Ligue-se a nós

Negócios

Nova York Quer Que Empresas Meçam o Impacto da IA nos Empregos, Um Desafio Maior do Que Parece

Redação Informe 360

Publicado

no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A inteligência artificial está roubando os empregos das pessoas. Pelo menos, é o que um número crescente de anúncios de demissões parece sugerir.

Empregadores americanos citaram a IA como o motivo de 10.970 cortes de empregos anunciados em julho deste ano, de acordo com a consultoria de recursos humanos Challenger, Gray & Christmas. A IA foi a principal causa dos cortes anunciados pelo quinto mês consecutivo. Até junho, os empregadores haviam atribuído mais de 100.000 cortes de empregos à IA em 2026.

Esses números parecem contar uma história clara sobre o impacto da IA nos empregos. Com um olhar mais atento, no entanto, surge uma questão mais completa: como realmente sabemos quando a IA causou a demissão de alguém? É o que Nova York tenta descobrir.

Anúncio

No início deste ano, parlamentares de Nova York aprovaram uma legislação para exigir das empresas um relatório anual sobre como a IA afetou suas equipes. O Projeto de Lei A9581B foi aprovado em ambas as câmaras em junho e, até o momento da redação deste texto, ainda não havia sido entregue à governadora do estado, Kathy Hochul.

Se assinada, a legislação pode criar um dos esforços mais ambiciosos para medir o que a IA realmente faz com os empregos. Ela também pode revelar o quão difícil é quantificar isso.

Nova York já começou a contar

O esforço não começou com o A9581B. Em seu planejamento do governo estadual para 2025, Hochul instruiu o Departamento de Trabalho de Nova York a exigir das empresas sujeitas às notificações da Lei de Ajuste e Retreinamento do Trabalhador (WARN, na sigla em inglês) — uma regra americana específica para demissões em massa — que divulguem se um corte tem relação com o uso de IA. A administração descreveu a iniciativa como uma maneira de entender os efeitos das novas tecnologias por meio de “dados reais”.

A Lei WARN de Nova York geralmente exige que as empresas enquadradas notifiquem com 90 dias de antecedência o fechamento de fábricas, demissões em massa, realocações e reduções na jornada de trabalho. Adicionar a IA ao sistema de relatórios WARN do estado criou um experimento relativamente simples: quando os empregadores realizarem demissões cobertas pela lei, basta perguntar se a IA desempenhou algum papel na decisão.

Anúncio

Os dados do WARN de Nova York em 2026 incluem atualmente uma movimentação de pessoal que identifica expressamente a inteligência artificial como um dos motivos. A Nespresso, por exemplo, registrou um aviso sobre um corte que afeta 46 profissionais em sua unidade na cidade de Nova York. O Departamento de Trabalho lista as causas como “Realocação de Negócios, Inteligência Artificial”.

O registro cria tantas dúvidas quanto esclarece. O documento público não indica qual proporção da medida administrativa resultou da realocação e quanto resultou da IA. Também não explica se a IA substituiu diretamente determinados funcionários, se viabilizou uma reestruturação mais ampla ou se contribuiu de alguma outra forma.

Decisões sobre o quadro de funcionários raramente têm uma causa única, o que torna complicada a contagem das perdas de vagas relacionadas à IA.

O projeto de lei na prática

O A9581B levaria o esforço de Nova York muito além das demissões cobertas pelo WARN. O projeto de lei se aplica a empresas que atuam em Nova York e que empregam mais de 50 pessoas, bem como a empresas de capital aberto. Uma versão anterior estabelecia o limite em mais de 100 funcionários, mas os legisladores expandiram a cobertura da proposta antes de aprová-la.

Anúncio

As empresas abrangidas teriam que enviar um relatório ao Departamento de Trabalho até 1º de março de cada ano sobre o impacto da IA durante o ano anterior.

Os dados exigidos incluiriam estimativas do número de funcionários dispensados ou que tiveram suas horas reduzidas devido à IA, funcionários contratados ou que tiveram suas horas aumentadas e cargos anteriormente ocupados que a empresa decidiu não preencher por causa da inteligência artificial. O projeto de lei repete a frase: “devido, total ou parcialmente, ao uso” da inteligência artificial.

