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Davos 2026: Insights sobre Liderança Feminina e Futuro do Trabalho no Centro da Agenda Global

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Em um mundo fragmentado, marcado pela escalada das tensões globais e pelo ritmo acelerado das transformações tecnológicas, líderes do setor empresarial, de governos, da sociedade civil e dos campos científico e cultural se reuniram em Davos, na Suíça, para a 56ª edição do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, realizada nesta semana.
Criada há mais de 50 anos, a reunião sempre buscou cultivar um espírito de diálogo — ainda que, historicamente, mulheres e outros grupos sub-representados tenham ficado à margem das discussões mais estratégicas. Esse foi justamente o tema deste ano, “Um Espírito de Diálogo”, que propôs ampliar perspectivas e aprofundar questionamentos em um contexto de crescente polarização.
Temas como os impactos da inteligência artificial sobre os empregos, diversidade, inclusão e liderança feminina, saúde mental, além de mudanças climáticas e inovação, estiveram no centro dos debates. “Um ponto central foi consistente: o avanço sustentável da liderança feminina depende cada vez mais de ações sistemáticas e estratégicas, sustentadas por métricas, mecanismos e governança”, afirma Juliana Campos Noronha, Chief Innovation Officer do Todas Group, ecossistema voltado ao desenvolvimento de lideranças femininas em corporações da América Latina, que esteve no encontro.
“A mensagem que se repete em Davos é clara: não existe futuro sustentável sem reduzir desigualdades”, reforça Fabi Saad, fundadora da plataforma Mulheres Positivas, também in loco.
Como elas, outras lideranças femininas brasileiras marcaram presença em Davos, acompanharam plenárias, palestraram, contribuíram para discussões e também articularam agendas paralelas. Luana Ozemela, Chief Sustainability Officer do iFood e conselheira do Global Future Councils 2025, iniciativa do próprio Fórum, participou de painéis como o “Women in Power: Leadership in Capital and Global Influence”, que abordou a presença de mulheres em posições de decisão nos mercados de capitais e na economia global.
“A discussão em Davos vai muito além de tendências abstratas. O que está em jogo são decisões concretas sobre como as empresas vão se organizar, como o trabalho vai se transformar e qual será o papel da sustentabilidade e da governança em cenários cada vez mais complexos”, observa.
“Como mulher da Amazônia e executiva do mercado financeiro, levo para esses espaços globais a perspectiva de uma região estratégica para o futuro do planeta”, diz Ruth Helena Lima, CMO do Banco da Amazônia. A executiva participou de um painel promovido pela plataforma de liderança feminina Mulheres Inspiradoras, liderada por Geovana Quadros.
A seguir, lideranças femininas brasileiras destacam os temas que mais chamaram sua atenção durante painéis, plenárias e discussões em Davos.
Líderes devem promover diálogos
O encontro anual do Fórum Econômico Mundial reuniu líderes de diferentes regiões, setores e gerações sob o tema “Um Espírito de Diálogo”. “Vivemos em um mundo cada vez mais fragmentado, e o diálogo voltou a ocupar o centro das decisões globais”, afirma Fabi.
As discussões se concentraram em cinco grandes desafios globais: cooperação em um cenário de disputas geopolíticas, liberação de novas fontes de crescimento, investimento em pessoas, implementação responsável da inovação e construção de prosperidade dentro dos limites do planeta. “Estamos entrando em uma nova ordem global marcada por uma competição cada vez mais tensa entre grandes blocos de poder, o que amplia a incerteza, mas também exige lideranças mais estratégicas, colaborativas e diversas”, diz Luana.
O futuro vai além da tecnologia
Em meio aos avanços sem precedentes da tecnologia e da inteligência artificial, os valores humanos ganharam protagonismo nas discussões. “Ficou claro que o futuro do trabalho não será definido apenas por tecnologia e inteligência artificial, mas pela forma como líderes transformam impacto social, diversidade e sustentabilidade em decisões reais de negócio e governança”, afirma Geovana.
A ascensão da IA também acendeu alertas sobre o risco de ampliação das desigualdades. Enquanto permanecem acessíveis a um grupo restrito, para outra parcela dos profissionais — especialmente as mulheres — elas podem aprofundar desigualdades e ampliar o desemprego. “Sem diversidade na liderança e sem diálogo com quem está fora dos centros de poder, a tecnologia tende a ampliar desigualdades em vez de reduzi-las”, diz a fundadora do Mulheres Positivas.
