Negócios
Como o barulho nos escritórios está criando um bom mercado

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Chad West trabalha presencialmente em um escritório em Londres não mais do que uma vez por semana. Como vice-presidente de marketing da carteira de criptomoedas inteligente Argent, ele aparece apenas para reuniões estratégicas ou criativas. Quando precisa focar no trabalho, as distrações e o barulho no escritório aberto da empresa o tornam 40% menos produtivo do que em casa, ele estima.
As vozes dos colegas e a música que escapa dos fones atraem sua atenção, e o som dos engenheiros de software batendo nos seus teclados o atrapalha. “Se alguém tem a audácia de atender uma ligação em um escritório pequeno onde as pessoas estão tentando trabalhar, isso me irrita”, diz West, 33 anos.
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Mais de quatro anos depois de a pandemia ter levado a maioria dos trabalhadores do conhecimento a trabalhar de casa, muitos voltaram ao escritório, seja por políticas da empresa, pelo desejo de passar um tempo com os colegas de trabalho ou pela necessidade de fugir da família.
Cerca de 27% dos dias de trabalho nos EUA foram feitos em casa em maio, uma queda drástica em relação aos cerca de 60% no pico da pandemia, mas acima dos menos de 10% antes da Covid-19.
À medida que as pessoas retornam ao escritório em tempo integral ou parcial, as queixas sobre uma antiga frustração – os ruídos e as distrações – têm aumentado. Os profissionais estão participando de mais reuniões pelo Zoom da mesa do escritório, e muitas vezes falando alto nessas videochamadas. Os chefes incentivam que os dias de trabalho presencial sejam passados “colaborando” e desenvolvendo laços sociais, mas isso aumenta a conversa que ecoa no espaço.
Para agravar o problema, muitas empresas reduziram o tamanho dos seus espaços corporativos já que o local estava sendo menos utilizado. Assim, as salas de conferências e os espaços privados ficam cheios rapidamente.

As distrações no escritório são mais do que um pequeno incômodo: aumentam o estresse e prejudicam os profissionais
Insatisfação com a barulheira do escritório
Em um estudo de setembro de 2023 realizado pela empresa de pesquisa de ambientes de trabalho Leesman, os níveis de ruído foram classificados entre as 10 características mais importantes do escritório – ficando entre banheiros funcionais e uma central de suporte de TI.
No entanto, apenas cerca de 32% dos funcionários estão satisfeitos com os níveis de ruído no escritório, descobriu outra pesquisa da Leesman (divulgada em abril passado).
Novo mercado
A resposta a todas essas reclamações apresenta uma oportunidade de negócio, com fornecedores vendendo desde cabines no estilo de telefones públicos até serviços de “paisagismo sonoro” que usam uma abordagem “biofílica” para ajudar a abafar vozes com sons encontrados na natureza.
Fabricantes de móveis e designers de interiores estão adicionando mais materiais acústicos e projetando “bibliotecas” para promover ambientes de trabalho silenciosos.
Alguns empregadores estão distribuindo fones de ouvido com cancelamento de ruído e até mesmo desenvolvendo ferramentas para ajudar os trabalhadores a alertar colegas quando precisam se concentrar. “Se quisermos que os funcionários retornem voluntariamente aos escritórios, temos de proporcionar um espaço que apoie aqueles momentos em que eles necessitam de privacidade acústica e visual”, diz o fundador da Leesman, Tim Oldman.
O problema e a solução do barulho no escritório
As distrações no escritório são mais do que um pequeno incômodo. Um estudo de 2021 publicado no Journal of Management & Organization descobriu que em experimentos com ambientes controlados, os níveis de ruído típicos de escritórios de plano aberto causaram aumentos nos indicadores de estresse fisiológico, como frequências cardíacas mais altas, bem como mais expressões faciais de repulsa e relatos de humor negativo por parte dos trabalhadores.
“Não estamos habituados ao ruído”, observa Libby Sander, professora assistente da Bond University, na Austrália, que trabalhou no estudo. “Temos a ideia de que podemos simplesmente nos acostumar com isso. Mas fisiologicamente e psicologicamente, seu corpo não vai.”
A necessidade de maior controle do ruído nos escritórios é uma das razões para o crescimento de empresas como a finlandesa Framery, um dos maiores fabricantes de cabines de escritório – espaços totalmente fechados e modernos com paredes de vidro, que custam cerca de US$ 8,7 mil (R$ 47,3 mil) por uma unidade compacta. Algumas acomodam até seis pessoas e parecem salas de conferência fechadas.
Em 2022, a receita global da Framery atingiu US$ 164 milhões, acima dos US$ 86 milhões em 2020 e US$ 101 milhões em 2021.
Em março, a empresa adicionou uma nova linha de cabines que não apenas isolam o som para os usuários sentados ali dentro, mas também possuem um sistema de “máscara sonora” que emite um som semelhante a ruído rosa nas áreas ao redor. Assim, aumentam o ruído ambiente nos espaços próximos, com o objetivo de tornar as conversas no escritório menos inteligíveis. “O verdadeiro problema do ruído é quando o seu cérebro capta uma palavra familiar”, diz Samu Hällfors, cofundador e CEO.