Os empregadores também teriam que relatar informações sobre como usam a IA. Isso abrange seus objetivos, supervisão humana, frequência e duração do uso, acesso a dados pessoais sensíveis e medidas de supervisão e redução de riscos. O Departamento de Trabalho consolidaria os dados e publicaria um relatório anual para analisar os efeitos da IA nos empregos por setor, geografia e tamanho da empresa. Companhias que não cumprirem a regra poderão enfrentar multas de até US$ 500 (R$ 2,5 mil) por dia.

A IA pode mudar uma equipe sem causar demissões

Os avisos na legislação atual capturam apenas uma das maneiras pelas quais a tecnologia pode afetar os empregos. Suponha que um funcionário deixe uma empresa voluntariamente e a IA permita que a equipe restante absorva o trabalho dessa pessoa. A empresa decide não substituir o funcionário que saiu. Ninguém foi demitido, e a saída por si só não acionaria normalmente o WARN.

Anúncio

Ainda assim, um cargo que existia antes desapareceu. A IA eliminou um emprego?

Efeitos semelhantes podem aparecer de outras maneiras. Um empregador pode reduzir as contratações, realocar o trabalho entre os funcionários existentes ou criar novos cargos para implementar e supervisionar a IA. As funções e os horários de trabalho das pessoas também podem mudar.

Nenhum desses cenários produz necessariamente uma demissão em massa. O A9581B parece ter sido projetado para capturar essas mudanças menos visíveis.

Grande parte das políticas sobre IA no ambiente de trabalho prioriza a forma como os empregadores usam ferramentas algorítmicas para tomar decisões sobre candidatos e funcionários. O A9581B adota uma abordagem diferente, pois pede às empresas que quantifiquem como a IA afetou o tamanho e a composição das equipes após a sua implantação.

Anúncio

O desafio, no entanto, é determinar quando e em que medida essas mudanças ocorreram por causa da IA.

Quando a IA “causa” o desaparecimento de um emprego?

Considere uma empresa que introduza IA generativa em todas as suas operações. A produtividade melhora. Ao mesmo tempo, as condições econômicas enfraquecem e a administração lança uma iniciativa de corte de custos.

No ano seguinte, 100 funcionários saem. A empresa preenche apenas 70 dessas posições porque os gerentes concluem que os funcionários atuais, auxiliados pela IA, podem dar conta de parte do trabalho.

Quantas posições ficaram sem preenchimento devido à IA? Talvez 30. Uma parte dessas posições poderia ter desaparecido de qualquer maneira devido à condição financeira da empresa. A IA também pode ter sido apenas um fator em uma decisão de reestruturação maior.

Anúncio

O A9581B antecipa parte dessa complexidade ao pedir estimativas e capturar os efeitos causados “total ou parcialmente” pela IA. No entanto, a investigação mais ampla também introduz uma considerável margem de julgamento subjetivo nos dados resultantes.

Duas empresas que passam por mudanças semelhantes poderiam chegar a conclusões diferentes sobre se a IA contribuiu para isso. Uma pode atribuir uma posição vazia à IA porque a automação permitiu a outros funcionários absorver o trabalho. Outra poderia caracterizar a mesma decisão como desgaste natural, reestruturação ou redução de custos. A maneira como a gestão classifica essas decisões pode se tornar outra variável nos dados.

A metodologia a ser desenvolvida pelo Departamento de Trabalho poderá, portanto, ser quase tão importante quanto a própria obrigação do relatório.

O projeto de lei orienta o departamento a criar formulários e processos padronizados e permite que desenvolva exigências adicionais. Definições claras e metodologias consistentes podem determinar se os dados estaduais resultantes fornecerão um quadro significativo do impacto da IA.

Anúncio

O que exatamente será medido?

A dificuldade já é visível nos dados dos EUA. A Challenger relatou que os empregadores citaram a IA como motivo de 54.836 cortes de empregos anunciados em 2025. Até o final de junho de 2026, esse número já havia atingido 101.743 no ano. Em julho, os empregadores atribuíram outros 10.970 cortes anunciados à IA.

