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Saúde

Estresse descontrolado? Veja como ele mexe com o cortisol e seu corpo

Redação Informe 360

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O estresse é algo que todos enfrentamos no dia a dia, seja no trabalho, em casa ou em situações inesperadas. Quando estamos estressados, nosso corpo reage liberando hormônios que nos preparam para lidar com o problema. Um desses hormônios é o cortisol, conhecido como o “hormônio do estresse”.

Esse hormônio é essencial para o bom funcionamento do corpo, ajudando a controlar os níveis de açúcar no sangue, reduzir inflamações e manter o corpo em alerta quando enfrentamos situações desafiadoras. No entanto, quando está presente em grandes quantidades por muito tempo pode causar efeitos negativos na saúde.

O que é o cortisol e como ele é liberado?

O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas adrenais, localizadas logo acima dos rins. É o principal glicocorticoide em mamíferos, e sua produção na adrenal está sujeita à sinalização pelo ACTH hipofisário.

No corpo humano, muitos hormônios são liberados após a sinalização de outro hormônio. Nesse caso, o hormônio liberador de corticotrofina (CRH), secretado pelo hipotálamo, sinaliza à hipófise para que ocorra a liberação do ACTH (hormônio adrenocorticotrófico). A partir daí, o ACTH age sobre o córtex da glândula adrenal, iniciando a síntese e liberação de glicocorticoides.

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Ilustação da localização das glandulas adrenais
Glândulas adrenais. (Imagem: Magic mine/Shutterstock)

Mas, afinal, o que são glicocorticoides?  Os glicocorticoides são hormônios esteroides produzidos no córtex da glândula adrenal. O cortisol é um dos principais deles, sendo um hormônio marcador de atividade, que apresenta um pico nas horas que precedem o início do período ativo, preparando o organismo para a atividade. Nos humanos, seres diurnos, o pico se dá nas primeiras horas da manhã, e seus níveis decrescem ao longo do dia.

Algumas pessoas apresentam uma irregularidade na produção de cortisol, causada por um tumor hipofisário, que está associado a liberação de ACTH ou adrenal, associado a produção de cortisol. Também pode ocorrer devido à ingestão de altas doses de glicocorticoides, e essa condição recebe o nome de síndrome de Cushing.

Esse quadro clínico leva a um aumento na liberação de cortisol que se mantém elevado até mesmo em horários noturnos, chamado de hipercortisolismo. Essa condição causa um aumento no acúmulo de gordura abdominal, fraqueza muscular e osteoporose, além de um sintoma bem característico: a face em forma de lua-cheia devido ao acúmulo de gordura nessa região.

O que o cortisol faz no corpo

Em condições normais, o cortisol ajuda o corpo a responder ao estresse, fornecendo energia extra para os músculos e o cérebro. Ele faz isso aumentando os níveis de glicose (açúcar) no sangue. Isso nos dá uma explosão de energia rápida para reagir ao que está nos estressando. Além disso, o cortisol também ajuda a diminuir processos inflamatórios e regula o sistema imunológico.

E quando o estresse não passa?

O estresse é um estado de reação a fatores adversos agindo no organismo. Essa reação visa reestabelecer o equilíbrio por meio de respostas fisiológicas. 

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O problema começa quando estamos sob estresse constante, como em situações de trabalho intenso ou preocupações diárias que nunca parecem acabar. Quando isso acontece, o corpo continua liberando hormônios, como a adrenalina, cortisol e noradrenalina, o que pode levar a consequências indesejadas. Vamos ver algumas delas:

  • Aumento da glicemia: os glicocorticoides apresentam efeitos opostos ao da insulina, ou seja, tem efeito de resistência a insulina.
  • Ganho de peso: o cortisol pode aumentar o apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura, para um reabastecimento do estoque de energia do corpo. Além disso, ele faz com que o corpo armazene mais gordura, especialmente na barriga.
  • Problemas cardiovasculares: em resposta ao estresse há a liberação também de adrenalina, que prepara o corpo para uma situação de luta ou fuga, fazendo com que o coração bata mais rápido e aumentando a pressão arterial, que com o tempo pode levar a hipertensão. O tecido adiposo na região abdominal é uma fonte de interleucina-6, uma molécula pró-inflamatória. A IL-6 contribui para o acúmulo de células imunes nas paredes arteriais, promovendo o crescimento de placas ateroscleróticas. Esses fatores juntos aumentam as chances de um infarto.

Ainda há outras diversas alterações provocadas pelo estresse, como a imunossupressão resultante do aumento dos níveis de cortisol, pois nessas condições ocorre a diminuição da proliferação de linfócitos, células imunes responsáveis por reconhecer e combater patógenos. Dessa forma, o corpo tem mais dificuldade para lutar contra infecções e doenças.

Há também a ocorrência de problemas gastrointestinais. O cérebro, ao perceber o estresse, ativa o sistema nervoso autônomo, comunicando-se com o intestino e perturbando o movimento peristáltico, podendo levar a um quadro de síndrome do intestino irritável e aumentando a sensibilidade ao ácido do sistema gastrointestinal, levando a azia.

