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Saúde

Estudo pode viabilizar o primeiro tratamento da COVID longa

Redação Informe 360

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Pesquisadores da WEHI, um instituto médico da Austrália, desenvolveram um composto antiviral que demonstrou prevenir sintomas da COVID longa em camundongos, oferecendo uma possível esperança para o tratamento dessa condição debilitante.

Publicado na Nature Communications, o estudo é o primeiro a mostrar que o tratamento evitou disfunção cerebral e pulmonar de longo prazo, principais sintomas da COVID longa.

A pesquisa abre caminho para futuros ensaios clínicos e, potencialmente, um tratamento oral para a doença.

COVID longa ainda carece de tratamentos

  • A COVID longa, ou sequela pós-aguda da COVID-19 (PASC), é uma condição crônica caracterizada por sintomas persistentes como dificuldades respiratórias, fadiga e confusão mental.
  • Embora afete milhões de pessoas, sua causa ainda é pouco compreendida, e não há tratamento aprovado.
  • O Dr. Marcel Doerflinger, chefe do laboratório WEHI, destacou que os resultados podem ser um marco na busca por terapias eficazes.
Tratamento oral para a COVID longa, que ainda não existe, pode estar perto de ser criado graças ao novo estudo – Imagem: Dmitry Demidovich/Shutterstock

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A pesquisa

Os pesquisadores identificaram uma proteína chamada PLpro, essencial para o coronavírus, como alvo promissor.

Após examinar mais de 400 mil compostos, a equipe desenvolveu um novo medicamento que pode superar barreiras dos tratamentos existentes. O Prof. David Komander, co-líder da equipe, comemorou a rapidez da descoberta, realizada em menos de cinco anos.

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Além de prevenir a COVID longa, o novo composto mostrou eficácia superior a antivirais atuais, como o Paxlovid, que apresenta limitações, como interações com outros medicamentos.

A pesquisa continua em colaboração com outros centros para otimizar o composto e avaliar seu potencial em tratamentos mais amplos para a COVID-19.

Ilustração do vírus da Covid-19
Causa para a COVID longa ainda não é completamente compreendida por especialistas (Imagem: Xeniia X/Shutterstock)

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Saúde

Mulher tem convulsões só na menstruação e lesão some após tratamento

Redação Informe 360

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Uma mulher de 41 anos passou a sofrer convulsões que ocorriam exclusivamente durante a menstruação. Após anos de investigação, médicos suspeitaram de endometriose no cérebro, depois que exames identificaram uma lesão no hipocampo, região ligada à memória.

O caso chamou a atenção dos pesquisadores porque as crises cessaram após tratamento hormonal e a lesão desapareceu em uma ressonância de 2026. A hipótese, porém, ainda não foi confirmada por biópsia.

Imagem de ressonância magnética
Uma ressonância identificou uma lesão no hipocampo direito, região cerebral ligada à memória. – Imagem: Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa Iaşi, 700115 Iaşi, Romênia

Lesão desapareceu após tratamento hormonal

As primeiras crises ocorreram em fevereiro de 2019. Durante os episódios, a paciente perdia parcial ou totalmente a consciência, ficava com o olhar parado e apresentava confusão e falhas de memória depois das convulsões.

Ela não relatava sintomas comuns da endometriose, como cólicas intensas e dor pélvica cíclica. Seis meses depois, começou a anotar as datas das crises e da menstruação. O diário revelou que os episódios aconteciam apenas durante o sangramento menstrual.

Uma ressonância magnética feita em agosto de 2019 identificou uma alteração no hipocampo direito. Os médicos investigaram possibilidades como malformação cerebral, infecção e tumor, mas os exames não esclareceram a origem do problema. Os medicamentos antiepilépticos também não conseguiram controlar as crises.

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Em 2020, outra ressonância revelou um nódulo de aproximadamente um centímetro, com características que poderiam indicar sangramento antigo. Essa descoberta levou os médicos a considerar a endometriose entre as hipóteses.

