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Justiça dos EUA investiga Netflix em acordo com Warner e HBO Max

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu uma investigação ampla sobre as práticas de negócios da Netflix no contexto da análise antitruste de sua proposta de aquisição dos estúdios da Warner Discovery e do serviço de streaming HBO Max. A apuração ocorre enquanto o órgão avalia se a operação pode reduzir a concorrência ou fortalecer excessivamente o poder de mercado da empresa no setor de streaming.
Segundo uma intimação civil obtida pelo The Wall Street Journal, o DOJ não se limita a examinar os termos da transação. O documento também questiona se a Netflix teria adotado condutas anticompetitivas capazes de consolidar ou criar um monopólio no futuro. O pedido de informações foi enviado a outra empresa do setor de entretenimento e indica que a investigação ainda está em estágio inicial.

Questionamentos sobre concorrência e mercado
Na intimação, o Departamento de Justiça solicita descrições de “qualquer outra conduta excludente” da Netflix que possa, de forma razoável, reforçar seu poder de mercado ou posição monopolista. A abordagem sugere que o órgão avalia não apenas o impacto direto da compra da Warner, mas também o histórico competitivo da plataforma frente a seus rivais.
A Netflix concordou, em dezembro, em pagar US$ 27,75 por ação, em um acordo avaliado em US$ 72 bilhões. Paralelamente, a Paramount apresentou uma oferta hostil de US$ 77,9 bilhões pela totalidade da Warner Discovery, incluindo sua unidade de canais a cabo, que reúne marcas como CNN, TNT e Food Network. O DOJ também analisa essa proposta, que a Warner recomendou a seus acionistas rejeitar.
O órgão regulador questionou se alguma das duas operações poderia prejudicar a concorrência, além de pedir informações sobre como fusões anteriores entre estúdios ou distribuidores afetaram a competição por talentos criativos e a estrutura de contratos no setor.
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Defesa da Netflix e parâmetros antitruste
Steven Sunshine, advogado da Netflix, disse ao WSJ que a empresa entende que o DOJ realiza uma análise padrão da proposta de aquisição. Segundo ele, não houve sinal de uma investigação separada por monopolização. Em nota ao WSJ, uma porta-voz da Netflix declarou que a companhia está “engajada de forma construtiva” no processo regulatório e focada no valor potencial da combinação com a Warner Bros.
De acordo com estimativas da Antenna, Netflix e HBO Max juntas responderiam por cerca de 30% do mercado de streaming por assinatura nos EUA, sem considerar pacotes com operadoras de telefonia ou TV a cabo. A Netflix contesta a relevância desse número, argumentando que 80% dos assinantes do HBO Max também assinam a Netflix e que a concorrência inclui plataformas como YouTube e outros serviços gratuitos.

As diretrizes do DOJ indicam que fusões entre concorrentes diretos são presumidas ilegais quando a empresa combinada ultrapassa 30% de participação de mercado, enquanto monopólios costumam envolver fatias superiores a 60%. A Netflix sustenta que a união com o HBO Max representaria apenas 10% do tempo de visualização em lares americanos e classifica o acordo como uma fusão vertical.
A investigação pode durar até um ano. Tanto Netflix quanto Paramount também devem enfrentar revisões antitruste na Europa e no Reino Unido.
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CEO da Nvidia é chamado ao Congresso dos EUA após alerta sobre possível espionagem chinesa

