Negócios
A Brasileira Que Lidera a Expansão Global do Canva na Era da IA

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Há uma década no Vale do Silício, a brasileira Gabriela Belo Soares, de 38 anos, já passou por empresas como Google, LinkedIn, Walmart e PayPal. Hoje, atua como líder global de produtos do Canva, plataforma global de comunicação visual e design.
A executiva é responsável por adaptar a experiência do usuário em diferentes mercados globais e integrar a IA por trás da ferramenta. “Isso envolve modificações no produto, desde incluir o Pix como forma de pagamento até criar templates otimizados para o WhatsApp”, diz em entrevista à Forbes, durante sua passagem pelo Brasil, segundo maior mercado do Canva em volume de usuários, atrás apenas dos Estados Unidos.
A vinda ao país foi apenas uma das paradas desde que assumiu o cargo há quase um ano, em outubro de 2025. Baseada na Califórnia, Gabriela lidera uma equipe de 30 pessoas ao redor do globo. “Temos equipes na América Latina, mas o time central fica em Sydney, na Austrália, e meus desenvolvedores ficam em Pequim, na China.”
Na era da IA, a empresa enfrenta um novo desafio: integrar modelos de inteligência artificial à rotina dos mais de 260 milhões de usuários ativos mensais em todo o mundo, que vão de pequenos empresários e estudantes até criadores de conteúdo. “A competição é grande. Hoje, todas as IAs fazem um pouco de tudo”, diz. “Mas nosso foco é colocar a IA por trás das ferramentas existentes para ajudar o usuário a alcançar seus objetivos mais rápido.”
O caminho até a carreira internacional
Apesar de hoje ser apaixonada pela troca com pessoas ao redor do mundo, a carreira internacional em empresas de tecnologia nem sempre esteve nos planos de Gabriela. Nascida em São Paulo, a executiva formou-se em administração pela FEA (Faculdade de Economia e Administração), na USP (Universidade de São Paulo). “Era o curso clássico de quem não sabe o que vai fazer”, brinca. “Achava interessante a ideia de trabalhar com empresas, marcas e produtos. Mas imaginava que ficaria no marketing, porque gostava do conceito de vender ideias e criar comportamentos.”
Sua carreira começou na consultoria BCG (Boston Consulting Group), onde desenhou fluxos para bancos digitais e gerenciou programas de otimização financeira durante quatro anos. Foi durante o período na consultoria que a tecnologia cruzou seu caminho. “Fiquei encantada, achei muito diferente do trabalho que eu tinha com produtos físicos”, lembra. “Já tinha trabalhado um tempo na Kibon, e essa parte era muito mais sobre como vender o sorvete do que como fazer. Na tecnologia é muito mais sobre construir o produto digital.”
Movida pela ideia de aprender a montar um produto digital, ela mudou-se para a Califórnia para cursar um MBA na UC Berkeley. “Na época, o cargo de gestora de produtos era muito novo, e a Califórnia era a grande referência para isso.”
Foi até lá só para aprender, mas acabou ficando no país pelo mercado de trabalho. “Não era exatamente um objetivo inicial fazer carreira internacional, mas me apaixonei pela indústria.”
Durante o processo para conseguir o visto de trabalho, precisou abrir mão de algumas posições e empresas. “Tinha receio das questões de imigração, e isso talvez tenha atrasado a minha carreira em dois anos.” Após concluir o MBA em 2018, conseguiu um emprego na equipe de Business Operations and Strategy no Google, onde depois assumiu o cargo de líder de operações e estratégia de produto.
A carreira internacional, no entanto, veio com seus próprios desafios. “O estilo de trabalho foi um choque cultural. A cultura de almoçar junto ou dedicar os primeiros cinco minutos da reunião para uma troca pessoal não existe nos EUA. Tudo tem uma agenda prévia e tudo é documentado.”
Mas nada que o jeitinho brasileiro não pudesse resolver. “Nos feedbacks, as pessoas dizem que minha entrada deixou o ambiente mais leve. Mesmo quando os números caem ou projetos dão errado, a gente dá risada e segue em frente”, diz. “Lidar bem com a ambiguidade, tomar riscos, experimentar coisas novas e comunicar bem — tanto quando dá certo quanto quando dá errado — me ajudou muito.”