A própria consultoria recomendou não tratar esses números como uma medida precisa de causalidade. No início deste ano, a empresa observou a dificuldade em determinar o impacto específico da IA nas demissões, à medida que as companhias discutem cada vez mais a implantação da tecnologia e os mercados reagem a esses anúncios.

Contar o número de vagas cortadas que as empresas associam à IA é uma forma de medir. Determinar quantos empregos existiriam sem a IA é um desafio muito maior.

A proposta de Nova York tenta se aproximar da segunda questão ao capturar demissões, contratações, horas e vagas diretamente com os líderes. Ainda assim, a administração terá de fazer o julgamento de causa e efeito subjacente.

Anúncio

As eventuais estatísticas do estado dependerão, portanto, de milhares de decisões individuais sobre o que conta como uma mudança no mercado de trabalho por conta da IA.

A próxima fase da regulamentação dos empregos

A abordagem de Nova York reflete uma evolução mais ampla no debate político sobre a IA. A governadora tem buscado investimentos na tecnologia e sua adoção pelos profissionais, ao mesmo tempo que enfatiza o potencial de ruptura da IA para a classe trabalhadora. Em abril, ela descreveu a inovação como uma grande mudança no mercado de trabalho ao anunciar uma iniciativa estadual voltada para os seus efeitos sobre as pessoas. O estado também expandiu o treinamento em IA para mais de 100.000 funcionários públicos.

O A9581B se enquadra nesse esforço ao tentar criar algo que atualmente falta aos formuladores de políticas: um conjunto de dados recorrente que mostra como as empresas dizem que a IA muda o emprego.

Se o projeto virar lei e o sistema funcionar como planejado, Nova York poderá, eventualmente, oferecer uma visão mais detalhada desses efeitos do que as estatísticas tradicionais de demissões fornecem. Os legisladores poderiam ver se a substituição de profissionais pela IA se concentra em determinados setores ou regiões, se as empresas criam funções paralelamente às que eliminam e se o maior impacto se dá por meio de demissões diretas ou de vagas silenciosamente esquecidas.

Anúncio

Esses dados poderiam moldar futuros debates sobre retreinamento de pessoas, educação, desenvolvimento econômico e regulamentação da IA.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

O post Nova York Quer Que Empresas Meçam o Impacto da IA nos Empregos, Um Desafio Maior do Que Parece apareceu primeiro em Forbes Brasil.

Powered by WPeMatico

Anúncio
Continuar Lendo
Anúncio

Negócios

Por Que Procrastinar É Mais Exaustivo do Que o Trabalho em Si, Segundo Neurologista de Oxford

Redação Informe 360

Publicado

no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Um homem de 30 e poucos anos chamado David passou dias a fio sentado em uma cadeira, sem fazer nada. Ele havia sido um profissional produtivo do mercado financeiro, com um amplo círculo social, mas, de repente, havia parado de se importar com as coisas.

Perdeu o emprego e o apartamento e parecia não se incomodar com isso. Então, seu neurologista começou a fazer perguntas.
“O que você normalmente faria em casa?”, perguntou o neurologista de David.

“Ouvir música”, respondeu.

Anúncio

“Então, por que você parou?”, perguntou o neurologista.

“Porque montar meu aparelho de som exigiria esforço demais.”

“Quanto tempo isso levaria?”

“Cinco minutos.”

Anúncio

O neurologista era o Dr. Masud Husain, professor de Neurologia e Neurociência Cognitiva da Universidade de Oxford, que contou essa história no podcast Huberman Lab. A explicação de David fascinou Husain e o levou a pesquisar mais a fundo a procrastinação, na tentativa de compreendê-la melhor.

O cérebro atribui um preço a cada tarefa

Husain descreve a motivação como uma forma de neuroeconomia. Ao longo de um dia, você tem 20 coisas que poderia fazer, mas não tem capacidade para realizar todas. Por isso, o cérebro pesa a recompensa de cada opção em relação ao esforço que ela exige nos níveis físico, cognitivo, social e emocional.

Ao longo do trabalho do laboratório de Husain com pacientes e voluntários saudáveis, uma descoberta segue aparecendo. Todos estão dispostos a se esforçar por uma grande recompensa, mas as pessoas diferem bastante quando o potencial de recompensa é menor. É justamente aí que as pessoas menos motivadas pensam, nas palavras de Husain: “Não acho que isso valha o esforço”.

