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O Lado Ruim do Lado Bom do Japão

Redação Informe 360

Publicado

no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Para onde estamos indo com tanta pressa?

As cigarras, por exemplo, passam o verão inteiro cantarolando por todos os cantos do Japão. Ou talvez seja apenas um pedido de socorro para suportar o calor intolerável de quase 40 °C.

Elas são mais numerosas e barulhentas do que as vending machines (5 milhões) e as lojas 7-Eleven (20 mil). São seres resilientes. Persistentes.

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O significado da cigarra, para quem acredita que algumas respostas da vida estão na natureza, como eu, está ligado à transformação e à paciência. Veja só. Ela passa anos sob a terra antes de finalmente voar. E a troca de sua pele simboliza deixar o passado para trás para poder crescer.

Eu já sabia que aquelas cigarras estavam tentando me ensinar alguma coisa.

O Japão foi, sem dúvida, o país mais extraordinário que já conheci.

Logo na saída do aeroporto de Narita, a caminho da nossa primeira viagem de Shinkansen, o famoso trem-bala, lá estava eu, admirada, elogiando a pontualidade, a limpeza, a educação e a eficiência em todos os detalhes.

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Mas o que me fascinou mesmo foi observar a calma com que os japoneses vivem a vida. Uma virtude pouco explorada por nós, ocidentais.

Eu já sabia que ficaria impactada com Tóquio, uma das maiores metrópoles do planeta (37 milhões de habitantes), com sua organização impecável. Mesmo tendo nascido e vivido em São Paulo e passado boa parte da minha carreira viajando para Nova York, aquilo tudo me surpreendeu.

Eu já sabia que as ruas eram inacreditavelmente limpas. Só não sabia que não existem lixeiras nas cidades. Cada um carrega e é responsável pelo próprio lixo. Eu, que amo tudo limpinho, saía catando garrafas e latas deixadas por alguns turistas mal-educados.

Eu não sabia que, nos primeiros anos escolares, as crianças não faziam provas. As escolas priorizam que elas aprendam a ter autocontrole, humildade, paciência e respeito ao próximo. Imagine que os próprios alunos, desde pequenos, ajudam a limpar suas escolas.

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Eu já sabia que a comida seria maravilhosa. O Japão era o país favorito do brilhante chef Anthony Bourdain, falecido em 2018, e isso diz muita coisa. Não importa se você escolhe comer num yokocho (pequenos becos ou ruas repletas de restaurantes), numa loja de conveniência como a FamilyMart, onde descobri que o equivalente emocional do nosso pão de queijo talvez seja um frango frito sem osso, ou num restaurante estrelado Michelin. Existe respeito e cuidado com os ingredientes, com o preparo e com a apresentação.

Comer é um dos rituais que eles mais valorizam.

Eu já sabia que o Japão tem uma das maiores expectativas de vida do planeta. Hoje, mais de 95 mil japoneses já passaram dos 100 anos. E os idosos continuam fisicamente ativos. Vi com os meus próprios olhos. Estão nas ruas, puxando seus carrinhos de compras, caminhando, subindo escadas.

Os japoneses parecem não se render facilmente ao tempo.

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Eu já sabia que encontraria os banheiros públicos mais limpos do mundo. O filme “Dias Perfeitos“, do diretor Wim Wenders, conta a história de Hirayama, um homem que limpa banheiros públicos em Tóquio e que, além de ter orgulho da sua profissão, encontra felicidade em suas paixões pela música, fotografia e livros.

Eu já sabia que a natureza imperava. Quase 70% do território japonês é coberto por florestas. Sem falar nos canais de Kyoto, no deslumbrante Monte Fuji, na ilha mágica de Naoshima, onde é mandatório tirar os sapatos para apreciar as obras de Monet, e na ilha sagrada de Miyajima, nos templos, santuários e castelos seculares que parecem implorar para que a gente simplesmente pare.
Nessas alturas, você pode estar se perguntando: que escolha equivocada de título. O Japão parece apenas magnífico. “Zero defeitos”, como dizem os jovens.

Acontece que luz e sombra caminham juntas. E isso vale para pessoas, empresas e países.

Eu não sabia que o silêncio era quase uma regra nos metrôs. Minha filha Isa me dava “bronca” o tempo todo porque as pessoas olhavam para mim como se eu fosse uma cigarra gritando. Meu tom de voz definitivamente não é baixo.

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A disciplina é levada tão a sério que, muitas vezes, não existe espaço para flexibilidade.