Som de pássaros no escritório
É por isso que designers e empreendedores estão colocando som nos espaços, o que pode ser uma forma de resolver as preocupações com muito ruído ou muito silêncio. Depois de trabalhar para terceiros nesse setor por mais de uma década, Evan Benway lançou a Moodsonic em 2022. Ele agora trabalha com empresas como SAP, GSK e Steelcase para criar “paisagens sonoras responsivas” que usam sensores para gerar um som de fundo que se adapta em tempo real ao grau de distração ou estímulo do ambiente.
A Moodsonic ajuda as empresas a resolver uma das ironias do ambiente de trabalho pós-pandemia: as pessoas se distraem com o som no escritório, mas muitas vezes é porque o espaço está muito silencioso. Em vez de ter 60 pessoas em um salão aberto onde um zumbido de muitas conversas acontece ao fundo, “agora talvez você tenha 15 pessoas, e quando uma fala, todos ouvem o que ela está dizendo”, diz Benway.
Os sensores da Moodsonic captam os níveis de som e ajustam as “paisagens sonoras”, que incluem cantos sutis de pássaros inspirados na natureza ou riachos. Benway não divulga receitas, mas afirma que a empresa trabalha com 30 das 500 maiores empresas dos EUA e já é lucrativa; em seu segundo ano, triplicou a área onde fornece as paisagens sonoras e aumentou as assinaturas em 150%.
Paz no home office
Outros estão tendo sucesso ao atender não apenas a necessidade de privacidade dos trabalhadores no escritório, mas também os desejos semelhantes dos profissionais remotos. O investidor Fred Wilson, cofundador da Union Square Ventures de Nova York, e sua esposa Joanne, uma investidora-anjo, estão lançando a segunda localização do Framework, um espaço de coworking em Nova York. O casal percebeu que nas grandes cidades, empreendedores, criativos e outros profissionais têm pouco espaço próprio e não necessariamente querem estar “em um desses lugares onde há toda essa bagunça compartilhada”, como Joanne descreve, referindo-se a espaços de coworking com assentos em grupo e pouca privacidade.
No primeiro local dos Wilsons, no Brooklyn, os membros pagam entre US$ 755 e US$ 860 por mês, dependendo do prazo do aluguel, por sua própria cabine com isolamento acústico. “É tranquilo e eles não precisam ouvir o vizinho conversando com o amigo ou a esposa ou o que quer que seja”, disse Fred Wilson.
Designers de móveis e de interiores também estão incorporando mais isolamento acústico nos seus espaços. A Zintra Acoustics, uma linha de painéis de parede, divisórias de espaço e luminárias de teto que ajudam a absorver o som, tem visto uma demanda “crescente” por soluções acústicas, disse Kirsten Grosman, líder de marketing da marca, que é propriedade do Baresque Group, com sede na Austrália. “O ruído se tornou a principal reclamação entre os profissionais”, disse ela.
Ao mesmo tempo, a empresa sueca Ikea, que está no ramo de mobiliário de escritório há 40 anos, está lançando uma nova linha criada em parte para resolver os incômodos sonoros. Por exemplo, adicionou um material de fibra de madeira, normalmente utilizado na indústria de construção para isolamento, a telas acústicas envoltas em tecido. A empresa também trabalhou com fornecedores para silenciar o mecanismo que regula a altura de uma mesa elétrica pressionando um botão. “O papel do escritório mudou”, diz Philip Dilé, desenvolvedor de design de produtos da Ikea. “A maioria das pessoas nos disse que queria voltar [ao escritório] para ter foco e menos distração.”

Marcas tradicionais, como a Ikea, estão trabalhando para lidar com problemas de som e ruído no escritório
A nova linha da Ikea é um exemplo de um movimento mais amplo para oferecer soluções que não exigem cabines ou salas privadas, o que sem dúvida anula o propósito de ter pessoas no escritório para colaborar. “Por que eu iria querer entrar em um conjunto de cabines de Zoom, e essa ser minha experiência do dia?”, questiona Tracy Wymer, vice-presidente de insights e inspiração da Teknion, que também fabrica cabines. Wymer observa que sua empresa está trabalhando em um novo produto que fornece dicas visuais que indicam se você está disponível ou focado no trabalho, mas ainda é cedo para oferecer detalhes.
Outra companhia que está experimentando essa ideia é a monday.com, uma empresa de software de gerenciamento de projetos com sede em Israel. Eles projetaram um dispositivo de Internet das Coisas (IoT) chamado “FocusTime”, posicionado no canto dos monitores dos computadores dos funcionários. Parece um mostrador que indica de quanto tempo restante ininterrupto a pessoa precisa – e serve como um aprimoramento físico dos ícones de status do Slack ou Teams que as pessoas estão acostumadas a ver na tela.

A empresa está testando um dispositivo que indica aos colegas de trabalho quanto tempo de foco eles precisam
A ideia veio originalmente de uma funcionária da empresa que lutava com as interrupções dos colegas ao retornar ao escritório. Saron Paz, líder da equipe que desenvolveu o dispositivo, diz que cerca de 20 funcionários estão participando de um piloto usando o protótipo e um teste em toda a empresa está em fase de planejamento para que, potencialmente, possa se tornar um produto comercializado.