Ainda assim, há espaço para otimismo. Segundo um estudo do próprio Fórum Econômico Mundial, até 2030, 170 milhões de novas funções devem ser criadas, enquanto 92 milhões serão eliminadas, resultando em um saldo líquido positivo de 78 milhões de empregos. “A IA tende a transformar funções e criar novas oportunidades, desde que seu desenvolvimento e adoção sejam intencionais e inclusivos, para que os ganhos de produtividade beneficiem a todos — e não apenas poucos”, afirma a CSO do iFood.
“O diferencial do trabalho do futuro é, mais do que nunca, humano”, resume Juliana, do Todas Group.

Olhar para as pessoas
Nesse contexto, os avanços da inteligência artificial provocam um questionamento central, como Fabi sintetiza: “Como crescer sem deixar as pessoas para trás?”
Para a CMO do Banco da Amazônia, a resposta está na forma como a inovação é conduzida. “Esses avanços só geram valor real quando acompanhados de lideranças capazes de integrar inovação com pessoas, territórios e propósito”, afirma.
“Não se trata mais de intenção ou discurso”, reforça a fundadora do Mulheres Inspiradoras. “Trata-se de quem consegue entregar resultados alinhando pessoas, propósito e performance. Nesse cenário, a liderança feminina latino-americana já está alguns passos à frente.”
Saúde mental é urgente e deixa de ser um tema isolado
Enquanto o debate sobre o futuro do trabalho costumava ser dominado por um viés futurista, esta edição do Fórum marcou uma mudança de paradigma. “As discussões trouxeram a urgência de olharmos para a epidemia de saúde mental que estamos vivendo”, observa a psicanalista Ana Lisboa, fundadora do Grupo Altis, que atua na interseção entre saúde mental e cultura organizacional. “Antes, o foco era aspectos legais e geopolíticos, e a saúde fiava em painéis separados. Hoje, em todos os painéis sobre trabalho se falava em saúde mental.”
Segundo a especialista, o Fórum reconheceu que demissões em massa impulsionadas pela IA, a pressão dos algoritmos e a precariedade contratual são riscos ocupacionais diretos, com impactos no burnout, na ansiedade e nos afastamentos dos profissionais. “Ficou claro que a crise de saúde mental deixou de ser uma questão individual para se tornar um desafio coletivo.”
Liderança feminina exige mudança estrutural, não soluções pontuais
Os principais painéis destacaram que o avanço sustentável de mulheres em posições de liderança ocorre quando o tema é tratado como um processo ligado ao negócio — com padrões, métricas e rotinas de gestão — e não como ações isoladas.
“A consistência e a longevidade são o que realmente movem o ponteiro dos resultados, já que empresas com liderança diversificada superam seus pares de forma consistente em inovação e produtividade”, afirma Juliana, do Todas Group.
“A liderança feminina deixa de ser uma pauta social e passa a ser uma pauta estratégica e econômica”, diz Fabi. “Mulheres têm sido chamadas a liderar justamente por essa capacidade de integrar crescimento, impacto social e tomada de decisão mais inclusiva.” Para Geovana, esse movimento resulta em “negócios mais resilientes, conectados às comunidades e atentos às transformações sociais”.
Paridade de gênero como imperativo econômico
Juliana aponta o investimento na paridade de gênero como um motor econômico estratégico. De acordo com um relatório de 2024 do Banco Mundial, eliminar a desigualdade de gênero poderia elevar o PIB global em mais de 20%, o que significaria dobrar a taxa de crescimento global na próxima década. “A mensagem que se repete em Davos é clara: não existe futuro sustentável sem reduzir desigualdades”, corrobora Fabi, do Mulheres Positivas.
Luana chama a atenção para duas transições centrais para a liderança contemporânea. “A agenda climática demanda uma nova roupagem, mais conectada a crescimento, inovação e bem-estar”, afirma. “A grande transferência de riqueza para as mulheres, um movimento silencioso, porém poderoso, tem potencial de redefinir padrões de consumo, investimento e poder econômico nas próximas décadas.”
Meritocracia exige mecanismos mensuráveis
“No painel The Future of Inclusion, a principal conclusão é que não há meritocracia sem critérios transparentes e consistentes de contratação, promoção e avaliação de desempenho”, diz Juliana, da Todas Group. “A recomendação prática foi direta: medir, diagnosticar e corrigir falhas, porque ‘o que não se mede, não se conserta’.”