O neurologista chama essa barreira de “colina de ativação”. Para uma pessoa, aprender um idioma é uma montanha. Para outra, é algo que mal chama atenção. A diferença está na percepção.

Anúncio

O custo da procrastinação

A equipe de Husain recrutou estudantes com diferentes níveis de motivação, colocou-os em um aparelho de ressonância magnética e pediu que decidissem se uma recompensa valia determinado nível de esforço. Sim ou não.

Eles esperavam concluir que os estudantes menos motivados apresentariam menor atividade nos circuitos cerebrais ligados à recompensa. Na verdade, encontrou mais atividade.

“Pessoas apáticas usam mais energia cerebral quando estão tomando essa decisão”, explica Husain. A barreira é fisiológica e mensurável. Andrew Huberman, seu entrevistador e renomado neurocientista de Stanford, descreveu o efeito dizendo que existe “um custo para pensar no esforço necessário, além do custo do esforço propriamente dito”. Os dois se somam.

Qualquer pessoa que já passou um domingo sem concluir uma tarefa pendente sabe que o processo de ficar decidindo custa mais do que o trabalho em si. Cada vez que você escolhe adiar algo que precisa ser feito, cria sentimentos negativos como apreensão, culpa ou uma pequena perda de confiança em si mesmo.

Anúncio

Husain também observa que o cérebro aprende com os resultados e incorpora essas experiências ao cálculo seguinte. Isso significa que o resíduo emocional de evitar uma tarefa aumenta silenciosamente seu “preço” no dia seguinte. A indecisão cobra juros, e eles se acumulam. Quanto mais tempo você carrega uma decisão, mais custa tomá-la.

Por que isso é uma questão de inteligência emocional

A inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e compreender as emoções em si mesmo e nos outros e usar essa consciência para administrar seu comportamento e seus relacionamentos. Ela se divide em quatro habilidades centrais: autoconsciência, autogestão, consciência social e gestão de relacionamentos. Para ter uma compreensão inicial da própria inteligência emocional, psicólogos recomendam fazer uma autoavaliação.

A autogestão costuma ser descrita como a capacidade de manter a calma quando provocado, mas envolve muito mais do que isso. Em última análise, autogestão diz respeito à sua capacidade de regular as próprias emoções.

Portanto, quando você pensa na procrastinação e em todas as emoções negativas que provoca ao adiar o início de uma tarefa, isso é, na verdade, uma questão de autogestão.

Anúncio

Você está deixando essas emoções negativas vencerem a batalha e se fortalecerem. Quando, por outro lado, toma pequenas decisões mais rapidamente, evita o custo adicional de esperar. Dessa forma, você preserva mais energia para as coisas que realmente importam.

A pesquisa de Husain aponta para algo que líderes empresariais frequentemente deixam passar. Pergunte a qualquer líder se ele estaria disposto a pagar um bom dinheiro para desenvolver habilidades como foco e capacidade de tomar decisões, e todos responderão com um enfático sim.

Mas pergunte sobre habilidades como inteligência emocional, e muitos hesitarão. Naturalmente, separamos o que é “emocional” do que é “produtivo”, mas pesquisas como a de Husain mostram como essa divisão é equivocada. A procrastinação é um problema de inteligência emocional muito antes de se tornar um problema de produtividade.

Uma estratégia simples para combater a procrastinação

O conselho mais comum é dividir um grande projeto em etapas menores, mas Huberman destacou um ponto importante nessa ideia. Quando você coloca as pequenas vitórias no horizonte, também coloca diante de si as pequenas perdas e os desafios que enfrentará.

Anúncio

Por isso, Husain aponta para uma alavanca mais eficaz, que atua antes desse processo. Se cada decisão tomada na hora consome energia, agrupe suas decisões. Dessa forma, o ciclo não fica funcionando indefinidamente.

