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“Única herança que tive na vida foi a educação”, diz nova CEO da Ânima

Redação Informe 360

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no

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

paula harraca, nova CEO da Ânima Educação
Daniel Mag

Paula Harraca conta como foi o processo para encerrar um ciclo na carreira e assumir como presidente da Ânima Educação

Depois de 20 anos de carreira na ArcelorMittal, de trainee ao C-Level, Paula Harraca assume agora como CEO da Ânima Educação. A executiva argentina é a primeira mulher no cargo e também a primeira que não faz parte do grupo de sócios-fundadores da companhia. “Por onde eu passei, fui a primeira, mas garanti que não seria a última.”

Quando entrou na multinacional de aço em Rosário, sua cidade natal, era a única entre 500 homens. Também foi a primeira na diretoria, mas quando saiu já eram quatro. Na companhia, passou por seis países diferentes e diversas áreas, especialmente voltadas para gente e gestão. E estava a um passo de virar presidente quando decidiu sair. “Eu podia ser CEO, mas existia uma grande diferença entre a minha potência e essa cadeira numa empresa da indústria de base.”

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A executiva já ocupava desde 2019 um assento no conselho consultivo da Una, onde começou a história da Ânima em Belo Horizonte. Em maio de 2023, foi convidada pelos fundadores da empresa a participar do processo para se tornar CEO. E, no final do ano passado, passou a fazer parte do conselho de administração da Ânima para conhecer melhor a empresa. “Minha conexão com a educação é profunda. Minha mãe foi professora universitária 50 anos e posso dizer que a única e melhor herança que eu tive na minha vida foi a educação.”

Fundada há 21 anos, a Ânima tem hoje 18 instituições de ensino superior e mais de 700 polos educacionais por todo o Brasil. Foi liderada por Daniel Castanho, atual presidente do conselho, e, nos últimos seis anos, Marcelo Battistella Bueno atuou como CEO. Bueno ficará ao lado de Paula até o final deste ano para ajudar na transição.

Desde que deixou a companhia de aço e se abriu para novas oportunidades, Paula deu mais de 50 palestras, escreveu o livro “O poder transformador do ESG: como alinhar lucro e propósito” e recebeu convites de grandes empresas. “Tive oito propostas no último ano, quando saí da ArcelorMittal. Eu nunca tinha escutado uma proposta na minha vida.”

Aqui, a nova CEO da Ânima conta como tomou decisões importantes na carreira e descreve o processo para se tornar CEO de uma grande empresa.

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Forbes: Como foi o processo para se tornar CEO da Ânima?

Paula Harraca: Eu entrei inicialmente no grupo Ânima em 2019, fiquei dois anos no conselho consultivo da Una, um dos centros universitários e onde começou a história da Ânima em Belo Horizonte. Entrei com a missão de conectar a Una com o mercado de trabalho, na época eu estava como executiva na ArcelorMittal.

No ano passado eu já estava numa transição de carreira, decidi encerrar um ciclo de 20 anos na ArcelorMittal, onde eu construí praticamente toda a minha trajetória profissional, desde trainee até o C-Level. E naquele momento eu comecei a me abrir para pensar profundamente o que que eu queria construir, em qual projeto eu iria decidir minha energia, minha potência e minha vocação.

Em maio do ano passado me encontrei com Daniel [Castanho] e Marcelo [Battistella Bueno] e eles me convidaram para participar do processo seletivo. Olhando para trás e para toda essa construção de um ano, eu não estava pronta do ponto de vista pessoal, ainda tinha desafios nessa transição, assim como a empresa. Mas a partir daí foi a hora certa, no lugar certo e com as pessoas certas.

O convite para participar do conselho da Ânima fez parte do processo?

No final do ano passado, eles me convidaram para sentar no conselho de administração para conhecer melhor a empresa e também para a empresa me conhecer. Porque de fato é uma escolha mútua: a Ânima está me escolhendo, mas eu escolhi a Ânima. Eu tive oito propostas no último ano, que foi o momento em que eu saí da ArcelorMittal e comecei a escutar propostas. Eu nunca tinha escutado uma proposta na minha vida. Eu fiquei 20 anos na empresa sem interesse de sair até passar por esse processo de revistar minha vida e me abrir a um novo momento. Durante o processo eu conversei com inúmeras pessoas. Foi muito legal e muito diferente dos processos que eu tive no início da minha carreira.

