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Saúde

O que é a perimenopausa e como afeta as mulheres?

Redação Informe 360

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Menos falada, a perimenopausa é a fase precedente da menopausa, que causa sintomas físicos e emocionais desconfortáveis.

Fisiologicamente falando, o corpo de uma mulher passa por muitas fases ao longo de sua trajetória. Podemos ter como marco inicial a menarca, o primeiro ciclo menstrual que inaugura a puberdade e a fase reprodutiva feminina. A perimenopausa é a próxima fase.

A partir daí, cuidados e desafios podem ser enfrentados como a Tensão Pré-Menstrual (TPM), a experimentação de variados métodos contraceptivos e exames de rotina. Mas será que para por aí? Ao que tudo indica, não. Discute-se bastante sobre a menopausa, mas existe um período igualmente importante: a perimenopausa.  

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mulher se abanando pelo calor da menopausa
A maioria das mulheres na perimenopausa vai vivenciar as ondas de calor por um período de um a dois anos. Crédito: Fizkes/Istock

O que é a perimenopausa?

A perimenopausa é a fase de transição da vida reprodutiva da mulher até a menopausa, ou seja, é uma fase precedente. Ela acontece porque o processo de declínio hormonal, embora previsto e natural, não se dá de uma hora para outra, nem de maneira gradativa, mas sim por meio de oscilações que acontecem quando os ovários começam a produzir menos estrogênio e progesterona. 

Não há consenso, a perimenopausa pode começar aos 40 anos, mas para algumas mulheres pode se iniciar antes ou após essa idade. A duração também é variada, podendo contabilizar meses, ou até mesmo uma década. 

Segundo o artigo “Perimenopausa: da pesquisa à prática“, publicado no site PubMed Central, entre os sintomas estão os ciclos irregulares – uma mulher pode ficar três ou quatro meses em restrição e depois voltar a menstruar – as queixas vasomotoras, também conhecidas como os calores súbitos, insônia, suores noturnos e ressecamento vaginal.

Além dos sintomas físicos, há também os de ordem psíquica. A flutuação nos níveis hormonais causa alterações na memória, atenção, velocidade de processamento, aumento da ansiedade e humor deprimido. 

Perimenopausa e menopausa são doenças?

Em outro artigo científico sobre o tema, escrito pelas profissionais de saúde Sonia Maria Garcia Vigeta e Ana Cristina Passarela Brêtas, é apontado que a partir de 1920 “o modelo biomédico passou a definir a menopausa como escassez da produção de estrogênio, terminando por constituir-se numa doença de privação hormonal reforçada pelas publicações especializadas ou leigas”.

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No entanto, esse conceito foi desmantelado ao longo tempo, uma vez que tanto a perimenopausa, quanto a menopausa não são patologias, mas sim uma condição biológica universal. Todo caso, uma parcela das mulheres pode enfrentar sintomas desagradáveis e existem algumas opções de tratamento para amenizar esses quadros.

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é uma delas. Trata-se de uma composição de hormônios sintéticos, que imitam o estrogênio e a progesterona, e pode ser indicada por ginecologistas para pacientes que tenham sintomas acentuados. Pode ser administrado via comprimidos, adesivos, injeções e géis de uso tópico. 

É preciso uma avaliação prévia da paciente, levando em conta doenças crônicas e históricos familiares, uma vez que a TRH tem contraindicações. Ou seja, pode ser uma boa opção, mas não é indicada para todo mundo. 

menopausa
A falta de sono é mais comum na perimenopausa, mas também é uma condição do processo de envelhecimento. Imagem: shutterstock/fizkes

Outra alternativa são os fitoterápicos, medicamentos regulamentados que têm em sua base plantas medicinais. Um deles é a isoflavona, composto natural da soja com estrutura semelhante à do hormônio estrogênio. “A indicação das isoflavonas é feita em decorrência da sua atividade estrogênica fraca, é muito menos potente do que o estrogênio sintético”, afirma o estudo. 

Embora tenha menos contraindicações, também só deve ser utilizada após avaliação de um profissional de saúde. Aliás, a depender dos sintomas da perimenopausa, profissionais de nutrição, endocrinologia e psicologia também podem ser muito úteis durante essa fase. 