A paciente começou a tomar dienogeste e desogestrel em 2021. Os dois hormônios são utilizados no tratamento da endometriose. As convulsões cessaram, e os antiepilépticos foram suspensos três meses depois. Em março de 2026, uma nova ressonância já não mostrava a lesão.

O caso foi publicado em 11 de setembro no Journal of Clinical Medicine, por pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia.

Como o ciclo menstrual pode influenciar as crises

A epilepsia catamenial é caracterizada pela concentração das crises em determinadas fases do ciclo menstrual. Segundo a literatura citada pelos pesquisadores, ela afeta entre um terço e metade das mulheres em idade fértil que têm epilepsia.

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A relação envolve a ação dos hormônios sobre os neurônios. O estrogênio pode aumentar sua excitabilidade, enquanto a progesterona ajuda a inibir a atividade cerebral. Perto da menstruação, a queda desse segundo hormônio pode favorecer crises em mulheres suscetíveis.

Essa relação, por si só, não indica endometriose. A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina. Ainda não se sabe ao certo como esse tecido poderia chegar ao cérebro. Entre as hipóteses estão o transporte de células pelos vasos sanguíneos ou linfáticos e a permanência de células deslocadas durante o desenvolvimento embrionário.

Imagem de ressonância magnética de controle
Exame de imagem realizado em 2026 confirmou o desaparecimento completo da lesão identificada no início do quadro. – Imagem:: Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa Iaşi, 700115 Iaşi, Romênia

Diagnóstico continua sem confirmação

A endometriose cerebral é extremamente rara. Os pesquisadores encontraram apenas oito casos descritos em estudos anteriores e, até onde sabem, nenhum apresentava uma lesão claramente localizada no hipocampo, como a observada nesta paciente.

A raridade do quadro e a localização da alteração dificultaram a confirmação do diagnóstico. Os médicos consideraram arriscado retirar uma amostra do tecido para biópsia, exame que permitiria verificar se a lesão era realmente formada por tecido semelhante ao endométrio. Por isso, outras explicações continuam possíveis, incluindo um tumor de crescimento lento, uma inflamação ou alterações provocadas pelas próprias crises epilépticas.

O ginecologista Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose, explica que a doença deixou de ser considerada exclusivamente pélvica e passou a ser compreendida como uma condição crônica, inflamatória e sistêmica. Isso significa que suas manifestações podem ocorrer em diferentes partes do organismo, embora o acometimento cerebral seja excepcional.

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No caso da paciente, a resposta ao tratamento hormonal reforçou a suspeita, mas não resolveu a questão. O ginecologista e cirurgião Gustavo Leme ressalta que o ponto escuro observado na ressonância de 2020 poderia indicar a presença de ferro deixado por um sangramento antigo. Esse sinal, porém, não é exclusivo da endometriose e não permite confirmar a origem da lesão.

Há outro dado relevante: o tratamento hormonal foi interrompido em setembro de 2025, e as crises não haviam voltado no acompanhamento relatado. Em março de 2026, uma nova ressonância, realizada sem o uso dos hormônios, também não mostrou a alteração identificada nos exames anteriores.

Mesmo com essa evolução, os pesquisadores não conseguiram estabelecer a causa do desaparecimento da lesão e do fim das convulsões. A melhora pode estar relacionada ao controle de um possível foco de endometriose no cérebro ou à interrupção das oscilações hormonais que desencadeavam as crises. Sem a confirmação por análise do tecido, as duas explicações permanecem em aberto.

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Saúde

Microsoft cria IA que diagnostica doenças em etapas, como médicos

Redação Informe 360

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Uma inteligência artificial desenvolvida pela Microsoft foi mais de duas vezes mais precisa que médicos generalistas em testes com casos clínicos complexos. O resultado foi apresentado em um estudo publicado na revista Science.

