Saúde
Anvisa investiga mortes suspeitas por pancreatite associadas a canetas emagrecedoras

O Brasil tem seis mortes suspeitas e 225 casos suspeitos de pancreatite associados ao tratamento com canetas emagrecedoras desde 2018. A informação partiu do portal g1, creditando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Posteriormente, a agência compartilhou os detalhes com o Olhar Digital.
Sobre as notificações de casos suspeitos:
- Os dados constam no VigiMed, sistema da Anvisa, e em relatos de pesquisas clínicas com esses medicamentos. Ou seja, englobam tanto pacientes que usaram os remédios depois do lançamento, quanto pacientes que participaram de estudos anteriores à liberação.
- O g1 aponta que os registros se concentram na Bahia, Distrito Federal, Paraná e São Paulo.
Sobre as mortes suspeitas:
- No caso das mortes, os estados não foram informados.
A Anvisa afirma que os casos estão em investigação. Os registros envolvem diferentes agonistas do GLP-1, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida.
Canetas emagrecedoras associadas a pancreatite
- Os casos suspeitos estão associados a: Wegovy, Ozempic, Mounjaro, Victoza, Trulicity, Saxenda, Xultophy e Rybelsus.
- Importante: a Anvisa explica que não é possível cravar que os casos estejam relacionados a esses remédios. Isso porque existem canetas falsas, irregulares ou manipuladas que são vendidas como “similares”. Além disso, a agência destaca que não se sabe se a pancreatite foi causada pelas canetas ou por um risco prévio dos pacientes.
- O risco de pancreatite, vale lembrar, consta na bula de algumas canetas emagrecedoras.

