Tecnologia
Malware criado com IA marca nova fase do cibercrime

A Check Point Software anunciou nesta quarta-feira (21) a identificação de um novo tipo de ameaça digital que pode indicar uma mudança relevante na forma como o cibercrime passa a explorar a inteligência artificial (IA). O framework, chamado de VoidLink, foi descrito como um dos primeiros exemplos de malware avançado amplamente gerado com apoio de IA, capaz de acelerar etapas que antes exigiam grandes equipes e longos períodos de desenvolvimento.
De acordo com a divisão de pesquisa da empresa, a Check Point Research (CPR), o VoidLink ainda estava em fase inicial e não chegou a ser utilizado em ataques ativos. Mesmo assim, o caso chama a atenção por mostrar como a tecnologia já permite que um único agente desenvolva uma plataforma de malware sofisticada em poucos dias, reduzindo barreiras técnicas e ampliando o potencial de escala para ações cibernéticas de alta complexidade.

VoidLink e a virada no uso da IA pelo cibercrime
- Historicamente, o uso de inteligência artificial por cibercriminosos se concentrava em tarefas pontuais, como automação simples ou adaptação de códigos já existentes.
- Segundo a CPR, a maioria dos exemplos anteriores de malware com apoio de IA apresentava baixo nível técnico ou dependia fortemente de ferramentas de código aberto.
- O VoidLink, no entanto, se diferencia por apresentar uma estrutura modular e organizada, com um nível de planejamento que costuma ser associado a operações bem financiadas.
- A análise dos pesquisadores indicou que, ao contrário do que parecia à primeira vista, o framework pode ter sido criado por um único indivíduo, que utilizou a IA não apenas para escrever trechos de código, mas também para planejar, estruturar e conduzir todo o projeto.

A IA como acelerador do desenvolvimento de malware
Um dos pontos destacados pela Check Point é o papel da IA como “multiplicador de força” para atacantes. As evidências apontam que a tecnologia foi usada para montar cronogramas, definir especificações, orientar testes e facilitar a rápida iteração do sistema malicioso.
Processos que antes demandavam meses de trabalho coletivo teriam sido comprimidos em menos de uma semana até alcançar um estágio funcional. Para os pesquisadores, isso indica que a barreira de entrada para a criação de ameaças cibernéticas avançadas está sendo reduzida de forma significativa, o que pode tornar ataques complexos mais acessíveis e frequentes.
Eli Smadja, gerente de grupo de pesquisas da CPR, afirmou que a velocidade de desenvolvimento foi o aspecto mais marcante do caso. Segundo ele, a IA permitiu que um único ator planejasse e evoluísse uma plataforma sofisticada em dias, algo que antes exigia recursos e coordenação de equipes inteiras.
Reflexos para a segurança das empresas
A descoberta do VoidLink é vista como um sinal de alerta para organizações que dependem de estratégias tradicionais de defesa digital. Com a possibilidade de ameaças sendo criadas e ajustadas em ritmo acelerado, a empresa defende que a segurança corporativa passe a priorizar prevenção, inteligência de ameaças em tempo real e resposta mais ágil.
A CPR ressalta que a cibersegurança não pode mais se basear apenas em ações reativas após a detecção de um ataque. A dinâmica imposta pelo uso de IA na criação de malware exige visibilidade contínua e ferramentas capazes de operar na velocidade das máquinas.
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Um novo cenário para o panorama de ameaças
Para a Check Point, o VoidLink vai além da identificação de um único framework. O caso indica que a chamada era do malware gerado por IA já saiu do campo teórico e começou a se materializar, ainda que em estágios iniciais.
Nesse contexto, compreender como os atacantes utilizam a inteligência artificial passa a ser um passo central para o desenvolvimento de defesas mais eficazes. A empresa destaca que inovação em segurança e prevenção precisam evoluir juntas para acompanhar a transformação no ecossistema de ameaças digitais.
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Samsung começa a trocar OneDrive pelo Google Fotos e muda como celulares Galaxy sincronizam fotos e vídeos