A diferença está no método: em vez de analisar todos os dados de uma vez, o sistema investiga cada caso por etapas, fazendo perguntas e solicitando exames conforme novas informações surgem.

chatbot IA saúde
A ferramenta revisa as hipóteses de diagnóstico e pode solicitar novos exames conforme os resultados da investigação. – Imagem: khunkornStudio/Shutterstock

Como funciona a junta médica virtual

A ferramenta utiliza um mecanismo chamado orquestrador, que coordena um painel simulado de especialistas em inteligência artificial. O sistema decide quais informações precisa obter sobre o histórico do paciente, considera os achados do exame físico e determina quais testes podem ajudar a esclarecer o quadro.

Os resultados orientam as decisões seguintes. Se as informações forem insuficientes, a IA pode solicitar novos exames e rever as hipóteses levantadas anteriormente, ajustando o plano de investigação ao longo do processo.

Os pesquisadores avaliaram a tecnologia em mais de 300 casos clínicos incomuns e difíceis de diagnosticar. Nessas situações, o modelo superou em mais de duas vezes a precisão de médicos generalistas que recorreram a livros de referência e à internet. O sistema também teve desempenho superior em cenários baseados em um grande banco de dados de internações em prontos-socorros.

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Para os pesquisadores, esses resultados ajudam a explicar por que testes convencionais podem não ser suficientes para avaliar uma IA médica. Avaliações anteriores costumam usar questões de múltipla escolha, que não reproduzem a necessidade de investigar um paciente durante uma consulta.

“É claro que a IA se tornou muito boa em obter 100% de acertos nessas provas”, afirmou Dominic King, vice-presidente corporativo da divisão de saúde da Microsoft AI. “Mas isso não corresponde à realidade. Nenhum paciente jamais veio me consultar com um resumo bem organizado.”

Diagnósticos mais criteriosos e custos menores

A precisão não foi o único aspecto avaliado. Segundo os pesquisadores, os processos diagnósticos organizados pelo orquestrador custaram menos do que aqueles conduzidos por médicos.

Harsha Nori, responsável pela área de inteligência artificial da Microsoft AI Health, explicou que o estudo também considera a maneira como a investigação é conduzida.

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“Não estamos medindo apenas a precisão dos sistemas. Também estamos medindo com que critério e cuidado eles conduzem uma investigação diagnóstica”, disse Nori.

Esse método permite que a ferramenta adapte suas decisões ao longo da avaliação, em vez de seguir um roteiro fixo. Entre os aspectos considerados estão a necessidade de aprofundar a investigação e o momento de solicitar novos exames.

Profissional de saúde segura um tablet enquanto elementos gráficos representam inteligência artificial e processamento de dados.
A próxima etapa da pesquisa vai testar a ferramenta de IA em salas de espera de prontos-socorros, em parceria com um hospital de Boston. – Imagem: raker / Shutterstock

Próximo passo será testar a triagem em emergências

A Microsoft vai trabalhar com o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, para avaliar a capacidade da ferramenta de classificar pacientes em salas de espera de prontos-socorros.

A triagem ajuda a identificar quem precisa de atendimento mais urgente. O teste deverá mostrar como a tecnologia se comporta nesse contexto, mas sua utilidade na rotina hospitalar ainda precisa ser avaliada.

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Saúde

EUA ampliam vigilância após detectar mosca-da-bicheira em animal selvagem

Redação Informe 360

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O parasita conhecido como mosca-da-bicheira do Novo Mundo foi detectado pela primeira vez em décadas em um animal silvestre nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês) confirmou nesta quarta-feira (21) a presença do organismo em uma fêmea de alce encontrada no condado de Pecos, no Texas.

O animal estava em propriedade destinada à caça e o caso foi identificado depois que um caçador abateu o alce. Uma amostra foi encaminhada a um laboratório especializado em insetos que afetam a pecuária, em Kerrville, também no Texas, onde a presença do parasita foi confirmada.

