Negócios
A IA não vai roubar seu emprego tão cedo, dizem pesquisadores do MIT


Por outro lado, relatório do FMI afirma que a IA deve afetar 40% dos empregos em todo o mundo, tipo de previsão que é criticado pelos pesquisadores do MIT
Até agora, não sabemos muito sobre o impacto que a inteligência artificial terá, de fato, no mercado de trabalho.
Mas o que não faltam são previsões sobre os efeitos da tecnologia no futuro do trabalho e dos empregos, desde a adoção dos computadores pelas empresas e a popularização do termo “automação” no início da década de 1950.
Mais recentemente, o boom da IA chegou com muitas especulações, principalmente de acadêmicos, sobre a possível eliminação de empregos por máquinas cada vez mais inteligentes, que devem se igualar ou superar os humanos num futuro muito próximo.
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Um paper recém-lançado e produzido por pesquisadores do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), visa esclarecer as previsões sobre IA e empregos.
Ele pode ser traduzido como “Além da Exposição à IA: Quais Tarefas são Economicamente Viáveis de Automatizar com Visão Computacional?”. E conclui que apenas 23% dos salários vinculados a tarefas relacionadas à visão (atividades ou problemas que envolvem o processamento e interpretação de informações visuais por sistemas computacionais) poderiam ser substituídos de maneira eficaz e financeiramente viável por IA.
Leia também:
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- Como a IA generativa mudará todos os nossos empregos em 2024
Como medir o impacto da IA nas nossas vidas e empregos
Segundo os pesquisadores do MIT, a ansiedade em relação à inteligência artificial é um resultado das pesquisas que tentam medir o impacto da tecnologia nas nossas vidas com a ideia de “Exposição à IA” – a classificação das tarefas pelo seu “potencial de automação”.
O problema disso é que não se considera a “viabilidade econômica” do uso da tecnologia. E se confunde automação total, o que pressupõe substituição de trabalhadores, com automação parcial, que na verdade poderia melhorar o desempenho do trabalho.
Para resolver isso e construir o que os pesquisadores chamam de “primeiro modelo de automação de IA ponta a ponta”, eles focaram em tarefas relacionadas com a visão, que têm estimativas de custos para sistemas de IA mais desenvolvidas.
O modelo avalia o nível de proficiência necessário para realizar uma tarefa com base em pesquisas com profissionais, o custo de alcançar essa proficiência através de trabalhadores humanos ou de sistemas de IA (que são caros de desenvolver) e a decisão econômica das empresas sobre adotar ou não IA para uma tarefa específica.
Usar inteligência artificial pode ser financeiramente inviável
Utilizando o novo modelo, os pesquisadores do MIT descobriram que a automação ainda não é viável para as empresas na maioria dos casos, devido aos grandes custos iniciais dos sistemas de IA.
A redução do custo do desenvolvimento e da implantação dessa tecnologia (aumentando a escala, possivelmente através da utilização de uma plataforma de IA como serviço), reduziria esses custos. No entanto, “mesmo com rápidas reduções de custos de 20% ao ano, ainda levaria décadas para que as tarefas de visão computacional se tornassem economicamente eficientes para as empresas”, segundo o estudo.
Obstáculos para a rápida adoção da IA
Os pesquisadores argumentam que as suas descobertas também se aplicam à IA generativa e à automação de tarefas relacionadas com a linguagem. Todas as áreas de implementação de IA requerem afinação ou personalização para adaptá-las às características específicas da empresa, um fator de custo importante e um obstáculo à rápida adoção pelas companhias.
Outro empecilho, nem sempre considerado pelos economistas e pesquisadores, é o que um estudo do Fundo Monetário Internacional chama de “aceitabilidade social da IA”. Algumas profissões podem integrar perfeitamente as ferramentas de IA, enquanto outras podem enfrentar resistência devido a preocupações culturais, éticas ou operacionais.
Mais pesquisas sobre IA e trabalho
Esse estudo foi lançado próximo ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada, onde a IA foi o principal tema de discussão.
O FMI estimou que quase 40% dos empregos globais estão “expostos” à IA. Nas economias avançadas, cerca de 60% dos empregos podem ser afetados pela inteligência artificial. Aproximadamente metade dos empregos expostos podem se beneficiar do uso da tecnologia, aumentando a produtividade. Por outro lado, as aplicações de IA poderão executar tarefas essenciais atualmente desempenhadas por seres humanos, o que poderá reduzir a procura de mão de obra, e levar a salários mais baixos e a uma redução das contratações. “Nos casos mais extremos, alguns destes empregos podem desaparecer”, diz o relatório do FMI.