Veja como fazer:

  1. Reserve um período fixo toda semana para decidir, não para trabalhar. Trinta minutos.
  2. Transforme as decisões da semana seguinte em compromissos, em vez de intenções. O quê, quando e por quanto tempo.
  3. Coloque as tarefas de menor recompensa primeiro, já que sabemos que é justamente nesse ponto que a motivação tem maior probabilidade de falhar.
  4. Quando chegar a hora, considere que a decisão já foi tomada. Não volte a discuti-la.
  5. No fim da semana, anote quais compromissos você renegociou. Como renegociar consome energia, vale analisar as decisões que você tomou mal na primeira vez para poder melhorar em decisões semelhantes no futuro.

Lembre-se de David, paralisado pela energia necessária para montar seu aparelho de som. Uma tarefa que levaria apenas cinco minutos. A maior parte daquilo que você está evitando é menor do que imagina. Tome a decisão uma vez, organize as tarefas em blocos e pare de pagar juros.

*Kevin Kruse é colaborador da Forbes USA. Ele é fundador e CEO da LEADx, uma empresa de treinamento em inteligência emocional, além de autor de best-sellers.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

Anúncio

O post Por Que Procrastinar É Mais Exaustivo do Que o Trabalho em Si, Segundo Neurologista de Oxford apareceu primeiro em Forbes Brasil.

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo

Negócios

Por Que as Empresas Familiares Estão Repensando Quem Herda o Cargo de CEO?

Redação Informe 360

Publicado

no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

As transições de liderança que as empresas familiares enfrentarão na próxima década serão significativas, ressaltando a dimensão das mudanças que estão por vir — ainda que raramente ganhem as manchetes.

As empresas familiares respondem por uma parcela relevante do emprego, dos investimentos e da geração de valor de longo prazo no mundo — mas a questão sobre quem estará à frente delas no futuro está sendo silenciosamente renegociada. Em uma nova pesquisa global da Deloitte Private com 1.587 empresas familiares de todo o mundo, todas com receita de pelo menos US$ 100 milhões e sob controle familiar, surge um novo cenário: cerca de 40% das empresas familiares entrevistadas esperam passar por uma sucessão de liderança nos próximos dez anos.

Por gerações, a resposta parecia óbvia: um filho ou uma filha, preparado para assumir o comando. Essa premissa pode estar deixando de valer. Os resultados da pesquisa apontam para uma mudança em direção à nomeação de profissionais externos para o cargo de CEO após a sucessão. Para líderes de C-level que acompanham a consolidação, a disrupção provocada pela inteligência artificial e uma histórica transferência de riqueza que estão remodelando o cenário das empresas privadas, muitas empresas familiares estão profissionalizando seus processos sucessórios.

Anúncio

A lacuna de confiança

A maioria das empresas familiares afirma ter algum tipo de plano de sucessão — 89% no caso da liderança familiar que ficará responsável por conduzir a propriedade, a governança e os valores ao longo das gerações. Mas apenas cerca da metade dos entrevistados afirma que seu plano é completo e bem estruturado. E, quando questionados sobre o grau de confiança na preparação daqueles que deverão assumir o comando, apenas 48% demonstraram alta confiança na atual liderança familiar — e somente 37% na próxima geração.

A diferença entre ter um plano e confiar nele é a verdadeira questão. É também um alerta para organizações que podem confundir documentação com preparo.

A ascensão do CEO externo

Talvez o sinal mais claro dessa mudança seja o fato de que os entrevistados indicam que a participação de CEOs que não pertencem à família deve dobrar, passando de 13% atualmente para 26% após a próxima transição. A pesquisa mostra que essa tendência está presente em diversas regiões. Ela reflete uma mudança na visão sobre governança: um executivo externo e neutro pode reduzir os riscos de uma transição, administrar a crescente complexidade operacional e aliviar a pressão sobre a próxima geração.

Isso não representa um afastamento da família em relação à condução do negócio. Trata-se de uma redefinição desse papel. As famílias estão aprendendo a separar propriedade de gestão, mantendo a visão e os valores dentro da família enquanto profissionalizam a liderança operacional.

Anúncio

Onde a próxima geração ganha experiência

Mesmo enquanto aguardam a chegada ao topo da organização, os membros da próxima geração já ocupam posições importantes para impulsionar mudanças. Eles representam aproximadamente metade dos integrantes das famílias que atuam em áreas como tecnologia (51%), filantropia e relacionamento com a comunidade (51%), vendas e marketing (50%) e inovação e pesquisa e desenvolvimento (49%).* Essas áreas se tornaram campos de prova nos quais a credibilidade é construída antes de uma promoção para posições no conselho ou para o cargo de CEO.

