Saúde
O que acontece no corpo durante o exercício físico?

A receita de uma vida mais equilibrada e com mais saúde física e mental inevitavelmente inclui o hábito do exercício físico. Sabemos que ele libera hormônios que promovem o bem-estar, ajuda na disposição e também na longevidade. Mas o que acontece no corpo durante o exercício físico?
Antes de tudo, é importante diferenciar atividade física de exercício físico. A atividade física é uma ação que envolve movimentos voluntários do corpo com gasto de energia acima do nível de repouso, e inclui ações do cotidiano como andar até o mercado, limpar a casa e subir as escadas de um prédio.
Já o exercício físico é um tipo de atividade estruturada e planejada com um objetivo, seja ganhar massa magra, ter mais flexibilidade ou emagrecer. Entre eles estão os exercícios cardiovasculares, como caminhar, correr, pular corda, nadar, que aumentam a frequência cardíaca – e os exercícios de força, como a musculação e treinos metabólicos com o peso do corpo.
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Nesse sentido, todo exercício é uma atividade física, mas nem toda atividade física é um exercício. Então, não se engane achando que, ao fazer aquela faxina em casa, o seu treino do dia já está automaticamente pago.
O que acontece no corpo durante o exercício físico?

Ao realizar um exercício físico, o sistema cardiovascular, pulmonar e muscular são postos em ação, e eles são formados pelas células, que são as unidades funcionais que interagem entre si. Embora cada sistema tenha uma função específica, todos atuam juntos para manter a estabilidade das funções vitais dentro de um organismo.
Mesmo se você ficar deitado durante o dia todo, o seu corpo vai gastar calorias para manter as funções básicas como a temperatura corporal, a respiração e os batimentos cardíacos. As células continuam a trabalhar incessantemente mesmo com o corpo em repouso, esse processo é chamado de metabolismo basal.
Quando iniciamos um exercício físico, as células precisam trabalhar muito mais. Mesmo numa caminhada, elas precisam captar mais energia por meio do oxigênio contido no ar que respiramos para dar conta dessa demanda extra de trabalho.
No curto prazo, já existem efeitos imediatos. Vinte minutos de exercício físico já são suficientes para sentir os primeiros efeitos da dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e também do controle motor durante o exercício.
Durante a realização do exercício, o cérebro também produz outros neurotransmissores como a endorfina e a serotonina (os conhecidos hormônios da felicidade), mas é somente após o fim da prática que temos uma descarga destes hormônios no organismo, prolongando a sensação de prazer e relaxamento.

Outro mecanismo importante acontece durante o exercício físico vigoroso. Segundo o GE, uma quantidade significativa de hormônios é secretada pelas glândulas suprarrenais, que ficam logo acima dos rins. Eles permitem que o corpo utilize os ácidos graxos (gordura) e a glicose como combustível durante a prática.
O corpo pode até utilizar como substrato a gordura circulante, mas geralmente prioriza a glicose por ser metabolizada mais rápido. Por isso, uma das indicações para quem está num quadro de pré-diabetes – estágio intermediário entre níveis saudáveis de glicose e a diabetes tipo 2, e reversível com a mudança de hábitos – é a realização de exercícios físicos com consistência.
Além dos hormônios já citados existem outros que também são secretados durante o exercício físico e exercem funções importantes. A irisina é liberada pelo sistema muscular e é fundamental para ativar o gasto energético e o metabolismo de gordura.
Produzido pela hipófise, no cérebro, o hormônio GH é o responsável por promover a criação de novas fibras musculares e também auxilia na queima de gordura. Já a adrenalina faz o cérebro ficar em estado de alerta e também acelera os batimentos cardíacos.
Também é liberado o glucagon, que atua na manutenção dos níveis de glicose no sangue, evitando a hipoglicemia. Por fim, o cortisol tem o papel de controlar o estresse e manter a função muscular.
Benefícios a longo prazo