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Qual a importância de ser a primeira CEO que não faz parte do grupo de sócios-fundadores?

Um processo sucessório dessa natureza leva tempo, meses, anos, que a companhia vem se estruturando e se preparando para isso. O dia que eu tive a primeira conversa com Daniel e com o Marcelo foi um dia bem importante para mim. Eu senti que era com eles que eu queria construir o segundo tempo do jogo da minha vida. O Marcelo assumiu há seis anos, depois do Daniel, com a missão de criar a cadeira de um CEO e caminhar para essa profissionalização e essa maturidade na governança sabendo que seria um passo importante para depois poder trazer um executivo ou uma executiva que não fosse do time dos fundadores.

Eu chego com a missão de estruturar uma agenda de crescimento e conduzir a empresa no futuro. O time vive o propósito e isso vem desde os sócios-fundadores até os colaboradores.

O que pesou na sua decisão de sair da ArcelorMittal?

A decisão de sair foi uma somatória de elementos. Durante a pandemia, eu fiz 40 anos, e já atingi uma qualidade de vida que a minha família nunca teve. Comecei a pensar o que mais eu queria construir. Porque a realização não é dinheiro, não é status, não é o cargo que me move. A gente sempre está, a gente não é o cargo. Existe um risco de se perder e ir para um lugar de ego. Então sempre coloquei o cargo como uma missão a serviço do time, da empresa.

Eu cheguei num momento em que eu já sabia onde eu podia chegar na empresa, eu podia ser CEO. Eu tive essa conversa, recusei dois convites de me tornar CEO de business units menores, inclusive da Argentina.

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E aí os caminhos começaram a afunilar. Meu CEO chegou a perguntar se eu queria aquilo ou não. Comecei a questionar: será que não tem alguém melhor do que eu para isso?

Existia uma diferença muito grande entre a minha potência e a cadeira do CEO de uma empresa de indústria de base, que é muito técnica. Seria a primeira mulher da siderurgia, o convite mexeu, claro, mas não batia. Então eu agradeci, mas falei para o meu CEO que sabia onde podia chegar lá dentro, mas precisava saber onde poderia chegar aqui fora.

Como saber o momento de encerrar um ciclo na carreira?

Eu chamei um analista para perguntar se eu estava louca de sair de uma empresa onde estava há 20 anos e poderia virar CEO. Mas a minha potência não era mais para aquele contexto. Para entender isso, a gente precisa se conhecer, saber nossas limitações, mas também ter um olhar generoso de entender as nossas potências. São muitas cobranças e precisamos entender o que é importante para nós e do que precisamos abrir mão.

A partir desse momento, como foi a transição?

Saí de uma empresa onde fiquei 20 anos e ao mesmo tempo decidi me separar do meu marido, que eu conheci na ArcelorMittal. Foram duas grandes decisões corajosas e difíceis que eu tomei na minha vida e ciclos que eu decidi encerrar.
Eu confiei, entreguei para o destino, não fiquei ansiosa, deixei as coisas fluírem e estava aberta ao novo. No ano passado, eu dei 55 palestras remuneradas nas principais empresas do Brasil e escrevi um livro que se tornou best seller. Porque a gente precisa cultivar nossos talentos, muito mais do que procurar um cargo.

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E isso acontece ao mesmo tempo em que eu sou mãe e estava passando por uma separação. A mulher se cobra muito, então um recado especial para as líderes é que a gente precisa se cuidar com a mesma intensidade que a gente se cobra. A gente não vai dar conta de tudo e vai precisar de ajuda.

Qual a importância do networking para a carreira, especialmente em períodos como esse que você passou?

Sou uma pessoa muito relacional, sempre fui. E acredito muito no poder dos vínculos. Os negócios não são B2B, B2C, são P2P [people to people] – é gente conversando com gente. É isso que faz o mundo rodar. Então por onde eu passei eu construí algumas redes, mas não foi intencional. Dentro da ArcelorMittal, eu entrei como trainee, fui a primeira mulher entre 500 homens, lá em Rosário. Cheguei na diretoria como a primeira mulher entre 10 engenheiros metalurgistas de 60 e poucos anos, e eu tinha 30 e poucos. Eu fui abrindo os caminhos e tudo isso se deu com a relação com as pessoas.