A Galeria, app da Samsung, começou a receber nova integração com o Google Fotos, que substitui o sistema de backup pelo Microsoft OneDrive. A novidade começou a ser liberada para alguns usuários após atualizações dos aplicativos envolvidos e traz algumas restrições importantes.
A Samsung havia confirmado no início da semana que substituiria a integração de backup com o OneDrive pela sincronização com o Google Fotos. Na ocasião, porém, o recurso ainda não estava disponível. Agora, a novidade começou a ser distribuída.
A atualização do aplicativo Galeria está chegando a alguns usuários após atualizações dos aplicativos Gallery Sync e Samsung Cloud. Segundo o 9to5Google, a versão 15.9.01.7 da Galeria parece ser a responsável por ativar a sincronização, embora outros aplicativos também participem do funcionamento do recurso.
Como funciona a sincronização
- O Google publicou uma página de suporte com mais detalhes sobre o funcionamento da integração entre a Galeria e o Google Fotos;
- Para utilizar o recurso, é necessário ter um dispositivo Samsung com Android 13 ou versão mais recente. Contas do Google Workspace não são compatíveis;
- Também existem limitações sobre o conteúdo sincronizado e sobre alguns recursos do Google Fotos;
- Fotos e vídeos sincronizados a partir da Galeria não funcionarão com Memórias e destaques, álbuns ao vivo ou a ferramenta de pesquisa do Google Photos.

Além disso, a Galeria não exibirá todo o conteúdo armazenado no Google Fotos. O aplicativo mostrará apenas os arquivos que foram sincronizados a partir da Galeria por meio de um dispositivo Samsung. Ou seja, conteúdos que já tenham sido armazenados diretamente no Google Fotos, sem terem passado pela sincronização de um aparelho Samsung, não aparecerão na Galeria.
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Como ativar
Caso o aparelho tenha recebido todas as atualizações necessárias, a opção para ativar a sincronização pode ser encontrada na Samsung Gallery em:
Menu > Configurações > Sincronização > Sincronizar fotos e vídeos
A partir daí, o usuário poderá habilitar a integração com o Google Fotos.
A mudança também marca o fim da integração da Galeria com o OneDrive. Para quem ainda utiliza o serviço da Microsoft, a sincronização continuará funcionando até 30 de setembro.
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OpenAI prevê “queimar” US$ 280 bilhões até 2030 para financiar expansão da infraestrutura de IA
A OpenAI projeta um fluxo de caixa livre negativo de US$ 278 bilhões (mais de R$ 1,4 trilhão) entre 2026 e 2030, segundo apresentação recente da empresa vista pelo Financial Times. O valor evidencia a dimensão dos recursos necessários para financiar a expansão da infraestrutura de computação usada pela companhia.
A empresa espera que suas receitas avancem de US$ 36 bilhões em 2026 para US$ 350 bilhões em 2030, mas ainda assim prevê que as despesas ficarão muito acima da geração de receita no período. Ao todo, a OpenAI estima registrar US$ 840 bilhões em receitas até o fim de 2030.
Gastos com computação devem concentrar maior parte dos recursos
De acordo com o FT, a OpenAI prevê gastar cerca de US$ 856 bilhões em poder computacional e infraestrutura até o fim de 2030. Esse deve ser, de longe, o maior grupo de despesas da empresa durante o período.
Os investimentos estão relacionados à ampliação do acesso à capacidade computacional necessária para treinar e operar modelos de inteligência artificial. A companhia também reduziu preços enquanto busca conquistar negócios da rival norte-americana Anthropic e enfrentar modelos de pesos abertos mais baratos desenvolvidos na China.
A necessidade de financiamento ganhou importância depois que a OpenAI levantou US$ 122 bilhões em março. Segundo a apresentação citada pelo FT, esse montante pode ser consumido até 2028 caso as projeções de gastos sejam mantidas.
Nova rodada de investimentos pode superar US$ 1,2 trilhão em avaliação
A OpenAI entrou recentemente em negociações para uma nova rodada de financiamento. Investidores procuraram a empresa para discutir aportes considerando uma avaliação de US$ 1,2 trilhão, enquanto a companhia busca uma avaliação ainda maior, segundo uma pessoa próxima à OpenAI ouvida pelo FT.
A capacidade da empresa de obter novos recursos também está ligada a acordos financeiros e contratos de infraestrutura firmados para garantir acesso à capacidade computacional. Empresas como Nvidia, Oracle e a unidade de data centers da SoftBank dependem desses contratos para parte de suas receitas futuras.
Apesar das projeções de forte consumo de caixa, há sinais de crescimento da receita. Novos lançamentos de modelos contribuíram para um aumento de aproximadamente 20% na receita anualizada da OpenAI em julho.
A projeção atual também representa uma melhora em relação à estimativa apresentada em maio, quando a empresa previa fluxo de caixa livre negativo de US$ 305 bilhões.
IPO foi adiado
A OpenAI havia planejado uma oferta pública inicial de ações para este outono e protocolou confidencialmente os documentos junto à Securities and Exchange Commission em junho. Desde então, porém, o processo foi adiado.
A empresa citou a crescente preocupação pública com os riscos associados ao rápido desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial como motivo para o adiamento. Alguns investidores também apontaram preocupações sobre a recepção nos mercados públicos de uma companhia que registra perdas elevadas.
A Anthropic, por sua vez, deve realizar uma oferta pública inicial neste outono, em uma operação que pode ser a maior desse tipo já registrada. A OpenAI não comentou as informações ao FT.
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Sam Altman vai falar sobre segurança da inteligência artificial em reunião do Conselho de Segurança da ONU