Como controlar o estresse e os níveis de cortisol?

Existem várias formas de reduzir o estresse e manter os níveis de cortisol sob controle:

  • Praticar exercícios físicos ajudam a reduzir o cortisol e a liberar hormônios que promovem a sensação de bem-estar.
  • Experimente técnicas de relaxamento como meditação, ioga e exercícios de respiração.
  • Ter uma rotina de sono regular é essencial para equilibrar os hormônios do corpo, incluindo o cortisol.
  • Manter uma alimentação saudável também pode ajudar a manter o cortisol equilibrado. Um bom ponto de partida é evitar alimentos processados e ricos em açúcar.
  • Conversar com amigos ou familiares pode ajudar a aliviar o estresse diário, assim como buscar terapias. 

O cortisol é um hormônio essencial para o nosso corpo, mas o estresse prolongado pode fazer com que seus níveis fiquem altos por muito tempo, causando uma série de problemas de saúde. Por isso, é importante adotar hábitos saudáveis que ajudem a controlar o estresse e manter o equilíbrio do corpo.

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Saúde

Obesidade está por trás de 10% das mortes por infecção no mundo – saiba o porquê

Redação Informe 360

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Um estudo divulgado na revista The Lancet aponta que os problemas relacionados à obesidade podem ser ainda mais graves do que se pensava. De acordo com o trabalho, 1 em cada 10 mortes relacionadas a infecções são atribuídas ao excesso de peso.

A doença, que já é considerada uma epidemia nos dias de hoje, pode impactar a resposta imunológica do corpo, tornando as pessoas mais vulneráveis a infecções. Cientistas de diversas partes do mundo estão investigando essa conexão e buscando entender as razões por trás desse fenômeno alarmante.

Trabalho pode ajudar a reduzir número de mortes

Estudos anteriores já mostraram que indivíduos com obesidade tendem a desenvolver complicações mais graves quando contaminados por vírus e bactérias. Agora, com essa nova pesquisa, a preocupação aumenta, buscando soluções que possam ajudar a mitigar esses riscos.

Uma das teorias que está ganhando força sugere que a inflamação crônica associada à obesidade pode prejudicar a eficácia do sistema imunológico. Essa condição cria um ambiente no corpo que pode favorecer a proliferação de infecções.

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obesidade

Excesso de peso pode prejudicar resposta imunológica do organismo (Imagem: grinvalds/iStock)

Portanto, entender essa dinâmica é crucial para criar estratégias de saúde pública que ajudem a prevenir complicações relacionadas à obesidade.

Além disso, os pesquisadores estão se perguntando se as vacinas têm a mesma eficácia em indivíduos com excesso de peso. Essa dúvida é ainda mais pertinente considerando o contexto atual, onde a vacinação se tornou uma prioridade global.

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Desafio global

  • A ligação entre obesidade e mortes por infecções representa um desafio significativo para a saúde global.
  • À medida que os cientistas continuam a desvendar os mecanismos por trás dessa relação, novas informações podem surgir.
  • E estes dados são considerados fundamentais para possibilitar intervenções mais eficazes para proteger os grupos mais vulneráveis.
  • Para isso, no entanto, novos estudos são necessários.

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Saúde

Remédio que dispensa jejum é mais potente que semaglutida oral, diz estudo na Lancet

Redação Informe 360

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Um novo medicamento experimental chamado orforgliprona, da Eli Lilly, demonstrou resultados significativos para adultos que enfrentam a obesidade e o diabetes tipo 2. Em testes que duraram 72 semanas, os pacientes que utilizaram a substância conseguiram reduzir o peso corporal em até 9,6%.

Os dados, publicados na revista científica The Lancet, mostram que o remédio foi muito mais eficiente que o placebo. A grande vantagem prática é que se trata de uma pílula oral que não exige restrições de horário para comer ou beber água, o que torna o tratamento muito mais simples de seguir no dia a dia. 

Além de emagrecer, o medicamento, que pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, ajudou a controlar o açúcar no sangue e melhorou indicadores da saúde do coração.

Orforgliprona supera semaglutida oral no controle do diabetes

Um estudo, chamado ACHIEVE-3, comparou diretamente o novo fármaco com a semaglutida oral (famosa versão em comprimido de tratamentos para diabetes) em 1.698 adultos. Durante um ano, os participantes tomaram doses diárias de 12 mg ou 36 mg de orforgliprona, ou doses de 7 mg ou 14 mg de semaglutida, sempre acompanhados de mudanças no estilo de vida.

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Durante um ano, os participantes tomaram doses diárias de orforgliprona ou de semaglutida (Imagem: brizmaker/Shutterstock)

Os números mostram uma vantagem clara: a dose de 36 mg da orforgliprona promoveu uma perda de peso de 8,9 kg, enquanto a semaglutida de 14 mg ficou em 5 kg. Isso significa que o medicamento experimental foi 73,6% mais potente para emagrecer do que o concorrente já disponível no mercado. No controle da glicose, a orforgliprona também venceu, reduzindo a hemoglobina glicada em 2,2%, contra 1,4% da semaglutida.