Liderança feminina em tecnologia
Ao longo da carreira, Gabriela contou com exemplos de mulheres na liderança que guiaram seu caminho. “No Google, a CFO e a líder do YouTube eram mulheres; na Microsoft, a CFO também”, afirma. “Antes eu ficava apontando quando havia outra mulher na sala; hoje isso nem passa pela minha cabeça. Antigamente a liderança feminina ficava mais restrita ao marketing e finanças, mas hoje cresce muito em produtos.”
Apesar dos avanços graduais, o mercado de tecnologia ainda é desigual, especialmente entre os fundadores das empresas. “É uma questão do Venture Capital ainda investir desproporcionalmente mais em homens. As mulheres chegam à liderança, mas as donas e fundadoras ainda são raras exceções”, diz. “No Canva temos uma fundadora, a Melanie Perkins, mas sabemos que ainda é uma exceção.”
Um dos conselhos que deixaria para si mesma no início de carreira, e agora passa para as novas gerações de mulheres na tecnologia, é pedir mais. “Negociem salários, peçam mais responsabilidade, mentoria, feedback e promoção. Às vezes não pedimos o suficiente”, afirma. “É preciso se posicionar e entregar resultados para merecer esse espaço, mas peçam, porque vocês trabalham duro e provavelmente merecem.”
Essa é uma das lições que quer deixar para sua própria filha. “Também espero que ela encontre um mercado de trabalho mais flexível, inteligente e acolhedor.”
Hoje, além do trabalho e da maternidade, Gabriela aproveita o tempo livre para ler, se divertir com desafios de lógica, como Sudoku e jogos da memória, e testar novas receitas na cozinha. “Agora estou aprendendo a fazer comida indiana com um toque de sabor brasileiro”, conta. É o seu próprio jeito de se conectar com culturas ao redor do mundo quando não está trabalhando.
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STF Iguala Direitos de Licença-Maternidade para Mães Biológicas e Adotivas
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O STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu nesta quarta-feira (23) um marco importante para os direitos das mulheres e a equidade no mercado de trabalho. Por unanimidade, a Corte determinou a equiparação dos direitos entre mães biológicas e adotivas no que diz respeito à licença-maternidade.
A partir de agora, todas terão direito aos 120 dias de afastamento remunerado, prorrogáveis por mais 60 dias, independentemente do tipo de filiação.
A regra unificada passa a valer de forma idêntica tanto para profissionais CLT quanto para servidoras públicas.
Até então, leis estatutárias limitavam a licença de mães adotantes do setor público a prazos menores, como 90 ou até 30 dias, dependendo da idade da criança adotada.
A contagem da licença pode ser iniciada a partir do 9º mês de gestação, do parto, da adoção ou da guarda, prevalecendo o que ocorrer por último (incluindo a alta hospitalar). A nova regra já se aplica a licenças em andamento.
Contudo, o STF negou o pedido que permitiria o compartilhamento do período de licença entre o casal, transferindo para o Congresso Nacional a responsabilidade de legislar sobre a divisão da licença parental no núcleo familiar.
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Quem É Klaus Zellmer, Novo CEO da Volvo com Carreira na Porsche e na Skoda
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A Volvo Cars escolheu Klaus Zellmer, veterano executivo do Grupo Volkswagen e atual chefe da Skoda Auto, como seu próximo presidente e CEO. Zellmer traz um currículo impressionante de décadas de experiência, abrangendo liderança nos segmentos premium e de grande volume da indústria automotiva — uma combinação que o conselho da Volvo claramente considera relevante enquanto a montadora sueca tenta proteger seu posicionamento premium ao mesmo tempo em que melhora a economia da eletrificação.
O presidente do conselho da Volvo, Eric Li, afirmou que Zellmer combina experiência internacional com um histórico de liderança de organizações durante “transformações e mudanças nas condições de mercado”.
“Estou muito satisfeito em ingressar na Volvo Cars em um momento tão importante no desenvolvimento da empresa”, disse Zellmer em um comunicado à imprensa, citando a reputação duradoura da Volvo em segurança e sua identidade de marca clara. Ele sucederá Håkan Samuelsson no mais tardar em 1º de outubro de 2027, dando à Volvo um período de transição incomumente longo enquanto a empresa prepara uma das maiores ofensivas de produtos de sua história.