Recomendações gerais
- O uso dos medicamentos é seguro, mas é preciso indicação e acompanhamento médico.
- Compre o medicamento em um local credenciado, com sua prescrição médica. Nunca recorra a remédios vendidos sem receita de forma ilegal.
- Pessoas com diabetes e obesidade, que são o público do tratamento, têm mais riscos de desenvolver pancreatite.
- Primeiros sinais de uma inflamação no pâncreas: uma dor intensa na transição do tórax para o abdômen – a “boca do estômago” – que irradia para as costas.
O Olhar Digital conversou com o Dr. Pedro Saddi, médico endocrinologista do Fleury. Você pode acompanhar no vídeo abaixo:
Alerta na Reino Unido
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido alertou que foram relatados 1.296 casos de pancreatite aguda relacionados a medicamentos com agonistas de GLP-1 entre 2007 e outubro de 2025. Desse número, 19 resultaram em óbitos e 24 em pancreatite necrosante, forma mais grave da inflamação, caracterizada pela morte de tecido do pâncreas.
O que diz a Anvisa
Em nota enviada ao OD, a Anvisa reforça os seguintes pontos:
- É importante destacar que os casos se referem a notificações de suspeitas relatadas para a Anvisa.
- “Não podemos afirmar que se tratam de casos comprovados” – reforça a agência.
- Em pesquisa realizada com os princípios ativos em português e inglês (semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida) e pelos eventos “pancreatite, pancreatite aguda, pancreatite crônica, pancreatite necrosante e pancreatite obstrutiva“ foi recebido um total de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos (período 01/01/2020 até 07/12/2025), conforme distribuição abaixo.
- Se considerarmos os dados de notificações coletados também em pesquisa clínica, estes número chega a 225.
- Do total de notificações recebidas com os eventos de pancreatite citados, seis foram reportadas com desfecho suspeito de óbito pelo notificador.
Tabela: Total de notificações (pancreatite) recebidas por ano:
“É importante lembrar que nem todas as informações são relatadas pelo notificador – como, por exemplo, o nome comercial. Portanto, quando são codificadas somente pelo nome do princípio ativo, não aparecem no painel quando a busca é realizada por nome comercial” – completa a Anvisa, em nota enviada ao OD.
O que dizem as farmacêuticas
Elly Lilly
A bula de Mounjaro (tirzepatida) adverte que a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) é uma reação adversa incomum e aconselha os pacientes a conversarem com seu médico para obter mais informações sobre os sintomas de pancreatite e informar o médico e interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento com Mounjaro.
Novo Nordisk
Existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®.
Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida/liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, e sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia.
O post Anvisa investiga mortes suspeitas por pancreatite associadas a canetas emagrecedoras apareceu primeiro em Olhar Digital.
Powered by WPeMatico
Saúde
Medicamento elimina marcadores do câncer em 77,8% dos pacientes com condição que pode anteceder o mieloma
Um ensaio clínico randomizado de fase 2 avaliou o uso do medicamento teclistamab em pacientes com mieloma múltiplo latente de alto risco, uma alteração da medula óssea que pode anteceder o desenvolvimento do mieloma múltiplo, um tipo de câncer do sangue. Publicado na revista Nature Medicine, o estudo encontrou resposta completa em 77,8% dos pacientes tratados com o medicamento.
A pesquisa comparou o teclistamab com a combinação de lenalidomida e dexametasona (Rd). O grupo analisado tinha 59 pacientes que haviam completado pelo menos um ciclo de tratamento: 45 receberam teclistamab e 14 receberam a combinação Rd. No grupo do novo medicamento, 77,8% apresentaram desaparecimento dos marcadores da doença após o tratamento, enquanto nenhum paciente do grupo Rd teve esse resultado.
O que é o mieloma múltiplo?
Para entender o estudo, é preciso primeiro saber o que acontece no mieloma múltiplo. A doença começa nas células plasmáticas, que são células do sistema imunológico produzidas na medula óssea. Em condições normais, elas fabricam anticorpos, proteínas que ajudam o organismo a combater infecções.
No mieloma múltiplo, algumas dessas células se tornam anormais e passam a se multiplicar na medula óssea. Elas também produzem proteínas anormais, chamadas de proteínas do mieloma. Essas alterações podem prejudicar o funcionamento normal da medula e afetar outros órgãos.
Nos estágios iniciais, a doença pode não provocar sintomas claros. Conforme avança, porém, pode estar associada a problemas como enfraquecimento dos ossos, danos aos rins, anemia, aumento da quantidade de cálcio no sangue e maior vulnerabilidade a infecções.
O mieloma múltiplo pode ser tratado, mas a doença pode voltar depois do tratamento. Quando isso acontece, ela também pode se tornar resistente a medicamentos que funcionavam anteriormente. Por isso, os pesquisadores investigam estratégias que possam agir antes que a doença avance.
Onde entra o teclistamab?
O teclistamab já é utilizado para tratar pacientes com mieloma múltiplo que voltaram a apresentar a doença após tratamentos anteriores ou que desenvolveram resistência às terapias. O medicamento foi aprovado nos Estados Unidos e na União Europeia em 2022 para esses casos. No Brasil, o teclistamab possui registro da Anvisa para determinados casos de mieloma múltiplo recidivado ou refratário.
O remédio pertence a uma classe chamada anticorpos biespecíficos. Em termos simples, essas moléculas conseguem reconhecer dois alvos diferentes ao mesmo tempo. O teclistamab faz uma espécie de ligação entre as células T, que fazem parte do sistema de defesa do organismo, e proteínas encontradas nas células do mieloma.
Essa ligação ajuda as células T a identificar as células doentes e a participar da resposta do sistema imunológico contra elas. O estudo publicado agora investigou se esse mecanismo também poderia funcionar quando a doença ainda está em uma fase anterior.
Essa condição é chamada de mieloma múltiplo latente de alto risco (HR-SMM). Ela apresenta alterações associadas ao mieloma, mas ainda não corresponde ao estágio em que a doença provoca os problemas característicos do câncer desenvolvido.
O que o estudo encontrou?
Historicamente, pacientes com HR-SMM eram acompanhados sem tratamento imediato, uma estratégia conhecida como observação ou “espera vigilante”. A ideia era acompanhar a evolução da condição e iniciar o tratamento caso ela progredisse.
O estudo avaliou se tratar esses pacientes mais cedo poderia produzir respostas mais profundas. Depois de uma etapa inicial de segurança com seis pacientes, os pesquisadores chegaram a 64 participantes. Destes, 59 completaram pelo menos um ciclo e foram incluídos na análise.
Entre os 45 pacientes que receberam teclistamab, 77,8% tiveram resposta completa. Isso significa que, após o tratamento, não foram detectados os marcadores da doença considerados na definição de resposta completa utilizada pelo estudo.
No grupo de 14 pacientes que recebeu lenalidomida e dexametasona, a taxa de resposta completa foi de 0%.
O acompanhamento mediano dos participantes foi de 24,5 meses. Nesse período, 92% dos pacientes tratados com teclistamab permaneciam sem progressão da doença, enquanto esse índice era de 49% entre aqueles que receberam Rd.
Os pesquisadores também afirmaram que as taxas de resposta, a duração das respostas e o tempo até a progressão foram significativamente melhores entre os pacientes tratados com teclistamab. Segundo os autores, os resultados apontam para uma atividade importante do medicamento contra o HR-SMM, mas novos estudos ainda são necessários.
O post Medicamento elimina marcadores do câncer em 77,8% dos pacientes com condição que pode anteceder o mieloma apareceu primeiro em Olhar Digital.
Powered by WPeMatico
Saúde
Primeiro teste da polilaminina em humanos começa em setembro com cinco pacientes em São Paulo

