Negócios
Depressão, ansiedade, pânico: como está a saúde mental no Vale do Silício


72% dos empreendedores dizem que o trabalho afetou sua saúde mental, segundo pesquisa
Jason Gardner, o fundador e CEO da startup de processamento de pagamentos Marqeta, estava passando por outro surto de depressão. Era o início de 2016 e ele lutava para dormir e comer em sua casa em Oakland, nos Estados Unidos. Às vezes, apenas se deitava no chão e olhava para o teto. “Eu mal conseguia sair da cama e não conseguia sorrir. Senti que as coisas estavam desmoronando ao meu redor, mas precisava encontrar os meios para continuar levantando fundos e construindo a empresa”, diz ele. A Marqeta estava a semanas de ficar sem dinheiro.
Ele e sua esposa Jocelyne haviam estourado o limite de seus cartões de crédito e estavam até colocando o pagamento da hipoteca no cartão de crédito, enquanto criavam o filho de 15 anos e a filha de 8 anos. “Não sei como sobrevivi. Não por causa de algo que eu faria comigo mesmo, mas devido ao colapso do meu corpo e da minha mente”, diz. Mas ele ergueu a empresa, fez o IPO e, finalmente, deixou o cargo de CEO em janeiro de 2023.
Hoje, Gardner fala abertamente sobre as dificuldades que enfrentou como fundador – um tema que, mesmo numa época em que as pessoas partilham detalhes íntimos sobre si próprias nas redes sociais, ainda não é discutido o bastante.
Saúde mental nos números
Quase todos os empresários enfrentam sérios desafios de saúde mental. De acordo com uma pesquisa de abril de 2023 da Startup Snapshot, 72% dos fundadores dizem que o trabalho afetou sua saúde mental. Mais: 38% sofreram ou sofrem de depressão, ansiedade, transtorno bipolar, TDAH ou abuso de substâncias, de acordo com um estudo de 2022 feito pelos pesquisadores Richard Hunt, da Universidade da Virginia, e Michael Freeman, um psiquiatra que treina empreendedores desde 2000.
Nos últimos cinco anos, vários estudos mostraram que os empreendedores têm significativamente mais problemas de saúde mental em comparação com diferentes grupos, acrescentou Freeman.
Os fundadores muitas vezes têm medo de mostrar um pingo de fraqueza em si mesmos ou nas suas empresas, em grande parte por medo de como isso pode afetar a reputação da sua startup e o moral dos funcionários.
Ryan Caldbeck, fundador e antigo CEO da startup fintech CircleUp, lembra-se de ter sido convidado por investidores de risco há vários anos para se reunir com outros CEOs cujas empresas estavam em dificuldades, para lhes dar alguns conselhos. “Eu tomo café com os CEOs – e me lembro disso ter acontecido duas ou três vezes – e o CEO só fala sobre como sua empresa está arrasando, mesmo que tenham me contado que eles estão com muitos problemas”, diz. “Em poucas palavras, isso é o Vale do Silício. Um lugar onde se ergue uma fachada.”
Depressão também é assunto de empreendedores
Nos últimos anos, atletas de elite como Naomi Osaka e Simone Biles, celebridades como Demi Lovato e Selena Gomez e o senador norte-americano John Fetterman discutiram publicamente como lidar com doenças mentais. E os empreendedores estão começando a seguir o exemplo.
Em fevereiro de 2022, Pedro Franceschi, cofundador da startup de cartão de crédito Brex, escreveu um comovente post em seu blog sobre seus problemas de saúde mental, que resultaram em um ataque de pânico, embora a empresa estivesse crescendo rapidamente e se tornando uma queridinha do Vale do Silício. Alguns meses depois, Andy Dunn, cofundador e ex-CEO da marca de roupas masculinas Bonobos, publicou um livro, “Burn Rate”, narrando seus desafios assustadores com o transtorno bipolar.
Embora os coaches de desempenho já existam há décadas, o interesse em serviços de saúde mental mais básicos está agora crescendo rapidamente. Michael Freeman diz que conversa com investidores de risco uma vez por semana sobre o assunto, ao passo que, há alguns anos, não recebia nenhuma chamada sobre o assunto. No relatório anual de Andreessen Horowitz sobre as maiores startups de mercado voltadas para o consumidor e empresas privadas lançado em março de 2023, a saúde mental foi, de longe, o tema que mais cresceu.
A Forbes USA conversou com mais de uma dúzia de CEOs e meia dúzia de psicólogos, coaches e capitalistas de risco para ter uma melhor compreensão dos desafios de saúde mental que os fundadores enfrentam. Desde terapia e meditação até grupos de conversa, ou o simples fato de mostrar mais vulnerabilidade diante dos funcionários, os fundadores estão começando a se abrir sobre seus desafios de saúde mental. Veja as estratégias que estão usando para gerenciá-los.
Vida profissional desequilibrada
Uma das partes mais difíceis de administrar uma startup é enfrentar um fluxo interminável de problemas assustadores, que podem fazer com que até os bons momentos sejam ruins. Alguns exemplos comuns: você tem um grande desentendimento com seu cofundador; você perdeu um cliente importante; um de seus principais vendedores saiu; há um sério problema de recursos humanos entre dois funcionários; um concorrente lançou um novo produto promissor. “Se a sua startup está fracassando, parece que alguém está dando um soco na sua cara”, diz Michael Seibel, diretor administrativo e sócio da aceleradora de startups Y Combinator. “Mas quando sua startup está funcionando, parece que alguém está dando um soco na sua cara também.”
As emoções dos fundadores muitas vezes aumentam ou despencam no decorrer de uma tarde. “Eu sabia que havia altos e baixos. Eu simplesmente não sabia a frequência”, diz Anita Hossain Choudhry, coach executiva e CEO da The Grand, uma startup de coaching em grupo. “Isso pode acontecer literalmente em minutos quando você pensa: ‘Tudo é incrível. Isso está indo muito bem.’ E então você recebe um e-mail e pensa: ‘Isso não vai funcionar. Isso é horrível. Por que estamos fazendo isso?’”
Pressão de todos os lados
Os empreendedores sentem intensa pressão de investidores, clientes e de seus próprios funcionários. “Quase se espera que você seja um sobre-humano”, diz Aditi Shekar, cofundadora e CEO da startup de banco digital Zeta. “Há uma pressão constante para entregar muito, superar o desempenho, ser excessivamente compreensiva, excessivamente politicamente correta, excessivamente tudo. E não é uma pressão temporária. É uma pressão persistente que invariavelmente tem um impacto mental.”
