Saúde
Gripe aviária está sendo transmitida entre mamíferos, alerta estudo

Um novo alerta aumenta as preocupações sobre o avanço da gripe aviária no mundo. De acordo com pesquisadores, o vírus responsável pela doença já pode ser transmitido entre mamíferos. Isso significa que o patógeno está se adaptando e pode conseguir infectar humanos com maior facilidade.
Vacas teriam transmitido a doença para gatos e guaxinim
Cientistas da Universidade Cornell, em Nova York, encontraram evidências de que o vírus circulou entre vacas, e que elas teriam transmitido a doença para gatos e até para um guaxinim. Os animais provavelmente teria sido infectados após beberem o leite cru de vacas infectadas.
Segundo os pesquisadores, este é um dos primeiro registros de transmissão eficiente e sustentada de mamífero para mamífero da gripe aviária. Até o momento, no entanto, não há indícios de que o H5N1 sofreu mutações que desencadeiem o aumento da transmissibilidade do vírus em humanos.

Apesar disso, não está descartado que isso possa acontecer no futuro. Em outras palavras, o vírus da gripe aviária está sofrendo mutações que aumentam a sua capacidade de adaptação aos hospedeiros e às defesas do sistema imunológico. O estudo foi publicado na revista Nature.
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Risco de uma nova pandemia?
- Nos últimos meses, cientistas detectaram a gripe aviária em aves de Nova York, amostras de leite cru e em vacas leiteiras pela primeira vez na história.
- A doença também já causou a morte de diversos animais que não costumavam ser infectados.
- É o caso do urso polar, gatos e até pinguins da Antártica.
- Segundo especialistas, isso comprova que o vírus está se espalhando até em áreas remotas do planeta.
- Desde abril de 2022, 11 casos da doença foram registrados em seres humanos apenas nos Estados Unidos.
- Quatro deles tinham relação com fazendas de gado e sete ocorreram em granjas.
- Todos os pacientes tiveram sintomas leves da doença e já se recuperaram.
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Saúde
Anvisa recolhe lote de paracetamol após achar sinais de bolor

A Anvisa determinou o recolhimento de um lote do Paramol 750 mg após identificar comprimidos com sinais de possível contaminação por bolor. O medicamento não deve mais ser utilizado.
A suspensão envolve o lote 114053, com 200 comprimidos, fabricado pela Belfar Ltda. A medida vale para distribuição, venda e uso do produto.

O que levou à suspensão do medicamento
Segundo a Anvisa, foram encontrados comprimidos com sujidades cuja aparência era sugestiva de presença de bolor, um fungo conhecido popularmente como mofo.
O Paramol, que tem como princípio ativo o paracetamol, é utilizado para combater a febre e aliviar dores leves a moderadas.
Consumidor deve conferir o lote
Quem possui o medicamento deve verificar a identificação na embalagem e interromper o uso caso seja do lote 114053.
A recomendação da agência é:
- não consumir os comprimidos do lote suspenso;
- procurar orientação de médico ou farmacêutico;
- substituir o produto apenas com indicação adequada;
- entrar em contato com o SAC da fabricante para informações sobre ressarcimento.

Recolhimento tem caráter preventivo
A medida publicada no Diário Oficial da União busca retirar do mercado as unidades relacionadas ao lote identificado e evitar possíveis riscos aos consumidores.
Leia mais:
- Anvisa manda recolher água mineral; bactéria encontrada é a mesma da Crystal e em produtos da Ypê
- Anvisa suspende importação de colírios e medicamentos
- Alerta da Anvisa: azeite e doces têm comercialização proibida
Consumidores que tenham o produto em casa devem seguir as orientações da Anvisa e buscar orientação profissional antes de realizar qualquer substituição.
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Saúde
O que é protonterapia, aposta do Brasil para tratar câncer?

O Brasil terá seu primeiro centro de protonterapia, uma técnica avançada de radioterapia contra o câncer. A unidade será construída no Rio de Janeiro, mas os primeiros pacientes só devem receber o tratamento em 2030.
O projeto recebeu R$ 132,6 milhões da Finep e terá foco inicial em crianças com tumores complexos. Até lá, brasileiros ainda precisam viajar ao exterior para acessar a tecnologia.

Novo centro amplia opções contra o câncer
O Centro de Protonterapia Mário Kroeff será instalado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com administração da Fundação Educacional Severino Sombra (FUSVE) e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Apesar do anúncio, o tratamento ainda não está disponível. O equipamento será fabricado na Bélgica pela IBA e deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2029. Depois, será necessário realizar instalação, testes e liberações antes do primeiro atendimento.
Atualmente, entre 20 e 30 brasileiros viajam todos os meses para realizar protonterapia no exterior, com custos que podem chegar a R$ 1,02 milhão por tratamento.
A previsão é que pelo menos 60% da capacidade da unidade seja destinada ao SUS, mas o acesso dependerá da incorporação da tecnologia pelo Ministério da Saúde.

