Negócios
4 Sinais de Que o Burnout Está Mudando Sua Personalidade

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O burnout costuma ser encarado como um problema de trabalho. Quando pensamos em burnout, pensamos em sinais que aparecem em métricas de produtividade, como prazos perdidos, queda de desempenho e exaustão. Mas, do ponto de vista psicológico, o burnout não se limita à sua lista de tarefas.
Pesquisas mostram que o estresse crônico e não gerenciado altera a regulação emocional, a motivação e o comportamento social. Em outras palavras, ele também invade as partes mais íntimas da vida. Muito antes de o desempenho entrar em colapso, o burnout costuma se manifestar como mudanças sutis, porém persistentes, na personalidade. As pessoas dizem coisas como “eu simplesmente não me sinto mais eu mesma”, sem perceber que essa mudança é uma resposta psicológica previsível à sobrecarga prolongada.
A seguir, quatro formas pelas quais o burnout costuma aparecer na personalidade de uma pessoa, mesmo quando a produção no trabalho parece preservada.
1. O burnout faz da irritabilidade seu estado emocional padrão
Um dos sinais mais precoces e negligenciados do burnout é o aumento da irritabilidade. Pequenos incômodos passam a parecer desproporcionalmente irritantes, e interações neutras são percebidas como frustrantes. Em geral, a pessoa pode estar operando com um nível de paciência muito mais baixo do que o habitual.
Embora seja fácil pensar que “essa é a nova versão de mim”, ignorar esse sinal é ignorar um sistema nervoso sob tensão constante e intensa. Um estudo de 2022 publicado na Brain Connectivity mostrou que o estresse crônico reduz o funcionamento do córtex pré-frontal, a área do cérebro responsável pelo controle de impulsos e pela modulação emocional. Quando esse sistema está sobrecarregado, o cérebro passa a operar em respostas mais reativas, baseadas em ameaça.
Essa desregulação ajuda a explicar por que a exaustão emocional está tão ligada ao aumento da irritabilidade e da raiva, especialmente em ambientes de alta demanda, onde o tempo de recuperação é limitado.
É importante notar que essa irritabilidade costuma aparecer primeiro fora do trabalho. Antes de explodir com colegas ou superiores, a pessoa passa a reagir mal com quem ama. Ou seja, a agitação se mantém mesmo em momentos de baixo risco emocional. Por isso, a mudança de personalidade pode parecer confusa: ela se manifesta até nos ambientes mais seguros e afetivos.
Se você vem sentindo uma irritabilidade crônica e constante, independentemente do contexto, pode ser o seu sistema nervoso sinalizando esgotamento antes de um colapso.
2. O burnout limita sua gama emocional
Outro marco do burnout é um achatamento emocional difícil de explicar. Quem passa por isso descreve sentir-se menos reativo, menos alegre e menos engajado emocionalmente. Muitas vezes, esse estado não é levado a sério, porque, externamente, pode parecer calma e autocontrole. Por dentro, porém, é vivido como entorpecimento ou ausência de sensação emocional.
Quando o estresse permanece sem resolução, o cérebro pode reduzir a responsividade emocional como uma estratégia de proteção. Em outras palavras, o embotamento emocional economiza energia quando se envolver emocionalmente se torna custoso.
Um estudo de 2017 sobre burnout, publicado na Frontiers in Psychology, explica que o burnout leva a reações mais fracas a todos os estímulos que evocam afeto. Em termos simples, a pessoa não se sente menos impactada apenas por coisas ruins; ela também deixa de saborear os momentos bons. É assim que o cérebro tenta manter o funcionamento, encurtando a nossa faixa emocional.
A reação mais perigosa a esse achatamento é interpretá-lo como maturidade ou resiliência. Quando alguém diz “não sinto mais empolgação com nada”, essa perda de textura emocional costuma ser um sinal de sobrecarga prolongada, e não uma mudança de valores ou de personalidade.
3. O burnout freia sua curiosidade e criatividade
A curiosidade pode ser vista como um luxo psicológico, pois exige disponibilidade cognitiva, segurança emocional e um sistema nervoso que não esteja operando em modo de sobrevivência. O burnout corrói esses três recursos. Isso acontece porque o estresse crônico faz o cérebro estreitar o foco de atenção e priorizar eficiência e gerenciamento de ameaças, em vez de exploração e novidade.