Indo além dos modelos econômicos, outro estudo divulgado às vésperas da reunião de Davos recolheu dados diretamente dos responsáveis pela criação e eliminação de empregos.
A gigante de contabilidade PwC conduziu uma pesquisa com 4.700 CEOs em 105 países e descobriu que cerca de um quarto dos executivos espera que a implantação de IA generativa nos seus próprios negócios vai levar a cortes de empregos de pelo menos 5% este ano.
Quase 75% previram que a IA generativa vai mudar significativamente os seus negócios nos próximos três anos, exigindo formação de funcionários em novas competências e gestão de novos riscos de segurança cibernética, desinformação e preconceitos em relação a grupos específicos de clientes ou funcionários.
Os CEO podem ter compreendido intuitivamente (mas não perguntado diretamente sobre) a “aceitabilidade social” da IA. Tal como acontece com qualquer outra nova novidade tecnológica emergente nas últimas sete décadas, o fator social é muitas vezes negligenciado nas especulações sobre o seu impacto nos empregos e na natureza do trabalho.
Previsões podem (e provavelmente vão) falhar
Em um artigo sobre o estudo do FMI, Harry Law, pesquisador do Google Deepmind, de pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial, observa isso como um grande problema desse estilo de análise. Devido à dificuldade de quantificar e avaliar os “elementos contextuais, reputacionais, burocráticos e sociais da adoção da IA”, o que temos aqui é “mais ou menos um jogo de adivinhação”.
O que ele quer dizer é que o mundo real não segue as previsões dos especialistas. Especialmente quando essas previsões são sobre o que as pessoas farão (ou não) com as novas tecnologias.
Foi muito difícil, talvez impossível, prever o impacto dos PCs na natureza do trabalho.
As máquinas assumiram algumas das tarefas repetitivas e “enfadonhas” que nenhum gestor se dignaria a desempenhar antes da década de 1980. A digitação de memorandos (mais tarde emails), o arquivamento de documentos, o registro e cálculo, grande parte da gestão da informação do escritório, antes exclusivamente nas mãos de secretárias, tornou-se na década de 1980 (e além) parte do trabalho dos executivos de negócios.
E por quê? Porque agora eles podiam fazer todo esse trabalho com uma nova ferramenta “legal”, o computador, que lhes dava uma imagem de vanguarda e de elevado estatuto dessa nova tecnologia. O que importava era que você era importante o suficiente para ter uma dessas máquinas, não que você realizasse com ela tarefas que eram consideradas inferiores apenas alguns anos antes.
A inteligência humana é criativa, aberta e imprevisível.
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Negócios
Quem É Klaus Zellmer, Novo CEO da Volvo com Carreira na Porsche e na Skoda
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A Volvo Cars escolheu Klaus Zellmer, veterano executivo do Grupo Volkswagen e atual chefe da Skoda Auto, como seu próximo presidente e CEO. Zellmer traz um currículo impressionante de décadas de experiência, abrangendo liderança nos segmentos premium e de grande volume da indústria automotiva — uma combinação que o conselho da Volvo claramente considera relevante enquanto a montadora sueca tenta proteger seu posicionamento premium ao mesmo tempo em que melhora a economia da eletrificação.
O presidente do conselho da Volvo, Eric Li, afirmou que Zellmer combina experiência internacional com um histórico de liderança de organizações durante “transformações e mudanças nas condições de mercado”.
“Estou muito satisfeito em ingressar na Volvo Cars em um momento tão importante no desenvolvimento da empresa”, disse Zellmer em um comunicado à imprensa, citando a reputação duradoura da Volvo em segurança e sua identidade de marca clara. Ele sucederá Håkan Samuelsson no mais tardar em 1º de outubro de 2027, dando à Volvo um período de transição incomumente longo enquanto a empresa prepara uma das maiores ofensivas de produtos de sua história.
A Skoda Auto é uma importante fabricante de automóveis tcheca e uma das empresas automotivas mais antigas do mundo, com sede em Mladá Boleslav, na República Tcheca. Tornou-se subsidiária do Grupo Volkswagen da Alemanha em 1991 e hoje pertence integralmente ao Grupo VW.