Entenda como funciona a protonterapia
A técnica utiliza prótons em vez dos fótons usados na radioterapia convencional. A principal vantagem é conseguir concentrar a radiação no tumor e reduzir a exposição dos tecidos saudáveis ao redor.
O fóton atravessa o corpo e não tem freio: vai perdendo potência pelo caminho, mas segue em frente. O próton, não — ele chega ao tumor e para ali. Essa capacidade de frear é muito útil para o radioterapeuta.
Marcos Santos, radioterapeuta que atua em Goiânia e ex-presidente da Associação Ibero-Latino-Americana de Terapia Radiante Oncológica (Alatro), ao G1.
Esse efeito é chamado de pico de Bragg e permite maior precisão no tratamento. A técnica pode ser indicada para:
- Crianças com tumores próximos ao cérebro ou à medula;
- Pacientes com risco de efeitos tardios da radiação;
- Tumores próximos a órgãos sensíveis;
- Casos que precisam de nova irradiação.
Crianças são prioridade na nova tecnologia
A protonterapia não substituirá a radioterapia tradicional. O maior benefício está em casos específicos, principalmente entre crianças, que podem sofrer efeitos tardios após tratamentos contra o câncer.
“Custar vinte vezes mais não significa ser vinte vezes melhor. É em um grupo específico de pacientes que a técnica realmente faz diferença: as crianças”, afirma Santos.
A redução da exposição à radiação pode ajudar a evitar problemas de crescimento, alterações hormonais, dificuldades cognitivas, infertilidade e novos tumores.
O projeto estima que cerca de 15% dos pacientes pediátricos com câncer no Brasil possam ter indicação para o tratamento.

Custo é principal desafio
A protonterapia exige uma estrutura complexa, com acelerador de partículas, blindagem especial e profissionais treinados. A manutenção mensal do centro deve custar cerca de US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 6,1 milhões).
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“Com o valor de um centro de prótons, você constrói uns vinte serviços convencionais de radioterapia”, compara Santos.
Segundo o especialista, uma unidade pode tratar aproximadamente 600 crianças por ano quando direcionada aos pacientes que realmente se beneficiam da tecnologia.
O desafio agora será transformar o investimento em acesso real. Além da conclusão da obra, o país precisará definir critérios para atendimento pelo SUS e criar uma rede de encaminhamento.
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Saúde
Cirurgia inédita devolve visão a paciente cega há cinco anos

Uma equipe médica italiana realizou um transplante inédito da mácula, região central da retina, e conseguiu devolver parte da visão a uma paciente de 67 anos.
O caso aconteceu no Hospital Molinette, em Turim, e envolveu uma técnica criada para superar uma condição que antes impedia qualquer alternativa de tratamento.

Médicos usaram estruturas de um olho sem função
Elena perdeu totalmente a visão após um grave acidente de trânsito que causou uma lesão irreversível no nervo óptico do olho esquerdo. Apesar disso, algumas estruturas do olho permaneceram preservadas.
O problema também atingia o olho direito, afetado por uma maculopatia e por danos que comprometeram a retina e a transparência da córnea. De acordo com o hospital, um transplante tradicional não seria possível porque “a destruição total da parte que contém as células-tronco tornava completamente impossível um transplante de córnea clássico”.
Técnica transferiu bloco completo de tecidos
Para contornar essa limitação, o professor Michele Reibaldi e sua equipe aproveitaram tecidos saudáveis do olho esquerdo, que já não tinha função visual, e transferiram um conjunto completo de estruturas para o olho direito.
O procedimento envolveu:
- Córnea;
- Esclera;
- Conjuntiva;
- Mácula, a região central da retina.
Segundo a instituição, foi a primeira vez no mundo que a mácula foi incluída em um procedimento desse tipo.

Caso pode abrir novos caminhos
O Hospital Molinette explicou que os médicos “extraíram e transferiram para o olho direito um bloco anatômico completo que incluía a córnea, a esclera, a conjuntiva e, pela primeira vez no mundo, a parte central da retina, a mácula”.
Depois de cinco anos sem enxergar, Elena recuperou parte da visão graças ao uso de tecidos do próprio organismo. O caso ainda é uma experiência inicial, mas mostra uma nova abordagem para pacientes com lesões oculares graves que, até então, não tinham opções de tratamento convencionais.
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