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CEOs Indicam Seus Livros Preferidos do Ano

Redação Informe 360

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

No balanço final de 2025, quando a agenda desacelera e as metas dão lugar às retrospectivas, muitos líderes encontram nos livros um espaço de pausa e reflexão. Para os executivos que integram a lista Forbes Melhores CEOs de 2025, mais do que hábito, a leitura é uma ferramenta estratégica de desenvolvimento, autoconhecimento e apoio para a tomada de decisão.

Entre clássicos da literatura brasileira, biografias de grandes empreendedores e reflexões sobre liderança, propósito e resiliência, essas obras ajudaram a organizar ideias, ampliar repertórios e olhar para o futuro com mais clareza.

A seguir, confira os melhores livros que acompanharam esses líderes ao longo do ano, e que servem de inspiração para fechar 2025 ou começar 2026 com novas perguntas, e não apenas respostas.

CEOs indicam seus livros favoritos do ano

Adriana Aroulho, CEO da SAP para América Latina e Caribe

Adriana Aroulho, CEO da SAP para América Latina e Caribe
Divulgação

Adriana Aroulho, CEO da SAP para América Latina e Caribe

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“Conversas que tive comigo”, de Nelson Mandela

“Ele oferece uma visão íntima e profunda sobre a jornada de Nelson Mandela, não apenas como líder político, mas como ser humano. A obra reúne reflexões pessoais, cartas e pensamentos que revelam coragem, resiliência e a capacidade de manter princípios mesmo diante das maiores adversidades. Para mim, é um lembrete poderoso de que liderança não se resume a autoridade, mas sim a empatia, integridade e propósito. Em um mundo que muda tão rápido, essas lições continuam atuais e essenciais.”

Alberto Kuba, CEO da WEG

Alberto Kuba, CEO da WEG
Divulgação/Raphael Gunther

Alberto Kuba, CEO da WEG

“Ambidestria Corporativa”, de Luis Rasquilha e Marcelo Veras

“O livro traz uma reflexão essencial: eficiência operacional e inovação são forças complementares e indissociáveis. Essa abordagem traduz com precisão o que vivemos na WEG: excelência no presente com olhos atentos ao futuro. É uma leitura que inspira líderes a conciliar entrega e transformação com consistência, responsabilidade e visão de longo prazo.”

Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux Brasil

Ana Célia Biondi
Victor Affaro

Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux Brasil

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“Os Flamingos”, de Rodrigo Duarte Garcia

“É uma delícia para começar o ano viajando por lugares incríveis em diferentes épocas. Vale a leitura.”

Augusto Martins, CEO da JHSF

Augusto Martins, CEO da JHSF
Diego Mello

Augusto Martins, CEO da JHSF

“Same as Ever”, de Morgan Housel

“Em um mundo obcecado por prever o futuro, o livro reforça algo em que acredito: os grandes resultados vêm principalmente da compreensão do que não muda. Disciplina, visão de longo prazo, qualidade, formação contínua e decisões bem fundamentadas atravessam qualquer ciclo. Na JHSF, crescemos e inovamos constantemente, mas sempre sustentados por valores inegociáveis. Esse livro traduz bem essa filosofia de construir com planejamento, coerência e foco no que é durável.”

Diego Barreto, CEO do iFood

Diego Barreto, CEO do iFood
Divulgação

Diego Barreto, CEO do iFood

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“O Lado Difícil das Situações Difíceis”, de Ben Horowitz

“O livro nos ajuda a refletir sobre os desafios da jornada empreendedora e como, nas situações difíceis enquanto empreendemos, é essencial ter uma visão clara, usar a transparência e o conflito produtivo para alcançar o que você deseja e vai atrás para conquistar.”

Edgard Corona, CEO da SmartFit

Edgard Corona
Diego Mello

Edgard Corona, CEO da SmartFit

“A máquina que pensa: Jensen Huang, Nvidia e o microchip mais cobiçado do mundo”, de Stephen Witt

“É um livro que fala sobre a resiliência de um empreendedor. Uma história de superação.”