A executiva reforçou, ainda, a importância de monitorar a composição da liderança. “Quando líderes passam a enxergar esse tema como parte do desempenho do negócio, há maior adesão em toda a empresa.” O painel citou a América Latina e destacou um case de sucesso do Reino Unido, que quase dobrou a presença feminina em conselhos de administração por meio da colaboração entre diversos setores e de metas claras, em vez de cotas rígidas.
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O Déficit de Competências Que Está Travando Carreiras em 2026
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O ambiente de trabalho está evoluindo mais rapidamente do que muitos profissionais imaginavam. Novas tecnologias, mudanças nas prioridades das empresas e nas expectativas dos clientes estão redefinindo o que os empregadores valorizam em praticamente todos os setores.
Embora a experiência continue sendo importante, manter as habilidades atualizadas tornou-se igualmente essencial para sustentar o crescimento da carreira. Identificar precocemente a chamada “dívida de habilidades” (skill debt) permite que o profissional permaneça competitivo e continue criando oportunidades ao longo da trajetória profissional.
Veja como a dívida de habilidades se desenvolve e o que você pode fazer para evitá-la:
O que acontece quando as habilidades deixam de acompanhar as exigências do trabalho
A dívida de habilidades surge quando as competências necessárias para uma função evoluem mais rapidamente do que o conhecimento ou a experiência do profissional.
Essa diferença costuma aparecer de forma gradual, à medida que novas ferramentas, processos e expectativas passam a fazer parte da rotina. É possível continuar desempenhando bem as responsabilidades atuais e, ainda assim, encontrar dificuldades para conquistar projetos maiores, cargos de liderança ou posições mais avançadas.
Uma das melhores maneiras de acompanhar essas mudanças é revisar regularmente anúncios de vagas para os cargos que você deseja ocupar no futuro. Observe quais qualificações, tecnologias e competências de negócios aparecem com frequência.
Essas tendências oferecem um direcionamento valioso para o seu desenvolvimento e ajudam a priorizar aprendizados que favorecem seus objetivos de longo prazo.
Por que experiência, sozinha, já não garante evolução
A experiência proporciona bom julgamento, conhecimento do setor e confiança. No entanto, o mercado atual também valoriza profissionais que continuam desenvolvendo novas competências ao longo da carreira.
As organizações estão se adaptando rapidamente aos avanços tecnológicos, e muitas funções agora exigem uma combinação mais ampla de conhecimento técnico, comunicação, colaboração e capacidade de resolver problemas.
A progressão profissional depende cada vez mais da capacidade de fazer a experiência evoluir junto com as necessidades do negócio. Em vez de confiar apenas nos anos de atuação, vale buscar oportunidades para aplicar novos métodos, participar de iniciativas multidisciplinares e fortalecer habilidades que complementem a experiência já adquirida.
Essa combinação torna a experiência ainda mais valiosa em um ambiente de trabalho em constante transformação.
Como as exigências de habilidades estão aumentando em todas as funções
As expectativas em relação às competências estão crescendo em praticamente todas as profissões, à medida que as empresas adotam novas tecnologias e reformulam a maneira como o trabalho é realizado.
Marketing, finanças, recursos humanos, operações, saúde e atendimento ao cliente exigem cada vez mais que os profissionais combinem conhecimento técnico da área com fluência digital, adaptabilidade e capacidade de colaboração. Até mesmo funções antes consideradas estáveis estão mudando com mais frequência, conforme as prioridades das empresas se transformam.
Acompanhar esse ritmo não significa dominar todas as novas ferramentas ou tendências. O mais importante é desenvolver as habilidades que aparecem de forma consistente no seu setor e buscar oportunidades para aplicá-las em projetos, trabalhos interdisciplinares ou programas de desenvolvimento profissional.
Uma postura contínua de aprendizado permite que suas competências evoluam junto com as exigências do mercado e aumenta sua preparação para futuras oportunidades.
Onde os profissionais ficam para trás sem perceber
A dívida de habilidades raramente surge porque as pessoas deixam de aprender. Na maioria das vezes, ela cresce porque as demandas do dia a dia deixam pouco espaço para avaliar se as competências atuais ainda correspondem à direção em que o mercado está caminhando.