A dinâmica social e cultural pode piorar as coisas. Shekar diz que as fundadoras enfrentam um obstáculo único: espera-se que sejam “empáticas, gentis, amáveis e legais, mas ao mesmo tempo cruéis e competitivas”. Ryan Williams, o CEO da plataforma de investimento imobiliário Cadre, diz que, enquanto crescia, não sabia o que era depressão ou ansiedade porque o assunto nunca foi abordado. “Existem certas comunidades onde a saúde mental é algo que as pessoas veem – especialmente se você reconhece que está tendo alguns problemas – como uma fraqueza real e quase um defeito pessoal, especialmente na comunidade negra”, diz ele. “Não quero generalizar, mas foi assim onde cresci e com a minha família.”
O excesso de trabalho muitas vezes faz com que os fundadores atinjam pontos baixos. Durante os seus primeiros anos como empresário, o cofundador do Brex, Pedro Franceschi, sentiu a necessidade de “ser produtivo a cada segundo”. Ele trabalhava de 80 a 100 horas por semana, dormindo apenas seis horas por noite, e se sentia culpado por tirar férias. Em outubro de 2019, a Brex lançou um novo produto importante, uma conta bancária empresarial chamada Brex Cash. Mas em vez de se sentir animado, Franceschi sentiu-se ansioso, e seu desespero culminou em um ataque de pânico na manhã seguinte a uma festa de Halloween com amigos em Nova York. Ele descreve a sensação como “muito desesperadora, especialmente quando você não sabe o que está acontecendo… Você não sabe se está tendo um ataque cardíaco”.
Um mês depois, ele tirou uma semana de folga, desligou e começou a se sentir melhor. Ele começou a consultar um terapeuta semanalmente e um psiquiatra trimestralmente, tomando medicamentos e consultando um coach a cada duas semanas. Hoje, ele dorme entre sete e meia e oito horas. “Acho que não sabia onde estava o limite para mim”, diz ele hoje. Seu terapeuta o ajudou a compreender melhor a si mesmo e por que tem certos sentimentos, e agora ele pode reconhecer sinais de ansiedade muito mais cedo. Em novembro de 2022, a Brex anunciou a Catarse, uma iniciativa que visa normalizar as conversas sobre saúde mental e oferecer descontos em serviços de saúde mental para clientes da empresa.
Entre o pessoal e o profissional
Momentos em que os contratempos pessoais e profissionais coincidem podem ser particularmente debilitantes para os fundadores. Em meados de 2016, Ryan Caldbeck, então CEO da CircleUp, fez uma série de demissões depois que a empresa fez uma mudança estratégica. Naquela época, ele e sua esposa começaram a ter problemas de fertilidade – eles queriam ter um segundo filho, mas não conseguiam engravidar – e ainda por cima, ele foi diagnosticado com câncer. Apesar de um investidor lhe ter dito para tirar seis semanas de folga no final de 2017, ele continuou trabalhando. “Depois de uma vida inteira resolvendo as coisas, disse a mim mesmo que não precisava fazer uma pausa”, escreveu ele mais tarde em uma postagem no seu blog, acrescentando que foi o maior erro da sua carreira.
No ano seguinte, ele tuitou sobre como a saúde mental não era discutida o suficiente. “Me sinto totalmente consumido. O tempo todo. É difícil para mim me sentir presente em conversas fora do trabalho. No meu encontro de sexta à noite com minha esposa, muitas vezes tenho dificuldade para me concentrar em nós – minha mente começa a trabalhar. Eu odeio isso.” Outro tuíte sobre o mesmo tópico dizia: “Me sinto incrivelmente solitário. Como CEO, é difícil me abrir totalmente sobre minha empresa e é difícil encontrar outros CEOs que estejam dispostos a ser vulneráveis e falar honestamente sobre as coisas difíceis.”
Em 2019, veio a gota d’água. Sua filha de cinco anos olhou para ele e disse: “Papai, você sempre parece tão triste”. Ela disse isso duas vezes, e ele não conseguia tirar o comentário da cabeça. Um ano depois, ele anunciou que estava deixando o cargo de CEO.
Estratégias para gerenciar a saúde mental
Existem grandes incentivos financeiros para os fundadores permanecerem em suas empresas. De acordo com um estudo de 2010 do professor Babson Joel Shulman, os retornos do investimento foram 10 a 20 vezes melhores para empresas públicas lideradas por fundadores do que para empresas lideradas por CEOs profissionais.
Para se prepararem para a difícil jornada, os fundadores devem configurar a sua “infraestrutura” de saúde mental o mais cedo possível, argumenta Ryan Caldbeck, especialmente porque pode levar algum tempo para encontrar a ajuda profissional certa. “Eu gostaria de ver o mundo tratar a saúde mental como a saúde bucal: preventivamente”, diz Brad Baum, cocriador do Founder Mental Health Pledge, uma iniciativa para desestigmatizar a saúde mental e incentivar os empreendedores e seus apoiadores a investirem na saúde mental.
Terapia, coaching e meditação
A terapia é uma das formas mais populares pelas quais os fundadores estão começando a gerenciar sua saúde mental de forma mais proativa. Para Pedro Franceschi, terapia é “como ter um profissional capacitado investindo no seu bem-estar”. Isso o ajuda a controlar o estresse e a responder perguntas como: “Quais são os seus valores? Quem são as pessoas de quem você deseja se cercar?”
Jackie Reses, ex-chefe da Square Capital e CEO do Lead Bank, fala semanalmente com seu terapeuta e já faz isso há anos. “É uma forma de melhorar a forma como você está no mundo e, em última análise, é o presente mais hedonista que você pode dar a si mesmo.”
O cofundador da Bonobos, Andy Dunn, acredita que todo fundador deveria fazer terapia por pelo menos seis meses seguidos, a cada dois ou três anos. Ele também defende que as empresas estabeleçam uma bolsa de US$ 2.000 por ano, por funcionário, para despesas de saúde mental do próprio bolso. “As taxas de reembolso do seguro são terrivelmente baixas.”
A terapia de casal também pode ser útil. Anos atrás, Jocelyne Gardner sentiu-se frustrada porque seu marido Jason parecia estar sempre pensando na Marqeta. “Mesmo que ele estivesse na sala, muitas vezes ele não estava – sua mente estava em outro lugar”, diz. A terapia também a ajudou a ter mais compaixão pela intensa pressão que Jason sentia no trabalho.
Para os fundadores que escolhem entre um coach ou um terapeuta, a psicóloga Sherry Walling diz que os coaches de negócios geralmente fornecem “uma visão prática sobre a mentalidade e o foco. Eles trabalham para o bem-estar do negócio.”
