Saúde
É possível evitar uma gripe? Veja 8 cuidados para se proteger

Comum principalmente nos meses mais frios, a gripe pode afetar pessoas de todas as idades, mas representa maior risco para crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e indivíduos com o sistema imunológico comprometido. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3,5 milhões de pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença.
Diante desse cenário, surge uma dúvida frequente: seria possível evitar a gripe? A boa notícia é que, com alguns cuidados simples e eficazes, é possível reduzir bastante o risco de contágio. A seguir, você confere oito atitudes que ajudam a se proteger.

Sim, é possível prevenir a gripe, embora o termo mais adequado seja “reduzir o risco” de contágio, já que nenhum método oferece proteção absoluta. A forma mais eficaz de prevenção é a vacinação anual, que protege contra os vírus influenza mais comuns em circulação, mesmo com mutações sazonais.
Segundo o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a vacina é segura, reduz internações e mortes, e é recomendada especialmente para grupos de risco, como idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Além da vacinação, medidas simples como lavar as mãos frequentemente, cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir, manter os ambientes ventilados e evitar contato com pessoas gripadas ajudam a diminuir a transmissão do vírus. Adotar hábitos saudáveis, como boa alimentação e hidratação, também fortalece o sistema imunológico.

Veja 8 cuidados para se proteger contra a gripe
Use máscara em hospitais
Hospitais concentram pessoas com diferentes doenças, incluindo infecções respiratórias. O risco de transmissão de vírus como o da gripe é maior nesses ambientes, especialmente para pessoas com imunidade comprometida.
Por isso, recomenda-se o uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais e por quem circula em hospitais, para evitar a propagação de doenças transmitidas por gotículas. Além disso, a higiene das mãos é fundamental para reduzir o risco de infecções hospitalares.

Redobre os cuidados ao varrer casas, quintais ou calçadas
Ao varrer superfícies, você pode lançar partículas virais e outros microrganismos no ar. Estudos comprovam que a varrição de pisos contaminados pode gerar aerossóis com vírus, aumentando o risco de inalação e infecção, especialmente em locais fechados.
Prefira métodos de limpeza úmida, use aspirador de pó quando possível e utilize máscara para reduzir a exposição a agentes infecciosos.
Fique atento ao “bafo” da chuva
Quando a chuva fria atinge o solo quente, ela libera vapor que pode carregar microrganismos do solo. Apesar de não haver provas diretas de que esse vapor cause gripe, ele pode aumentar a exposição a agentes infecciosos.
Para evitar esse “bafo”, mantenha o solo úmido e sombreado, diminuindo a concentração de partículas em suspensão.

Evite contato com pessoas doentes
As gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar transmitem a gripe com facilidade. Ao manter distância de quem apresenta sintomas gripais, você reduz o risco de contágio. Se o contato for inevitável, use máscara e peça para a outra pessoa também usar.
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Higienize bem as mãos, alimentos e superfícies
Microrganismos se escondem facilmente nas mãos, nos alimentos do dia a dia, nos objetos que você toca e nas superfícies da casa, como pias, mesas e cadeiras.
Para se proteger, lave bem as mãos com água e sabão, higienize frutas, verduras e legumes com água corrente e hipoclorito de sódio, limpe com frequência objetos de uso comum, como embalagens de leite, e mantenha as superfícies sempre limpas. Esses cuidados simples ajudam a prevenir a transmissão de doenças.

Evite aglomerações
Locais com muitas pessoas, especialmente se forem fechados e mal ventilados, facilitam a transmissão do vírus. Sempre que puder, fuja de aglomerações – especialmente em períodos de maior circulação do vírus.
Tome a vacina contra a gripe todos os anos
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a gripe. Como o vírus sofre mutações frequentes, as vacinas são atualizadas anualmente. Ao se vacinar, você reduz as chances de infecção e, caso fique doente, os sintomas tendem a ser mais leves e com menos complicações.

Evite tocar o rosto com frequência
Evite tocar o rosto com frequência para prevenir doenças. Ao longo do dia, você encosta as mãos em diversas superfícies que podem estar contaminadas com vírus, bactérias e fungos. Quando leva os dedos aos olhos, nariz ou boca, você facilita a entrada desses agentes no corpo.
Por isso, além de lavar bem as mãos antes das refeições, mantenha o hábito de não as levar ao rosto sem as higienizar. Se precisar coçar os olhos, o nariz ou colocar os dedos na boca, lave as mãos antes com água corrente e sabão.
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Saúde
Uma célula do cérebro pode ajudar a evitar danos do Alzheimer

Um estudo publicado na Nature Genetics encontrou um subtipo de célula imune do cérebro que pode ajudar a conter danos associados ao Alzheimer. Para chegar ao resultado, pesquisadores analisaram mais de 830 mil células de 1.607 doadores, com diferentes idades e níveis de alterações relacionadas à doença.
O trabalho, conduzido pela Icahn School of Medicine at Mount Sinai, mostra que essas células mudam ao longo do envelhecimento e da progressão do Alzheimer. Uma população específica de microglia, principal defesa imunológica do cérebro, chamou a atenção dos cientistas.