Os líderes republicanos de três comissões influentes da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos solicitaram que Jensen Huang, CEO da Nvidia, participe voluntariamente de uma reunião a portas fechadas com parlamentares. O objetivo é esclarecer a relação do executivo com uma empresária ligada a uma companhia investigada pelo governo estadunidense por suspeita de ajudar a China a obter chips de inteligência artificial (IA).
O pedido foi feito nesta quinta-feira (5) pelos deputados Brian Mast, John Moolenaar e Rick Crawford, responsáveis, respectivamente, pela Comissão de Relações Exteriores, pelo Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês e pelo Comitê Seleto de Inteligência.
Os parlamentares querem que Huang compareça em 18 de novembro para falar sobre suas interações com Alice Huang, executiva da empresa Megaspeed, sediada em Singapura. Também pretendem questioná-lo sobre as políticas de segurança da Nvidia para evitar espionagem por parte de governos estrangeiros.
“É fundamental que o Congresso determine até que ponto a segurança nacional dos Estados Unidos foi colocada em risco”, escreveram os deputados no pedido.
O porta-voz da Nvidia, John Rizzo, não confirmou se o CEO aceitará o convite. Em declaração, afirmou que a empresa conta com equipe de segurança de excelência que acompanha Huang quando necessário.
Relação com executiva entrou no radar das autoridades
- O pedido dos parlamentares ocorre após reportagem do The New York Times, publicada na semana passada, revelar que Jensen Huang mantinha relação próxima com Alice Huang. Segundo o jornal, agências de inteligência estadunidenses identificaram essa relação por meio de vigilância sobre a executiva;
- A situação despertou preocupação dentro do governo dos Estados Unidos pela possibilidade de que ela estivesse obtendo informações comerciais ou de segurança nacional durante seus contatos com o CEO da Nvidia;
- Alice Huang é cidadã chinesa e ocupou o cargo de diretora-gerente da Megaspeed durante os primeiros oito meses de existência da empresa, em 2025. Posteriormente, retirou seu nome dessa função nos documentos corporativos. A companhia também passou a contar com um diretor de Singapura que trabalha em Xangai (China);
- O governo estadunidense investiga a Megaspeed desde o fim de 2024. Naquele período, um funcionário do Departamento de Comércio visitou um centro de dados da empresa na Malásia e considerou o local suspeito. Os equipamentos da Nvidia encontrados no endereço ainda estavam embalados, o que levantou dúvidas sobre se estavam sendo enviados para lá ou retirados do local.
Registros comerciais obtidos pela plataforma ImportGenius indicam que uma empresa ligada à Megaspeed na Malásia comprou pelo menos US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 26,2 bilhões) em equipamentos avançados de IA que continham chips e tecnologia da Nvidia entre junho de 2024 e fevereiro de 2026.
A suspeita das autoridades é de que a Megaspeed tenha ajudado a China a contornar restrições comerciais estadunidenses e obter acesso aos componentes da fabricante.

A Nvidia afirma cumprir a legislação e diz não haver evidências de que seus chips estejam sendo contrabandeados para a China. Na semana passada, Rizzo também afirmou que as interações de Huang com Alice não eram incomuns ou inesperadas. Segundo o porta-voz, reuniões com clientes fazem parte do trabalho de um CEO, e Huang conversa com milhares de executivos de empresas clientes todos os anos.
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Pedido representa mudança de postura entre republicanos
A iniciativa dos três parlamentares também chama atenção por representar mudança de postura de lideranças republicanas, que, em grande parte, acompanharam o presidente Donald Trump em abordagem menos intervencionista em relação ao setor de tecnologia.
Huang construiu relação próxima com Trump nos últimos dois anos e os dois conversam frequentemente sobre assuntos relacionados à tecnologia.
O movimento ocorre ainda depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que evidenciaram a preocupação de parte do eleitorado com os impactos da indústria tecnológica. Entre os temas estão o potencial da IA para eliminar empregos e a construção de grandes centros de dados em comunidades locais.
O sentimento contrário às grandes empresas de tecnologia favoreceu, em grande medida, candidatos democratas. A iniciativa republicana pode ser um sinal de que o partido não pretende deixar esse tema exclusivamente nas mãos de seus adversários políticos.
Nvidia já havia sido questionada sobre vendas de chips
O episódio também se conecta a uma investigação anterior do Congresso. Em abril de 2025, John Moolenaar e o Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês abriram apuração sobre as vendas de chips da Nvidia na Ásia. Nos meses seguintes, porém, o governo Trump recuou de restrições às vendas de componentes da empresa para a China.
Huang também acompanhou Trump em sua primeira viagem diplomática ao Oriente Médio. Na ocasião, o presidente anunciou grande venda de chips para os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.
A Nvidia ainda doou mais de US$ 20 milhões (cerca de R$ 109,2 milhões) para a construção do salão de festas da Casa Branca e prometeu investir US$ 500 bilhões (aproximadamente R$ 2,73 trilhões) na fabricação de produtos nos Estados Unidos.
Em junho, Huang já havia recusado um pedido para prestar depoimento ao Senado feito pela senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts (EUA) e principal representante da minoria no Comitê Bancário. Na semana passada, após a publicação da reportagem sobre a relação do executivo com Alice Huang, a parlamentar voltou a cobrar seu comparecimento.
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Confira o Olhar Digital News na íntegra (04/11/2026)
Veja os destaques do Olhar Digital News desta quarta-feira (04/11).
“Padrinho” da IA alerta para iminência de evento catastrófico ligado à tecnologia
O cientista Geoffrey Hinton, um dos pioneiros da inteligência artificial, afirmou que a humanidade talvez estivesse melhor sem desenvolver a tecnologia. Ele também alertou que sistemas avançados podem provocar incidentes de grande escala num futuro próximo.
Eleição nos EUA expõe reação a bilionários e data centers de IA
Os democratas conquistaram o controle do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026, impondo uma derrota ao presidente Donald Trump e aos candidatos apoiados por grandes empresários do setor de tecnologia. O resultado reflete a insatisfação dos eleitores com o custo de vida, as propostas de expansão dos data centers de inteligência artificial.
El Niño atinge recorde histórico de aquecimento em outubro
Medições feitas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) revelam que o El Niño continua se intensificando. No mês de outubro, a temperatura da superfície da água na parte central do Oceano Pacífico ficou 2,4°C acima da média histórica. Já a região mais a leste, em direção à América do Sul, aqueceu ainda mais: 3,5°C acima do normal para o período.
Telescópio da NASA cai na Terra após 22 anos no espaço
O telescópio espacial Swift, da NASA, encerrou sua trajetória de mais de duas décadas no espaço nesta quarta-feira (04). O observatório reentrou na atmosfera terrestre de maneira descontrolada, três meses depois de uma tentativa de resgate realizada por uma empresa privada fracassar.
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Astronautas da NASA votam nas eleições dos EUA a mais de 400 km da Terra