É uma conexão reveladora. Quando perguntados sobre onde a próxima geração provocará as maiores transformações nos negócios, os entrevistados apontaram a modernização tecnológica (42%), a inteligência artificial (42%), novos produtos e serviços (40%) e a expansão geográfica (39%)* — justamente algumas das principais prioridades de crescimento perseguidas atualmente por líderes globais.

Quatro movimentos para líderes que enfrentam uma sucessão agora

As empresas que estão obtendo sucesso tratam a preparação como uma disciplina. Seu modelo pode ser aplicado muito além das empresas familiares:

  1. Faça da experiência externa uma regra, não uma exceção. Quase sete em cada dez empresas entrevistadas agora exigem que integrantes da próxima geração trabalhem em outras organizações antes de ingressar no negócio da família. A experiência externa pode desenvolver uma capacidade de julgamento empreendedora e de visão global que nenhuma rotação interna consegue reproduzir.
  2. Atribua funções reais, com responsabilidades reais. O principal mecanismo de desenvolvimento citado pelos entrevistados (44%) foi colocar os sucessores em funções formais, submetidas à gestão de desempenho. A credibilidade pode vir da responsabilidade pelos resultados — e não da proximidade com o fundador.
  3. Separe propriedade e gestão — de forma deliberada. Com a participação de CEOs externos prestes a dobrar, é importante decidir antecipadamente quais posições permanecerão com a família e quais serão ocupadas por profissionais externos. A falta de clareza pode ser justamente o ponto em que as transições fracassam.
  4. Tenha as conversas desconfortáveis desde cedo. As empresas mais resilientes utilizam fóruns estruturados, membros independentes no conselho e protocolos flexíveis para trazer tensões à tona antes que elas se consolidem. A abertura — aprender com a próxima geração, e não apenas transmitir conhecimento a ela — supera a rigidez.

A sucessão sempre foi um dos principais testes enfrentados pelas empresas familiares. A novidade é o reconhecimento de que ela é, fundamentalmente, uma questão estratégica — inseparável de talento, tecnologia e governança. Os líderes que elevarem a preparação da próxima geração a uma prioridade no nível do conselho não apenas conseguirão atravessar a transição. Eles transformarão esse processo em uma fonte de renovação.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

Anúncio

O post Por Que as Empresas Familiares Estão Repensando Quem Herda o Cargo de CEO? apareceu primeiro em Forbes Brasil.

Powered by WPeMatico

Continuar Lendo

Negócios

O Legado de Gloria Steinem: 3 Lições de Liderança da Ativista Ícone do Feminismo

Redação Informe 360

Publicado

no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Na quinta-feira (3), o mundo perdeu uma lenda e uma líder. Gloria Steinem, uma jornalista pioneira, autora estimada e ativista social que, ao longo de sua vida, se tornou uma das líderes mais reconhecidas do movimento feminista, morreu pacificamente em sua casa na cidade de Nova York aos 92 anos.

Até o fim, Steinem permaneceu engajada no trabalho pela igualdade: concedeu entrevistas, organizou encontros em sua casa em Manhattan e reuniu ativistas e pensadores para trocar ideias. Sua mensagem, às vezes, era bastante simples: “Me diga como posso ajudar.”

Em 22 de setembro, a Random House deve publicar seu livro de memórias final, “An Unexpected Life” (Uma Vida Inesperada), que resume uma carreira de mais de seis décadas.

Anúncio

Seu conjunto de obras abrangeu muitas áreas. Para muitos, Steinem atraiu atenção pela primeira vez como jornalista em 1963, quando se disfarçou para investigar as condições de trabalho das mulheres que trabalhavam como Coelhinhas da Playboy. Mais tarde, ela ajudou a lançar a revista New York e cofundou a revista Ms., antes de se tornar uma das principais vozes da segunda onda do feminismo.

Getty ImagesGloria Steinem cofundou a revista Ms. nos EUA

Steinem também ajudou a estabelecer e cofundar o National Women’s Political Caucus, a Ms. Foundation for Women e o Women’s Media Center. Ela também criou o Voters For Choice, onde defendeu a Emenda dos Direitos Iguais, os direitos reprodutivos, a igualdade racial e uma maior representação das mulheres na política e na mídia.