Já um terapeuta se concentra mais no “bem-estar do ser humano. Eles têm um trabalho muito mais profundo e mais longo e uma visão sobre como as questões familiares da sua infância, por exemplo, afetam a maneira como você lidera sua equipe.”
Terapeutas também são obrigados a ter determinada formação e um número mínimo de horas de treinamento clínico supervisionado com pacientes. Não há requisitos ou qualificações oficiais para ser um coach de vida ou de negócios.
A meditação tornou-se uma prática amplamente utilizada durante décadas, e muitos fundadores bilionários famosos, incluindo Marc Benioff, da Salesforce, o titã dos fundos de hedge Ray Dalio e Oprah Winfrey atestam seus benefícios.
Jackie Reses, do Lead Bank, medita por 20 minutos todos os dias. “Cada vez mais, tenho pessoas vindo até mim de todos os lugares e preciso de um tempo de descanso e silêncio para acalmar meu cérebro, reiniciá-lo e me trazer de volta a um lugar criativo”, diz ela.
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Sono, exercício e definir limites
Apesar do espírito da correria e da vida agitada que está na moda no Vale do Silício, onde os fundadores se gabam de dormir cinco horas ou menos por noite, tem havido um novo movimento no sentido de dormir mais.
O livro de 2017 do professor de neurociência da Universidade da Califórnia em Berkeley, Matthew Walker, “Por que nós dormimos”, contém extensas evidências científicas sobre os benefícios para a saúde e a produtividade de dormir mais de sete horas por noite.
Franceschi diz que o livro teve um grande impacto em sua vida. Oito dos 13 CEOs com quem conversamos neste artigo dormem de sete a oito horas por noite. Mark Zuckerberg também.
Grupos de empreendedores
Em meados de 2021, o pai da CEO da Zeta, Aditi Shekar, faleceu de Covid e ela começou a estabelecer mais limites. Priorizou ver a família com mais frequência e parou de trabalhar na maioria dos finais de semana, o que, segundo ela, ajuda na criatividade e evita que sua empresa se torne sua vida inteira. Kathleen Stetson, coach executiva e ex-CEO de startups, ficou deprimida depois que sua empresa de tecnologia faliu em 2017. “Percebi que o cerne dessa depressão realmente era este: eu tinha feito da startup minha identidade. Foram necessárias pessoas dizendo: ‘Ei, você não é a Trill, você é a Kathleen’”.
Muitos fundadores dizem que os grupos de pares lhes permitem partilhar privadamente as suas situações com outros empreendedores. E que estão entre as ferramentas mais úteis de que dispõem para gerir a saúde mental. O CEO da Cadre, Ryan Williams, diz que esses grupos foram essenciais para ele durante os primeiros meses do isolamento da Covid em 2020, quando todos estavam se adaptando ao trabalho remoto.
Organizações como YPO (que reúne jovens CEOs) criaram grupos em que fundadores, executivos e funcionários podem discutir abertamente os desafios que estão enfrentando.
Abertura aos funcionários
Cada empreendedor tem um nível de conforto diferente para demonstrar vulnerabilidade com os funcionários. “Durante os primeiros cinco anos como CEO, fui bastante fechado em termos do que expressaria sobre os meus medos e inseguranças, profissionalmente e pessoalmente”, diz Ryan Caldbeck. “Esse foi um dos muitos fatores que contribuíram para a solidão e a depressão.” Desde então, ele descobriu que se abrir mais – por exemplo, dizer algo como “Estou preocupado por não termos acertado nossa estratégia e estou determinado a fazer isso” – o ajuda a construir confiança e a se sentir mais conectado com seus colegas.
Andy Dunn acredita na “divulgação seletiva e estratégica de vulnerabilidade”. Ele sugere que os fundadores aproveitem oportunidades como um breve e-mail ou um bate-papo ao ar livre para discutir um desafio que estão enfrentando. “Pode ser rápido, e então você segue em frente e volta ao trabalho”, diz.
Dunn dá um exemplo de e-mail que um fundador pode mandar: “Ei, você talvez esteja percebendo que estou com uma energia um pouco mais baixa, que ando um pouco deprimido. Tenho histórico de depressão, tomo remédios e vou ao médico. Mas estou superando isso e sou muito grato pelo trabalho que todos vocês estão fazendo. Obrigado por operar em um nível tão alto. Estarei com você em breve.’”
“As pessoas ficarão fascinadas quando você fizer isso”, diz Dunn. “E você acabou de criar um espaço seguro para qualquer pessoa na organização compartilhar seus próprios sentimentos.” Ele acrescenta que, ao demonstrar tal vulnerabilidade, é importante compartilhar simultaneamente o plano de ação para enfrentar o desafio.
O que investidores e empresas podem fazer
De certa forma, os empreendedores são mais responsáveis perante os investidores que os apoiam do que qualquer outra pessoa, por isso os VCs (venture capitalists) “têm a voz mais alta na sala”, diz Brad Baum, co-criador do Founder Mental Health Pledge. Uma coisa que os investidores podem fazer é simplesmente entrar em contato com os empreendedores e perguntar como eles estão em um determinado dia. Nigel Morris diz: “Trata-se de ligar para as pessoas e dizer: ‘Como você está se sentindo? O que tem em mente? Com o que você está preocupado? Como você está pessoalmente?”
Em 2018, a empresa de capital de risco Felicis, sediada no Vale do Silício, iniciou um programa onde, para cada cheque de investimento inicial emitido para uma startup, a Felicis adiciona 1% em capital que os fundadores podem gastar em despesas de saúde mental. Mais de 50 fundadores aproveitaram, diz Dasha Maggio, co-COO da Felicis, que criou e lidera o programa.
A startup de pagamentos Orum dá aos funcionários uma folga na primeira sexta-feira de cada mês para cuidar de sua saúde mental. Os funcionários ainda estão de plantão com os clientes, mas não atendem ligações de vendas ou reuniões externas e ficam longe do e-mail e do Slack, diz a CEO Stephany Kirkpatrick. A empresa também fecha os escritórios entre o Natal e o Ano Novo e paga 100% do seguro saúde dos funcionários. No Treasury Prime, Chris Dean incentiva os funcionários a falarem caso estejam com problemas de saúde mental e às vezes lhes diz para tirar alguns dias ou uma semana de folga, e eles voltam se sentindo melhor, segundo ele.