Um estudo recente publicado no International Journal of Occupational Medicine and Environmental Health associa o burnout à redução da motivação intrínseca, ou seja, atividades antes feitas por interesse ou prazer passam a parecer cansativas ou sem sentido. A pessoa pode parar de ler por prazer, de fazer perguntas reflexivas ou simplesmente perder o interesse em aprender algo além do estritamente necessário.
Durante o burnout, muitas pessoas descrevem que se tornam mais rígidas, mais práticas ou mais sérias. Com o tempo, pode ocorrer uma mudança de identidade em direção à funcionalidade, e não ao engajamento. O que isso indica, na verdade, é que o sistema nervoso entrou de forma prolongada em modo de conservação, preservando recursos mentais e emocionais para sobreviver, não para crescer.
4. O burnout leva ao afastamento social
Uma das mudanças de personalidade mais comuns no burnout é o isolamento social. Para quem está esgotado, convites podem parecer exaustivos e conversas, excessivamente trabalhosas. Em muitos dias, a preferência passa a ser ficar sozinho em vez de viver qualquer experiência social.
O ponto crucial aqui é que, enquanto a introversão é um traço estável de personalidade, o afastamento causado pelo burnout depende do estado emocional. Um estudo de 2024 mostra que o burnout está associado a tensões interpessoais, especialmente em funções emocionalmente exigentes. Isso significa que as pessoas se afastam não porque preferem a solidão, mas porque a interação social exige uma energia emocional que elas já não têm.
Para dar sentido a essa mudança, muitos a reinterpretam como uma transformação de personalidade. Frases como “acho que fiquei mais introvertido” se tornam comuns. No entanto, essa releitura pode atrasar o reconhecimento do burnout. Quando o isolamento é normalizado como identidade, e não reconhecido como esgotamento, a recuperação é adiada.
A conexão social é um dos amortecedores mais fortes contra o estresse, e o burnout acaba afastando as pessoas justamente dos recursos que poderiam ajudá-las a se recuperar.
Por que esses sintomas de burnout exigem atenção urgente
Burnout não é o mesmo que cansaço. Trata-se de um estado de estresse crônico que afeta a regulação emocional, a motivação e o funcionamento social. A exaustão emocional, o cinismo e a redução da sensação de eficácia que acompanham o burnout vão muito além das tarefas profissionais e influenciam a forma como as pessoas vivenciam a si mesmas e aos outros.
Hoje sabemos que o estresse crônico pode alterar a maneira como processamos emoções e tomamos decisões. Com o tempo, essas mudanças moldam padrões de comportamento que parecem alterações de personalidade.
A principal diferença entre traços de personalidade e mudanças provocadas pelo burnout é a reversibilidade. Enquanto os traços tendem a ser relativamente estáveis, as mudanças associadas ao burnout costumam melhorar com descanso adequado, limites claros e apoio psicológico.
Uma recuperação eficaz do burnout geralmente envolve restaurar a autonomia, reconstruir recursos emocionais e se reconectar com atividades significativas. E, sobretudo, não significa forçar positividade ou produtividade, mas permitir que a faixa emocional, a curiosidade e a conexão retornem gradualmente.
Reconhecer o burnout nas mudanças de personalidade costuma ser o primeiro passo. Quando essas transformações deixam de ser julgadas como falhas pessoais e passam a ser vistas como sinais, a recuperação se torna possível.
*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.
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Cargos de Liderança São Só 1,5% das Vagas para Pessoas com Deficiência
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Apenas 1,5% das vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcDs) ofertam posições técnicas e gerenciais, aponta levantamento inédito da startup Egalite. O levantamento considera dados de 116 mil profissionais cadastrados e mais de 19 mil vagas ativas no portal Inclui PcD, da própria startup, especializada em projetos para empregabilidade de pessoas com deficiência.
As empresas destinam grande parte das vagas para posições operacionais, que representam 98,5% dos postos de trabalho. Por outro lado, o levantamento aponta que 31% de todas as candidaturas espontâneas desses profissionais são direcionadas para posições gerenciais e técnicas.
Embora esses dados apontem para um cenário desafiador, a pesquisa destaca um avanço nas organizações empenhadas na inclusão e no crescimento efetivo desses profissionais.
