Saúde
Diabetes: injeções de insulina podem ser substituídas por novo método

Pessoas diabéticas por vezes ficam insatisfeitas pela frequência que precisam passar pelo procedimento invasivo que é tomar injeções com insulina. Essa realidade pode mudar, após especialistas desenvolverem um novo método de administração de insulina em que os usuários apenas colocam algumas gotas debaixo da língua.
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No estudo, conduzido por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), desenvolveu um novo sistema que ainda pode ser chamado de insulina oral, apesar de não ser engolido pelo paciente.
O procedimento consiste em administrar a insulina em forma de gotas colocadas debaixo da língua, um método conhecido como administração sublingual, útil para medicamentos que não sobrevivem ao estômago.
O procedimento é eficaz porque o tecido sob a língua contém muitos capilares, permitindo que a droga se difunda rapidamente na corrente sanguínea.

Normalmente, esse método não funcionaria bem com a insulina porque é uma molécula grande que não consegue passar facilmente pelas células. Para resolver essa questão, a equipe combinou a insulina com um peptídeo de penetração celular (CPP), feito de subprodutos de peixe, que torna as células mais porosas.
“Pense nisso como um guia que ajuda a insulina a navegar por um labirinto para chegar rapidamente à corrente sanguínea”, disse o Dr. Jiamin Wu, pesquisador do estudo. “Este guia encontra as melhores rotas, tornando mais fácil para a insulina chegar onde precisa.”
Testes com gotas de insulina se mostraram positivos
- Durante a pesquisa, a equipe científica testou a técnica em ratos.
- Quando combinada com CPP, a insulina atingiu com sucesso a corrente sanguínea e controlou os níveis de glicose no sangue tão bem quanto a insulina administrada por injeção.
- Sem o peptídeo guia, a insulina tendia a ficar presa na mucosa da boca.
Os pesquisadores trabalham atualmente no licenciamento da tecnologia para parceiros comerciais.

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Saúde
Peste: doença medieval ainda causa até 3 mil casos todos os anos

Associada à Idade Média, a peste continua circulando em algumas regiões do mundo. Causada pela bactéria Yersinia pestis, a doença provoca até 3 mil casos por ano, segundo o Instituto Robert Koch, da Alemanha, e pode ser fatal sem diagnóstico e tratamento rápidos.
O risco varia conforme a forma da infecção. Na peste pneumônica, que atinge os pulmões e pode ser transmitida entre pessoas, a doença pode levar à morte em até 48 horas após o início dos sintomas.

As três formas da doença
A peste ficou marcada pela pandemia que atingiu a Europa a partir de 1347. Entre 1347 e 1353, cerca de 25 milhões de pessoas morreram, o equivalente a aproximadamente 60% da população europeia. A bactéria, no entanto, sobreviveu àquele período e continua presente em determinadas regiões.
A infecção pode se manifestar de três maneiras:
- Bubônica: transmitida principalmente por pulgas infectadas, provoca inchaço doloroso dos gânglios linfáticos.
- Septicêmica: ocorre quando a bactéria alcança a corrente sanguínea.
- Pneumônica: afeta os pulmões e pode passar de uma pessoa infectada para outra por gotículas ou aerossóis.
Os sintomas iniciais podem dificultar a identificação da doença. Paul Gaylord, morador do estado americano do Oregon, foi mordido por seu gato doente e recebeu antibióticos para tratar uma possível doença da arranhadura do gato. Como não melhorou, acabou internado na UTI e entrou em coma. O diagnóstico correto só veio depois. Gaylord sobreviveu e relatou o caso ao The Guardian em 2014.
Onde a peste ainda circula
Atualmente, a doença é registrada sobretudo na República Democrática do Congo, em Uganda e em Madagascar. Segundo o Instituto Robert Koch, o país insular registra entre 250 e 500 infecções por ano. Também há casos ocasionais no oeste dos Estados Unidos.
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A bactéria, porém, é muito mais antiga que a pandemia medieval. Vestígios de Yersinia pestis foram encontrados em esqueletos com mais de 5.500 anos. Ao longo de sua evolução, o surgimento do gene ymt permitiu a transmissão por pulgas, contribuindo para a disseminação da doença.
Na Europa, os últimos casos foram registrados na ilha francesa da Córsega, em 1945. Segundo especialistas, a ausência de roedores infectados dentro das casas contribuiu para interromper a circulação da peste na região.