Amigos, passeios na natureza e psicodélicos
O psiquiatra Michael Freeman diz que é fundamental ficar perto de amigos e familiares para ter uma forte rede de apoio social de pessoas que não estão associadas ao seu negócio. Ele acrescenta que a “exposição regular a ambientes naturais como montanhas, rios e riachos” pode ter um efeito restaurador e eleva a criatividade.
O uso de drogas como MDMA (também conhecido como ecstasy), psilocibina (cogumelos mágicos) e cetamina para controlar a saúde mental é uma tendência recente. “Muitos dos meus clientes empreendedores estão interessados em falar sobre o uso de psicodélicos, tanto na otimização mental quanto no tratamento”, diz a psicóloga Sherry Walling. “Isso já está acontecendo muito no Vale do Silício.” Ela ocasionalmente usa psicoterapia apoiada por cetamina com pacientes e espera que o MDMA e a psilocibina sejam eventualmente aprovados pelo FDA (a Anvisa dos EUA) para uso médico.
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Os CEOs com quem conversamos neste artigo dizem que não tentaram usar nenhum desses medicamentos para melhorar sua saúde mental, mas também não os descartam. Franceschi diz que está “consciente da extensa pesquisa que está sendo conduzida neste campo e considero interessante e promissora”. Caldbeck diz que conhece pessoas que experimentaram e que “elogiam os efeitos”. Elon Musk tem, supostamente usado cetamina para tratar a depressão (ele não respondeu à Forbes). E tuitou, em junho. que a cetamina “é uma opção melhor” para tratar a depressão do que os antidepressivos amplamente prescritos no mercado.
Walling adverte que os riscos da utilização de estratégias experimentais, quando feitas de forma inadequada,podem ser problemáticas. O sócio da Y Combinator, Michael Seibel, também observa os riscos, dizendo: “Seus mecanismos para lidar com o estresse não podem ser mais prejudiciais do que o estresse”. Eles têm que melhorar sua saúde a curto e longo prazo.
(traduzido por Fabiana Corrêa)
Com informações da* Forbes Brasil.
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A Escala 5×2 Chegou. E Muda Mais do Que o Custo da Folha
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Está decidido. A Emenda Constitucional 141, promulgada na última sexta-feira (20), encerra a escala 6×1. Em 60 dias, todo trabalhador CLT passa a ter duas folgas semanais e jornada máxima de 42 horas. Catorze meses após a publicação, o teto cai para 40 horas, sem redução de salário.
A primeira leitura é de custo, e ela não está errada. Como não será permitida a redução de salários e haverá redução de 44 para 40 horas semanais, cada hora vale 10% a mais. E isso encarece também a hora extra e os adicionais, que são calculados sobre o valor da hora.
Em operações que funcionam sete dias por semana, como varejo e serviços, manter a cobertura exige reforço de quadro. Nas simulações que tenho acompanhado, esse reforço fica entre 10% e 20%, e pesa mais nas unidades menores, que têm menor margem para remanejar gente.
Mas tratar a 5×2 apenas como aumento de folha é desperdiçar a oportunidade de rever a estratégia de remuneração como um todo.
Eficiência de escala
Comecemos pelo fixo. Com a hora mais cara, a pressão será por conter reajustes. Esse é um erro tentador. Mas antes de pensar em trocar equipes com salários reduzidos, será importante avaliar reservas escondidas na própria escala.
Empresas que passaram a montar turnos a partir da curva de movimento por hora descobriram horas extras desnecessárias e gente parada nos horários errados. Eficiência de escala é a primeira fonte de financiamento da nova jornada.
Onde mora a oportunidade
O variável é onde mora a oportunidade mais clara. Se o objetivo é produzir o mesmo, ou mais, em menos horas, a remuneração variável precisa apontar para isso. Prêmios por produtividade, metas de venda por hora trabalhada, bônus por cobertura nos picos ou por redução de absenteísmo transformam a exigência legal em alinhamento: a empresa ganha eficiência e o colaborador participa do ganho.
A experiência internacional reforça a lógica. Quando Portugal reduziu a jornada de 44 para 40 horas, em 1996, estudos registraram ganho de produtividade próximo de 8%. O Chile está no meios de uma transição gradual até 2028, e o México aprovou a sua até 2030. A redução funciona melhor quando vem acompanhada de esforço deliberado de produtividade, e incentivo bem desenhado é parte desse esforço.
Recompensas intangíveis
Há ainda uma camada que raramente entra na planilha: as recompensas intangíveis. Duas folgas, previsibilidade de escala e fins de semana inteiros com a família são valor percebido. Gente descansada e motivada erra menos, falta menos e atende melhor. Empresas que comunicarem isso como parte da proposta de valor ao empregado vão reter melhor do que as que tratarem a mudança como obrigação.
Rotatividade pode diminuir
Há também uma economia que raramente aparece na conta da transição: a da rotatividade. No varejo, ela já é altíssima. Levantamento do Sindilojas-SP mostra que a rotatividade no varejo paulista chegou a 56,6% em 2025, o maior nível desde 2020. Em alguns segmentos, como lojas de conveniência, passou de 90%.
Isso significa recontratar, quase todo ano, boa parte da equipe. Cada saída tem um custo que vai além da rescisão: recrutamento, treinamento e os meses em que o novo funcionário ainda não rende o que rendia quem saiu. O cliente percebe essa curva de aprendizado no caixa e no atendimento. Se a 5×2 for bem implementada, com escalas previsíveis e folgas que de fato descansam, as pessoas tendem a ficar mais tempo. Parte do custo da nova jornada pode voltar como economia em turnover.
E há a carreira. Mais turnos e escalas mais complexas exigem novas funções de controle: líderes de turno, coordenadores de escala, analistas de operação. É uma chance real de promover quem já conhece a operação e o cliente. A pergunta incômoda é se essa base está preparada. Quem sempre executou nem sempre foi treinado para planejar, ler indicadores ou liderar colegas. Sem trilha de capacitação e uma estrutura de cargos que reconheça esses degraus, a promoção vira armadilha.
Além disso, pessoas que estavam na informalidade podem voltar a se interessar pelo modelo CLT nesta nova configuração de escala.
Muitos empreendedores lerão tudo isso pensando na própria rotina, que está mais para 7×0 do que para 5×2. É verdade. A diferença é que, nesse caso, cada hora a mais constrói patrimônio próprio. Para quem trabalha numa estrutura que não é sua, o que se constrói é outra coisa: vínculo, ou a falta dele. Numa geração que cobra cada vez mais qualidade das relações de trabalho, a 5×2 talvez seja menos uma imposição e mais a formalização de algo que o mercado já vinha pedindo.
*Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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Stephen Curry Passa de US$ 200 Milhões; Veja os Jogadores Mais Bem Pagos da NBA

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Stephen Curry foi o primeiro MVP (jogador mais valioso) unânime da NBA, em 2016. O primeiro jogador a liderar a liga em bolas de três pontos quatro vezes, depois cinco, depois seis, sete e oito vezes. O primeiro jogador a tentar 10.000 arremessos de além do arco — e o primeiro a converter 4.000 deles.
Mas, apesar de todas as formas pelas quais o arremessador de 38 anos do Golden State Warriors transformou o basquete, ele é igualmente revolucionário financeiramente.
Já o primeiro jogador da NBA a receber um salário de US$ 40 milhões, em 2019-20, e de US$ 50 milhões, em 2023-24, Curry deve ultrapassar a marca de US$ 60 milhões nesta temporada, embolsando US$ 62,6 milhões dentro de quadra.
Enquanto isso, depois de romper com sua patrocinadora de longa data Under Armour no outono passado e anunciar um novo acordo com a marca chinesa de calçados Li-Ning em junho, Curry deve ganhar estimados US$ 141 milhões com patrocínios e outros negócios — pulverizando o recorde da NBA de US$ 100 milhões que ele recebeu fora de quadra em 2024-25.
Somando os dois valores, Curry está a caminho de ganhar US$ 203,6 milhões no próximo ano, tornando-se o primeiro jogador em atividade da NBA a ultrapassar US$ 200 milhões.
Na verdade, desde que a Forbes começou a acompanhar a renda de atletas em 1990, apenas outras três estrelas do esporte ultrapassaram essa marca no período de 12 meses, sem ajuste pela inflação: o boxeador Floyd Mayweather, a lenda do futebol Cristiano Ronaldo e o golfista Jon Rahm.
O ganho histórico mantém Curry no topo da lista da Forbes dos jogadores mais bem pagos da NBA pelo segundo ano consecutivo. LeBron James, que liderou o ranking por 11 temporadas consecutivas antes de cair para o segundo lugar em 2025, agora desce para a quarta posição, com ganhos estimados em US$ 93,9 milhões, depois de assinar com o Philadelphia 76ers em julho pelo salário mínimo para veteranos, de US$ 3,9 milhões nesta temporada.
O ala do Houston Rockets Kevin Durant, que deve receber estimados US$ 104,9 milhões, e Giannis Antetokounmpo, que embolsará um total de US$ 103,5 milhões depois de ter sido negociado com o Miami Heat durante o verão, aparecem à frente de James na lista deste ano.
Juntos, os dez jogadores mais bem pagos da NBA devem receber US$ 958 milhões nesta temporada antes de impostos e comissões de agentes, alta de 6% em relação ao recorde de US$ 902 milhões da lista de 2025 e mais que o dobro dos US$ 449 milhões registrados há uma década.
Os US$ 469 milhões em renda fora de quadra combinados pelo grupo ficam quase US$ 90 milhões acima do recorde de US$ 380 milhões do ano passado — e muito à frente dos números comparáveis dos dez atletas mais bem pagos de outros esportes, como futebol, com US$ 281 milhões; MLB, com US$ 144 milhões; NFL, com US$ 84 milhões; e NHL, com US$ 16 milhões.
E embora os US$ 489 milhões que o top 10 deste ano recebe dentro de quadra representem uma queda em relação às duas temporadas anteriores, isso se deve quase inteiramente à “última decisão” de James, de 41 anos, de aceitar menos dinheiro em troca de uma chance de conquistar outro título enquanto sua ilustre carreira se aproxima do fim.
O teto salarial da NBA está fixado em US$ 165 milhões nesta temporada, alta de 75% em relação a dez anos atrás, à medida que o forte crescimento dos negócios da liga eleva o valor da parcela de aproximadamente 50% da receita relacionada ao basquete destinada aos jogadores, conforme garantido pelo acordo coletivo de trabalho.
Há uma década, enquanto alguns observadores da liga temiam que um salto de um ano no teto salarial tivesse produzido contratos fora de proporção, James tinha o maior salário da NBA, de US$ 31 milhões.
Nesta temporada, 59 jogadores da NBA devem superar essa marca, segundo o Spotrac. Ainda assim, depois que um pacote nacional de transmissão de 11 anos e US$ 76 bilhões, assinado em 2024 e iniciado na temporada passada, levou algumas pessoas dentro da liga a presumirem que o teto salarial subiria pelo máximo de 10% no futuro próximo, a realidade foi um pouco menos robusta.
Nesta temporada, o teto subiu 6,7%, e a projeção é de um avanço semelhante em 2027-28. O crescimento está sendo prejudicado pela turbulência no mercado de mídia local, depois que o colapso da operadora de redes esportivas regionais Main Street Sports Group custou a 16 times da NBA dezenas de milhões de dólares em receita anual — para cada um deles.
Não espere, porém, que esse obstáculo interrompa a arrancada financeira dos jogadores. Embora o salário de Curry deva cair novamente para menos de US$ 60 milhões na próxima temporada, depois de ele ter dado um alívio financeiro aos Warriors com a extensão contratual de dois anos e US$ 116 milhões assinada em setembro — US$ 20,7 milhões abaixo do máximo que estava disponível para ele —, há mais marcos financeiros no futuro da NBA.
Para começar, a liga está a caminho de ultrapassar a barreira dos US$ 70 milhões em 2029-30 — com pelo menos três jogadores diferentes.
Os Jogadores Mais Bem Pagos da NBA em 2026
1. US$ 203,6 milhões
Stephen Curry
Idade: 38 | Posição: armador | Time: Golden State Warriors | Dentro de quadra: US$ 62,6 milhões • Fora de quadra: US$ 141 milhões

Depois de se tornar, em julho, o primeiro jogador em atividade a ser tema de uma exposição dedicada no Naismith Basketball Hall of Fame, Curry entra em sua 18ª temporada profissional ainda capaz de dominar uma partida.
Na pesquisa anual da NBA com os general managers, o tetracampeão foi recentemente eleito o melhor arremessador puro da liga, com 97% dos votos, e, apesar dos joelhos desgastados que acompanham os 38 anos, foi apontado como o melhor em movimentação sem a bola por 80% dos votantes.
Curry também está fazendo seu impacto ser sentido no varejo: sua nova parceria com a chinesa Li-Ning vale, segundo relatos, US$ 400 milhões por dez anos, com um tênis de assinatura previsto para ser lançado no início do próximo ano.
Enquanto isso, a Under Armour, antiga casa dos tênis Curry Brand, afirmou em maio que esperava uma queda de 1% em sua receita anual por causa da separação da empresa de seu antigo principal rosto no negócio de basquete.