Zellmer lidera a Skoda desde julho de 2022, período em que a marca tcheca do Grupo Volkswagen ganhou participação de mercado, ampliou sua linha de veículos elétricos e apresentou resultados financeiros incomumente notáveis para uma fabricante de grande volume. Em 2025, as vendas globais da Skoda cresceram 13%, para mais de 1 milhão de veículos — o primeiro retorno da marca acima desse patamar desde 2019.
O resultado financeiro foi igualmente notável. A Skoda registrou receita de € 30,1 bilhões (US$ 34,0 bilhões) em 2025, alta de 8,3%, e lucro operacional de € 2,5 bilhões (US$ 2,8 bilhões), avanço de 8,6%, resultando em uma margem operacional de 8,3%. Esse é o tipo de disciplina de margem que a Volvo gostaria de reproduzir, já que a margem operacional ajustada da Volvo foi de 3,5% na mesma comparação.
Sob a liderança de Zellmer, a Skoda também fez progressos consideráveis no desafiador mercado europeu de veículos elétricos — a marca vendeu 123.756 veículos 100% elétricos na Europa em 2025. O novo Skoda Elroq foi o segundo veículo elétrico mais vendido da Europa, atrás do Tesla Model Y, enquanto o Enyaq ficou em quinto lugar.
Nos primeiros sete meses de 2026, a Skoda tornou-se a segunda marca mais vendida da Europa, atrás apenas da principal marca de automóveis de passeio da Volkswagen, com vendas em alta de 8,9%, para 533.748 veículos. Esses resultados sugerem que os pontos fortes de Zellmer vão além do planejamento de produtos: ele ajudou a transformar uma marca tradicionalmente focada em valor em uma operação mais assertiva globalmente e financeiramente mais resiliente.
“Klaus Zellmer desempenhou um papel importante na formação da Škoda ao longo dos últimos anos. Um exemplo recente é o Skoda Epiq, parte da Electric Urban Car Family. Respeitamos sua decisão pessoal de iniciar um novo capítulo em sua carreira e desejamos a ele todo o sucesso no futuro”, disse Thomas Schäfer, presidente do Conselho de Supervisão da Skoda Auto e chefe do Brand Group Core, em comunicado da empresa.
O mesmo comunicado trouxe declarações de Zellmer: “Os últimos anos na Skoda Auto foram um período extraordinário e marcante para mim. Ao lado de uma equipe única e dedicada, fortalecemos a marca, entramos em novos mercados e estabelecemos a Skoda como uma das marcas automotivas mais bem-sucedidas da Europa. Esse sucesso se deve, acima de tudo, às pessoas da Skoda — à paixão, à expertise e ao comprometimento delas todos os dias. Gostaria de agradecer, do fundo do coração, a todos os Skodians por isso, assim como pela confiança e pela excelente colaboração. Agora chegou o momento de assumir um novo desafio fora do Grupo Volkswagen. A Skoda e as pessoas por trás dessa marca extraordinária sempre terão um lugar especial na minha vida profissional.”
Antes de liderar a Skoda, Zellmer passou mais de duas décadas na Porsche em cargos seniores nas áreas comercial, de marketing e regionais. Foi CEO da Porsche Alemanha de 2010 a 2015 e depois atuou como presidente e CEO da Porsche Cars North America, em Atlanta, de 2015 a 2020. Sua passagem pela América do Norte coincidiu com um período de crescimento sustentado da Porsche, com as vendas nos Estados Unidos subindo de 51.756 veículos em 2015 para o recorde de 61.568 em 2019.
Zellmer assume uma marca com ativos consideráveis: uma reputação incomumente forte em segurança, uma identidade de design escandinavo distinta, produção global e o respaldo financeiro da Geely. Mas há desafios. A empresa anunciou recentemente planos para 13 novos veículos até 2030, seu programa de produtos mais otimista da história. A Volvo também precisa administrar as complexas linhas de produtos ocidentais e chinesas, à medida que tarifas, regras regulatórias, expectativas locais de software e escolhas dos consumidores dividem cada vez mais o setor automotivo em blocos regionais.