Mesmo abarrotados, os vagões permaneciam impressionantemente silenciosos.

Eu não sabia que mais da metade da população japonesa ainda usava máscaras faciais. Elas servem não apenas como forma de cuidado coletivo diante de um simples resfriado, mas também como um hábito social de privacidade (sim, você leu certo) que já existia muito antes da Covid.

Eu não sabia que os japoneses, ao contrário dos brasileiros, não buzinam (meu marido, Marcão, achou isso muito civilizado). Chamar a atenção parece quase um constrangimento.

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Eu não sabia que um país tão tecnológico ainda dependia tanto de dinheiro em espécie. Em alguns lugares, como no Castelo de Osaka, o cartão de crédito ou Apple Pay simplesmente não era uma opção.

Eu já sabia que teria certa dificuldade na comunicação. O que não esperava era, em restaurantes mais tradicionais, encontrar uma certa hostilidade à presença de estrangeiros. Algumas placas já nos afastavam logo na entrada: “Não falamos inglês. Não temos cardápio em inglês.”

Eu já sabia que os japoneses eram reservados. Mas não estava preparada para ver tão poucas demonstrações públicas de afeto e, aqui, nem estou falando de casais, mas de famílias. Para uma brasileira expansiva como eu, confesso que isso me trouxe certa tristeza.

Talvez porque eu tenha estudado neurociência e aprendido sobre o poder do toque. Abraçar, segurar uma mão, encostar em alguém são gestos pequenos para o tamanho do efeito que podem provocar.

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Existe no Japão uma pressão social profunda para não desapontar a família ou a comunidade. Em sua manifestação mais extrema, há pessoas que decidem desaparecer voluntariamente e recomeçar a vida longe de tudo e de todos. O fenômeno tem até nome: johatsu, ou “evaporação”. Pessoas que, de alguma forma, preferem sumir a conviver com a sensação de fracasso.

É difícil não pensar no preço de uma sociedade que valoriza tanto não incomodar o outro.

Nosso amigo Erick Rosa, que mora há 8 anos em Tóquio, nos contou que é comum encontrar funcionários que já poderiam estar aposentados, mas continuam trabalhando. Para muitos, é uma equação pessoal que mistura honra, propósito e identidade.

Construída ao longo de uma vida dedicada ao trabalho, quase sempre na mesmíssima empresa. Sem falar na pressão financeira.

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A cultura de um país define a identidade de seu povo e é uma de suas mais poderosas ferramentas de desenvolvimento. Mas toda cultura também carrega suas cicatrizes. E sinto que o Japão ainda carrega algumas muito profundas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, dezenas de cidades japonesas, incluindo Tóquio, Osaka, Nagoya, Yokohama, Kobe e Kawasaki, foram devastadas por ataques aéreos. Hiroshima e Nagasaki sofreram algo ainda mais inimaginável: a destruição provocada pelas bombas atômicas.

Tivemos a oportunidade de visitar o Museu Memorial da Paz de Hiroshima. Naquele dia, passei mal. Só queria chorar. Talvez porque, depois de dias admirando a força daquele povo, eu finalmente estivesse diante de uma parte da narrativa que ajudava a explicar tamanha resistência.

É claro que essa força não nasceu da guerra. Ela tem raízes em uma cultura milenar, moldada por valores como o senso de coletividade, muita disciplina e responsabilidade. E foram justamente esses valores que ajudaram Hiroshima a começar sua reconstrução apenas 90 dias após a bomba. Hoje, Hiroshima é uma cidade altamente desenvolvida e próspera.

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Minha filha, Manu, obcecada por história, voltou com um mapa de Hiroshima, que está na parede do seu quarto. Talvez seja isso. Do Japão, a gente volta com muitos mapas. Alguns de papel. Outros de memórias, que acabam sempre nos levando de volta.

Ah, e depois de três semanas ouvindo as cigarras, descobri uma coisa interessante: só os machos cantam. Eles cantam para acasalar.

Viajei meio mundo para aprender sobre paciência, contemplação e silêncio, e acabei constatando que os machos continuam fazendo barulho para chamar atenção.

Talvez a pergunta não seja apenas: para onde estamos indo com tanta pressa? E sim: o que estamos deixando de sentir enquanto temos tanta pressa para chegar?

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Japão, dōmo arigatō gozaimasu.