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Profissionais neurodivergentes
Um fator impulsionador da criação de mais espaços para trabalho silencioso tem sido uma maior consciência sobre as necessidades de profissionais neurodivergentes, como aqueles com TDAH ou desafios de processamento sensorial. Pesquisas mostram que 15% a 20% dos funcionários são neurodivergentes, diz Relina Bulchandani, vice-presidente executiva de serviços imobiliários e de local de trabalho da Salesforce. Isso levou a gigante de software a projetar “salas de meditação” no escritório para pausas e espaços de “biblioteca” equipados com telas duplas de monitor solicitadas por engenheiros de software.
As inovações são relevantes para criar um ambiente de trabalho inclusivo e saudável. No entanto, para Chad West, algumas delas não seriam necessárias se todos simplesmente pudessem escolher de onde querem trabalhar. “Tudo o que uma empresa realmente deve se preocupar é com a eficiência.”
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A Escala 5×2 Chegou. E Muda Mais do Que o Custo da Folha
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Está decidido. A Emenda Constitucional 141, promulgada na última sexta-feira (20), encerra a escala 6×1. Em 60 dias, todo trabalhador CLT passa a ter duas folgas semanais e jornada máxima de 42 horas. Catorze meses após a publicação, o teto cai para 40 horas, sem redução de salário.
A primeira leitura é de custo, e ela não está errada. Como não será permitida a redução de salários e haverá redução de 44 para 40 horas semanais, cada hora vale 10% a mais. E isso encarece também a hora extra e os adicionais, que são calculados sobre o valor da hora.
Em operações que funcionam sete dias por semana, como varejo e serviços, manter a cobertura exige reforço de quadro. Nas simulações que tenho acompanhado, esse reforço fica entre 10% e 20%, e pesa mais nas unidades menores, que têm menor margem para remanejar gente.
Mas tratar a 5×2 apenas como aumento de folha é desperdiçar a oportunidade de rever a estratégia de remuneração como um todo.
Eficiência de escala
Comecemos pelo fixo. Com a hora mais cara, a pressão será por conter reajustes. Esse é um erro tentador. Mas antes de pensar em trocar equipes com salários reduzidos, será importante avaliar reservas escondidas na própria escala.
Empresas que passaram a montar turnos a partir da curva de movimento por hora descobriram horas extras desnecessárias e gente parada nos horários errados. Eficiência de escala é a primeira fonte de financiamento da nova jornada.
Onde mora a oportunidade
O variável é onde mora a oportunidade mais clara. Se o objetivo é produzir o mesmo, ou mais, em menos horas, a remuneração variável precisa apontar para isso. Prêmios por produtividade, metas de venda por hora trabalhada, bônus por cobertura nos picos ou por redução de absenteísmo transformam a exigência legal em alinhamento: a empresa ganha eficiência e o colaborador participa do ganho.
A experiência internacional reforça a lógica. Quando Portugal reduziu a jornada de 44 para 40 horas, em 1996, estudos registraram ganho de produtividade próximo de 8%. O Chile está no meios de uma transição gradual até 2028, e o México aprovou a sua até 2030. A redução funciona melhor quando vem acompanhada de esforço deliberado de produtividade, e incentivo bem desenhado é parte desse esforço.
Recompensas intangíveis
Há ainda uma camada que raramente entra na planilha: as recompensas intangíveis. Duas folgas, previsibilidade de escala e fins de semana inteiros com a família são valor percebido. Gente descansada e motivada erra menos, falta menos e atende melhor. Empresas que comunicarem isso como parte da proposta de valor ao empregado vão reter melhor do que as que tratarem a mudança como obrigação.
Rotatividade pode diminuir
Há também uma economia que raramente aparece na conta da transição: a da rotatividade. No varejo, ela já é altíssima. Levantamento do Sindilojas-SP mostra que a rotatividade no varejo paulista chegou a 56,6% em 2025, o maior nível desde 2020. Em alguns segmentos, como lojas de conveniência, passou de 90%.
Isso significa recontratar, quase todo ano, boa parte da equipe. Cada saída tem um custo que vai além da rescisão: recrutamento, treinamento e os meses em que o novo funcionário ainda não rende o que rendia quem saiu. O cliente percebe essa curva de aprendizado no caixa e no atendimento. Se a 5×2 for bem implementada, com escalas previsíveis e folgas que de fato descansam, as pessoas tendem a ficar mais tempo. Parte do custo da nova jornada pode voltar como economia em turnover.
E há a carreira. Mais turnos e escalas mais complexas exigem novas funções de controle: líderes de turno, coordenadores de escala, analistas de operação. É uma chance real de promover quem já conhece a operação e o cliente. A pergunta incômoda é se essa base está preparada. Quem sempre executou nem sempre foi treinado para planejar, ler indicadores ou liderar colegas. Sem trilha de capacitação e uma estrutura de cargos que reconheça esses degraus, a promoção vira armadilha.
Além disso, pessoas que estavam na informalidade podem voltar a se interessar pelo modelo CLT nesta nova configuração de escala.
Muitos empreendedores lerão tudo isso pensando na própria rotina, que está mais para 7×0 do que para 5×2. É verdade. A diferença é que, nesse caso, cada hora a mais constrói patrimônio próprio. Para quem trabalha numa estrutura que não é sua, o que se constrói é outra coisa: vínculo, ou a falta dele. Numa geração que cobra cada vez mais qualidade das relações de trabalho, a 5×2 talvez seja menos uma imposição e mais a formalização de algo que o mercado já vinha pedindo.
*Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
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Stephen Curry Passa de US$ 200 Milhões; Veja os Jogadores Mais Bem Pagos da NBA

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Stephen Curry foi o primeiro MVP (jogador mais valioso) unânime da NBA, em 2016. O primeiro jogador a liderar a liga em bolas de três pontos quatro vezes, depois cinco, depois seis, sete e oito vezes. O primeiro jogador a tentar 10.000 arremessos de além do arco — e o primeiro a converter 4.000 deles.
Mas, apesar de todas as formas pelas quais o arremessador de 38 anos do Golden State Warriors transformou o basquete, ele é igualmente revolucionário financeiramente.
Já o primeiro jogador da NBA a receber um salário de US$ 40 milhões, em 2019-20, e de US$ 50 milhões, em 2023-24, Curry deve ultrapassar a marca de US$ 60 milhões nesta temporada, embolsando US$ 62,6 milhões dentro de quadra.
Enquanto isso, depois de romper com sua patrocinadora de longa data Under Armour no outono passado e anunciar um novo acordo com a marca chinesa de calçados Li-Ning em junho, Curry deve ganhar estimados US$ 141 milhões com patrocínios e outros negócios — pulverizando o recorde da NBA de US$ 100 milhões que ele recebeu fora de quadra em 2024-25.
Somando os dois valores, Curry está a caminho de ganhar US$ 203,6 milhões no próximo ano, tornando-se o primeiro jogador em atividade da NBA a ultrapassar US$ 200 milhões.
Na verdade, desde que a Forbes começou a acompanhar a renda de atletas em 1990, apenas outras três estrelas do esporte ultrapassaram essa marca no período de 12 meses, sem ajuste pela inflação: o boxeador Floyd Mayweather, a lenda do futebol Cristiano Ronaldo e o golfista Jon Rahm.
O ganho histórico mantém Curry no topo da lista da Forbes dos jogadores mais bem pagos da NBA pelo segundo ano consecutivo. LeBron James, que liderou o ranking por 11 temporadas consecutivas antes de cair para o segundo lugar em 2025, agora desce para a quarta posição, com ganhos estimados em US$ 93,9 milhões, depois de assinar com o Philadelphia 76ers em julho pelo salário mínimo para veteranos, de US$ 3,9 milhões nesta temporada.
O ala do Houston Rockets Kevin Durant, que deve receber estimados US$ 104,9 milhões, e Giannis Antetokounmpo, que embolsará um total de US$ 103,5 milhões depois de ter sido negociado com o Miami Heat durante o verão, aparecem à frente de James na lista deste ano.
Juntos, os dez jogadores mais bem pagos da NBA devem receber US$ 958 milhões nesta temporada antes de impostos e comissões de agentes, alta de 6% em relação ao recorde de US$ 902 milhões da lista de 2025 e mais que o dobro dos US$ 449 milhões registrados há uma década.
Os US$ 469 milhões em renda fora de quadra combinados pelo grupo ficam quase US$ 90 milhões acima do recorde de US$ 380 milhões do ano passado — e muito à frente dos números comparáveis dos dez atletas mais bem pagos de outros esportes, como futebol, com US$ 281 milhões; MLB, com US$ 144 milhões; NFL, com US$ 84 milhões; e NHL, com US$ 16 milhões.
E embora os US$ 489 milhões que o top 10 deste ano recebe dentro de quadra representem uma queda em relação às duas temporadas anteriores, isso se deve quase inteiramente à “última decisão” de James, de 41 anos, de aceitar menos dinheiro em troca de uma chance de conquistar outro título enquanto sua ilustre carreira se aproxima do fim.
O teto salarial da NBA está fixado em US$ 165 milhões nesta temporada, alta de 75% em relação a dez anos atrás, à medida que o forte crescimento dos negócios da liga eleva o valor da parcela de aproximadamente 50% da receita relacionada ao basquete destinada aos jogadores, conforme garantido pelo acordo coletivo de trabalho.
Há uma década, enquanto alguns observadores da liga temiam que um salto de um ano no teto salarial tivesse produzido contratos fora de proporção, James tinha o maior salário da NBA, de US$ 31 milhões.
Nesta temporada, 59 jogadores da NBA devem superar essa marca, segundo o Spotrac. Ainda assim, depois que um pacote nacional de transmissão de 11 anos e US$ 76 bilhões, assinado em 2024 e iniciado na temporada passada, levou algumas pessoas dentro da liga a presumirem que o teto salarial subiria pelo máximo de 10% no futuro próximo, a realidade foi um pouco menos robusta.
Nesta temporada, o teto subiu 6,7%, e a projeção é de um avanço semelhante em 2027-28. O crescimento está sendo prejudicado pela turbulência no mercado de mídia local, depois que o colapso da operadora de redes esportivas regionais Main Street Sports Group custou a 16 times da NBA dezenas de milhões de dólares em receita anual — para cada um deles.
Não espere, porém, que esse obstáculo interrompa a arrancada financeira dos jogadores. Embora o salário de Curry deva cair novamente para menos de US$ 60 milhões na próxima temporada, depois de ele ter dado um alívio financeiro aos Warriors com a extensão contratual de dois anos e US$ 116 milhões assinada em setembro — US$ 20,7 milhões abaixo do máximo que estava disponível para ele —, há mais marcos financeiros no futuro da NBA.