Curry, cujos outros patrocinadores incluem Chase, Rakuten e a recém-chegada Glaukos, é um de apenas cinco atletas em atividade que já alcançaram US$ 100 milhões em renda fora de quadra em um único ano, ao lado do golfista Tiger Woods, do tenista Roger Federer, do lutador de MMA Conor McGregor e do fenômeno de duas funções do Los Angeles Dodgers Shohei Ohtani.
Ele também foi destaque no documentário Portrait of an Artist: Stephen Curry, lançado neste mês em telas IMAX e que retrata o jogo de 2025 no qual ele converteu a 4.000ª bola de três pontos de sua carreira.
2. US$ 104,9 milhões
Kevin Durant
Idade: 38 | Posição: ala | Time: Houston Rockets | Dentro de quadra: US$ 43,9 milhões • Fora de quadra: US$ 61 milhões
Durant assinou em outubro passado uma extensão contratual de dois anos e US$ 90 milhões, abrindo mão de cerca de US$ 30 milhões para dar ao Houston Rockets flexibilidade financeira para montar seu elenco, mas ainda está a caminho de superar LeBron James como o maior ganhador em quadra da história da NBA em 2027-28, quando chegará a US$ 591 milhões em ganhos de carreira.
O ala de 38 anos também pode ampliar ainda mais a diferença ao recusar sua opção de jogador para a próxima temporada e retornar ao mercado de agentes livres no verão de 2027.
Fora de quadra, Durant possui contratos de patrocínio com marcas que incluem CeraVe, Dick’s Sporting Goods e FanDuel e investe por meio de seu family office 35V, que, segundo relatos, teve recentemente um grande acerto quando a Nvidia concordou em adquirir a plataforma de inteligência artificial Hugging Face por US$ 12,9 bilhões.
Durant também é cofundador da empresa de mídia Boardroom, que chegou a um acordo de distribuição e venda de publicidade com a Wondery em junho; a partir do início do próximo ano, os podcasts da Boardroom estarão disponíveis nos serviços da Amazon, incluindo Amazon Music, Prime Video e Fire TV Channels.
3. US$ 103,5 milhões
Giannis Antetokounmpo
Idade: 31 | Posição: ala | Time: Miami Heat | Dentro de quadra: US$ 58,5 milhões • Fora de quadra: US$ 45 milhões
Negociado com o Miami Heat durante o verão depois de 13 anos com o Milwaukee Bucks, Antetokounmpo disse recentemente sobre jogar diante de uma nova torcida: “Eu me sinto energizado. Eu me sinto vivo.”
Outro benefício da mudança: sair de Wisconsin para a Flórida, que não possui imposto estadual sobre renda, pode economizar milhões de dólares ao ala de 31 anos em seu próximo contrato, que ele poderá assinar como extensão a partir de janeiro. (Alternativamente, ele poderá recusar sua opção de jogador para 2027-28 e se tornar agente livre no próximo verão.)
Com parcerias com mais de uma dúzia de marcas, incluindo acordos recentes com Gopuff, Kalshi e Superpower que incluem participações acionárias, os estimados US$ 45 milhões de renda fora de quadra de Antetokounmpo foram superados por apenas sete estrelas do esporte na lista da Forbes dos atletas mais bem pagos do mundo em 2026.
Antetokounmpo também investiu no time feminino de futebol do Chelsea em fevereiro e, apesar de sua saída de Milwaukee, ainda pode conquistar outro título para a cidade: ele possui uma pequena participação no Brewers, classificado para a World Series, desde 2021.
4. US$ 93,9 milhões
LeBron James
Idade: 41 | Posição: ala | Time: Philadelphia 76ers | Dentro de quadra: US$ 3,9 milhões • Fora de quadra: US$ 90 milhões
A mudança de James para o 76ers neste verão, depois de oito temporadas com o Los Angeles Lakers, fará com que ele ganhe menos dentro de quadra do que em qualquer outro momento de sua carreira profissional — incluindo sua temporada de estreia, em 2003-04, quando seu salário era de US$ 4 milhões.
Mas o ala de 41 anos também está ganhando mais fora de quadra do que nunca, com patrocínios lucrativos de marcas como Hennessy, Louis Vuitton e a recente adição Polymarket, que, segundo a Front Office Sports, pagará a ele US$ 15 milhões por ano.
Seu acordo com a Fanatics também viria, segundo relatos, com um benefício além do dinheiro: o uso de um helicóptero da empresa para fazer o trajeto entre Filadélfia e Nova York.
Além de seus patrocínios, James apresenta o podcast Mind the Game ao lado do integrante do Basketball Hall of Fame Steve Nash e lançou neste ano seu quarto livro infantil, chamado Happy Spooky Halloween!.
Ele também lançou um canal no YouTube em agosto, atraindo 650.000 inscritos com vídeos focados em golfe, e sua fundação está fazendo parceria com o PGA Tour para realizar um torneio em sua cidade natal, Akron, Ohio, no próximo ano.
5. US$ 87,9 milhões
Anthony Edwards
Idade: 25 | Posição: ala-armador | Time: Minnesota Timberwolves | Dentro de quadra: US$ 48,9 milhões • Fora de quadra: US$ 39 milhões
Entrando na terceira temporada de um contrato de cinco anos com valor projetado de US$ 244,6 milhões, Edwards é o líder de uma equipe reformulada do Timberwolves, que adquiriu LaMelo Ball em julho.
“Eu não espero”, disse neste mês à Associated Press o armador de 25 anos, que chegou aos playoffs por cinco anos consecutivos. “Eu não desejo nada. É pura força de vontade e determinação. E vamos mostrar isso todas as noites.”
Edwards, presença frequente em campanhas da Adidas e Sprite, anunciou recentemente uma parceria com a PrizePicks e transmitiu a segunda edição de seu Believe That Awards em seu canal no YouTube.
Produzido pela Three Fifths Media, de Edwards, o programa distribuiu prêmios como “personagem principal do ano” e o “stood on bidness award” e teve aparições de vencedores como Coco Gauff, Michael B. Jordan e Justin Bieber, que foi nomeado “garoto branco do ano”.
6. US$ 86,5 milhões
Jayson Tatum
Idade: 28 | Posição: ala | Time: Boston Celtics | Dentro de quadra: US$ 58,5 milhões • Fora de quadra: US$ 28 milhões
Tatum fez um retorno um tanto surpreendente às quadras em março, menos de dez meses depois de romper o tendão de Aquiles — recuperação que foi tema de um documentário de cinco partes da NBC chamado The Quiet Work, além de anúncios para a Amica Insurance e o analgésico Journavx.