Metade das organizações analisadas no portal Inclui PcD já disponibiliza todas as suas vagas, desde posições de entrada até cargos de liderança e especialistas, para pessoas com deficiência, superando a exigência legal de cotas.
Um dos fundadores da Egalite e embaixador e CEO da Rede Empresarial de Inclusão Social, Djalma Scartezini aponta que a maioria das vagas de trabalho é para cargos operacionais, pois o varejo é a base da pirâmide e, por isso, disponibiliza maior quantidade de postos de trabalho.
“Não existem cargos de liderança na mesma proporção que cargos de entrada”, diz Djalma Scartezini.
Contudo, o diretor executivo reconhece que existe uma falta de vagas de gerência destinada à população PcD. “Eu sendo um executivo com deficiência também não estou contente de ver poucos pares com deficiência em cargos de direção. O que eu acho que é positivo é que tem avançado esse número.”
Ele cita a última feira Inclui PcD, uma iniciativa da Egalite, que abriu 19 mil vagas para pessoas com deficiência, das quais quase 4 mil eram cargos para especialistas, coordenadores e primeiros estágios de liderança.
Outro dado relevante da pesquisa demonstra que a pretensão salarial mediana de candidatos PcD é de R$ 1.450, valor abaixo do salário mínimo em vigor (R$ 1.621). O dado revela que os trabalhadores muitas vezes chegam aos processos seletivos cobrando menos do que o que é de direito.
Muitas vezes esse cenário se dá por um viés de mercado que utiliza marcadores identitários – como deficiência, gênero, raça e orientação sexual – para desqualificar as pessoas. Como aponta Scartezini, frequentemente, as próprias vagas oferecidas a PcDs já são disponibilizadas com valores de remuneração reduzidos em relação aos parâmetros de mercado.
Uma outra barreira enfrentada por trabalhadores com deficiência é o recuo de postos de trabalho no modelo home office. De acordo com dados da Inclui PcD, o percentual de vagas remotas e híbridas sofreu queda de 28,4% em 2024 para somente 0,8% em 2026.
“O modelo de trabalho remoto remove barreiras cruciais de mobilidade urbana e transporte público inacessível para pessoas com deficiência física”, explica o CEO da Egilate, Guilherme Braga.
Além disso, para profissionais neurodivergentes, o ambiente de casa atua como um regulador sensorial, possibilitando a gestão de estímulos do ambiente, a adaptação do espaço de trabalho e a diminuição da sobrecarga social.
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Howard Buffett Será “Apólice de Seguro” da Berkshire na Era Greg Abel
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Berkshire Hathaway sempre foi sinônimo de Warren Buffett. Agora, cabe ao seu filho mais velho, Howard Buffett, manter viva a cultura do conglomerado.
O anúncio feito nesta sexta-feira de que Warren Buffett, de 96 anos, deixou o cargo de presidente do conselho da companhia significa que a lenda dos investimentos não terá mais uma função de gestão na empresa que assumiu em 1965, nem mesmo atuará como conselheiro regular de Greg Abel, que o sucedeu como presidente-executivo em janeiro.
Howard Buffett, de 71 anos, assumirá uma função bem diferente como presidente não executivo do conselho de administração, com foco na preservação da cultura e dos valores da Berkshire. Essa é a mais recente medida em uma transição de liderança que já vem ocorrendo há anos.
“Trata-se, na verdade, de continuidade”, disse Michael Withers, professor de administração da faculdade de administração da Universidade de Notre Dame. “O desafio daqui para frente será se Abel e Howard conseguirão honrar o legado (de Warren Buffett), ao mesmo tempo em que dão à Berkshire espaço para se adaptar a um mercado que parece muito diferente daquele que Buffett dominava.”
A presença de longa data deles pode tranquilizar investidores e analistas que não esperam, nem necessariamente desejam, grandes mudanças no conglomerado de aproximadamente US$1,1 trilhão que possui negócios que incluem a ferrovia BNSF, a seguradora de automóveis Geico e uma série de empresas dos setores de energia, indústria e de varejo, além de uma carteira de ações que inclui American Express, Apple e Coca-Cola.
Abel ingressou na Berkshire em 2000, quando a empresa adquiriu a antiga MidAmerican Energy, e passou a integrar a equipe de liderança da Berkshire em 2018. Howard Buffett está na Berkshire há ainda mais tempo, atuando como diretor desde 1993.
