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Saúde

Paralisia: saiba mais sobre o avanço histórico brasileiro no combate à doença

Redação Informe 360

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Uma proteína desenvolvida a partir da placenta humana reacendeu a esperança de pacientes com lesão na medula espinhal — condição que pode causar paralisia parcial ou total dos movimentos e que, até hoje, não conta com tratamento capaz de reverter o dano.

A substância, chamada polilaminina, vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trata-se de uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que auxilia os neurônios a se conectarem.

A expectativa é que, quando aplicada no ponto da lesão, a polilaminina estimule os nervos a criarem novas rotas e restabeleçam parte dos movimentos.

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Médico segurando uma seringa com um frasco de vacina
Pode ser o futuro fármaco contra a condição (Imagem: zedspider/Shutterstock)

Resultados em cães com paralisia

Em agosto, um estudo publicado na revista Frontiers in Veterinary Science avaliou os efeitos da proteína em seis cães paraplégicos, incapazes de andar mesmo após cirurgia e meses de fisioterapia — alguns sem se movimentar havia anos.

Após a aplicação direta da polilaminina na medula, quatro dos animais conseguiram voltar a dar passos e apresentaram melhora na firmeza da marcha, enquanto dois mostraram avanços mais discretos. O acompanhamento durou seis meses e não foram registrados efeitos colaterais graves, apenas um episódio de diarreia sem relação comprovada com o medicamento.

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Testes em voluntários com paralisia

Além dos experimentos com animais, a polilaminina já foi aplicada em pequenos grupos de pacientes brasileiros, dentro de protocolos acadêmicos experimentais.

Segundo os pesquisadores, dos oito voluntários testados, alguns que haviam perdido completamente os movimentos abaixo da lesão recuperaram parte da mobilidade, com relatos que variaram de pequenos movimentos a ganhos mais amplos, como controle do tronco e, até, passos com auxílio. Os cientistas, no entanto, ressaltam que os resultados ainda são iniciais e precisam ser confirmados em estudos maiores e controlados.

Posição da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que ainda não há autorização para uso da polilaminina em humanos fora dos protocolos acadêmicos. “A empresa responsável precisa complementar as informações de segurança antes que os testes em humanos, dentro das regras regulatórias, possam começar”, afirmou a agência, ao g1.

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Fachada do prédio da Anvisa
Anvisa reforça que os testes liberados são apenas para protocolos acadêmicos (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

De acordo com a agência, os dados apresentados até agora se referem apenas à fase não clínica — ou seja, resultados de laboratório e em animais.

Caminho até o SUS

Para que a polilaminina possa chegar a hospitais e ao Sistema Único de Saúde (SUS), será necessário concluir uma série de etapas:

  • Finalizar os estudos pré-clínicos, comprovando ausência de riscos em animais;
  • Iniciar ensaios clínicos regulatórios em humanos, começando pela fase 1, voltada à segurança em grupos pequenos;
  • Ampliar os testes para as fases 2 e 3, que avaliam eficácia, doses adequadas e possíveis efeitos adversos em populações maiores;
  • Solicitar o registro sanitário, etapa final para que o medicamento possa ser comercializado.

Esse processo é rigoroso, envolve análises detalhadas e costuma levar anos até ser concluído.

Expectativa e cautela

Os resultados obtidos em animais e em um grupo reduzido de voluntários sugerem um caminho promissor. No entanto, até que todas as etapas sejam cumpridas e a eficácia confirmada em larga escala, não há tratamento disponível. Mesmo assim, a polilaminina desponta como uma das pesquisas mais relevantes em um campo que busca, há décadas, uma solução definitiva para a regeneração da medula espinhal.

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Caminho para fármaco chegar ao SUS ainda é longo (Imagem: Brenda Rocha – Blossom/Shutterstock)

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Saúde

Medicamento elimina marcadores do câncer em 77,8% dos pacientes com condição que pode anteceder o mieloma

Redação Informe 360

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Um ensaio clínico randomizado de fase 2 avaliou o uso do medicamento teclistamab em pacientes com mieloma múltiplo latente de alto risco, uma alteração da medula óssea que pode anteceder o desenvolvimento do mieloma múltiplo, um tipo de câncer do sangue. Publicado na revista Nature Medicine, o estudo encontrou resposta completa em 77,8% dos pacientes tratados com o medicamento.