O convite do livro, por exemplo, a editora Planeta que me procurou para escrever depois que eles me escutaram dando uma palestra. Quando você faz algo genuíno, a vida te devolve e te coloca nos caminhos de conexões.

Você enxerga um movimento de mais profissionais de RH assumindo como CEOs e outras posições relevantes?

Observo esse movimento sim. Tradicionalmente, quem assumia uma cadeira de CEO era, em sua grande maioria, o CFO, o CMO ou alguém da operação. A emergência de profissionais da área de gente – porque eu não gosto de falar de Recursos Humanos, porque somos humanos, não somos recursos – faz sentido nessa era de inteligência artificial e rupturas tecnológicas. Enquanto as máquinas vão se tornando feras em fazer, nós, humanos, precisamos nos tornar muito melhores em ser.

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As organizações têm um grande desafio na era do ESG, e isso tem a ver com o meu livro. A grande variável do jogo é a incoerência; as pessoas não querem ficar em empresas que falam uma coisa e não são aquilo.

O S [social] não é só da porta para fora. É importante olhar para o impacto que criamos com as nossas atividades, mas a principal missão é cuidar do seu time, das pessoas que compõem uma empresa. Porque o que é uma empresa? É um prédio? Uma universidade? Uma máquina? Um processo produtivo? Não, são as pessoas que fazem uma empresa. Algo que pode até parecer óbvio, mas às vezes precisa ser dito. E a área de pessoas vem evoluindo e fazendo cada vez mais parte do negócio. A partir do entendimento das necessidades do negócio, oferece as melhores soluções, traz as pessoas certas e prepara os profissionais para futuros que não sabemos exatamente como serão. Essa talvez seja a única coisa que não vai mudar em um mundo de mudanças constantes.

Quais agendas são mais importantes nesse sentido?

A gente poderia englobar três componentes nessa equação de pessoas: gente, liderança e cultura. Primeiro, que tipo de gente nós precisamos atrair para o nosso negócio? Que tenham brilho no olhar e vontade de aprender, o resto a gente ensina. Segundo, liderança não é cargo, é um serviço de impacto, de influência, de coragem. Eu gosto de ver o líder como uma cama elástica. Porque precisa dar propulsão para as pessoas irem além, mas também precisa acolher na queda e criar um ambiente seguro para as pessoas inovarem. E a cultura vem para materializar aquele jeito coletivo único de ser e de fazer. Talvez seja a única fonte de vantagem competitiva que nenhum concorrente pode copiar de uma empresa. E está se tornando cada vez mais estratégica porque faz o alinhamento dos comportamentos, sistemas e símbolos que precisam alavancar a estratégia. Esse alinhamento entre estratégia e cultura faz com que a empresa olhe para a sua essência e trabalhe nessa linha de coerência, sem precisar surfar nas modinhas.

F: Sua última posição na ArcelorMittal foi como Chief Future Officer. O que isso significa?
Eu era uma VP que englobava várias diretorias. Tinha diretoria da estratégia e ESG, de inovação, comunicação integrada, branding, cultura, diversidade, gerência de PMO, que fazia a tradução da estratégia dos principais indicadores da gestão de projetos, e investimento social. Eu estava presidente da Fundação ArcelorMittal durante os últimos oito anos. Todas essas pautas se criam em paralelo ao negócio.

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Você se coloca como uma eterna aprendiz. Qual a importância disso para a liderança?

Quanto mais a gente aprende, mais a gente percebe o pouco que ainda sabemos. Tive oportunidades incríveis de fazer programas executivos renomados, mas o mais importante não é o curso. Muita gente está cheio de diplomas, mas não tem aprendizado. Aprendizado precisa de aplicação. Eu gosto de sonhar fazendo.

As qualidades que eu venho trabalhando como liderança consciente são essenciais independente do setor e da área e tem muita a ver com desafios contemporâneos na liderança. São elas: a humildade para aprender, para saber que a gente não sabe tudo, saber aceitar nossas limitações, pedir ajuda, estudar, correr atrás, jogar em time, se comprometer. E, por fim, a coragem de inovar. Coragem não é ausência de medo. É sabendo nossas limitações, se preparar para expandir e ir além.