Fernanda Hoe, CEO da Elanco Brasil

Fernanda Hoe, CEO da Elanco Brasil
Diego Mello

Fernanda Hoe, CEO da Elanco Brasil

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“Água Viva”, de Clarice Lispector

“É uma obra profundamente marcante, composta por uma sucessão de pensamentos, sensações e reflexões sobre a vida, o tempo e a criação artística. Com uma escrita que parece ‘pintar com palavras’, Clarice traduz sentimentos complexos com precisão e intensidade. É um livro que não oferece respostas prontas, mas amplia a escuta interna e nos reconecta com o instante.”

Lorice Scalise, CEO da Roche Farma Brasil

Lorice Scalise
Divulgação/Vivian Koblinsky

Lorice Scalise, CEO da Roche Farma Brasil

“Suor”, de Jorge Amado

“É incrível como um livro de quase 100 anos, escrito por um jovem de 22 anos, pode ser ainda tão atual, um retrato tão verdadeiro das multifacetas deste país-continente. Naquele cortiço do Pelourinho, cada personagem é, até hoje, um representante fiel da nossa sociedade. E só quando entendemos nossa sociedade, quando somos curiosos em compreendê-la, é que podemos pensar em contribuir para as mudanças que desejamos ver.”

Pedro Zannoni, CEO da Lacoste

Pedro Zannoni, CEO da Lacoste
Diego Mello

Pedro Zannoni, CEO da Lacoste

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“From Strength to Strength”, de Arthur C. Brooks

“É uma leitura muito acessível e que pode ajudar bastante executivos e empreendedores a se prepararem para a segunda metade da vida. O livro fala sobre como nossas capacidades e habilidades mudam com o tempo e como é essencial entender isso e se adaptar para continuar tendo sucesso — e também prazer — no que fazemos. Ele traz a ideia de transição do sucesso baseado em performance para um sucesso mais ligado a significado e impacto.”

“Greenlights”, de Matthew McConaughey

“Ainda estou terminando, mas também me marcou bastante. Gostei muito da forma como ele escreve — direta, honesta e cheia de histórias de vida. O livro traz a ideia de ‘greenlights’ como sinais de avanço que surgem mesmo após momentos difíceis. É uma leitura fácil, mas que faz pensar bastante sobre decisões, persistência e autoconhecimento.”

Sergio Zimmermann, CEO da Petz

Sergio Zimerman, CEO da Petz
Victor Affaro

Sergio Zimerman, CEO da Petz

“Um café com Sêneca: Um guia estoico para a arte de viver”, de David Fideler

“Achei o livro muito interessante por tratar do estoicismo, uma filosofia antiga que, de certa forma, sigo intuitivamente na minha vida. Ver que essas ideias já eram pensadas há tanto tempo gera uma identificação para mim.”

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Como KondZilla e Kaique Alves Querem Multiplicar Talentos da Periferia Pela Educação

Redação Informe 360

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

O que é preciso para transformar ambição em algo grande?

Para KondZilla, a resposta está na educação. Durante a primeira edição do Summit Under 30 da Forbes Brasil, realizada nesta quinta-feira (29), em São Paulo, o produtor contou como o investimento na formação de um jovem da periferia transformou não apenas sua carreira, mas também o futuro da produtora. A conversa abriu o evento da Forbes, que teve patrocínio de Omoda & Jaecoo e Johnnie Walker e parcerias oficiais de MCI e JW Marriott.

Criado na favela, no Rio de Janeiro, KondZilla cresceu cercado por professoras, o que lhe deu a oportunidade de ter acesso aos estudos desde cedo. Ele conta que foi a educação que abriu as portas para que pudesse potencializar aquilo que já tinha dentro de si. “Minha mãe faleceu com 46 anos de idade e deixou um seguro de vida para mim. Eu e meu irmão decidimos investir todo esse recurso: peguei o dinheiro e vim estudar computação gráfica em São Paulo.”