“É um tipo diferente de alegria que tenho agora em comparação com minhas primeiras oito temporadas”, disse o ala de 28 anos no training camp, descrevendo sua mudança de perspectiva enquanto entra na segunda temporada de um contrato de cinco anos e US$ 314 milhões.
Tatum, apoiado por marcas que incluem AT&T, Coach e SoFi e cofundador da fabricante de doces Enjoy Small Wins, terá de se adaptar a uma nova realidade no Celtics, porém, depois que Boston negociou seu companheiro de longa data Jaylen Brown com o Philadelphia 76ers em julho em troca de Paul George e um pacote de escolhas de draft.
7. Empate — US$ 70,8 milhões
Jimmy Butler
Idade: 37 | Posição: ala | Time: Golden State Warriors | Dentro de quadra: US$ 56,8 milhões • Fora de quadra: US$ 14 milhões
Butler está afastado desde que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito em janeiro, mas, segundo relatos, pretende retornar no início de 2027.
“Robin vai voltar daqui a pouco”, disse o ala de 37 anos à NBC Sports neste mês, acrescentando que estava ansioso para fazer bloqueios para seu Batman, o armador dos Warriors Stephen Curry.
Butler, que se tornará agente livre depois desta temporada, também é companheiro de Curry na lista de embaixadores da Li-Ning e é patrocinado por outras marcas, incluindo Alo Yoga, os óculos inteligentes Specs da Snap e Cheez-It, que comercializou uma caixa de colecionador dos biscoitos decorada com uma foto de Butler acompanhada de um pacote de café da Big Face, empresa fundada por ele.
7. Empate — US$ 70,8 milhões
Shai Gilgeous-Alexander
Idade: 28 | Posição: armador | Time: Oklahoma City Thunder | Dentro de quadra: US$ 40,8 milhões • Fora de quadra: US$ 30 milhões
Bicampeão consecutivo do prêmio de MVP, Gilgeous-Alexander está se adaptando a novas diretrizes de arbitragem criadas para combater jogadores de ataque que empurram os defensores, mas o armador de 28 anos acredita estar melhor e mais versátil nos dois lados da quadra depois de um verão de muito trabalho.
“Acho que sou o melhor jogador da NBA”, disse ele à Time, enquanto busca se recuperar de uma derrota nos playoffs para o San Antonio Spurs.
Gilgeous-Alexander, que no ano passado assinou uma extensão de quatro anos e US$ 285 milhões com o Thunder que começa em 2027-28, complementa sua renda com parcerias como Levi’s e YSL Beauty.
Embora tenha assinado em 2024 um contrato plurianual para uma linha de tênis com a Converse, pertencente à Nike, Gilgeous-Alexander sinalizou em junho que passaria a representar diretamente a marca do Swoosh.
Enquanto isso, neste mês, ele se juntou ao grupo de proprietários do time espanhol de futebol Atlético de Madrid.
9. US$ 68,1 milhões
Devin Booker
Idade: 29 | Posição: ala-armador | Time: Phoenix Suns | Dentro de quadra: US$ 57,1 milhões • Fora de quadra: US$ 11 milhões
Booker assinou no ano passado uma extensão contratual de dois anos e US$ 145 milhões com o Suns, dando a ele a opção de se tornar agente livre em 2029 ou 2030, e depois liderou Phoenix a uma surpreendente vaga nos playoffs.
Enquanto busca melhorar a campanha de 45 vitórias e 37 derrotas, o cinco vezes All-Star afirma que quer ser mais agressivo nos arremessos e que não está preocupado com o fato de completar 30 anos neste mês.
“À medida que você envelhece, aprende novas formas de treinar, novas formas de cuidar do corpo”, disse ele a jornalistas em setembro. “Tenho absorvido muito de vários caras que tiveram sucesso e jogaram por muitos anos.”
Fora do basquete, Booker lançou recentemente uma coleção de copos da Stanley, além de duas versões especiais de seu tênis de assinatura da Nike: uma criada pelo artista de grafite Futura e outra com o logotipo do McDonald’s.
Ele também viu a Coco5, fabricante de bebida esportiva à base de água de coco da qual é coproprietário, levantar US$ 10 milhões em janeiro.
10. US$ 68 milhões
Joel Embiid
Idade: 32 | Posição: pivô | Time: Philadelphia 76ers | Dentro de quadra: US$ 58 milhões • Fora de quadra: US$ 10 milhões
Embiid emagreceu e passou a levantar pesos pesados com mais frequência em uma tentativa de se manter saudável para um time do 76ers com grandes expectativas depois das contratações de LeBron James e Jaylen Brown na offseason.
O resultado é que Embiid participou integralmente do início do training camp, feito nada pequeno para o pivô de 32 anos, frequentemente lesionado, que disputou 96 de 246 jogos possíveis de temporada regular nos últimos três anos.
“Seria tolice dizer que esta temporada não será diferente, por causa das expectativas e da atenção”, disse recentemente à GQ Embiid, que está na primeira temporada de um contrato de três anos e US$ 187,9 milhões. “Mas, na minha cabeça, tudo é igual porque toda a minha carreira sempre foi sobre uma coisa: vencer.”
Fora de quadra, Embiid é mais seletivo com patrocínios do que era no início de sua carreira, mas continua sendo o rosto da divisão de basquete da Skechers.
Metodologia
O ranking de 2026 da Forbes dos jogadores mais bem pagos da NBA reflete os salários da temporada 2026-27 para contratos assinados até 19 de outubro de 2026. Os valores dentro de quadra são arredondados para os US$ 100 mil mais próximos.
Incentivos baseados no desempenho individual ou coletivo em 2026-27 não estão incluídos. As estimativas de ganhos fora de quadra são determinadas por meio de conversas com fontes do setor e arredondadas para o US$ 1 milhão mais próximo.
Os valores refletem dinheiro anual proveniente de patrocínios, licenciamento, aparições e memorabilia, além de retornos em dinheiro de negócios nos quais o atleta possui participação significativa.
Rendimentos de investimentos, como pagamentos de juros ou dividendos, não são incluídos, mas a Forbes considera pagamentos provenientes de participações acionárias que os atletas tenham vendido. A Forbes não desconta impostos nem comissões de agentes.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com
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Negócios
Rafael Câmara: a Trajetória do Piloto Brasileiro Que Chegou À Fórmula 1 Aos 21 Anos
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Rafael Câmara ainda estava longe de ter idade para dirigir nas ruas quando começou a construir o caminho que o levaria à Fórmula 1. Aos seis anos, entrou em um kart indoor no Recife. Quinze anos depois, o pernambucano de 21 anos tem contrato assinado para disputar a temporada de 2027 pela Haas.