O histórico de Zellmer na Skoda sugere que ele entende como combinar disciplina de custos, ampla oferta de conjuntos motrizes e adequação entre produto e mercado. A questão maior é se essas lições de uma marca de volume — e suas credenciais premium adquiridas na Porsche — podem ajudar a Volvo a transformar planos ambiciosos de eletrificação em margens maiores, vendas mais fortes e uma posição mais clara em um mercado de luxo que está sendo rapidamente remodelado.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com
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Cargos de Liderança São Só 1,5% das Vagas para Pessoas com Deficiência
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Apenas 1,5% das vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcDs) ofertam posições técnicas e gerenciais, aponta levantamento inédito da startup Egalite. O levantamento considera dados de 116 mil profissionais cadastrados e mais de 19 mil vagas ativas no portal Inclui PcD, da própria startup, especializada em projetos para empregabilidade de pessoas com deficiência.
As empresas destinam grande parte das vagas para posições operacionais, que representam 98,5% dos postos de trabalho. Por outro lado, o levantamento aponta que 31% de todas as candidaturas espontâneas desses profissionais são direcionadas para posições gerenciais e técnicas.
Embora esses dados apontem para um cenário desafiador, a pesquisa destaca um avanço nas organizações empenhadas na inclusão e no crescimento efetivo desses profissionais.
Metade das organizações analisadas no portal Inclui PcD já disponibiliza todas as suas vagas, desde posições de entrada até cargos de liderança e especialistas, para pessoas com deficiência, superando a exigência legal de cotas.
Um dos fundadores da Egalite e embaixador e CEO da Rede Empresarial de Inclusão Social, Djalma Scartezini aponta que a maioria das vagas de trabalho é para cargos operacionais, pois o varejo é a base da pirâmide e, por isso, disponibiliza maior quantidade de postos de trabalho.
“Não existem cargos de liderança na mesma proporção que cargos de entrada”, diz Djalma Scartezini.
Contudo, o diretor executivo reconhece que existe uma falta de vagas de gerência destinada à população PcD. “Eu sendo um executivo com deficiência também não estou contente de ver poucos pares com deficiência em cargos de direção. O que eu acho que é positivo é que tem avançado esse número.”
Ele cita a última feira Inclui PcD, uma iniciativa da Egalite, que abriu 19 mil vagas para pessoas com deficiência, das quais quase 4 mil eram cargos para especialistas, coordenadores e primeiros estágios de liderança.
Outro dado relevante da pesquisa demonstra que a pretensão salarial mediana de candidatos PcD é de R$ 1.450, valor abaixo do salário mínimo em vigor (R$ 1.621). O dado revela que os trabalhadores muitas vezes chegam aos processos seletivos cobrando menos do que o que é de direito.
Muitas vezes esse cenário se dá por um viés de mercado que utiliza marcadores identitários – como deficiência, gênero, raça e orientação sexual – para desqualificar as pessoas. Como aponta Scartezini, frequentemente, as próprias vagas oferecidas a PcDs já são disponibilizadas com valores de remuneração reduzidos em relação aos parâmetros de mercado.
Uma outra barreira enfrentada por trabalhadores com deficiência é o recuo de postos de trabalho no modelo home office. De acordo com dados da Inclui PcD, o percentual de vagas remotas e híbridas sofreu queda de 28,4% em 2024 para somente 0,8% em 2026.
“O modelo de trabalho remoto remove barreiras cruciais de mobilidade urbana e transporte público inacessível para pessoas com deficiência física”, explica o CEO da Egilate, Guilherme Braga.
Além disso, para profissionais neurodivergentes, o ambiente de casa atua como um regulador sensorial, possibilitando a gestão de estímulos do ambiente, a adaptação do espaço de trabalho e a diminuição da sobrecarga social.
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Howard Buffett Será “Apólice de Seguro” da Berkshire na Era Greg Abel
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A Berkshire Hathaway sempre foi sinônimo de Warren Buffett. Agora, cabe ao seu filho mais velho, Howard Buffett, manter viva a cultura do conglomerado.
O anúncio feito nesta sexta-feira de que Warren Buffett, de 96 anos, deixou o cargo de presidente do conselho da companhia significa que a lenda dos investimentos não terá mais uma função de gestão na empresa que assumiu em 1965, nem mesmo atuará como conselheiro regular de Greg Abel, que o sucedeu como presidente-executivo em janeiro.
Howard Buffett, de 71 anos, assumirá uma função bem diferente como presidente não executivo do conselho de administração, com foco na preservação da cultura e dos valores da Berkshire. Essa é a mais recente medida em uma transição de liderança que já vem ocorrendo há anos.