O CEO da OpenAI, Sam Altman, fará uma apresentação presencial ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) na próxima semana, durante a reunião anual de líderes mundiais em Nova York (EUA) para a Assembleia Geral da ONU. A informação foi confirmada por um porta-voz da OpenAI à Reuters.
O Conselho de Segurança, formado por 15 membros, se reunirá na quarta-feira (23) para discutir inteligência artificial (IA) e segurança internacional. A sessão ocorre poucas semanas depois de líderes do setor de IA defenderem uma desaceleração coordenada no desenvolvimento de tecnologias cada vez mais avançadas.
Esses líderes alertaram que a IA poderá, em breve, ser capaz de melhorar a si própria e eventualmente escapar do controle humano.
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O que Altman deve dizer na ONU
- Segundo o porta-voz da OpenAI, a apresentação de Altman deve abordar a necessidade de coordenação internacional e de padrões de segurança compartilhados. O executivo também deverá falar sobre as medidas adotadas pela empresa para garantir que pessoas em todo o mundo se beneficiem da IA;
- Diplomatas também esperam uma presença de alto nível da Anthropic na reunião, embora a participação da empresa ainda não esteja confirmada. A companhia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters;
- A reunião foi convocada pela França, que ocupa a presidência do Conselho de Segurança durante setembro. A sessão será presidida pelo ministro francês da Europa e das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot.
Em uma nota conceitual distribuída pela França aos integrantes do Conselho e vista pela Reuters, o país afirmou que, diante do risco de uso malicioso da tecnologia, é urgente promover o desenvolvimento seguro e responsável da IA em benefício de toda a comunidade internacional.
O Conselho de Segurança da ONU, responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais, discutiu os riscos da IA pela primeira vez em 2023. Na ocasião, a China afirmou que a tecnologia não deveria se transformar em um “cavalo fora de controle”, enquanto os Estados Unidos alertaram para possíveis usos da IA para censurar ou reprimir pessoas.
Altman já alertava sobre os riscos da IA antes do atual boom do setor. Em ensaio publicado em 2015, intitulado “Machine Intelligence, part 1”, ele afirmou que o desenvolvimento de uma IA sobre-humana seria “provavelmente a maior ameaça à continuidade da existência da humanidade”.
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