*Luciana Rodrigues é conselheira do board da Junior Achievement, membro do conselho da Iniciativa Empresarial pela Igualdade e do comitê estratégico de presidentes da Amcham. Também é aluna de pós-graduação em neurociências e comportamento.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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Por Que Procrastinar É Mais Exaustivo do Que o Trabalho em Si, Segundo Neurologista de Oxford

Redação Informe 360

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Um homem de 30 e poucos anos chamado David passou dias a fio sentado em uma cadeira, sem fazer nada. Ele havia sido um profissional produtivo do mercado financeiro, com um amplo círculo social, mas, de repente, havia parado de se importar com as coisas.

Perdeu o emprego e o apartamento e parecia não se incomodar com isso. Então, seu neurologista começou a fazer perguntas.
“O que você normalmente faria em casa?”, perguntou o neurologista de David.

“Ouvir música”, respondeu.

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“Então, por que você parou?”, perguntou o neurologista.

“Porque montar meu aparelho de som exigiria esforço demais.”

“Quanto tempo isso levaria?”

“Cinco minutos.”

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O neurologista era o Dr. Masud Husain, professor de Neurologia e Neurociência Cognitiva da Universidade de Oxford, que contou essa história no podcast Huberman Lab. A explicação de David fascinou Husain e o levou a pesquisar mais a fundo a procrastinação, na tentativa de compreendê-la melhor.

O cérebro atribui um preço a cada tarefa

Husain descreve a motivação como uma forma de neuroeconomia. Ao longo de um dia, você tem 20 coisas que poderia fazer, mas não tem capacidade para realizar todas. Por isso, o cérebro pesa a recompensa de cada opção em relação ao esforço que ela exige nos níveis físico, cognitivo, social e emocional.

Ao longo do trabalho do laboratório de Husain com pacientes e voluntários saudáveis, uma descoberta segue aparecendo. Todos estão dispostos a se esforçar por uma grande recompensa, mas as pessoas diferem bastante quando o potencial de recompensa é menor. É justamente aí que as pessoas menos motivadas pensam, nas palavras de Husain: “Não acho que isso valha o esforço”.

O neurologista chama essa barreira de “colina de ativação”. Para uma pessoa, aprender um idioma é uma montanha. Para outra, é algo que mal chama atenção. A diferença está na percepção.

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O custo da procrastinação

A equipe de Husain recrutou estudantes com diferentes níveis de motivação, colocou-os em um aparelho de ressonância magnética e pediu que decidissem se uma recompensa valia determinado nível de esforço. Sim ou não.

Eles esperavam concluir que os estudantes menos motivados apresentariam menor atividade nos circuitos cerebrais ligados à recompensa. Na verdade, encontrou mais atividade.

“Pessoas apáticas usam mais energia cerebral quando estão tomando essa decisão”, explica Husain. A barreira é fisiológica e mensurável. Andrew Huberman, seu entrevistador e renomado neurocientista de Stanford, descreveu o efeito dizendo que existe “um custo para pensar no esforço necessário, além do custo do esforço propriamente dito”. Os dois se somam.

Qualquer pessoa que já passou um domingo sem concluir uma tarefa pendente sabe que o processo de ficar decidindo custa mais do que o trabalho em si. Cada vez que você escolhe adiar algo que precisa ser feito, cria sentimentos negativos como apreensão, culpa ou uma pequena perda de confiança em si mesmo.

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Husain também observa que o cérebro aprende com os resultados e incorpora essas experiências ao cálculo seguinte. Isso significa que o resíduo emocional de evitar uma tarefa aumenta silenciosamente seu “preço” no dia seguinte. A indecisão cobra juros, e eles se acumulam. Quanto mais tempo você carrega uma decisão, mais custa tomá-la.

Por que isso é uma questão de inteligência emocional

A inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e compreender as emoções em si mesmo e nos outros e usar essa consciência para administrar seu comportamento e seus relacionamentos. Ela se divide em quatro habilidades centrais: autoconsciência, autogestão, consciência social e gestão de relacionamentos. Para ter uma compreensão inicial da própria inteligência emocional, psicólogos recomendam fazer uma autoavaliação.

A autogestão costuma ser descrita como a capacidade de manter a calma quando provocado, mas envolve muito mais do que isso. Em última análise, autogestão diz respeito à sua capacidade de regular as próprias emoções.

Portanto, quando você pensa na procrastinação e em todas as emoções negativas que provoca ao adiar o início de uma tarefa, isso é, na verdade, uma questão de autogestão.

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Você está deixando essas emoções negativas vencerem a batalha e se fortalecerem. Quando, por outro lado, toma pequenas decisões mais rapidamente, evita o custo adicional de esperar. Dessa forma, você preserva mais energia para as coisas que realmente importam.