A pesquisa comparou o teclistamab com a combinação de lenalidomida e dexametasona (Rd). O grupo analisado tinha 59 pacientes que haviam completado pelo menos um ciclo de tratamento: 45 receberam teclistamab e 14 receberam a combinação Rd. No grupo do novo medicamento, 77,8% apresentaram desaparecimento dos marcadores da doença após o tratamento, enquanto nenhum paciente do grupo Rd teve esse resultado.

O que é o mieloma múltiplo?

Para entender o estudo, é preciso primeiro saber o que acontece no mieloma múltiplo. A doença começa nas células plasmáticas, que são células do sistema imunológico produzidas na medula óssea. Em condições normais, elas fabricam anticorpos, proteínas que ajudam o organismo a combater infecções.

No mieloma múltiplo, algumas dessas células se tornam anormais e passam a se multiplicar na medula óssea. Elas também produzem proteínas anormais, chamadas de proteínas do mieloma. Essas alterações podem prejudicar o funcionamento normal da medula e afetar outros órgãos.

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Nos estágios iniciais, a doença pode não provocar sintomas claros. Conforme avança, porém, pode estar associada a problemas como enfraquecimento dos ossos, danos aos rins, anemia, aumento da quantidade de cálcio no sangue e maior vulnerabilidade a infecções.

O mieloma múltiplo pode ser tratado, mas a doença pode voltar depois do tratamento. Quando isso acontece, ela também pode se tornar resistente a medicamentos que funcionavam anteriormente. Por isso, os pesquisadores investigam estratégias que possam agir antes que a doença avance.

Onde entra o teclistamab?

O teclistamab já é utilizado para tratar pacientes com mieloma múltiplo que voltaram a apresentar a doença após tratamentos anteriores ou que desenvolveram resistência às terapias. O medicamento foi aprovado nos Estados Unidos e na União Europeia em 2022 para esses casos. No Brasil, o teclistamab possui registro da Anvisa para determinados casos de mieloma múltiplo recidivado ou refratário.

O remédio pertence a uma classe chamada anticorpos biespecíficos. Em termos simples, essas moléculas conseguem reconhecer dois alvos diferentes ao mesmo tempo. O teclistamab faz uma espécie de ligação entre as células T, que fazem parte do sistema de defesa do organismo, e proteínas encontradas nas células do mieloma.

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Essa ligação ajuda as células T a identificar as células doentes e a participar da resposta do sistema imunológico contra elas. O estudo publicado agora investigou se esse mecanismo também poderia funcionar quando a doença ainda está em uma fase anterior.

Essa condição é chamada de mieloma múltiplo latente de alto risco (HR-SMM). Ela apresenta alterações associadas ao mieloma, mas ainda não corresponde ao estágio em que a doença provoca os problemas característicos do câncer desenvolvido.

O que o estudo encontrou?

Historicamente, pacientes com HR-SMM eram acompanhados sem tratamento imediato, uma estratégia conhecida como observação ou “espera vigilante”. A ideia era acompanhar a evolução da condição e iniciar o tratamento caso ela progredisse.

O estudo avaliou se tratar esses pacientes mais cedo poderia produzir respostas mais profundas. Depois de uma etapa inicial de segurança com seis pacientes, os pesquisadores chegaram a 64 participantes. Destes, 59 completaram pelo menos um ciclo e foram incluídos na análise.

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Entre os 45 pacientes que receberam teclistamab, 77,8% tiveram resposta completa. Isso significa que, após o tratamento, não foram detectados os marcadores da doença considerados na definição de resposta completa utilizada pelo estudo.

No grupo de 14 pacientes que recebeu lenalidomida e dexametasona, a taxa de resposta completa foi de 0%.

O acompanhamento mediano dos participantes foi de 24,5 meses. Nesse período, 92% dos pacientes tratados com teclistamab permaneciam sem progressão da doença, enquanto esse índice era de 49% entre aqueles que receberam Rd.