Estar a mais de 400 quilômetros da Terra não impediu três astronautas estadunidenses de participar das eleições legislativas dos Estados Unidos nesta terça-feira (3). A bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), Anil Menon, Jessica Watkins e Luke Delaney preencheram cédulas eletrônicas e enviaram seus votos às autoridades eleitorais em Harris County, no Texas (EUA).
A participação foi confirmada por Menon em publicação nas redes sociais. Em vídeo, o astronauta mostrou o pequeno compartimento onde dorme e que também serviu como cabine de votação. Com um computador, ele preencheu o formulário eletrônico e encaminhou a cédula de volta à Terra.
“Sim, você pode até votar do espaço! Todos os três tripulantes americanos tiveram o privilégio de votar a bordo da estação espacial. Preenchemos uma cédula eletrônica e a enviamos com segurança às autoridades eleitorais”, escreveu Menon.
Como funciona o voto dos astronautas?
O procedimento começa antes mesmo da votação. Assim como outros estadunidenses que estão longe de suas residências, os astronautas podem solicitar uma cédula de votação ausente por meio de formulário federal chamado Federal Post Card Application.
Depois de receber o documento em formato eletrônico, o tripulante pode preenchê-lo a bordo da estação espacial e enviá-lo de volta à Terra pela infraestrutura de comunicação da NASA.
O caminho envolve diferentes etapas:
- O astronauta preenche a cédula eletrônica em seu computador na ISS;
- O documento é transmitido pelo sistema de satélites de comunicação da NASA até uma antena terrestre no White Sands Test Facility, no Novo México (EUA);
- A agência encaminha o arquivo ao Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas (EUA);
- O documento chega ao cartório eleitoral responsável pelo registro do astronauta, onde o voto é processado.
A segurança também faz parte do procedimento. Segundo a NASA, a cédula é criptografada e só pode ser acessada pelo astronauta e pelo funcionário eleitoral responsável por recebê-la.

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Votar do espaço é possível desde 1997
A possibilidade de participar de eleições diretamente do espaço existe há quase três décadas. Em 1997, o Texas aprovou lei que permitiu aos astronautas registrados no Estado votar eletronicamente durante missões espaciais.
Naquele mesmo ano, David Wolf se tornou o primeiro estadunidense a votar fora da Terra. Ele estava a bordo da estação espacial russa Mir, antes mesmo da chegada dos primeiros tripulantes à ISS, em novembro de 2000.
A concentração de domicílios eleitorais de astronautas no Texas tem explicação prática: o Estado abriga o Centro Espacial Johnson, em Houston, responsável pelo treinamento e pelo suporte às missões tripuladas da NASA.
Desde então, o procedimento permite que profissionais em missões de longa duração mantenham o direito de participar das eleições estadunidenses, mesmo quando estão em órbita.
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