Diagnóstico rápido pode salvar vidas
Existem antibióticos eficazes contra a peste, mas o tratamento precisa começar rapidamente. Em locais onde exames e medicamentos são menos acessíveis, a demora para confirmar a infecção pode ser decisiva. Holger Scholz, especialista do Instituto Robert Koch, resume o problema: “O problema é que os primeiros pacientes de um surto frequentemente morrem antes que o diagnóstico correto seja estabelecido e o tratamento seja iniciado.”
Apesar da gravidade da doença, especialistas consideram extremamente improvável uma nova pandemia mundial. A peste não se transmite tão facilmente quanto a gripe ou a Covid-19, e os antibióticos e as melhores condições de higiene ajudam a conter sua disseminação. A identificação rápida dos casos continua sendo fundamental para reduzir mortes e controlar surtos.
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Saúde
Terapia genética com luz consegue devolver parte da visão em teste clínico

Uma terapia genética baseada no uso da luz conseguiu restaurar parcialmente a função visual de pessoas com retinite pigmentosa. Em um estudo com 10 pacientes, alguns voltaram a perceber luz e identificar objetos com ajuda de óculos especiais, além de apresentarem melhora na realização de determinadas tarefas.
A técnica, chamada terapia optogenética, torna células sobreviventes da retina sensíveis à luz. O resultado não representa a recuperação da visão normal: os pacientes ainda não conseguem, por exemplo, reconhecer rostos. A abordagem também não depende da causa genética específica da doença.

Como funciona
A retinite pigmentosa reúne doenças genéticas que afetam mais de 1,5 milhão de pessoas no mundo e provocam a perda gradual das células da retina responsáveis por detectar a luz. As células ganglionares, que transmitem informações visuais ao cérebro, costumam permanecer preservadas por mais tempo.
Por isso, elas são o alvo da terapia. Uma única injeção no olho utiliza um vírus sintético modificado e inofensivo como veículo para levar instruções genéticas às células ganglionares. O objetivo é fazê-las produzir uma proteína capaz de responder à luz. Em outras palavras, o tratamento não reconstrói as células da retina que foram perdidas, mas dá às células sobreviventes uma nova função.
Depois do procedimento, os pacientes usam óculos especiais que captam imagens do ambiente e as transformam em pulsos de luz de um único comprimento de onda. Esses sinais ativam as células modificadas e permitem perceber uma imagem monocromática.
Podemos afirmar com certeza que o conceito da optogenética é válido para a restauração da visão.
Botond Roska, professor e um dos autores principais do estudo, em nota.
O que os pacientes conseguiram fazer
Seis dos 10 participantes apresentaram melhora clinicamente significativa na sensibilidade à luz. Alguns também tiveram desempenho melhor em tarefas realizadas com os óculos, como localizar e tocar um caderno, encontrar uma porta e caminhar sobre uma linha.
Os participantes que passaram mais tempo treinando com os óculos tenderam a apresentar melhor desempenho nessas atividades.
O estudo também trouxe dados importantes sobre a segurança da abordagem:
- apenas um efeito colateral ocular grave foi registrado;
- o problema foi resolvido em poucos minutos;
- não houve efeitos colaterais relacionados à terapia no restante do corpo;
- os resultados foram acompanhados por até cinco anos.
Mark Hankins, professor de Neurociência Visual da Universidade de Oxford e não envolvido no estudo, destacou a evolução em relação ao primeiro teste.
“Passamos de um paciente para 10 pacientes, vimos melhora na sensibilidade à luz e mostramos que podemos oferecer uma restauração estável de alguma função visual, alguma sensibilidade à luz, que dura quatro ou cinco anos nesses pacientes”, disse.