Rotinas familiares e avaliações de desempenho positivas podem criar uma falsa sensação de segurança, enquanto as exigências profissionais continuam evoluindo.
Além disso, a pressão para acompanhar o trabalho diário reduz o tempo disponível para investir no desenvolvimento da carreira. Isso pode ajudar a explicar por que apenas 33% dos trabalhadores no mundo afirmam estar prosperando em seu bem-estar geral.
Reservar um momento a cada poucos meses para analisar tendências do setor, avaliar seu conjunto de habilidades e identificar novas oportunidades de aprendizado pode evitar que pequenas lacunas se transformem em obstáculos para o crescimento profissional.
Como reduzir a dívida de habilidades antes que ela limite seu crescimento
O primeiro passo é identificar quais competências terão maior impacto sobre seus objetivos futuros. Priorize as habilidades que aparecem de forma recorrente nas funções que deseja ocupar e procure oportunidades para desenvolvê-las por meio de projetos, treinamentos, mentoria ou trabalhos com equipes de diferentes áreas.
O aprendizado se torna ainda mais valioso quando é colocado em prática. Voluntarie-se para projetos desafiadores, peça feedback de colegas mais experientes e registre os resultados obtidos com as novas competências adquiridas. Cada habilidade desenvolvida aumenta seu valor profissional e amplia as possibilidades de contribuir de forma significativa.
No fim das contas, a dívida de habilidades não surge da noite para o dia — e o crescimento na carreira também não. Pequenos investimentos constantes em aprendizado ajudam o profissional a acompanhar as mudanças do mercado e ampliam as oportunidades ao longo da vida profissional.
Os profissionais que continuam evoluindo são, em geral, aqueles que permanecem curiosos, se adaptam às mudanças e tratam o aprendizado como parte permanente do trabalho. Cada nova habilidade fortalece sua capacidade de gerar valor, abre novas possibilidades e prepara o caminho para os próximos passos da carreira.
*Sho Dewan é coach de carreira, criador de conteúdo e CEO e fundador da Workhap.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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Santander Brasil Anuncia Daniel Bassan Como Vice-Presidente do SCIB
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O Santander Brasil anunciou Daniel Bassan como o novo vice-presidente do SCIB (Santander Corporate & Investment Banking), braço focado em serviços de atacado, banco de investimento e soluções financeiras para grandes empresas.
Até então, Bassan ocupava o cargo de CEO do UBS para Brasil e América Latina.
No Santander, o executivo também fará parte do comitê executivo do banco e irá se reportar localmente a Gilson Finkelsztain, presidente do banco no Brasil, e globalmente a José Maria Linares, chefe da divisão SCIB do grupo.
Com mais de 30 anos de carreira no setor financeiro, Bassan se formou em engenharia pela PUC-Rio e já passou por empresas como Credit Suisse e BTG Pactual.
O executivo assume o cargo no início de 2027. Até lá, Rafael Kappaz, atual chefe de tesouraria e mercados do Santander Brasil, segue como responsável pelo SCIB no país.
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Google Anuncia Mudanças na Liderança da Área de IA
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A Alphabet, empresa controladora do Google , anunciou, nesta quarta-feira (5), uma reformulação na liderança de sua divisão de inteligência artificial, com o chefe de IA Demis Hassabis deixando seu principal cargo de gestão e vários líderes do modelo Gemini, incluindo o engenheiro veterano Jeff Dean, deixando a empresa.
A reestruturação ocorre em um momento crucial para o Google DeepMind: a versão principal de seu mais recente modelo Gemini permanece inédita, apesar do lançamento planejado para junho, o que gera preocupações entre investidores e a indústria de que o Google esteja ficando para trás em relação a seus rivais Anthropic e OpenAI, que contrataram profissionais de destaque da área de IA do Google recentemente.
Hassabis, ganhador do Prêmio Nobel, assumirá o título recém-criado de cientista-chefe da Alphabet e deixará o cargo de presidente-executivo do Google DeepMind para se tornar presidente do conselho, conforme informou em um comunicado aos funcionários. Ele citou a proximidade da inteligência artificial geral (AGI), um estado avançado da IA em que os computadores se tornam essencialmente tão inteligentes quanto os humanos, como o motivo para sua mudança de função.