A gestão tradicional, que já sabe de tudo e não abre espaço para o novo, normalmente chega e pergunta o que tem de orçamento e o que dá para fazer.

Já uma liderança que se propõe a criar futuros, transformar e aprender nesse processo chega para o time e pergunta “o que nós queremos?” e a segunda pergunta é “do que nós precisamos?”. O convite é para nunca subordinar objetivos a recursos. Porque os recursos são limitados por natureza, tempo, dinheiro e espaço, a gente administra, mas os objetivos nos conduzem para o futuro.

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Por quais empresas passou

ArcelorMittal, como executiva.
ABRH-MG, FIEMG, Abertta Saúde, Una, Museu do Amanhã, Amcham Brasil, Ânima Educação e Fundação Dom Cabral, como membro do conselho.

Formação

Graduada em Administração de Empresas pela Universidade Austral (Argentina)
Master em Recursos Humanos pela Universidade de Léon (Espanha)
Finanças para Executivos pela Warthon School (USA)
Futurista pelo Institute for the Future (USA)
ESG na Sala de Conselho pela Fundação Dom Cabral (Brasil)

Primeiro emprego

Assistente de marketing no Shopping del Siglo, em Rosário (Argentina)

Primeiro cargo de liderança

Coordenadora do modelo de gestão da ArcelorMittal Aços Longos Europa

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Tempo de carreira

25 anos

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Visa Anuncia Novos Diretores Sêniores para Área de Marketing

Redação Informe 360

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A Visa anunciou dois novos diretores sêniores para liderar a área de serviços de marketing da companhia.

Camila Novaes, até então diretora de marketing da Visa no Brasil, passa a responder pelos segmentos de bancos públicos e regionais. Com passagens por empresas como Sony e Cielo, a executiva acumula mais de 25 anos de carreira, sendo 10 na Visa, e venceu o Prêmio Caboré 2025 na categoria Profissional de Inovação.

Brian Kleiman, que atuava como CMO do Burger King para a América Latina, assume os segmentos de bancos privados, cooperativas, novos negócios e fintechs. Com mais de duas décadas de experiência, o executivo construiu sua trajetória em companhias como Mars, Philips e IBM.

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Negócios

Profissionais Pulam Reuniões e Mandam Assistentes de IA no Seu Lugar

Redação Informe 360

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Assistentes de reunião baseados em inteligência artificial se tornaram a mais nova ferramenta queridinha do ambiente de trabalho. De acordo com uma pesquisa da plataforma Software Finder, 1 em cada 5 profissionais já utiliza recursos de IA para gerar anotações automáticas durante as videoconferências.

Mais do que isso, 30% admitem ter pulado reuniões, confiando que os assistentes digitais registrariam as discussões relevantes e eles poderiam se concentrar em atividades mais importantes.

Mas a verdadeira questão não é se a IA pode participar das suas reuniões. A pergunta é se ela deveria, e em quais situações. Embora essas ferramentas ofereçam benefícios claros, terceirizar sua presença gera impactos que muitas organizações ainda não consideraram.

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Entender onde os assistentes de IA realmente agregam valor (e onde eles deixam a desejar) é essencial para usá-los de forma eficaz, sem comprometer a visibilidade, influência ou confiança.

Por que deixar a IA participar das reuniões

Organizações e profissionais que utilizam assistentes de reunião com IA de maneira intencional começam a observar ganhos mensuráveis em produtividade, avanço na carreira e colaboração entre equipes.

Economia massiva de tempo

Os ganhos de produtividade proporcionados por ferramentas de reunião com IA são difíceis de ignorar. Uma pesquisa da SAP SuccessFactors mostra que 58% dos funcionários entrevistados afirmam economizar tempo no trabalho ao usar IA. Em média, os profissionais dizem economizar cerca de 52 minutos por dia, ou quase cinco horas por semana. Ao longo de um ano, isso representa aproximadamente 250 horas por funcionário que podem ser redirecionadas para atividades de maior valor.