A prática de exercícios físicos tem consequências essenciais para saúde física e mental. Ela é aliada no tratamento de doenças mentais como ansiedade e depressão, e também tem o potencial de preveni-las. Além disso, auxilia na prevenção da doença coronariana, segundo artigo da Federação Internacional de Medicina Esportiva.
“Ainda, ao melhorar o perfil lipídico do sangue manter a pressão arterial dentro de limites seguros, e controlar o peso corporal, o exercício físico pode modificar outros fatores de risco. O exercício pode também contribuir para o controle do diabetes melito e para a manutenção da densidade óssea no idoso”, afirma o artigo.
Por isso, é essencial tornar a atividade física como parte do cotidiano afim de melhorar quadros de saúde já existentes, bem como evitar o surgimento de outras doenças. Além disso, o exercício físico pode ter grande influência na qualidade do sono.
Um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia fez uma revisão sistemática de 34 pesquisas que investigaram a relação exercício-sono. E, dentre esses, 29 estudos concluíram que o exercício físico foi capaz de melhorar a qualidade e a duração do sono.
Segundo o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, é importante que seja praticado pelo menos 150 minutos por semana de algum exercício físico moderado, como a caminhada. E, no mínimo, 75 minutos de exercícios físicos vigorosos que aumentem a frequência cardíaca, mas não é só isso.
“Como parte das suas atividades físicas semanais, em pelo menos 2 dias na semana, inclua atividades de fortalecimento dos músculos e ossos, tais como musculação e exercícios com sobrecarga externa ou do peso do corpo”, informa o Guia.
Mas é claro que numa rotina corrida e recheada de afazeres pode ser difícil manter a risca essas recomendações. O importante é que haja o compromisso de mover-se com constância, respeitando seus limites e colocando o exercício físico como uma prioridade. Uma simples caminhada já é a porta de entrada para deixar para trás o sedentarismo.
As informações presentes neste texto têm caráter informativo e não substituem a orientação de profissionais de saúde. Consulte um médico ou especialista para avaliar o seu caso.
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Saúde
Microsoft cria IA que diagnostica doenças em etapas, como médicos

Uma inteligência artificial desenvolvida pela Microsoft foi mais de duas vezes mais precisa que médicos generalistas em testes com casos clínicos complexos. O resultado foi apresentado em um estudo publicado na revista Science.
A diferença está no método: em vez de analisar todos os dados de uma vez, o sistema investiga cada caso por etapas, fazendo perguntas e solicitando exames conforme novas informações surgem.

Como funciona a junta médica virtual
A ferramenta utiliza um mecanismo chamado orquestrador, que coordena um painel simulado de especialistas em inteligência artificial. O sistema decide quais informações precisa obter sobre o histórico do paciente, considera os achados do exame físico e determina quais testes podem ajudar a esclarecer o quadro.
Os resultados orientam as decisões seguintes. Se as informações forem insuficientes, a IA pode solicitar novos exames e rever as hipóteses levantadas anteriormente, ajustando o plano de investigação ao longo do processo.
Os pesquisadores avaliaram a tecnologia em mais de 300 casos clínicos incomuns e difíceis de diagnosticar. Nessas situações, o modelo superou em mais de duas vezes a precisão de médicos generalistas que recorreram a livros de referência e à internet. O sistema também teve desempenho superior em cenários baseados em um grande banco de dados de internações em prontos-socorros.
Para os pesquisadores, esses resultados ajudam a explicar por que testes convencionais podem não ser suficientes para avaliar uma IA médica. Avaliações anteriores costumam usar questões de múltipla escolha, que não reproduzem a necessidade de investigar um paciente durante uma consulta.
“É claro que a IA se tornou muito boa em obter 100% de acertos nessas provas”, afirmou Dominic King, vice-presidente corporativo da divisão de saúde da Microsoft AI. “Mas isso não corresponde à realidade. Nenhum paciente jamais veio me consultar com um resumo bem organizado.”
Diagnósticos mais criteriosos e custos menores
A precisão não foi o único aspecto avaliado. Segundo os pesquisadores, os processos diagnósticos organizados pelo orquestrador custaram menos do que aqueles conduzidos por médicos.
Harsha Nori, responsável pela área de inteligência artificial da Microsoft AI Health, explicou que o estudo também considera a maneira como a investigação é conduzida.
“Não estamos medindo apenas a precisão dos sistemas. Também estamos medindo com que critério e cuidado eles conduzem uma investigação diagnóstica”, disse Nori.
Esse método permite que a ferramenta adapte suas decisões ao longo da avaliação, em vez de seguir um roteiro fixo. Entre os aspectos considerados estão a necessidade de aprofundar a investigação e o momento de solicitar novos exames.