A pesquisa de Husain aponta para algo que líderes empresariais frequentemente deixam passar. Pergunte a qualquer líder se ele estaria disposto a pagar um bom dinheiro para desenvolver habilidades como foco e capacidade de tomar decisões, e todos responderão com um enfático sim.

Mas pergunte sobre habilidades como inteligência emocional, e muitos hesitarão. Naturalmente, separamos o que é “emocional” do que é “produtivo”, mas pesquisas como a de Husain mostram como essa divisão é equivocada. A procrastinação é um problema de inteligência emocional muito antes de se tornar um problema de produtividade.

Uma estratégia simples para combater a procrastinação

O conselho mais comum é dividir um grande projeto em etapas menores, mas Huberman destacou um ponto importante nessa ideia. Quando você coloca as pequenas vitórias no horizonte, também coloca diante de si as pequenas perdas e os desafios que enfrentará.

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Por isso, Husain aponta para uma alavanca mais eficaz, que atua antes desse processo. Se cada decisão tomada na hora consome energia, agrupe suas decisões. Dessa forma, o ciclo não fica funcionando indefinidamente.

Veja como fazer:

  1. Reserve um período fixo toda semana para decidir, não para trabalhar. Trinta minutos.
  2. Transforme as decisões da semana seguinte em compromissos, em vez de intenções. O quê, quando e por quanto tempo.
  3. Coloque as tarefas de menor recompensa primeiro, já que sabemos que é justamente nesse ponto que a motivação tem maior probabilidade de falhar.
  4. Quando chegar a hora, considere que a decisão já foi tomada. Não volte a discuti-la.
  5. No fim da semana, anote quais compromissos você renegociou. Como renegociar consome energia, vale analisar as decisões que você tomou mal na primeira vez para poder melhorar em decisões semelhantes no futuro.

Lembre-se de David, paralisado pela energia necessária para montar seu aparelho de som. Uma tarefa que levaria apenas cinco minutos. A maior parte daquilo que você está evitando é menor do que imagina. Tome a decisão uma vez, organize as tarefas em blocos e pare de pagar juros.

*Kevin Kruse é colaborador da Forbes USA. Ele é fundador e CEO da LEADx, uma empresa de treinamento em inteligência emocional, além de autor de best-sellers.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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Por Que as Empresas Familiares Estão Repensando Quem Herda o Cargo de CEO?

Redação Informe 360

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

As transições de liderança que as empresas familiares enfrentarão na próxima década serão significativas, ressaltando a dimensão das mudanças que estão por vir — ainda que raramente ganhem as manchetes.

As empresas familiares respondem por uma parcela relevante do emprego, dos investimentos e da geração de valor de longo prazo no mundo — mas a questão sobre quem estará à frente delas no futuro está sendo silenciosamente renegociada. Em uma nova pesquisa global da Deloitte Private com 1.587 empresas familiares de todo o mundo, todas com receita de pelo menos US$ 100 milhões e sob controle familiar, surge um novo cenário: cerca de 40% das empresas familiares entrevistadas esperam passar por uma sucessão de liderança nos próximos dez anos.

Por gerações, a resposta parecia óbvia: um filho ou uma filha, preparado para assumir o comando. Essa premissa pode estar deixando de valer. Os resultados da pesquisa apontam para uma mudança em direção à nomeação de profissionais externos para o cargo de CEO após a sucessão. Para líderes de C-level que acompanham a consolidação, a disrupção provocada pela inteligência artificial e uma histórica transferência de riqueza que estão remodelando o cenário das empresas privadas, muitas empresas familiares estão profissionalizando seus processos sucessórios.

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A lacuna de confiança

A maioria das empresas familiares afirma ter algum tipo de plano de sucessão — 89% no caso da liderança familiar que ficará responsável por conduzir a propriedade, a governança e os valores ao longo das gerações. Mas apenas cerca da metade dos entrevistados afirma que seu plano é completo e bem estruturado. E, quando questionados sobre o grau de confiança na preparação daqueles que deverão assumir o comando, apenas 48% demonstraram alta confiança na atual liderança familiar — e somente 37% na próxima geração.

A diferença entre ter um plano e confiar nele é a verdadeira questão. É também um alerta para organizações que podem confundir documentação com preparo.