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Foi assim que ele decidiu transformar um universo que conhecia tão bem em uma oportunidade de negócio. “O funk foi o veículo de mobilidade social para praticar o que estudamos”, conta. Por meio do YouTube, KondZilla ajudou a impulsionar MCs das comunidades de São Paulo.

O funk vivia um momento de ascensão como nunca antes. Dentro das comunidades, jovens se dividiam entre dois sonhos. Ou jogar futebol profissionalmente ou se tornar MC. Um deles era Kaique Alves, que, aos 14 anos, definiu uma meta: gravar e editar videoclipes para os colegas que estavam entrando no mundo da música.

Da periferia de São Paulo, ele encontrou uma oportunidade na própria força de vontade. Estudou sozinho, recorrendo a tutoriais na internet e dedicando horas à pesquisa e à prática. “Na época, eu vendia videoclipes para MCs por R$ 500. Ganhava R$ 2.500 por semana. Já estava ganhando mais que os meus pais, morando na favela.” Kaique foi o responsável por impulsionar o famoso Passinho do Romano, que se tornou um fenômeno no país em 2014.

Foi nessa época que seu trabalho chamou a atenção de KondZilla, por meio de uma reportagem da GloboNews. “Fui entrevistar o Kaique e perguntei o que ele queria fazer na produtora. Aí ele me devolveu a pergunta: ‘O que você quer fazer com o meu talento?’. Falei: ‘Tá contratado’.”

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Bruna AlbinoKondZilla, produtor e empresário

Mesmo muito jovem, Kaique não se contentava em sonhar pequeno. Queria ser o melhor editor e videomaker. Para isso, precisaria investir na melhor formação possível.

“Como o Kaique trabalhou em cima do meu sonho de empreender, eu quis sonhar o sonho dele também”, disse KondZilla durante o Summit. O produtor investiu, então, em cursos de inglês e na formação em cinema de Kaique. Logo, ele começou a editar videoclipes de artistas como MC Livinho, MC Kevin, Hariel e Kevinho – incluindo “Olha a Explosão”, que alcançou 1,1 bilhão de visualizações no YouTube, tornando-se o segundo videoclipe mais assistido do país.

Aos 18 anos, Kaique foi para os Estados Unidos estudar na New York Film Academy e em Los Angeles, enquanto ainda editava videoclipes. Também participou de campanhas para grandes marcas, como Coca-Cola, Budweiser e Adidas. Ao todo, o investimento em sua educação chegou a meio milhão de reais.

“Eu queria ganhar dinheiro, mudar de vida e sair da favela. Depois, entendi que nasci para criar, para ser artista. Isso é o que me motiva a acordar todo dia e criar coisas novas”, afirma Kaique.

De editor, ele passou a diretor, intraempreendedor e então sócio da KondZilla, que hoje reúne em seu portfólio não apenas videoclipes musicais, mas também diferentes unidades de negócio. A estrutura inclui a gravadora e produtora de shows Nova Era GR6, a KZLB (voltada a séries, filmes e documentários) e áreas de publicidade e de editora.

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A produtora também acumula projetos no audiovisual, incluindo o filme “Escola da Quebrada”, indicado ao Emmy, videoclipes indicados quatro vezes ao Grammy Latino, campanhas publicitárias reconhecidas em Cannes e duas séries na Netflix: “Sintonia”, apontada como a série brasileira mais assistida da plataforma, e “Raul”, com estreia prevista para o final de 2026.

“Quando você pega um projeto que custa milhões, é outro game. É mais sobre gestão de pessoas do que propriamente sobre o seu talento”, finaliza Kaique.

Bruna AlbinoKaique Alves, sócio da KondZilla

Na educação de quem você pode investir hoje?