Para começar, a liga está a caminho de ultrapassar a barreira dos US$ 70 milhões em 2029-30 — com pelo menos três jogadores diferentes.
Os Jogadores Mais Bem Pagos da NBA em 2026
1. US$ 203,6 milhões
Stephen Curry
Idade: 38 | Posição: armador | Time: Golden State Warriors | Dentro de quadra: US$ 62,6 milhões • Fora de quadra: US$ 141 milhões

Depois de se tornar, em julho, o primeiro jogador em atividade a ser tema de uma exposição dedicada no Naismith Basketball Hall of Fame, Curry entra em sua 18ª temporada profissional ainda capaz de dominar uma partida.
Na pesquisa anual da NBA com os general managers, o tetracampeão foi recentemente eleito o melhor arremessador puro da liga, com 97% dos votos, e, apesar dos joelhos desgastados que acompanham os 38 anos, foi apontado como o melhor em movimentação sem a bola por 80% dos votantes.
Curry também está fazendo seu impacto ser sentido no varejo: sua nova parceria com a chinesa Li-Ning vale, segundo relatos, US$ 400 milhões por dez anos, com um tênis de assinatura previsto para ser lançado no início do próximo ano.
Enquanto isso, a Under Armour, antiga casa dos tênis Curry Brand, afirmou em maio que esperava uma queda de 1% em sua receita anual por causa da separação da empresa de seu antigo principal rosto no negócio de basquete.
Curry, cujos outros patrocinadores incluem Chase, Rakuten e a recém-chegada Glaukos, é um de apenas cinco atletas em atividade que já alcançaram US$ 100 milhões em renda fora de quadra em um único ano, ao lado do golfista Tiger Woods, do tenista Roger Federer, do lutador de MMA Conor McGregor e do fenômeno de duas funções do Los Angeles Dodgers Shohei Ohtani.
Ele também foi destaque no documentário Portrait of an Artist: Stephen Curry, lançado neste mês em telas IMAX e que retrata o jogo de 2025 no qual ele converteu a 4.000ª bola de três pontos de sua carreira.
2. US$ 104,9 milhões
Kevin Durant
Idade: 38 | Posição: ala | Time: Houston Rockets | Dentro de quadra: US$ 43,9 milhões • Fora de quadra: US$ 61 milhões
Durant assinou em outubro passado uma extensão contratual de dois anos e US$ 90 milhões, abrindo mão de cerca de US$ 30 milhões para dar ao Houston Rockets flexibilidade financeira para montar seu elenco, mas ainda está a caminho de superar LeBron James como o maior ganhador em quadra da história da NBA em 2027-28, quando chegará a US$ 591 milhões em ganhos de carreira.
O ala de 38 anos também pode ampliar ainda mais a diferença ao recusar sua opção de jogador para a próxima temporada e retornar ao mercado de agentes livres no verão de 2027.
Fora de quadra, Durant possui contratos de patrocínio com marcas que incluem CeraVe, Dick’s Sporting Goods e FanDuel e investe por meio de seu family office 35V, que, segundo relatos, teve recentemente um grande acerto quando a Nvidia concordou em adquirir a plataforma de inteligência artificial Hugging Face por US$ 12,9 bilhões.
Durant também é cofundador da empresa de mídia Boardroom, que chegou a um acordo de distribuição e venda de publicidade com a Wondery em junho; a partir do início do próximo ano, os podcasts da Boardroom estarão disponíveis nos serviços da Amazon, incluindo Amazon Music, Prime Video e Fire TV Channels.
3. US$ 103,5 milhões
Giannis Antetokounmpo
Idade: 31 | Posição: ala | Time: Miami Heat | Dentro de quadra: US$ 58,5 milhões • Fora de quadra: US$ 45 milhões
Negociado com o Miami Heat durante o verão depois de 13 anos com o Milwaukee Bucks, Antetokounmpo disse recentemente sobre jogar diante de uma nova torcida: “Eu me sinto energizado. Eu me sinto vivo.”
Outro benefício da mudança: sair de Wisconsin para a Flórida, que não possui imposto estadual sobre renda, pode economizar milhões de dólares ao ala de 31 anos em seu próximo contrato, que ele poderá assinar como extensão a partir de janeiro. (Alternativamente, ele poderá recusar sua opção de jogador para 2027-28 e se tornar agente livre no próximo verão.)
Com parcerias com mais de uma dúzia de marcas, incluindo acordos recentes com Gopuff, Kalshi e Superpower que incluem participações acionárias, os estimados US$ 45 milhões de renda fora de quadra de Antetokounmpo foram superados por apenas sete estrelas do esporte na lista da Forbes dos atletas mais bem pagos do mundo em 2026.
Antetokounmpo também investiu no time feminino de futebol do Chelsea em fevereiro e, apesar de sua saída de Milwaukee, ainda pode conquistar outro título para a cidade: ele possui uma pequena participação no Brewers, classificado para a World Series, desde 2021.
4. US$ 93,9 milhões
LeBron James
Idade: 41 | Posição: ala | Time: Philadelphia 76ers | Dentro de quadra: US$ 3,9 milhões • Fora de quadra: US$ 90 milhões
A mudança de James para o 76ers neste verão, depois de oito temporadas com o Los Angeles Lakers, fará com que ele ganhe menos dentro de quadra do que em qualquer outro momento de sua carreira profissional — incluindo sua temporada de estreia, em 2003-04, quando seu salário era de US$ 4 milhões.