Os pesquisadores também afirmaram que as taxas de resposta, a duração das respostas e o tempo até a progressão foram significativamente melhores entre os pacientes tratados com teclistamab. Segundo os autores, os resultados apontam para uma atividade importante do medicamento contra o HR-SMM, mas novos estudos ainda são necessários.

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Saúde

Primeiro teste da polilaminina em humanos começa em setembro com cinco pacientes em São Paulo

Redação Informe 360

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O laboratório Cristália começa em 24 de setembro o primeiro teste clínico da polilaminina em humanos. A Fase 1 terá cinco participantes com lesão completa na medula torácica, e o objetivo inicial será verificar se a substância é segura.

O estudo foi autorizado pela Anvisa em janeiro e será realizado no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo. Os voluntários terão entre 18 e 72 anos e deverão ter sofrido o trauma até 72 horas antes.

A Fase 1 da pesquisa vai avaliar a segurança da polilaminina antes de possíveis testes maiores. Cinco pacientes participarão do primeiro teste da polilaminina em humanos, realizado em São Paulo. Imagem: wildpixel/iStock

Quem participa do estudo

A pesquisa foi desenhada para atender pacientes que já tenham indicação de cirurgia e apresentem lesão completa da medula na altura do tórax. O tempo entre o acidente e a aplicação da substância também será determinante: o trauma não poderá ter ocorrido há mais de 72 horas.

Para tentar encontrar pacientes dentro desse intervalo, o SAMU deverá ajudar no encaminhamento aos dois hospitais participantes.

A Fase 1 não pretende mostrar se a polilaminina recupera movimentos. Nesta etapa, os pesquisadores vão acompanhar principalmente a segurança do candidato a medicamento. Só depois, se os resultados forem favoráveis, a pesquisa poderá avançar para estudos maiores.

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O que a polilaminina faz

A substância é estudada para casos de lesão medular aguda, que acontece logo após o trauma. A proposta é aplicá-la no local da lesão para estimular os nervos a criar novas rotas e restabelecer parte dos movimentos.

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A medula espinhal funciona como uma ligação entre o cérebro e o restante do corpo. Ela leva comandos aos músculos e transmite de volta informações como dor, temperatura e tato. Uma lesão pode interromper essa comunicação.

Antes dos testes clínicos, a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio realizou um estudo preliminar com oito pacientes. Os participantes apresentaram diferentes níveis de recuperação motora, mas os resultados não permitiram afirmar que a polilaminina seja eficaz.

Seringa com ponta de injeção e, ao fundo, letreiro dizendo polilaminina
Não há evidência científica, até agora, de que a polilaminina funcione em lesões medulares crônicas. – Imagem: jackpress / Shutterstock

O que já se sabe e quais são os próximos passos

O estudo com oito pacientes precisa ser interpretado com cautela. O grupo era pequeno e reunia pessoas com lesões de diferentes níveis. Os resultados foram posteriormente revisados por pares e publicados após essa revisão.

Há outros limites importantes:

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  • Não há evidência científica de que a polilaminina funcione contra lesões medulares crônicas.
  • O caso que ganhou destaque nas redes sociais não representa sozinho o resultado observado entre os participantes.
  • A substância ainda é considerada um candidato a medicamento.
  • As pesquisas clínicas seguintes terão de avaliar eficácia, doses adequadas e efeitos adversos em grupos maiores.

Dependendo dos resultados, o programa de desenvolvimento poderá avançar para as Fases 2 e 3, destinadas a avaliar a eficácia em um número maior de participantes.

Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do Cristália, em nota.

Ele explica que a empresa trabalha “em total alinhamento com a Anvisa e com todos os parceiros envolvidos, sempre com o mesmo objetivo: proteger os pacientes e gerar evidências científicas robustas de segurança e eficácia.”

O início dos testes em humanos marca uma nova etapa da pesquisa, mas ainda não permite concluir que a polilaminina seja capaz de recuperar movimentos. Essa resposta dependerá dos resultados dos próximos estudos.