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Outro caminho defendido como tratamento para a perimenopausa é um estilo de vida mais saudável. Isto inclui reduzir ou abolir o uso de bebidas alcoólicas e cigarro, aderir à prática de atividade física, ter uma alimentação equilibrada e adotar práticas de relaxamento como yoga e meditação, uma vez que ansiedade e irritabilidade são queixas constantes nessa fase da vida feminina. 

Qual a diferença entre menopausa e pós-menopausa?

A perimenopausa, como vimos, é um período de transição e oscilação hormonal. Já a menopausa é a fase seguinte, quando a mulher deixa definitivamente de menstruar, e isto ocorre após 12 meses sem a presença de nenhum sangramento.

A partir daí, a mulher começa a viver a pós-menopausa, um período de regulação hormonal em que o corpo geralmente já se adaptou à redução de produção de estrogênio e progesterona.

Mesmo que nos últimos anos tenha crescido o debate sobre o tema, essas fases cíclicas femininas ainda são vistas como um tabu por se tratar de um tema íntimo e que envolve a sexualidade.

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No entanto, também se trata de um tema universal. Quanto mais as mulheres se informarem sobre essas fases do corpo feminino, mais ferramentas poderão ter para passar por esses ciclos com mais suporte e tranquilidade. 

As informações presentes neste texto têm caráter informativo e não substituem a orientação de profissionais de saúde. Consulte um médico ou especialista para avaliar o seu caso.

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Uma célula do cérebro pode ajudar a evitar danos do Alzheimer

Redação Informe 360

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Um estudo publicado na Nature Genetics encontrou um subtipo de célula imune do cérebro que pode ajudar a conter danos associados ao Alzheimer. Para chegar ao resultado, pesquisadores analisaram mais de 830 mil células de 1.607 doadores, com diferentes idades e níveis de alterações relacionadas à doença.

O trabalho, conduzido pela Icahn School of Medicine at Mount Sinai, mostra que essas células mudam ao longo do envelhecimento e da progressão do Alzheimer. Uma população específica de microglia, principal defesa imunológica do cérebro, chamou a atenção dos cientistas.

Pessoa acamada com duas mulheres olhando-a em pé e, à frente, um médico segurando exames de tomografia cerebral
A pesquisa identificou seis subclasses e 13 subtipos de células imunes no cérebro ligados ao envelhecimento e ao Alzheimer. Imagem: peakSTOCK/iStock

Um mapa das defesas do cérebro

Os pesquisadores analisaram células imunes de origem mieloide, que se formam na medula óssea e migram para o sistema nervoso. O conjunto incluía microglia e macrófagos perivasculares, envolvidos na regulação da resposta imunológica.

As células vieram do córtex pré-frontal dos 1.607 doadores. A partir desse material, foram identificadas seis subclasses, reunindo 13 subtipos diferentes.

O mapeamento permitiu acompanhar as mudanças dessas populações durante o envelhecimento e conforme as alterações associadas ao Alzheimer avançavam.

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Células ficam mais ativas contra danos

Uma das populações identificadas aumenta à medida que o Alzheimer progride. Os dados indicam que esse subtipo de microglia não parece agravar os danos cerebrais. Seu comportamento aponta para o caminho contrário: as células passam a englobar e eliminar com maior eficiência materiais considerados nocivos.

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A equipe encontrou ainda uma via molecular envolvendo as proteínas TREM2, MITF e GPNMB. Ela é necessária para manter a microglia nesse estado protetor.

Testes com tecidos humanos e modelos de camundongos indicaram que os efeitos benéficos dependem da sinalização de TREM2.

“Nosso estudo fornece a visão mais clara até o momento de como as células imunológicas do cérebro se adaptam durante o envelhecimento e a doença de Alzheimer”, afirmou Donghoon Lee, professor assistente de Genética e Ciências Genômicas e de Psiquiatria na Icahn School of Medicine at Mount Sinai e autor principal do trabalho.

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Ilustração de cérebro se desfazendo igual nuvem para representar neurodegeneração da Doença de Alzheimer
O estudo sugere uma mudança de foco: fortalecer as defesas naturais do cérebro pode complementar estratégias contra o Alzheimer. – Imagem: Naeblys/Shutterstock

O que isso muda para os tratamentos

Os resultados ajudam a explicar por que variantes de genes ligados ao sistema imunológico, como TREM2 e APOE, estão associadas a um risco maior de Alzheimer.