Mas o ala de 41 anos também está ganhando mais fora de quadra do que nunca, com patrocínios lucrativos de marcas como Hennessy, Louis Vuitton e a recente adição Polymarket, que, segundo a Front Office Sports, pagará a ele US$ 15 milhões por ano.
Seu acordo com a Fanatics também viria, segundo relatos, com um benefício além do dinheiro: o uso de um helicóptero da empresa para fazer o trajeto entre Filadélfia e Nova York.
Além de seus patrocínios, James apresenta o podcast Mind the Game ao lado do integrante do Basketball Hall of Fame Steve Nash e lançou neste ano seu quarto livro infantil, chamado Happy Spooky Halloween!.
Ele também lançou um canal no YouTube em agosto, atraindo 650.000 inscritos com vídeos focados em golfe, e sua fundação está fazendo parceria com o PGA Tour para realizar um torneio em sua cidade natal, Akron, Ohio, no próximo ano.
5. US$ 87,9 milhões
Anthony Edwards
Idade: 25 | Posição: ala-armador | Time: Minnesota Timberwolves | Dentro de quadra: US$ 48,9 milhões • Fora de quadra: US$ 39 milhões
Entrando na terceira temporada de um contrato de cinco anos com valor projetado de US$ 244,6 milhões, Edwards é o líder de uma equipe reformulada do Timberwolves, que adquiriu LaMelo Ball em julho.
“Eu não espero”, disse neste mês à Associated Press o armador de 25 anos, que chegou aos playoffs por cinco anos consecutivos. “Eu não desejo nada. É pura força de vontade e determinação. E vamos mostrar isso todas as noites.”
Edwards, presença frequente em campanhas da Adidas e Sprite, anunciou recentemente uma parceria com a PrizePicks e transmitiu a segunda edição de seu Believe That Awards em seu canal no YouTube.
Produzido pela Three Fifths Media, de Edwards, o programa distribuiu prêmios como “personagem principal do ano” e o “stood on bidness award” e teve aparições de vencedores como Coco Gauff, Michael B. Jordan e Justin Bieber, que foi nomeado “garoto branco do ano”.
6. US$ 86,5 milhões
Jayson Tatum
Idade: 28 | Posição: ala | Time: Boston Celtics | Dentro de quadra: US$ 58,5 milhões • Fora de quadra: US$ 28 milhões
Tatum fez um retorno um tanto surpreendente às quadras em março, menos de dez meses depois de romper o tendão de Aquiles — recuperação que foi tema de um documentário de cinco partes da NBC chamado The Quiet Work, além de anúncios para a Amica Insurance e o analgésico Journavx.
“É um tipo diferente de alegria que tenho agora em comparação com minhas primeiras oito temporadas”, disse o ala de 28 anos no training camp, descrevendo sua mudança de perspectiva enquanto entra na segunda temporada de um contrato de cinco anos e US$ 314 milhões.
Tatum, apoiado por marcas que incluem AT&T, Coach e SoFi e cofundador da fabricante de doces Enjoy Small Wins, terá de se adaptar a uma nova realidade no Celtics, porém, depois que Boston negociou seu companheiro de longa data Jaylen Brown com o Philadelphia 76ers em julho em troca de Paul George e um pacote de escolhas de draft.
7. Empate — US$ 70,8 milhões
Jimmy Butler
Idade: 37 | Posição: ala | Time: Golden State Warriors | Dentro de quadra: US$ 56,8 milhões • Fora de quadra: US$ 14 milhões
Butler está afastado desde que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito em janeiro, mas, segundo relatos, pretende retornar no início de 2027.
“Robin vai voltar daqui a pouco”, disse o ala de 37 anos à NBC Sports neste mês, acrescentando que estava ansioso para fazer bloqueios para seu Batman, o armador dos Warriors Stephen Curry.
Butler, que se tornará agente livre depois desta temporada, também é companheiro de Curry na lista de embaixadores da Li-Ning e é patrocinado por outras marcas, incluindo Alo Yoga, os óculos inteligentes Specs da Snap e Cheez-It, que comercializou uma caixa de colecionador dos biscoitos decorada com uma foto de Butler acompanhada de um pacote de café da Big Face, empresa fundada por ele.
7. Empate — US$ 70,8 milhões
Shai Gilgeous-Alexander
Idade: 28 | Posição: armador | Time: Oklahoma City Thunder | Dentro de quadra: US$ 40,8 milhões • Fora de quadra: US$ 30 milhões
Bicampeão consecutivo do prêmio de MVP, Gilgeous-Alexander está se adaptando a novas diretrizes de arbitragem criadas para combater jogadores de ataque que empurram os defensores, mas o armador de 28 anos acredita estar melhor e mais versátil nos dois lados da quadra depois de um verão de muito trabalho.
“Acho que sou o melhor jogador da NBA”, disse ele à Time, enquanto busca se recuperar de uma derrota nos playoffs para o San Antonio Spurs.
Gilgeous-Alexander, que no ano passado assinou uma extensão de quatro anos e US$ 285 milhões com o Thunder que começa em 2027-28, complementa sua renda com parcerias como Levi’s e YSL Beauty.