Próximo passo será testar a triagem em emergências
A Microsoft vai trabalhar com o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, para avaliar a capacidade da ferramenta de classificar pacientes em salas de espera de prontos-socorros.
A triagem ajuda a identificar quem precisa de atendimento mais urgente. O teste deverá mostrar como a tecnologia se comporta nesse contexto, mas sua utilidade na rotina hospitalar ainda precisa ser avaliada.
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Saúde
EUA ampliam vigilância após detectar mosca-da-bicheira em animal selvagem

O parasita conhecido como mosca-da-bicheira do Novo Mundo foi detectado pela primeira vez em décadas em um animal silvestre nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês) confirmou nesta quarta-feira (21) a presença do organismo em uma fêmea de alce encontrada no condado de Pecos, no Texas.
O animal estava em propriedade destinada à caça e o caso foi identificado depois que um caçador abateu o alce. Uma amostra foi encaminhada a um laboratório especializado em insetos que afetam a pecuária, em Kerrville, também no Texas, onde a presença do parasita foi confirmada.
A descoberta levou as autoridades a ampliar a vigilância de animais silvestres na região. A Comissão de Saúde Animal do Texas também vai modificar uma zona de infestação estabelecida anteriormente.
O episódio ocorre em meio ao avanço da mosca-da-bicheira pela América do Norte e aumenta a preocupação com a disseminação do parasita entre animais silvestres e rebanhos.
Segundo caso é confirmado em outro estado
- No mesmo dia em que o caso do alce foi anunciado, autoridades do Novo México confirmaram a presença do parasita em uma vaca de corte no condado de Otero;
- Segundo a Reuters, os órgãos estaduais e federais estão ampliando a vigilância e a instalação de armadilhas para moscas nas áreas afetadas. O objetivo é identificar possíveis novas ocorrências e determinar se o parasita já se espalhou para além dos animais infectados;
- No Novo México, as autoridades estabeleceram uma zona de infestação com raio mínimo de 20 quilômetros ao redor do local onde o bovino foi encontrado. Dentro dessa área, os animais precisam passar por inspeção e, quando necessário, receber tratamento antes de serem transportados para dentro ou para fora da região;
- Os dois casos foram confirmados em estados vizinhos, mas as informações divulgadas pelas autoridades não demonstram, por si só, que os animais tenham sido infectados pela mesma fonte.
Como a mosca-da-bicheira ataca os animais
A mosca-da-bicheira do Novo Mundo é um inseto parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas ou em outras aberturas do corpo de animais de sangue quente, incluindo bovinos e animais silvestres.
Depois que os ovos eclodem, as larvas penetram no tecido e se alimentam dele, agravando as lesões. O processo pode provocar feridas progressivamente maiores e comprometer a saúde do animal.
De acordo com as autoridades do Texas, alguns sinais que podem indicar infestação são:
- Larvas visíveis em feridas ou aberturas do corpo;
- Ferimentos abertos, com secreção ou que estejam aumentando;
- Lesões com odor forte e desagradável;
- Animais debilitados, apáticos, isolados ou que aparentem sofrimento;
- Sinais de infestação nas regiões do nariz, da boca, das orelhas, dos olhos ou dos órgãos genitais.
O Departamento de Parques e Vida Selvagem do Texas orienta caçadores a inspecionar os animais abatidos antes de realizar a evisceração ou transportar as carcaças. A recomendação também se aplica a proprietários de terras e profissionais que trabalham com a fauna silvestre.
A identificação precoce é considerada importante para que as autoridades possam investigar casos suspeitos e tentar impedir a disseminação do parasita.