Entre os resultados do trabalho estão:

  • Análise de mais de 830 mil células imunes;
  • Identificação de seis subclasses e 13 subtipos;
  • Detecção de uma população de microglia com possível efeito protetor;
  • Participação de TREM2, MITF e GPNMB na manutenção desse estado;
  • Identificação de potenciais alvos para retardar a progressão da doença.

“Ao identificar as células imunológicas específicas que parecem proteger o cérebro e analisar os sinais moleculares dos quais elas dependem, descobrimos novos alvos potenciais para terapias voltadas a retardar a progressão da doença de Alzheimer”, disse Lee.

A descoberta sugere uma frente terapêutica que vai além das placas de proteína amiloide: reforçar as defesas imunológicas que o próprio cérebro já possui.

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Alzheimer raro: estrutura da proteína ajuda a explicar hemorragias no cérebro

Redação Informe 360

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Pesquisadores descobriram uma dobra inédita nos filamentos de beta-amiloide ligada a uma forma extremamente rara de Alzheimer. A estrutura pode explicar por que a proteína se concentra nos vasos sanguíneos e está associada a hemorragias cerebrais.

O estudo analisou tecidos cerebrais de dois pacientes com a mutação Flemish no gene precursor da beta-amiloide (APP). A alteração foi encontrada em duas famílias e outros dois indivíduos e costuma provocar a morte no fim dos 50 anos.

estudo alzheimer
A ciência encontrou uma nova peça para entender um tipo raro de Alzheimer: uma dobra da beta-amiloide que favorece sua interação com vasos – Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Uma forma que ninguém tinha visto

Os pesquisadores examinaram amostras cerebrais dos dois pacientes após a morte. Cada um pertencia a uma das famílias conhecidas com essa forma de demência.

Para enxergar os filamentos, foi usada microscopia eletrônica criogênica (cryo-EM), técnica que permite observar estruturas em resolução próxima à escala atômica. O resultado revelou uma configuração específica em formato de Z, nunca identificada antes.

A geometria pode ser uma peça importante para entender o comportamento da proteína. Nesse caso, os filamentos tendem a se concentrar ao redor dos vasos sanguíneos.

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O papel dos vasos

A dobra deixa exposto um aminoácido chamado F20. Segundo os pesquisadores, essa característica pode facilitar o contato dos filamentos com componentes das paredes dos vasos.

É justamente aí que aparece uma das consequências mais graves da doença: a angiopatia amiloide cerebral (CAA). A condição envolve o depósito de beta-amiloide nos vasos e está relacionada a hemorragias no cérebro.

A origem da estrutura também foi identificada. A mutação Flemish retira um único grupo metila da beta-amiloide, no resíduo 21. Essa mudança parece favorecer a formação da dobra em Z.

“Nossos resultados revelam como a perda de um grupo metila no resíduo 21 dá origem a uma dobra de Aβ com tropismo vascular”, escreveram os pesquisadores.

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A maneira única como a proteína se enovela afeta os filamentos amiloides que ela cria.
Nem toda proteína amiloide se comporta da mesma forma. No Alzheimer raro estudado, sua estrutura pode ajudar a explicar hemorragias cerebrais. – Imagem: Khaki et al., Nat. Struct. Mol. Biol., 2026

Uma proteína menos propensa a se agrupar

Há um detalhe curioso nesse mecanismo. Estudos anteriores mostraram que a beta-amiloide produzida pela mutação tem menor tendência a se agregar em laboratório. Mesmo assim, quando os depósitos aparecem no cérebro, o dano pode ser tão intenso quanto no Alzheimer convencional.

Em organismos vivos, a mutação Flemish produz os maiores e mais estáveis núcleos de placas observados na doença. A interação dessas estruturas com os vasos pode ajudar a explicar seu potencial de dano.

  • A mutação Flemish está ligada a uma forma hereditária extremamente rara de Alzheimer;
  • Os filamentos de beta-amiloide assumem uma dobra em Z inédita;
  • O formato expõe o resíduo F20 e pode favorecer a interação com vasos;
  • A mutação remove um grupo metila no resíduo 21;
  • A doença está associada à CAA e a hemorragias cerebrais.