Um mapa das defesas do cérebro
Os pesquisadores analisaram células imunes de origem mieloide, que se formam na medula óssea e migram para o sistema nervoso. O conjunto incluía microglia e macrófagos perivasculares, envolvidos na regulação da resposta imunológica.
As células vieram do córtex pré-frontal dos 1.607 doadores. A partir desse material, foram identificadas seis subclasses, reunindo 13 subtipos diferentes.
O mapeamento permitiu acompanhar as mudanças dessas populações durante o envelhecimento e conforme as alterações associadas ao Alzheimer avançavam.
Células ficam mais ativas contra danos
Uma das populações identificadas aumenta à medida que o Alzheimer progride. Os dados indicam que esse subtipo de microglia não parece agravar os danos cerebrais. Seu comportamento aponta para o caminho contrário: as células passam a englobar e eliminar com maior eficiência materiais considerados nocivos.
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A equipe encontrou ainda uma via molecular envolvendo as proteínas TREM2, MITF e GPNMB. Ela é necessária para manter a microglia nesse estado protetor.
Testes com tecidos humanos e modelos de camundongos indicaram que os efeitos benéficos dependem da sinalização de TREM2.
“Nosso estudo fornece a visão mais clara até o momento de como as células imunológicas do cérebro se adaptam durante o envelhecimento e a doença de Alzheimer”, afirmou Donghoon Lee, professor assistente de Genética e Ciências Genômicas e de Psiquiatria na Icahn School of Medicine at Mount Sinai e autor principal do trabalho.

O que isso muda para os tratamentos
Os resultados ajudam a explicar por que variantes de genes ligados ao sistema imunológico, como TREM2 e APOE, estão associadas a um risco maior de Alzheimer.
Entre os resultados do trabalho estão:
- Análise de mais de 830 mil células imunes;
- Identificação de seis subclasses e 13 subtipos;
- Detecção de uma população de microglia com possível efeito protetor;
- Participação de TREM2, MITF e GPNMB na manutenção desse estado;
- Identificação de potenciais alvos para retardar a progressão da doença.
“Ao identificar as células imunológicas específicas que parecem proteger o cérebro e analisar os sinais moleculares dos quais elas dependem, descobrimos novos alvos potenciais para terapias voltadas a retardar a progressão da doença de Alzheimer”, disse Lee.
A descoberta sugere uma frente terapêutica que vai além das placas de proteína amiloide: reforçar as defesas imunológicas que o próprio cérebro já possui.
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Saúde
Alzheimer raro: estrutura da proteína ajuda a explicar hemorragias no cérebro

Pesquisadores descobriram uma dobra inédita nos filamentos de beta-amiloide ligada a uma forma extremamente rara de Alzheimer. A estrutura pode explicar por que a proteína se concentra nos vasos sanguíneos e está associada a hemorragias cerebrais.
O estudo analisou tecidos cerebrais de dois pacientes com a mutação Flemish no gene precursor da beta-amiloide (APP). A alteração foi encontrada em duas famílias e outros dois indivíduos e costuma provocar a morte no fim dos 50 anos.

Uma forma que ninguém tinha visto
Os pesquisadores examinaram amostras cerebrais dos dois pacientes após a morte. Cada um pertencia a uma das famílias conhecidas com essa forma de demência.
Para enxergar os filamentos, foi usada microscopia eletrônica criogênica (cryo-EM), técnica que permite observar estruturas em resolução próxima à escala atômica. O resultado revelou uma configuração específica em formato de Z, nunca identificada antes.
A geometria pode ser uma peça importante para entender o comportamento da proteína. Nesse caso, os filamentos tendem a se concentrar ao redor dos vasos sanguíneos.
O papel dos vasos
A dobra deixa exposto um aminoácido chamado F20. Segundo os pesquisadores, essa característica pode facilitar o contato dos filamentos com componentes das paredes dos vasos.
É justamente aí que aparece uma das consequências mais graves da doença: a angiopatia amiloide cerebral (CAA). A condição envolve o depósito de beta-amiloide nos vasos e está relacionada a hemorragias no cérebro.
A origem da estrutura também foi identificada. A mutação Flemish retira um único grupo metila da beta-amiloide, no resíduo 21. Essa mudança parece favorecer a formação da dobra em Z.
“Nossos resultados revelam como a perda de um grupo metila no resíduo 21 dá origem a uma dobra de Aβ com tropismo vascular”, escreveram os pesquisadores.