No entanto, o tratamento exige atenção aos efeitos colaterais. Assim como outros remédios da mesma família, a orforgliprona causa náuseas, diarreia e vômitos, principalmente no início do ajuste das doses. Um ponto de alerta é que o número de pessoas que desistiram do tratamento por não suportarem esses efeitos foi maior no novo medicamento (entre 8,7% e 9,7%) do que na semaglutida (cerca de 4,5% a 4,9%).

Apesar do desconforto gástrico, a substância trouxe melhorias no colesterol e na pressão arterial dos voluntários. Quanto à segurança, as mortes registradas durante os testes globais não tiveram relação comprovada com o uso do remédio. A fabricante Eli Lilly agora aguarda a decisão do FDA, a Anvisa dos Estados Unidos, para liberar o uso contra a obesidade no próximo trimestre. O pedido para o tratamento específico de diabetes tipo 2 deve ficar para o fim de 2026.

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Cientistas criam polímero que “descarta” proteínas do câncer

Redação Informe 360

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Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram uma estratégia para eliminar proteínas associadas ao câncer que resistem às abordagens tradicionais de tratamento. Em vez de tentar bloquear sua atividade, a proposta é direcioná-las ao sistema interno de descarte das células, promovendo sua degradação e, como consequência, a morte das células tumorais.

O estudo foi publicado nesta terça-feira (24) na revista científica Nature Communications. A pesquisa apresenta uma nova classe de polímeros semelhantes a proteínas, chamados de PLPs, capazes de capturar proteínas cancerígenas e conduzi-las à maquinaria celular responsável por degradá-las.

Nova abordagem mira proteínas “indrogáveis”

Como prova de conceito, os cientistas testaram uma classe específica desses polímeros, denominada HYDRACs (HYbrid DegRAding Copolymers), contra duas proteínas consideradas especialmente difíceis de atingir: MYC e KRAS. Ambas estão associadas ao crescimento descontrolado de diversos tipos de câncer e, apesar de décadas de esforços, continuam resistentes à maioria das terapias disponíveis, incluindo pequenas moléculas e anticorpos.

Em culturas celulares, os HYDRACs localizaram e degradaram seletivamente as proteínas MYC e KRAS em diferentes linhagens de células cancerígenas. Em modelos animais com tumores impulsionados por MYC, os polímeros se acumularam nas massas tumorais, reduziram a proliferação celular e interromperam o crescimento do tumor.

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Os HYDRACs são polímeros projetados para se ligar a proteínas associadas ao câncer e levá-las ao sistema de degradação celular, acionando sua destruição por meio do proteassoma após marcação com ubiquitina (Imagem: Wang et al. / Nature Communications)

Segundo Nathan Gianneschi, que liderou o estudo na Northwestern, MYC e KRAS estão presentes em uma grande parcela dos cânceres humanos, frequentemente nos mais agressivos, e as opções terapêuticas eficazes ainda são limitadas. Ele afirma que a equipe desenvolveu uma solução baseada em química de polímeros capaz de conectar proteínas desordenadas ao sistema celular que as degrada, algo que não havia sido demonstrado antes nesses alvos.

Como funcionam os HYDRACs

Diferentemente de terapias que bloqueiam a função de uma proteína, os HYDRACs integram a classe dos degradadores de proteínas direcionados. Em vez de inibir, eles marcam a proteína para destruição. Enquanto degradadores convencionais dependem de pequenas moléculas, cuja eficácia é limitada quando a proteína não possui bolsões de ligação bem definidos, os HYDRACs adotam outra estratégia.

Cada polímero apresenta múltiplas cópias de peptídeos que reconhecem a proteína-alvo e sinais moleculares que recrutam a maquinaria de degradação da célula. De acordo com Gianneschi, o mecanismo funciona como se o polímero tivesse “duas mãos”: uma se liga à proteína e a outra ao sistema de descarte celular, aproximando ambos.

No caso da proteína KRAS, presente em cerca de 25% dos cânceres humanos, incluindo tumores pancreáticos e colorretais, os HYDRACs degradaram diferentes variantes mutadas em células cancerígenas. Os pesquisadores destacam que, como a estratégia elimina a proteína inteira, mutações que normalmente conferem resistência a medicamentos tendem a ter menos impacto.

Camundongos portadores de tumores Luc-MV4-11 receberam injeção de HYDRACs marcados com Cy5.5 e foram monitorados por IVIS ao longo de 72 horas. Os tumores e os HYDRACs foram acompanhados por luminescência e fluorescência (Imagem: Wang et al. / Nature Communications)

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Próximos passos

Embora o foco inicial tenha sido o câncer, a equipe planeja adaptar a tecnologia para proteínas relacionadas a doenças neurodegenerativas, inflamatórias e metabólicas. A empresa derivada da universidade, Grove Biopharma, licenciou a propriedade intelectual e trabalha no avanço da plataforma denominada Bionic Biologics, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento terapêutico.

O estudo, intitulado “Heterobifunctional proteomimetic polymers for targeted degradation of MYC and KRAS”, recebeu apoio do Willens Center for Nano Oncology, do International Institute of Nanotechnology e do Liz and Eric Lefkofsky Innovation Research Award.

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