O que falta descobrir

Ainda não está claro como essa nova estrutura participa diretamente da destruição cerebral que leva à demência. Os próximos estudos deverão investigar esse mecanismo em modelos celulares e animais.

Leia mais:

“Estudos futuros devem investigar se a dobra Flemish altera a semeadura, a propagação ou a neurotoxicidade em modelos celulares ou animais.”

Também será preciso descobrir se princípios estruturais semelhantes aparecem em outras formas hereditárias ou esporádicas de Alzheimer.

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Perder visão no espaço preocupa agências antes de viagens à Lua

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Astronautas podem sofrer alterações nos olhos durante missões prolongadas no espaço. Para investigar o problema, a Agência Espacial Europeia (ESA) contratou a startup britânica Siloton para desenvolver um dispositivo capaz de monitorar a saúde ocular longe da Terra.

A tecnologia usa recursos quânticos para miniaturizar componentes de equipamentos oftalmológicos. A proposta é permitir exames frequentes sem depender de especialistas em solo, algo importante para futuras viagens à Lua e outras missões de longa duração.

scanner óptico Siloton
A tecnologia criada para astronautas também pode melhorar exames de retina feitos por pacientes em casa na Terra. – Imagem: Divulgação/Siloton

O que acontece com os olhos no espaço?

A condição é conhecida como síndrome neuro-ocular associada ao voo espacial (SANS). Ela reúne alterações nos olhos e no cérebro provocadas pela permanência prolongada em ambientes de baixa gravidade e afeta cerca de 70% dos astronautas da Estação Espacial Internacional, segundo a NASA.

Um caso marcante é o do astronauta da NASA John Phillips. Ele partiu para a estação em 2005 com visão 20/20 e retornou seis meses depois com 20/100, considerado um comprometimento visual moderado.

Sem a gravidade, fluidos corporais podem se acumular na cabeça, comprimindo os olhos, provocando inchaço no nervo óptico e empurrando a retina para a frente.

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Um exame compacto para o espaço

Os astronautas já são monitorados na Estação Espacial Internacional com uma versão adaptada de um equipamento usado em consultórios de optometria. O aparelho mede a espessura das camadas na parte posterior do olho, mas é volumoso e exige orientação de especialistas na Terra.

Leia mais:

Em missões mais distantes, os atrasos na comunicação podem tornar esse modelo inviável. A solução da Siloton pretende automatizar parte do processo, permitindo que os próprios astronautas façam os exames.

A empresa já trabalha com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) para permitir que pacientes com problemas na retina realizem exames em casa. “A ESA praticamente tem os mesmos requisitos”, afirma Euan Allen, cofundador e diretor de tecnologia da Siloton. “É só em um ambiente totalmente diferente.”

A tecnologia reúne componentes de exames oftalmológicos em um chip fotônico menor que uma moeda. Com avaliações mais frequentes, a ESA espera obter mais dados e identificar possíveis alterações antes que elas provoquem mudanças na visão.

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A saúde dos olhos virou uma preocupação nas futuras missões à Lua e em viagens espaciais ainda mais longas Imagem: Alones – Shutterstock

Ainda há obstáculos pela frente

Levar o equipamento para uma espaçonave também envolve desafios práticos:

  • Encontrar uma alternativa às baterias, que representam risco de incêndio;
  • Definir onde acomodar o equipamento;
  • Manter a cabeça do astronauta posicionada durante o exame;
  • Automatizar o procedimento para reduzir a necessidade de suporte em solo.

Para Rebecca Evernden, diretora da Agência Espacial do Reino Unido, “a condição ocular SANS é um sério risco à saúde dos astronautas em missões longas”.

Allen, porém, tem confiança no projeto. A Siloton já testa sua tecnologia com pacientes de 80 anos que apresentam dificuldades de visão. Para ele, astronautas jovens e treinados tendem a lidar melhor com o procedimento.

O desenvolvimento pode ainda beneficiar quem está na Terra. Segundo Allen, as soluções criadas para o espaço podem melhorar o dispositivo destinado ao NHS, enquanto os avanços obtidos para uso doméstico também podem contribuir para a tecnologia espacial.

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