Para KondZilla, o sucesso não se constrói sozinho: é preciso levar outras pessoas junto. Ao longo dessa trajetória, uma pergunta passou a orientar suas decisões: “Como é que a gente multiplica os Kaiques nas periferias? Como multiplica os KondZillas?”.

Hoje, a produtora mantém o Instituto KondZilla, uma organização não-governamental que tem como objetivo oferecer “educação para a favela vencer”. A iniciativa já formou mais de 2 mil jovens e oferece 200 bolsas de estudo integrais para cursos de graduação na Uniasselvi. O instituto também disponibiliza um auxílio de custo de R$ 500 para os jovens.

“É muito importante ter um mentor para você chegar aonde quer chegar. Eu acho que essa é a lição dessa palestra: o que mudou a nossa vida foi a educação. Então, em quem vocês precisam investir dentro da empresa de vocês? Que talentos vocês precisam olhar mais?”, finaliza KondZilla.

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Mover Anuncia Mafoane Odara Como Nova CEO

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O MOVER (Movimento pela Equidade Racial), que reúne 60 empresas e trabalha para promover a equidade racial no ambiente corporativo, anunciou Mafoane Odara como nova CEO. “Meu compromisso é fortalecer a articulação, ampliar o impacto das iniciativas e acelerar mudanças que se traduzam em maior presença de pessoas negras nos espaços de liderança e decisão”, afirma a executiva.

Ela sucede Natália Paiva, que passará a integrar o conselho deliberativo da organização a partir de janeiro de 2027. “Encerro este ciclo com a convicção de que esse trabalho precisa continuar avançando”, afirma Natália, que vai se dedicar às atividades empresariais na consultoria estratégica Alandar, da qual é cofundadora e CEO.

Mestre em psicologia social pela USP (Universidade de São Paulo), Mafoane Odara soma mais de duas décadas de carreria. Já atuou como líder de recursos humanos para a América Latina na Meta, diretora de pessoas, cultura e transformação na Zamp e gerente do Instituto Avon.

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A executiva também atua em conselhos de organizações da sociedade civil e como professora em instituições de educação executiva, como Fundação Dom Cabral, Saint Paul e IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).

Em 2026, Mafoane foi reconhecida pela segunda vez como professora mais marcante do LideraGOV, programa de desenvolvimento de lideranças públicas do Governo Federal, e recebeu o prêmio Mulheres que Inspiram, da Procuradoria do Estado de São Paulo.

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Tá com Pressa? Vá com Calma

Redação Informe 360

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Hoje à tarde percebi que não havia nada urgente na minha agenda. Eu podia escolher no que focar. A sensação é rara – não me lembro da última vez que a tive –, e foi justamente por ser rara que ela me fez voltar a algumas decisões que tomei para chegar até aqui.

A calma vem primeiro, como objetivo inegociável de vida, porque a ansiedade atrasa. A pressa faz esbarrar, distrair, atropelar. Quem corre refaz mil vezes a mesma tarefa e ainda arrisca derrubar um pote de azeitonas no chão bem na hora de sair de casa, espalhando óleo e aquele cheiro peculiar pelo ambiente. Falo com conhecimento de causa. Não só azeitona, mas também mel e azeite.

O antídoto é exercitar a presença: a concentração no que está nas mãos, seja a xícara que você pega, seja o texto que escreve. Uma coisa por vez, ainda que alterne entre elas a cada porção de minutos. Quando percebo que começo a me agitar, ou que parece ter muita coisa acontecendo ao mesmo tempo ao meu redor, respiro e olho onde estou, onde estão meus pés, minhas mãos. Bem básico mesmo. Lição um da aula de meditação.

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A atenção precisa ser liderada – e sugiro que seja por você. Desligue as notificações, se for o caso, mas decida quem pode interromper e em que momento. Reagir a cada mensagem do WhatsApp e a cada alerta das redes sociais como se fossem ordens de um chefe enlouquece qualquer pessoa. Ou você controla seus dispositivos, ou eles controlam você e te deixam, no fim do dia, à beira de um ataque de nervos, com o cansaço de quem fez tudo e a sensação de não ter feito nada.