O anúncio transforma em realidade uma trajetória que avançou quase sem interrupções pelas categorias de formação. Câmara foi campeão da Fórmula Regional Europeia em 2024, conquistou a Fórmula 3 logo em sua temporada de estreia, em 2025, e agora lidera a Fórmula 2 faltando duas etapas para o fim do campeonato.
Nesse período, passou também pela Ferrari Driver Academy, programa de jovens pilotos da escuderia italiana ao qual ingressou em 2021. É justamente essa combinação de precocidade, títulos consecutivos e rápida adaptação a carros cada vez mais potentes que ajuda a explicar por que a Haas decidiu apostar nele em um contrato de vários anos.
“Chegar à Fórmula 1 é a realização de um sonho e um momento muito especial da minha carreira”, afirmou Câmara após a confirmação. “Mas sei que isso é apenas o começo.”
Do Recife para as pistas do mundo
Rafael Câmara nasceu em 5 de maio de 2005, no Recife. Filho do advogado Amaro Câmara e de Paula Câmara, cresceu em Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana.
O automobilismo não era exatamente estranho à família. Sua avó, Niege Rossiter, foi pioneira em competições automobilísticas no Recife. Rafael, por sua vez, começou a frequentar o kart inspirado pelo irmão mais velho.
Em 2011, aos seis anos, já andava em kart indoor. Poucos anos depois, a brincadeira havia se transformado em competição. Em 2016, começou a aparecer na SKUSA Super Master Series. Três anos depois, já acumulava vitórias frequentes na categoria.
O salto internacional ganhou força em 2021. Naquele ano, venceu a WSK Champions Cup e a WSK Super Master Cup em Adria, na Itália, além de conquistar uma prova da Champions of the Future, em Gand, na Bélgica. Os resultados chamaram a atenção do programa de desenvolvimento da Ferrari.
O terceiro brasileiro escolhido pela Ferrari
Câmara participou das finais mundiais de seleção da Scuderia Ferrari Driver Academy ainda com pouca experiência em monopostos. O desempenho foi suficiente para garantir uma vaga.
Ele se tornou o terceiro brasileiro a integrar o programa, depois de Enzo Fittipaldi e Gianluca Petecof. A partir dali, o caminho passou a ser acompanhado de perto por Maranello.
Em 2022, Câmara disputou a Fórmula 4 dos Emirados Árabes e a italiana pela Prema, além de algumas participações no campeonato alemão. Somando as três competições, conquistou nove vitórias. Terminou como vice-campeão nos Emirados e terceiro colocado tanto na Itália quanto na Alemanha.
Era o começo de uma sequência em que praticamente cada mudança de categoria foi acompanhada por uma disputa pelo título.
O primeiro grande título
Em 2024, ainda defendendo a Prema, Câmara transformou regularidade em campeonato. Na Fórmula Regional Europeia, venceu oito provas, conquistou cinco pole positions e acumulou pódios suficientes para assegurar o título com uma etapa de antecedência.
O resultado abriu a porta para a Fórmula 3 no ano seguinte. E a adaptação foi rápida. Correndo pela Trident, o brasileiro venceu as duas primeiras Feature Races de sua temporada de estreia, em Melbourne e Sakhir, ambas depois de largar na pole.
Vieram depois novas vitórias em Barcelona e Budapeste. O triunfo na Hungria garantiu o campeonato antes da última etapa.
Ao todo, foram quatro vitórias — todas nas corridas principais —, cinco pódios e quatro voltas mais rápidas. As cinco pole positions conquistadas em 2025 representaram ainda o maior número já registrado por um piloto em uma temporada da Fórmula 3.
O último fim de semana trouxe outro retrato da temporada: em Monza, Câmara saiu do fim do grid para terminar a Feature Race em quinto.
Da Fórmula 3 direto para a liderança da F2
O passo seguinte veio em 2026. Câmara subiu para a Fórmula 2 com a Invicta Racing e, novamente como estreante, chegou à parte final da temporada brigando pelo título.
Quando a contratação pela Haas foi anunciada, liderava o campeonato com 207 pontos, restando duas etapas. Já havia vencido as Feature Races da Espanha, Bélgica e Azerbaijão, além de somar seis pódios e cinco poles.
A sequência dá dimensão à velocidade da ascensão: campeão da Fórmula Regional em 2024, campeão da F3 em 2025 e líder da F2 no ano seguinte.
Na ficha acumulada durante sua passagem pela academia da Ferrari, aparecem 144 corridas, 24 vitórias e 25 pole positions. Mas os resultados nas categorias menores não foram o único critério para a chegada à Fórmula 1.
O teste que ajudou a convencer a Haas
O primeiro contato de trabalho entre Câmara e a Haas aconteceu em agosto. O brasileiro participou de um teste de carros anteriores, conhecido como TPC, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, Portugal. Pilotou o VF-25 e teve a oportunidade de mostrar como se comportava diante de um Fórmula 1, não apenas em velocidade, mas também na interação com engenheiros e na capacidade de adaptação.
Foi justamente esse segundo aspecto que chamou a atenção de Ayao Komatsu, chefe da equipe. Para o dirigente, Câmara mostrou mais do que velocidade pura durante o teste. Komatsu destacou a maneira como o brasileiro conseguiu construir as condições necessárias para extrair desempenho mesmo tendo pouco tempo para conhecer o carro.
“Ele mostrou que conseguia lidar muito bem com a situação”, afirmou o chefe da Haas. “Vimos mais do que velocidade.” A avaliação pesou na decisão de entregar a ele uma vaga para 2027.
Gene Haas, proprietário da equipe, também citou a experiência recente com jovens ligados à academia da Ferrari como referência para a escolha. Ollie Bearman percorreu caminho semelhante antes de chegar ao time.
Aos 21, o começo de outra história
Há algo de incomum na trajetória de Rafael Câmara não apenas pela idade, mas pela sequência. Ele não chega à Fórmula 1 amparado por um único campeonato de destaque. Nos últimos anos, acumulou títulos e avançou de categoria antes que cada conquista tivesse tempo de envelhecer.
Do kart no Recife vieram as provas internacionais. Da Fórmula 4, a Fórmula Regional. Depois, o título da F3 em sua estreia. Agora, enquanto ainda tenta terminar a temporada de Fórmula 2 com mais um troféu, já sabe onde estará no próximo ano.
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