A ascensão do CEO externo

Talvez o sinal mais claro dessa mudança seja o fato de que os entrevistados indicam que a participação de CEOs que não pertencem à família deve dobrar, passando de 13% atualmente para 26% após a próxima transição. A pesquisa mostra que essa tendência está presente em diversas regiões. Ela reflete uma mudança na visão sobre governança: um executivo externo e neutro pode reduzir os riscos de uma transição, administrar a crescente complexidade operacional e aliviar a pressão sobre a próxima geração.

Isso não representa um afastamento da família em relação à condução do negócio. Trata-se de uma redefinição desse papel. As famílias estão aprendendo a separar propriedade de gestão, mantendo a visão e os valores dentro da família enquanto profissionalizam a liderança operacional.

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Onde a próxima geração ganha experiência

Mesmo enquanto aguardam a chegada ao topo da organização, os membros da próxima geração já ocupam posições importantes para impulsionar mudanças. Eles representam aproximadamente metade dos integrantes das famílias que atuam em áreas como tecnologia (51%), filantropia e relacionamento com a comunidade (51%), vendas e marketing (50%) e inovação e pesquisa e desenvolvimento (49%).* Essas áreas se tornaram campos de prova nos quais a credibilidade é construída antes de uma promoção para posições no conselho ou para o cargo de CEO.

É uma conexão reveladora. Quando perguntados sobre onde a próxima geração provocará as maiores transformações nos negócios, os entrevistados apontaram a modernização tecnológica (42%), a inteligência artificial (42%), novos produtos e serviços (40%) e a expansão geográfica (39%)* — justamente algumas das principais prioridades de crescimento perseguidas atualmente por líderes globais.

Quatro movimentos para líderes que enfrentam uma sucessão agora

As empresas que estão obtendo sucesso tratam a preparação como uma disciplina. Seu modelo pode ser aplicado muito além das empresas familiares:

  1. Faça da experiência externa uma regra, não uma exceção. Quase sete em cada dez empresas entrevistadas agora exigem que integrantes da próxima geração trabalhem em outras organizações antes de ingressar no negócio da família. A experiência externa pode desenvolver uma capacidade de julgamento empreendedora e de visão global que nenhuma rotação interna consegue reproduzir.
  2. Atribua funções reais, com responsabilidades reais. O principal mecanismo de desenvolvimento citado pelos entrevistados (44%) foi colocar os sucessores em funções formais, submetidas à gestão de desempenho. A credibilidade pode vir da responsabilidade pelos resultados — e não da proximidade com o fundador.
  3. Separe propriedade e gestão — de forma deliberada. Com a participação de CEOs externos prestes a dobrar, é importante decidir antecipadamente quais posições permanecerão com a família e quais serão ocupadas por profissionais externos. A falta de clareza pode ser justamente o ponto em que as transições fracassam.
  4. Tenha as conversas desconfortáveis desde cedo. As empresas mais resilientes utilizam fóruns estruturados, membros independentes no conselho e protocolos flexíveis para trazer tensões à tona antes que elas se consolidem. A abertura — aprender com a próxima geração, e não apenas transmitir conhecimento a ela — supera a rigidez.

A sucessão sempre foi um dos principais testes enfrentados pelas empresas familiares. A novidade é o reconhecimento de que ela é, fundamentalmente, uma questão estratégica — inseparável de talento, tecnologia e governança. Os líderes que elevarem a preparação da próxima geração a uma prioridade no nível do conselho não apenas conseguirão atravessar a transição. Eles transformarão esse processo em uma fonte de renovação.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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O Legado de Gloria Steinem: 3 Lições de Liderança da Ativista Ícone do Feminismo

Redação Informe 360

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Na quinta-feira (3), o mundo perdeu uma lenda e uma líder. Gloria Steinem, uma jornalista pioneira, autora estimada e ativista social que, ao longo de sua vida, se tornou uma das líderes mais reconhecidas do movimento feminista, morreu pacificamente em sua casa na cidade de Nova York aos 92 anos.

Até o fim, Steinem permaneceu engajada no trabalho pela igualdade: concedeu entrevistas, organizou encontros em sua casa em Manhattan e reuniu ativistas e pensadores para trocar ideias. Sua mensagem, às vezes, era bastante simples: “Me diga como posso ajudar.”

Em 22 de setembro, a Random House deve publicar seu livro de memórias final, “An Unexpected Life” (Uma Vida Inesperada), que resume uma carreira de mais de seis décadas.