O laboratório Cristália começa em 24 de setembro o primeiro teste clínico da polilaminina em humanos. A Fase 1 terá cinco participantes com lesão completa na medula torácica, e o objetivo inicial será verificar se a substância é segura.
O estudo foi autorizado pela Anvisa em janeiro e será realizado no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo. Os voluntários terão entre 18 e 72 anos e deverão ter sofrido o trauma até 72 horas antes.

Quem participa do estudo
A pesquisa foi desenhada para atender pacientes que já tenham indicação de cirurgia e apresentem lesão completa da medula na altura do tórax. O tempo entre o acidente e a aplicação da substância também será determinante: o trauma não poderá ter ocorrido há mais de 72 horas.
Para tentar encontrar pacientes dentro desse intervalo, o SAMU deverá ajudar no encaminhamento aos dois hospitais participantes.
A Fase 1 não pretende mostrar se a polilaminina recupera movimentos. Nesta etapa, os pesquisadores vão acompanhar principalmente a segurança do candidato a medicamento. Só depois, se os resultados forem favoráveis, a pesquisa poderá avançar para estudos maiores.
O que a polilaminina faz
A substância é estudada para casos de lesão medular aguda, que acontece logo após o trauma. A proposta é aplicá-la no local da lesão para estimular os nervos a criar novas rotas e restabelecer parte dos movimentos.
Leia mais:
- Vacinas de RNA mensageiro: como funciona a tecnologia em desenvolvimento no Brasil
- Lito Sousa recebe terapia experimental contra Creutzfeldt-Jakob
- Cientistas cultivam tecido cerebral humano em camundongos para investigar demência e autismo
A medula espinhal funciona como uma ligação entre o cérebro e o restante do corpo. Ela leva comandos aos músculos e transmite de volta informações como dor, temperatura e tato. Uma lesão pode interromper essa comunicação.
Antes dos testes clínicos, a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio realizou um estudo preliminar com oito pacientes. Os participantes apresentaram diferentes níveis de recuperação motora, mas os resultados não permitiram afirmar que a polilaminina seja eficaz.

O que já se sabe e quais são os próximos passos
O estudo com oito pacientes precisa ser interpretado com cautela. O grupo era pequeno e reunia pessoas com lesões de diferentes níveis. Os resultados foram posteriormente revisados por pares e publicados após essa revisão.
Há outros limites importantes:
- Não há evidência científica de que a polilaminina funcione contra lesões medulares crônicas.
- O caso que ganhou destaque nas redes sociais não representa sozinho o resultado observado entre os participantes.
- A substância ainda é considerada um candidato a medicamento.
- As pesquisas clínicas seguintes terão de avaliar eficácia, doses adequadas e efeitos adversos em grupos maiores.
Dependendo dos resultados, o programa de desenvolvimento poderá avançar para as Fases 2 e 3, destinadas a avaliar a eficácia em um número maior de participantes.
Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do Cristália, em nota.
Ele explica que a empresa trabalha “em total alinhamento com a Anvisa e com todos os parceiros envolvidos, sempre com o mesmo objetivo: proteger os pacientes e gerar evidências científicas robustas de segurança e eficácia.”
O início dos testes em humanos marca uma nova etapa da pesquisa, mas ainda não permite concluir que a polilaminina seja capaz de recuperar movimentos. Essa resposta dependerá dos resultados dos próximos estudos.
O post Primeiro teste da polilaminina em humanos começa em setembro com cinco pacientes em São Paulo apareceu primeiro em Olhar Digital.
Powered by WPeMatico
Saúde
Cientistas cultivam tecido cerebral humano em camundongos para investigar demência e autismo

Pesquisadores da Stanford Medicine desenvolveram uma técnica para cultivar tecido cerebral humano dentro de camundongos geneticamente modificados para não desenvolver a maior parte do córtex e do hipocampo. O enxerto cresceu, criou vasos sanguíneos e estabeleceu conexões funcionais com o sistema nervoso dos animais.
Os chamados “camundongos xenocorticais” podem ajudar a estudar o desenvolvimento do cérebro e doenças neurológicas. O experimento também permitiu observar tipos de neurônios humanos difíceis de reproduzir em laboratório e testar como esse tecido reage a alterações ligadas a diferentes condições.