Embora tenha assinado em 2024 um contrato plurianual para uma linha de tênis com a Converse, pertencente à Nike, Gilgeous-Alexander sinalizou em junho que passaria a representar diretamente a marca do Swoosh.
Enquanto isso, neste mês, ele se juntou ao grupo de proprietários do time espanhol de futebol Atlético de Madrid.
9. US$ 68,1 milhões
Devin Booker
Idade: 29 | Posição: ala-armador | Time: Phoenix Suns | Dentro de quadra: US$ 57,1 milhões • Fora de quadra: US$ 11 milhões
Booker assinou no ano passado uma extensão contratual de dois anos e US$ 145 milhões com o Suns, dando a ele a opção de se tornar agente livre em 2029 ou 2030, e depois liderou Phoenix a uma surpreendente vaga nos playoffs.
Enquanto busca melhorar a campanha de 45 vitórias e 37 derrotas, o cinco vezes All-Star afirma que quer ser mais agressivo nos arremessos e que não está preocupado com o fato de completar 30 anos neste mês.
“À medida que você envelhece, aprende novas formas de treinar, novas formas de cuidar do corpo”, disse ele a jornalistas em setembro. “Tenho absorvido muito de vários caras que tiveram sucesso e jogaram por muitos anos.”
Fora do basquete, Booker lançou recentemente uma coleção de copos da Stanley, além de duas versões especiais de seu tênis de assinatura da Nike: uma criada pelo artista de grafite Futura e outra com o logotipo do McDonald’s.
Ele também viu a Coco5, fabricante de bebida esportiva à base de água de coco da qual é coproprietário, levantar US$ 10 milhões em janeiro.
10. US$ 68 milhões
Joel Embiid
Idade: 32 | Posição: pivô | Time: Philadelphia 76ers | Dentro de quadra: US$ 58 milhões • Fora de quadra: US$ 10 milhões
Embiid emagreceu e passou a levantar pesos pesados com mais frequência em uma tentativa de se manter saudável para um time do 76ers com grandes expectativas depois das contratações de LeBron James e Jaylen Brown na offseason.
O resultado é que Embiid participou integralmente do início do training camp, feito nada pequeno para o pivô de 32 anos, frequentemente lesionado, que disputou 96 de 246 jogos possíveis de temporada regular nos últimos três anos.
“Seria tolice dizer que esta temporada não será diferente, por causa das expectativas e da atenção”, disse recentemente à GQ Embiid, que está na primeira temporada de um contrato de três anos e US$ 187,9 milhões. “Mas, na minha cabeça, tudo é igual porque toda a minha carreira sempre foi sobre uma coisa: vencer.”
Fora de quadra, Embiid é mais seletivo com patrocínios do que era no início de sua carreira, mas continua sendo o rosto da divisão de basquete da Skechers.
Metodologia
O ranking de 2026 da Forbes dos jogadores mais bem pagos da NBA reflete os salários da temporada 2026-27 para contratos assinados até 19 de outubro de 2026. Os valores dentro de quadra são arredondados para os US$ 100 mil mais próximos.
Incentivos baseados no desempenho individual ou coletivo em 2026-27 não estão incluídos. As estimativas de ganhos fora de quadra são determinadas por meio de conversas com fontes do setor e arredondadas para o US$ 1 milhão mais próximo.
Os valores refletem dinheiro anual proveniente de patrocínios, licenciamento, aparições e memorabilia, além de retornos em dinheiro de negócios nos quais o atleta possui participação significativa.
Rendimentos de investimentos, como pagamentos de juros ou dividendos, não são incluídos, mas a Forbes considera pagamentos provenientes de participações acionárias que os atletas tenham vendido. A Forbes não desconta impostos nem comissões de agentes.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com
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Negócios
Rafael Câmara: a Trajetória do Piloto Brasileiro Que Chegou À Fórmula 1 Aos 21 Anos
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
Rafael Câmara ainda estava longe de ter idade para dirigir nas ruas quando começou a construir o caminho que o levaria à Fórmula 1. Aos seis anos, entrou em um kart indoor no Recife. Quinze anos depois, o pernambucano de 21 anos tem contrato assinado para disputar a temporada de 2027 pela Haas.
O anúncio transforma em realidade uma trajetória que avançou quase sem interrupções pelas categorias de formação. Câmara foi campeão da Fórmula Regional Europeia em 2024, conquistou a Fórmula 3 logo em sua temporada de estreia, em 2025, e agora lidera a Fórmula 2 faltando duas etapas para o fim do campeonato.
Nesse período, passou também pela Ferrari Driver Academy, programa de jovens pilotos da escuderia italiana ao qual ingressou em 2021. É justamente essa combinação de precocidade, títulos consecutivos e rápida adaptação a carros cada vez mais potentes que ajuda a explicar por que a Haas decidiu apostar nele em um contrato de vários anos.
“Chegar à Fórmula 1 é a realização de um sonho e um momento muito especial da minha carreira”, afirmou Câmara após a confirmação. “Mas sei que isso é apenas o começo.”
Do Recife para as pistas do mundo
Rafael Câmara nasceu em 5 de maio de 2005, no Recife. Filho do advogado Amaro Câmara e de Paula Câmara, cresceu em Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana.