A descoberta levou as autoridades a ampliar a vigilância de animais silvestres na região. A Comissão de Saúde Animal do Texas também vai modificar uma zona de infestação estabelecida anteriormente.

O episódio ocorre em meio ao avanço da mosca-da-bicheira pela América do Norte e aumenta a preocupação com a disseminação do parasita entre animais silvestres e rebanhos.

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Segundo caso é confirmado em outro estado

  • No mesmo dia em que o caso do alce foi anunciado, autoridades do Novo México confirmaram a presença do parasita em uma vaca de corte no condado de Otero;
  • Segundo a Reuters, os órgãos estaduais e federais estão ampliando a vigilância e a instalação de armadilhas para moscas nas áreas afetadas. O objetivo é identificar possíveis novas ocorrências e determinar se o parasita já se espalhou para além dos animais infectados;
  • No Novo México, as autoridades estabeleceram uma zona de infestação com raio mínimo de 20 quilômetros ao redor do local onde o bovino foi encontrado. Dentro dessa área, os animais precisam passar por inspeção e, quando necessário, receber tratamento antes de serem transportados para dentro ou para fora da região;
  • Os dois casos foram confirmados em estados vizinhos, mas as informações divulgadas pelas autoridades não demonstram, por si só, que os animais tenham sido infectados pela mesma fonte.

Como a mosca-da-bicheira ataca os animais

A mosca-da-bicheira do Novo Mundo é um inseto parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas ou em outras aberturas do corpo de animais de sangue quente, incluindo bovinos e animais silvestres.

Depois que os ovos eclodem, as larvas penetram no tecido e se alimentam dele, agravando as lesões. O processo pode provocar feridas progressivamente maiores e comprometer a saúde do animal.

De acordo com as autoridades do Texas, alguns sinais que podem indicar infestação são:

  • Larvas visíveis em feridas ou aberturas do corpo;
  • Ferimentos abertos, com secreção ou que estejam aumentando;
  • Lesões com odor forte e desagradável;
  • Animais debilitados, apáticos, isolados ou que aparentem sofrimento;
  • Sinais de infestação nas regiões do nariz, da boca, das orelhas, dos olhos ou dos órgãos genitais.

O Departamento de Parques e Vida Selvagem do Texas orienta caçadores a inspecionar os animais abatidos antes de realizar a evisceração ou transportar as carcaças. A recomendação também se aplica a proprietários de terras e profissionais que trabalham com a fauna silvestre.

A identificação precoce é considerada importante para que as autoridades possam investigar casos suspeitos e tentar impedir a disseminação do parasita.

Alce
Parasita foi encontrado na fêmea de um alce – Imagem: Ondrej Prosicky/Shutterstock

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Parasita havia sido erradicado dos EUA

A presença da mosca-da-bicheira preocupa porque o parasita havia sido erradicado dos Estados Unidos em 1966, por meio de uma estratégia que utiliza insetos esterilizados para interromper a reprodução da espécie.

Nos últimos anos, porém, o organismo voltou a avançar em direção ao norte, partindo da América Central e passando pelo México. A expansão levou o governo estadunidense a suspender as importações de gado mexicano em 2025, em tentativa de reduzir o risco de entrada do parasita.

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O comércio foi retomado gradualmente em agosto de 2026, com a reabertura de um ponto de entrada no Arizona. A medida fazia parte de um plano condicionado ao cumprimento de etapas de controle sanitário.

A interrupção das importações contribuiu para restringir a oferta de bovinos nos Estados Unidos e pressionar os preços da carne bovina, que chegaram a níveis recordes para os consumidores.

O USDA e as autoridades estaduais continuam monitorando as áreas afetadas. A nova detecção em um animal silvestre reforça a importância da vigilância para identificar outras ocorrências e limitar a expansão do parasita.

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