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Saúde

Cientistas cultivam tecido cerebral humano em camundongos para investigar demência e autismo

Redação Informe 360

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Pesquisadores da Stanford Medicine desenvolveram uma técnica para cultivar tecido cerebral humano dentro de camundongos geneticamente modificados para não desenvolver a maior parte do córtex e do hipocampo. O enxerto cresceu, criou vasos sanguíneos e estabeleceu conexões funcionais com o sistema nervoso dos animais.

Os chamados “camundongos xenocorticais” podem ajudar a estudar o desenvolvimento do cérebro e doenças neurológicas. O experimento também permitiu observar tipos de neurônios humanos difíceis de reproduzir em laboratório e testar como esse tecido reage a alterações ligadas a diferentes condições.

O tecido transplantado tornou-se eletricamente ativo e enviou prolongamentos até a medula espinhal dos animais.
O tecido transplantado tornou-se eletricamente ativo e enviou prolongamentos até a medula espinhal dos animais. Imagem: peterschreiber.media/iStock

Como o experimento funciona

Os pesquisadores modificaram geneticamente os camundongos para impedir que grande parte do córtex e do hipocampo se desenvolvesse. Alguns animais permaneceram sem enxerto; outros receberam organoides de córtex humano pouco depois do nascimento.

Com o crescimento dos animais, o tecido humano ocupou o espaço disponível. Em três meses, ele havia aumentado quase cinco vezes e correspondia a mais de 90% do tecido cortical por volume. O enxerto também desenvolveu vasos sanguíneos, tornou-se eletricamente ativo e enviou prolongamentos até a medula espinhal.

“Eles têm um sistema nervoso de camundongo, órgãos sensoriais de camundongo e estruturas subcorticais de camundongo. O que é incomum é que a maior parte do tecido cortical presente nesses animais é de origem humana e que os neurônios humanos crescem, se integram e formam conexões funcionais com o restante do sistema nervoso do camundongo”, explicou Sergiu Pașca, professor de Stanford e autor do estudo.

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Neurônios difíceis de reproduzir

O tecido transplantado ainda não equivale a um córtex humano maduro. Mesmo depois de cerca de seis meses, permanecia imaturo e não apresentava as camadas organizadas de um córtex adulto.

Por outro lado, os pesquisadores encontraram neurônios que tiveram dificuldade de ser produzidos em outros modelos, incluindo células semelhantes aos neurônios de von Economo, estruturas alongadas encontradas em regiões específicas do cérebro humano.

Entre as possibilidades de estudo estão:

  • demência frontotemporal;
  • epilepsia e alterações na atividade dos circuitos;
  • autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento;
  • vulnerabilidade de neurônios específicos a doenças;
  • possíveis intervenções para proteger células afetadas.
O modelo pode ajudar a investigar demência frontotemporal, epilepsia, autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento. Imagem: Shutterstock.AI Generator

O que o modelo revela

Em um teste de memória usando um labirinto em Y, os camundongos xenocorticais tiveram desempenho acima do esperado pelo acaso. Os animais sem córtex e hipocampo apresentaram dificuldade para lembrar qual braço do labirinto haviam visitado.

Pașca, porém, alertou que o resultado não permite concluir que os neurônios humanos sejam diretamente responsáveis pelo comportamento.

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A integração de tecido cerebral humano também levanta questões éticas. A equipe envolveu bioeticistas de Stanford e um comitê externo formado por neurocientistas, especialistas em ética, juristas e representantes de pacientes. Os animais foram monitorados durante o estudo para identificar possíveis efeitos biológicos ou comportamentais inesperados.

Outra questão importante é saber se a introdução de tecido neural humano cada vez mais complexo no sistema nervoso de um animal poderia produzir propriedades inesperadas, emergentes ou novas que exigiriam uma consideração ética adicional.

Sergiu Pașca, professor de Stanford e autor do estudo, em nota.

Publicado na revista Nature, o estudo apresenta os camundongos xenocorticais como uma ferramenta para investigar o cérebro humano em um organismo vivo, mantendo como desafio separar os efeitos das células humanas daqueles provocados pelo sistema nervoso do animal.

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