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Saúde

Descobertas genéticas prometem tratamentos mais precisos para o TOC

Redação Informe 360

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O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma das doenças psiquiátricas mais incapacitantes, afetando cerca de 1 em cada 50 pessoas no mundo.

Caracterizado por obsessões e compulsões que impactam significativamente a vida cotidiana, ele ainda carrega muitas incógnitas sobre suas causas e tratamentos. Uma nova pesquisa publicada na Nature Genetics oferece avanços importantes ao identificar marcadores genéticos associados ao TOC.

Por meio da análise do DNA de mais de 53 mil pessoas com TOC e 2 milhões sem o transtorno, pesquisadores identificaram 30 regiões do genoma ligadas à condição, totalizando 249 genes de interesse.

“Esses achados não revelam genes únicos causadores, mas mostram como diferentes regiões genéticas influenciam o risco de forma conjunta”, explica Carol Mathews, professora de psiquiatria da Universidade da Flórida.

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dupla hélice de dna
Pesquisadores encontram ligações entre genes, regiões cerebrais e outros transtornos psiquiátricos (Imagem: Natali _ Mis/Shutterstock.com)

Os genes mais relevantes estavam ativos em áreas cerebrais associadas a funções como tomada de decisão, regulação emocional e formação de hábitos — todos processos afetados em pessoas com TOC.

O que a genética nos ensina sobre o TOC

A pesquisa identificou relações entre os genes associados ao TOC e outros transtornos neurológicos e psiquiátricos.

  • Os genes ligados ao TOC também aparecem em quadros como depressão, esquizofrenia e epilepsia.
  • Algumas regiões genéticas associadas ao TOC estão envolvidas na imunidade adaptativa, sugerindo possíveis relações entre inflamação e saúde mental.
  • Neurônios espinhosos médios, ligados à formação de hábitos, mostram forte associação com os genes do TOC. Eles também são alvo de medicamentos usados no tratamento do transtorno.
  • As descobertas podem ajudar a explicar por que o TOC se manifesta de formas tão variadas e por que os tratamentos não funcionam da mesma maneira para todos.

Caminhos para tratamentos mais eficazes

Embora o TOC ainda represente um grande desafio clínico, pesquisas genéticas como essa trazem esperança de que, no futuro, os tratamentos possam ser adaptados ao perfil genético e sintomático de cada paciente.

Além disso, as conexões com o sistema imunológico, regiões cerebrais ainda pouco estudadas e a relação com outros transtornos sugerem novos caminhos para investigação.

O avanço genético pode não apenas melhorar a compreensão do TOC, mas também influenciar como entendemos e tratamos a saúde mental de forma mais ampla.

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“Com o tempo, isso poderá levar a tratamentos mais personalizados e eficazes, melhorando a vida de milhões de pessoas que vivem com TOC em todo o mundo”, completa Carol.

As informações são do site The Conversation.

dna
Avanços na genética explicam o papel do cérebro, dos hábitos e do sistema imunológico no desenvolvimento do TOC – Imagem: Piyaset/Shutterstock

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Saúde

Perder visão no espaço preocupa agências antes de viagens à Lua

Redação Informe 360

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Astronautas podem sofrer alterações nos olhos durante missões prolongadas no espaço. Para investigar o problema, a Agência Espacial Europeia (ESA) contratou a startup britânica Siloton para desenvolver um dispositivo capaz de monitorar a saúde ocular longe da Terra.

A tecnologia usa recursos quânticos para miniaturizar componentes de equipamentos oftalmológicos. A proposta é permitir exames frequentes sem depender de especialistas em solo, algo importante para futuras viagens à Lua e outras missões de longa duração.

scanner óptico Siloton
A tecnologia criada para astronautas também pode melhorar exames de retina feitos por pacientes em casa na Terra. – Imagem: Divulgação/Siloton

O que acontece com os olhos no espaço?

A condição é conhecida como síndrome neuro-ocular associada ao voo espacial (SANS). Ela reúne alterações nos olhos e no cérebro provocadas pela permanência prolongada em ambientes de baixa gravidade e afeta cerca de 70% dos astronautas da Estação Espacial Internacional, segundo a NASA.

Um caso marcante é o do astronauta da NASA John Phillips. Ele partiu para a estação em 2005 com visão 20/20 e retornou seis meses depois com 20/100, considerado um comprometimento visual moderado.

Sem a gravidade, fluidos corporais podem se acumular na cabeça, comprimindo os olhos, provocando inchaço no nervo óptico e empurrando a retina para a frente.