“Trata-se, na verdade, de continuidade”, disse Michael Withers, professor de administração da faculdade de administração da Universidade de Notre Dame. “O desafio daqui para frente será se Abel e Howard conseguirão honrar o legado (de Warren Buffett), ao mesmo tempo em que dão à Berkshire espaço para se adaptar a um mercado que parece muito diferente daquele que Buffett dominava.”
A presença de longa data deles pode tranquilizar investidores e analistas que não esperam, nem necessariamente desejam, grandes mudanças no conglomerado de aproximadamente US$1,1 trilhão que possui negócios que incluem a ferrovia BNSF, a seguradora de automóveis Geico e uma série de empresas dos setores de energia, indústria e de varejo, além de uma carteira de ações que inclui American Express, Apple e Coca-Cola.
Abel ingressou na Berkshire em 2000, quando a empresa adquiriu a antiga MidAmerican Energy, e passou a integrar a equipe de liderança da Berkshire em 2018. Howard Buffett está na Berkshire há ainda mais tempo, atuando como diretor desde 1993.
“Howie está lá para fiscalizar”, disse James Armstrong, presidente da Henry H. Armstrong Associates em Pittsburgh e investidor de longa data da Berkshire. “Minimizar a burocracia, manter o foco nas metas de longo prazo, colocar os acionistas em primeiro lugar, nada de negócios em benefício próprio, nada de corrupção e ampliar a vantagem competitiva que protege os negócios da Berkshire.”
Saber o que é viável
Abel, de 64 anos, tem seguido em grande parte o manual de estratégias de Buffett desde que assumiu o cargo de presidente-executivo. O caixa da Berkshire, de US$364,7 bilhões em 30 de junho, valor quase recorde, dá a ele liberdade para comprar mais empresas e ações, recomprar as próprias ações da companhia sediada em Omaha, Nebraska, e talvez instituir um dividendo.
Warren Buffett escreveu nesta sexta-feira, em uma carta aos acionistas, que Abel superou suas expectativas “altíssimas”.
“Pensem em Howard como uma apólice de seguro que os acionistas possuem e esperam nunca precisar resgatar”, escreveu Buffett.
Buffett ainda controla mais de 13% das ações da Berkshire e cerca de 30% do poder de voto. Essas porcentagens diminuirão à medida que suas ações forem distribuídas a fundações supervisionadas por seus filhos.
“Warren construiu uma das grandes empresas americanas”, disse Macrae Sykes, gestor de carteiras da Gabelli Funds. “Isso encerra a carreira corporativa de Warren, mas não sua influência na Berkshire.”
Não é ciência espacial
Famoso por seu trabalho beneficente, Howard Buffett também já foi agricultor, xerife e membro de vários conselhos de administração, mas nunca liderou uma empresa de capital aberto. Ele vê seu papel na Berkshire como mais focado do que o de seu pai.
“Não é ciência espacial”, disse ele ao Wall Street Journal em janeiro de 2025. “A cultura é manter as coisas simples, fazer o que é preciso, mas não fazer muitas coisas desnecessárias, tratar as pessoas com justiça, respeitar seus gerentes, respeitar seus acionistas. Contar as más notícias logo de cara, ser honesto.”
Cathy Seifert, analista da CFRA Research, considerou a falta de experiência em gestão de Howard Buffett uma lacuna no plano de sucessão da Berkshire.
“Em comparação com outras dinastias familiares, normalmente, quando se tem o filho do herdeiro aparente, ele costuma estar envolvido nas operações do dia a dia”, disse ela. “Howard Buffett não tem isso.”
O conselho da Berkshire, no entanto, conta com vários diretores com experiência em gestão que podem atuar como orientadores.
“Novos gestores não têm a mesma intuição que só o tempo e a experiência podem proporcionar”, disse Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management. “O filho de Buffett e Abel estão no ecossistema da Berkshire há tempo suficiente para que essa defasagem seja mínima, mas não inexistente.”
Tom Russo, sócio da Gardner, Russo & Quinn e também investidor de longa data da Berkshire, lembrou que Warren Buffett disse a ele e a outros alunos da Stanford Business School, em 1983, que “não se pode fazer um bom negócio com uma pessoa ruim”. Ele espera que Abel e Howard Buffett respeitem esse pensamento. O tempo dirá como. “Este é um território novo”, disse Russo.
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