Em 2013, o então presidente dos Estados Unidos Barack Obama concedeu a Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil do país. Ela foi introduzida no Hall da Fama Nacional das Mulheres e, em 2021, recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, da Espanha.

A seguir, veja 3 lições de liderança de Gloria Steinem

Além do movimento que ela construiu, das histórias que contou e das vidas que inspirou, o estilo de liderança de Gloria Steinem oferece lições que seguem relevantes ainda hoje.

1. A liderança começa com a escuta

“Quero fazer justiça às mulheres que conheço, contar suas histórias”, explicou Steinem certa vez. “Não podemos empoderar as mulheres sem ouvir suas histórias.”

Anúncio

Em uma era em que a liderança está cada vez mais associada à visibilidade, aqueles no topo devem ouvir tanto quanto falam. Steinem tornou-se famosa por sua voz, mas grande parte de sua influência veio de escutar. Ela viajou, fez reportagens e criou plataformas para que outros contassem suas histórias.

Essa distinção é importante para os executivos de hoje. Liderança não se trata mais apenas de ter a voz mais alta na sala. Às vezes, a pessoa mais influente é aquela que compreende a experiência de todos os outros.

Paris Hilton, Gloria Steinem e Amanda Nguyen celebram o Dia Internacional da Mulher na Bolsa de Valores de Nova York
Getty ImagesParis Hilton, Gloria Steinem e Amanda Nguyen celebram o Dia Internacional da Mulher na Bolsa de Valores de Nova York

2. Não apenas participe da conversa; construa a plataforma

Steinem não apenas argumentou que a grande mídia precisava representar melhor as mulheres. Ela ajudou a construir uma nova mídia. Quando a revista Ms. foi lançada em 1971, era um folheto inserido na revista New York. No ano seguinte, se tornaria uma publicação independente. Na época, as revistas femininas eram amplamente dominadas por coberturas sobre beleza, casamento e tarefas domésticas.

A Ms. assumiu uma posição diferente ao abordar temas mais progressistas, entre eles a desigualdade no ambiente de trabalho, violência doméstica, direitos reprodutivos, racismo e assédio sexual. A lição? Quando as instituições existentes não oferecem espaço suficiente para uma ideia, às vezes a resposta não é lutar indefinidamente por um lugar na mesa de outra pessoa. É construir outra mesa.

Os líderes de hoje têm mais oportunidades do que nunca para fazer exatamente isso. Podcasts, newsletters, mídias sociais e comunidades digitais permitem que executivos e empreendedores construam públicos sem esperar sentados.

Anúncio

Steinem entendia isso, e agiu a respeito. A propriedade de uma plataforma pode transformar uma voz individual em influência institucional.

Coretta King e Gloria Steinem
Getty ImagesCoretta King e Gloria Steinem

3. Grandes líderes criam mais líderes

Quando perguntaram a Steinem para quem ela eventualmente “passaria a tocha”, ela rejeitou a premissa. “Não existe uma única tocha — há muitas tochas”, disse em 2015, e acrescentou que usava a sua “para acender outras tochas.”

Essa talvez seja a lição de liderança mais importante de sua vida. Liderança não é sucessão por replicação. É multiplicação.

A influência de Steinem perdurou porque ela ajudou a criar oportunidades que poderiam continuar sem ela. Em vez de se tornar indispensável, ela dedicou décadas a ajudar outras pessoas a se tornarem poderosas.

Seu livro de memórias reforça essa filosofia. “An Unexpected Life” reflete sobre uma carreira que a própria Steinem diz que nunca poderia ter planejado completamente. “Temos a ideia de que nossas vidas são planejadas para valerem a pena”, ela disse no início deste ano. Mas argumentou que a habilidade de responder e aprender com o inesperado pode, em última análise, se mostrar mais valiosa.

Anúncio

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

O post O Legado de Gloria Steinem: 3 Lições de Liderança da Ativista Ícone do Feminismo apareceu primeiro em Forbes Brasil.

Powered by WPeMatico

Anúncio
Continuar Lendo

Em Alta