Recompensas profissionais e financeiras

Além da economia de tempo, os dados da Software Finder indicam uma forte relação entre a adoção de anotações por IA e o avanço na carreira. Profissionais que usam assistentes de IA com frequência têm uma probabilidade significativamente maior de ter recebido uma promoção recentemente. Cerca de 28% dos usuários frequentes relatam ter sido promovidos, em comparação com 15% daqueles que nunca utilizam essas ferramentas.

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O impacto financeiro segue um padrão semelhante. Usuários frequentes desse tipo de tecnologia ganham, em média, um salário 27% superior ao dos funcionários que não utilizam essas ferramentas. Essa diferença sugere que profissionais que integram a IA aos seus fluxos de trabalho são cada vez mais vistos como mais produtivos e melhor posicionados para se concentrar em atividades estratégicas, em vez de tarefas administrativas.

Mais colaboração e engajamento

Quando a IA cuida das tarefas manuais, as equipes conseguem se concentrar mais plenamente nas discussões e na tomada de decisão. Tirar o foco da anotação e direcioná-lo para a participação transforma a dinâmica das reuniões e a forma como os times colaboram.

Veja os benefícios:

  • A participação nas reuniões aumenta quando os participantes não estão distraídos anotando tudo;
  • A tomada de decisões se torna mais rápida quando as equipes têm acesso a registros precisos e pesquisáveis;
  • A continuidade melhora quando os funcionários conseguem se atualizar rapidamente sobre reuniões que perderam;
  • A colaboração entre áreas se fortalece quando os insights são mais fáceis de compartilhar entre equipes.

Pontos de atenção ao usar IA nas reuniões

Há ressalvas importantes que muitos profissionais só percebem após já terem adotado a tecnologia.

Problemas de precisão e nuance

Dados da Software Finder mostram que quase metade dos profissionais (48%) afirma que as anotações feitas pela IA podem resultar em imprecisões ou perda de nuances. Esse problema não surpreende.

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Reuniões envolvem muito mais do que palavras faladas. Tom de voz, linguagem corporal e a energia do ambiente muitas vezes moldam decisões de maneiras que as ferramentas de IA atuais ainda não conseguem captar.

Riscos de privacidade e segurança

Preocupações com privacidade e segurança continuam sendo um grande fator de hesitação entre profissionais que utilizam IA em reuniões.

  • 46% expressam preocupações com privacidade relacionadas a ferramentas de reunião com IA;
  • 42% se preocupam com riscos de segurança de dados;
  • Muitas organizações ainda não possuem políticas claras sobre o que pode ser gravado, armazenado ou processado pela IA;
  • Sem diretrizes bem definidas, os profissionais acabam tendo de tomar decisões por conta própria, mas que podem envolver grandes riscos.

IA vai roubar empregos?

As preocupações com carreira e segurança no emprego relacionadas ou não à adoção da IA variam entre gerações. Embora usuários frequentes de IA atualmente relatem taxas mais altas de promoção e salários maiores, a ansiedade em relação ao futuro permanece elevada.

Mais de 50% dos profissionais da geração Z temem ser substituídos por alguém com habilidades mais avançadas em IA, em comparação com 33% da geração X. Ao mesmo tempo, 24% das pessoas entre 18 e 34 anos avaliam sua preocupação em perder o emprego em oito ou mais, em uma escala de zero a dez.

A dependência da IA pode levar a uma perda gradual de habilidades que representa um risco de longo prazo. Escuta ativa, capacidade de sintetizar informações em tempo real e fazer a leitura do ambiente exigem prática. Quando essas competências são constantemente delegadas à IA, os profissionais correm o risco de perder habilidades difíceis de reconstruir e centrais para uma liderança eficaz.

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Os custos nos relacionamentos também podem ser mais relevantes do que muitos imaginam. Enviar um assistente de IA em vez de participar pessoalmente de uma conversa transmite um sinal sobre prioridade e engajamento. Em reuniões menores, onde cada voz importa, colegas podem interpretar a ausência como desinteresse ou desvalorização.

Onde a IA faz sentido

O uso eficaz de assistentes de IA em reuniões ocorre quando a ferramenta é aplicada ao contexto certo. Delegar à IA funciona melhor quando as reuniões são principalmente informativas ou operacionais. A presença humana deve ser reservada para momentos em que julgamento, relacionamento ou expertise influenciam significativamente os resultados.

