
- Nenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação contra o sarampo
Vacina é principal forma de prevenção
O sarampo é doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar e por partículas respiratórias. A infecção pode provocar febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas na pele. Em casos graves, pode causar pneumonia e inflamação do cérebro, com risco de morte.
Crianças pequenas, gestantes e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido estão entre os grupos mais vulneráveis a complicações.
A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, conhecida pela sigla MMR nos Estados Unidos, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Duas doses oferecem aproximadamente 97% de proteção contra o sarampo.
O Departamento de Serviços de Saúde de Wisconsin informou que distribuiu duas mil doses da vacina a departamentos locais de saúde desde 1º de agosto. No mesmo período, mais de 42 mil doses foram aplicadas por profissionais de saúde em todo o Estado.
As autoridades recomendam que moradores verifiquem se estão com a vacinação em dia. Pessoas que tiveram contato com alguém infectado devem permanecer em casa e procurar orientação médica. Quem apresentar febre e manchas na pele, especialmente após possível exposição ao vírus, deve telefonar antes de ir a uma clínica ou hospital, para evitar expor outras pessoas.
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Saúde
Anvisa aprova Wegovy em comprimido para obesidade no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão em comprimido do Wegovy (semaglutida), desenvolvido pela Novo Nordisk. É o primeiro medicamento oral da classe dos agonistas de GLP-1 liberado no país para o tratamento da obesidade e do sobrepeso.
A nova apresentação é administrada uma vez ao dia, em dose de 25 mg, e oferece uma alternativa à aplicação semanal por caneta injetável. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União, após pedido apresentado pela farmacêutica em 30 de janeiro deste ano.

Como a semaglutida age e quais foram os resultados dos testes
A semaglutida imita a ação do GLP-1, hormônio liberado pelo intestino após as refeições. Ele sinaliza ao cérebro que o organismo já recebeu alimento, reduzindo a fome, e retarda o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de saciedade.
A administração oral exige uma dose maior porque parte da substância é destruída no estômago antes de chegar à corrente sanguínea. Por isso, o comprimido utiliza 25 mg diários, enquanto a dose semanal de manutenção da caneta é de 2,4 mg.
No principal estudo clínico que embasou a aprovação, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, os participantes que tomaram o comprimido perderam, em média, 13,6% do peso corporal em 64 semanas. No grupo que recebeu placebo, a redução foi de 2,2%. Segundo os autores, o resultado se aproxima do observado com a versão injetável.
Com a aprovação do Wegovy em comprimido, o Brasil passa a contar com duas apresentações orais de semaglutida da Novo Nordisk, mas com indicações diferentes. Enquanto o novo medicamento é destinado ao tratamento da obesidade e do sobrepeso, o Rybelsus é utilizado no controle da diabetes tipo 2.
A chegada do Wegovy em comprimido às farmácias, no entanto, ainda depende da definição de preço. A Novo Nordisk informou que o valor não foi estabelecido e que a previsão é disponibilizar o medicamento no mercado brasileiro no próximo trimestre.
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