“[Hassabis] e eu temos discutido há muito tempo um cargo que lhe permita dedicar-se integralmente a moldar ativamente o futuro da IAG”, disse Sundar Pichai, presidente-executivo da Alphabet, em um memorando interno da empresa. “É um trabalho de vital importância para a Alphabet e para a humanidade, e não consigo imaginar pessoa melhor do que Demis para realizá-lo.”
Koray Kavukcuoglu, diretor de tecnologia da unidade, assumirá as responsabilidades do dia a dia. Ele ocupará o cargo de vice-presidente sênior, em vez de presidente-executivo, da unidade de negócios, além de sua função paralela como arquiteto-chefe de IA da Alphabet.
Dean, Sanjay Ghemawat, Oriol Vinyals e Quoc Le — alguns dos líderes mais famosos e aclamados da área de IA e engenharia do Google — deixaram a empresa para lançar uma startup chamada Discovery Loop, que se concentrará em pesquisas inovadoras em aprendizado de máquina, ciência e engenharia. A startup está estruturada como uma empresa de benefício público.
A Alphabet não forneceu detalhes sobre o que motivou as mudanças ou a coincidência de datas. Hassabis — que há muito prioriza a pesquisa em detrimento do lucro — irá explorar pesquisas e estratégias relacionadas aos impactos sociais da inteligência artificial geral e terá poucos subordinados diretos, disse um porta-voz do Google à Reuters.
Em seu memorando interno, Hassabis elogiou o “grande progresso” nos modelos de IA do Google, incluindo uma atualização ainda não lançada chamada Gemini 4.
Ele também afirmou em seu memorando que dedicaria mais tempo à Isomorphic Labs, uma empresa de descoberta de medicamentos que surgiu a partir da DeepMind, da qual ele é fundador e presidente-executivo.
“Sempre acreditei que a principal aplicação da IA deveria ser a melhoria da saúde humana”, disse ele. “É hora de a IA provar seu valor inequívoco para o mundo, e que melhor maneira de demonstrar isso do que ajudar a finalmente curar doenças como o câncer?”
Fuga de cérebros
Dean e Hassabis foram considerados as duas principais figuras da IA no Google durante anos, antes de a área se tornar o centro da inovação tecnológica.
Hassabis cofundou a DeepMind em 2010 e continuou a dirigir o laboratório em Londres após vendê-lo para o Google por cerca de US$ 650 milhões em 2014. Dean cofundou, em 2011, o Google Brain, uma unidade sediada nos EUA que ele liderou e que pesquisava IA separadamente da equipe de Hassabis. Nessa época, ele já era reverenciado dentro do Google, conhecido por sua colaboração com Ghemawat em muitos dos projetos de infraestrutura marcantes que ainda impulsionam a empresa hoje.
Em 2023, após o lançamento do ChatGPT da OpenAI pegar o Google de surpresa, Pichai anunciou a fusão da DeepMind e do Google Brain em uma nova organização chamada Google DeepMind. Hassabis foi nomeado presidente-executivo e Dean, cientista-chefe.
Até recentemente, Dean, Vinyals e Noam Shazeer lideravam o desenvolvimento do Gemini. Sob sua gestão, o Google lançou o Gemini 3 em novembro passado, que foi amplamente considerado pela indústria como uma redução na diferença em relação aos principais modelos da Anthropic e da OpenAI.
Mas os avanços subsequentes desses rivais, bem como o impulso para modelos chineses de código aberto mais baratos, colocaram o Google na defensiva. Na conferência anual de desenvolvedores do Google, em maio, Pichai e outros líderes do Google destacaram a vantagem de custo do Gemini, em vez de suas capacidades de ponta.
Shazeer foi para a OpenAI em junho, menos de dois anos depois de o Google ter pago bilhões para contratá-lo, juntamente com uma equipe de pesquisadores, da startup que ele liderava. Na mesma semana, o cientista pesquisador sênior John Jumper, que ganhou o Prêmio Nobel ao lado de Hassabis em 2024, anunciou que se juntaria à Anthropic.
Vinyals, Le e o ex-cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, foram coautores de um artigo de pesquisa de 2014 que se tornou fundamental para a pesquisa moderna em IA, ao estabelecer o conceito de que escalar os dados para “pré-treinar” sistemas de IA os levaria a novos patamares. A Discovery Loop recebeu investimento do Google e também firmou uma parceria com sua divisão de nuvem para fornecer capacidade computacional.
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