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Seu conjunto de obras abrangeu muitas áreas. Para muitos, Steinem atraiu atenção pela primeira vez como jornalista em 1963, quando se disfarçou para investigar as condições de trabalho das mulheres que trabalhavam como Coelhinhas da Playboy. Mais tarde, ela ajudou a lançar a revista New York e cofundou a revista Ms., antes de se tornar uma das principais vozes da segunda onda do feminismo.

Getty ImagesGloria Steinem cofundou a revista Ms. nos EUA

Steinem também ajudou a estabelecer e cofundar o National Women’s Political Caucus, a Ms. Foundation for Women e o Women’s Media Center. Ela também criou o Voters For Choice, onde defendeu a Emenda dos Direitos Iguais, os direitos reprodutivos, a igualdade racial e uma maior representação das mulheres na política e na mídia.

Em 2013, o então presidente dos Estados Unidos Barack Obama concedeu a Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil do país. Ela foi introduzida no Hall da Fama Nacional das Mulheres e, em 2021, recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, da Espanha.

A seguir, veja 3 lições de liderança de Gloria Steinem

Além do movimento que ela construiu, das histórias que contou e das vidas que inspirou, o estilo de liderança de Gloria Steinem oferece lições que seguem relevantes ainda hoje.

1. A liderança começa com a escuta

“Quero fazer justiça às mulheres que conheço, contar suas histórias”, explicou Steinem certa vez. “Não podemos empoderar as mulheres sem ouvir suas histórias.”

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Em uma era em que a liderança está cada vez mais associada à visibilidade, aqueles no topo devem ouvir tanto quanto falam. Steinem tornou-se famosa por sua voz, mas grande parte de sua influência veio de escutar. Ela viajou, fez reportagens e criou plataformas para que outros contassem suas histórias.

Essa distinção é importante para os executivos de hoje. Liderança não se trata mais apenas de ter a voz mais alta na sala. Às vezes, a pessoa mais influente é aquela que compreende a experiência de todos os outros.

Paris Hilton, Gloria Steinem e Amanda Nguyen celebram o Dia Internacional da Mulher na Bolsa de Valores de Nova York
Getty ImagesParis Hilton, Gloria Steinem e Amanda Nguyen celebram o Dia Internacional da Mulher na Bolsa de Valores de Nova York

2. Não apenas participe da conversa; construa a plataforma

Steinem não apenas argumentou que a grande mídia precisava representar melhor as mulheres. Ela ajudou a construir uma nova mídia. Quando a revista Ms. foi lançada em 1971, era um folheto inserido na revista New York. No ano seguinte, se tornaria uma publicação independente. Na época, as revistas femininas eram amplamente dominadas por coberturas sobre beleza, casamento e tarefas domésticas.

A Ms. assumiu uma posição diferente ao abordar temas mais progressistas, entre eles a desigualdade no ambiente de trabalho, violência doméstica, direitos reprodutivos, racismo e assédio sexual. A lição? Quando as instituições existentes não oferecem espaço suficiente para uma ideia, às vezes a resposta não é lutar indefinidamente por um lugar na mesa de outra pessoa. É construir outra mesa.

Os líderes de hoje têm mais oportunidades do que nunca para fazer exatamente isso. Podcasts, newsletters, mídias sociais e comunidades digitais permitem que executivos e empreendedores construam públicos sem esperar sentados.

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Steinem entendia isso, e agiu a respeito. A propriedade de uma plataforma pode transformar uma voz individual em influência institucional.

Coretta King e Gloria Steinem
Getty ImagesCoretta King e Gloria Steinem

3. Grandes líderes criam mais líderes

Quando perguntaram a Steinem para quem ela eventualmente “passaria a tocha”, ela rejeitou a premissa. “Não existe uma única tocha — há muitas tochas”, disse em 2015, e acrescentou que usava a sua “para acender outras tochas.”

Essa talvez seja a lição de liderança mais importante de sua vida. Liderança não é sucessão por replicação. É multiplicação.

A influência de Steinem perdurou porque ela ajudou a criar oportunidades que poderiam continuar sem ela. Em vez de se tornar indispensável, ela dedicou décadas a ajudar outras pessoas a se tornarem poderosas.

Seu livro de memórias reforça essa filosofia. “An Unexpected Life” reflete sobre uma carreira que a própria Steinem diz que nunca poderia ter planejado completamente. “Temos a ideia de que nossas vidas são planejadas para valerem a pena”, ela disse no início deste ano. Mas argumentou que a habilidade de responder e aprender com o inesperado pode, em última análise, se mostrar mais valiosa.

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*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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