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Um exame compacto para o espaço

Os astronautas já são monitorados na Estação Espacial Internacional com uma versão adaptada de um equipamento usado em consultórios de optometria. O aparelho mede a espessura das camadas na parte posterior do olho, mas é volumoso e exige orientação de especialistas na Terra.

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Em missões mais distantes, os atrasos na comunicação podem tornar esse modelo inviável. A solução da Siloton pretende automatizar parte do processo, permitindo que os próprios astronautas façam os exames.

A empresa já trabalha com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) para permitir que pacientes com problemas na retina realizem exames em casa. “A ESA praticamente tem os mesmos requisitos”, afirma Euan Allen, cofundador e diretor de tecnologia da Siloton. “É só em um ambiente totalmente diferente.”

A tecnologia reúne componentes de exames oftalmológicos em um chip fotônico menor que uma moeda. Com avaliações mais frequentes, a ESA espera obter mais dados e identificar possíveis alterações antes que elas provoquem mudanças na visão.

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A saúde dos olhos virou uma preocupação nas futuras missões à Lua e em viagens espaciais ainda mais longas Imagem: Alones – Shutterstock

Ainda há obstáculos pela frente

Levar o equipamento para uma espaçonave também envolve desafios práticos:

  • Encontrar uma alternativa às baterias, que representam risco de incêndio;
  • Definir onde acomodar o equipamento;
  • Manter a cabeça do astronauta posicionada durante o exame;
  • Automatizar o procedimento para reduzir a necessidade de suporte em solo.

Para Rebecca Evernden, diretora da Agência Espacial do Reino Unido, “a condição ocular SANS é um sério risco à saúde dos astronautas em missões longas”.

Allen, porém, tem confiança no projeto. A Siloton já testa sua tecnologia com pacientes de 80 anos que apresentam dificuldades de visão. Para ele, astronautas jovens e treinados tendem a lidar melhor com o procedimento.

O desenvolvimento pode ainda beneficiar quem está na Terra. Segundo Allen, as soluções criadas para o espaço podem melhorar o dispositivo destinado ao NHS, enquanto os avanços obtidos para uso doméstico também podem contribuir para a tecnologia espacial.

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Saúde

Novo exame do SUS pode ser feito em casa para rastrear câncer

Redação Informe 360

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O SUS incluiu o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) no rastreamento do câncer colorretal. O exame será destinado a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos e deverá ser repetido a cada dois anos.

A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (10). Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa pode ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce da doença para mais de 40 milhões de brasileiros.

câncer colorretal
O exame procura pequenas quantidades de sangue nas fezes que não podem ser vistas a olho nu. Imagem: peterschreiber.media/iStock

Exame detecta sangue que não aparece a olho nu

O FIT é um exame de fezes que identifica pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu. Esse sinal pode estar relacionado a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

A tecnologia é diferente da utilizada nos métodos antigos de pesquisa de sangue oculto. O FIT emprega anticorpos específicos para identificar sangue humano, aumentando a precisão do teste.

A coleta acontece em casa. O paciente recebe um kit, retira uma pequena amostra das fezes com uma haste própria e a coloca em um tubo coletor. Depois, o material é enviado para análise laboratorial.

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Entre as principais vantagens do exame estão:

  • não exige preparo intestinal;
  • não precisa de dieta restritiva antes da coleta;
  • pode ser feito com apenas uma amostra;
  • é menos invasivo;
  • tem maior adesão da população.

Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

FIT amplia opção de rastreamento

O novo procedimento será oferecido na modalidade ambulatorial e está classificado como procedimento de atenção básica. O rastreamento deverá ser realizado a cada dois anos.

O FIT também é mais conveniente e mais barato para o rastreamento populacional do que a realização de colonoscopias em toda a população assintomática.

De acordo com especialistas, o exame já é utilizado em programas internacionais de rastreamento e ajuda a reduzir a mortalidade por câncer de intestino ao ampliar o diagnóstico precoce.

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Mulher adulta jovem sentada em um sofá, segurando seu abdômen em desconforto,
Homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos poderão fazer o teste pelo SUS. – Imagem: Nan Tun Nay/Shutterstock

Quem poderá fazer o teste pelo SUS?

A portaria determina que o procedimento seja usado exclusivamente no “rastreamento bienal de pessoas assintomáticas”. Portanto, não deve ser utilizado para investigar pessoas com sintomas ou suspeita clínica de câncer.

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A norma passa a valer com a publicação, mas o novo procedimento será registrado nos sistemas do SUS a partir do próximo mês.