Eu não tenho notificações de WhatsApp nem de redes sociais. Só vejo quem me mandou mensagem ou curtiu um post quando entro nos aplicativos de propósito. As pessoas próximas, que podem precisar falar comigo com mais frequência, sabem que, se for urgente, a melhor forma de me encontrar é ligando.

Raramente desligo o celular, mas não me distraio de uma conversa olho no olho nem do que estou fazendo porque uma mensagem apareceu na tela bloqueada. A tela bloqueada só me lembra que tenho um filho fofo que enche meu coração de alegria. Em momentos de silêncio e disponibilidade acima da média, como nesta tarde, uso o clássico método Pomodoro: escolho no que me concentrar por 25 minutos, depois me distraio por 5. Já aprendi que, se não aproveitar bem o tempo, ele se esvai e leva junto a sensação boa de conquista que me acompanhava algumas horas antes.

Eleger prioridades é diferente de enxugar a lista. Cortar de dez para seis tarefas parece um avanço, mas não resolve quando o tempo disponível comporta duas. Pense numa mudança de uma casa de seis quartos para outra de um único dormitório. Ali, a pergunta que importa é do que você precisa essencialmente. O essencial vai. O resto fica.

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Há momentos em que a vida pede uma troca de ângulo, e teimar que tudo é importante não aumenta o tamanho da casa nova. Quem se adapta à realidade mais cedo vive melhor – este é o prêmio, pessoal e intransferível. Hoje tenho tempo para cozinhar e cuidar da casa, e praticamente não trabalho no fim de semana, só quando é realmente necessário. Continuo trabalhando 14, 16 horas quando preciso, mas sei por que e para que faço, quando faço. Não é inércia, reflexo da agenda alheia nem falta de organização.

Por fim, vale criar um sistema para separar o urgente do que é apenas importante: pode esperar, mas não pode ser esquecido. O meu é simples. Faço listas e deixo mensagens não lidas no WhatsApp. Funciona porque volto a elas algumas vezes por dia, principalmente ao começar e antes de encerrar o trabalho, para ver se alguma pendência subiu para a lista de urgências. Ser uma pessoa confiável para si é gerenciar as pendências em vez de abandoná-las, decidindo a urgência de cada uma e o momento em que ela entra na sua vida sem atropelar o resto.

Algumas pendências acabarão esquecidas, inevitavelmente. Quando ressurgirem, o jeito é pedir desculpas a quem foi afetado, assumir a responsabilidade e seguir em frente, com novos combinados e atenção redobrada sobre o assunto. Vira e mexe esqueço de responder alguém que me procurou no WhatsApp. Já esqueci de mandar proposta. Mas não sou do tipo que esquece de ligar no dia do aniversário, depois lembra e, de vergonha, não liga nunca mais. Retomo e digo: desculpe, esqueci.

Já aceitei que sou humana, já entendi que não preciso me provar a cada interação e tenho lidado melhor com minhas imperfeições – o que, ironicamente, tem me dado a sensação de evoluir em menos tempo. É como dizer que tenho tido menos pressa e, por isso, tenho avançado mais rápido.

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Escrevi esta coluna para me lembrar do que já decidi. Do que já pratico há muitos anos. Prática à qual atribuo a paz que tem me acompanhado na vida. Para me lembrar de que lembrar é sempre necessário, porque o jogo da disciplina nunca está ganho – e disciplina nada mais é do que falhar, oscilar e ter para onde voltar.

Faz tempo que desisti de desistir. A única opção é seguir em frente. Com a menor quantidade possível de vidros de azeitonas, mel ou azeite quebrados pelo caminho.

Ariane Abdallah é jornalista, autora do livro “De um gole só – a história da Ambev e a criação da maior cervejaria do mundo” e fundadora do Atelier de Conteúdo, empresa especializada na produção de livros, artigos e estudos de cultura organizacional.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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