Visão ainda tem limitações
A localização das células tratadas ajuda a explicar por que a recuperação é parcial. Elas ficam em um anel ao redor da fóvea, pequena região da retina responsável pela visão central nítida. Por isso, os pacientes conseguem detectar objetos, mas ainda não reconhecem rostos.
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A equipe pretende agora buscar uma restauração visual com maior resolução. Roska estima que esse objetivo possa ser alcançado em cinco a dez anos.
O estudo amplia o resultado obtido em 2021, quando a terapia restaurou parcialmente a função visual de uma única pessoa.
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Saúde
Rússia nega surto de peste pneumônica após morte em laboratório

A Rússia negou nesta quarta-feira (7) relatos falsos sobre a morte de uma funcionária de um instituto de pesquisa da peste na Sibéria e afirmou ter informado a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o caso.
O episódio ocorreu na semana passada e levou dezenas de pessoas a uma quarentena na região de Irkutsk. Segundo a agência sanitária russa, nenhum caso de peste foi identificado entre os contatos da funcionária.
Rússia contesta relatos sobre o episódio
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que muitas reportagens sobre a morte são falsas e orientou a população a confiar nas informações divulgadas pela Rospotrebnadzor, agência estatal de vigilância sanitária.
A declaração ocorreu após um jornalista questionar Peskov sobre uma reportagem da ABC News. Segundo a publicação, os Estados Unidos teriam apresentado uma queixa diplomática formal contra a maneira como Moscou conduziu o caso e pedido mais transparência.
A movimentação das autoridades russas incluiu o envio do chefe da Rospotrebnadzor para a região de Irkutsk. Na terça-feira (6), a agência informou que nenhum caso da doença havia sido detectado entre as pessoas que tiveram contato com a funcionária.
O órgão também desmentiu um documento que circulava na internet sobre um suposto endurecimento das medidas sanitárias e epidemiológicas e das restrições na região.
“O documento e as informações em questão não provêm de fontes oficiais e são falsos”, afirmou a Rospotrebnadzor no Telegram.
Entre os pontos que a agência classificou como falsos estão:
- a autenticidade de um documento atribuído às autoridades;
- supostas mudanças nas medidas sanitárias e epidemiológicas;
- alegações sobre novas restrições na região de Irkutsk;
- informações que contradizem o balanço oficial sobre os contatos da funcionária.
EUA e União Europeia cobram transparência
Enquanto Moscou rejeita os relatos que considera falsos, os Estados Unidos adotaram uma postura mais cautelosa. Na terça-feira, a embaixada americana recomendou que cidadãos dos EUA que estejam na Rússia deixem o país “imediatamente”.
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Antes do anúncio, Donald Trump havia dito que pretendia ligar para Vladimir Putin para conversar sobre o caso. Peskov afirmou, porém, que nenhuma conversa entre os dois presidentes estava agendada.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse acompanhar a situação “muito de perto” e pediu que a Rússia fornecesse mais informações sobre a morte.
A União Europeia também cobrou transparência nesta quarta-feira. Para o bloco, é importante obter dados confiáveis para avaliar a situação.
“Acreditamos que é necessário obter resultados epidemiológicos e microbiológicos confiáveis. Estamos acompanhando a situação de perto”, afirmou Eva Hrncirova, porta-voz da Comissão Europeia.
O que é a peste pneumônica?
A peste pneumônica é uma infecção que atinge os pulmões e pode ser fatal, segundo a OMS. Ela é altamente contagiosa e pode ser transmitida por gotículas.
A doença é diferente da peste bubônica, que afeta os gânglios linfáticos e é transmitida por pulgas infectadas.
Até o momento, a Rospotrebnadzor afirma que nenhum caso de peste foi identificado entre as pessoas que tiveram contato com a funcionária. A situação segue sob acompanhamento das autoridades russas e de governos estrangeiros.
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