A portaria também altera a descrição do procedimento já existente de pesquisa de sangue oculto nas fezes. A partir da mudança, ele contemplará diferentes métodos e técnicas para o rastreamento do câncer colorretal.

Para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, deverá ser registrado especificamente o procedimento referente ao teste imunoquímico fecal.

A inclusão do FIT amplia as ferramentas disponíveis no SUS para a prevenção e a detecção precoce do câncer colorretal.

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Saúde

Canetas emagrecedoras expõem o preço da desigualdade na saúde

Redação Informe 360

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As canetas emagrecedoras ganharam espaço no tratamento da obesidade, mas o preço ainda deixa esses medicamentos fora do alcance de muitos brasileiros. Segundo a Deutsche Welle (DW), a barreira financeira pesa especialmente sobre as populações de baixa renda, que também apresentam maior incidência da doença.

Sem condições de manter o tratamento, pacientes podem desistir ou buscar produtos no mercado ilegal. Hoje, nenhuma caneta emagrecedora está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

emagrecimento
A queda da patente da semaglutida abriu espaço para remédios mais baratos, mas o tratamento ainda pesa no orçamento de muitos pacientes. Imagem: Panuwat Dangsungnoen/iStock

Medicamentos mais eficazes, mas caros

Dados mais recentes do Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam que 25,7% dos adultos brasileiros enfrentam um quadro de obesidade. A doença pode causar outros problemas, como diabetes, câncer e dificuldades cardiovasculares.

Os medicamentos mais novos apresentam resultados superiores aos tratamentos antigos. Enquanto estes costumavam levar à perda de 5% a 10% do peso corporal, remédios que simulam a ação do GLP-1, como Wegovy e Ozempic, podem chegar a 17%. Com a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, o índice pode alcançar 22%.

O acesso, porém, continua limitado. Um levantamento da NielsenIQ Brasil mostrou que as canetas estão presentes em cerca de 5% dos lares brasileiros. Em 84% deles, os medicamentos provocam impacto alto ou moderado no orçamento mensal.

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Para o endocrinologista Paulo Miranda, coordenador do Departamento Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SEBM), a desigualdade no acesso é uma preocupação mundial. “É preciso haver a inclusão dessas medicações dentro de um custo aceitável para o público que pode se beneficiar desses tratamentos.”

Semaglutida ficou mais barata

A queda da patente da semaglutida abriu espaço para novos fabricantes e ajudou a reduzir os preços. Em junho, chegou às farmácias a primeira caneta brasileira com esse princípio ativo, a Ozivy, produzida pela EMS. Outros cinco medicamentos à base de semaglutida também tiveram registros aprovados pela Anvisa.

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O Ministério da Saúde afirma que o aumento da concorrência deve provocar uma redução significativa dos preços. Especialistas citam quedas de até R$ 1 mil mensais em alguns tratamentos.

A tirzepatida, no entanto, continua mais cara. Os tratamentos com Mounjaro partem de R$ 1,5 mil e chegam a R$ 3 mil por mês.

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Se não cabe no orçamento, é melhor nem começar, porque, de fato, se você suspender, a tendência é o peso retornar para o inicial.

Rachel Teixeira, endocrinologista, à DW.

Ela também alerta que o tratamento não deve ser encarado como uma despesa temporária.

Canetas dos medicamentos Ozempic Mounjaro e WeGovy
Antes de começar um tratamento, o custo mensal é um ponto importante. A interrupção das canetas pode fazer o peso voltar ao nível inicial. – Imagem: KK Stock/Shutterstock

O risco do mercado ilegal

O combate à obesidade não depende apenas dos medicamentos. Acompanhamento nutricional e atividade física também fazem parte do tratamento e podem elevar os custos. Para Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o acesso a uma rotina saudável também é desigual.

  • Alimentação saudável pode custar mais;
  • Atividade física depende do acesso a espaços adequados;
  • O tratamento medicamentoso pode ser contínuo;
  • O preço pode levar pacientes a abandonar a terapia;
  • Produtos ilegais não oferecem garantia de qualidade e segurança.

Sem dinheiro para o tratamento regular, algumas pessoas recorrem a canetas contrabandeadas. A prática é condenada pela Anvisa, já que não há garantia sobre procedência, pureza, transporte ou armazenamento.

Para especialistas, ampliar o acesso aos tratamentos é essencial para evitar que pacientes fiquem entre o alto custo dos medicamentos e o risco de produtos irregulares.

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