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Parasita havia sido erradicado dos EUA
A presença da mosca-da-bicheira preocupa porque o parasita havia sido erradicado dos Estados Unidos em 1966, por meio de uma estratégia que utiliza insetos esterilizados para interromper a reprodução da espécie.
Nos últimos anos, porém, o organismo voltou a avançar em direção ao norte, partindo da América Central e passando pelo México. A expansão levou o governo estadunidense a suspender as importações de gado mexicano em 2025, em tentativa de reduzir o risco de entrada do parasita.
O comércio foi retomado gradualmente em agosto de 2026, com a reabertura de um ponto de entrada no Arizona. A medida fazia parte de um plano condicionado ao cumprimento de etapas de controle sanitário.
A interrupção das importações contribuiu para restringir a oferta de bovinos nos Estados Unidos e pressionar os preços da carne bovina, que chegaram a níveis recordes para os consumidores.
O USDA e as autoridades estaduais continuam monitorando as áreas afetadas. A nova detecção em um animal silvestre reforça a importância da vigilância para identificar outras ocorrências e limitar a expansão do parasita.
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Saúde
Cogumelo pode ajudar a reduzir o sal da comida sem perder sabor

O aumento do sódio nos alimentos tem se tornado um problema cada vez maior na saúde humana. Levantamentos da OMS apontam que em 2023, cerca de 1,7 milhão de mortes no mundo estiveram diretamente ligadas ao alto consumo de sódio. Isso é acompanhado por outros dados da instituição que apontam que 1,4 bilhão de adultos possuem hipertensão e problemas relacionados ao excesso de sal.
E esses problemas podem estar perto de serem mitigados. Pesquisadores da Universidade Médica de Gannan, na China, identificaram um peptídeo derivado do cogumelo Hypsizygus marmoreus, mais conhecido como Shimeji-branco, capaz de aumentar em 70,59% a percepção de sabor salgado em testes. O estudo foi publicado na revista Nature em sua seção de “ciência da comida” no início deste mês.
Para quem tem pressa:
- Pesquisadores da Universidade Médica de Gannan, na China, identificaram peptídeos derivados do cogumelo shimeji-branco capazes de aumentar a percepção do sabor salgado em testes;
- Entre os compostos analisados, o peptídeo ASHGEGF apresentou o maior resultado, aumentando a percepção de salinidade em até 70,59%. Os outros dois peptídeos selecionados tiveram aumentos de 49,02% e 47,06%;
- A pesquisa busca desenvolver alternativas para reduzir o sódio nos alimentos sem comprometer o sabor. Os próximos testes vão avaliar o desempenho dos peptídeos em alimentos e soluções com baixo teor de sódio.
Extração de diversos peptídeos
A seleção do Hypsizygus marmoreus não foi aleatória. Sua rica presença de bioativos e realçadores de sabor tornou o shimeji-branco o favorito para a pesquisa.
Para identificar os peptídeos presentes no alimento, os autores do estudo misturaram o cogumelo em pó, água e algumas enzimas para quebrar as proteínas. Os resultados mostraram mais de seis mil peptídeos.
Com auxílio de ferramentas de IA e sistemas computacionais, os pesquisadores identificaram e reduziram o número de compostos relevantes e estáveis para apenas cinco. Produzidos sinteticamente, os peptídeos passaram por testes primários, nos quais três se destacaram: ASHGEGF, GDDWT e LDDGF.

Entre eles, o que mais se mostrou significativo foi o ASHGEGF. O peptídeo em questão potencializou a sensação de salinidade da solução de NaCl a 3 mg/mL, em até 70,59%, enquanto o LDDGF apresentou um aumento de 49,02% e por fim o GDDWT com 47,06%.
Os testes foram feitos primeiramente com humanos que indicaram o aumento do sabor salgado. Em seguida, os compostos passaram por uma “língua eletrônica” que apontou resultados mais específicos. A vantagem do experimento com o equipamento também foi relevante para evitar erros causados pela possível fadiga sensorial humana.
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Teste prático na alimentação

Os próximos passos da pesquisa visam analisar a performance dos peptídeos em alimentos e soluções com baixo nível de sódio.
Esse processo busca explorar a reação dos compostos com pouco sódio, entendendo mais a fundo sua capacidade de potencialização e se eles podem ser uma solução relevante para a substituição dos altos níveis salinos nos alimentos, sem que eles percam o sabor.
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