Reuniões informativas e de rotina

Grandes reuniões informativas, como encontros gerais e comunicados para toda a empresa, são bem adequadas ao uso de IA. O mesmo vale para reuniões recorrentes, de status, com pautas previsíveis. Revisar um resumo posteriormente permite que os profissionais reservem a presença ao vivo para reuniões em que sua contribuição tenha maior impacto.

Conflitos de agenda

Compromissos em sequência e responsabilidades entre áreas frequentemente geram conflitos de agenda inevitáveis. Quando duas reuniões importantes acontecem ao mesmo tempo, usar a IA para cobrir uma enquanto participa da outra é mais eficaz do que perder ambas ou dividir a atenção entre elas.

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Alta demanda de documentação

Em reuniões que geram grandes volumes de informações, o apoio da IA também é positivo. Revisões de conformidade e discussões técnicas geralmente exigem documentação extensa – e nisso as ferramentas de IA se destacam. Isso permite que os profissionais se concentrem em fazer perguntas e contribuir com insights, em vez de registrar cada detalhe.

Onde a presença humana ainda é indispensável

Saber quais reuniões podem ser delegadas à IA e quais precisam ser assumidas pessoalmente é o que diferencia líderes que usam a inteligência artificial de forma eficaz daqueles que enfraquecem sua influência sem perceber.

Decisões de alto impacto

Negociações de alto impacto exigem presença pessoal. Ler o ambiente, responder a tensões e saber quando questionar são habilidades profundamente humanas que moldam os resultados. Enviar um assistente de IA para uma discussão com o time ou uma apresentação importante a um cliente sinaliza que a reunião não é prioridade. O mesmo vale para reuniões de pequenas equipes, onde decisões, responsabilidades e confiança estão em jogo.

Colaboração criativa

Sessões de brainstorming e encontros criativos dependem de participação plena. A energia gerada por ideias espontâneas, reações em tempo real e conexões inesperadas não pode ser transmitida por meio de resumos ou transcrições. O impulso criativo se perde rapidamente quando as pessoas não estão totalmente presentes.

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Construção de confiança e relacionamentos

Conversas sensíveis dependem de empatia e inteligência emocional, o que a IA não consegue reproduzir. Discussões de desempenho, resolução de conflitos e conversas sobre mudanças organizacionais se baseiam em sinais emocionais que vão além das palavras. Reuniões para construir relacionamentos com novos clientes, parceiros ou stakeholders de outras áreas não são simples trocas de informação. É nelas que a confiança é estabelecida, o comprometimento é demonstrado e a colaboração de longo prazo começa.

Use a IA sem diminuir seu valor

Assistentes de IA podem recuperar tempo e reduzir atritos, mas seu valor continua vindo do julgamento e da presença. As reuniões são onde a confiança é construída, a influência é conquistada e as decisões ganham forma de maneiras que nenhum registro escrito consegue capturar. Ao usar a IA de forma intencional para tarefas rotineiras, você libera tempo e energia para estar plenamente presente nas conversas em que o insight humano realmente faz a diferença.

*Caroline Castrillon é colaboradora da Forbes USA. Ela é mentora de liderança corporativa e ajuda mulheres a lidar com mudanças em suas carreiras.

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Negócios

Gol Nomeia Chairman Interino após Morte de Constantino Júnior

Redação Informe 360

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Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

Gol informou no domingo que o empresário Constantino Júnior, fundador e presidente do conselho, morreu aos 57 anos, e que o cargo passará a ser exercido de forma temporária pelo atual vice-presidente do conselho Antonio Kandir, conforme fato relevante ao mercado.

De acordo com o documento, Kandir faz parte de diversos órgãos da administração da Gol ao longo dos últimos 20 anos.

“As operações, a estratégia e os compromissos da companhia permanecem inalterados”, disse a companhia aérea.

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A Gol havia informado previamente a morte de Constantino Júnior neste sábado (24) sem informar a causa da morte do executivo.

“Neste dia de enorme tristeza, a companhia se solidariza com os familiares e amigos, expressando seus sentimentos e reconhecendo seu legado”, afirmou a nota da Gol.

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