Uma proteína menos propensa a se agrupar
Há um detalhe curioso nesse mecanismo. Estudos anteriores mostraram que a beta-amiloide produzida pela mutação tem menor tendência a se agregar em laboratório. Mesmo assim, quando os depósitos aparecem no cérebro, o dano pode ser tão intenso quanto no Alzheimer convencional.
Em organismos vivos, a mutação Flemish produz os maiores e mais estáveis núcleos de placas observados na doença. A interação dessas estruturas com os vasos pode ajudar a explicar seu potencial de dano.
- A mutação Flemish está ligada a uma forma hereditária extremamente rara de Alzheimer;
- Os filamentos de beta-amiloide assumem uma dobra em Z inédita;
- O formato expõe o resíduo F20 e pode favorecer a interação com vasos;
- A mutação remove um grupo metila no resíduo 21;
- A doença está associada à CAA e a hemorragias cerebrais.
O que falta descobrir
Ainda não está claro como essa nova estrutura participa diretamente da destruição cerebral que leva à demência. Os próximos estudos deverão investigar esse mecanismo em modelos celulares e animais.
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“Estudos futuros devem investigar se a dobra Flemish altera a semeadura, a propagação ou a neurotoxicidade em modelos celulares ou animais.”
Também será preciso descobrir se princípios estruturais semelhantes aparecem em outras formas hereditárias ou esporádicas de Alzheimer.
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Saúde
Perder visão no espaço preocupa agências antes de viagens à Lua

Astronautas podem sofrer alterações nos olhos durante missões prolongadas no espaço. Para investigar o problema, a Agência Espacial Europeia (ESA) contratou a startup britânica Siloton para desenvolver um dispositivo capaz de monitorar a saúde ocular longe da Terra.
A tecnologia usa recursos quânticos para miniaturizar componentes de equipamentos oftalmológicos. A proposta é permitir exames frequentes sem depender de especialistas em solo, algo importante para futuras viagens à Lua e outras missões de longa duração.

O que acontece com os olhos no espaço?
A condição é conhecida como síndrome neuro-ocular associada ao voo espacial (SANS). Ela reúne alterações nos olhos e no cérebro provocadas pela permanência prolongada em ambientes de baixa gravidade e afeta cerca de 70% dos astronautas da Estação Espacial Internacional, segundo a NASA.
Um caso marcante é o do astronauta da NASA John Phillips. Ele partiu para a estação em 2005 com visão 20/20 e retornou seis meses depois com 20/100, considerado um comprometimento visual moderado.
Sem a gravidade, fluidos corporais podem se acumular na cabeça, comprimindo os olhos, provocando inchaço no nervo óptico e empurrando a retina para a frente.
Um exame compacto para o espaço
Os astronautas já são monitorados na Estação Espacial Internacional com uma versão adaptada de um equipamento usado em consultórios de optometria. O aparelho mede a espessura das camadas na parte posterior do olho, mas é volumoso e exige orientação de especialistas na Terra.
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Em missões mais distantes, os atrasos na comunicação podem tornar esse modelo inviável. A solução da Siloton pretende automatizar parte do processo, permitindo que os próprios astronautas façam os exames.
A empresa já trabalha com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) para permitir que pacientes com problemas na retina realizem exames em casa. “A ESA praticamente tem os mesmos requisitos”, afirma Euan Allen, cofundador e diretor de tecnologia da Siloton. “É só em um ambiente totalmente diferente.”
A tecnologia reúne componentes de exames oftalmológicos em um chip fotônico menor que uma moeda. Com avaliações mais frequentes, a ESA espera obter mais dados e identificar possíveis alterações antes que elas provoquem mudanças na visão.

Ainda há obstáculos pela frente
Levar o equipamento para uma espaçonave também envolve desafios práticos:
- Encontrar uma alternativa às baterias, que representam risco de incêndio;
- Definir onde acomodar o equipamento;
- Manter a cabeça do astronauta posicionada durante o exame;
- Automatizar o procedimento para reduzir a necessidade de suporte em solo.
Para Rebecca Evernden, diretora da Agência Espacial do Reino Unido, “a condição ocular SANS é um sério risco à saúde dos astronautas em missões longas”.
Allen, porém, tem confiança no projeto. A Siloton já testa sua tecnologia com pacientes de 80 anos que apresentam dificuldades de visão. Para ele, astronautas jovens e treinados tendem a lidar melhor com o procedimento.
O desenvolvimento pode ainda beneficiar quem está na Terra. Segundo Allen, as soluções criadas para o espaço podem melhorar o dispositivo destinado ao NHS, enquanto os avanços obtidos para uso doméstico também podem contribuir para a tecnologia espacial.
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