Como o experimento funciona
Os pesquisadores modificaram geneticamente os camundongos para impedir que grande parte do córtex e do hipocampo se desenvolvesse. Alguns animais permaneceram sem enxerto; outros receberam organoides de córtex humano pouco depois do nascimento.
Com o crescimento dos animais, o tecido humano ocupou o espaço disponível. Em três meses, ele havia aumentado quase cinco vezes e correspondia a mais de 90% do tecido cortical por volume. O enxerto também desenvolveu vasos sanguíneos, tornou-se eletricamente ativo e enviou prolongamentos até a medula espinhal.
“Eles têm um sistema nervoso de camundongo, órgãos sensoriais de camundongo e estruturas subcorticais de camundongo. O que é incomum é que a maior parte do tecido cortical presente nesses animais é de origem humana e que os neurônios humanos crescem, se integram e formam conexões funcionais com o restante do sistema nervoso do camundongo”, explicou Sergiu Pașca, professor de Stanford e autor do estudo.
Neurônios difíceis de reproduzir
O tecido transplantado ainda não equivale a um córtex humano maduro. Mesmo depois de cerca de seis meses, permanecia imaturo e não apresentava as camadas organizadas de um córtex adulto.
Por outro lado, os pesquisadores encontraram neurônios que tiveram dificuldade de ser produzidos em outros modelos, incluindo células semelhantes aos neurônios de von Economo, estruturas alongadas encontradas em regiões específicas do cérebro humano.
Entre as possibilidades de estudo estão:
- demência frontotemporal;
- epilepsia e alterações na atividade dos circuitos;
- autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento;
- vulnerabilidade de neurônios específicos a doenças;
- possíveis intervenções para proteger células afetadas.

O que o modelo revela
Em um teste de memória usando um labirinto em Y, os camundongos xenocorticais tiveram desempenho acima do esperado pelo acaso. Os animais sem córtex e hipocampo apresentaram dificuldade para lembrar qual braço do labirinto haviam visitado.
Pașca, porém, alertou que o resultado não permite concluir que os neurônios humanos sejam diretamente responsáveis pelo comportamento.
A integração de tecido cerebral humano também levanta questões éticas. A equipe envolveu bioeticistas de Stanford e um comitê externo formado por neurocientistas, especialistas em ética, juristas e representantes de pacientes. Os animais foram monitorados durante o estudo para identificar possíveis efeitos biológicos ou comportamentais inesperados.
Outra questão importante é saber se a introdução de tecido neural humano cada vez mais complexo no sistema nervoso de um animal poderia produzir propriedades inesperadas, emergentes ou novas que exigiriam uma consideração ética adicional.
Sergiu Pașca, professor de Stanford e autor do estudo, em nota.
Publicado na revista Nature, o estudo apresenta os camundongos xenocorticais como uma ferramenta para investigar o cérebro humano em um organismo vivo, mantendo como desafio separar os efeitos das células humanas daqueles provocados pelo sistema nervoso do animal.
O post Cientistas cultivam tecido cerebral humano em camundongos para investigar demência e autismo apareceu primeiro em Olhar Digital.
Powered by WPeMatico

Tecnologia1 semana atrásSmartwatch bonito e funcional? Separamos uma seleção em promoção na Amazon
- Saúde1 semana atrás
“Ozempic Natural” é alvo da Anvisa; saiba mais

Tecnologia5 dias atrásMicrosoft marca evento para revelar futuro de Windows e Surface

Tecnologia1 semana atrásRocket Lab contesta contrato de R$ 3,7 bilhões da NASA dado à Blue Origin

Tecnologia1 semana atrásRobôs em data centers: Meta testa automação e gera debate sobre empregos
- Negócios1 semana atrás
O Que Ninguém Conta Sobre Quem Construiu Grandes Empresas no Brasil

Negócios1 semana atrásLista Forbes: As Melhores Universidades dos EUA
- Negócios1 semana atrás
O Poder das Mudanças de Carreira em Qualquer Idade, Segundo a CEO da AARP


