O automobilismo não era exatamente estranho à família. Sua avó, Niege Rossiter, foi pioneira em competições automobilísticas no Recife. Rafael, por sua vez, começou a frequentar o kart inspirado pelo irmão mais velho.
Em 2011, aos seis anos, já andava em kart indoor. Poucos anos depois, a brincadeira havia se transformado em competição. Em 2016, começou a aparecer na SKUSA Super Master Series. Três anos depois, já acumulava vitórias frequentes na categoria.
O salto internacional ganhou força em 2021. Naquele ano, venceu a WSK Champions Cup e a WSK Super Master Cup em Adria, na Itália, além de conquistar uma prova da Champions of the Future, em Gand, na Bélgica. Os resultados chamaram a atenção do programa de desenvolvimento da Ferrari.
O terceiro brasileiro escolhido pela Ferrari
Câmara participou das finais mundiais de seleção da Scuderia Ferrari Driver Academy ainda com pouca experiência em monopostos. O desempenho foi suficiente para garantir uma vaga.
Ele se tornou o terceiro brasileiro a integrar o programa, depois de Enzo Fittipaldi e Gianluca Petecof. A partir dali, o caminho passou a ser acompanhado de perto por Maranello.
Em 2022, Câmara disputou a Fórmula 4 dos Emirados Árabes e a italiana pela Prema, além de algumas participações no campeonato alemão. Somando as três competições, conquistou nove vitórias. Terminou como vice-campeão nos Emirados e terceiro colocado tanto na Itália quanto na Alemanha.
Era o começo de uma sequência em que praticamente cada mudança de categoria foi acompanhada por uma disputa pelo título.
O primeiro grande título
Em 2024, ainda defendendo a Prema, Câmara transformou regularidade em campeonato. Na Fórmula Regional Europeia, venceu oito provas, conquistou cinco pole positions e acumulou pódios suficientes para assegurar o título com uma etapa de antecedência.
O resultado abriu a porta para a Fórmula 3 no ano seguinte. E a adaptação foi rápida. Correndo pela Trident, o brasileiro venceu as duas primeiras Feature Races de sua temporada de estreia, em Melbourne e Sakhir, ambas depois de largar na pole.
Vieram depois novas vitórias em Barcelona e Budapeste. O triunfo na Hungria garantiu o campeonato antes da última etapa.
Ao todo, foram quatro vitórias — todas nas corridas principais —, cinco pódios e quatro voltas mais rápidas. As cinco pole positions conquistadas em 2025 representaram ainda o maior número já registrado por um piloto em uma temporada da Fórmula 3.
O último fim de semana trouxe outro retrato da temporada: em Monza, Câmara saiu do fim do grid para terminar a Feature Race em quinto.
Da Fórmula 3 direto para a liderança da F2
O passo seguinte veio em 2026. Câmara subiu para a Fórmula 2 com a Invicta Racing e, novamente como estreante, chegou à parte final da temporada brigando pelo título.
Quando a contratação pela Haas foi anunciada, liderava o campeonato com 207 pontos, restando duas etapas. Já havia vencido as Feature Races da Espanha, Bélgica e Azerbaijão, além de somar seis pódios e cinco poles.
A sequência dá dimensão à velocidade da ascensão: campeão da Fórmula Regional em 2024, campeão da F3 em 2025 e líder da F2 no ano seguinte.
Na ficha acumulada durante sua passagem pela academia da Ferrari, aparecem 144 corridas, 24 vitórias e 25 pole positions. Mas os resultados nas categorias menores não foram o único critério para a chegada à Fórmula 1.
O teste que ajudou a convencer a Haas
O primeiro contato de trabalho entre Câmara e a Haas aconteceu em agosto. O brasileiro participou de um teste de carros anteriores, conhecido como TPC, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, Portugal. Pilotou o VF-25 e teve a oportunidade de mostrar como se comportava diante de um Fórmula 1, não apenas em velocidade, mas também na interação com engenheiros e na capacidade de adaptação.
Foi justamente esse segundo aspecto que chamou a atenção de Ayao Komatsu, chefe da equipe. Para o dirigente, Câmara mostrou mais do que velocidade pura durante o teste. Komatsu destacou a maneira como o brasileiro conseguiu construir as condições necessárias para extrair desempenho mesmo tendo pouco tempo para conhecer o carro.
“Ele mostrou que conseguia lidar muito bem com a situação”, afirmou o chefe da Haas. “Vimos mais do que velocidade.” A avaliação pesou na decisão de entregar a ele uma vaga para 2027.
Gene Haas, proprietário da equipe, também citou a experiência recente com jovens ligados à academia da Ferrari como referência para a escolha. Ollie Bearman percorreu caminho semelhante antes de chegar ao time.
Aos 21, o começo de outra história
Há algo de incomum na trajetória de Rafael Câmara não apenas pela idade, mas pela sequência. Ele não chega à Fórmula 1 amparado por um único campeonato de destaque. Nos últimos anos, acumulou títulos e avançou de categoria antes que cada conquista tivesse tempo de envelhecer.
Do kart no Recife vieram as provas internacionais. Da Fórmula 4, a Fórmula Regional. Depois, o título da F3 em sua estreia. Agora, enquanto ainda tenta terminar a temporada de Fórmula 2 com mais um troféu, já sabe onde estará no próximo ano.
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