A Skoda Auto é uma importante fabricante de automóveis tcheca e uma das empresas automotivas mais antigas do mundo, com sede em Mladá Boleslav, na República Tcheca. Tornou-se subsidiária do Grupo Volkswagen da Alemanha em 1991 e hoje pertence integralmente ao Grupo VW.
Zellmer lidera a Skoda desde julho de 2022, período em que a marca tcheca do Grupo Volkswagen ganhou participação de mercado, ampliou sua linha de veículos elétricos e apresentou resultados financeiros incomumente notáveis para uma fabricante de grande volume. Em 2025, as vendas globais da Skoda cresceram 13%, para mais de 1 milhão de veículos — o primeiro retorno da marca acima desse patamar desde 2019.
O resultado financeiro foi igualmente notável. A Skoda registrou receita de € 30,1 bilhões (US$ 34,0 bilhões) em 2025, alta de 8,3%, e lucro operacional de € 2,5 bilhões (US$ 2,8 bilhões), avanço de 8,6%, resultando em uma margem operacional de 8,3%. Esse é o tipo de disciplina de margem que a Volvo gostaria de reproduzir, já que a margem operacional ajustada da Volvo foi de 3,5% na mesma comparação.
Sob a liderança de Zellmer, a Skoda também fez progressos consideráveis no desafiador mercado europeu de veículos elétricos — a marca vendeu 123.756 veículos 100% elétricos na Europa em 2025. O novo Skoda Elroq foi o segundo veículo elétrico mais vendido da Europa, atrás do Tesla Model Y, enquanto o Enyaq ficou em quinto lugar.
Nos primeiros sete meses de 2026, a Skoda tornou-se a segunda marca mais vendida da Europa, atrás apenas da principal marca de automóveis de passeio da Volkswagen, com vendas em alta de 8,9%, para 533.748 veículos. Esses resultados sugerem que os pontos fortes de Zellmer vão além do planejamento de produtos: ele ajudou a transformar uma marca tradicionalmente focada em valor em uma operação mais assertiva globalmente e financeiramente mais resiliente.
“Klaus Zellmer desempenhou um papel importante na formação da Škoda ao longo dos últimos anos. Um exemplo recente é o Skoda Epiq, parte da Electric Urban Car Family. Respeitamos sua decisão pessoal de iniciar um novo capítulo em sua carreira e desejamos a ele todo o sucesso no futuro”, disse Thomas Schäfer, presidente do Conselho de Supervisão da Skoda Auto e chefe do Brand Group Core, em comunicado da empresa.
O mesmo comunicado trouxe declarações de Zellmer: “Os últimos anos na Skoda Auto foram um período extraordinário e marcante para mim. Ao lado de uma equipe única e dedicada, fortalecemos a marca, entramos em novos mercados e estabelecemos a Skoda como uma das marcas automotivas mais bem-sucedidas da Europa. Esse sucesso se deve, acima de tudo, às pessoas da Skoda — à paixão, à expertise e ao comprometimento delas todos os dias. Gostaria de agradecer, do fundo do coração, a todos os Skodians por isso, assim como pela confiança e pela excelente colaboração. Agora chegou o momento de assumir um novo desafio fora do Grupo Volkswagen. A Skoda e as pessoas por trás dessa marca extraordinária sempre terão um lugar especial na minha vida profissional.”
Antes de liderar a Skoda, Zellmer passou mais de duas décadas na Porsche em cargos seniores nas áreas comercial, de marketing e regionais. Foi CEO da Porsche Alemanha de 2010 a 2015 e depois atuou como presidente e CEO da Porsche Cars North America, em Atlanta, de 2015 a 2020. Sua passagem pela América do Norte coincidiu com um período de crescimento sustentado da Porsche, com as vendas nos Estados Unidos subindo de 51.756 veículos em 2015 para o recorde de 61.568 em 2019.