“Howie está lá para fiscalizar”, disse James Armstrong, presidente da Henry H. Armstrong Associates em Pittsburgh e investidor de longa data da Berkshire. “Minimizar a burocracia, manter o foco nas metas de longo prazo, colocar os acionistas em primeiro lugar, nada de negócios em benefício próprio, nada de corrupção e ampliar a vantagem competitiva que protege os negócios da Berkshire.”
Saber o que é viável
Abel, de 64 anos, tem seguido em grande parte o manual de estratégias de Buffett desde que assumiu o cargo de presidente-executivo. O caixa da Berkshire, de US$364,7 bilhões em 30 de junho, valor quase recorde, dá a ele liberdade para comprar mais empresas e ações, recomprar as próprias ações da companhia sediada em Omaha, Nebraska, e talvez instituir um dividendo.
Warren Buffett escreveu nesta sexta-feira, em uma carta aos acionistas, que Abel superou suas expectativas “altíssimas”.
“Pensem em Howard como uma apólice de seguro que os acionistas possuem e esperam nunca precisar resgatar”, escreveu Buffett.
Buffett ainda controla mais de 13% das ações da Berkshire e cerca de 30% do poder de voto. Essas porcentagens diminuirão à medida que suas ações forem distribuídas a fundações supervisionadas por seus filhos.
“Warren construiu uma das grandes empresas americanas”, disse Macrae Sykes, gestor de carteiras da Gabelli Funds. “Isso encerra a carreira corporativa de Warren, mas não sua influência na Berkshire.”
Não é ciência espacial
Famoso por seu trabalho beneficente, Howard Buffett também já foi agricultor, xerife e membro de vários conselhos de administração, mas nunca liderou uma empresa de capital aberto. Ele vê seu papel na Berkshire como mais focado do que o de seu pai.
“Não é ciência espacial”, disse ele ao Wall Street Journal em janeiro de 2025. “A cultura é manter as coisas simples, fazer o que é preciso, mas não fazer muitas coisas desnecessárias, tratar as pessoas com justiça, respeitar seus gerentes, respeitar seus acionistas. Contar as más notícias logo de cara, ser honesto.”
Cathy Seifert, analista da CFRA Research, considerou a falta de experiência em gestão de Howard Buffett uma lacuna no plano de sucessão da Berkshire.
“Em comparação com outras dinastias familiares, normalmente, quando se tem o filho do herdeiro aparente, ele costuma estar envolvido nas operações do dia a dia”, disse ela. “Howard Buffett não tem isso.”
O conselho da Berkshire, no entanto, conta com vários diretores com experiência em gestão que podem atuar como orientadores.
“Novos gestores não têm a mesma intuição que só o tempo e a experiência podem proporcionar”, disse Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management. “O filho de Buffett e Abel estão no ecossistema da Berkshire há tempo suficiente para que essa defasagem seja mínima, mas não inexistente.”
Tom Russo, sócio da Gardner, Russo & Quinn e também investidor de longa data da Berkshire, lembrou que Warren Buffett disse a ele e a outros alunos da Stanford Business School, em 1983, que “não se pode fazer um bom negócio com uma pessoa ruim”. Ele espera que Abel e Howard Buffett respeitem esse pensamento. O tempo dirá como. “Este é um território novo”, disse Russo.
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Kings League Anuncia Anadege Freitas Como Nova Diretora Geral no Brasil
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
A Kings League anunciou Anadege Freitas como nova diretora geral no Brasil nesta quinta-feira (17).
Na nova posição, seu foco será estruturar e fortalecer a operação no país. “Sempre fui movida pela curiosidade, pelo aprendizado e pela coragem de assumir novos desafios, especialmente em um projeto tão inovador e marcante. Temos muito o que aprender, construir e realizar juntos”, compartilhou em uma publicação no LinkedIn.
Até então, a executiva atuava como diretora de conteúdo e parcerias da Twitch, plataforma de streaming de vídeos ao vivo da Amazon.
Com mais de 20 anos de carreira, já passou por empresas como Activision Blizzard, Hasbro, Nintendo e Paramount Pictures.
É formada em comunicação pelo Centro Universitário FMU e tem MBA pela FIA Business School.
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