Zellmer assume uma marca com ativos consideráveis: uma reputação incomumente forte em segurança, uma identidade de design escandinavo distinta, produção global e o respaldo financeiro da Geely. Mas há desafios. A empresa anunciou recentemente planos para 13 novos veículos até 2030, seu programa de produtos mais otimista da história. A Volvo também precisa administrar as complexas linhas de produtos ocidentais e chinesas, à medida que tarifas, regras regulatórias, expectativas locais de software e escolhas dos consumidores dividem cada vez mais o setor automotivo em blocos regionais.
O histórico de Zellmer na Skoda sugere que ele entende como combinar disciplina de custos, ampla oferta de conjuntos motrizes e adequação entre produto e mercado. A questão maior é se essas lições de uma marca de volume — e suas credenciais premium adquiridas na Porsche — podem ajudar a Volvo a transformar planos ambiciosos de eletrificação em margens maiores, vendas mais fortes e uma posição mais clara em um mercado de luxo que está sendo rapidamente remodelado.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com
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Cargos de Liderança São Só 1,5% das Vagas para Pessoas com Deficiência
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Apenas 1,5% das vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcDs) ofertam posições técnicas e gerenciais, aponta levantamento inédito da startup Egalite. O levantamento considera dados de 116 mil profissionais cadastrados e mais de 19 mil vagas ativas no portal Inclui PcD, da própria startup, especializada em projetos para empregabilidade de pessoas com deficiência.
As empresas destinam grande parte das vagas para posições operacionais, que representam 98,5% dos postos de trabalho. Por outro lado, o levantamento aponta que 31% de todas as candidaturas espontâneas desses profissionais são direcionadas para posições gerenciais e técnicas.
Embora esses dados apontem para um cenário desafiador, a pesquisa destaca um avanço nas organizações empenhadas na inclusão e no crescimento efetivo desses profissionais.
Metade das organizações analisadas no portal Inclui PcD já disponibiliza todas as suas vagas, desde posições de entrada até cargos de liderança e especialistas, para pessoas com deficiência, superando a exigência legal de cotas.
Um dos fundadores da Egalite e embaixador e CEO da Rede Empresarial de Inclusão Social, Djalma Scartezini aponta que a maioria das vagas de trabalho é para cargos operacionais, pois o varejo é a base da pirâmide e, por isso, disponibiliza maior quantidade de postos de trabalho.
“Não existem cargos de liderança na mesma proporção que cargos de entrada”, diz Djalma Scartezini.
Contudo, o diretor executivo reconhece que existe uma falta de vagas de gerência destinada à população PcD. “Eu sendo um executivo com deficiência também não estou contente de ver poucos pares com deficiência em cargos de direção. O que eu acho que é positivo é que tem avançado esse número.”
Ele cita a última feira Inclui PcD, uma iniciativa da Egalite, que abriu 19 mil vagas para pessoas com deficiência, das quais quase 4 mil eram cargos para especialistas, coordenadores e primeiros estágios de liderança.
Outro dado relevante da pesquisa demonstra que a pretensão salarial mediana de candidatos PcD é de R$ 1.450, valor abaixo do salário mínimo em vigor (R$ 1.621). O dado revela que os trabalhadores muitas vezes chegam aos processos seletivos cobrando menos do que o que é de direito.
Muitas vezes esse cenário se dá por um viés de mercado que utiliza marcadores identitários – como deficiência, gênero, raça e orientação sexual – para desqualificar as pessoas. Como aponta Scartezini, frequentemente, as próprias vagas oferecidas a PcDs já são disponibilizadas com valores de remuneração reduzidos em relação aos parâmetros de mercado.
Uma outra barreira enfrentada por trabalhadores com deficiência é o recuo de postos de trabalho no modelo home office. De acordo com dados da Inclui PcD, o percentual de vagas remotas e híbridas sofreu queda de 28,4% em 2024 para somente 0,8% em 2026.
“O modelo de trabalho remoto remove barreiras cruciais de mobilidade urbana e transporte público inacessível para pessoas com deficiência física”, explica o CEO da Egilate, Guilherme Braga.
Além disso, para profissionais neurodivergentes, o ambiente de casa atua como um regulador sensorial, possibilitando a gestão de estímulos do ambiente, a adaptação do espaço de trabalho e a diminuição da sobrecarga social.
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